domingo, 15 de maio de 2011

O recurso ao paganismo


A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem o título «O Recurso ao Paganismo» e recebe Jacques Marlaud, jornalista e ensaísta francês. Nascido na Argélia em 1944, Marlaud foi um dos fundadores do GRECE, do qual foi presidente entre 1987 e 1989, e mantém o Círculo de Reflexão e Estudos Metapolíticos (CRÉM) na Univseridade Lyon III. Para além de vários livros editados, tem dezenas de artigos publicados em diversas revistas, focando domínios como a metapolítica, a geopolítica internacional, a desinformação mediática, a questão religiosa e o pensamento ecologista. Como é habitual, a emissão pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera a partir das 22 horas portuguesas.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Guerra aos alienígenas

Num tema hollywoodesco recorrente, mais uma vez vemos a Terra a ser invadida por alienígenas implacáveis, que matam e destroem tudo pelo caminho. Mas este “Invasão Mundial: Batalha Los Angeles” é mais um filme de guerra que de ficção científica. Este é mais um daqueles exercícios de entretenimento que nos chega pela mão de Jonathan Liebesman, realizador mais ligado aos filmes de terror.

O sargento Michael Nantz (Aaron Eckhart) acaba de se reformar, quando é chamado para uma última missão. Com o seu pelotão de fuzileiros tem como objectivo recuperar uns civis que ficaram refugiados numa esquadra de polícia localizada na área ocupada, antes que toda a zona seja varrida por bombardeamentos aéreos. A chefiá-lo está um jovem tenente acabadinho de sair da escola de oficiais. A questão da autoridade com os homens vai ser colocada, se bem que infelizmente é pouco aproveitada.

As cenas de combate estão bem conseguidas e filmadas no estilo de câmara ao ombro que confere mais realismo à acção. No entanto, há sempre um registo de vídeo-jogo que é infeliz.
A história, se é que a podemos considerar como tal, não passa disto. Os efeitos especiais são bons e o pormenor de no início não conseguirmos ver bem os extra-terrestres, antes vultos desfocados está bem conseguido. Não que depois venhamos a saber mais destes monstros, que se apresentam numa grande e violenta máquina militar. O que está em causa é uma grande invasão e a colonização do nosso planeta.

O desempenho dos actores é monótono, tanto do protagonista, como da já experimentada neste género Michelle Rodriguez , mas talvez aqui não fosse necessário mais, com este tipo de personagens vazias.

Concluindo, são quase duas horas de acção, tiros e explosões, que passam a grande velocidade e não trazem nada de novo. Mais do mesmo. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Estradas

Uma vintena de anos depois, Monte Hellman volta a realizar um filme. Talvez fosse melhor dizer conduzir, porque o título nos remete para a sua obra mais conhecida “Two-Lane Blacktop”, de 1971, um ‘road movie’ que entre nós se chamou exactamente “A Estrada Não Tem Fim”. Apesar do seu talento, Hellman nunca teve o reconhecimento de outros que mudaram o cinema americano na passagem da década de 60 para a de 70 do século passado. O seu estilo “independente” seria sempre mais apreciado na Europa do que na sua terra natal. Algo que parece continuar, porque “Road to Nowhere – Sem Destino” foi reconhecido com Leão de Ouro Especial no Festival de Cinema de Veneza do ano passado.

Após um interregno tão longo, que melhor tema que o próprio cinema? Assim, a história leva-nos à rodagem de um filme sobre a estranha morte de Velma Duran (Shannyn Sossamon). O realizador Mitchell Haven (Tygh Runyan) encontra a sua protagonista, uma jovem actriz por quem começa a desenvolver uma obsessão amorosa. Mas esta viagem ao ‘film noir’, com uma inteligente revisitação dos seus aspectos, não se fica por aí. Realidade e ficção cruzam-se, o filme e a realidade misturam-se deixando o espectador na dúvida. Este exercício enigmático é um autêntico jogo de espelhos, de vertigem e abismo, com várias referências a filmes, mas onde não pude deixar de encontrar pitadas da “estrada perdida” de Lynch.

A salientar está a excelente representação de Shannyn Sossamon, que encarna a sua perfeitamente a sua personagem, tal como acontece na história. A sua prestação, aliás, oblitera a de todos os outros, que ficam muito aquém, mas até sentimos que só podia ser assim.

Esta não é “uma estrada que nos leva a lado nenhum”, mas como afirmou o seu realizador, um filme “que não pode ser visto só duas vezes”. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Símbolos

Ao anúncio da morte de Bin Laden pelo actual presidente dos EUA seguiu-se o esperado turbilhão informativo, com notícias por vezes contraditórias e sem pormenores, que dificulta sempre a análise.
Ainda assim, esta é a queda de um símbolo, da “encarnação do mal” para muitos ocidentais. Exactamente o mesmo que significavam a “América”, os “cruzados”, o World Trade Center, para os seguidores do líder da Al-Qaeda. Caídas as torres gémeas, o “american way of justice” exigiu, à boa maneira de Talião, “um símbolo por um símbolo”. Uma década depois, conseguiu-o.
Mas a morte da representação máxima do extremismo islamita não dita, só por si, o fim do terrorismo a ela associado. Consegue, isso sim, provocar movimentações imediatas nos mercados bolsistas, cambiais, no preço do petróleo, etc.

Interrogações
Esta morte pode até encerrar um capítulo, mas levanta várias questões. Haverá uma alteração significativa na natureza, já de si difusa, do terrorismo islâmico? Assistiremos a uma onda de ataques de retaliação? Qual o impacto deste acontecimento na actual situação tumultuosa um pouco por todo o mundo muçulmano, nomeadamente nos países à volta da Europa? Qual o efeito no seio das comunidades islâmicas que vivem na Europa e nos EUA? As relações entre os EUA e o Paquistão, nomeadamente em termos de serviços secretos e de partilha de informações, estabilizar-se-ão? Haverá mudanças na política de intervenção militar norte-americana e na presença de tropas em solo estrangeiro? Por fim, terá Obama garantido – como parece – a sua reeleição?
Em História, tudo está sempre em aberto.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

domingo, 1 de maio de 2011

Frase do dia

«O trabalhismo instalou no Reino Unido a obsessão da igualdade (racial, social, sexual, religiosa) e a imprensa persegue com uma extraordinária fúria a menor infracção ao código sagrado do "politicamente correcto".»

Vasco Pulido Valente
in «Público».

Méridien Zéro e «Os Esgotos da República»


A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem o título «Os Esgotos da República», e é a primeira parte de uma emissão alargada dedicada aos escândalos, corrupção, manipulação e assassínios associados ao regime republicano francês. Como é habitual, o programa pode ser escutado através da Radio Bandiera Nera a partir das 22 horas portuguesas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sete anos

Em dia de aniversário desta casa, olho para trás e vejo como a vida mudou de tantas maneiras, algumas bastante inesperadas. O blog acaba por reflectir em certa forma essas alterações. Na longevidade desta minha presença blogosférica tive sempre a eterna dúvida de quem escreve - quem me lê e como o interpreta. Isto apesar de nos vários níveis da escrita haver sempre um que é pessoal, que é dirigido exclusivamente ao próprio autor. É por isso que este é um daqueles posts que não parece, mas que no fundo é bastante egoísta. Apesar disso, não posso deixar de dizer a todos os que por aqui passam, em especial aos amigos, um sentido obrigado.

À descoberta da nossa identidade

Após um prolongamento até ao passado dia 23 de Abril, esteve patente no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) a exposição “Primitivos Portugueses (1450-1550). O Século de Nuno Gonçalves”, que reuniu mais de 160 pinturas dos séculos XV e XVI. Mostrando ao público todo o conhecimento entretanto atingido sobre a pintura portuguesa, levanta de novo as questões de uma “originalidade artística” e de uma “identidade nacional” associadas ao brilhante ciclo criativo iniciado por Nuno Gonçalves.

Subindo a escadaria do MNAA até ao último piso, o visitante era automaticamente surpreendido pelo magnífico retábulo do Mosteiro da Trindade, datado de 1537, cuja remontagem integral se fez aqui pela primeira vez. Um óptimo início para uma viagem pela chamada “Escola Portuguesa” dividida em vários núcleos. O primeiro, dedicado ao século XV confrontava Nuno Gonçalves com os seus contemporâneos. De seguida, era possível apreciar os principais retábulos do início do século XVI e o gosto pela pintura flamenga. Depois, o núcleo dedicado às oficinas de pintura de Coimbra, Guimarães e Viseu, até se chegar à grande oficina de Lisboa e à figura de Jorge Afonso. Por fim, os tempos de mudança e um processo de renovação ao “modo de Itália”, concluindo com os novos autores que transpuseram os meados do século XVI.

Comissariada por José Alberto Seabra de Carvalho, “Primitivos Portugueses (1450-1550). O Século de Nuno Gonçalves”, incluiu também um núcleo no Museu de Évora dedicado aos pintores luso-flamengos e às oficinas activas na cidade no início do século XVI. Destaque ainda para a mostra da análise das obras com recurso às novas tecnologias, como raios x, reflectografias e o recurso a infra-vermelhos, que permitem ver o projecto original e o processo criativo dos seus autores.

A parte final da exposição, uma secção documental bastante interessante que encerra com um documentário cinematográfico de António Lopes Ribeiro, produzido pelo SNI em 1956, dava conta da historiografia dos chamados Primitivos Portugueses desde 1910. Este foi o ano da primeira apresentação pública dos Painéis de São Vicente, na Academia de Belas Artes de Lisboa, organizados pelo crítico José de Figueiredo e restaurados por Luciano Freire. Em 1912, os Painéis seriam incorporados no MNAA e entre 1925 e 1929 iniciava-se uma acesa polémica entre críticos e historiadores em vários jornais, sobre a autoria da obra e a identidade das figuras retratadas. Discussão que, há que dizê-lo, continua até aos nossos dias. A internacionalização dos Painéis deu-se com as exposições de Sevilha, em 1929, e de Paris, em 1931, organizadas por José de Figueiredo. Em 1940, no âmbito da Exposição do Mundo Português, foi organizada a grande exposição “Primitivos Portugueses (1450-1550)” por Reynaldo dos Santos. No discurso de abertura afirmou: “esta exposição é, perante a História da Arte, a confirmação, desta vez decisiva, da luminosa intuição de José de Figueiredo – a existência de uma Escola de Pintura Portuguesa”. Setenta anos depois, volta a ser apresentada ao público, numa iniciativa do MNAA a louvar, que só é pena que não se prolongue ainda por mais tempo. A pintura portuguesa existe, gera interesse e recomenda-se. O Renascimento Português é, felizmente, um assunto que está longe de estar encerrado. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coelhos da Páscoa

Nos períodos de férias há sempre um aumento na oferta de filmes para os mais novos para atrair as famílias ao cinema. Desta vez, há um que versa exactamente sobre esta época festiva, a fazer lembrar as histórias de Natal. Aqui o Coelho da Páscoa faz a vez de Pai Natal e, em vez de presentes, tem a tarefa de distribuir ovos e guloseimas. Os seus ajudantes não são duendes, mas pintainhos e a sua base não é o Pólo Norte, antes a Ilha da Páscoa.

“Hop” conta-nos como C. P., o filho do coelho da Páscoa e seu sucessor, não está disposto a seguir a o destino que a herança familiar lhe reserva, mas antes decide embarcar numa aventura até Hollywood para cumprir o seu sonho de ser um baterista de sucesso.

Em mais um cruzamento de actores de carne e osso com personagens animados, algo que a presente tecnologia melhorou bastante, o nosso jovem coelho vai encontrar Fred O’Hare (James Marsden) – um belo trocadilho de nome, que se perde no português – um jovem que está desempregado, indeciso quanto à sua carreira e ainda vive em casa dos pais, que o querem “despachar” a todo o custo.
Por entre conflitos de gerações, rebeldia de juventude, carreiras improváveis, tentativas de tomada do poder e amizades sinceras, “Hop” vai saltitando entre momentos bastante divertidos.
Como vem sendo habitual nas animações para a família, este é também um filme que tem em conta os mais graúdos, com algumas situações e piadas com referências que lhes são dirigidos, como por exemplo uma engraçada passagem com David Hasselhoff.

Apesar das perdas naturais em qualquer tradução, nomeadamente a participação de Russel Brand na voz da personagem principal, a dobragem está bem feita, com destaque sem surpresas para a prestação de Herman José que é uma mais-valia na voz de Carlos, interpretada no original por Hank Azaria.

Sem surpreender, este é um bom filme para ver com os miúdos, com a vantagem que permite fugir à crescente ditadura do 3D, essa verdadeira imposição comercial cujo objectivo é o combate às abundantes cópias ilegais. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Terre & Peuple Magazine n.º 47


O último número da "Terre et Peuple Magazine" tem como tema central "O desafio da demografia" e inclui um óptimo dossier com artigos de Pierre Vial e Alain Cagnat. Nota para o editorial de Pierre Vial, "A guerra civil em França? Multiculturalismo ou multirracialismo?". Destaque ainda para a entrevista com Jean-Patrick Arteault, iniciada na edição anterior, sobre as raízes do mundialismo ocidental. Como habitualmente, podemos ainda ler outros artigos e as secções de notícias, crítica a livros e banda desenhada.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Primitivos Portugueses


Só hoje fui ver a excelente exposição “Primitivos Portugueses (1450-1550). O Século de Nuno Gonçalves”, patente no Museu Nacional de Arte Antiga que reúne mais de 160 pinturas dos séculos XV e XVI. Uma viagem inesquecível pela chamada “Escola Portuguesa”. Termina já no próximo Sábado, dia 23 de Abril. Não percam!

8 minutos

Podemos considerar que na ficção científica existe um subgénero que é o dos saltos temporais sucessivos para tentar alterar o passado ou o futuro. É sempre arriscado, especialmente em cinema, ainda para mais quando esses regressos são repetidos até à exaustão. O que acontece em “O Código Base”, passa-se essencialmente em oito minutos.

O capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal), cuja última recordação é a de estar aos comandos de um helicóptero militar no Afeganistão, acorda num comboio em frente a Christina (Michelle Monaghan) e descobre que está na pele de um professor que se dirige para o trabalho. A determinada altura, explode uma bomba que os mata a todos. Mas Colter desperta novamente, agora numa cápsula, vendo num ecrã a capitão Goodwin (Vera Farmiga). A partir daqui começam as voltas e reviravoltas – literalmente falando – da história. Acabamos por perceber que o protagonista faz parte de uma experiência científica que consegue colocá-lo no corpo de outra pessoa. Enquanto militar, a sua missão é descobrir quem é o bombista e evitar futuros ataques.

Longe vão os tempos do excelente “Donnie Darko” (2001), mas Jake Gyllenhaal é um actor que deu provas de talento em filmes como “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), “Máquina Zero” (2005) ou “Zodiac” (2007). Desta vez, a representação é ele e quase só ele. E responde ao que é pedido, mas nem assim o filme ganha interesse.

Vera Farmiga, que recentemente vimos no bem conseguido “Nas Nuvens” (2009), aparece agora num papel bastante desaproveitado, quase sempre sentada e de uniforme, mais parecendo uma operadora de ‘callcenter’. Outro papel inexplicavelmente demasiado secundário é o de Michelle Monaghan.
É claro que durante todo o filme há acção para dar e vender. Nem que seja exactamente a mesma explosão vista vezes sem conta. Nesta corrida às volta de ar juvenil, também há um pseudo-suspense e uma tentativa de legitimação científica de toda aquela trabalhada. Por isso, há quem o considere “entretenimento”, no estilo forçado dos filmes de Domingo à tarde. Talvez haja quem sinta o conforto da repetição, um pouco como as crianças, mas para mim foi apenas difícil evitar o aborrecimento neste “rebobina e volta a tocar”... [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

sábado, 16 de abril de 2011

Alain de Benoist no Méridien Zéro


Esta semana, o programa Méridien Zéro recebe o pensador francês Alain de Benoist e tem como tema "Para além da Nação, o Império". Como é habitual, a emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A actualidade de "Tropa de Elite 2"

O actor Sandro Rocha no papel do chefe miliciano major Rocha,
em "Tropa de Elite 2" (2010).

Ontem partilhei aqui o meu texto sobre o filme "Tropa de Elite 2", que fala sobre a realidade das chamadas "milícias" e do seu envolvimento directo com vários políticos no Rio de Janeiro. Nem de propósito, no mesmo dia, era noticiada a detenção do vereador Luis André Ferreira da Silva, conhecido como Deco, acusado de liderar uma milícia que planeou "o assassínio do deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias, em 2008, e de ter tentado matar a chefe da Polícia Civil, a luso-descendente Martha Rocha". Mais uma razão para ver este excelente filme.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sempre o sistema

“Tropa de Elite” (2007) foi um verdadeiro fenómeno cinematográfico que fez um retrato social do Brasil, mostrando as intrincadas redes de corrupção que se estendem a praticamente todos os aspectos do quotidiano. A sequela era há muito aguardada e a dúvida era se José Padilha conseguiria fazer um filme tão bom como o primeiro e evitar a pura e simples repetição. Felizmente, conseguiu-o. E da melhor maneira.

São raros os casos em que uma continuação está à altura do filme que a antecede. Neste caso, há uma relação directa com a história e as personagens anteriores. Isso vê-se logo no início, quando se vêem várias passagens que nos avivam a memória.

Dez anos passaram e o capitão Nascimento (Wagner Moura) tornou-se coronel e comandante do BOPE. Depois de um incidente na prisão de alta segurança Bangu 1, onde vários detidos foram mortos na presença de Fraga (Irandhir Santos), um activista dos direitos humanos, Nascimento e Matias (André Ramiro), agora capitão, são afastados das Operações Especiais. Matias volta para a corrupta Polícia Militar, mas Nascimento, graças à sua popularidade, é chamado à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Trocada a farda militar pelo fato e gravata, Nascimento acha que chegou finalmente a uma posição onde pode fazer a diferença. Dá ao BOPE a dimensão e os meios para reduzir o tráfico nas favelas de uma forma nunca antes conseguida. No entanto, ao “resolver” um problema, essa máquina de combate espectacular, pode apenas ter aberto a porta a outro tipo de problemas.
É bastante curioso observar a evolução de tantos personagens que já conhecíamos. Esse jogo de identificação ajuda a perceber como as coisas mudaram. Ou talvez não…

As favelas vivem uma nova realidade. Agora sem traficantes, são controladas pelos corruptos da Polícia Militar que controlam todos os negócios lucrativos que vão das redes de telemóveis à internet ou à televisão. São as chamadas milícias, que afirmam “proteger a comunidade” e dão os ‘forrós’ que o povo gosta. Desta forma controlam o voto de milhares de eleitores que garantem a manutenção de políticos vendidos. Esta “troca de favores” não passa da clássica extorsão e de uma máfia que nos recorda tantos outros casos semelhantes.

Descobrindo esta verdadeira caixa de Pandora que ajudou a abrir, Nascimento, sentindo-se usado, não desiste e acaba por recorrer a quem menos esperava.

A realização mantém o registo anterior, com espectaculares cenas de acção, realistas e muito bem ritmadas, ao mesmo tempo que transmite com dureza a corrupção ao mais alto nível.

O discurso final, ilustrado por uma imagem aérea de Brasília, é simplesmente arrebatador. O subtítulo diz-nos que “o inimigo agora é outro”, mas o que na realidade continua válido é a frase do primeiro filme: “o sistema existe para resolver os problemas do sistema”… [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 10 de abril de 2011

Méridien Zéro recorda Jean Mabire


Esta semana, o programa Méridien Zéro é dedicado a Jean Mabire, escritor, jornalista e crítico literário francês, falecido a 29 de Março de 2006. Autor de uma extensa obra com mais de cem livros, dedicada a temas como a História militar, o paganismo, a literatura e a História da Europa, Mabire notabilizou-se também pela defesa da região normanda e da Europa. Como é habitual, a emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera.

sábado, 9 de abril de 2011

União nacional

Considerando que “Portugal está a viver uma das mais sérias crises da sua história recente”, 47 personalidades, que incluem ex-presidentes da República, reitores, grandes empresários, nomes da cultura, da ciência e da política, apelaram a um “compromisso nacional” entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos. Tal compromisso “deve permitir que o Governo possa assumir plenamente as suas responsabilidades para assegurar o bem público e assumir inadiáveis compromissos externos em nome do Estado”. Até parece um apelo a uma união nacional... a bem da Nação.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desculpabilização automática

A transmissão da “gaffe” na TVI teve como reacção uma desculpabilização automática do jornalista, que afirmou: “Não foi de propósito, assistimos sem querer aos preparativos do primeiro-ministro.” Ao que parece, é melhor jogar pelo seguro. Sócrates nunca foi muito à bola com esse canal e os seus noticiários. Para além de que a memória da ameaça de Jorge Coelho, “quem se mete com o PS, leva”, parece perdurar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

“Ó Luís...”


Foi um momento alto da televisão nacional. Ontem, à hora prevista para a declaração pública do primeiro-ministro, as televisões começaram a emitir e os portugueses foram surpreendidos com o que ficou conhecido como a “gaffe de Sócrates”. Apanhado ainda em preparação, disse para um assessor: “Ó Luís, vê lá como fico a olhar assim para os... Achas que fica bem assim? Ou fica melhor assim?” São as preocupações importantes de quem se manteve no poder pela imagem. O governo socratino podia muito bem ter por máxima: “tudo pela imagem, nada contra a imagem”. Mas não deixa de ser irónico que tenha aparecido em mangas de camisa. Numa altura em que o País está sem dinheiro e tem que recorrer à ajuda externa, podia parecer que o orçamento do guarda-roupa de São Bento já não chegava para os casacos...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O lutador

“The Fighter” deu muito que falar na última cerimónia dos Óscares ao ser nomeado para sete categorias, incluindo a de Melhor Filme e Melhor Realização, e acabando por conseguir, justamente, duas estatuetas para Melhor Actor Secundário e Melhor Actriz Secundária.

Esta é uma viagem até aos anos 80 do século passado a um bairro da classe operária de Lowell, Massachusetts. A vida é difícil e uma das formas de sucesso é o boxe. Foi o caso de Dicky Eklund (Christian Bale), que por ter aguentado um combate até ao fim com Sugar Ray Leonard, ficou conhecido como o “Orgulho de Lowell”. Depois disso afundou-se no consumo de ‘crack’ e na pequena criminalidade. Seguindo as suas passadas como pugilista está o seu meio-irmão mais novo Micky Ward (Mark Wahlberg), que acaba por conseguir tornar-se campeão, saindo da sombra de Dicky.

O boxe é nesta história acessório, porque estamos perante um drama familiar onde a preferência maternal, entre várias disfuncionalidades, marca a dificuldade de afirmação, mas também o endurecimento do filho mais novo. Algumas das críticas referem uma certa ligeireza de um filme que podia ser mais profundo. Acontece que após ter sido recusado pelos grandes estúdios de Hollywood, o argumento foi tornado mais “amigável” e o êxito comercial acabou por ser atingido.

Baseado numa história verídica, é curioso ver a participação de Mickey O'Keefe, sargento da polícia de Lowell, representando-se a si próprio como treinador, o que aconteceu na realidade. Também durante os créditos finais podemos ver imagens dos verdadeiros Micky Ward e Dicky Eklund.

A realçar estão as fabulosas representações dos actores, com destaque óbvio para Christian Bale e para Melissa Leo, no papel da mãe que também é ‘manager’. Aqui há quase um paralelo com a história, já que o desempenho de Wahlberg é eclipsado por estes últimos. O argumento está bem escrito e oferece óptimos diálogos e a boa realização tem alguns pormenores interessantes, como a utilização de câmaras dos anos 90 para filmar os combates e o documentário que está a ser feito sobre o vício de Dicky, o que nos parece transportar no tempo.

Por fim, este é também um registo da América étnica, algo que está presente em todo o filme. Micky Ward tem como alcunha “o irlandês”, representando uma das comunidades dos EUA. Tal acontece também com vários dos seus adversários, como se o boxe fosse uma forma de sanar a tensão entre os vários grupos étnicos que compõem os americanos. Aqui há uma curiosidade para os portugueses, o apelido que dá nome ao ginásio onde treinaram os irmãos, que não é cenário e ainda existe continuando a funcionar: Ramalho. O último round, pelo título, tem também uma carga simbólica. Micky luta contra o anglo-irlandês, Shea Neary, tornando-se então no “americano”. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 3 de abril de 2011

Jean-Yves Le Gallou no Méridien Zéro


Hoje, o programa Méridien Zéro recebe como convidado Jean-Yves Le Gallou, intelectual francês responsável pela criação e dinamização da Fundação Polémia, um think tank cuja actividade se desenvolve essencialmente através da internet. O tema central desta emissão são os galardões "Les Bobards d'Or", prémios da desinformação mediática cuja cerimónia de atribuição está agendada para o próximo dia 5 de Abril. Este programa será emitido pela Radio Bandiera Nera, e tem início, como habitualmente, às 22 horas portuguesas.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Céline no Le Figaro


O «Le Figaro» publicou um número especial dedicado a Céline que está agora nas bancas. A não perder.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O sucesso e a crise

No início deste filme entramos na chamada ‘corporate America’ ao ver a vida de Bobby Walker (Ben Affleck), um alto-quadro da gigantesca empresa GTX, que se movimenta num Porsche, vive com a sua família numa impressionante casa de luxo e chega ao escritório a pensar na óptima pontuação conseguida a jogar golfe num clube seleccionado. É aquela “imagem de sucesso” a que tantos filmes americanos nos habituaram.

Mas a crise bate à porta e os cortes de pessoal são a solução apresentada para manter o preço das acções da empresa elevadas. Nestas vagas de despedimentos, Bobby é inesperadamente incluído e vê-se confrontado com uma realidade que desconhecia.

Aqui está um dos primeiros problemas do filme. Dificilmente alguém se solidarizará com este “homem de negócios” que tinha uma vida milionária. Mesmo assim, apesar de algum sentimento inicial de negação, ele acaba por aceitar um emprego na construção com o seu cunhado com quem as relações estão longe de ser as melhores. Mas até isso parece mais que forçado. A tirar desta experiência está, principalmente, a ideia de que tais situações podem acontecer a todos sem excepção.

Há também passagens interessantes sobre os valores morais de quem dirige monstros empresariais e despede centenas de trabalhadores sem quaisquer problemas de consciência, ao mesmo tempo que se reflecte sobre uma altura onde os empregados produziam algo que podiam ver e sentir, por oposição ao trabalho de secretaria e computador que fazem hoje.

Uma das coisas que chama a atenção para este filme, para alem do tema, é o rico elenco. Tommy Lee Jones, sem dúvida com a melhor prestação, Kevin Costner, num papel secundário bastante apagado, Chris Cooper, que cumpre, e Maria Bello, que vai bem sem surpreender. Nota negativa para Ben Affleck no papel principal, que não confere solidez à personagem que encarna. Entre várias oscilações, há um pormenor que estranhei relativamente ao sotaque de Boston, cidade de onde o actor é natural e onde se passa a acção. Inexplicavelmente, Affleck por vezes acentua-o e por outras simplesmente o evita. Ainda considerei que fosse alguma mudança de registo por condição social, mas cheguei à conclusão que tal era demasiado rebuscado.

Este é mais um daqueles casos de um filme que podia ter sido algo verdadeiramente profundo. Talvez a explicação da sua ligeireza esteja no seu realizador e argumentista, John Wells, um homem conhecido pelo seu trabalho em séries televisivas.

Há um momento engraçado na história onde se ridiculariza uma “sessão de motivação” que os recém-desempregados têm que frequentar. O problema é que, apesar desta divertida crítica, quando chegamos ao final do filme, parece que acabámos de participar numa sessão semelhante. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 29 de março de 2011

Língua

Passam hoje exactamente cinco anos da data da morte de Jean Mabire (8/2/1927 – 29/3/2006), escritor que tanto me influenciou e inspirou com as suas obras e com o seu exemplo. Apesar de defensor da Europa das Pátrias Carnais e de se definir a si próprio como “normando e europeu”, Mabire foi um dos grandes autores de língua francesa, com uma extensa obra publicada.

Defendia que a cultura francesa, encarnada numa língua, devia integrar todas as suas especificidades regionais, por oposição à actual promoção da “linguagem dos subúrbios”. Este empobrecimento, considerava ele, levaria a que se conhecesse em breve “uma espécie de francês básico muito análogo ao que é o americano em relação à língua de Shakespeare”.

É inegável que esse estado está à porta. Assistimos impávida e serenamente às repetidas machadadas no Português e aceitamos pacificamente atentados como o (des)acordo ortográfico. O pior, sem dúvida, é a ignorância generalizada e, para a contrariar, só o eterno regresso aos clássicos e aos mestres deverá continuar a ser o caminho.

Por falar em mestres das letras, também ontem se cumpriram sete anos do falecimento de Rodrigo Emílio (18/2/1944 – 28/3/2004), o poeta-soldado de quem os bem-pensantes tanto se tentam “esquecer”, apesar do seu talento e genialidade incomparáveis. Outro autor para quem a defesa da Pátria implicava necessariamente a defesa da Língua e de toda uma Cultura.

Porque se não soubermos quem foi Camões, a “Língua de Camões” deixará mais tarde ou mais cedo de ser a nossa. Perdendo o seu significado profundo e mecanizando-se passará a ser apenas um “meio” desprovido de conteúdo.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 28 de março de 2011

Bem-hajam e até mais ver!


Quando eu morrer,
não haja alarme!
Não deitem nada,
a tapar-me:
— nem mortalha.

Deixem-me recolher
à intimidade da minha carne,
como quem se acolhe a um pano de muralha
ou a uma nova morada,
talhada pela malha
da jornada...

— E que uma lágrima me valha...!
Uma lágrima — e mais nada...

Rodrigo Emílio (18/2/1944 — 28/3/2004) 

domingo, 27 de março de 2011

Alain Soral no Méridien Zéro


A emissão de hoje do programa Méridien Zéro tem como convidado Alain Soral, conhecido ensaísta, escritor e realizador francês. Definindo-se a si próprio como «intelectual francês dissidente», Soral passou pelo Partido Comunista Francês e pelo comité central do Front National. Fundou em 2007 a associação Égalité et Réconciliation, grupo de «esquerda nacionalista» ao qual preside. «Comprendre l'empire» é o título do seu mais recente livro, um ensaio sobre o poder que desmonta a forma como a banca se tornou o verdadeiro império mundial. Lançado no último mês de Fevereiro, o livro entrou imediatamente no top de vendas da Amazon, alcançando o 18.º lugar. Como habitualmente, este programa pode ser escutado através da Radio Bandiera Nera, a partir das 22 horas portuguesas.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Homem e a Natureza

A Cavalo de Ferro tem o mérito de ter trazido de volta ao panorama editorial nacional o grande mestre das letras norueguês Knut Hamsun. “Pan” é um daqueles livros obrigatórios em qualquer biblioteca. Uma lufada de ar da floresta.


O escritor norueguês Knut Hamsun, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1920, voltou a ser editado em Portugal em 2008 graças à Cavalo de Ferro, com a publicação de “Fome”, traduzido por Liliete Martins e com prefácio de Paul Auster. Desta vez, mais recentemente, lançou uma nova edição de “Pan” (capa mole, 184 páginas, 18,00 euros), traduzida por João Cruz e Mário Cruz, obra que havia sido publicada em 1955, pela Guimarães, com tradução de César Frias. E não ficará por aqui, já que está anunciada para breve a publicação de “Victoria”.

Hamsun é um autor bastante polémico devido ao seu apoio ao movimento de Vidkun Quisling e à Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1943 é recebido por Hitler, a quem se queixa do administrador militar alemão na Noruega, para descontentamento do führer. De seguida, oferece a sua medalha do Nobel a Goebbels. Depois da morte de Hitler escreve um elogio póstumo onde o considera “um guerreiro pela humanidade”. Todas estas atitudes valem-lhe a classificação de “colaborador”, a expropriação dos seus bens e um internamento psiquiátrico já em idade bastante avançada. Mas, apesar de hoje começar a ser reabilitado enquanto escritor, é sempre alvo de críticas devido às suas simpatias políticas e colocado no lado dos “malditos”. Seja como for, independentemente do seu posicionamento, a sua genialidade e a sua qualidade literária são inegáveis.

“Pan”, uma das suas obras de maior sucesso e mais reconhecidas, foi publicado originalmente em 1894 e escrito durante o período em que Hamsun esteve em Paris. Tem como protagonista o tenente Thomas Glahn, antigo militar e caçador, que vive sozinho numa cabana no bosque, apenas com Esopo, o seu fiel companheiro canino. Este fala-nos na primeira pessoa e o livro, de início, parece um diário. Glahn vai encontrar Edwarda e apaixonar-se. No entanto, as infidelidades dela transformarão esta paixão em tragédia.

Em “Pan”, encontramos principalmente a ligação do homem à Natureza, à paisagem que o envolve e o simbolismo do ciclo das estações do ano, manifestações do panteísmo de Hamsun e da sua profunda aversão à civilização urbana e ao progresso. Uma obra-prima da literatura da autoria de quem Thomas Mann considerou “o maior escritor de sempre”. Absolutamente indispensável. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 24 de março de 2011

Horas a mais

Danny Boyle surpreendeu-me com a espantosa viagem ao mundo da droga que foi “Trainspotting” (1996), mas a partir de então nunca mais o conseguiu. Nem com “A Praia” (2000), nem mesmo com o popular “Quem quer ser bilionário?” (2008), que lhe valeu o Óscar na categoria de Melhor Realizador ficou a milhas daquele que foi o seu trabalho verdadeiramente genial.
Desta vez o seu “127 Horas” deu que falar pelas seis nomeações para os Óscares, com seis nomeações, incluindo a categoria de Melhor Filme e Melhor Actor. Ficou, no entanto, de mãos a abanar... e bem. Ainda que, como muitos adiantaram a mera nomeação é por vezes um prémio. A ser assim, nem isso merecia.

Outro atractivo do filme é o facto de se basear numa história real. Ainda para mais numa impressionante história de resistência, cujo real protagonista considerou estar até bem reproduzida, excepto por alguns pormenores iniciais. Mas aí está, parece mesmo que estamos perante uma daquelas reconstituições que normalmente se vêem nos programas especializados de sobrevivência dos canais de documentários. E o melhor, talvez, fosse ter-se cingido a essa meia hora televisiva...

Ora a história é mais ou menos conhecida e simples. O aventureiro “radical” e escalador Aron Ralston (James Franco), num passeio sozinho no deserto rochoso do Utah, acaba preso num estreito desfiladeiro por uma rocha que lhe esmaga a mão e parte do antebraço. O final também é conhecido, pelo que fazer um filme sobre este caso extremo só poderia centrar-se no aspecto humano profundo do protagonista. Tal não acontece.

Apesar de muito louvada, a prestação de Franco não é impressionante. Mas, há que dizê-lo, com as condições que lhe deram, como fazer mais? E será que, mesmo assim, o conseguiria?

Para evitar, em vão, uma seca monumental, o realizador optou pelo pior. Um exagero de ecrãs divididos incompreensíveis, uma acção acelerada sem sentido, uma série de ‘flashbacks’ com personagens de quem pouco ou nada se sabe, sonhos que nos levam para a frente e para trás, como quem nos abana para não adormecermos. Tudo isto com a uma inexplicável ligeireza que passa ao ritmo de um anúncio publicitário de uma bebida energética ou de um teledisco de um qualquer ‘top’ de vendas da MTV.

Houve uma única frase que me ficou deste filme. Quando Aron tenta escavar a rocha que lhe prende o braço recorrendo à lâmina do pequeno alicate que trazia na mochila diz: “Uma lição: não comprem a ferramenta multifunções barata fabricada na China. Eu tentei encontrar o meu canivete suíço, mas...”

Não se iluda. Esta é uma estopada tal que o filme parece demorar o tempo que lhe dá título... Poupe-se ao sofrimento de tentar amputar o braço para sair da sala. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 23 de março de 2011

Le Choc du Mois n.º 41


Neste número da revista francesa «Le Choc du Mois» o tema principal é "Que pode (verdadeiramente) fazer a Polícia?", com um dossier que inclui vários artigos, entrevistas e uma reportagem com a Brigada Anti-Crime. Destaque também para outro dossier sobre o fim do mundo e a reportagem sobre a juventude neofacista italiana intitulada "Rock around Mussolini".

O valor dos que escolheram o caminho mais difícil


A propósito do cinquentenário da Guerra do Ultramar, é de ler o artigo de Jaime Nogueira Pinto publicado ontem no jornal "i", porque "esta é uma pedra-de-toque das poucas questões políticas do nosso passado próximo. Que divide quanto à política, mas que podia unir, quanto ao valor dos que escolheram então o caminho mais difícil".

segunda-feira, 21 de março de 2011

Primavera

Flora

Porque ontem começou a Primavera, aqui fica um pormenor de um dos meus quadros favoritos, a "Primavera" de Sandro Botticelli, que há pouco tempo tive finalmente a oportunidade de apreciar na Galleria degli Uffizi. Um deleite...

domingo, 20 de março de 2011

Laurent Ozon no Méridien Zéro


O programa Méridien Zéro recebe, na edição de hoje, Laurent Ozon, membro do conselho político do Front National, responsável pela formação de quadros e pelas questões de ecologia. Ozon conta, além disso, com um extenso currículo na área do Ambiente, sendo um dos grandes defensores das teorias do localismo.  Como habitualmente, a emissão pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera, a partir das 22 horas.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Enfrentar o destino

O grande mestre da ficção científica Philip K. Dick teve já diversas das suas obras adaptadas ao cinema. Não esperando propriamente algo à altura do clássico contemporâneo Blade Runner (1982), suscita-me sempre a curiosidade quando um realizador decide levar PKD ao grande ecrã.

Desta vez foi a escolha de estreia de George Nolfi, já conhecido como argumentista – o seu mais recente trabalho de escrita foi o último filme da série Bourne, “Ultimato” (2007) –, como realizador. Adaptou o conto “Adjustment Team”, de 1954, e dirigiu um filme que deixa a desejar. O que podia ser uma bela incursão no género ‘sci-fi’, torna-se um ‘thriller’ romântico. Um exercício de entretenimento mais próprio para uma tarde de domingo. Tal não é necessariamente mau, já que a prestação dos protagonistas é boa e certos pormenores evitam o enfado.

Matt Damon, que tem aparecido frequentemente em grandes produções, confirma o seu talento de como actor multifacetado e a dupla que faz com Emily Blunt resulta bastante bem.

A história mostra-nos o jovem e ambicioso político David Norris (Matt Damon), em plena campanha eleitoral e a caminho de um promissor futuro. Depois de um percalço que o desvia de uma vitória anunciada, conhece a bela bailarina contemporânea Elise Sellas (Emily Blunt) que não lhe sai da cabeça. Parecem destinados um ao outro, mas de quem depende o destino?

Cedo Norris descobre acidentalmente, para sua total estupefacção, que há agentes do destino que têm como missão assegurar que tudo se mantenha “de acordo com o plano”. Para tal trabalham em equipa e dispõem de vários poderes. Um deles é a impressionante facilidade das passagens espácio-temporais que lhes permitem “saltar” de um lado para outro com óbvia vantagem sobre o perseguido. Este é um pormenor interessante, já que a forma de entrar nestes canais é através de portas que aparentam ser normais. Outro ponto curioso é o do guarda-roupa bem conseguido destes agentes, sempre de chapéu, num estilo algo ‘fifties’.

Decididos a cumprir a sua missão, que não questionam, os agentes vão perseguir os protagonistas acelerando a acção do filme numa corrida de tirar o fôlego que nos leva, infelizmente, a um final fraco e mais que previsível.

O ponto forte está nas questões maiores que toda a história levanta e que o realizador-argumentista parece relegar, a medo, para segundo plano. Será que o livre-arbítrio condena a humanidade? O homem contra quem o controla, contra quem lhe delineou os planos. Contra toda uma máquina que assegura o cumprimento desses planos previamente delineados. Pode o homem alterar o seu destino? E quando o amor se atravessa no caminho... Pode o amor mudar o destino? [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Drieu La Rochelle

quinta-feira, 17 de março de 2011

Manif

Quando oiço falar em manifestações em Portugal, lembro-me sempre de uma peça jornalística televisiva sobre um dos protestos da função pública liderados pela esquerda.

A determinada altura, uma jovem repórter entrevistava um elemento, com uma retórica saída directamente da cassete do PCP, que se destacava de um grupo que tinha vindo de uma localidade do interior do País. Depois de umas tiradas decoradas, mecânicas, sem sentido, eis que se chegou ao ponto alto da conversa. Perguntado sobre o que trazia no farnel, o manifestante respondeu com um sorriso que para além do chouriço e outros enchidos, tinha também um garrafão de vinho tinto da sua região. Foi o que despertou a atenção dos seus companheiros e mostrou aquilo em que todos estavam de acordo – a festa.

Tratava-se, na realidade, de um passeio a Lisboa com a desculpa de protesto.

É isso que mais parece ter sido a manifestação de dia 12 de Março. Não contestando algum mal-estar e louvando a mobilização de um Povo que normalmente fica em casa e guarda as críticas para o café vemos que o registo das “manifs” pouco mudou.

Apenas com o agravar das condições económicas e sociais se criará um estado extremo que levará as pessoas a revoltarem-se verdadeiramente. Mas, mesmo que aí cheguemos, qual será o seu objectivo? E será que lá chegaremos?

Os que sonham com novas “revoluções” ou revoltas ao estilo norte-africano arriscam-se mais a acordar para verificar que, afinal, nada mudou.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 16 de março de 2011

Nas paredes


Estive recentemente em Pisa e perto do centro dei de caras com esta mensagem na parede. Concordando inteiramente com ela, não resisti a fotografá-la.

domingo, 13 de março de 2011

Méridien Zéro recebe a revista Rébellion


A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem como convidados os dinamizadores da revista Rébellion, publicação bimestral de carácter socialista, revolucionário e europeísta. Como sempre, a emissão pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera, e tem início às 22 horas portuguesas.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O western vive

Os irmãos Coen formam uma dupla talentosa que já nos ofereceu verdadeiras pérolas cinematográficas como “Fargo” (1996), “O Grande Lebowsky” (1998), ou mais recentemente “Este Pais Não é para Velhos” (2007). Agora decidiram mostrar que ainda é possível fazer um ‘western’ e, felizmente, realizaram-no majestosamente.

Para fazer um clássico moderno, recorreram a outro clássico, o romance “True Grit”, de Charles Portis, que deu origem ao filme “Velha Raposa” (1969), de Henry Hathaway, que deu o Óscar a John Wayne. O resultado não podia ter sido melhor e os Coen conseguiram mostrar que o ‘western’ é um género que ainda vive.

O protagonista deste história é Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um ‘marshall’ do Oeste norte-americano com um currículo que fala por si, mas com um feitio dos diabos, dedo leve no gatilho e uma tendência para o abuso do álcool. Até ele chega Mattie Ross (Hailee Steinfeld) uma jovem de 14 anos que o contrata para encontrar Tom Chaney (Josh Brolin), o ladrão que matou o seu pai, para o trazer à justiça. Apesar da sua tenra idade, ela revela-se muito hábil no duro mundo dos adultos e determinada a conseguir o que quer. Atrás de Chaney anda também Laboeuf (Matt Damon), um ‘ranger’ do Texas que se junta nesta caça ao homem e à recompensa, com um estilo totalmente diferente de Rooster. É a partir desse triângulo que se forma que se desenvolve toda a acção do filme.

Os desempenhos do veterano Jeff Briges - o ‘Dude’ de “O Grande Lebowsky” - e da jovem Hailee Steinfeld são magistrais. Ele confirma da melhor forma e com todo o à vontade o grande actor que é. Ela deixa-nos pasmados com tamanho talento e espantosa segurança numa actriz tão nova que agora inicia uma carreira, que será certamente promissora.

Nesta verdadeira ode ao pioneirismo e à fundação da América encontramos todos os elementos do ‘western’, da sessão pública de enforcamento à cena num ‘saloon’, na cidade, e das planícies às montanhas. Temos heróis e bandidos, tiros e cavalgadas, coragem e enganos. E, para terminar, um final fabuloso.

Esquecido nos Globos de Ouro, parecia que as 10 nomeações para os Óscares, incluindo as categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actor Principal e Melhor Actriz Secundária, consagrariam “Indomável”. Tal não aconteceu e o filme saiu da cerimónia de mãos a abanar. Por seu lado, os realizadores viram os seus bolsos cheios com aquele que está a ser o maior sucesso comercial da sua carreira até agora.

Sem prémios, mas com o reconhecimento do público, este é sem dúvida um dos melhores filmes do ano. Um grande ‘western’ dos manos Coen, que se espera que continuem indomáveis. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 9 de março de 2011

Família

Segundo uma sondagem revelada pelo jornal “Público” sobre a família, percebemos que esta mudou e que os inquiridos sentem que foi para pior.

Aqueles que anseiam pelo progresso perpétuo e defendem qualquer mudança como necessariamente positiva, tentam a todo o custo derrubar os últimos pilares que sustentam as nações, os povos, as identidades. A família tem sido um dos seus alvos preferenciais. Eles sabem onde se deve atingir.

No mundo hedonista de hoje, a prioridade económica vai para os bens materiais e o individualismo crescente atira as relações duradouras para o cesto dos “comportamentos retrógrados”. Por outro lado, as cada vez mais influentes redes (as)sociais facilitam as infidelidades e o relacionamento virtual. As duras consequências são sobejamente conhecidas. Da quebra demográfica acentuada ao desprezo desavergonhado pelos mais velhos, passando pela total desvalorização da vida conjunta. Assim se vai perdendo, um pouco por todo o lado, o sentimento de comunidade – essa força tão importante para enfrentar difíceis tempos de crise e para perpetuar um todo nacional.

Perante este cenário, creio sinceramente que a família continua a ser uma instituição que deve servir de modelo para a construção e preservação social. Sem anacronismos, há que afirmar que a família é, e continuará a ser, a base da sociedade. Da sociedade como a queremos continuar a construir.

Post Scriptum – Muito obrigado a todos os leitores que me endereçaram os parabéns e desejaram um bom trabalho na direcção deste semanário. O vosso apoio é essencial para o nosso jornal.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

domingo, 6 de março de 2011

Jean Haudry no Méridien Zéro


Esta semana, o programa Méridien Zéro tem como convidado o Prof. Jean Haudry, conhecido linguista francês e fundador do Instituto de Estudos Indo-Europeus na Universidade Lyon III. O tema da emissão, como não podia deixar de ser, são os Indo-Europeus. Como é habitual, o programa tem início às 22 horas portuguesas e pode ser escutada através Radio Bandiera Nera.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Alain de Benoist em Coimbra


Alain de Benoist está de regresso ao nosso país para marcar presença no II Colóquio Intradepartamental "Aprofundar a crise", promovido pelo Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A sua conferência, sob o tema “As Origens da Crise Financeira”, será proferida amanhã, às 11.45, no anfiteatro IV da FLUC, com apresentação de Alexandre Franco de Sá.

Hitler e os livros

aqui me tinha referido à relação de Hitler com os livros, a propósito de “Hitler’s Library”, de Ambrus Miskolczy. Sobre o mesmo tema publiquei no semanário «O Diabo» e noutra casa uma recensão ao livro “A Biblioteca Privada de Hitler – Os Livros que Moldaram a sua Vida”, recém-publicado entre nós. Aqui fica.

A biblioteca "maldita"

A Civilização publicou um olhar sobre a biblioteca particular de Hitler que tenta revelar os livros que mais o influenciaram. Um campo novo para tentar descobrir o pensamento do führer

Adolf Hitler é visto normalmente como uma “encarnação do mal” e deve ser a figura do século XX sobre quem mais obras se publicaram. No entanto, muitas delas raramente trazem algo de verdadeiramente novo sobre o líder do III Reich, que viu o seu fim num dos períodos mais trágicos da História da Europa. Agora, para colmatar a falta, eis que com agrado chega pela mão da Civilização Editora, “A Biblioteca Privada de Hitler – Os Livros que Moldaram a sua Vida” (capa mole, 316 páginas, 18,90 euros).

As pilhagens e a destruição do pós-guerra fizeram desaparecer grande parte dos mais de 16 mil volumes que compunham a biblioteca de Hitler. Do que sobrou, Timothy W. Ryback seleccionou alguns para contarem a história do seu proprietário, do Guia de Berlim de Max Osborn, comprado durante a Primeira Guerra Mundial, à biografia de Frederico II, de Thomas Carlyle, oferecida por Goebbels em 1945, passando pela “bíblia” rácica norte-americana de Madison Grant.

Segundo ele, Hitler tinha "D. Quixote", "Robinson Crusoe", "A Cabana do Pai Tomás" e "As Viagens de Gulliver" entre as grandes obras da literatura mundial e considerava Shakespeare superior a Goethe e Schiller.

O autor não se refere apenas ao conteúdo das obras e à sua influência. É bastante interessante a forma como descreve fisicamente os exemplares, o seu estado, dedicatórias e anotações.

Nota positiva também para a imagem da capa, uma belíssima fotografia de Heinrich Hoffmann, que na edição portuguesa está maior e a cores, ao contrário da versão reduzida e a preto e branco da edição original.

Esta obra não chega a ser uma biografia intelectual de Hitler, nem uma análise sistemática da sua biblioteca. É uma interpretação feita num estilo mais ligeiro, claramente destinada a um público mais abrangente. Não obstante deixar muito a desejar, tem o mérito de despertar a curiosidade para um aspecto pouco conhecido e por vezes até ignorado da vida de Hitler. Kubizek, amigo de juventude de Hitler, disse que “os livros eram o seu mundo”. Que melhor sítio para tentar compreendê-lo do que na sua biblioteca? [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 2 de março de 2011

Óscares 2011

A Academia estava muito preocupada com a baixa de audiências da cerimónia dos Óscares e foi algo que se notou da pior forma este ano. Numa tentativa de fazer uma coisa “jovem” escolheu como apresentadores James Franco e Anne Hathaway e encolheu a duração do evento, pondo actores a despachar, literalmente, a entrega dos galardões.

Para o ano há mais e espera-se que seja melhor (não é difícil). Mesmo para inovar, convém aprender com as boas lições do passado…

Derrotados
“A Rede Social”, com oito nomeações, venceu três, das quais Melhor Argumento Adaptado. Uma justíssima e esperada consagração do notável trabalho de Aaron Sorkin. Mesmo assim, com toda a expectativa criada e ao falhar a merecida melhor realização para David Fincher, é um perdedor.
“Indomável”, o magnífico ‘western’ dos irmãos Coen, com dez nomeações, ficou de mãos a abanar. É pena, porque este foi um dos filmes do ano com representações fantásticas do veterano Jeff Bridges e da jovem Hailee Steinfeld.

A xaropada “127 Horas”, com seis nomeações, também ficou a ver navios… e bem. Ainda que, como muitos disseram, a mera nomeação é por vezes um prémio. Se foi o caso, nem isso merecia.
Na animação, a segunda nomeação de um filme de Sylvain Chomet, o maravilhoso “O Mágico”, perdeu para o forte adversário da casa “Toy Story 3”.

Vencedores
“O Discurso do Rei”, foi o grande vencedor da noite. Apesar de só conseguir quatro das doze estatuetas para as quais estava nomeado, foi considerado o Melhor Filme, contra uma concorrência de peso, Tom Hooper conseguiu ser reconhecido como Melhor Realizador e Colin Firth como Melhor Actor, não esquecendo o prémio de Melhor Argumento Original para David Seidler.

“A Origem”, de Christopher Nolan, filme que sinceramente me desiludiu, acabou por ganhar quatro das oito categorias para as quais tinha sido seleccionado. Apesar de serem mais técnicas, não deixa de ser uma vitória.

No documentário “Inside Job – A Verdade da Crise”, um merecidíssimo reconhecimento do trabalho corajoso de Charles Ferguson sobre os responsáveis pela actual crise financeira.

Natalie Portman, contrariando certas críticas, venceu justa e esperadamente o Óscar para a Melhor Actriz, pelo seu desempenho em “Cisne Negro”. Foi a única estatueta das cinco nomeações deste filme de Darren Aronofsky.

“The Fighter – O Último Round”, acabou também por ser o vencedor dos papéis secundários. Premiando os belos desempenhos de Christian Bale e Melissa Leo. Curisoamente tiveram os melhores discursos da noite. O dele bastante sincero e o dela tão admirada que até soltou “the f word”, como dizem os americanos. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 1 de março de 2011

Um dia d'O Diabo especial

Este é o meu primeiro dia como director do semanário «O Diabo». Um novo desafio para o qual espero estar à altura. Abaixo fica a capa, como habitualmente, e o meu editorial.


Aos leitores

Sou pouco mais velho do que “O Diabo” e este foi um jornal com o qual, literalmente, cresci. Desde criança que me recordo de ver este semanário em casa dos meus avós e não resistir ao seu logótipo, o que me fazia amiúde recortar os vários desenhos que ilustravam as secções.


Talvez daí tenha nascido a minha paixão pela imprensa e o verdadeiro vício pelos jornais, que se foi agravando. Recordo também os elogios feitos a Vera Lagoa, cuja independência e importância eram louvadas por familiares por quem tinha o maior respeito e consideração. Talvez aí tenha percebido que há mais no jornalismo do que as meras notícias e que o “quarto poder” é uma fonte de tentações, para muitos irresistíveis.

Já no liceu, quando a política me começou a atrair, tornei-me leitor regular de “O Diabo”, para estranheza de muitos condiscípulos e choque de alguns professores, para mais tarde, já na Faculdade, começar a colaborar esporadicamente na imprensa.
De há um ano a esta parte tenho colaborado regularmente neste semanário e assistido à solidificação de uma equipa motivada pela vontade de continuar um marco de irreverência e coragem no panorama nos jornais nacionais.

Encontrei nesta redacção uma segunda casa e alguém que depositou em mim a confiança para continuar o seu trabalho. Ao José Esteves Pinto não posso deixar de agradecer tal honra e reconhecer o seu esforço de tantos anos com um grande abraço.

Aos leitores que sempre nos acompanharam cabe-me apenas garantir que, com a incansável redacção e dedicados colaboradores, darei o meu melhor para continuar o nosso jornal. [publicado na edição de hoje de «O Diabo»]