quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Bibliofilias


Ontem passei por uma livraria que tinha um anúncio no mínimo estranho, rezava mais ou menos assim: "Livros que não interessam a ninguém por 1 euro". Não resisti a entrar e, num rápido passar de olhos, dei de caras com um livro bem interessante de um autor que muito aprecio e que não tinha, nem conhecia. "No Oriente do Oriente", do recém-falecido António Manuel Couto Viana, junta às poesias inspiradas pela sua passagem por Macau, um estudo de Beatriz Basto da Silva e várias ilustrações. Uma belíssima descoberta, que me lembrou um Amigo que está noutro Oriente do Oriente...

Plamegate

Quem se lembra de Valerie Plame? Talvez só pelo nome seja difícil, mas para quem acompanhou o início da Segunda Guerra do Golfo, nomeadamente toda a operação de ‘marketing’ sobre a existência no Iraque de armas de destruição maciça (ADM), que justificavam mais uma intervenção estrangeira naquele país para, supostamente, lhe levar pela força a “liberdade iraquiana”, talvez se lembre do caso que inspira este filme.

Em 2003, a administração Bush, ansiosa por atacar o Iraque, manipulou as informações que tinha sobre a investigação acerca de um possível programa nuclear iraquiano para o fabrico de armamento. Nessa altura, Valerie Plame era uma operacional da CIA, especificamente na área de não-proliferação, cuja missão, entre outras, era garantir que o Iraque não tivesse acesso a armas nucleares. Muito bem relacionada no meio e profunda conhecedora dos movimentos comerciais, afirmou desde o início que os famosos tubos de alumínio comprados pelo Iraque não serviam para o enriquecimento nuclear. Ao mesmo tempo, começam a haver suspeitas de que o Iraque havia comprado quantidades significativas de urânio para produção nuclear, conhecido como ‘yellowcake’, ao Níger. A CIA contratou o antigo diplomata e embaixador Joe Wilson para investigar, que chegou à conclusão que tal era impossível. Quando se apercebeu que as suas investigações haviam sido ignoradas e até deturpadas, publicou um artigo no “New York Times” intitulado “O que eu não encontrei em África”, para repor a verdade.

O problema é que Wilson era marido de Valerie... O gabinete do vice-presidente Dick Cheney, nomeadamente através do seu conselheiro “Scooter” Libby, decidido a eliminar quem se opusesse à teoria das ADM, passou informações ao jornalista Robert Novak, do “Washington Times”, que publicou um artigo denunciando publicamente Valerie como agente. Aí começou um verdadeiro pesadelo.

“Jogo Limpo” é baseado tanto no livro de Valerie Plame, “Fair Game: My Life as a Spy, My Betrayal by the White House”, publicado em 2007 e em “The Politics of Truth. Inside the Lies that Led to War and Betrayed My Wife's CIA Identity: A Diplomat's Memoir”, da autoria do seu marido, publicado três anos antes. Tal explica porque este filme, que poderia ser um belíssimo ‘thriller’ político se fique mais por um relato de vida e uma história sobre a “luta pela verdade”, bem ao estilo norte-americano.

Na realização, Doug Liman, que recentemente nos trouxe o interessante segundo filme da série Bourne, “Identidade Desconhecida” (2002), mas também o insuportável “Mr. e Mrs. Smith” (2005), cumpre sem arriscar. Esta é uma obra que assenta fundamentalmente nas excelentes representações dos dois actores principais, Naomi Watts e Sean Penn, e no interesse nesta história de uma mulher que por detrás de uma vida normal era uma espia, algo na realidade bem diferente do retratado em tanta ficção. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Nevoeiro


Ontem, a passar no meu bairro, gostei de sentir o nevoeiro. Não resisti a registá-lo fotograficamente e a lembrar-me do nosso poeta:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Fernando Pessoa
in "Mensagem" (1934).

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Temos MAP


Há combates que valem a pena e produzem bons resultados. Foi o caso do esforço em prol do Museu de Arte Popular. Depois da boa notícia de que já não seria encerrado, fiquei a saber que hoje reabre ao público e é inaugurada a exposição "Os Construtores do MAP - Museu em Construção".

Comentário ao seminário sobre as direitas

José Pedro Zúquete
A defesa da lusofonia, normalmente recusada por um “novo nacionalismo” por oposição a uma atitude reaccionária, é uma proposta que é necessário encarar com cuidado. Por um lado, pensemos em tantas esquerdas que hoje mais parecem salazaristas quando nos falam nas nossas “obrigações históricas” para com o mundo lusófono. Por outro, a ideia de que Portugal “se cumpre” fora do nosso país é, no mínimo, perigosa para quem se afirma como nacionalista (o que não significa, necessariamente, “de direita”).

Não estando de acordo com a proposta de José Pedro Zúquete, reconheço que levanta um assunto de elevada importância que não deve ser descurado. Considero que a lusofonia é uma área de influência geopolítica natural de Portugal e que deve por nós ser utilizada na afirmação da nossa cultura e posição internacional. Mas nunca considerar que tal pode ser deixado a outros. Nunca pela lusofonia devemos submeter-nos a interesses alheios. Pelo contrário, ter sempre presente que a nossa gloriosa gesta lusa foi mais uma das projecções da Europa. Não podemos esquecer o poder e amplitude da forma como tocámos o mundo, mas o que não podemos mesmo fazer é esquecer o nosso país e o nosso povo em nome dessa projecção. [publicado na última edição de «O Diabo»]

Debater as Direitas

Decorreu nos passados dias 29 e 30 de Novembro, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, um seminário intitulado “As raízes profundas não gelam? Ideias e percursos das direitas portuguesas” organizado pelo investigador Riccardo Marchi. Este italiano radicado em Portugal é autor de um estudo sério sobre as direitas radicais portuguesas de 1939 a 1974, o que era uma lacuna na nossa historiografia. Marchi decidiu investigar aprofundadamente o assunto e doutorou-se em História no ISCTE com a tese que deu origem a dois livros complementares: “Folhas Ultras. As ideias da direita radical portuguesa (1939-1950)”, publicado pelo ICS, tem por base a primeira parte do seu estudo; “Império, Nação, Revolução. As direitas radicais portuguesas no fim do Estado Novo (1959-1974)”, publicado pela Texto, é a parte central da sua tese.

Razões de um seminário
Numa entrevista ao blogue Dissidente.info, questionado sobre as razões que o levaram a organizar este seminário, Marchi respondeu: “Quis reunir peritos de cada área específica das direitas que permitam desenhar um “fil rouge” desde o miguelismo contra-revolucionário até ao liberalismo dos nossos dias. Como é óbvio, não procuro uma lógica unívoca que conecte coerentemente tudo o que se moveu na direita em Portugal nos últimos 200 anos. Procuro sim identificar quais raízes afundam no terreno das ideias das direitas portuguesas e, a partir desta pluralidade, pretendo desvendar quais frutos produziram, se ainda são fecundas ou se, pelo contrário, secaram de vez. O intuito final dos dois dias será produzir uma colectânea com as contribuições dos oradores e de outros autores”.

Dois dias de trabalhos
Coube a Rui Ramos a abertura do seminário com a comunicação “As direitas na historiografia portuguesa” e a introdução não podia ter sido melhor. Há muito que este historiador tem denunciado uma oposição que se faz entre a esquerda e direita como se se tratasse do “bem” e do “mal”, perdoando-se os “excessos” das esquerdas e recriminando o mínimo deslize das direitas. Tal reflecte-se no campo historiográfico onde não devia acontecer. Segundo Rui Ramos, há uma cultura instalada que leva a que mesmo historiadores que não seguem necessariamente uma agenda política caiam nessas simplificações. Dos vários exemplos que deu, lembro aqui um: a chamada “ditadura de João Franco” é sempre considerada uma ditadura, por outro lado, o Governo Provisório de 1910, tecnicamente uma ditadura, nunca recebe essa designação e as suas medidas persecutórias são “compreendidas”.
Seguiram-se duas intervenções sobre o miguelismo “A reacção anti-liberal miguelista” de Maria Alexandre Lousada, e “A violência política no miguelismo” de Fátima Sá. Como se pode adivinhar pelos títulos das comunicações, estas centraram-se no “terror miguelista” que recordava, a espaços, as palavras iniciais de Rui Ramos.
Na tarde do primeiro dia falou José Manuel Quintas, sobre o “Integralismo Lusitano para além das etiquetas” e foi bastante interessante ouvir as origens desta experiência política e intelectual portuguesa por tantas vezes (propositadamente) mal tratada. O único defeito da sua comunicação foi a falta de tempo para assistir a tudo o que estava preparado. Seguiu-se a excelente intervenção de Ernesto Castro Leal, intitulada “As direitas revolucionárias na I República”, que se centrou em grupos menos conhecidos como a Acção Realista Portuguesa ou o Centro do Nacionalismo Lusitano, falando com clareza e demonstrando profundo conhecimento.
No segundo dia, duas intervenções a que O Diabo assistiu. Primeiro do cronista Henrique raposo que falou sobre “A Direita liberal no Portugal do Século XXI”, tentando demarcar o liberalismo do puramente económico, ao mesmo tempo que adiantou que várias das suas ideias, tão criticadas, estão a ser propostas pela própria União Europeia a vários estados devido à actual crise. Depois a comunicação de José Pedro Zúquete, “O Império contra-ataca: uma ideia antiga para as direitas do futuro”, que era sem dúvida a que tinha o melhor título de todo o seminário e prometia debate.

Ideias para o futuro
A José Pedro Zúquete, investigador a quem coube o primeiro artigo académico sobre o Partido Nacional Renovador (PNR), há que reconhecer a capacidade de estudo da chamada “extrema-direita”, em todas as suas complexidades, e a coragem de tentar propostas para o futuro, recusando a aposição confortável de observador não-interveniente.
Na sua participação neste seminário lembrou a importância da lusofonia na construção das direitas do futuro. Essa era a “ideia antiga” a que se referia o título da sua comunicação. Criticou o PNR por não a considerar, desejando boa sorte a quem tentar pesquisar o termo “lusofonia” no site deste partido nacionalista. Louvando, por outro lado, o Movimento Internacional Lusófono (MIL), disse que este era a expressão de uma ideia que não devemos desprezar. [publicado na última edição de «O Diabo»]

domingo, 12 de dezembro de 2010

Contra a polícia do pensamento


O tema de hoje do Méridien Zéro, a emissão francesa da Radio Bandiera Nera, é a polícia do pensamento e tem como convidado o advogado e ensaísta Éric Delcroix. Para ouvir a partir das 22 horas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Lançamento da Finis Mundi


Decorreu anteontem o lançamento do primeiro número da revista de cultura e pensamento “Finis Mundi”, dirigida pelo Flávio Gonçalves e editada pela Antagonista. A sessão de apresentação, que contou com a presença de Alain de Benoist e António Marques Bessa, teve lugar sala do Instituto D. Antão Vaz de Almada, no Palácio da Independência, em Lisboa, que se mostrou exígua para o público que aí acorreu e ultrapassou a centena de presentes. Também a banca montada para a venda da revista e de outras edições da Antagonista foi um êxito. Não quero deixar de congratular o Flávio Gonçalves e a equipa por ele mobilizada por este projecto tão necessário. Precisamos sempre de homens livres.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

1.º Seminário de História do Património e da Ciência


Não tenho o dom da ubiquidade, mas ontem ainda consegui dar um salto ao 1.º Seminário de História do Património e da Ciência, dedicado ao Prof. Mendes Corrêa. A parte a que assisti foi interessante e espero que as comunicações sejam publicadas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Livros para hoje

 

Da extensa obra dos dois oradores que estarão hoje presentes no lançamento da Finis Mundi, escolhi dois livros a (re)ler: "Nova Direita, Nova Cultura: Antologia Crítica das Ideias Contemporâneas", de Alain de Benoist, e "Ensaio sobre o fim da nossa Idade", de António Marques Bessa.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Escrever nos livros

O Miguel Vaz sabe como sou avesso a escrever nos livros. As notas que tomo são normalmente em cartões que têm também a função de marcadores. Hoje, em jeito de provocação, enviou-me a imagem que partilho abaixo, perguntando: neste caso está desculpado? Trata-se do exemplar anotado de "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad, que Francis Ford Coppola tinha quando realizou "Apocalypse Now". A decisão não é tão fácil quanto parece, mas concedo que desta vez foi em prol de uma causa — ou melhor, obra  maior.

Lembrar Mendes Corrêa


Amanhã tem lugar na Universidade Lusófona, em Lisboa, o 1.º Seminário de História do Património e da Ciência, dedicado ao Prof. Mendes Corrêa. Foi com agrado que soube desta iniciativa, já que esta é uma das nossas figuras tão habitualmente "esquecidas". O seu contributo foi enorme e bastante variado. António Mendes Corrêa formou-se em Medicina, mas o seus trabalhos estenderam-se por diversas áreas do conhecimento, como a Antropologia, a Arqueologia, a Criminologia ou a História. Foi docente, ocupou vários cargos directivos, tendo ainda sido presidente da Câmara Municipal do Porto e deputado à Assembleia Nacional.

Uma oportunidade a não perder. Para mim, o único problema é conciliar com o lançamento da Finis Mundi no mesmo dia.

Preso no motim

Por várias vezes me tenho queixado do inexplicável atraso com que certos filmes chegam às salas do nosso país e mais uma vez não posso deixar de referi-lo. Neste caso nem a proximidade geográfica nos valeu, já que “Cela 211” aparece finalmente por cá mais de um ano depois da sua estreia em Espanha. Escusado será lembrar as implicações comerciais destas opções, com os descarregamentos na internet ainda mais facilitados depois da saída o DVD.

Êxito cinematográfico no país vizinho, onde ultrapassou os dois milhões de espectadores e arrecadou oito prémios Goya, este ‘prison movie’ conquistou o público com o seu realismo e intensidade que prendem a atenção até ao final.

Juan Oliver (Alberto Ammann) é um guarda prisional que vai iniciar funções e quer causar boa impressão desde o princípio. Para tal, decide ir ao estabelecimento onde foi colocado na véspera do seu primeiro dia de trabalho para ver como tudo funciona. Durante a visita com dois colegas é atingido por um pedaço do tecto que lhe cai na cabeça. Inconsciente, é levado para a cela 211, quando ao mesmo tempo se desencadeia um motim na prisão. À frente desta onda de violência está o implacável Malamadre (Luis Tosar) e tudo se afigura aterrador para Juan. Mas o jovem funcionário, no desespero de sobreviver, decide tentar a única coisa que o pode salvar – fazer-se passar por um dos detidos. Este jogo arriscado vai-se tornando cada vez mais perigoso, ao mesmo tempo que Juan vai conquistando a confiança dos reclusos, do seu líder e subindo na hierarquia dos amotinados. Até aqui a história é interessante, mas podia não passar apenas disso. Felizmente, há um ‘twist’ que nos leva a pensar nas nossas motivações e em como estas podem mudar num ápice perante alterações de fundo. Quem somos realmente? O que conseguimos fazer?

No campo da representação, destaque natural para o notável trabalho de Luis Tosar no papel do carismático líder dos detidos. Este actor galego encarna muito bem Malamadre, personagem bem construída que reflecte um homem violento, duro e impiedoso, mas ainda assim seguidor de um código de honra próprio, cuja autoridade agressivamente mantida é reconhecida pelos demais. Referência também para Alberto Ammann que, tal como a sua personagem, se vai revelando ao longo do filme, proporcionando uma óptima evolução, essencial para a história.

Ao ver esta viagem ao mundo prisional espanhol, não pude deixar de recordar um filme de que aqui falei quando estreou no início deste ano. Trata-se de “Um profeta” (2009), do francês Jacques Audiard, um outro olhar sobre os cárceres europeus no qual há alguns pontos em comum interessantes. Há em ambos a presença de membros de grupos terroristas, mas o pormenor mais interessante é a actual composição étnica, nomeadamente os gangues provenientes da imigração que têm cada vez mais força e poder.

Um filme europeu com bastante acção e a capacidade de atrair o grande público, mas nem por isso a desprezar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

No change

Já o afirmei aqui por várias vezes que, apesar da eleição de Obama, os EUA e o seu projecto de hegemonia mundial continuam iguais a si próprios. Vem isto a propósito da entrevista de Michael Hayden, director da CIA entre 2006 e 2009, deu ao «Expresso», intitulada "Obama actua como Bush". Diz ele: "(...) no que respeita à luta antiterrorista, há mais semelhanças que diferenças entre Obama e Bush, apesar das retóricas. Continuam as detenções por tempo indeterminado, não há habeas corpus para os detidos da Al-Qaeda em Baghram (Afeganistão), persiste o segredo de Estado, tal como os assassínios selectivos e os voos da CIA. Uma vez na Casa Branca, começam-se a ver as coisas doutra forma".

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Finis Mundi: A Última Cultura


Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 9 de Dezembro, pelas 21 horas, no Palácio da Independência em Lisboa, o lançamento de uma grande novidade editorial. Trata-se do primeiro número da revista de cultura e pensamento Finis Mundi, dirigida pelo Flávio Gonçalves e editada pela Antagonista, esta revista trimestral reúne uma série de artigos e ensaios subordinados a diversas áreas do conhecimento, nos quais se encontra um da minha autoria, procurando suscitar a atenção do leitor para a necessidade de repensar o estado da cultura portuguesa segundo uma perspectiva ou paradigma ocidental.

A sessão de apresentação contará com as comunicações de António Marques Bessa e Alain de Benoist. A entrada é livre. A não perder!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Quanto nos custa a imigração?


Hoje, o programa Méridien Zéro recebe Arnaud Naudin, jornalista independente, para responder a uma das perguntas mais incómodas da actualidade: Quanto nos custa a imigração?. Como sempre, com início às 22 horas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

De Lisboa a Vladivostok

Ganha força a ideia de um espaço económico euro-russo Desta vez não é uma proposta de algum grupo “estranho”, ou de algum autor “subversivo”, como costumam dizer os nossos detractores. Foi o próprio primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que afirmou num artigo publicado no Süddeutsche Zeitung, onde desejou uma “comunidade económica harmoniosa que irá de Lisboa a Vladivostok”.



Recordo novamente uma das teorias mais interessantes do recém-falecido Maurice Allais, a da “autarcia dos grandes espaços”, que inspirou, entre outros autores, Guillaume Faye, no que respeita à solução económica para um grande bloco etno-político europeu, ao qual chamou Eurosibéria.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O europeu

Se por ver o nome de George Clooney associado a um filme sobre um assassino profissional acha que encontrará em “O Americano” o habitual filme de acção de Hollywood, desengane-se. Este não é para as meninas que querem ver o galã, nem para os meninos que querem ver o engatatão. A frieza da sequência original, passada apropriadamente no clima gélido da Suécia, mostra que vamos entrar num mundo diferente.

Para sair dos ‘clichés’ cinematográficos deste género, a escolha do realizador não podia ter sido mais acertada. Anton Corbijn é um fotógrafo aclamado, desde há muito tempo ligado ao meio musical, que realizou vários telediscos e em 2007 nos concedeu uma verdadeira dádiva intitulada “Control”. Um filme fenomenal que é um relato tocante sobre o malogrado Ian Curtis, vocalista do grupo musical Joy Division, onde Corbijn revelou a sua mestria no grande ecrã.

É por isso que este “americano” é mesmo um “europeu”, com planos prolongados, sequências lentas, economia de diálogos e ausência de música desnecessária. Este último aspecto é bastante importante, já que confere ao filme uma dimensão muito diferente daqueles que na sua banda sonora desprezam o poder do silêncio. Em tudo isto há um ambiente ‘dark’, muito bem conseguido, que nos transporta a alguns ‘thrillers’ dos anos 70 do século passado. Nota ainda para o óptimo aproveitamento das magníficas paisagens da região de Abruzzo, opondo ao facilitismo de uma visão turística um olhar da terra.

Jack (George Clooney) é um assassino profissional em fuga que encontra esconderijo numa pacata povoação italiana. Durante o tempo que aí passa, começam a despertar dúvidas existenciais. Como lhe diz o seu enigmático protector num dos diálogos, “não costumavas ser assim”. Mas este homem duro e marcado por uma vida implacável e solitária tem ainda um trabalho, que deseja ser o último. Desta vez não tem que matar, mas transformar uma carabina para um assassinato que será cometido por outro. Aqui começa a revelar-se um artesão, um homem atento ao pormenor, ao mesmo tempo que a relação com uma prostituta evolui num sentido amoroso. Clooney encarna esta personagem com um desempenho profundo, a contrastar com os seus trabalhos mais ligeiros.

Apesar de este ser um filme substancialmente diferente, onde há Clooney tem que haver mulheres. Mas aqui, as três ‘belles’ que aparecem estão na casa dos trinta e, ao contrário da “beleza” artificial tão em voga, reflectem tipos europeus.

Uma das críticas que li e que reconheço é a do fraco argumento. No entanto, nem mesmo isso afecta grandemente a obra, porque por vezes há histórias na (de?) vida que são previsíveis e iguais a tantas outras. Um filme a apreciar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 28 de novembro de 2010

Onde está o poder?


A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem como tema "Onde está o poder?" e tem como  convidado o jornalista Emmanuel Ratier. Mais uma emissão a não perder, como sempre às 22 horas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O crime compensa

Diz-nos a publicidade a “Inside Job” – título perfeito, mas infelizmente intraduzível – que este filme custou mais de 20 triliões de dólares a fazer. O pior é que esse dinheiro é de todos nós, melhor dizendo, de todos os afectados pela profunda crise económico-financeira que estoirou em 2008. Milhões de pessoas perderam os seus empregos, as suas casas e as suas poupanças. Como foi possível essa tragédia? Quais as suas origens? Quais os seus culpados? Algo foi feito para resolvê-la?

Este é um documentário corajoso que responde a estas questões de uma forma clara e acessível e incisiva, com o recurso a entrevistas, gráficos, títulos de jornais e imagens de arquivo. Tudo muito bem montado, em sequências bem ritmadas que nunca se tornam maçadoras e prendem a atenção do espectador e com a narração do actor Matt Damon.

O responsável por este trabalho de verdadeiro serviço público, isento e bem documentado, é Charles Ferguson que o realiza, produz e escreve. Ferguson é formado em Matemática e doutorado em Ciência Política. Profissionalmente foi empresário na área das novas tecnologias e entretanto passou ao cinema, onde se notabilizou com o documentário sobre a guerra do Iraque “No End in Sight” (2007). Para fazer este filme viajou pelo mundo questionando especialistas, políticos e alguns dos responsáveis pelo desastre financeiro, a quem não teve qualquer problema em colocar as perguntas mais difíceis. Alguns recusaram dar entrevistas e essa atitude é referida, outros ficam sem palavras, incomodados, enervados e há até quem peça para desligar a câmara.

Traçando um percurso desde que se abandonou o modelo financeiro tradicional americano, concretamente com a administração Reagan, mostra-nos como a alta finança começou a ser cada vez mais concentrada e poderosa, de tal forma que começou a dominar a política, independentemente de ser republicana ou democrata. Como é dito a determinada altura, o que existe é um “governo de Wall Street”.

Mas o que mais revolta é a impunidade generalizada que verificamos ao ver que os principais responsáveis continuam a fazer uma vida milionária, coleccionando mansões e jactos privados, ao mesmo tempo que recorrem a serviços de prostituição de luxo e ao consumo de cocaína. Tudo vale neste jogo de ganhar dinheiro à custa da miséria alheia.

A parte final do filme é bastante reveladora do que nos guarda o futuro. Apesar das boas intenções anunciadas pelo recém-eleito presidente Obama, a triste realidade é que nada, ou quase nada, se alterou. Aquele que se apresentava como apóstolo da “mudança”, afinal reconduziu ou colocou em lugares de topo vários responsáveis directos por um ‘meltdown’ nunca antes visto. Para reflectir e agir. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 21 de novembro de 2010

Méridien Zéro alargado


Hoje às 22 horas, o programa Méridien Zéro inicia um novo formato com mais meia hora de duração. Esta semana, a emissão francófona da Radio Bandiera Nera tem como tema o enraizamento como arma contra a mundialização.

sábado, 20 de novembro de 2010

Ideias e percursos das direitas portuguesas



O investigador italiano Riccardo Marchi, autor dos livros Folhas Ultras - As ideias da direita radical Portuguesa (1939-1950) e Império, Nação, Revolução - As Direitas Radicais Portuguesas no Fim do Estado Novo (1959-1974), em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, organiza nos próximos dias 29 e 30 de Novembro um seminário dedicado ao estudo histórico e político das direitas portuguesas. Intitulado As raízes profundas não gelam? - Ideias e percursos das direitas portuguesas, este seminário decorrerá durante os dois dias nas instalações do ICS-UL. Os painéis realizar-se-ão da parte da manhã entre as 10:00 e as 13:00, da parte da tarde entre as 14:30 e as 17:30. Para mais informações poderá contactar a organização deste seminário através do e-mail riccardo.marchi@ics.ul.pt.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

La Nouvelle Revue d'Histoire Hors-Série n.º 1


Dominique Venner não deixa de nos surpreender. Nas bancas está o primeiro número especial de "La Nouvelle Revue d'Histoire" dedicado a África.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Mosteiro

Quando há uns meses atrás “Dos Deuses e dos Homens” se estreou em França, rapidamente se tornou um fenómeno cultural e um êxito imediato de bilheteira, ultrapassando um milhão de espectadores nas duas primeiras semanas. Apesar de ter vencido o Grande Prémio do Festival de Cannes 2010 e recebido o aplauso da crítica, não deixa de ser surpreendente para um filme austero sobre monges.

No início dos anos 90 do século passado, na sequência da anulação das eleições que anunciavam uma vitória da Frente Islâmica de Salvação, começa a guerra civil argelina, também conhecida como a “década negra”, ou “do terrorismo”, que opôs o exército nacional a grupos islamitas armados. A história do filme situa-se em 1996, no centro desse conflito sangrento, e baseia-se no caso verídico do rapto e assassinato dos cistercienses do mosteiro de Tibhirine, nas montanhas do Atlas. Este enquadramento não é dado, tal como o importante papel desempenhado historicamente pelos mosteiros cristãos na Argélia, mas é essencial para se perceber melhor certas passagens.

Parece que o primeiro motivo da atracção desta obra, é o fascínio pela opção da reclusão monástica, em especial no mundo materialista e egoísta em que vivemos. Ao contrário dos excessos consumistas que nos rodeiam, os ascetas deste mosteiro prezam o silêncio, oram em conjunto, vivem da terra e ajudam a população local. Há algo de sedutor em todo este minimalismo, numa época de grandes efeitos especiais. Nota-se que o realizador deu uma especial atenção ao pormenor nas cenas passadas no mosteiro. Xavier Beauvois, que também foi co-argumentista, esteve sempre acompanhado por um especialista que o aconselhou, afirmando que “a dimensão documental é essencial”. Nas representações, destaque para as prestações de Lambert Wilson, no papel do irmão Christian, o líder, e de Michael Lonsdale, que encarna brilhantemente o terno irmão Luc, o médico que assiste todos sem excepções.

Perante a proximidade crescente da ameaça terrorista, instala-se nesta comunidade pacífica a dúvida sobre a permanência naquele local e o possível martírio. Mas esta esconde uma série de questões mais profundas, como a do papel de cada um no mundo e qual o significado das suas escolhas.

É impossível não pensar também na difícil relação da França com o seu passado colonial, no actual conflito com o islão que se vive agora em território francês e nos ataques de islamitas a cristãos que aumentam hoje em dia em todo o mundo.

Um bom filme que, ao que tudo aponta, poderá ser o representante francês na cerimónia dos Óscares da Academia, em Fevereiro do próximo ano, na nomeação para um Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 14 de novembro de 2010

Programa para hoje


Hoje às 22 horas é tempo de ouvir em directo a emissão do Méridien Zéro, o programa francês da Radio Bandiera Nera, que desta vez é dedicado aos 30 anos de combate musical do Dr. Merlin.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

“GOSTO DISTO”

“Tens facebook? Eu procuro e depois adiciono-te como amigo.” Esta é a uma passagem de um diálogo que se tornou habitual nos dias que correm. As chamadas redes sociais na internet entraram nas nossas vidas e, quer queiramos quer não, muitas das nossas relações passam pelos computadores. É por isso que um filme que aborda a maior e mais bem sucedida dessas redes – daí o artigo definido no título, já que o facebook deixou de ser “uma” rede social, para se tornar “a” rede social – atrai sobre si toda a atenção do momento.

Aqui cruzam-se as histórias da génese do facebook e dos processos judiciais que se seguiram ao seu sucesso rápido, extraordinário, e principalmente milionário. Uma “seca”? Longe disso. Felizmente, o talentoso David Fincher está aos comandos. Este realizador norte-americano, que nos trouxe o profundo “Sete Pecados Mortais” (1997), o alucinante “O Jogo” (1995) e o magistral “Clube de Combate” (1999), continuando a mostrar a sua mestria em “Zodiac” (2007), consegue mais uma vez agarrar-nos ao ecrã com um trabalho impecável a um ritmo alucinante, onde tudo acontece à velocidade que Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) escreve no teclado. Porque esta é a velocidade a que tudo aconteceu e acontece na era da internet e da informação ao momento.
Mas desengane-se que espera um filme documental sobre o facebook, o que aqui está em causa – como em qualquer rede social – são as relações humanas. Bem humanas, cara a cara, longe do relacionamento virtual, com zangas de melhores amigos, traições, desencontros amorosos, desilusões, ressentimentos. Esse é o prato forte e é por isso que, para mim, criticas à veracidade da história ou da personalidade de Zuckerberg não abalam este filme. Ainda por cima porque o argumento, redigido por Aaron Sorkin a partir do livro “The Accidental Billionaires” de Ben Mezrich, está muito bem escrito e alguns dos diálogos são pura e simplesmente notáveis.

Outro ponto muito interessante é a “viagem ao centro de Harvard”, nomeadamente ao choque entre dois mundos que lá co-existem: o dos génios e o dos descendentes das tradicionais famílias da elite norte-americana. Neste confronto as relações estão longe de ser fáceis e uma das coisas mais importante é o acesso a clubes restritos. Para conseguir entrar nesse mundo reservado, os alunos estão dispostos a passar por provas iniciáticas humilhantes. Mas os “nerds” que inventam todas estas novidades informáticas estão longe do estereótipo do “marrão”. Pelo contrário, são adolescentes de capacidades impressionantes, mas que estão muitas vezes bêbados, consumindo drogas ou em festas.

Esta é a nova elite norte-americana. De bilionários cada vez mais novos que ascendem a um patamar financeiro inimaginável num ápice, mas que mantêm uma irreverência infantil, como o demonstra, por exemplo, o cartão de visita de Mark Zuckerberg, que de início dizia “I’m CEO... bitch!”

Quando saí do cinema houve um pensamento que me passou pela cabeça: de certeza que toda a gente na sala tinha conta no facebook... [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 7 de novembro de 2010

Michel Drac no Méridien Zéro


Hhoje às 22 horas é tempo de ouvir em directo a emissão do Méridien Zéro, o programa francês da Radio Bandiera Nera, que desta vez tem por convidado Michel Drac, autor do blog Choc et Simulacre.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Jornadas da Dissidência



Pela primeira vez participarei nas Jornadas da Dissidência, em representação da associação Terra e Povo, que se realizam em Madrid pelo quinto ano consecutivo pelo Circulo de Estudios La Emboscadura, a frente cultural do MSR, e que contam com a participação de vários representantes europeus.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O encanto da sereia

A faina árdua e solitária pode trazer a felicidade? Esta é questão que vai pairar na mente de Syracuse (Collin Farrell) depois de descobrir que entre o peixe, “apanhou” também uma mulher nas suas redes. Será uma sereia? De facto, veio da água e quando canta dá-lhe sorte, enchendo-lhe as redes.

De início, esta mulher misteriosa, interpretada pela actriz e cantora polaca Alicja Bachleda, não quer ser vista nem conhecer ninguém, mas acaba por dizer que se chama Ondine. O nome transporta-nos à mitologia europeia e podemos pensar nas ondinas, elementais da água, cantadas entre nós por Camões ou Teófilo Braga.

Rapidamente ela começa a mudar a vida deste pescador irlandês que por muitos ainda é conhecido por “Circus”, devido ao seu passado de alcoolismo e às figuras de palhaço que fazia. Agora está sóbrio e sabe dizer com precisão há quantos anos, meses e dias não toca numa gota de álcool. A mudança deu-se devido à filha, que sofre de uma doença que a obriga a deslocar-se muitas vezes em cadeira de rodas. Annie (Alison Barry), vive com a mãe e o padrasto, que continuam a beber como se não houvesse amanhã. Para a rapariga, Ondine é uma “selkie”; ela estudou essa criatura da mitologia celta, que alterna de forma entre mulher e foca, e está certa que a sua nova amiga é uma delas.

Colin Farrell, que para mim já foi uma desilusão em tantos filmes, tem aqui um papel que lhe assenta como uma luva. Às mulheres a quem desagradou esta observação peço que se lembrem da sua deplorável prestação em “Alexandre, o Grande” (2004). Stephen Rea, que podemos considerar actor residente dos filmes de Jordan, vai bem no papel de um padre amigo e Alicja Bachleda oferece todo o mistério que a sua personagem exige.

Há um paralelo entre a vida real e este filme, já que Farrell, depois de passar por uma cura de alcoolismo, viveu com Alicja, de quem teve um filho.

Todo este conto de fadas se passa na terra encantada que é a Irlanda. As paisagens são maravilhosas e proporcionam um pano de fundo maravilhoso. Tudo belissimamente filmado por um dos meus realizadores de eleição que está, mais uma vez, literalmente em casa. Neil Jordan dispensa apresentações, mas nunca é demais lembrar o enigmático “Jogo de Lágrimas” (1992), o nacional “Michael Collins” (1996) e o surpreendente “A Estranha em Mim” (2007).

Mas talvez pela minha admiração por este realizador irlandês tenha ficado desiludo pelo final. Jordan, que também escreve o argumento, decide dar-nos um fim de filme que mais parece de Domingo à tarde. É caso para dizer que tudo é excelente até ao final, que não se esperava tão simples e cor-de-rosa.
Expectativas à parte, este é um bom filme que vale a pena ver. Não é todos os dias que podemos assistir à exaltação dos valores familiares, tendo por contexto a mitologia europeia e como cenário uma terra céltica mágica. Deixem-se encantar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Verdun 1916


A entrega do passado sábado da colecção "Grandes Batalhas", distribuída pelo «Correio da Manhã», que aconselhei aqui quando saiu, é sobre Verdun, uma batalha que ficou na para História como um terrível morticínio e onde serviram muitos dos que se tornariam nomes bastantes conhecidos na Segunda Guerra Mundial.

La Voie Stratégique n.º 1

"La Voie Stratégique" é uma nova revista francesa que fiquei a conhecer através da crónica cultural da emissão do programa de rádio Libre Journal des Lycéens, feita pelo meu amigo Pascal Lassalle.

Fiquei curioso e nesta minha recente ida a Paris consegui comprá-la. Este primeiro número tem um excelente dossier dedicado ao Afeganistão e vários artigos e entrevistas. Dirigida por Guillaume Martins, a revista tem como chefe de redacção Laurent Schang, autor do blog Le Polémarque.

Para ficar a conhecer melhor a revista, está disponível em linha um extracto deste número em pdf, com boa qualidade. O número 2 sairá no próximo dia 13 de Novembro e pode ser adquirido directamente na LVS Shop.