domingo, 31 de outubro de 2010
Programa para hoje
Como se tornou hábito semanal, hoje às 22 horas é altura de ouvir em directo a emissão do Méridien Zéro, o programa francês da Radio Bandiera Nera, que desta vez tem por tema as greves, as reformas e a crise social que se vive agora em França. A grande questão é "Que temos nós a dizer?".
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Crónica cultural
Como é hábito a seguir a todas as emissões do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, o enciclopédico Pascal Lassalle publica no blog do programa uma crónica cultural que inclui obras referidas e outras sobre o tema tratado.
A emissão dedicada a Portugal, na qual tive a honra de participar no passado fim-de-semana, não foi excepção. A crónica está já disponível nesta ligação e inclui várias referências a livros, revistas, artigos e filmes.
A emissão dedicada a Portugal, na qual tive a honra de participar no passado fim-de-semana, não foi excepção. A crónica está já disponível nesta ligação e inclui várias referências a livros, revistas, artigos e filmes.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Gettysburg
Sobre este tema há que recomendar o livro "Gettysburg" de Dominique Venner, e o n.º 17 de «La Nouvelle Revue d'Histoire», por ele dirigida, cujo tema é "A América dividida".
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A outra filha
“A Nova Filha” conta-nos a história de John James (Kevin Costner), um escritor que parte com os seus dois filhos menores, Louisa (Ivana Baquero) e Sam (Gattlin Griffith), para a Carolina do Sul, após ter sido abandonado pela mulher. Na esperança de um recomeço, compra uma enorme casa isolada onde tenta reatar uma relação familiar.
A situação é desde logo complicada. A rapariga, que é a mais velha dos dois irmãos, está em plena adolescência e inferniza a vida do pai que não sabe como lidar com ela. O rapaz tenta agradar, mas cedo se nota que o trauma do abandono foi grande e teve as suas repercussões.
Como se tal não bastasse, o comportamento de Louisa começa gradualmente a alterar-se. O pai, de início, convence-se que são atitudes próprias da idade e vai tentar “chegar” a ela. Mas esta mutação está directamente ligada a um estranho monte que existe nas traseiras na casa.
Segundo alguns, esta é uma antiga campa de índios, e há inclusive quem as estude. É o caso de um professor universitário, uma das piores personagens da história, à qual se junta a má prestação do respectivo actor.
Estão reunidos todos os elementos para um filme de terror clássico. No entanto, os ‘clichés’ são tantos que até desesperamos, as actuações são sofríveis e mesmo Kevin Costner fica muito aquém do que já demonstrou. É a pergunta que nos salta automaticamente à cabeça é a seguinte: o que fará com que actores conceituados escolham filmes de tão baixa qualidade?
O espanhol Luis Berdejo, que surpreendeu com [Rec] (2007), realiza este filme com argumento de John Travis baseado num conto de John Connolly. Não conhecia a história original, mas ao que parece o filme é-lhe fiel. Tanto pior para o conto, que também deve ser outra desilusão.
O início até parece prometer, com alguns planos bons e uma boa ideia para um filme, mas rapidamente descamba e apercebemo-nos que vamos ser torturados na sala de cinema. Porque esta é uma película francamente má, há-que dizê-lo.
O desenrolar da acção é de início inexplicavelmente muito lento e de repente acelera como ninguém. Para terminar a pior maneira. A história não funciona, apesar do potencial, os actores vão mal, apesar da presença de uma estrela como protagonista, os lugares-comuns dos filmes de terror repetem-se enjoativamente. Este pesadelo, que parece não acabar, nem chega a ser um filme de terror. Talvez um suspense com aspirações a terror ‘light’…
A nós resta-nos fugir. Não dos inenarráveis seres monstruosos que no final de contas são os responsáveis por tudo, mas de quase duas horas de aborrecimento. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
A situação é desde logo complicada. A rapariga, que é a mais velha dos dois irmãos, está em plena adolescência e inferniza a vida do pai que não sabe como lidar com ela. O rapaz tenta agradar, mas cedo se nota que o trauma do abandono foi grande e teve as suas repercussões.
Como se tal não bastasse, o comportamento de Louisa começa gradualmente a alterar-se. O pai, de início, convence-se que são atitudes próprias da idade e vai tentar “chegar” a ela. Mas esta mutação está directamente ligada a um estranho monte que existe nas traseiras na casa.
Segundo alguns, esta é uma antiga campa de índios, e há inclusive quem as estude. É o caso de um professor universitário, uma das piores personagens da história, à qual se junta a má prestação do respectivo actor.
Estão reunidos todos os elementos para um filme de terror clássico. No entanto, os ‘clichés’ são tantos que até desesperamos, as actuações são sofríveis e mesmo Kevin Costner fica muito aquém do que já demonstrou. É a pergunta que nos salta automaticamente à cabeça é a seguinte: o que fará com que actores conceituados escolham filmes de tão baixa qualidade?
O espanhol Luis Berdejo, que surpreendeu com [Rec] (2007), realiza este filme com argumento de John Travis baseado num conto de John Connolly. Não conhecia a história original, mas ao que parece o filme é-lhe fiel. Tanto pior para o conto, que também deve ser outra desilusão.
O início até parece prometer, com alguns planos bons e uma boa ideia para um filme, mas rapidamente descamba e apercebemo-nos que vamos ser torturados na sala de cinema. Porque esta é uma película francamente má, há-que dizê-lo.
O desenrolar da acção é de início inexplicavelmente muito lento e de repente acelera como ninguém. Para terminar a pior maneira. A história não funciona, apesar do potencial, os actores vão mal, apesar da presença de uma estrela como protagonista, os lugares-comuns dos filmes de terror repetem-se enjoativamente. Este pesadelo, que parece não acabar, nem chega a ser um filme de terror. Talvez um suspense com aspirações a terror ‘light’…
A nós resta-nos fugir. Não dos inenarráveis seres monstruosos que no final de contas são os responsáveis por tudo, mas de quase duas horas de aborrecimento. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
terça-feira, 26 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
XV Table Ronde
Como habitualmente, irei com uma delegação portuguesa da associação Terra e Povo à XV edição da Table Ronde, o maior encontro identitário paneuropeu, que se realizará no próximo domingo e contará com as intervenções de Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, Pierre Krebs, presidente do Thule Seminar, Eugène Krampon, chefe de redacção da revista «Réfléchir & Agir», Enrique Bisbal, da Tierra y Pueblo, Roberto Fiorini, da Terre et Peuple, e Lionel Franc, da Terre et Peuple-Wallonie. O tema deste ano é "Amanhã a revolução?"
Waterloo
A entrega do passado sábado da colecção "Grandes Batalhas", distribuída pelo «Correio da Manhã», que aconselhei aqui quando saiu, é sobre Waterloo, uma batalha que sempre preencheu o meu imaginário, porque ainda criança visitei o local e fiquei maravilhado. Foi por isso que gostei de ler, neste livro da autoria de Geoffrey Wootten, a seguinte passagem: "Todos devíamos ir a Waterloo pelo menos uma vez na vida. É uma amálgama especial de interesses concorrentes. Por um lado é simplesmente uma grande armadilha turística - o primeiro parque temático da Europa -, por outro é um memorial que nos fala de coragem e do desperdício de vidas europeias. Felizmente ambos garantem a conservação deste local mágico."
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Cidade do Crime
O cartaz promocional deste filme diz-nos “bem-vindos à capital americana dos assaltos a bancos”, para sabermos de antemão aonde vamos. A “cidade” é Charlestown, um bairro operário de Boston onde o crime é uma realidade constante e a arte dos assaltos passa de pais para filhos por tradição familiar.
É o caso de Doug MacRay (Ben Affleck), um filho da terra que não escapou à regra. Lidera uma quadrilha de assaltantes que tem por alvo bancos e carrinhas blindadas de transporte de valores. Ele é o cérebro das operações que correm com rapidez e eficácia, ladeado pelo seu “braço direito”, o violento e implacável “Jem” James Coughlin (Jeremy Renner). São como irmãos nesta vida criminosa, mas para Doug este é um caminho que não quer seguir para sempre e a ideia de um recomeço longe de ‘the town’, confortavelmente assegurado pelo produto de um grande golpe, ganha cada vez mais força na sua cabeça.
Na fuga de um assalto, “Jem” decide levar a gerente bancária que lhes abriu o cofre como refém. O grupo solta-a vendada, mas ele suspeita que ela se possa ter apercebido de algo que os denuncie à polícia. Diz a Doug que vai “tratar do assunto”, ao que este lhe diz que não, pois ele próprio descobrirá se ela os pode realmente comprometer. Claire (Rebecca Hall) é também uma rapariga de Charlestown e acaba por envolver-se numa relação amorosa com um homem que ela nem sonha quem é...
Neste perigoso romance, onde Doug vislumbra o seu desejado recomeço, vão cruzar-se a pressão das autoridades policiais, o incómodo de uma relação anterior, um passado familiar que o atemoriza, as fidelidades ao grupo e ao seu “irmão” e a rede mafiosa organizada que vê com muito maus olhos aqueles que dela tentam escapar.
Affleck sai-se bem nesta que é a sua segunda longa-metragem, depois de “Vista Pela Última Vez...” (2007), ao filmar numa cidade que lhe é bastante familiar, e é eficaz nas rápidas sequências de acção. O elenco é bem dirigido e tem uma boa prestação, mas podemos questionar-nos como seria o filme com outro protagonista. Nota especial para Jon Hamm, conhecido pela excelente série televisiva “Mad Men”, no papel do agente do FBI responsável pela investigação, que de certo veremos mais frequentemente no grande ecrã. Mas é Jeremy Remmer que, depois de “Estado de Guerra” (2008), volta a surpreender. Li que na preparação do seu papel chegou inclusivamente a falar com assaltantes de Charlestown, nomeadamente para apanhar o seu sotaque característico.
Não chega ao magistral “Heat” de Michael Mann, verdadeiro clássico moderno dos ‘heist movies’, e até tinha potencial para tal, mas não deixa de ser um bom filme, bem ritmado e que merece uma ida ao cinema. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
É o caso de Doug MacRay (Ben Affleck), um filho da terra que não escapou à regra. Lidera uma quadrilha de assaltantes que tem por alvo bancos e carrinhas blindadas de transporte de valores. Ele é o cérebro das operações que correm com rapidez e eficácia, ladeado pelo seu “braço direito”, o violento e implacável “Jem” James Coughlin (Jeremy Renner). São como irmãos nesta vida criminosa, mas para Doug este é um caminho que não quer seguir para sempre e a ideia de um recomeço longe de ‘the town’, confortavelmente assegurado pelo produto de um grande golpe, ganha cada vez mais força na sua cabeça.
Na fuga de um assalto, “Jem” decide levar a gerente bancária que lhes abriu o cofre como refém. O grupo solta-a vendada, mas ele suspeita que ela se possa ter apercebido de algo que os denuncie à polícia. Diz a Doug que vai “tratar do assunto”, ao que este lhe diz que não, pois ele próprio descobrirá se ela os pode realmente comprometer. Claire (Rebecca Hall) é também uma rapariga de Charlestown e acaba por envolver-se numa relação amorosa com um homem que ela nem sonha quem é...
Neste perigoso romance, onde Doug vislumbra o seu desejado recomeço, vão cruzar-se a pressão das autoridades policiais, o incómodo de uma relação anterior, um passado familiar que o atemoriza, as fidelidades ao grupo e ao seu “irmão” e a rede mafiosa organizada que vê com muito maus olhos aqueles que dela tentam escapar.
Affleck sai-se bem nesta que é a sua segunda longa-metragem, depois de “Vista Pela Última Vez...” (2007), ao filmar numa cidade que lhe é bastante familiar, e é eficaz nas rápidas sequências de acção. O elenco é bem dirigido e tem uma boa prestação, mas podemos questionar-nos como seria o filme com outro protagonista. Nota especial para Jon Hamm, conhecido pela excelente série televisiva “Mad Men”, no papel do agente do FBI responsável pela investigação, que de certo veremos mais frequentemente no grande ecrã. Mas é Jeremy Remmer que, depois de “Estado de Guerra” (2008), volta a surpreender. Li que na preparação do seu papel chegou inclusivamente a falar com assaltantes de Charlestown, nomeadamente para apanhar o seu sotaque característico.
Não chega ao magistral “Heat” de Michael Mann, verdadeiro clássico moderno dos ‘heist movies’, e até tinha potencial para tal, mas não deixa de ser um bom filme, bem ritmado e que merece uma ida ao cinema. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
Finalmente a Plutocracia
Esta é a conclusão do excelente artigo de António Marques Bessa publicado na edição do semanário «O Diabo» de ontem. Para reflectir.«A fórmula mais degradante da Oligarquia é a Plutocracia: o poder dos ricos. Disse Platão que depois da Democracia acontece a Plutocracia, como um flagelo para lembrar ao povo que o dinheiro tem os seus privilégios. Se todos os ricos se entenderem, terão aos seus pés os pobres patetas que pensam que mandam. Quem os subsidia? Quem lhe paga as contas? Quem lhes dá dinheiro para as eleições fatídicas? Justamente aqueles que, depois, vão exigir pagamento do dinheiro aplicado. A Plutocracia em Portugal sempre andou muito disfarçada. Lembra-se ainda a frase do sr. Boulhosa: “Em Portugal, para ser rico, o melhor é fingir de morto”. O dinheiro tem certamente que se ir buscar a quem o tem para as grandes causas, a manutenção dos Partidos. Mas os Partidos têm de compreender que ninguém dá nada a ninguém. Tudo é uma troca de favores e os políticos são reféns do dinheiro, de Mamón. Cristo tinha dito: “Ninguém pode servir a dois senhores: a Deus e ao dinheiro”. Esqueceram-se ou deitaram para trás das costas esse pequeno “diktat” do judeu acidental que se proclamou Filho de Deus. Declararam entre si que o dinheiro é que interessa e lhes interessa particularmente, sacrificando no altar verde de Mámon as suas almas conspurcadas. Que seja assim. Já que o querem. E seria muito bom perceber o que fazem os banqueiros. Creio que, neste momento, o Coelho já percebeu que manda pouco e que a Plutocracia manda muito mais. E os coelhos não são predadores dos tigres. Mas a Plutocracia, quando é que não mandou quase tudo aqui e em muitos outros sítios? Quanto mais pequeno é o sítio, mais vulnerável é.»
terça-feira, 19 de outubro de 2010
"Revolução francesa"

A propósito da deslocação do Benfica a Lyon, a capa da edição de hoje do diário desportivo «A Bola» retrata como nenhum outro os distúrbios que se têm vivido em França nos últimos dias. As imagens escolhidas mostram bem os responsáveis pela violência que se tem sentido. Tal não passou despercebido à imprensa francesa, como podemos ver no sempre atento François Desouche.
domingo, 17 de outubro de 2010
MZ entrevista Jérôme Bourbon
Como habitualmente, hoje às 22 horas é altura de ouvir em directo a emissão do Méridien Zéro, o programa francês da Radio Bandiera Nera, que desta vez entrevista Jérôme Bourbon, director do semanário «Rivarol».
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Nessun Dolore
Do nascimento da CasaPound aos confrontos da Piazza Navona, um romance sobre os fascistas do terceiro milénio e a sua grande história de amizade. Flavio e Giorgio, encontram-se pela primeira vez em frente à escola e tornam-se amigos no estádio Olímpico quando Flavio tenta entrar sem bilhete. São filhos de Roma, mas de bairros diferentes. Flavio é do norte da cidade, um bom bairro. O seu futuro está já definido pelos seus pais, bons estudos, um mestrado nos Estados Unidos e certamente um dia um belo lugar na empresa familiar da família. Giorgio, por seu turno, cresceu na Garbatella, um bairro popular, antes de ficar na moda e de ele ser expulso com a sua família. Vai viver, com a mãe e o irmão, para a CasaPound, o edifício que se tornou o coração “negro” da capital. Nesse dia, no entanto, não há diferenças entre eles, são adeptos numa missão e é o começo de uma amizade indestrutível, que vai cimentar-se durante um concerto de Zetazeroalfa. Na CasaPound, viverão no seio de uma comunidade orgânica, regida por regras simples mas estritas (nada de drogas, de armas ou de crime). Empreenderão as suas batalhas, políticas e de rua, lado a lado. Giorgio e Flavio tornar-se-ão os chefes carismáticos do Blocco Studentesco, a organização juvenil da CasaPound nos liceus e nas universidades.
Domenico Di Tullio nasceu em Roma em 1969. É o advogado penalista que defende a CasaPound. Em 2006, publicou o livro «Centro sociali di destra. Occupazioni e culture non conformi» [Centros sociais de direita. Ocupações e culturas não-conformes].
Domenico Di Tullio, Nessun dolore, Il romanzo di Casapound [Nenhuma dor, o romance da CasaPound], 238 páginas, € 16,50. (publicado pela Rizzoli, uma das maiores editoras italianas).
Domenico Di Tullio nasceu em Roma em 1969. É o advogado penalista que defende a CasaPound. Em 2006, publicou o livro «Centro sociali di destra. Occupazioni e culture non conformi» [Centros sociais de direita. Ocupações e culturas não-conformes].
Domenico Di Tullio, Nessun dolore, Il romanzo di Casapound [Nenhuma dor, o romance da CasaPound], 238 páginas, € 16,50. (publicado pela Rizzoli, uma das maiores editoras italianas).
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Monarquia ou república?
Esta é, na minha opinião, uma falsa questão à qual não devemos voltar nestes tempos conturbados. O essencial não está na forma, mas no conteúdo. No meu caso pessoal, pelas críticas que tenho feito à I República, sou considerado “monárquico” por alguns. Nada mais erróneo. Para esclarecer a minha posição, faço minhas as palavras do historiador francês Dominique Venner, no seu livro “Le Coeur Rebelle”, uma sentida e profunda reflexão autobiográfica que tanto me tocou: “As minhas escolhas profundas não eram de ordem intelectual mas estética. O importante para mim não era a forma do Estado – uma aparência – mas o tipo de homem dominante na sociedade. Eu preferia uma república onde cultivássemos a memória de Esparta do que uma monarquia atolada no culto do dinheiro. Havia nestas simplificações um grande fundo de verdade. Acredito ainda hoje que não é a lei que é garante do homem mas é o homem que garante a lei.” [conclusão do meu artigo "A República imaginária" publicado na edição desta semana de «O Diabo»]
No fio da navalha
Quem se lembra dos conturbados tempos de violência étnico-política que marcaram a Irlanda do Norte no último quartel do século XX e ficaram conhecidos como “The Troubles”? Para quem acompanhou esse conflito complexo, recusando as análises simplistas de certa imprensa e opinadores maniqueístas, esta é uma incursão muito interessante num período da História Contemporânea cujos efeitos ainda se fazem sentir.
No final dos anos 80, era prática corrente a Royal Ulster Constabulary (RUC), a polícia de então na Irlanda do Norte, recrutar infiltrados no campo inimigo, conhecido por Irish Republican Army (IRA), o exército republicano irlandês, uma força paramilitar independentista considerada como organização terrorista pelo Reino Unido.
A acção de “Na senda dos condenados” decorre nessa altura, concretamente entre 1987 e 1991, contando-nos uma versão livre da história de Martin MacGartland. Este foi um dos infiltrados mais importantes da altura, considerado um “supergrass”, que devido à delação afirmou ter salvo cinquenta pessoas. Este número inspirou o título de um dos seus livros autobiográficos, publicado em 1997, que agora foi adaptado à sétima arte com o mesmo nome.
Martin, que é brilhantemente representado por Jim Sturgess, é um jovem católico irlandês que vive de vendas de material furtado porta à porta e passa – ou pelo menos tenta passar – ao lado da oposição entre católicos independentistas e protestantes unionistas. É aquilo que a que se chama popularmente um “espertalhão”. Talvez por isso, mas também porque se vê inevitavelmente ligado à situação politica da sua terra, que começa a ser assediado tanto pela RUC como pelo Provisional IRA (apesar de a maior parte das pessoas o conhecer apenas pela sigla histórica IRA). Acaba por conseguir tornar-se um dos “Óglaigh na hÉireann”, ou seja “voluntários da Irlanda”. No entanto, por discordar do seu modo de actuar, acaba por dar informações preciosas ao Special Branch, através do contacto que o recrutou e que usa o nome de código Fergus, evitando vários atentados. No filme essa personagem é bem interpretada pelo veterano Ben Kingsley, que consegue transmitir eficazmente um lado paternal inerente à “conversão” de Martin.
O ambiente da época está muitíssimo bem reproduzido, tanto no guarda-roupa como nos cenários e nos adereços, dos automóveis às armas utilizadas. Está também muito bem conseguida a integração de imagens da altura e a transmissão do estado de tensão que se vivia. Há uma cena memorável em que Martin é detido pelo exército britânico e os transeuntes se revoltam espontaneamente, começando a atirar pedras e a agredir os soldados.
Neste relato pessoal, que nos chega num filme bem ritmado e que nos prende a atenção até ao final, encontramos as dúvidas de um conflito pessoal, das amizades, das fidelidades, das “causas”. Mas no qual a questão central é sempre a da motivação... [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
No final dos anos 80, era prática corrente a Royal Ulster Constabulary (RUC), a polícia de então na Irlanda do Norte, recrutar infiltrados no campo inimigo, conhecido por Irish Republican Army (IRA), o exército republicano irlandês, uma força paramilitar independentista considerada como organização terrorista pelo Reino Unido.
A acção de “Na senda dos condenados” decorre nessa altura, concretamente entre 1987 e 1991, contando-nos uma versão livre da história de Martin MacGartland. Este foi um dos infiltrados mais importantes da altura, considerado um “supergrass”, que devido à delação afirmou ter salvo cinquenta pessoas. Este número inspirou o título de um dos seus livros autobiográficos, publicado em 1997, que agora foi adaptado à sétima arte com o mesmo nome.
Martin, que é brilhantemente representado por Jim Sturgess, é um jovem católico irlandês que vive de vendas de material furtado porta à porta e passa – ou pelo menos tenta passar – ao lado da oposição entre católicos independentistas e protestantes unionistas. É aquilo que a que se chama popularmente um “espertalhão”. Talvez por isso, mas também porque se vê inevitavelmente ligado à situação politica da sua terra, que começa a ser assediado tanto pela RUC como pelo Provisional IRA (apesar de a maior parte das pessoas o conhecer apenas pela sigla histórica IRA). Acaba por conseguir tornar-se um dos “Óglaigh na hÉireann”, ou seja “voluntários da Irlanda”. No entanto, por discordar do seu modo de actuar, acaba por dar informações preciosas ao Special Branch, através do contacto que o recrutou e que usa o nome de código Fergus, evitando vários atentados. No filme essa personagem é bem interpretada pelo veterano Ben Kingsley, que consegue transmitir eficazmente um lado paternal inerente à “conversão” de Martin.
O ambiente da época está muitíssimo bem reproduzido, tanto no guarda-roupa como nos cenários e nos adereços, dos automóveis às armas utilizadas. Está também muito bem conseguida a integração de imagens da altura e a transmissão do estado de tensão que se vivia. Há uma cena memorável em que Martin é detido pelo exército britânico e os transeuntes se revoltam espontaneamente, começando a atirar pedras e a agredir os soldados.
Neste relato pessoal, que nos chega num filme bem ritmado e que nos prende a atenção até ao final, encontramos as dúvidas de um conflito pessoal, das amizades, das fidelidades, das “causas”. Mas no qual a questão central é sempre a da motivação... [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Revista Tintin (VI)
Noites no MOTELx
![]() |
| Cinema São Jorge |
O público interessado, sempre participativo e interventivo, proporcionou um óptimo ambiente. Uma das coisas que me agrada é ver um dos cinemas emblemáticos da capital cheio de gente, maioritariamente jovem. A propósito do crescimento deste festival, perguntei a Pedro Souto, um dos directores (ver entrevista abaixo), se havia a ideia de o alargar a outros cinemas. Ele foi categórico e disse-me que a casa do MOTELx é o São Jorge.
Noite Sangrenta (*)
Estava curioso em relação a “Noite Sangrenta", a mini-série em dois episódios da RTP, que retrata a noite brutal da "camioneta fantasma" e que abriu o MOTELx em antestreia nacional. Está bem filmada e produzida, notando-se algum cuidado na recriação da época, tanto nos cenários, como no guarda-roupa. Já no registo oral, desiludiu. Por exemplo, soa logo mal o sotaque lisboeta actual de uma criada ou de um guarda prisional de Coimbra, no início do século XX. Estes pormenores prendem-se, a meu ver, com uma falha em reproduzir (ou reconhecer?) a marcada divisão de classes de então. Mas o pior, como alguns me avisaram, é mesmo a inspiração ideológica desta obra. Apesar de se anunciar como obra de ficção, propõe uma versão da tenebrosa "noite sangrenta" na qual os responsáveis são meros idiotas úteis de uma conspiração "das direitas"... É mais uma celebração de uma República imaginária — um mero acto de propaganda.
Survival of the Dead (***)
![]() |
| George A. Romero e Nuno Markl |
F (****)
Esta foi uma óptima surpresa neste festival, um belo regresso ao medo nos filmes de terror, como disse Johannes Roberts numa vídeo-mensagem antes da projecção de “F”. Este realizador britânico, que à última hora não pode estar presente no MOTELx, não deixou ainda de saudar os espectadores e dizer que este trabalho era uma “carta de amor” a Carpenter e o seu clássico “Assalto à 13.ª Esquadra” (1976). Realmente, o ambiente claustrofóbico da escola que é atacada por jovens encapuzados, cujo único objectivo é assassinar brutalmente quem encontram, é essencial para a tensão permanente que se sente do início ao fim. Mas a história não se resume ao terror. Explora muito bem o campo das relações humanas, sejam no registo politicamente incorrecto em que é tratada a relação aluno-professor, seja na complicada relação pai-filha. A não perder.
Centurion (***)
Mais um realizador britânico que não pode estar presente, mas que em vídeo deu alguns pormenores interessantes sobre a realização de “Centurion”, rodado em seis semanas nas ilhas escocesas em temperaturas negativas e condições adversas. Esse realismo transparece para o filme e é bom. No entanto, apesar das magníficas paisagens serem irresistíveis, Neil Marshall abusa dos planos aéreos. Apesar de certas personagens e algumas opções da história não serem as melhores, esta é uma boa incursão no mundo guerreiro da Antiguidade.
![]() |
| Sala cheia |
No último dia, foi entregue o prémio MOTELx para a Melhor Curta de Terror Portuguesa 2010 a “Bats in the Belfry” (Portugal, 2010, 8') de João Alves, atribuído pelo júri constituído por Alan Jones, José de Matos-Cruz e José Nascimento. De seguida, foi projectado “The Revenant” (2009), de D. Kerry Prior, um daqueles penosos exercícios que são as tentativas de humor sem graça. Apesar das gargalhadas de parte do público, não me arrancou um sorriso e foi uma estopada que, para mim, fechou mal um óptimo festival. Para o ano, felizmente, há mais. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















