quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Propaganda

Estava curioso em relação a "Noite Sangrenta", a mini-série em dois episódios da RTP, que retrata a noite brutal da "camioneta fantasma" e que vi em estreia nacional no MOTELx. Está bem filmada e produzida, notando-se algum cuidado na recriação da época, tanto nos cenários, como no guarda-roupa. Já no registo oral, desiludiu; por exemplo, soa logo mal o sotaque lisboeta deste século de uma criada ou de um guarda prisonial de Coimbra, no início do século XX. Estes pormenores prendem-se, a meu ver, com uma falha em repoduzir (ou reconhecer?) a marcada divisão de classes de então.

Mas o pior, como alguns me avisaram, é mesmo a inspiração ideológica desta obra. Apesar de se anunciar como obra de ficção, propõe uma versão da tenebrosa "noite sangrenta" na qual os responsáveis são meros idiotas úteis de uma conspiração "das direitas"... É mais uma celebração de uma República imaginária — um mero acto de propaganda.

O actor Gonçalo Waddington como Abel Olímpio, o "Dente d'Ouro".


É altura de recordar, a este propósito, um excelente texto publicado no blog Semiramis, em 2004: "Com o tempo, os republicanos procuraram outras explicações [para a "noite sangrenta"]. Não podiam aceitar a explicação simples que teria sido a sua acção, o radicalismo da sua política, a imundície que haviam lançado desde 1890 sobre toda a classe política, a sua retórica de panegírico aos atentados bombistas (desde que favoráveis), aos regicidas, a desencadear tanta monstruosidade. Significava acusarem-se a si próprios. Outras explicações foram aparecendo, sempre mais tortuosas, acerca dos eventuais culpados: conspiração monárquica; Cunha Leal (apesar de ter sido quase morto); Alfredo da Silva (apesar de, nessa noite, ter escapado à justa e tido que se refugiar em Espanha) uma conspiração monárquica e ibérica; a Maçonaria (a acção da Maçonaria sobre a Guarda, impelindo-a para a revolução, era constante, mas isso não significa que desse ordens para aqueles crimes) Os assassinados na Noite Sangrenta não seriam, entre os republicanos, aqueles que mais hostilidade mereceriam dos monárquicos. Eram republicanos moderados. O furor dos assassinos liquidara homens tidos, na sua maior parte, como simpatizantes do sidonismo. Não se tratava de vingar Outubro de 1910, mas sim Dezembro de 1917. Carlos da Maia e Machado Santos foram ministros de Sidónio Pais. Botelho de Vasconcelos, coronel na Rotunda, às ordens de Sidónio Pais. Se as matanças de 19 de Outubro de 1921 foram uma vingança terão de ser referenciadas à República Nova e não ao 5 de Outubro. Aliás, num gesto significativo, os revolucionários libertaram o assassino de Sidónio Pais. Há na Noite Sangrenta factos que se impõem de maneira evidente. A 20 de Outubro, a Imprensa da Manhã reivindicou para si a glória de ter preparado o movimento, mas repudiou as suas trágicas consequências, especialmente a morte de Granjo. Ora anteriormente, dia após dia, aquele diário havia acusado e ameaçado Granjo, injuriando-o sistematicamente. Como podia agora lavar as mãos da sua morte? Aliás, a atitude dos assassinos foi concludente: depois de matarem Machado Santos, dirigiram-se na camioneta da morte à Imprensa da Manhã para lhe agradecerem o apoio e para aquela publicar os nomes dos que tinham fuzilado o Almirante. Um deles confessou mais tarde que Machado Santos havia sido localizado por informações de jornalistas da Imprensa da Manhã. Os assassinos procuravam a satisfação e a glória de uma obra realizada, no diário matutino onde se proclamara a necessidade dessa realização. Os assassinos nunca esperaram ser castigados. Mesmo durante o julgamento sempre esperaram a absolvição. Quando foram condenados, entre gritos de vingança e de apoio à «República radical», alguns acusaram altos oficiais de não terem autoridade moral para os condenarem, pois estavam por detrás da carnificina. Os assassinos tinham, de certo modo, razão: eles tinham agido dentro da lógica que o republicanismo tinha instilado neles. Em todos os regimes que nascem e se sustentam no crime e no terror (por muito justa que a causa possa ser), há sempre o momento (ou os momentos) em que a revolução devora os próprios filhos. "

A propósito de um centenário (V)

Lembrei-me de post República imaginária, que aqui publiquei em 2007, quando se ficaram a conhecer os preparativos para as comemorações do centenário da República.

Aqui fica um excerto: "(...) a I República estava bastante longe do éden adâmico apresentado pelos abrileiros. Representava, aliás, exactamente o contrário do que estes diziam defender em vários pontos-chave. Um regime onde existira a censura, que mandara soldados para a guerra, que nunca abdicara das colónias, onde a perseguição política e religiosa foi impiedosa, comandado por um partido que podia não ser único, mas sobrepunha-se (impunha-se) a todos os outros.


Esta incómoda realidade, pouco “democrática” segundo os padrões hodiernos, nascida do crime do regicídio e não da vontade ou expressão popular, é hoje sobejamente conhecida. Seria de esperar, por isso, que não se insistisse em mistificações, que alguns pretendem desculpar aos ânimos exaltados da insolação do Verão quente. Hoje exigia-se outra (com)postura, mas nas recentes comemorações oficiais do 5 de Outubro e na preparação do centenário da República percebeu-se que nada mudou.(...)"

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A volta à Europa a pé de Fanny e Mathilde


Referi aqui a fantástica aventura levada a cabo por duas raparigas francesas que decidiram dar uma volta à Europa a pé. Uma viagem - no mais profundo sentido do termo - iniciada em Setembro do ano passado e que terminou em Julho de 2010, após percorrer cerca de 6 000 km e dez países. Fanny, arquitecta, e Mathilde, licenciada em História, ambas ligadas ao movimento de escutismo Scouts Raiders Europe-Jeunesse, decidiram partir à descoberta da Europa e delas próprias.

Há uma coisa que não posso deixar de referir, a importância que elas dão à leitura, aos livros que as inspiraram. Como elas afirmam: "ler abre-nos o imaginário". E foi com grande agrado que descobri que os autores de referência delas me são também muito caros: Dominique Venner, Henri Vincennot, Nietzsche, Dumézil, Jean Giono, Jean Raspail, entre outros.


Esta fabulosa experiência, que dará origem a um livro, pode ser apreciada no blog Tour d'Europe que contém relatos da viagem, muitas fotografias e os artigos que saíram na imprensa de vários países sobre elas. Uma aventura inspiradora, em especial nestes tempos que atravessamos. Como elas dizem: "A mecanização, a televisão, as normas. Hoje em dia tudo se vende, tudo se compra, excepto talvez a felicidade..."

Há uma citação do grande Ernst Jünger no blog delas que não resisto a usar para concluir: "Um abismo separa-nos daqueles que se batem por um bem-estar material".

A propósito de um centenário (IV)


É de ler o post do Miguel Vaz, República sangrenta, a propósito do filme "Noite Sangrenta", que retrata a noite brutal da "camioneta fantasma", cuja estreia nacional é hoje no MOTELx. Como diz o Miguel, o "episódio no qual este filme se baseia é no fundo um espelho do regime. (...) Cem anos passados, vamos comemorar o quê?".

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Terror em Lisboa


Começa amanhã a 4.ª edição do “MOTELx”, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, que decorrerá até ao próximo Domingo. Organizado pelo CTLX – Cineclube de Terror de Lisboa, é desde 2007 um espaço de convívio e descoberta pensado para todos os que procuram novos autores, novos filmes e novas abordagens a este género.
O festival terá cinco secções, sendo o “Serviço de Quarto” o espaço dedicado Às longas-metragens, onde este ano sobressai a produção britânica, mas onde podemos também ver filmes vindos de outros países europeus, ou mesmo da Tailândia ou da Austrália. No “Culto dos Mestres Vivos”, dedicado ao norte-americano George A. Romero, que será o grande convidado desta edição, será feita uma retrospectiva da obra cinematográfica do realizador e mostrado o seu mais recente filme “Survival of the Dead”.

A secção “Japão Retro” exibirá três clássicos do cinema de terror japonês seleccionados. Ao “Quarto Perdido”, secção criada no ano passado e que procura as raízes do cinema de terror português, caberá a responsabilidade das honras da sessão de abertura com uma obra portuguesa em antestreia absoluta, “Noite Sangrenta”, realizada por Tiago Guedes e Frederico Serra, uma co-produção entre a RTP e a produtora David & Golias, por ocasião das comemorações do Centenário da República Portuguesa.

Para a secção “Curtas Internacionais”, foram escolhidas 19 curtas-metragens internacionais de 14 países diferentes, do Canadá à Coreia do Sul, do Brasil à Macedónia, da Irlanda à Letónia, que serão exibidas nas sessões do Festival, em complemento das longas-metragens, mas este ano também à hora de almoço. Por fim, o “Prémio MOTELx - Melhor Curta de Terror Portuguesa 2010”, será disputado entre 12 curtas-metragens, produções e co-produções portuguesas, num total de 149 minutos de terror nacional. O Júri será composto por Alan Jones, crítico de renome internacional e especialista em cinema de terror, José de Matos-Cruz, crítico e autor, e ainda, José Nascimento, realizador.

Para além do cinema, o MOTELx contará também com uma apresentação do “liZboa”, um videojogo cuja acção irá decorrer na cidade de Lisboa, em ambientes e locais emblemáticos da cidade, retratando uma pandemia zombie com epicentro na capital portuguesa, sendo o jogador colocado no papel de um dos sobreviventes. A apresentação, que será na quinta-feira às 18 horas, incluirá a mostra da primeira curta-metragem “liZboa”, a primeira demo jogável do projecto e uma sessão de perguntas e respostas. A seguir, às 19:15, terá lugar a “Noite de jogos de Terror”.
No contacto com os autores, haverá um painel de discussão, Sábado às 19:15, sobre o “Brit Horror” com o realizador Neil Marshall (“Centurion”, 2010), que lidera uma autêntica invasão britânica, da qual fazem parte os realizadores Gerard Johnson (“Tony”, 2009), também acompanhado de Peter Ferdinando, o actor principal, Christopher Smith (“Triangle”, 2009), Johannes Roberts (“F”, 2010) e Paul Andrew Williams (“Cherry Tree Lane”, 2010), aos quais se Alan Jones, autor, crítico e especialista em cinema de terror, e membro do júri do Prémio MOTELx 2010.
O destaque vai para a sessão de perguntas e respostas com o convidado principal do festival, George A. Romero, que decorrerá no último dia às 16:30. Razões de sobra para ir – como diz o ‘slogan’ do festival – “onde o terror é bem-vindo”. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

O regresso de Tintin

Como referi aqui no ano passado, Tintin vai regressar hoje às livrarias portuguesas com novo nome, nova chancela editorial, novo formato e novas traduções. O lançamento oficial da colecção decorre hoje no Espaço Tintin, na Av. de Roma em Lisboa, com apresentação de Nuno Artur Silva.

Como nos explica o Eurico de Barros, hoje no «DN»: "Portugal foi o primeiro país não francófono a publicar as aventuras de Tintin, na revista Papagaio, em Abril de 1936, e também o primeiro país do mundo a fazê-lo a cores (embora sem a autorização de Hergé, que até nem ficou muito aborrecido). Mais de 70 anos depois, Portugal volta a inovar com Tintin, reeditando, pela mão da ASA, os 24 álbuns das suas aventuras, num formato inédito, mais pequeno do que o tradicional da Casterman, mas maior do que o da colecção "Tintin de poche" da mesma editora."

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O mau jornalismo habitual (VIII)

A bolorenta história do "Fujam, fujam que o Hitler voltou!" já enjoa, mas continua a vender, pelos vistos... Quando há algum resultado mais expressivo de um partido do verdadeiro albergue espanhol que é a área da chamada (por vezes convenientemente) "extrema-direita", somos presenteados com os alarmismos do costume sobre um iminente "regresso do nazismo". Podia ser piada de mau gosto, mas tornou-se prática corrente. Para além disso, como se está a tratar dos "maus", tudo é permitido, até erros crassos.

Vem isto a propósito das duas páginas que o "Expresso" (o tal "jornal de referência" para os bem-pensantes) dedica ao crescimento da "extrema-direita" na Europa, que considera "uma ameaça". O carácter tendencioso do artigo está bem reflectido no título "Uma sombra paira sobre a Europa". E não, este não é um texto sobre poluição atmosférica.

Para ilustrar a peça, temos um mapa do Velho Continente com uma suástica por cima. Não se faz a coisa por menos! Tal opção choca de frente com a nota sobre a Holanda e o partido de Geert Wilders, de que se diz: "Discurso anti-islâmico, associando o islão à criminalidade. Compara o Corão ao Mein Kampf de Hitler." Em que ficamos? Serão "nazis" anti-nazis?

Para dar mais um exemplo, no caso do nosso país, a "extrema-direita" é representada pelo "Partido Renovador Democrático"! Gralha? Erro deliberado? O Partido Nacional Renovador existe há dez anos e concorreu a diversos actos eleitorais. Mesmo que houvesse dúvidas, hoje existe a internet... 

A propósito de um centenário (III)

"Festejar o centenário - ou qualquer número de anos - da implantação da República em Portugal tem actualmente tanta justificação como festejar a instauração do comunismo na Rússia e a formação da União Soviética."

Octávio dos Santos
in «Público», 27/9/10.

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 50

Nas bancas está o número 50 de «La Nouvelle Revue d'Histoire», edição histórica que marca a permanência desta revista de referência independente, que é possível comprar no nosso país. Desta vez, o tema do excelente dossier é “Vichy: o tempo dos enigmas”, que inclui artigos de Dominique Venner, François-Georges Dreyfus, Philippe Conrad, Bernard Bruneteau, Philippe d'Hugues, Olivier Dard e Philippe Alméras. Destaque para as entrevistas com Dominique Venner (disponível em vídeo aqui) sobre a revista e com Henri Lurens, sobre o Oriente visto do Ocidente, e para os artigos “A Revolta de Lutero” de Emma Demeester, e “A nova política da Turquia”, de Aymeric Chauprade. Como habitualmente, temos a crónica de Péroncel-Hugoz e as secções do costume.

A ler, divulgar e apoiar.

domingo, 26 de setembro de 2010

Tomislav Sunic na rádio (II)


Hoje às 22 horas, oportunidade para ouvir Tomislav Sunic no Méridien Zero, o programa francês da Radio Bandiera Nera, a propósito do o seu último livro, "La Croatie : un pays par défaut ?".

Thilo Sarrazin e o "mas"...

Desta vez não foi um "nazi", ou um skinhead ou uma daquelas figuras cómodas - idiotas úteis - que os media utilizam recorrentemente para descredibilizar os sucessivos alertas para a catástrofe em que se tornou a imigração maciça para a Europa. Foi Thilo Sarrazin, economista, membro do do Partido Social-Democrata e do conselho de administração do Banco Central alemão, o responsável por declarações polémicas como "os imigrantes trouxeram mais prejuízos do que benefícios à Alemanha", ou "o quociente de inteligência do país diminuiu por causa destes imigrantes".

E a opinião popular? Para saber o que pensam os alemães, é de ler a interessante reportagem do "Público", publicada na passada sexta-feira, que refere que "segundo uma sondagem, um em cada cinco alemães concordam com as ideias de Sarrazin" e onde a maior parte deles afirma: "Não concordo com Sarrazin, mas..."

sábado, 25 de setembro de 2010

A propósito de um centenário (II)

"Os portugueses não tinham perdido com o advento de Salazar um regime aberto e plural como o que hoje temos, pois apenas tinham conhecido oligarquias dilaceradas por querelas internas."

José Manuel Fernandes
in «Público», 24/9/10.

A propósito de um centenário (I)

"O que estamos a comemorar é a visão da República que a oposição republicana e maçónica do Estado Novo tinha."

Pacheco Pereira
in «Sábado», 23/9/10.

Tomislav Sunic na rádio (I)


Tomislav Sunic, autor de vários livros, tradutor, antigo diplomata croata e professor universitário nos EUA, actual conselheiro cultural do partido American Third Position, será entrevistado no programa Libre Journal des Lycéens, da Radio Courtoisie, dirigido por Romain Lecap, hoje às 11 horas (repete às 23 horas), a propósito do seu último livro, "La Croatie : un pays par défaut ?", por Georges Feltin-Tracol, responsável pelo Europe Maxima, e Pascal Lassalle, professor de História.

Também presentes no programa estarão Fanny e Mathilde, para relatar a aventura da sua volta à Europa a pé.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Plataforma


A propósito dos karens, lembrei-me do livro muito recomendável de Michel Houellebecq, "Plataforma", publicado entre nós pela Bertrand, em 2002, com uma capa inenarrável. Esta foi uma obra de sucesso e bastante polémica, não só pelo estilo provocador do autor, mas pelas considerações "politicamente incorrectas" sobre o islão e o seu impacto nas sociedades ocidentais, escritas antes do 11 de Setembro.

Voltando ao povo Karen, há uma passagem que o refere durante uma viagem turística da personagem principal à Tailândia. Aqui fica o excerto: "A região fronteiriça que íamos percorrer agora era parcialmente povoada por refugiados da Birmânia, de origem karen; mas não havia problema. Segundo ela, Karens muito corajosos, crianças boas alunas, tudo bem. Não tinham semelhança com algumas tribos do Norte, com quem, aliás, não nos iríamos cruzar durante a excursão; na opinião dela, não perdíamos grande coisa. Em especial no caso dos Akkhas, relativamente a quem parecia ter uma certa má vontade. Apesar dos esforços do governo, mostravam-se incapazes de abdicar do cultivo da papoila de ópio, a sua actividade tradicional. Eram vagamente animistas e comiam cães. Akkhas maus, acrescentou Sôn energicamente: só cultivar papoilas e apanhar frutos, sabem fazer nada; filhos alunos maus na escola. Com eles muito dinheiro gasto, resultado nenhum. São grande nulidade, conclui ela finalmente, dando mostras de um belo poder de síntese.
Quando cheguei ao hotel observei com atenção estes famosos karens, afadigados à beira do rio. Vistos de perto, isto é a uma distância em que não era preciso levar pistola-metralhadora, não tinham um ar nada mau; o aspecto mais evidente era a sua adoração por elefantes. Tomar banho no rio e esfregar o dorso dos elefantes, parecia ser a sua maior alegria. É verdade que não se tratava de rebeldes karens mas sim de karens vulgares - justamente aqueles que tinham fugido das zonas de combate, fartos daquilo tudo, a causa da independência passava-lhes completamente ao lado."

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Regresso ao terror

Antes de “Até ao Inferno” começar, há um aviso de que vamos viajar no tempo. O logótipo da Universal é antigo e, pelo que confirmei numa pesquisa rápida, contemporâneo dos primeiros filmes da série “Evil Dead”, nos anos 80 do século passado. Um sinal do regresso de Sam Raimi aos filmes de terror que o celebrizaram.

Bem sei que os chamados filmes de terror preenchem um género que, apesar de ser de culto para muitos cinéfilos, está longe de ser do agrado da maioria. No meu caso, durante a adolescência era um ávido consumidor deste tipo de cinema, algo na moda na altura. Se por um lado havia os considerados filmes de terror “a sério”, cujo expoente máximo era uma das obras magistrais de Stanley Kubrick, “The Shining” (1980), por outro havia os de terror-comédia, no qual se enquadravam este primeiros sucessos de Raimi. E como me divertia com os meus amigos a ver estes filmes! Louvávamos a inventividade deste realizador norte-americano em pormenores marcantes como a sangrenta moto-serra de “Evil Dead II” (1987) ou Ash de caçadeira em punho em plena Idade Média, no delirante “Army of Darkness” (1992).

Foi exactamente após este “Exército das Trevas” que Raimi escreveu, em conjunto com o seu irmão Ivan, este filme que ficaria adiado durante muito tempo. Pelo meio, foi realizador, argumentista, actor e produtor, trabalhando não só em cinema, mas também em séries televisivas e jogos de vídeo. Subiu ao cume do sucesso com a trilogia “Homem-Aranha” (2002, 2004 e 2007) e agora voltou às origens.

Desta vez conta-nos a história de uma analista de crédito que, pressionada pelo chefe e motivada pela progressão na carreira, recusa mais um adiamento a uma velha cigana. A mulher, que cumpre todos os requisitos de bruxa feia, ataca-a e roga-lhe uma praga. A partir daí, a vida perfeita de Christine Brown (Alison Lohman) começa a desmoronar-se. No trabalho, na sua relação com um jovem professor universitário, no seu dia-a-dia, começa a ser atormentada por um espírito maligno que a quer arrastar para o Inferno e, para tentar escapar, Christine vai perder os escrúpulos.

Como não podia deixar de ser, estão reunidos todos os ingredientes para um filme de terror convencional, onde iremos cruzar-nos com um parapsicólogo indiano, uma médium hispânica, um demónio assustador e assistir às imprescindíveis cenas nojentas, que incluem vómitos, vermes, cadáveres, sangue, etc. Nota para as cenas com as moscas; simples, mas eficazes.

Esta verdadeira visita ao passado, com sabor a recompensa para os primeiros fãs de Sam Raimi, resulta numa boa película que merece uma ida ao cinema. Os entusiastas deste género descobrirão ainda uma série de elementos dos trabalhos iniciais do realizador. Um jogo engraçado de memória cinematográfica. Um filme divertido que não surpreende, mas também não desilude, nem no final. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia d'O Diabo

Quem são os leitores do Zentropa?

O clã Zentropa é uma das referências desta casa e um exemplo para toda uma área. Agora decidiu fazer um breve questionário aos seus leitores para os ficar a conhecer melhor. Abaixo está a tradução das questões, que devem ser respondidas e publicadas como comentário aqui.

1) Como ouviste falar do Zentropa e da sua comunidade?

2) Com que frequência lês o Zentropa? Todos os dias, várias vezes ao dia, semanalmente, de vez em quando?

3) Qualifica de 1 a 5 os seguintes conteúdos do Zentropa (1=mais interessado, 5= menos interessado): Fotografias e imagens / Vídeos / Citações e sinopses de livros / Documentos inéditos / Entrevistas

4) És membro de alguma organização política? Se sim, qual?

5) Estás envolvido em alguma associação? Se sim, qual?

6) Tens algum blogue ou colaboras num? Se sim, qual?

7) Alguma vez sugeriste conteúdos a publicar no Zentropa?

8) Promoves o Zentropa? Se sim, por que meios?

Por favor responde com comentários.