segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Vá para fora cá dentro... e não só

Depois de um período na Beira Alta, eis que chego à cidade onde no século XVII o Capitão Alatriste se viu às avessas com "O Ouro do Rei". E está um — típico — calor de morte!

domingo, 29 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os Indo-Europeus (III)



Uma óptima novidade editorial francesa, apresentada neste vídeo pelo presidente da Terre et Peuple, Pierre Vial, é a publicação de uma edição revista e aumentada do livro "Les Indo-Européens", de Jean Haudry, pelas Éditions de la Fôret, que tem por base o publicado pela PUF na colecção "Que sais-je ?", em 1981, e que teve várias edições e traduções, incluindo uma portuguesa que referi aqui.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A festa de Stallone

Parece que Sylvester Stallone decidiu fazer uma espécie de encontro dos antigos combatentes dos filmes de acção de Hollywood. Convidou todos os amigos e realizou uma obra que apenas se pode considerar uma paródia em homenagem a este género. O problema é que, mesmo assim, é uma estopada.

O argumento resume-se a uma colecção dos lugares-comuns deste tipo de filmes. É aborrecidamente previsível e penosamente sem piada. A única cena cómica verdadeiramente engraçada é protagonizada por Arnold Schwarzenegger, na fugaz aparição do agora governador da Califórnia. Há que dizer que a ideia das cenas em que Stallone goza com ele próprio é boa, mas simplesmente não resulta.

Não sou daqueles que descartam automaticamente este italo-americano com hipertrofia muscular, que garantiu um lugar entre os grandes nomes dos actores de filme de tiros e pancada. Há que dizer que o primeiro Rambo, “A Fúria do Herói” (1982), é um bom filme sobre o difícil regresso da Guerra do Vietname, bem como o primeiro “Rocky” (1976), com o devido encaixe. O que se seguiu nessas duas séries – aparentemente intermináveis – foi muito mau, mas ao que parece foi apenas motivado pelo lucro fácil perante um público “pouco exigente” (para ser simpático). Mas Stallone foi construindo a sua carreira, como quis e entendeu, atingindo um estatuto que lhe permite, agora, fazer brincadeiras como “Os Mercenários”.

Descurando enquadramentos e necessidade narrativa, como era de esperar, há acção com fartura; para “dar e vender”, como reza a expressão popular. Explosões, tiros, armas potentes e pancadaria da grossa, com cenas explícitas e brutais. Mas isso é o menos, porque o pior – mesmo considerando que é uma paródia – é a historieca do ditador de uma minúscula ilha latino-americana ficcionada, com uma bandeira que mais parece de um país árabe, controlado por um mauzão renegado da CIA. Perante tal cenário, um grupo de mercenários aparece para “salvar o dia” – numa tradução directa da expressão americana – muito ao jeito da série televisiva “Soldados da Fortuna”, tendo como contacto a própria filha do general, defensora da liberdade. Já fora da paródia, o espírito do filme é que a América é que é fixe. Aqui, até estes guerreiros a soldo acabam por ter valores e princípios. Pelo meio, ainda debitam algumas das diabolizações recentes da propaganda norte-americana, como na referência aos “malvados sérvios”.

O exagerado elenco de estrelas caídas (pelo menos etariamente) serve apenas para comentar para o lado: “Olha aquele, como ele está…” O mais ridículo é mesmo a recusa da idade de tantos deles, com o recurso à cirurgia plástica, tão em voga, mas que chega a desfigurar as pessoas. O cúmulo é um Mickey Rourke que mal se consegue levantar da cadeira. Para concluir, digo apenas que ir ao cinema ver estes “dispensáveis” é sem dúvida dispensável. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

IdentidaD n.º 30

Os nossos brinquedos

Confesso: conservo ainda a maior parte dos meus brinquedos de infância. Não só por motivos sentimentais, mas principalmente devido à minha veia coleccionista. Alguns dei-os já ao meu filho, mas muitos continuam na arrecadação. Como que a dizer que certas coisas que guardamos de outros tempos as vamos passando, gradualmente, às gerações seguintes.

Quem estranhar estas linhas, percebê-las-á quando vir o perturbante início do último filme da trilogia “Toy Story”, iniciada em 1995. O tempo passou e Andy já não é mais uma criança. Vai para a universidade e isso implica mudanças em casa. Decide colocar o seu ‘cowboy’ Woody nas coisas que vai levar com ele e o resto dos seus brinquedos num caixote para guardar no sótão. No entanto há um equívoco que leva os nossos conhecidos heróis a quase serem triturados por um camião do lixo, para acabarem doados a um infantário onde os mais pequenos os tratam, literalmente, à pancada. Mas isso não é o pior, pois depressa descobrem que foram parar a um verdadeiro ambiente prisional controlado por um grupo de brinquedos maus liderados por Lotso, um traumatizado urso de peluche cor-de-rosa.

A partir daí vai viver-se uma aventura para miúdos e graúdos, com várias referências a clássicos, numa história que junta a fuga e o reencontro, a desilusão e o recomeço. Pelo meio há uma série de situações cómicas muito bem conseguidas, como a cena em que Buzz Lightyear, o astronauta do Comando Estelar, é reprogramado pelos seus captores para um modo em que fala espanhol.

Uma das coisas mais extraordinárias e surpreendentes nesta obra dirigida por Lee Unkrich é a personagem Ken, o companheiro da Barbie, a quem é dito a determinada altura: “Tu não és um brinquedo, és um acessório!” Este dilema, ao qual se juntam o estilo desajeitado e efeminado proporcionam ao filme situações verdadeiramente hilariantes.

Esta é a primeira longa-metragem da Pixar a ser realizada em 3D, mas não exagera, felizmente. Aliás, toda a tecnologia neste filme é – como deve ser – acessória. Aqui o interesse fundamental é a história, a riqueza das personagens e o efeito que têm em nós.

Um filme de família no sentido pleno do termo, que nos mostra a importância das brincadeiras, da amizade, da transmissão de valores, da passagem do testemunho. Porque esse é o seu propósito: a continuidade. Um filme a ver, naturalmente, em família. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 15 de agosto de 2010

Uma pouca vergonha


Já na última página da edição d'«O Diabo» da passada terça-feira, se dava conta de uma situação deplorável: a da transformação do Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, num "lava-pés"! Ontem, no «Diário de Notícias», foi a vez do Eurico de Barros denunciar esta pouca vergonha. Escreve ele: "Uma coisa é enfiar as mãos na fonte do Rossio numa tarde de brasa, outra é usar o monumento aos Mortos do Ultramar como piscina e solário, como parece estar a tornar-se hábito, sobretudo nestes últimos dias em que a canícula não deu tréguas. Nestes tempos em que anda tudo de boca cheia com "cidadania" e "civismo" por causa dos 100 anos da República, convinha que as pessoas, sobretudo as mais encaloradas, percebessem que o Monumento aos Mortos do Ultramar não é uma peça de "arte pública" para usufruto do cidadão, muito menos o sucedâneo de uma piscina municipal onde a malta vai chapinhar e esticar-se ao sol para ficar mais tostadinha".

É caso para repetir o que escreveu "O Diabo": "Haja decoro!"

Zen Anarchist

Ontem referi aqui John Milius, argumentista de "Apocalypse Now" (1979) e realizador de "Conan, o Bárbaro" (1982), por exemplo, foi também actor e, recentemente, escreveu e produziu vários episódios da óptima série televisiva "Roma". Lembrei-me de um post que lhe dediquei no defunto Jantar das Quartas e onde partilhei a ligação para uma excelente entrevista sugerida por um leitor. Uma excelente (re)leitura!

sábado, 14 de agosto de 2010

Coração das Trevas

Na iniciativa "Biblioteca de Verão", «Diário de Notícias» oferece hoje com o jornal o livro "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad, a obra em que John Milius se baseou para esccrever o argumento do filme "Apocalypse Now". A edição não é das melhores, mas é sempre de aproveitar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Já cá canta!

Há um ano atrás, quando saiu o quinto volume da série do Capitão Alatriste, disse aqui que aguardava a tradução de “Corsários de Levante”, para termos em português todas as aventuras deste herói popularizado por Arturo Pérez-Reverte publicadas até agora. A espera terminou e hoje comprei o livro. Uma óptima leitura para este Verão!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Navios japoneses em Lisboa

Não pude ir visitar os navios japoneses que estão em Lisboa devido aos horários impeditivos, mas felizmente o Defesa Nacional proporcionou uma óptima série de fotografias. Obrigado!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 49

Já saiu o número 49 de «La Nouvelle Revue d'Histoire», a revista de referência que aconselho regularmente e é possível comprar nas bancas portuguesas. De leitura obrigatória, traz-nos mais uma vez um tema da maior actualidade: o Afeganistão. O excelente dossier inclui artigos de Jean-Dominique Merchet, Philippe Conrad, Mériadec Raffray, Didier Donnersmark e Aymeric Chauprade. Destaque ainda para as entrevistas com Henri Bogdan sobre a Mitteleuropa, e com David Victoroff sobre a crise do Euro e o futuro da Europa, e para os artigos “Carlos Magno, Imperador do Ocidente” de Emma Demeester, “Os camponeses de onde nós vimos”, de Anne Bernet, “A tumba do Dr. Freud”, de Charles Vaugeois, sobre o livro de Michel Onfray, e “1940. A revanche da Rechswehr”, de Dominique Venner. Nota especial para o artigo de Jean-Michel Baldassari, “Imigração: revelações de um demógrafo”, sobre o livro de Michèle Tribalat sobre a imigração em França. Como habitualmente, temos a crónica de Péroncel-Hugoz e as secções do costume.

O controlo


Continuando o raciocínio da semana passada, António Marques Bessa escreveu na edição de ontem d'«O Diabo»:

"A democracia vigiada também é o controlo do cidadão pela máquina. Logo que a classe política profissional se viu entrincheirada no poder, com a economia na mão, raciocinou bem: só nos falta controlar as massas. E as massas são as pessoas consideradas uma a uma. Tornou-se fácil, com o Estado despesista e sem limites de orçamento, começar a pentear o tecido social para encontrar inimigos e quem interessa para pagar as suas contas. Então, em vez do odioso militar e o cárcere no quartel, o cidadão passou a ter direito a uma observação constante do Ministério das Finanças, que paulatinamente constrói ficheiros e acena com anos de cadeia como se fosse um cacho de bananas. Diversos órgãos de espionagem da república como o conhecido SIS, como o conhecido SIR, como os serviços de informação especiais de cada Ministério, bem com as redes pessoais de cada "homem grande", estendem-se sobre os portugueses para apurar o que andam a fazer, especialmente os mais activos. O acesso a contas confidenciais de simples cidadão, que a eles diz respeito como rotina, é mais um aspecto da vigilância que não será para desprezar, porque a independência económica assegura a independência política. As redes asseguram outros a ficarem impunes: fazem-nos desaparecer e a massa esquece o nome e o que ele fez.
As redes internacionais de informação e controlo ajudam a que este sistema ainda funcione melhor: trocam dados, aconselham técnicas de vigilância, de gravação, mesmo os computadores pessoais podem ser penetrados e toda a informação tida por bem guardada pode ser espionada e vasculhada por um especialista contratado por uma destas redes.
"

Carlos Eduardo Soveral - In memoriam

O Nonas lembrou Carlos Eduardo Soveral no passado 7 de Agosto, dia do aniversário da sua morte. Esta recordação fez-me resgatar da prateleira o muito recomendável livro "Visão indo-europeia ou afã de entender", publicado pela Hugin em 2001. Escolhi a conclusão da "Nota sobre a Exortação da Guerra de Gil Vicente e a trifuncionalidade indo-europeia" para partilhar aqui:

A trifuncionalidade indo-europeia, estudada e magistralmente explicada-iluminada por Dumézil de meio século e de milhares de páginas de uma obra exundiosíssima encontra nesta tragi-comédia de Gil Vicente surpreendente ilustração. Qual se o grande dramaturgo peninsular se figurasse criticamente essa trifuncionalidade e, criticamente, levando pela mão o seu portentoso engenho, tivesse querido exprimi-la de forma teatral. Desnecessário seria dizer que isso não teve, decerto, lugar, uma vez que o talento verdadeiro se encontra de natura misteriosamente assimilado com as essências e estruturas profundas de toda a realidade.

O Império contra-ataca

Este é o excelente último álbum dos Hobbit, que não me canso de ouvir.