sábado, 29 de maio de 2010

Provocação pública

O meu caro amigo HNO, a propósito da capa do «Público» de ontem, decidiu fazer uma provocaçãozinha, dizendo que eu sou “leitor assíduo-compulsivo desse pasquim esquerdóide”. É verdade, respondi-lhe, acrescentado que não só sou leitor do «Público», como normalmente o leio no kindle, objecto pelo qual ele não nutre as maiores simpatias.

Concordando, como ele bem sabe, com muitas das suas críticas a este diário, lembro que por lá também escrevem Pulido Valente, Pacheco Pereira e Brandão Ferreira, entre outros. Por outro lado, certas posições do jornal são bastante louváveis, corajosas e de excepção, como as investigações aos diferentes casos envolvendo o actual primeiro-ministro e a tomada de posição relativamente ao (des)acordo ortográfico.

Voltando à capa, apesar de a de ontem ser muito boa, a fotografia repete-se na ainda melhor capa do «Ípsilon», que partilho.

O deuses devem estar loucos

“Choque de Titãs”, realizado em 1981 por Desmond Davies, foi um dos filmes que me marcou na infância. Confirmou o meu gosto pelas aventuras épicas e despertou a minha curiosidade para a mitologia clássica. A luta heróica contra todas as adversidades, em especial contra os monstros criados pelo talentoso Ray Harryhausen, conquistou a minha admiração. Ainda hoje, apesar das devidas distâncias, continuo a tê-lo em consideração, tendo-se tornado de culto.

Foi este precedente que me levou a ver o “remake” dirigido por Louis Leterrier – responsável pela desilusão chamada “O Incrível Hulk” (2008) –, não à espera de grande surpresa, mas quase como obrigação. Apesar de contar com alguns actores de peso, o filme deixa de lado as actuações e quase também a história, a favor dos exagerados efeitos especiais. É uma sina da maior parte do dito cinema de acção que se faz hoje em dia.

Mas mesmo nos efeitos, apesar das possibilidades, esta versão pouco traz de novo, já que insiste nos escorpiões gigantes e no Kraken do original, que aliás nada têm que ver com a mitologia grega. É para recordar, nova e insistentemente, que a tecnologia por mais avançada que seja continua a precisar de imaginação e talento criativo.

Para os fãs do “Choque” de 1981, há um brinde. Antes de Perseu partir na sua demanda, ao escolher o material bélico a levar, pega em Bubo, a coruja mecânica que apareceu nesse filme, e pergunta: “O que é isto?” Um dos soldados diz-lhe simplesmente para a deixar para trás. Trata-se de um “cameo” engraçado, mas que acaba por ser como uma pastilha de menta numa refeição estragada.

Esta história da revolta dos homens contra os deuses e da intriga entre eles, que contará com um semi-deus para finalmente vencer o enorme monstro marinho com o auxílio precioso da cabeça cortada da Medusa, depois de todas as outras provas, é contada de uma forma saltitante e sem um fio condutor.

A prestação dos actores deixa muito a desejar, para não dizer pior. Liam Neeson e Ralph Fiennes, por exemplo, que representam Zeus e Hades, respectivamente, são um desastre. Também a caracterização, em especial dos deuses e do Olimpo, é simplesmente pavorosa, a puxar para o tristemente (tragicamente?) cómico.

É realmente pena que não seja possível transmitir a dimensão intemporal desta história, sem cair na tentação de fazer “entretenimento”. Seria perfeitamente possível e bastante desejável mostrar a importância dos clássicos e do espírito trágico. Essa postura que comandou o homem europeu sempre mais além, mesmo quando conhecia de antemão o seu destino desfavorável.

Lembro-me daquela máxima trágica: “Não é necessário ter esperança para empreender, nem ter êxito para preservar”. Como necessitamos desse espírito hoje… [publicado na secção CineMais da última edição de «O Diabo»]

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Uma Revolução

«Repelir o invasor, restaurar as ruínas — tornavam-se assim motivações nacionais cada vez mais fortes e imperiosas. Motivação negativa, "contra", a primeira, e positiva, "a favor", a segunda. Mas ambas implicavam uma terceira, bem forte e sensível também, que no fundo a ambas por igual englobava.

Efectivamente: por um lado, políticos e intelectuais (desiludidos, uns; adversários de sempre, outros) combatiam no sistema o seu afastamento dos valores centrais da sociedade portuguesa, o alheamento em que os responsáveis se mantinham de quanto era profundamente nacional ("os portugueses estrangeiros que nos desgovernam", a quem se referia Fernando Pessoa em 1912); por outro lado, a grande massa da população, desentendida das altas especulações da filosofia política e dos bastidores da governação, sentia que no fundo os seus males vinham daí, de se ter dado prioridade a subalternos interesses partidários perante os superiores interesses nacionais, de se anteporem, às concretas necessidades das realidades próprias, preocupações de abstractos esquemas políticos alheios.

Dessa forma, excluída a minoria dos políticos profissionais, todo o País desejava ardentemente que a Nação recuperasse os seus direitos — havia tanto tempo e tão criminosamente postergados. Algumas instituições, por definição mais sensíveis — em especial — ou à superioridade do conceito de Pátria sobre meras perspectivas parcelares (como as Forças Armadas) ou à consideração da primazia dos valores morais (como a hierarquia da Igreja) ou às exigências da razão e da inteligência (como a Universidade e a Imprensa) ou às preocupações da justiça (como a Magistratura), tinham chegado a essa conclusão geral com mais aguda consciência da restauração necessária e, chegado o momento, não deixariam de contribuir decisivamente — cada um a seu modo — para vertebrar o consenso popular em favor de qualquer movimento político disposto a sobrepor o bem comum aos privilégios particulares, o conceito integrador de Nação à acção desintegradora dos partidos políticos.

De tal forma — ao fim de um século de parlamentarismo, primeiro monárquico e depois republicano — se havia identificado o sistema político cristalizado na Carta Constitucional do Imperador D. Pedro com a ideia de que se tratava de modas e fórmulas estrangeiras importadas, por tal modo a degradação e as carências materiais generalizadas humilhavam e ofendiam o orgulho nacional, que ambas as correntes de opinião — a que era movida pela ânsia de se libertar daquela imposição como a que se sentia estimulada pela nobre ambição de sanar estas feridas e mutilações operadas no corpo da Nação — vinham a convergir num renovado patriotismo, ao mesmo tempo racionado e emocional.

Em tempos del-Rei D. Pedro V, as primeiras tímidas iniciativas de fomento haviam despertado uns primeiros lampejos desse patriotismo sempre latente mas, desde os "afrancesados" de princípios do século, quase troçado como coisa de "cavernícolas" e analfabetos; com os africanos del-Rei D. Carlos, esse patriotismo profundo vivera algumas das suas horas altas; mas esse sentimento instintivo do povo português, depressa se via de novo frustrado e abatido pela mediocridade e a chateza da agitação partidária, cada vez mais vazia de sentido.

Era um terceiro componente do ambiente pré-revolucionário que estava também a chegar ao ponto de ruptura, ao limite para além do qual se tornava inevitável (e de imprevisíveis consequências) a explosão. Anos mais tarde viria a condensar-se essa aspiração aguilhoante e incoercível num lema que se popularizou: "Tudo pela Nação, nada contra a Nação". Mais do que uma linha de orientação, a fórmula resumia o que havia sido a síntese de todas as motivações anteriores: o movimento político esperado por tudo quanto no País se mantinha imune às politiquices rasteiras dos partidos havia de responder, na essência, a esse imperativo fundamental: era cada vez mais urgente reaportuguesar Portugal.»

Eduardo Freitas da Costa
in "História do 28 de Maio", Edições do Templo, 1979.

Até onde irá o disparate?

Ontem falei aqui de "destruição dos padrões fundamentais da nossa sociedade" e depois li a notícia que dá conta que "em Portugal deverá ser possível um homem tornar-se mulher mantendo o pénis". Mais um "avanço civilizacional" rumo ao precipício...

É caso para perguntar até onde irá o disparate? Até onde nós deixarmos.

O problema é que temos deixado tudo. Desde o "nim" cavaquista a, por exemplo, um pormenor que a notícia refere, quando contabiliza o apoio da esquerda: "Na verdade, [a lei] só não passará se os comunistas alinharem com o CDS e o PSD, o que fontes internas consideram altamente improvável, mesmo reconhecendo que o partido resiste com dificuldade a legislação demasiado avant-garde."

Honrar os mortos por Portugal


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Nim

Longe do país, em férias, fui sabendo da actualidade nacional via Kindle. Foi sem surpresa que li a notícia da decisão de Cavaco Silva de promulgar o casamento homossexual com o esperado "nim". Ou seja, começou por dizer não, mas acabou por dizer sim. A postura do "nim" diz tudo sobre a verticalidade de uma pessoa e, por isso, abstenho-me de mais comentários. É só mais um passo — mais um dos muitos que estão para breve — na destruição dos padrões fundamentais da nossa sociedade.

10 de Junho


domingo, 23 de maio de 2010

Fantástica Lusitânia

“Fantasia Lusitana” abriu o último IndieLisboa e causou alguma sensação. Este documentário, que utiliza material dos anos 40 na sua maioria da autoria de António Lopes Ribeiro, mostra como era retratada vida no nosso país durante a Segunda Guerra Mundial, com a paz da neutralidade e o trânsito dos refugiados em fuga. Em “off” podemos ouvir discursos de Salazar e a leitura dos testemunhos, escritos na altura, de Alfred Döblin, Erika Mann (filha de Thomas Mann) e Saint-Exupéry.

O objectivo do filme é atacar o Estado Novo através da sua própria propaganda, mostrando o “ridículo” e a “fantasia” – como o título indica – de um Portugal neutral salvo da guerra pelo seu “messias”. A questão da nossa neutralidade está longe de se confinar a esse período histórico. Ocorre-me prontamente outro que também parece de fantasia, os jogos diplomáticos de D. João VI, com franceses e ingleses, que culminou na transferência de uma capital europeia para o Brasil. A nossa História tem realmente coisas fantásticas.

Por falar em fantasia, não posso deixar de referir que vi o filme na única sala que o projecta em Lisboa e que tem a particularidade de ter as paredes decoradas com personagens da Disney e as cadeiras estampadas com a cara do Rato Mickey. Para tornar a experiência ainda mais “fantástica”, dois lugares à minha direita, um sujeito mascava pipocas de boca aberta…

Voltando ao filme, apesar das intenções, devo dizer que parece um daqueles álbuns sobre a Mocidade Portuguesa, bastante ilustrados e que foram sucessos de venda: um verdadeiro deleite gráfico. Uma oportunidade para ver imagens deste período, onde se destacam as da Exposição do Mundo Português. Sobre a “fantasia” podemos considerar que é a da época. Há que dizer que, nos mesmos termos, era possível fazer uma “fantasia americana”, “cubana”, ou mesmo uma “fantasia socrática”, com o actual primeiro-ministro de computador Magalhães em punho.

Foi por isso que gostei e a classificação tem a seguinte explicação: uma estrela pelo trabalho técnico e de montagem; outra pela ausência de um narrador politicamente correcto a “explicar” os perigos do “fascismo”; e, por fim, uma pela pesquisa que trouxe a público estas imagens de arquivo.

Sobre o património sonoro, por exemplo, o realizador disse numa entrevista que grande parte se havia perdido, incluindo as gravações das crónicas de Fernando Pessa, das quais utilizou a única existente. Mesmo os discursos de Salazar, segundo ele, foram retirados de um site salazarista na internet. Sinal dos tempos?

Que exemplos como este sirvam para lembrar a necessidade da preservação da memória, mesmo de períodos que a alguns parecem ridículos. Principalmente em alturas como hoje, onde perante a falta de um projecto nacional – esteja este certo ou errado –, se navega à vista, sendo por isso ainda mais necessário saber de onde viemos. A bem da Nação... [publicado na secção CineMais da última edição de «O Diabo»]

sábado, 15 de maio de 2010

De partida

Estou prestes a partir para umas necessitadas férias bem longe daqui e já tratei do mais importante: a mala dos livros.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Timing

Entre o Benfica e o Papa, é mesmo a altura ideal para se falar no aumento de impostos que aí vem.

Quem quer ser super-herói?

Sempre fui um grande apreciador de banda desenhada. Durante a minha adolescência devorava os “comics” norte-americanos e, como qualquer outro miúdo, imaginava o que seria ter super-poderes, ser um super-herói, ou o que aconteceria se essas personagens existissem de facto.

Este filme debruça-se exactamente sobre essa questão, mas não como seria de esperar. Dave Lizewski (Aaron Johnson) é um rapaz como tantos outros que atravessa os dilemas da sua idade, reúne-se com os amigos numa loja de banda desenhada a apreciar os heróis dos quadradinhos e cujo único super-poder, reconhecido pelo próprio, é “ser invisível para as raparigas”. Vivendo num mundo em que o crime violento é habitual, não deixa por isso de se preocupar com os outros e começa a achar que os paladinos do bem não deviam apenas existir nas histórias que lê. Certo dia, chocado pela violência contra as pessoas e principalmente com a falta de solidariedade e auxílio mútuo, decide tornar-se um super-herói.

Encomenda um fato justo e assim que o recebe inicia uma tentativa de treinos pessoais. Desta forma nasce Kick-Ass, um super-herói que não tem poderes, mas está decidido a assegurar uma vida tranquila aos cidadãos por mero sentido de serviço à comunidade. Quando se sente preparado, arrisca saindo à rua armado com dois bastões e tenta evitar um assalto. O pior acontece: é espancado, esfaqueado e atropelado por um carro. Depois de uma intervenção cirúrgica que o recupera e ao descobrir que tem uma sensibilidade nervosa muito menor, o que lhe permite resistir mais à dor, decide que o seu alter ego não morreu.

É finalmente catapultado para o estrelato quando alguém coloca na internet um vídeo de uma das suas intervenções. Ganha a simpatia popular, mas vê-se envolvido no perigoso mundo do crime organizado, acabando por descobrir uma dupla de justiceiros mascarados – pai e filha –, que considera verdadeiros super-heróis.

“Kick-Ass” é uma adaptação ao cinema do “comic” homónimo escrito por Mark Millar e desenhado por John Romita Jr., cuja publicação se iniciou em 2008. Se na BD não foi nada do outro mundo, em filme é ainda pior. Apesar de mais infantil, mantém a ultra-violência excessiva e sangrenta, mas que com certeza será ao gosto do público-alvo. Esta mistura de crianças e adolescentes em fatos carnavalescos com combates mortais que envolvem todo o tipo de armas produz simplesmente um aborrecimento durante grande parte do filme, agravado pela prestação penosa de Nicolas Cage.

Também qualquer mensagem a transmitir – se é que havia alguma – se perde no banho de sangue folclórico e no fogo-de-artifício dos tiros e explosões.

Como se não bastasse, a cena final é um anúncio à sequela. Não, obrigado. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 11 de maio de 2010

PNR Madeira

O representante do PNR na Madeira foi entrevistado pelo «Diário de Notícias» da Madeira e deu a conhecer o partido à região. É mais um passo na tão necessária implantação territorial. A ler.

9 de Maio

A manifestação unitária contra o mundialismo agendada para o passado dia 9 de Maio em Paris excedeu as melhores expectativas. Mais de mil nacionalistas e identitários de diferentes grupos e organizações marcharam juntos, para no fim ouvirem as palavras de Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, Robert Spieler, delegado geral da NDP, e Serge Ayoub, organizador do acto, que recordou o malogrado militante nacionalista francês Sébastien Deyzieu.

Uma nota para a contra-manifestação que foi organizada pela extrema-esquerda para o mesmo dia, mas... no lado oposto da cidade e quatro horas depois!

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Feira do livro (II)

Mais uma ida à Feira do Livro de Lisboa, este fim-de-semana, fez-me trazer para casa – onde o espaço para livros escasseia – alguns achados. Na parte dos alfarrabistas, e numa visita rápida, consegui por € 5 um livro do Rodrigo Emílio que não tinha, “Primeira Colheita”, a “Viagem aos centros da Terra”, de Vintila Horia, e “O que é a Política?”, de Julien Freund. Já nos stands das editoras comprei “Fascismo e Comunismo”, a interessante correspondência entre François Furet e Ernst Nolte, por € 2,5, e “Aterrem em Portugal. Aviadores e aviões beligerantes em Portugal na II Guerra Mundial”, do jornalista Carlos Guerreiro, publicado há dois anos pela Pedra da Lua, por € 11 e qualquer coisa.

Voltei a achar a feira com pouca gente, mas talvez isso se devesse à hora avançada, e tenho que criticar a inexistência de caixas multibanco. Seja como for, fiquei satisfeito com esta colheita e ainda lá vou voltar antes de umas pequenas férias que se aproximam.

Terre & Peuple Magazine n.º 43

O último número da revista da Associação Terre et Peuple tem como tema de capa um assunto fulcral para o nosso futuro “Identidades: a revolução do século XXI”, que traça “algumas pistas de reflexão”, com artigos de Pierre Vial, Jean Haudry, Jeanne e François Desnoyers, Pierre Gillieth, entre outros. A destacar, as homenagens a dois camaradas que deixaram o mundo dos vivos: Jean-Claude Valla e Abelardo Linares y Muñoz. Uma referência especial à recensão crítica de Jean Haudry ao n.º da revista “Dossiers d'Archéologie” sobre os indo-europeus, onde diz que apesar do “inefável” Jean-Paul Demoulle e para além do discurso habitual “este dossier reserva algumas boas surpresas”. Também a não perder é a entrevista com Jean-Patrick Arteault sobre as “Raízes do Mundialismo Ocidental”. Podemos ainda ler as habituais críticas a livros, cinema, exposições e a banda desenhada, bem como comentários sobre a actualidade e a habitual rubrica de culinária.

domingo, 9 de maio de 2010

Giovinezza al potere!

No passado dia 7 de Maio, três mil estudantes de toda a Itália acorreram à Praça da República, em Roma, para a manifestação nacional do Blocco Studentesco, sob o lema "juventude ao poder".

sábado, 8 de maio de 2010

Nota sobre as eleições no Reino Unido

As recentes eleições no Reino Unido terminaram com uma maioria relativa dos conservadores e o fracasso dos liberais-democratas, que muitos esperam ser a surpresa deste acto eleitoral. A situação agora é o que por lá se chama "hung parliament" e que desde a Segunda Guerra Mundial só aconteceu em 1974, ou seja a ausência de uma maioria absoluta.

O sistema eleitoral, aliás, favorece essas maiorias e prejudica os partidos mais pequenos. Essa foi uma das causas da não eleição de Nick Griffin pela circunscrição de Barking, onde o BNP foi a terceira força mais votada. Apesar de conscientes da grande dificuldade que enfrentavam, os nacionalistas britânicos apostaram muito nessa zona durante a campanha. Se o sistema fosse proporcional...

A verdade é que o BNP tem aumentado, eleição após eleição, o número de candidatos e aumentado o score eleitoral. Desta vez o esforço foi ainda maior por ocorrer pouco depois das eleições para o Parlamento Europeu, onde os nacionalistas britânicos conseguiram pela primeira vez eleger dois deputados.

A Oeste nada de novo...

Os EUA são um país belicista que, apesar da eleição de Obama (considerado quase como santo por meio mundo), pouco alterou a sua forma de agir em prol do garante da sua hegemonia mundial.

A grande diferença está na passividade dos media ocidentais, que contrasta com as reacções inflamadas durante a administração Bush (filho).

Pois então vejamos. O vice-presidente norte-americano, Joe Biden, veio à Europa alertar para o perigo do Irão e a necessidade de um novo escudo anti-mísseis no leste europeu. Biden havia já afirmado que Israel (a única potência nuclear naquela região, recorde-se) não atacaria o Irão sem consultar os EUA. Por fim, note-se que, ao mesmo tempo, corre na imprensa a referência ao documentário "Feathered Cocaine", onde se afirma que Bin Laden vive a norte de Teerão, com a mulher e vários familiares, sob protecção do regime iraniano desde 2003.

Digam lá se não cheira já a um cozinhado do tipo "armas de destruição maciça"?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tintin sob ataque

Não posso deixar de me referir aqui ao ataque feito ao repórter de que sou grande apreciador feito por Bienvenu Mbutu Mondondo. Este cidadão da República Democrática do Congo, residente na Bélgica, volta a recorrer à justiça para exigir à editora que o álbum "Tintin no Congo" seja retirado de circulação ou que passe a ser vendido com um aviso. Tudo porque, segundo ele, este é "um livro racista que insulta todos os negros", para além de dar uma má imagem do Congo.

Podia ser uma piada de mau gosto, mas o pior é que o tribunal pode dar razão ao queixoso. Lembre-se que a edição inglesa do livro já inclui o dito "aviso". Se este disparate continua, imagine-se a quantidade de clássicos que "precisam" de avisos... Mais uma das consequências da submissão da Europa à ditadura do politicamente correcto, que na sua sanha niveladora ignora as suas próprias contradições, como tão bem demonstra o cartoon abaixo.

"Você dá uma má imagem do Congo!!" "Vocês não?"

Manual de Geopolítica

"Geopolítica: Teorização Clássica e Ensinamentos" é um manual da autoria do tenente-coronel Carlos Manuel Mendes Dias, docente da Academia Militar, que o redigiu como apoio escrito para os alunos dessa instituição que frequentam a disciplina de Geopolítica. Esta óptima síntese, bem estruturada, começa por traçar uma evolução histórica da Geopolítica, analisando depois os seus principais pensadores e as suas perspectivas relativamente aos diferentes poderes, terminando com um capítulo referente aos factores geopolíticos e geoestratégicos. Uma obra essencial para todos os interessados no tema, tanto como introdução, como para fazer o sempre recomendável back to basics.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Feira do livro

Ontem fui pela primeira vez este ano à Feira do Livro de Lisboa. Fui em família, continuando o hábito que os meus pais tão bem me transmitiram. Fui ao fim do dia e por isso não fiquei muito tempo. Notei a pouca afluência, que não sei se será devida à hora avançada ou se mantém ao longo do dia. Seja como for, ainda comprei algumas pechinchas e tive a felicidade de encontrar no stand da Prefácio o recém-editado "Geopolítica: Teorização Clássica e Ensinamentos", de Carlos Manuel Mendes Dias, por quase metade do preço de venda ao público, para além de "O Salto do Tigre. Geopolítica Aplicada", que o mesmo escreveu em co-autoria com António Marques Bessa.

Nesta curta passagem, o que mais gostei de ver foi uma das velhas Citroën das Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian, totalmente recuperada. Normalmente, quem mais se lembra delas são os que viviam fora dos centros urbanos, mas eu recordo-me perfeitamente de ver uma em plena Av. da Igreja, em frente à pastelaria Nova Lisboa, quando era miúdo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Revisitar Goa

O meu caro amigo HNO alertou ontem para o lançamento do livro "Revisitar Goa, Damão e Diu", referente ao 1.º Ciclo de Conferências da Cooperativa Militar, o que me lembrou dois livros que vieram da biblioteca do meu avô paterno.


"O Dia em que Goa Caiu", publicado pela Livraria Exposição do Livro (S. Paulo), em 1963, da autoria de Nelson Gatto, com várias fotografias. Este é o relato deste jornalista brasileiro que, como correspondente de guerra, viveu os últimos dias da Índia portuguesa e assistiu à invasão de Goa.


"Tempo de Falar. Diário da Invasão de Goa", de Bastos Martins, publicado em edição do autor em 1962, é o relato em forma de diário de um civil português que viveu a queda de Goa e esteve quase um mês a bordo de um navio que acabaria por levá-lo, a ele e a mais compatriotas, até Karachi.

Última crónica

Jaime Nogueira Pinto assinou ontem a sua despedida do «i». O título da sua última crónica, “Não se pode ter tudo”, podia bem aplicar-se à curta e atribulada vida deste jornal.

Nesta interessante análise aos “três dês” abrilinos, há duas coisas que quero realçar. Primeiro, as perseguições políticas tão “esquecidas”, que é sempre bom lembrar para que nunca se esqueçam: “Na crise Spínola, no 28 de Setembro, houve nova unidade antifascista: os maus da fita passaram a ser os partidos à direita do CDS - o Liberal, o Cristão-Democrata, o Partido do Progresso, o MAP. Que foram fechados. E os seus dirigentes e militantes, "malfeitores associados", foram também fechados - na cadeia, donde alguns só sairiam depois do 25 de Novembro de 1975.

Depois, o também muito esquecido “outro povo” e a sua importância: “Depois foi o Verão Quente e o PC, o MFA e o "povo unido" uniram-se na marcha vertiginosa para o socialismo. Foram parados pelo outro povo, o povo da direita, também unido, do Minho a Rio Maior, que, através de formas superiores de luta, criou as condições para o governo Pinheiro de Azevedo e o 25 de Novembro. Decidido pelos Comandos e pela Força Aérea, o processo foi travado pela recuperação que o MFA de Melo Antunes fez dos comunistas, sacrificando a extrema-esquerda.

O Tempo que resta

O conflito israelo-árabe, concretamente a forma como foram submetidos os palestinos, é um assunto quase sempre tratado com grande alarido e exaltação, marcado por convicções extremadas normalmente sem lugar a ironias. Elia Suleiman opta pelo contrário e, no seu registo habitual, projecta a tensão israelo-palestina numa comédia trágica.

“O Tempo que Resta” vem fechar a trilogia palestina iniciada com “Crónica de um Desaparecimento” (1996) e “Intervenção Divina” (2002), com um percurso semi-autobiográfico do realizador, que é também actor e narrador. O filme foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, em 2009, sendo premiado no festival argentino de Mar del Plata no mesmo ano, altura em que foi exibido entre nós pela primeira vez no DocLisboa.

A história começa por transportar-nos para 1948, na altura em que as tropas israelitas ocuparam Nazaré. O pai de Suleiman vive aqueles tempos conturbados e, através dele e da sua família, apercebemo-nos da alteração profunda que esta ocupação provocou. A partir desse choque inicial, acompanhamos a vida daqueles árabes israelitas que vivem num mundo dirigido e controlado por judeus até aos nossos dias. Vemos os que não querem resistir e os que resistem passivamente, os que se submetem e os que continuam enfrentar a tensão permanente, tudo através de um mosaico de episódios do dia-a-dia, onde não faltam vizinhos loucos e outras peripécias.

Não vemos grandes batalhas, nem grandes discursos. Aqui reinam os pormenores, as pequenas coisas, as situações caricatas, que mesmo em alturas como esta acontecem. Há planos prolongados, de uma melancolia contemplativa, e os diálogos são poucos, talvez porque o diálogo nesta tensão seja muito difícil.

O estilo de Suleiman recorda facilmente Buster Keaton e Jacques Tati, mas o realizador disse por várias vezes que não o influenciaram, já que não lhes conhecia a obra quando começou a filmar. Seja como for, o humor negro (bem) conseguido pelo absurdo e o burlesco oferecem uma experiência que vale a pena.

E qual será a mensagem deste filme? Tudo parece indicar, até pelo próprio título, que se trata da dúvida sobre o que fazer, ou o que se passará, no tempo que ainda temos. A ser assim, como interpretar a cena no final onde vemos adolescentes vestidos como se pertencessem a um gangue norte-americano, ao som de uma versão “techno” de “Stayin’ Alive”? Talvez o “nonsense” não esteja apenas no filme, mas também cá fora – na realidade.

Elia Suleiman fez um filme pessoal – seu – para todos, mas que não deixa de ser um filme pelos seus. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dois programas a ver




No passado fim-de-semana foram transmitidos dois programas de televisão bastante interessantes. O primeiro, acima partilhado, é o Sociedade das Nações, da SIC, com os investigadores italianos Riccardo Marchi e Marco Lisi, sobre as particularidades da política nacional.

O segundo é o Olhar o Mundo, da RTP, com os convidados Riccardo Marchi e Cesário Borga, sobre as direitas e as extremas-direitas em Espanha, na Hungria e na Áustria.

O problema

Na edição de hoje do semanário «O Diabo», o Prof. Marques Bessa, na sua análise habitual, afirma que o problema de Portugal é estrututal, lembrando que o nosso Pessoa usava a palavra "provincianismo" para definir a mentalidade portuguesa. E que permanece para lá do provincianismo? Diz ele, sem papas na língua: "A incapacidade de produzir para si mesmo, de se alimentar, de trabalhar, de criar riqueza e de ser como os outros. Justamente, é o que se pensaria: um terrível complexo de inferioridade, como atestou o antropólogo emérito Jorge Dias, a noção de que nada vale a pena, a intenção clara de depender do Estado, seja este ladrão, seja este um Estado-Providência sério. Viver ao Deus dará, mas sem incorrer em nenhuma firme convicção religiosa, reclamando o direito à preguiça e às mais estranhas reivindicações, mas não reconhecendo o dever de trabalhar e porduzir seriamente."

Um soneto

A minha cara amiga M., com quem não tenho conseguido almoçar – vai ser impossível pôr a conversa em dia... –, tem o saudável hábito de enviar poesia por correio electrónico a uma lista de destinatários na qual me incluiu. Hoje, pela tarde, enviou um belíssimo soneto do nosso Camões, que não resisti a partilhar.

Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.

Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.

Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;

Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.

Luís de Camões

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Revista Tintin (IV)


O n.º de hoje da revista semanal «Tintin - Le Journal des Jeunes de 7 a 77 ans» é o 38, de 23/9/1959.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bourne em Bagdade

Em 2003 os EUA invadem o Iraque na sua “guerra contra o terrorismo”, justificando esta acção militar com a existência de armas de destruição maciça naquele país e o objectivo de levar a “democracia” e a paz ao povo iraquiano. O resultado é hoje bem conhecido de todos: armas nem vê-las e o caos instala-se.

É neste cenário que decorre a acção de “Green Zone”, que entre nós recebe o nome de “Combate pela Verdade”, onde se conta a história do sargento Roy Miller (Matt Damon) que com a sua unidade de inspectores do exército procura armas de destruição maciça, mas, pelo contrário, descobre um intrincado plano que se propõe revelar.

Este “thriller” explora bem as guerras internas no seio das forças americanas, os seus conflitos de interesses, rivalidades e diferentes objectivos. Neste turbilhão surge um paladino da verdade, o sargento Miller, disposto a desobecer e contrariar regras e ordens para atingir o seu propósito superior. Para além da cena onde Miller é desautorizado e mesmo agredido pelo chefe de uma equipa das forças especiais, há um diálogo que espelha bem tudo isto. O sargento pergunta a um responsável da CIA: “Não estamos todos do mesmo lado?”, ao que ele responde: “É um pouco mais complicado que isso...”

Este diálogo passa-se num ambiente que, longe de um cenário de guerra, mais parece um “resort” de férias. A esplanada junto a uma piscina onde passeiam raparigas em biquini e se pode comer churrasco e beber cerveja gelada não é um exagero. É baseada no relato feito pelo jornalista do Washington Post Rajiv Chandrasekaran, no seu livro de investigação “Imperial Life in the Emerald City”, publicado em 2006, que inspirou este filme.

Perante as acusações de “anti-americano” e “anti-guerra”, Richard “Monty” Gonzales, antigo militar em que se baseia a personagem do sargento Miller e que foi consultor neste filme, lembrou que esta história de conspiração se trata de ficção e que não é um retrato fiel do trabalho da sua equipa no Iraque.

O britânico Paul Greengrass filma com o mesmo estilo movimentado e ritmo ofegante com que fez nos dois filmes da trilogia Bourne que realizou, respectivamente “Supremacia” (2004) e “Ultimato” (2007). Com Matt Damon como protagonista, as semelhanças com essa série são ainda maiores. Mas não, apesar deste ser um bom filme de acção, não é “Bourne no Iraque”, e o seu final moralista e previsível – bem à americana – deixa a desejar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Seis anos

Em seis anos muito mudou neste meio. Assistiu-se à ascensão e queda da dita "área nacional" na blogosfera, onde infelizmente desapareceram blogs de grande qualidade, mas onde parou a excessiva proliferação de entusiasmos efémeros. Uma mudança recente é a crescente importância e influência das chamadas "redes (as)sociais", para onde parece que passou alguma actividade que antes decorria nos blogs. Nenhuma destas alterações, ao contrário do que me alguns me têm sugerido, provocará o encerramento desta casa. O Pena e Espada continuará, sempre fiel a si próprio. E esta persistência será independentemente do números de leitores, que até tem subido... Obrigado.

sábado, 24 de abril de 2010

Do horror

Para o J. Simonovic



Lembrei-me deste post, enquanto lia um dos meus autores de eleição:

«O horror. Barlés abanou a cabeça: as pessoas não fazem ideia. Qualquer imbecil, por exemplo, lê Coração das Trevas e julga saber tudo sobre o horror, de modo que passa dois dias em Sarajevo para elaborar a teoria racional do sangue e da merda e, à volta, escreve trezentas e cinquenta páginas sobre o tema e participa em mesas redondas para explicar a coisa, junto de uns tontos que nunca brigaram por uma côdea de pão, nem ouviram uma mulher a gritar enquanto a violam, nem lhes morreu uma criança nos braços sem poderem ver-se livres do sangue durante três dias, porque não há água para lavar a camisa. Com os compromissos intelectuais, com os manifestos de solidariedade, com os artigos de opinião dos pensadores comprometidos e as assinaturas das figuras das artes, das ciências e das letras, limpavam os artilheiros sérvios o cu havia três anos. Uma vez, Barlés ouviu uma descompostura dos seus chefes por negar-se a entrevistar no telejornal Susan Sontag, que nessa altura montava À Espera de Godot com um grupo de actores locais, em Sarajevo. Mandem um redactor cultural, dissera. Eu sou um filho da puta dum analfabeto e só a guerra e a voragem me fazem ponta.»

Arturo Pérez-Reverte
in "Território Comanche", Editorial Presença, 1997.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Há sempre um livro...

Há um livro que me costuma acompanhar em alturas difíceis – "O Passo da Floresta". Tem andado comigo...

O fim do mundo antigo

Rilke disse que "a pátria de um homem é a sua infância". A minha infância morreu anteontem.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Revista Tintin (III)


O n.º de hoje da revista semanal «Tintin - Le Journal des Jeunes de 7 a 77 ans» é o 37, de 16/9/1959, cuja capa se refere à história completa, em quatro páginas, sobre o vulcanologista Haroun Tazieff, com desenhos de A. Weinberg.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Militantes do Blocco Studentesco atacados


No passado dia 14 de Abril, em Roma, uma dezena de rapazes do Blocco Studentesco ficaram feridos depois de serem agredidos por uma centena de pessoas vindas de centros sociais em frente à faculdade de letras de Roma Tre. Foram atacados na Via del Valco di San Paolo enquanto distribuíam panfletos sobre a próxima eleição do censelho nacional de estudantes universitários. Nove militantes do Blocco acabaram no hospital, dos quais seis gravemente feridos. Entre eles encontra-se o presidente nacional do Blocco Studentesco e candidato à eleição, Fransceco Polacchi. Está neste momento sob observação com uma fractura no antebraço e dois ferimentos na cabeça.

Explica Polacchi: «Trata-se de uma verdadeira agressão. Nós éramos uma quinzena e estávamos a fazer campanha como se faz normalmente antes das eleições, quando vimos uma centena de pessoas sair do nada armados com capacetes, bastões, pedras e correntes.» Alguns cidadãos que vivem nessa rua assistiram à cena e prestaram testemunho na esquadra.

Davide Di Stefano, responsável nacional do Blocco Studentesco, acrescenta: «O ataque teve lugar a cem metros do centro social "Acrobax". É óbvio que foi premeditado. Foi uma acção violenta e planeada com o objectivo de nos intimidar e de nos impedir de fazer política na universidade. É claro que um gesto desta gravidade não pode ter lugar sem a certeza da parte deles de ter impunidade, e é por isso que merece uma resposta apropriada. Essa resposta, vamos apresentá-la ao reitor da universidade de Roma Tre, Guido Fabiani, a quem cabe garantir a normalidade das eleições. Falaremos também com o ministro do Interior, com o presidente da câmara de Roma, Gianni Alemanno, e com a governadora do Lazio, Renata Polverini. A todos cabe assegurar a segurança dos cidadãos.»

Paremos

Quando me apresentam decisões precipitadas, apressadas, impensadas, irresponsáveis, tenho por hábito dizer que é melhor fazer como indicam os sinais das passagens de caminho de ferro: “Pare, Escute, Olhe”. Reflectir para só depois agir. É esse o conselho de Jorge Pelicano num documentário militante que alerta para a morte anunciada da linha férrea do Tua, em risco de ficar submersa devido à construção de uma barragem.

Este jovem realizador, repórter de imagem da SIC, cujo primeiro filme “Ainda há pastores” foi bastante premiado, conseguiu desta vez vencer o prémio do Melhor Documentário Português no DocLisboa 2009 entre outras distinções. Nesse festival, aquando da sua estreia, foi alvo de algumas críticas, nomeadamente por quem o considerou uma reportagem de televisão. Mas este filme – porque é um filme documentário – é um manifesto político em defesa de um património e de uma gente. Para tal não tem pudor (felizmente!) de mostrar os políticos, as suas contradições e de lhes apontar o dedo. Porque estes, movidos pela ganância, estão dispostos a destruir irresponsavelmente uma “identidade”, como afirma a determinada altura um professor universitário espanhol.

Há nesta obra o retrato de uma região esquecida, de um interior deixado para trás. Parte de um país onde a população idosa vê emigrar os mais jovens e verá a sua agricultura submergida pelas águas da barragem. Portugueses que vêem desaparecer o seu povo e a sua terra. Tudo em nome do “progresso”, esse perigoso mito arrasador e uniformizador, cujos efeitos nefastos são muitas vezes irreversíveis.

Que este excelente filme seja um despertar. Que gere uma mobilização, não só pelo Tua, mas por Portugal. Para que, perante as mentiras dos (des)governantes, ou o desejo de cimento afirmado pelo primeiro-ministro José Sócrates no estaleiro de construção da barragem, digamos não! E estejamos dispostos a contrariar a voracidade do lucro e o primado da economia, recordando que são as pessoas e suas vidas que formam uma nação.

São exactamente essas pessoas a quem é dada voz neste trabalho, que tem como tela uma das paisagens mais belas do nosso país. As suas reivindicações provocam tanto a revolta e a indignação, como a melancolia e por vezes até um sorriso.

“Pare, Escute, Olhe” é também um livro, um blogue, um sítio na internet (http://www.pareescuteolhe.com/), um movimento de intervenção cívica. É uma postura diferente do habitual conformismo português.

Paremos para ver este filme. Paremos para depois agir. Paremos para salvar uma identidade. Paremos... [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

sábado, 17 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pierre-Olivier Sabalot em entrevista

Tendo por base em dois posts desta casa, publiquei na edição desta semana do semanário «O Diabo» um artigo sobre a situação explosiva na África do Sul intitulado “O lado negro do arco-íris”. Para aprofundar esta questão, fugindo aos lugares-comuns e aos iluminados do costume, aconselho a leitura de duas entrevistas com Pierre-Olivier Sabalot. Este professor francês, que leccionou na África do Sul, é o autor da excelente obra bibliográfica “Verwoerd. Le Prophète assassiné”, publicada pelas éditions du Camas, em 2009, sobre este tão incompreendido primeiro-ministro, habitualmente chamado “pai do Apartheid”, assassinado em pleno parlamento em 1966. A primeira tem por título “A morte da sentinela”, foi feita por Christian Bouchet e está traduzida em português no No-Media.info. A segunda, “A nova África do Sul ou o fracasso da sociedade multi-racial”, em francês, é mais longa e está disponível no Altermedia.

Renaissance Européenne n.º 83

No último número do órgão trimestral da associação Les Amis de la Renaissance Européene e da Terre et Peuple - bannière Wallonie, com sede em Bruxelas e dirigida por Georges Hupin, podemos encontrar artigos de Lionel Franc, François-Xavier Robert, P. J. Dunbar, uma recensão à revista «Terre et Peuple» e ainda algumas breves da actualidade e notícias sobre as actividades da associação.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Uma história americana

Os americanos adoram histórias inspiradoras, enternecedoras e bastante cor-de-rosa. De preferência sobre situações fora do comum onde, contra todas as expectativas, tudo corre extraordinariamente bem. Lições de vida prontas a servir de exemplo prático do sonho americano. É isso que é “Um Sonho Possível”. É uma história americana, mais concretamente da América conservadora dos estados do Sul.

Parece outra historieta inverosímil, até mesmo fantasiosa, mas não. O filme é baseado no livro “The Blind Side: Evolution of a Game”, escrito pelo jornalista Michael Lewis, que conta a história real da família Tuohy que adoptou, caridosa e cristãmente, um jovem negro de 16 anos que nunca conheceu o pai e foi retirado muito novo à sua mãe toxicodependente. Apoiando-o nos estudos feitos num colégio privado e iniciando-o no futebol americano, levaram-no a uma bolsa de estudo desportiva universitária que lhe proporcionou a entrada como nova estrela numa equipa da National Football League. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sobre a "Ressurreição"

Como falei aqui da "Ressurreição", faz todo o sentido republicar o excelente post que o VL colocou em devido tempo no defunto (blogosfericamente) Jantar das Quartas.

A 'Ressurreição' foi escrita por Diogo Pacheco de Amorim e musicada por José Campos e Sousa durante o 'Verão Quente' de 1975, num momento de grande vontade combativa e de alguma esperança, nas vésperas de uma tão desejada insurreição civil e militar contra o poder comunista-esquerdista secretariado pela ala radical do MFA, que então dominava Portugal.

Não quis a História que acontecesse senão um 'sobressalto rectificador', um bem preparado, preventivo e vitorioso contragolpe dos militares ainda fiéis à disciplina, perante a sediciosa sublevação de várias unidades de paraquedistas, abandonadas pelos seus oficiais, revoltadas e manipuladas pela extrema esquerda, da acção de alguns grupos de bandidos armados e a eventualidade da adesão de outras unidades dominadas pela esquerda revolucionária ou pelo PCP, em 25 de Novembro de 1975.

Não se tendo verificado o levantamento nacional verdadeiramente patriótico e libertador de que o hino deveria ser um dos símbolos, ele não deixou, porém, de ser muito celebrado e logo cantado, não só entre os grupos exilados em Espanha como nas redes de patriotas organizados em Portugal - que o receberam através de milhares de 'cassettes'. Naturalmente, permaneceu como uma marcha de Esperança, uma bela expressão da indomável vontade de combater por um Pátria "acordada, da morte esquecida", uma 'centelha' que persiste em brilhar nas 'trevas da noite'; Não é por acaso que a letra é uma expressão poética e épica de um reencontro de Portugal consigo próprio, a celebração de um imperioso "quebrar de cadeias', apontado ao futuro. E muito acentuada pelo tom alegre, exaltante claro e afirmativo de uma música plena de ritmo que anima e entusiasma.

Num quadro da aparente 'normalização', depois do 25 de Novembro de 1975, as novas gerações enfrentavam, todavia, os mesmos fantasmas do 'Verão Quente' de 75 nos liceus e universidades. Reinava uma literal ditadura da esquerda marxista, assente não só nos programas, mas na coacção física exercida por grupos partidários e irregulares. Violenta e imediata era a resposta a quem contestasse o sentido da "revolução", a legitimidade da 'autoridade democrática' e as (im)próprias formas actuação da esquerda dominante - que feriam o mais elementar pluralismo. Entretanto, a celebração do Dia de Portugal foi suprimida, perante pública indiferença geral. Era praticamente proibido, celebrar e evocar Portugal e a Nação Portuguesa como Valores superiores, permanentes, e disso fazer um acto político.

Nesse contexto o Movimento Nacionalista, lançou activamente uma ofensiva enérgica, a partir de um núcleo de militantes que tinha crescido entre a juventude do Partido do Progresso e se desdobrou nos dois lados da fronteira durante o crítico 'Verão Quente'. Por si só, aliado, ou apoiando outros grupos de jovens patriotas ou independentes, o MN expandiu-se activamente e não se limitou à luta de libertação patriótica nas escolas. Porque havia um sentido maior e preciso nos objectivos propostos, porque obedecia a um sentido nacional, resistiu e lutou contra a suspensão do 10 de Junho - Dia de Portugal e trouxe para a rua, derrotando também o "General Verão", toda a juventude e todos os portugueses que quisessem fazer do 10 de Junho uma jornada de afirmação portuguesa, acima de qualquer sectarismo. Com símbolos próprios.


A 'Ressurreição' tornou-se então o hino do Movimento, cantado na rua, em todas as reuniões, nos acampamentos e nos convívios urbanos. Uma decisão legítima e adequada uma vez que o espírito da "Ressurreição" era exactamente o daqueles dias. De facto, todos sentiam que a "Ressurreição" fora criada, afinal, para os jovens nacionalistas, nem mais. E tornou-se também um desafio cantá-la abertamente, um sinal de renovação, num país cansado e enganado. As maiores manifestações patrióticas, realizadas na Av. da Liberdade e nos Restauradores durante os anos 80, entoaram a "Ressurreição" apoiadas por aparelhagens sonoras mais eficazes. E o hino-marcha vulgarizou-se.

Houve, entretanto, quem pensasse em alterar a letra para obedecer a circunstãncias novas, numa perspectiva 'utilitária', e 'funcional'. Nada disso é legítimo e admissível. A identidade de uma obra, não se manipula, renova-se em novas criações. A integridade de um hino, da sua música e da sua letra, é o que o torna único, uma memória viva, registo de uma intenção, que, apesar de datada, continua a designar um Destino. Isso é o que vale, e nada disso mudou. Restam as contingências da acção política, mas isso já é uma outra história.

VL

Ressurreição: o nosso hino

É uma Pátria quebrando cadeias,
É um silêncio que volta a cantar,
É um regresso de heróis às ameias,
Da cidade que volta a lutar.

É um deserto que vemos florir,
É uma fonte jorrando de novo,
É uma aurora que volta a sorrir
Nos olhos cansados do Povo.

E já ardem bandeiras vermelhas,
Nos campos há gritos de guerra,
Nas trevas da noite há centelhas,
Das rosas em festa da terra.

Canta o vento nos trigos doirados,
Dançam ondas à luz das fogueiras,
E nas sombras guerreiros alados
Erguem espadas entre as oliveiras.

É uma Pátria de novo sagrada,
Acordada da morte esquecida,
Vitória da nova alvorada:
Lusitânia em giesta florida.


Letra de Diogo Pacheco de Amorim
Música de José Campos e Sousa

A festa do PNR


A festa do 10.º aniversário do PNR que decorreu no passado sábado foi excelente. O local era óptimo e dezenas militantes acorreram com as respectivas famílias, o que tornou este evento num encontro como nunca antes havia visto no nosso país. Beneficiando do espaço, foi possível ter várias bancas com artesanato, produtos alimentares, livros, revistas, entre outros, bem como um palco onde discursou o presidente do partido actuou o José Campos e Sousa.

Esses para mim foram os pontos altos deste encontro. Em primeiro lugar, gostei especialmente das palavras do meu amigo e camarada José Pinto-Coelho. Principalmente quando elogiou os anteriores presidentes – já que considero que quem foi presidente do PNR, apesar de qualquer divergência, merece o meu respeito e agradecimento – e quando traçou uma breve história do partido. Dividiu-a em três fases: a da "fundação", que corresponde ao período de criação do PNR; a da "projecção", que corresponde a da grande visibilidade do PNR para o exterior; e a da "maturidade", a actual, que corresponde a um período de organização e solidificação interna.

Por fim, não posso deixar de me congratular por ter cantado em conjunto a "Ressurreição", música sobejamente conhecida dos nacionalistas, que em breve será adoptada como hino oficial do PNR, segundo informou o presidente do partido.

O último comentário vai para a imprensa. O único órgão que se dignou aparecer foi a TVI, mas como nada relatou, fica a ideia de que a "extrema-direita" só é notícia quando há confrontos ou bizarrias. Neste caso, onde decorreu uma festa agradável, em família e que se pautou pela organização, já não interessa. Este é um critério "jornalístico" que deixo à consideração de cada um...

IdentidaD n.º 27

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Revista Tintin (I)


No ano passado disse aqui que ia partilhar nesta casa parte das pilhas de banda desenhada antiga (entre outras) que recebi por herança. Depois de ter iniciado a série de posts com cadernetas de cromos, começo aqui uma pequena série dedicada à revista semanal «Tintin - Le Journal des Jeunes de 7 a 77 ans», da qual tenho cerca de uma dúzia de exemplares.

Esta é a capa do n.º 35, de 2/9/1959, que na última página publicava a aventura "Tintin no Tibete". Para além do nosso repórter, a revista publicava várias histórias, na sua maioria em banda desenhada, para ir seguindo em cada número, bem como notícias e passatempos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O lado negro do arco-íris

Como disse no post anterior, a situação actual da África do Sul é desastrosa. No entanto, é sempre melhor fundamentar da melhor maneira tais afirmações, para evitar os habituais mimos (diga-se que insultos como "racista" e "fascista" não passam normalmente de fugas a debates incómodos). Assim, recorri à publicação do vídeo de uma reportagem televisiva francesa que demonstra o afirmado.

Neste trabalho isento, é de salientar a situação de miséria em que se encontram muitos brancos sul-africanos na sequência da imposição pelo governo do ANC de quotas raciais que dão preferência a negros em muitos empregos. Mas essa situação de miséria atinge também vários negros. É esclarecedor ouvir duas mulheres negras afirmarem que o governo actual só se preocupa com os ricos e mesmo que a situação que se vive hoje é pior que nos tempos do Apartheid. Também a extrema violência diária é focada nesta reportagem. Uma elevadíssima taxa de homicídios (incluindo o de um padre branco que ajudava há anos a comunidade negra mais pobre), de agressões, de violações, entre outros crimes, aliada a uma das mais altas taxas de infectados com o vírus da SIDA, são a face desta tragédia.

Neste cenário tenebroso, a segurança só é possível em verdadeiras "gaiolas douradas", como nos é mostrado pela vida de uma francesa que vive num condomínio de luxo que parece uma verdadeira prisão de alta segurança, com muros altos com arame farpado, guardas armados, cursos especializados de reacção e escolas para os filhos com localização desconhecida para evitar raptos.

Um olhar esclarecedor sobre uma terra onde a violência, as tensões raciais, o crime, a situação económica e social, pioraram de uma forma incrível. Um olhar que mostra a hipocrisia de celebrações fictícias como a da realização de um campeonato do mundo de futebol, num país que nada tem a glorificar perante a crua e dura realidade da situação presente.


O 1148.º fazendeiro

Eugène Terre'Blanche (31/1/1941 – 3/4/ 2010), líder do AWB (Movimento de Resistência Afrikaner), foi o 1148.º fazendeiro a ser assassinado na África do Sul desde a subida ao poder do ANC, em 1994. É um dado importante para perceber a realidade sul-africana de hoje. Mais importante ainda se analisarmos a comparação com dados do passado que faz o africanista Bernard Lugan no seu comunicado, onde refere também o discurso de ódio anti-branco que chega até altos responsáveis do ANC. Mas, é claro que neste inferno que se tornou a África do Sul, não são só os brancos as vítimas. Os dados impressionam e falam por si – mais de cinquenta homicídios diários! Um número superior a vários teatros de guerra contemporâneos.

Não obstante, Terre'Blanche foi a vítima perfeita para os media ocidentais, politicamente correctos. A sua postura, o seu discurso e – melhor ainda – a sua imagem (uniformes e iconografia a fazer lembrar o III Reich) foram ideais para distrair as massas da real situação de um país desastroso. Nada como o fantasma do nazi-fascismo para assegurar a eficácia do ilusionismo mediático.

Apesar destas manobras, às quais podemos juntar a hipocrisia da realização de um campeonato do mundo de futebol para celebrar o sucesso da nação "arco-íris", é cada vez mais difícil escapar à realidade e negar o descalabro vísivel de um país vítima da utopia da diversidade.

Tintin no país dos piratas


Para os apreciadores do mais famoso repórter do mundo, "Tintin au pays des pirates" é um sítio na internet onde é possível encontrar muitos dos álbuns piratas, pastiches e paródias desta personagem incontornável da banda desenhada franco-belga.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Regresso de Mel Gibson

Do surpreendente mundo pós-apocalíptico de Mad Max (1979), Mel Gibson deu o salto para o cinema de acção dos anos 80. Experimentou depois com sucesso a realização, nomeadamente com a excelente incursão histórica “Braveheart” (1995) e, mais recentemente, com “A Paixão de Cristo” (2004) e “Apocalypto” (2006), que geraram certa polémica, tal como algumas das suas acções e afirmações. Agora decidiu regressar ao grande ecrã, infelizmente no que parece uma involução.

“Edge of Darkness”, que em português recebe a tradução livre “Fora de Controlo”, é a adaptação ao cinema de uma mini-série televisiva britânica homónima de 1985. Realizada pelo mesmo Martin Campbell, que depois se tornaria mais conhecido por dirigir duas aventuras do famoso agente secreto James Bond, era um “thriller” ecológico em seis episódios que recebeu vários prémios e foi um êxito junto do público.

Em filme a coisa já não funciona tão bem. O ritmo é bom, mas a história perde muito nesta versão. Tudo tresanda a filme ultrapassado com um cenário actual. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Maccarthysmo (II)

Em Dezembro do ano passado, Rod Liddle, colunista do «Spectator», publicou no seu blog, associado ao sítio da revista na internet, um texto intitulado "Benefícios de uma Inglaterra multicultural". Uma afirmação desse texto provocou polémica: "A esmagadora maioria do crime nas ruas, com armas brancas e de fogo, assaltos e crimes de violência sexual em Londres é perpetrada por jovens da comunidade afro-caribenha".

A frase motivou uma queixa à Press Complaints Commission (PCC), que lhe deu seguimento, considerando que havia inexactidão nos dados. Mesmo após o «Spectator» ter apresentado dados para consubstanciar a afirmação, a PCC não retirou a queixa.

Maccarthysmo (I)

"Há hoje em França um ambiente maccarthysta." Quem o afirma é Éric Zemmour, escritor, jornalista e comentador político francês, na sequência da ameaça de apresentação de queixa judicial contra ele por parte de associações anti-racistas e a possibilidade de despedimento do «Figaro Magazine», revista onde é colunista. Na origem de tudo isto está um debate televisivo no Canal+ onde Zemmour, respondendo a quem afirmava que "a polícia apenas pára negros e árabes", disse que "os franceses de origem imigrante são mais controlados que os outros porque a maioria dos traficantes são negros ou árabes". Habitualmente polémico, Zemmour viu-se acusado de ser "racista" por todos aqueles que o querem silenciar. Depois de uma manifestação popular em seu apoio em frente ao jornal «Le Figaro» e de ter escrito uma carta à LICRA, acabou por ver a queixa retirada e o seu lugar assegurado. Seja como for, é mais um episódio da reiterada tentativa de controlo da opinião que vivemos hoje em dia.

O filho como cobaia

A reportagem da televisão norueguesa que partilho abaixo (legendada em inglês) é elucidativa do grau de etnomasoquismo a que certos europeus chegam. Conta a história de um rapaz cujos pais progressistas o matricularam numa escola onde a maioria dos alunos são imigrantes e muçulmanos, para que ele pudesse preparar-se para uma sociedade multi-étnica. Será uma perigosa tentativa de utopia social de uns pais irresponsáveis dispostos a fazer do seu próprio filho cobaia? Obviamente. Como se pode ver no vídeo, a criança não consegue fazer amigos, é agredida, sofre atitudes discriminatórias, racismo anti-branco e bullying (como agora se diz).

É interessante notar como a mãe afirma que todo o seu "conhecimento sobre a sociedade multi-étnica é muito académico" e que não vive realmente nela. Por fim, admite que não pode utilizar o filho no que chama "a sua luta particular por uma sociedade melhor", pois apesar de achar que não é "bom para a integração", diz que "não é bom mandar rapazes à frente para a guerra". Decide, assim, mudar a criança para uma escola onde os alunos são na sua maioria autóctones e as coisas passam a correr bem. Apesar dessa decisão, continua a acreditar na mesma ideologia e reconhece que "é muito estranho, como velha anti-racista, ver que crianças iguais brincam melhor juntas" e que fica chateada porque "se nem as crianças conseguem resolver, como é que os adultos vão conseguir entender-se?"