quarta-feira, 24 de março de 2010

Os indo-europeus e Jean Haudry

Na revista «Dossiers d'Archéologie» que referi aqui, nomeadamente no artigo de Jean-Paul Demoule intitulado "Dois séculos à procura dos indo-europeus", há uma referência ao Prof. Jean Haudry. Na página 12, é dito: "Os anos 1970 viram também, singularmente em França, o ressurgir das teorias raciais sobre os indo-europeus, sob a forma da efémera Nouvelle Droite, acompanhados da ressurreição do berço original nórdico proposto por G. Kossinna. Esta tese foi nomeadamente defendida pelo linguista Jean Haudry, membro do Front National, que se apoiou em particular nas publicações de Hans Günther, o principal raciólogo do III Reich. No entanto, a arqueologia mostra claramente que nenhum movimento de população alguma vez partiu do da Europa do Norte; pelo contrário, estas regiões foram povoadas tardiamente, e em grande parte colonizadas pelos agricultores neolíticos vindos do Próximo Oriente."

De notar que esta crítica se pode enquadrar num cuidado especial que a revista tem com a questão do tipo físico dos indo-europeus, apesar de os artigos sobre genética das populações e antropologia biológica serem bastante interessantes. Seja como for, voltando ao Prof. Haudry, convém referir que, apesar desta passagem, o nome dele aparece na bibliografia do artigo "A língua dos indo-europeus?", de Gabriel Bergounioux, a propósito do livro "L'indo-européen", publicado na colecção "Que-sais-je ?", da PUF, que teve três edições esgotadas, sendo a última de 1996. Tal significa o reconhecimento do trabalho deste linguista excepcional.

terça-feira, 23 de março de 2010

Mensageiros

A guerra não é só o combate no terreno. É também tudo aquilo que a rodeia, a retaguarda e as suas consequências. É por isso que “O Mensageiro”, para além de um drama profundo, é um filme de guerra.

O sargento Will Montgomery (Ben Foster) é um herói condecorado, ferido em combate, que regressa do Iraque para descobrir que o exército americano lhe reserva, para os seus últimos três meses de comissão, uma função que não esperava. Cabe-lhe integrar a equipa que notifica familiares mais próximos dos militares mortos no conflito iraquiano. Acompanha o capitão Tony Stone (Woody Harelson), que lhe transmite as regras e procedimentos desta missão, insistindo na necessidade da distância e frieza, nomeadamente quando insiste que não pode haver contacto físico com os notificados. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 22 de março de 2010

O regresso dos Indo-Europeus

O último número da revista «Dossiers d'Archéologie», que é possível comprar nas bancas do nosso país, é dedicado aos indo-europeus, tema de maior importância já que, como é referido na capa, trata da origem dos povos da Europa. Esta edição tem como objectivo explicar o estado actual das pesquisas, cruzando a linguística, a arqueologia, a história das religiões e a biologia. Críticas à parte, é sempre bom ver o regresso de um assunto que muitos têm tentado "esquecer". Um assunto ao qual há que regressar...

domingo, 21 de março de 2010

Ai Timor

Timor lembra-me sempre a altura em que grande parte do nosso país andava comovido com essa tragédia longínqua e que qualquer crítica era considerada heresia. Vi, pouco depois, a mobilização de vários portugueses para ajudar a reconstrução desse território. Tive mesmo alguns colegas de trabalho que, com um espírito missionário, foram para lá como professores e não só. As reacções e opiniões deles eram bastante diferentes, mas havia uma coisa que todos referiam: os esquemas e as negociatas nas ajudas.

Nunca gostei muito de falar deste assunto, já que Timor continuou um tema sacrossanto, o que impedia qualquer discussão séria. Foi por isso que decidi reproduzir aqui o que li no suplemento «Actual» do «Expresso» de ontem, onde o historiador José Mattoso diz, sobre Timor, que a sua desilusão "é com a administração da ONU e com o dinheiro que gasta com funcionários", criticando também "um grande número de ONG. A ajuda humanitária é uma fraude em termos gerais. Evidentemente que há gente muito generosa e competente, mas grande parte dessas organizações só serve para dar empregos" e afirmando mesmo: "Dá a impressão que ficam contentes cada vez que há uma catastrofezinha. É um bocado cínico dizer isto, mas infelizmente acho que é verdade."

sábado, 20 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

Céline no «Ípsilon»


A propósito da republicação da "Viagem ao fim da Noite", que referi aqui, o «Ípsilon» dedica hoje duas páginas a este mestre das letras francesas, que incluem a curiosa história de quando António Lobo Antunes, ainda adolescente, escreveu a Céline e este lhe respondeu. Não resisto a repoduzir aqui a opinião do escritor português sobre a escrita de Céline: "Aquilo é tudo uma novidade visceral. Mas depois o que é que o Eduardo [Prado Coelho] dizia? Que a sua prosa era viscosa, que aquilo era uma coisa horrorosa, nojenta quase comparada a fezes ou a tripas. Não é nada disso. Aqueles livros, toda a obra dele, mesmo os grandes delírios finais, em que ele já estava diminuído, são epopeias líricas."

quinta-feira, 18 de março de 2010

“Aquela máquina!”



Já perdi a conta às vezes que o João nomeou esta casa “blogue do dia”. Um exagero, sem dúvida. Mas um exagero que, por certo, se deve à grande amizade que nos liga. Desta vez achei piada à expressão “Aquela máquina!”, que ele utilizou. Lembro-me perfeitamente desse anúncio da minha infância e do respectivo slogan contagiante. Foi nesse passeio pelas memórias – desculpem-me a (im)possível tradução de walk down memory lane – que, à procura de uma imagem para ilustrar este texto, dei de caras com a história do “Homem da Regisconta”. Aqui fica a ligação para os que queiram recordar, ou para os que queiram conhecer uma daquelas campanhas de publicidade que marcaram uma geração.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A orquestra do Titanic

Tenho a mania dos suplementos culturais. Esta constatação vem a propósito de uma excelente crónica de Arturo Pérez-Reverte, escritor espanhol que muito aprecio, que li na revista semanal do «ABC», quando estive em Barcelona. Conclui ele: «Essas modestas páginas culturais que sobrevivem, opinei, servem para não nos resignarmos. Para fazer com que, pelo menos, aos imbecis e aos ignorantes lhes sangre o nariz. Para nos recordar que ainda é possível pensar como gregos, lutar como troianos e morrer como romanos. Para aceitar, por fim, o ocaso de um mundo e o começo de outro no qual não estaremos; e fazê-lo serenos, jogando às cartas no salão cada vez mais inclinado do barco que se afunda, enquanto pelas escotilhas abertas, entre os gritos dos que pensavam ser possível escapar ao seu destino - "O barco era insubmergível", reclamam os imbecis -, soam os compassos da velha orquestra que nos justifica e nos consola.»

Alix com o «Público»

O jornal «Público» iniciou hoje a distribuição de mais uma colecção de banda desenhada, em parceria com a ASA. Desta vez trata-se de Alix, de Jacques Martin, último dos representantes da escola de Bruxelas, falecido em Janeiro deste ano. O primeiro volume é "Alix o Intrépido", ao qual se seguirão mais quinze, sempre às quartas-feiras.

A Guerra de Hoje

“Estado de Guerra” não colheu grande adesão do público quando estreou, no ano passado, mesmo apesar do aplauso da crítica. Foram as nomeações para os Óscares, incluindo o de Melhor Filme, que despertaram as atenções para este filme de guerra realizado por Kathryn Bigelow. Foi desde logo apontado como favorito ao lado do sucesso comercial “Avatar”, de James Cameron, curiosamente ex-marido da realizadora. Este duelo entre o campeão de audiências, recheado de efeitos especiais, e o semi-independente, que se debruça sobre a tensão da guerra, acabou por ter um desfecho justo – a vitória de “Estado de Guerra”, que com esta arrebataria seis estatuetas douradas, de entre as nove categorias para as quais havia sido nomeado. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

sábado, 13 de março de 2010

Apresentação da Plataforma per Catalunya às eleições catalãs

Hoje à tarde decorrerá em Barcelona a apresentação da Plataforma per Catalunya às eleições catalãs, onde estarão presentes, para além do presidente do partido, Josep Anglada, e dos diversos cabeças-de-lista, representantes internacionais, como: Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, Hilde de Lobel, deputada do Vlaams Belang ao parlamento flamengo, Barbara Bonte, presidente da Vlaams Belang Jongeren, a juventude do VB, Max Bastoni, representante da Lega Nord, Gabriele Adinolfi e onde me caberá representar o nosso país.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Manuel Cavaleiro de Ferreira (II)

Recebi, ontem, um comentário ao post que escrevi sobre Manuel Cavaleiro de Ferreira, mais concretamente sobre o seu filho, que conheci e infelizmente já não se encontra entre nós.

O comentador colocou uma questão pertinente sobre a localização da página que Manuel Cavaleiro de Ferreira (filho) havia dedicado, até aos seus últimos dias, à memória do pai. O que aconteceu é que a página foi desactivada devido à compra da Geocities pela Yahoo!. No entanto, felizmente, houve quem se preocupasse em preservar todos esses conteúdos que corriam o risco de desaparecer. Foi o que aconteceu com a geocities.ws, por exemplo. A página recuperada está, assim, disponível em: http://www.geocities.ws/mcavaleirof/. Ao leitor, resta-me agradecer o comentário, que motivou esta actualização do blog.

terça-feira, 9 de março de 2010

Scorsese alinhado

Quando penso em Martin Scorsese, ocorrem-me prontamente os magistrais “Taxi Driver” (1976), “Touro Enraivecido” (1980), ou “Tudo Bons Rapazes” (1990). Este realizador fez também filmes menos bons e alguns maus, surpreendendo recentemente com o excelente “The Departed – Entre Inimigos” (2006), que lhe valeu finalmente o óscar injustamente tardio. Mas, foi a pensar nas obras-primas que fui ver “Shutter Island”, com as expectativas bem altas. O resultado foi uma queda e pêras... [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 8 de março de 2010

Professor atento

O olho clínico do meu amigo Humberto Nuno de Oliveira, historiador e professor universitário, não deixou passar duas falhas em publicações que aqui recomendo regularmente. Respondeu pronta e devidamente, pelo que se espera a respectiva publicação.

Estão elas, a saber, no n.º 26 do jornal «IdentidaD», sobre a questão da possessão portuguesa de Ceuta, e no n.º 46 de »La Nouvelle Revue d'Histoire», nomeadamente no dossier sobre a Napoleão e a Europa, cuja falta de referência ao nosso país já havia notado aqui.

quinta-feira, 4 de março de 2010

“Casariam com um português?”



Um amigo francês enviou-me este extracto de um programa de 1979 muito interessante. Das várias perguntas a três raparigas autóctones sobre a imigração e os imigrantes em França, chamo a atenção para as seguintes:

“– Casariam com um português ou um italiano?
– Sim.
– E com um árabe?
– Não.”

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ainda Jean-Claude Valla

Jean-Claude Valla e Pierre Vial num seminário da Terre et Peuple

Sobre o malogrado Jean-Claude Valla, foi com grande satisfação que vi a minha singela homenagem reproduzida no Euro-Synergies, que publica também uma bibliografia deste historiador. Refira-se que entre nós apenas foram traduzidas duas obras de Valla: "Novas luzes sobre os mundos fenício, cartaginês e romano (sem a França)", integrada no tomo 2 de "As Grandes Descobertas Arqueológicas do Século XX", e "A Civilização dos Incas", volume da colecção "As Grandes Civilizações Desaparecidas", ambas publicadas pela editora Amigos do Livro.

De saudar, ainda, o obituário publicado ontem no semanário «O Diabo», excepção honrosa na imprensa nacional.

IdentidaD n.º 26

O último número do jornal «IdentidaD», disponível nas bancas espanholas, refere mais uma vez o nosso país com uma notícia sobre a aprovação do casamento homossexual em Portugal, da minha autoria, e uma nota sobre a IV Convenção Nacional do PNR.

Riccardo Marchi em entrevista


A edição desta semana d'«O Diabo» traz uma entrevista muito interessante com o historiador italiano Riccardo Marchi, autor do livro “Império, Nação, Revolução. As direitas radicais portuguesas no fim do Estado Novo (1959-1974)” lançado oficialmente há dias. As primeiras questões são sobre a dura recensão crítica da obra deste investigador do ICS publicada numa edição anterior do jornal. De seguida, falou do seu trabalho de pesquisa, nomeadamente das várias entrevistas com destacados militantes e dirigentes da direita revolucionária da altura. Dessa experiência disse: “Gostei dos depoimentos deles e fiquei com a vontade de os interrogar mais a fundo, ultrapassando finalmente as omissões iniciais. Como historiador, e como homem, teria ficado muito mais decepcionado em ouvir uma ladainha de arrependimentos, justificações, mea culpa. Não foi o caso, com nenhum deles.” Por fim, anunciou que em breve lançará um sítio na internet sobre o tema e solicitou a colaboração dos que participaram directamente naqueles acontecimentos.

terça-feira, 2 de março de 2010

Dos nacionalismos

É de ler o artigo de Jaime Nogueira Pinto, "Ainda os nacionalismos" publicado na edição de hoje do jornal «i», onde conclui: "Partir desta complexidade histórico-ideológica dos nacionalismos para uma análise maniqueísta, salomónica e dualista do tipo nacionalismo bom - o liberal e de esquerda - e mau - o conservador e de direita - além de acrescentar qualificativos igualmente complexos e polémicos, não parece muito esclarecedor."

Um deserto

“Homens que Matam Cabras só com o Olhar” podia ser o título de um filme afegão concorrente ao festival de cinema sobre transumância de Tashkent. Se assim fosse, nada havia a estranhar. Tratando-se de uma produção americana é, no mínimo, de desconfiar. Mas o elenco recheado de bons actores pode iludir. Os que caiem na esparrela – como eu –, são martirizados por hora e meia de uma penosa tentativa de comédia. E o pior de tudo é que o humor quando não tem graça é muito triste. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 1 de março de 2010

Viagem para o Miguel

Há muito que o Miguel Vaz me perguntava onde podia comprar a "Viagem ao Fim da Noite" do Céline, esse mestre das letras francês que é uma referência maior para ambos. Nem de propósito, uma das primeiras edições da recém-criada Babel foi a republicação desse livro através da sua chancela Ulisseia. Pode ser que uma notícia destas o traga de volta à Blogosfera, onde tanta falta faz.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Frase do dia

«O regime não irá durar muito.»

Vasco Pulido Valente
in «Público».

Valla na Table Ronde



Ainda em memória de Jean-Claude Valla (16/5/1944 25/2/2010), aqui fica o vídeo da sua intervenção na XIII Table Ronde, o grande encontro identitário europeu organizado anualmente pela associação Terre et Peuple, em 2008, altura em que o conheci e troquei com ele breves palavras.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Jean-Claude Valla (16/5/1944 – 25/2/2010)

Soube hoje, por um amigo francês, da morte de Jean-Claude Valla, jornalista, editor, historiador homem de cultura. Co-fundador do GRECE e seu secretário-geral nos anos 70, foi um dos intelectuais de relevo do que se convencionou chamar a "Nouvelle Droite". Colaborou em numerosas publicações e dirigiu várias revistas, incluindo tanto a «Éléments» como o «Figaro Magazine». Deixa uma extensa obra historiográfica, dedicada especialmente ao período contemporâneo, na qual se destacam os fascismos e a colaboração. Participou em diversas revistas de História, tendo actualmente presença habitual na «NRH». Conheci-o na XIII Table Ronde, em 2008, onde foi um dos oradores, e tive oportunidade de trocar com ele algumas palavras. Já não está entre nós. Descanse em paz.

“Império, Nação, Revolução”


Decorreu ontem no ICS o lançamento oficial do livro Império, Nação, Revolução. As direitas radicais portuguesas no fim do Estado Novo (1959-1974)”, de Riccardo Marchi, publicado pela Texto, que contou com a presença de António Costa Pinto, Luís Salgado de Matos, Jaime Nogueira Pinto, do autor e de uma representante da editora. Uma sessão curta mas agradável, na qual gostei especialmente da intervenção de Nogueira Pinto, faltou apenas um espaço para questões. Para além disso, foi óptimo (re)encontrar tantos amigos. No final fiquei a saber que já foi impressa uma segunda edição do livro. Os meus parabéns ao autor por este sucesso inteiramente merecido.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Para amanhã

Realpolitik


Excelente notícia, o lançamento de realpolitik.tv, um site dedicado à análise geopolítica que inclui conteúdos escritos e audiovisuais, dirigido por Aymeric Chauprade.

A apresentação diz-nos que os autores são todos especialistas de geopolítica de uma área geográfica (Europa, EUA, China, Rússia, América Latina, África) ou de um tema (questões marítimas, energéticas). Provenientes de horizontes variados, desenvolvem um pensamento independente e atento às realidades dos povos e das civilizações. A escolha para o termo realpolitik significa simplesmente que os autores tentam compreender e explicar o mundo como é, não como quereriam que fosse.

Uma ligação que vai directamente para a coluna da direita, um óptimo projecto a acompanhar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

“Imigração: um plano para alterar a alma de uma nação”


Este é o título do artigo da colunista do «Telegraph», Janet Daley, que afirma categoricamente que “a política de imigração maciça do governo tinha a intenção de remodelar o tecido social da nação”. Ao revelar os verdadeiros objectivos da política de imigração do Labour, diz-nos que as “portas abertas” não serviam apenas para acolher trabalhadores para a crescente economia ou refugiados de regimes repressivos. Este era um projecto de alteração profunda da população autóctone. O pior é que a situação não se resume ao Reino Unido, ao qual se cinge o artigo, mas a toda a Europa. Um texto para ler e pensar.

La Ligue Comtoise


É com grande agrado que vejo, finalmente, aprovada a lista eleitoral "La ligue comtoise, non aux minarets", onde se incluem alguns amigos que muito prezo. Esta lista, liderada por Christophe Devillers, porta-voz regional do Parti de la France (PdF), é composta por representantes do PdF, do Front Comtois, do Mouvement National Républicain (MNR) e da Nouvelle Droite Populaire (NDP), tendo como ambição transformar as eleições regionais francesas deste ano num referendo local contra os minaretes e contra islamização da sociedade francesa. A lista teve que enfrentar várias críticas, nomeadamente por parte de muçulmanos, incuindo um pedido para a sua interdição, entretanto ultrapassado. Resta-me desejar o maior sucesso aos resistentes do Franche-Comté.

Leve

Os tempos são de crise económica e as empresas americanas optam pelo “downsizing”, eufemismo que trocado por miúdos significa despedimentos em massa por todo o país. Mas, na sua maioria, recorrem a uma empresa especializada para fazer este trabalho sujo. Tal significa que a desgraça alheia equivale a um período de muito trabalho para Ryan Bingham (George Clooney), o consultor que vive nos céus da América, viajando de cidade em cidade para despedir pessoas. Aviões, hotéis, restaurantes, carros alugados, são o que ele pode chamar a sua casa e onde se sente bem. No entanto, a tecnologia vai alterar este equilíbrio. A recém-contratada Natalie Keener (Anna Kendrick) propõe a utilização da internet para reduzir os gastos com as deslocações dos “despedidores”. Está lançada a história de “Nas Nuvens”, realizado por Jason Reitman e nomeado para seis óscares, incluindo o de melhor filme. Aqui se cruza uma comédia romântica “light” com o ambiente desolador de quem perde o emprego. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tragédia insular


Tenho uma simpatia especial pela Madeira, tanto por lá ter ido várias vezes passar férias e me ter sentido optimamente, como por ter vários amigos madeirenses. Este sentimento agravou ainda mais a minha tristeza ao ver as notícias da tragédia natural que se abateu sobre esta ilha-jardim.

É tempo agora de prestarmos toda a ajuda que conseguirmos. A Madeira precisa da nossa solidariedade.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O “português”

Eu sou, talvez, português porque para mim o português é isso: o mundo, a miscigenação, a interculturalidade.” Esta afirmação é do recém-anunciado candidato à presidência da República, Fernando Nobre, publicada na edição de ontem do semanário «Expresso», que o entrevistou.

Claro está que cada um tem o direito às suas opiniões ou, neste caso, às suas definições. Apesar da incerteza demonstrada à partida naquele “talvez”. O que lamento, sinceramente, é não haver um candidato que afirme, claramente, que o português é: Portugal, um Povo, uma Cultura.

Propagandas

Quem vive em Lisboa, como eu, já se cruzou certamente com esta propaganda, na qual o que mais choca é o apoio da Câmara Municipal. Falando com amigos, familiares e colegas de trabalho, noto que grande parte deles discorda totalmente, no entanto sente que não pode assumir livremente tal posição, sob o risco de ser considerado “retrógrado”, “intolerante”, entre outros.

É, por isso, de louvar a coragem e clareza de Pacheco Pereira que denunciou a situação na última edição a revista «Sábado». Desse texto, também disponível no Abrupto, reproduzo a seguir o primeiro parágrafo: “Este cartaz, profusamente distribuído em Lisboa. é pago com o nosso dinheiro e é um exemplo mais de como o dinheiro dos contribuintes e dos munícipes lisboetas de há muito tempo é usado para alimentar as chamadas causas “fracturantes” e os grupos radicais que as suportam, na sua maioria ligados ao Bloco de Esquerda. Não é novidade nenhuma mas nunca vi uma discussão sobre os abusos do financiamento público que tivesse em conta esta realidade: o dinheiro dos contribuintes é usado para promover causas políticas em que a maioria não se revê, de organizações cuja contabilidade e accountability desconhece, deturpando a transparência da vida pública . Basta colar a uma organização qualquer o título de que luta contra a “discriminação” ou o “racismo” (o caso do SOS Racismo é outro exemplo de organizações do Bloco de Esquerda financiadas pelo dinheiro dos contribuintes) para se pensar justificado dar-lhes dinheiro público.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um dia em cheio

Início da marcha

Hoje à tarde estive presente na manifestação pelo casamento e pela família. Entendo que a família é a base da sociedade e o casamento uma instituição social que a garante. Essenciais, por isso, para assegurar a sobrevivência de um povo. Foi com grande alegria que participei nesta mobilização transversal que levou milhares de pessoas a preencher a Av. da Liberdade numa marcha que terminou na Praça dos Restauradores. Juntaram-se representantes de várias áreas políticas (incluindo o PNR) e de diversos sectores da sociedade: um exemplo para acções futuras alargadas, em defesa de Portugal e dos portugueses.

A faixa do PNR

A meio da avenida, um pequeno grupo de defensores do casamento homossexual tentava protestar contra a manifestação. No entanto, sendo ridículos tanto pelo número como pela forma que se apresentavam, os seus urros e batuques não tiveram qualquer impacto.

Logo a seguir, na SHIP, tive oportunidade de assistir ao lançamento do livro "Antologia Poética de Rodrigo Emílio", que terminou com uma sala lotada a ouvir e a acompanhar o José Campos e Sousa.

Há dias assim, só é pena não serem mais frequentes.

Substituição demográfica

"Aquisição de nacionalidade portuguesa quadruplica". Esta foi a notícia mais importante da última semana e que passou quase despercebida. É o primeiro resultado da lei assassina aprovada em 2006. Some-se agora ao aumento exponencial de "portugueses" de papel, ao aumento da emigração de portugueses (que atingiu recentemente níveis iguais aos dos anos 60 do século passado) e à quebra de natalidade dos autóctones que contrasta com a fertilidade dos que para cá imigram. Está em curso um processo de substituição demográfica – aqui e no resto da Europa –, mas parece que está tudo mais ocupado com trivialidades...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

No aniversário do Rodrigo

O sempre nosso Rodrigo Emílio faria hoje 66 anos, se ainda estivesse entre nós em corpo, porque em espírito nunca deixará de estar. Óptima ocasião para lembrar que é já no próximo sábado o lançamento da "Antologia Poética" de Rodrigo Emílio, organizada por Bruno Oliveira Santos e prefaciada por António Manuel Couto Viana. Organizado pela Associação Cultural Areias do Tempo, que editou a obra, terá lugar, às 18 horas, na SHIP, (no Palácio da Independência, ao Largo de São Domingos, 11, em Lisboa) e contará com a participação de José Valle de Figueiredo, de Manuel Varella e a contribuição musical de José Campos e Sousa. Não faltem!

RBN dedica programa a Abelardo Linares y Muñoz


A Radio Bandiera Nera dedica hoje, na sua emissão espanhola, um programa em memória de Abelardo Linares y Muñoz, um amigo e camarada partido no passado dia 24 de Janeiro, que recordei aqui.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Anticristo

Ele é Willem Dafoe, ela é Charlotte Gainsbourg. Representam um casal que se recolhe para uma cabana no bosque para tentar ultrapassar a morte do filho, caído da janela de sua casa enquanto ambos se entregavam aos prazeres da carne. Este é o filme, de título nietzschiano, escrito e realizado por Lars Von Trier, lançado no Festival de Cinema de Cannes, no ano passado.
[continua na edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Há cozido!

No passado jantar das quartas (o blog morreu, mas o jantar não), o Eurico de Barros falava dos dos farta-brutos e estava com a ideia de lhes dedicar uma crónica no «DN». Perante aquelas histórias deliciosas de outros tempos, contei-lhe a minha. A do ritual iniciático que os duros do meu liceu faziam aos mais novos, levá-los ao Botequim do Zêzere no dia do cozido para enfrentar o dono, beber tinto carrascão e comer entre homens das obras e mecânicos. Uma das vezes em que levámos lá um desses novatos, o dono proferiu uma máxima que ainda hoje uso amiúde. O Eurico gostou bastante e disse que iria incluí-la no que escrevesse. Assim foi, ontem deu-me essa honra no imperdível "Em louvor dos farta-brutos", concluindo com a referência à minha história: «Um amigo meu que frequentava um farta-brutos quando andava no Liceu D. Leonor conta uma história notável. No dia em que serviam um cozido famoso nas redondezas, rumou com mais uns colegas ao antro. Um destes, rapaz cândido e sem hábito de farta-brutos, pergunta ao patrão da casa: "Tem a lista?" Responde-lhe o tasqueiro, fulminante: "Não há lista! Há cozido!"»

sábado, 13 de fevereiro de 2010

País envelhecido

O semanário «Expresso» dedica hoje uma página ao tão importante como urgente problema demográfico do nosso país. Pela análise da evolução da população jovem e idosa, conclui que Portugal é o oitavo país mais envelhecido do mundo.

Passou-se de 3 filhos por mulher ao ano, em 1960, para 1,36 filhos em 2006. Em 2007, ano em que pela primeira vez em mais de um século o número de mortes foi superior ao de nascimentos, quase 10% dos bebés nasceram de mãe estrangeira. Os especialistas apontam duas soluções. A primeira e única, a meu ver, é a de uma política de incentivo à natalidade, mas não apenas baseada em subsídios pontuais. A segunda, uma falsa solução, é a da compensação por imigrantes.

Repito aqui o que escrevi nesta casa em 2005: «Portugal precisa, urgentemente, de uma política estruturada e integrada de medidas de incremento da natalidade, de forma a garantir a renovação demográfica e contrariar o envelhecimento generalizado da população.

Esta é uma luta pela sobrevivência dos portugueses e não se resolve com loucuras imigracionistas ou integracionistas, como querem as “esquerdas”, agarradas a utopias, e o grande capital, assente na exploração e mirando o lucro fácil. A imigração desregrada, apoiada numa política de “portas abertas”, é uma autêntica bomba-relógio de conflitos étnico-sociais, que surgem já no nosso país e em muitos outros países europeus.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Kindle


No Natal passado ofereceram-me um Kindle, o leitor wireless da Amazon. Gostei muito, claro, mas suspeito que mo deram na esperança (vã) de reduzir os livros que começam a sobrelotar a casa. Foi engraçado observar as reacções dos meus amigos, desde os que se maravilharam e ponderaram comprar um, aos que me consideraram um herege, dizendo que era uma traição para um bibliófilo como eu.

Não me vou alargar aqui sobre o Kindle. Este apontamento vem a propósito da notícia do primeiro jornal português disponível neste formato, o «Público», que está de parabéns. Que outros sigam o seu exemplo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O fardo das actrizes brancas


As notícias alertam para a descoberta de mais um "racista". Agora foi a vez da «Vanity Fair», depois de publicar na capa a fotografia das nove actrizes que considera as estrelas em ascensão de 2010. O "problema", para a brigada do pensamento único, é que são todas brancas... É o politicamente correcto no seu melhor (leia-se pior).

Muitos foram os que criticaram esta opção da revista, numa postura claramente racista, acenando com a velha solução da discriminação positiva. Parece que às actrizes, para serem boas, não basta terem talento, precisam também de melanina. Não vale a pena argumentar, já que esta gente se julga dona da verdade. Para a sua má disposição, resta aconselhar-lhes que vejam "A Princesa e o Sapo" ou o novo "Karate Kid".

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Não esquecemos


Assinalando a terceira manifestação virtual, promovida pela CasaPound Italia, pela memória das vítimas das «Foibe», hoje, quarta-feira, 10 de Fevereiro 2010, às 11 horas, sites, blogs e perfis decorados com a bandeira tricolor observarão uma hora de silêncio pelos compatriotas assassinados e manterão o luto por vinte e quatro horas para manter viva a memória da feroz limpeza étnica que provocou 15 mil vítimas há sessenta anos e do êxodo forçado de centenas de milhares de italianos de Ístria, da Dalmácia e do Friuli.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Avatar

Nomeado para nove óscares e apontado por muitos como o vencedor na categoria de melhor filme, “Avatar” é o êxito de bilheteiras em que James Cameron usa e abusa dos mais avançados efeitos especiais para contar a história de um veterano de guerra paraplégico que é enviado para Pandora. Neste longínquo mundo, infiltra-se no seio do povo local através de uma identidade “avatar” para conseguir que a grande empresa que explora o planeta chegue até ao maior depósito de unobtanium, o tão procurado minério. Mas a reviravolta é provocada pelo contacto com a cultura dos Na'vi, que muda o herói de uma história que espera um messias para salvar o paraíso perfeito. [continua na edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Assassinado

Robert Brasillach (31/3/1909 - 6/2/1945)

No aniversário do assassinato deste escritor, poeta, jornalista, crítico de cinema, que é uma das referências inultrapassáveis, lembrei-me que aqui publiquei a tradução do seu poema Mon pays me fait mal, no primeiro ano de vida desta casa. A reler e reter.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Frase do dia

«O círculo de Sócrates a que o PS parece estar reduzido leninizou-se no que respeita às técnicas de destruição dos opositores.»

Helena Matos
in «Público».

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Abelardo Linares y Muñoz (21/01/1926 - 24/01/2010)

Soube recentemente de uma notícia que me entristeceu: a morte do meu amigo e camarada Abelardo Linares y Muñoz. Combatente incansável e militante de longa data, era um homem da cultura e do saber. Bibliófilo e melómano, tinha uma energia invejável. Conheci-o há anos em Espanha e encontrava-o regularmente em França, na Table Ronde. Ao percorrer estas memórias, recordei-me que havia aqui publicado uma fotografia da visita que fizemos a Versailles, em 2008, onde ele se destaca à frente das delegações portuguesa e espanhola. Requiescat in pace.

Terre & Peuple Magazine n.º 42

O último número da revista da Terre et Peuple tem como tema de capa um assunto fundamental, especialmente no mundo materialista em que vivemos, “A força do sagrado”, sobre a qual o presidente da associação diz que “as mulheres e homens da Europa devem, para continuarem eles mesmos, reencontrar o contacto com um sagrado vindo das suas mais longínquas origens, da sua longa memória e que dá sentido à sua vida e esperança às suas crianças”. No excelente dossier podemos ler os artigos “Já não há trombetas para Jericó?”, de Michel Favard-Jirard, “O nosso sagrado: uma presença imemorial”, de Pierre Vial, “A santa trindade” e “Celtas e Germanos: irmãos gémeos ou primos distantes?” de Jean Haudry, “O islão tal como nos escondem”, de Pélage, e “O que é a honra hopje em dia”, de Claude Perrin. A destacar, o artigo de Jean Haudry sobre Lévi-Strauss e os estudos indo-europeus e a crítica ao livro de António Lobo Antunes, “Onde estás Sebastião?”. Podemos ainda ler o editorial de Pierre Vial sobre a identidade nacional e o relato das várias actividades da associação, críticas a livros e a banda desenhada, bem como comentários sobre a actualidade e as habitual rubrica sobre culinária.

Profecia?

Ainda em exibição está “Um Profeta”, o filme que arrecadou o Grande Prémio do Júri no último Festival de Cannes. Realizado por Jacques Audiard, de quem gostei bastante de “Nos Meus Lábios”, de 2001, transporta-nos para o universo prisional francês, para contar a história de Malik El Djebena, um jovem árabe condenado a uma pena de seis anos. A sua entrada neste mundo desconhecido e duro está longe de ser fácil. Forçado pelo bando dos corsos que domina a prisão para fazer uns “trabalhos”, rapidamente começa a ter os olhos e os ouvidos abertos. É o início de uma aprendizagem que o levará a um lugar de topo nesta hierarquia do crime. [continua na edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo