quinta-feira, 19 de março de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Cadernetas de cromos (VII)

Hoje lembro o Álbum Artistas de Cinema, publicado em 1955 pela Agência Portuguesa de Revistas, uma colecção de 144 fotografias coloridas. A sua origem é provavelmente italiana, já que os primeiros cromos são de artistas italianos. Há três cromos portugueses, representando Carlos José Teixeira, Artur Semedo e Mariana Vilar.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Cadernetas de cromos (VI)

A caderneta de hoje é Pinóquio, publicada em Abril de 1954 pela Agência Portuguesa de Revistas, uma colecção de 240 cromos baseados num original espanhol da Editorial Fher, editado nos anos 40 do século passado.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Europe-Jeunesse: La promesse



Je promets
de vivre dans l'effort,
de fortifier mon âme
et d'endurcir mon corps.

Je promets d'être fidèle
aux héros de mon sang,
d'obéir à mes chefs
et d'être loyal
envers ceux de mon clan.

Je promets de servir
l'Europe et ma patrie
sans attendre salaire,
récompense ou merci.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ronda blogosférica

1. Grande entrevista do BOS ao Sexo dos Anjos, que é uma excelente conversa com o Manuel Azinhal. A não perder! Ora leiam: “E assim vemos a progressão da "direita sociológica": evoluíram de Salazar a Mário Soares em menos de um quarto de século. Não estou a brincar. Houve gente que fez mesmo este percurso político.

2. O eterno Retorno do FSantos à blogosfera, desta vez sem mudar de casa. Ainda bem! Que falta (nos) fazia...

3. O politicamente correcto visto pelo Harms a partir da Barbie que, como ele explica, “lê-se Barbe. Como a Cinde, que se escreve Cindy.

4. O Jorge Ferreira lembra a selvajaria de 11 de Março de 2004 em Madrid, lembrando que o “terrorismo não acabou e não morreu com a partida de Bush”.

5. O Ephemera foi uma excelente ideia de Pacheco Pereira de disponibilizar a sua biblioteca e aquivo online. Verdadeiro serviço público. Já sou assíduo.

Cadernetas de cromos (V)

Hoje trago aqui a mais popular caderneta de sempre no nosso país. História de Portugal foi publicada pela Agência Portuguesa de Revistas em Outubro de 1953. A primeira edição era composta por 203 cromos ilustrados por Carlos Alberto Santos, a partir da compilação feita por António Feio, segundo as Histórias de Portugal, oficialmente aprovadas, de António G. Matoso, Chagas Franco e Janeiro Acabado. A caderneta custava, então, 4$00, e na contra-capa afirmava-se que esta era uma “publicação de interesse pedagógico”. A esta edição seguiram-se mais de vinte, apesar de o editor só reconhecer dezassete. A última data de Outubro de 1973, exactamente vinte anos depois da primeira, fazendo desta a colecção com a maior longevidade de sempre em Portugal. Para quando uma nova edição? Ainda não perdi a esperança...

terça-feira, 10 de março de 2009

Europe-Jeunesse: Plus est en Nous

O Inconformista fez referência ao Movimento de Escutismo Europe-Jeunesse, um excelente projecto de formação juvenil que se concretizou em 1975, em França, e que se mantém até hoje. Como aqui já disse, gostei muito de ver os seus membros, que me inspiraram na afirmação da importância da formação do mais jovens para o nosso combate. Um exemplo.

Aqui fica a capa da publicação Plus est en Nous – lema do movimento –, de 1977, com os princípios orientadores e a referência a Nicolas Benoit, fundador do verdadeiro escutismo francês e aquele a que a Europe-Jeunesse se mantém fiel.

Cadernetas de cromos (IV)

Hoje publico a única caderneta francesa que tenho na minha colecção. Trata-se de L'encyclopédie par le timbre - Le Monde et ses Merveilles, uma colecção de 60 cromos, publicada pela Cocorico, em 1953, baseada num original americano.

Para além da capa e contracapa, publico também a página 39, referente à que chamaram “a máquina que pensa”, uma viagem no tempo muito interessante para descobrir esta “calculadora electrónica”, pré-histórica para quem vive na era da informática como nós.

Laranja podre

A situação na Ucrânia é desastrosa. A Revolução Laranja, apregoada por tantos como a via a seguir para a “ocidentalização” (leia-se americanização) do Leste da Europa, “deu origem a um enorme pântano onde ninguém se entende”, como diz Miguel Monjardino na sua análise publicada última edição do semanário «Expresso», onde considera que “o país está num impasse político” e “a caminho de um precipício económico”.

Sobre este tema e a sua complexidade falei aqui em tempos e, infelizmente, nada se alterou no que toca à posição encolhida da UE, sem vontade de afirmar a Europa como uma super-potência. A Europa não se pode fazer contra a Rússia e a mando dos EUA.

Para auxiliar à compreensão da geopolítica ucraniana, recomendo o mapa “As quatro Ucrânias”, que publico abaixo, retirado do “Dictionnaire de Géopolitique”, 2.ª edição, de 1999, de Aymeric Chauprade e François Thual, bem como a entrada relativa à Ucrânia, onde se questiona: “sobreviverá a Ucrânia nas suas fronteiras actuais, ou conhecerá divisões e separações territoriais?”.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Cadernetas de cromos (III)

O Mário Martins fez uma sugestão oportuna sobre esta série de posts (obrigado!), dizendo-me para publicar também as imagens das contracapas. Ora, no caso de hoje, isso era imprescidível para se conseguir ler totalmente o título da caderneta. O Mundo Maravilhoso do Reino Animal foi uma colecção de 192 cromos ilustrados por M. Mendonça, publicada em 1953 por Júlio Machado S. e distribuída pela Agência Internacional. Foi o primeiro concorrente da Agência Portuguesa de Revistas neste filão que se revelava o mundo dos cromos, não tendo, no entanto, grande sucesso devido à fraca qualidade dos desenhos.

domingo, 8 de março de 2009

Fim de ciclo

Quando converso com alguém de estudos clássicos interesso-me sempre em saber a sua opinião sobre os tempos em que vivemos. Quase sempre as suas visões coincidem com a minha perspectiva de que vivemos um fim de ciclo.

Vem isto a propósito da entrevista que António Guerreiro fez à professora Maria Helena da Rocha Pereira para o suplemento «Actual» da última edição do semanário «Expresso». À pergunta “A cultura grega e a latina não lhe serevem de mediação para observar o mundo contemporâneo?”, respondeu: “Vejo sempre tudo através dessa mediação e verifico que há características positivas e negativas nos tempos actuais que também existiram na Antiguidade. Ao contrário da ideia dos historiadores de que a História não se repete, há algo que se está a repetir: a perda dos padrões éticos, como no final do Império romano.”

Miguel Serrano

O Crepúsculo dos Deuses é só dos Deuses, mas a Ressurreição dos Deuses, é a Ressurreição do Herói.
Miguel Serrano
“La Resurrección del Héroe”

(10/9/1917 – 28/2/2009)

Morreu no mês passado Miguel Serrano, figura controversa pelo seu apoio declarado ao nacional-socialismo. Autor de mais de 40 obras, foi escritor, poeta, ensaísta, explorador, diplomata e uma figura maior do panorama literário chileno. Apesar do seu talento reunir bastante reconhecimento no seu país, nunca recebeu o prémio nacional de literatura do Chile por motivos políticos, mesmo quando foi proposto pelo escritor Armando Uribe, em 2006. Teórico do “Hitlerismo Esotérico”, conheceu e foi amigo de grandes figuras internacionais, como foi o caso de Herman Hesse e C. G. Jung. As suas ideias foram alvo de várias interpretações e detracções; visto por uns como génio e por outros como louco, não deixará der ser um caso singular e os seus trabalhos darão ainda, com certeza, muito que falar.

«Terra Portuguesa» n.º 2

Já está disponível o segundo número do Boletim «Terra Portuguesa» cujo destaque vai para a última manifestação do 10 de Junho, merecendo também especial atenção a repressão por parte do sistema à Festa Nacionalista de Verão.

Entre diversas secções e espaços, este número traz ainda um artigo de Humberto Nuno de Oliveira, cabeça-de-lista do PNR às Eleições Europeias de 7 de Junho, sobre o Tratado de Lisboa.

O preço de cada exemplar é € 2 (acrescido de portes de envio). Os interessados podem fazer os pedidos por correio electrónico através do endereço: ce@pnr.pt.

sábado, 7 de março de 2009

All the way down


The Wrestler fez correr muita tinta sobre o regresso de Mickey Rourke aos grandes papéis e, especialmente, no paralelo entre a vida de Randy 'The Ram' Robinson, personagem por ele interpretado, e a sua própia. A história de um famoso wrestler dos anos 80 que agora sobrevive num circuito de segunda assentou que nem uma luva a Rourke. Quem melhor para representar uma estrela decadente? A verdade é que ele, debaixo do seu aspecto desfigurado e monstruoso, nos revela o grande actor que muitos pensavam fatalmente perdido. Quando alguém me falava mal de Mickey Rourke recordava-me logo de Rumble Fish, agora vou lembrar-me também de The Wrestler. Outra óptima prestação é a de Marisa Tomei, uma stripper com quem The Ram tenta sem sucesso uma relação séria e cuja profissão, em muitos aspectos, se assemelha à dele.

Sempre agarrado a glórias passadas, este lutador não quer desistir, mas a sua saúde força-o a isso. Ensaia, a partir de aí, uma tentativa de uma vida “normal”, um novo rumo de quem se retirou. Mas nada corre de feição, conseguindo mesmo estragar o reatar de uma relação com a filha, para quem sempre foi um ausente. Perante o descalabro, resta-lhe a que sempre foi a sua vida, o wrestling, e a que sempre foi a sua família, os espectadores.

Darren Aronofsky, que já em Requiem for a Dream demostrara grande talento, realiza optimamente este último combate de uma vida que foi sempre a descer, com um excelente ritmo e planos muito bem conseguidos.

Li algures que este filme tinha um “final americano”. Não sei que outro final poderia ter um filme passado no mundo do wrestling. Seja como for, não podia acabar melhor.

«IdentidaD» n.º 16


sexta-feira, 6 de março de 2009

Cadernetas de cromos (II)

A caderneta de hoje é A Gata Borralheira, colecção de 136 cromos publicada pela Agência Portuguesa de Revistas em Maio de 1953. Uma versão nacional de um original espanhol publicado anos antes pela Editorial Bruguera.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Cadernetas de cromos (I)

Para o Mário Martins.


Como já aqui disse, os cromos fizeram parte da minha infância. Foi por isso que fiquei muito contente com um grande conjunto das primeiras cadernetas publicadas em Portugal que herdei recentemente. O seu estado é bastante razoável, tendo em conta o tempo passado e as condições do local onde estavam guardadas. Decidi, depois de limpá-las, organizá-las e informar-me sobre a história dos cromos no nosso país, fazer uma série de posts com as imagens as capas e alguns dados sobre a sua publicação. Para isso muito contribuiu o Mário Martins, a quem agradeço a ajuda e esclarecimentos prestados, bem como a indicação preciosa de uma excelente página na internet sobre cromos. A ele, grande apreciador deste hobby que nos marcou, dedico a série que hoje inicio.


A caderneta de cromos mais antiga que tenho é de 1952, ano da edição da primeira caderneta em Portugal, Os Três Mosqueteiros. Trata-se de Branca de Neve e os Sete Anões, uma colecção de 240 cromos inspirada em colecções semelhantes de origem espanhola.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Grande entrevista: José Pinto-Coelho

Em ano recheado de eleições, e para quem está farto dos “suspeitos do costume”, aconselho vivamente a entrevista dada por José Pinto-Coelho, presidente do Partido Nacional Renovador, ao Terra Portuguesa, da qual publico um extracto da resposta a uma questão sobre o acesso do PNR aos media.

Atentem a este caso inacreditável: “Em Setembro de 2008 a TVI, realizou uma peça jornalística sobre imigração, a qual não passou de uma propaganda nojenta de vitimização dos imigrantes e ofensiva em relação aos portugueses, peça esta para a qual contribui com uma entrevista dada no Martim Moniz. Nessa ocasião fui vítima de uma tentativa de agressão por parte de um grupo de africanos, que poderia ter acabado da pior forma. Desse acontecimento há imagens e uma excelente reportagem, mas o que dele resultou foi um silêncio total. Uma vergonha! É fácil imaginar que se um grupo de nacionalistas tentasse agredir um político, dirigente ou mesmo uma pessoa comum, aquelas imagens dariam abertura de telejornal, primeiras páginas de jornais, debates e sei lá mais o quê, durante dias a fio. Já sabemos que faltando liberdade de expressão e pior ainda, sobrando difamação e manipulação, para tornear a falta de acesso minimamente aceitável e isento aos media, nomeadamente TV, o PNR tem que contar com os seus próprios meios e dessa forma chegar às pessoas.

Mais de 100 mil em desacordo

Este é o número de subcritores da petição contra o Acordo Ortográfico — entre os quais me incluo — , segundo nos dá conta Vasco Graça Moura no seu artigo de hoje no «Diário de Notícias». Mas, apesar desta impressionante participação, parece que (des)governo e (muitos) académicos vão continuar a tapar os ouvidos. Uma vergonha. Como muito bem conclui o escritor, “um país que presa verdadeiramente a sua cultura língua e a sua cultura devia sentir e exprimir a mais profunda das vergonhas pelo que está a acontecer. E devia exigir que não seja assim. Mais de cem mil pessoas já o fizeram”.

A defesa da Língua Portuguesa ainda não terminou, assine.

O Kosovo visto por quem sabe

Numa entrevista notável, publicada na revista «Notícias Sábado» n.º 163, de 21 de Fevereiro, o Major-General Raul Cunha tem a coragem de falar claro sobre o Kosovo. Agora, que passou um ano da autoproclamada independência daquele território, é a altura ideal para ler quem esteve três anos no Kosovo na Unmik e conhece os Balcãs no terreno desde 1991.

Longe de papaguear as cantilenas mediáticas, politicamente correctas, o Major-General Raul Cunha oferece-nos o relato de quem viveu de perto a guerra da ex-Jugoslávia. Sobre o tão falado massacre de Srebrenica diz “(...) a verdade sobre Srebrenica, pelo que ouvi de muitos colegas, ainda está por contar. Muitos dos mortos que estão em valas comuns também são sérvios. Não podemos esquecer que o senhor da guerra muçulmano, que não estava ali na altura do cerco, tinha feito razias nas aldeias sérvias à volta. Havia ali vinganças a pagar.

Sobre o Kosovo, diz: “No Kosovo estive duas vezes, a primeira na KFOR, em 2000. Nessa altura ainda se vivia um clima de revanchismo por parte dos albaneses. Mas a KFOR tinha muita força: quarenta mil homens. Aos poucos foi feita uma limpeza aos sérvios no Kosovo. Ameaças, compra de propriedade, um tiro aqui, um morto ali, uma tareia acolá e, pronto, as pessoas vão-se. Neste momento, os únicos sítios do Kosovo onde os sérvios sentem alguma estabilidade é nos locais onde eles se juntaram, ou seja, nos enclaves e no Norte. E como o Kosovo, no meu entender, não tem viabilidade sem o Norte, vai haver uma grande pressão do governo de Pristina para retomar o controlo do Norte. É aí que estão as minas de Trepca e é daí que vem a água que arrefece as caldeiras dos geradores de electricidade da central de Obilic.

E sobre a independência do Kosovo, é categórico: “Independência é como quem diz. A separação. Independentes de quê? Não têm capacidade por si próprios. Agora a separação deles da Sérvia era inevitável. Podia ter sido feita de maneira a deixar a Sérvia salvar a face. Tudo o que se passou sempre nos Balcãs mostrou que a comunidade internacional teve um comportamento que oscilou e não teve uma linha coerente e correcta. No Kosovo violaram-se todas as regras de direito internacional e de acordos previamente estabelecidos. Nós, militares, sentimo-nos mal. Eu andei a dizer aos sérvios da Krajina que aquilo era parte da Croácia e que eles não podiam separar-se. Andei a dizer aos sérvios da Bósnia e aos croatas da Herzegovina que não podiam ser três separados, tinham que ser um país único. E depois, no Kosovo, virámos o discurso: passámos a dizer aos sérvios que têm de deixar os albaneses separarem-se. Com que cara é que fizemos isto? O Kosovo era uma província da Sérvia. Não era uma república.

Entrevista completa aqui.

Mais Tintin


Aqui fica mais um álbum do Tintin herdado, Les 7 Boules de Cristal, de 1948. Como disse nos comentários ao post anterior, vou partilhar nesta casa as pilhas que recebi (e não sei onde pôr...) e tenho em mente pelo menos duas séries de posts para breve. Adianto já o que aí vem, para deixar água na boca: banda desenhada, cadernetas de cromos, livros escolares, etc.

terça-feira, 3 de março de 2009

Tintin sempre


No dia em que passam 26 anos da morte do genial Hergé, publico a capa do álbum Tintin au Congo, de 1947, infelizmente danificado, que herdei recentemente juntamente com uma pilha de bandas desenhadas da altura. O Tintin é daquelas referências que nos marcam para sempre... Pelo menos até aos 77 anos.

Boletim Evoliano n.º 5


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

«Lanceiro» volta à carga!

O «Lanceiro» volta à carga, desde o último número do jornal publicado em Novembro de 2007, agora com novo formato e o subtítulo “Cadernos Militares”. O n.º 1 foi-me oferecido pelo meu amigo Roberto de Moraes, autor do excelente artigo “Noventa Anos do Armistício. Algumas considerações sobre a Primeira Guerra Mundial”. Este número, dedicado à Cavalaria, a Lanceiros, à PM/PE, à Guerra do Ultramar (inclui as CPM e PPM que serviram em Angola e o nome de todos os seus oficiais) e à Vida Militar é enviado gratuitamente em formato .pdf, como divulgação, mediante pedido para o endereço electrónico jornallanceiro@gmail.com. O preço da versão impressa é € 5 e a periodicidade é semestral.

O «Lanceiro» tem um objectivo claro, como nos diz a nota de abertura deste n.º 1: “Para que não se esqueça e não se faça tábua rasa da nossa História que como disse Mouzinho "foi obra de soldados" fazemos uma publicação paratodos os que sentem e vivem "os interesses permanentes e vitais da Pátria e têm o culto da sua História", tenham ou não passado pelas fileiras”.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Páginas culturais comparadas

O Jorge não publica muito no seu Testemunho do Estético, mas isso não me altera o hábito de visitar amiúde este excelente blog. Hábito totalmente justificado pela elevada qualidade das reflexões que aí encontro, como o exercício de comparação entre os suplementos culturais «Ípsilon» e «ABCD», que o leva a Heidegger e a Arendt. A não perder a Situação das "páginas culturais": o inconsciente ex-posto.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sobre o MAP


O Nonas disponibiliza hoje a digitalização da crónica de Catarina Portas no «Público» sobre o assassinato do Museu de Arte Popular (MAP). A não perder “O Museu Assassinado”, que termina com a questão desafiadora: “Não haverá, neste país, coragem para uma recuperação exemplar e modernamente interpretada do Museu de Arte Popular?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Há 100 anos

Olhai para nós! Não estamos esfalfados... No nosso coração não há a menor fadiga! Porque se alimentou de fogo, ódio e velocidade!... Ficais espantados? É que vos não lembrais, sequer, de ter vivido! De pé, no cimo do mundo, uma vez mais lançamos às estrelas o desafio!
As vossas objecções? Basta!
Basta! Conheço-as! É ponto assente! Sabemos bem o que a nossa bela e falsa inteligência nos afirma. Só somos, diz ela, o resumo e o prolongamento dos nossos antepassados. Talvez! Seja!... Que importa?... Não queremos ouvir! Evitai repetir estas palavras infames! É preferível levantar a cabeça!
De pé, no cimo do mundo, voltamos a lançar uma vez mais às estrelas o desafio!

F. T. Marinetti

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Jünger no CCB

Impedido por partilhas familiares, coisa sempre demorada, não consegui ir ontem ao CCB para assistir a “O Caso Jünger”, integrado no ciclo “Nazismo e Cultura: Confrontações”. Dizem-me amigos que estiveram presentes que não perdi nada. Acredito que não tenha trazido nada de novo, mas perdi uma coisa rara: um evento em Portugal sobre Ernst Jünger. Para quando outro?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

“Muito à frente”

É sabido que a CasaPound está “muito à frente”, para usar uma expressão muito comum hoje usada pelos mais jovens. Disto é prova mais recente a apresentação do livro de Valerio Morucci, ex-Brigadas Vermelhas, que encontrou neste espaço a liberdade de palavra que lhe havia sido negada noutros sítios. Un esempio, una ispirazione.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O Alvalade

Já aqui disse que o Alvalade foi um dos meus “cinemas de outro tempo”. Se o lembro, é porque as mudanças em marcos da nossa memória são sempre difíceis de digerir e encaradas com pessimismo. Depois da demolição do edifício do antigo Alvalade, foi com agrado que li na imprensa que o novo projecto contemplava salas de cinema. Depois do desaparecimento das salas no Centro Comercial de Alvalade — hoje decrépito e a viver os últimos suspiros —, da do A. C. Santos e, mais recentemente, das do Quarteto, ir ver um filme significava, para um habitante desta zona da capital, distância, carro, transportes, para além de centros comerciais, impessoalidade, massificação. Valia-nos o King, por vezes o Londres, mas não deixava de ser uma uma falta sentida.

Pois, quase 25 anos depois de ter encerrado, o cinema Alvalade reabriu ao público com a quilométrica designação de Cinema City Classic Alvalade, já ironizada por Miguel Esteves Cardoso no «Público», num edifício novo com o infeliz nome Hollywood Residence. As intenções para este novo espaço são óptimas, como por exemplo a previsão da utilização do espaço para diversas iniciativas culturais e uma nova atitude face ao cinema, de louvar, como a de “evitar a confusão dos Centros Comerciais”. No entanto, é para mim incompreensível a escolha daquilo a que chamam “ambiente renascentista” e o uso de frases promocionais como “será o renascimento bem à moda de Botticelli!”(sic)...

A sala e a escadaria.

Fui lá há dias tomar café com um amigo que pela faixa etária nunca conheceu o espaço e falei-lhe na grande escadaria e a pintura mural de Estrela Faria (felizmente restaurada), na sala que para um miúdo como eu era descomunal, nos gigantescos cartazes exteriores pintados à mão e, claro, nos filmes que se viam e do que era ir ao cinema naquela altura, com aquela idade.

Com todos os defeitos que possa ter, o novo Alvalade trouxe o cinema de volta ao meu Bairro. E uma coisa está prometida, hei-de ir lá ver um filme.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Nacional-moderação

A moderação chegou ao nacionalismo e pretende constituir-se como partido político. É o que leio n'A Cidade do Sossego, na qual o Harms, sem moderações, esclarece que “zero, é o que vale um nacionalismo moderado”. Sobre os “moderados”, volto a fazer aqui uso das sábias palavras do BOS: “Os que advogam a moderação em matéria política são quase sempre moderadamente inteligentes, moderadamente sensatos, moderadamente corajosos, moderadamente honestos, moderadamente virtuosos. Às vezes, até moderadamente moderados”. Sobre a atitude deste futuro partido que reclama o “nacionalismo moderado”, digo que me lembra aquelas pessoas que iniciam as suas intervenções desculpando-se, que pedem licença para pensar de outra forma e que perante a discórdia atiram o clássico “têm ambos razão, venha de lá esse aperto de mão”.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Grande entrevista

Foi a que deu o Pedro Guedes ao Sexo dos Anjos, no qual o Manuel Azinhal continua a excelente série de entrevistas a bloggers. Das suas respostas destaco as que se referem à internet e ao seu potencial de utilização, ora leiam: «É pacífico que a internet é nos tempos que correm a única ferramenta que permite a ideias não-conformistas obter alguma eficácia na transmissão da mensagem, a única que permite contornar o total bloqueio mediático que nos é imposto, a única que permite que seja passada uma imagem diferente da caricatura diabólica que se pretende fazer passar na imprensa tradicional. É por isso essencial que se use cada vez mais, que se observem as suas potencialidades e que todas elas sejam aproveitadas. Ainda para mais, a internet permite que toda a gente a aproveite, com inteligência, sem obrigações "pesadas": nem toda a gente tem que alimentar um blogue, isso não é tão importante quanto se pensa. Quem realmente gosta da ferramenta é bom que a utilize mas usá-la por obrigação ou por impulso é provavelmente errado e obtém efeitos contrários aos desejados. Mas quem por exemplo não gosta de escrever ou não se sente bem a falar para fora na blogosfera, já não terá grande desculpa para não usar ferramentas como o Facebook ou o HI5. A internet permite essa coisa fantástica que é a possibilidade de todos terem o seu público e se sentirem no seu próprio meio, consoante a idade ou os interesses, podendo em cada um desses postos ser de grande utilidade para causas comuns. Que ninguém se abstenha!»

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

«IdentidaD» n.º 15

Mais um número do jornal espanhol «IdentidaD» com uma notícia sobre Portugal, da minha autoria, desta vez o caso inacreditável da censura ilegal ao PNR, através da retirada do cartaz do partido pelo vereador Sá Fernandes.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Saudade do futuro

Completou ontem dois anos de existência um dos melhores blogs nacionais, o Eternas Saudades do Futuro, do qual sou leitor assíduo. O seu autor, que me honra com a sua amizade, está de parabéns por este trabalho cultural de elevado nível e pela óptima escolha do título. A esse propósito e à laia de presente de aniversário, aqui deixo um extracto do proémio do livro de António Quadros, “Memórias das Origens, Saudades do Futuro”, publicado pela Europa-América, em 1992.

“A saudade do futuro é uma paixão que animou toda a nossa história, como inspira toda a nossa cultura, fautora de acertos ou de erros, mas sempre omnipresente. O hoje é uma passagem evanescente entre um ontem que remonta às origens e um amanhã que é para nós mais, bem mais do que um mundo simplesmente melhor do que este, é um reino da primazia do espírito e dos seus valores, para o qual, consciente ou inconscientemente, trabalha tudo o que em cada um de nós é altruísta, dadivoso, generoso, visionário.”

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

«O Diabo» na rede


Através do HNO fiquei a saber da boa nova de que o semanário «O Diabo» já está finalmente na internet. Uma presença bem necessária na blogosfera desta voz não-alinhada da imprensa nacional.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Alice Vieira arrasa sobre a educação

A educação no nosso país piora de dia para dia, já o sabemos. Há muito que colegas meus de curso, hoje professores, me transmitem o estado deplorável a que chegou esta área tão importante. Agora, a degradação tem sido de tal ordem que há cada vez mais pessoas a pôr o dedo na ferida. É o caso da escritora Alice Vieira que, em entrevista publicada hoje no «Público», não poupa críticas nem comede as palavras. Nesta constatação mostra bem ao que se chegou: Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ia falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal.

Sobre o acesso às novas tecnologias, afirma que estamos a queimar etapas, a atirar computadores para os colos dos miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita. E mesmo os mais velhos não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar, eles clicam, copiam e assinam por baixo. Eu chego a uma escola, vou ver e fizeram 50 trabalhos sobre um livro meu, todos iguais, com os mesmos erros e tudo, porque descarregam da Internet. Pergunto aos professores e respondem-me: “Mas eles tiveram tanto trabalho a procurar...” O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes, estou a falar com os alunos e tenho a sensação nítida de que não estão a perceber nada do que eu estou a dizer.

Sobre as razões deste estado de coisas generalizado, diz: No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam! “O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se”. Há um medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias da educação. E os professores e os alunos não sabem muito bem o que é que andam a fazer... Aconteceu uma coisa terrível é que tudo tem que ser divertido. Há duas palavras que me põem fora de mim: moderno e lúdico! Tudo tem que ser lúdico, tem de ser divertido, nada pode dar trabalho. Não pode ser!

Soluções?
É preciso mais autoridade, o professor não pode fazer nada, não tem autoridade nenhuma. A solução passa por mais interesse e mais disciplina. O gosto pelo que se faz. E o professor tem que sentir esse gosto e passar aos miúdos. A profissão é de risco, de missionário e não de funcionário público na acepção pejorativa da palavra. Não é uma profissão como as outras e não é seguramente a de preencher impressos...

sábado, 17 de janeiro de 2009

A História em liberdade vigiada

aqui tinha referido a associação “Liberté pour l'Histoire”, fundada por René Rémond e hoje presidida por Pierre Nora, e todo a contestação às “leis memoriais”. No último número de «La Nouvelle Revue d’Histoire», é-nos dado conta das últimas novidades desse combate pela liberdade e do protesto que Nora fez em finais do ano passado contra o projecto de decisão-quadro adoptado pelo Parlamento Europeu criminalizando todos os “genocídios, crimes de guerra de carácter racista e crimes contra a humanidade”, seja qual for a época dos crimes em causa e a autoridade que os estabeleceu. «La Nouvelle Revue d’Histoire» associou-se plenamente a este protesto.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Dominique Venner sobre a memória

Nunca é demais dizê-lo, mas Dominique Venner é uma referência maior para mim e os seus editoriais na «La Nouvelle Revue d’Histoire» são verdadeiros ensinamentos de mestre.

O editorial do último número tem por título “Metafísica da memória, do qual não resisto a publicar a conclusão, cuja tradução pilhei ao meu amigo HNO, que em boa hora a fez: Cultivar a nossa «memória», transmiti-la viva às nossas crianças, meditar ainda sobre as provações que a história nos impôs, é preliminar a qualquer renascimento. Face aos desafios inéditos que nos foram impostos pelas catástrofes do século de 1914 e sua mortal desmoralização, encontraremos na reconquista da nossa «memória» étnica as respostas para as quais os nossos antepassados e avós não possuíam ideia, eles que viviam num mundo estável, forte e protegido.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 40

Saiu o número 40 da obrigatória «La Nouvelle Revue d’Histoire», óptima revista que felizmente é possível adquirir nas bancas em Portugal. O tema central, bastante actual, é “EUA: O fim do sonho?”. No dossier encontramos os artigos “O fim do sonho americano”, de Dominique Venner, “Permanências geostratégicas”, de Aymeric Chauprade, “Um capitalismo de Casino”, de Antoine Baudoin, “A guerra contra o terror”, de Xavier Raufer, “Os Estados Unidos e a Europa: relações conflituosas”, de Philippe Conrad, uma cronologia e uma bibliografia, bem como as entrevistas com Michel Crouzet e David Victoroff, para além do texto de Alexis de Tocqueville, “Um totalitarismo doce”.

Podemos ainda ler os artigos “Quando Tucídides inventou a História”, de Emma Demeester, “Augsbourg e o destino alemão”, de Éric Mousson-Lestang, “A arte de não compreender a história da Alemanha”, de François-Georges Dreyfus, “Espanha: Guerra de memórias” e “A verdadeira morte de Garcia Lorca”, de Arnaud Imatz, e “A verdade sobre o Vale dos Caídos”, de Charles Hirribarrondo.

Destaque ainda para a entrevista com Bernard Lugan, africanista e colaborador regular da «NRH», autor de diversas obras sobre o continente negro e a sua história. Como sempre, para além de outros artigos, temos a crónica de Péroncel-Hugoz, desta vez sobre a Líbia, bem como as secções habituais.

A não perder!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Para acabar com o “nacional-divisionismo”

A propósito da candidatura do PNR ao Parlamento Europeu, apelei a “todos para um esforço comum necessário para marcar a diferença”. Mas sabemos que apelar à unidade neste meio é tornar-se um alvo para os pseudo-nacionalistas de sofá, que se sentem superiores e omniscientes, sempre de espingarda apontada para o lado, nunca para a frente.

Foi por isso com grande satisfação que li o texto obrigatório do Harms, que caracteriza magistralmente os que classifica como “NA - nacionalistas anónimos”, que segundo ele “dizem-se nacionalistas mas, no íntimo, anseiam pela derrota e desaparecimento de qualquer projecto nacionalista que possa vingar e ter, efectivamente, algo a dizer”, para depois fazer um apelo à unidade — tão necessária — dando exemplos frutíferos do outro lado da barricada. Aprendamos com inimigo e não façamos o seu jogo.

Conclui o Harms: “Quanto aos NA, esses, já sabemos que não contam. Nem sequer para manobras divisionistas. O tempo deles já lá vai”. Concordo. Acabemos de vez com o “nacional-divisionismo”.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Tierra y Pueblo n.º 19

O último número da revista da associação identitária Tierra y Pueblo tem como tema central a “A cavalaria medieval, herança e valores para um mundo em crise” e, como nos diz Enrique Monsonís no editorial, “a cavalaria medieval, como no último número de Tierra y Pueblo a montanha, assinálam-nos a via que há de ser seguida. Uma via de Acção numa época de Luta”. Neste dossier podemos ler artigos de Dominique Venner, Pierre Vial, Olegario de las Eras, Andrés del Corral, Rodrigo Emílio, Federico Traspedra, Ernesto Milà, entre outros.

Destaque ainda para os apontamentos sobre arqueofuturismo e etnogepolítica e o artigos “Identidade e Etnobiologia”, do Dr. Rolf Kosiek, “A crise económica”, de J. Bochaca e o in memoriam a Peppe Dimitri.

Nas publicações anunciadas, destaque para a tradução espanhola do livro “La Caballería del Honor”, de Pierre Vial.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Um nacionalista para a Europa

Como já foi anunciado pelo PNR, o candidato nacionalista às próximas eleições europeias é o meu caro amigo e camarada Humberto Nuno de Oliveira. Homem de convicções firmes e incansável lutador pela "ditosa pátria nossa amada", é a escolha acertada para uma candidatura realmente alternativa aos partidos (instalados) do sistema, que uma vez acomodados em Bruxelas parece que rapidamente esquecem Portugal.

Como não podia deixar de ser, manifesto aqui o meu total apoio a esta candidatura, apelando a todos para um esforço comum necessário para marcar a diferença.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Aymeric Chauprade no grand débat

Só recentemente vi o grand débat, dedicado ao tema «De Munich a Kaboul. La paix a tous prix ?», que aconselho vivamente. Um programa do canal francês Histoire, conduzido por Michel Field, com os comentários de Eric Zemmour, do Figaro Magazine, e a presença dos convidados Hubert Védrine, antigo ministro dos negócios estrangeiros, Olivier Wieviorka, professor de História na ENS, Rony Brauman, antigo presidente da MSF, e Aymeric Chauprade, professor de geopolítica na École de guerre. O destaque vai para a participação deste último, geopolitólogo brilhante, director da «Revue Française de Géopolitique», colaborador habitual de «La Nouvelle Revue d'Histoire», entre outras publicações, e autor de várias obras, sendo a mais recente Chronique du Choc des Civilisations.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Samuel P. Huntington (1927 - 2008)

Morreu há dias o professor Samuel P. Huntington que se notabilizou pela obra “O Choque das Civilizações e a Mudança na Ordem Mundial”, publicada em Portugal pela Gradiva, em 1999. Neste livro opõe-se à teoria do “fim da História” de Fukuyama, dizendo que os principais actores políticos do século XXI serão as civilizações e não os estados nacionais e que os principais motivos dos conflitos serão religiosos e não ideológicos. A sua teoria provocou grande polémica e desencadeou acesas críticas. Uma excelente e corajosa análise, que foi infelizmente instrumentalizada pela administração Bush como justificação da guerra contra o terrorismo e da invasão do Iraque. Mais recentemente, Huntington viria a ser acusado de xenofobia por alguns críticos, na sequência do seu livro “Who Are We? The Challenges to America's National Identity”, onde alerta para a crescente imigração mexicana e as consequências desta no futuro da sociedade americana.

sábado, 27 de dezembro de 2008

No Prado (IV): A Rendição de Breda

Gosto muito do trabalho de Velázquez, mas a leitura das aventuras do Capitão Alatriste suscitou-me maior curiosidade em “A Rendição de Breda”, de 1634. No livro “O Sol de Breda”, de Arturo Pérez-Reverte, publicado em Portugal pela ASA, em 2007, o narrador, Íñigo Balboa, revela-nos durante uma visita ao pintor espanhol o local no quadro “onde se insinua, meio escondido atrás dos oficiais, o perfil aquilino do capitão Alatriste”. O problema é que ele não está visível hoje e as palavras Íñigo foram por muitos consideradas uma “afirmação gratuita”, como nos diz a nota do editor original publicada no fim do livro, que explica que este mistério foi resolvido pela obra do professor José Camón Aznar, que confirmou “mediante o estudo de uma radiografia da tela” comprovado o facto de, onde “o espectador só consegue ver um lugar vazio sobre o gibão azul de um lanceiro voltado de costas”, a radiografia revelar que “atrás dessa cabeça, adivinhava-se outra de perfil aquilino”.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

No Prado (III): As Meninas

O meu quadro preferido de Velázquez é “La Familia de Felipe IV”, mais conhecido como “Las Meninas”, de 1656. Desta vez, ao apreciar calmamente a obra, uma amiga demasiado céptica perguntou-me o que, afinal, via eu de tão especial naquela pintura. Respondi-lhe simplesmente que, fora todas as teorias mais loucas, tudo se resumia a uma questão de perspectiva. Um trabalho fantástico que nos colocava no quadro, sem colocar. Um jogo, no verdadeiro sentido do termo.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

No Prado (II): Entre Deuses e Homens

Tive a sorte de ver no Museu do Prado a exposição temporária “Entre dioses y hombres”, que juntou às esculturas clássicas da sua colecção, 46 peças do Albertinum de Dresden, encerrado para obras, que pela primeira vez estão expostas fora da Alemanha.

Ao percorrer as várias salas da exposição, apreciando estas representações, não pude deixar de lembrar-me das palavras de Dominique Venner sobre o busto de César encontrado em Arles: “Este rosto podia ser de hoje em dia, mas podia também ser mais antigo. O que é espantoso é até que ponto este rosto viril, esculpido pela vida, é o de um Europeu (Bóreo), um tipo humano particular que atravessou os tempos.

Efebo de Dresden
Réplica Romana. Escola de Policleto
séc. V a. C.
157 x 48 x 42.5 cm
Dresden, Skulpturensammlung Staatliche Kunstsammlungen

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

No Prado (I): O Triunfo da Morte

Nos dias em que estive em Madrid voltei ao Prado, museu que não visitava há muitos anos. Descobri, com satisfação, que há um período grátis diário, das 18 às 20 horas, uma prática que devia ser exemplo para os museus nacionais, nomeadamente o MNAA.

Devido a “O Pintor de Batalhas”, um dos melhores livros que li ultimamente, tinha uma longa lista de obras para ver, sendo a primeira “O Triunfo da Morte”, de Brueghel, de 1562. Para ver — e não olhar — e rever sempre que surja a oportunidade.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Madrid

A convite do CISNE, fui a Madrid para uma conferência sobre os "fascismos" lusos, que correu muito bem, juntando pessoas de várias proveniências e diferentes faixas etárias. Uma excelente oportunidade para dar a conhecer um pouco de uma realidade totalmente nova para o país vizinho.

Aproveitei para ficar na capital espanhola por alguns dias, rever amigos e fazer algum turismo. Museus, gastronomia, passeio e compras, tudo por entre as multidões que asfixiavam as principiais artérias de la Movida devido às compras navideñas.

Sobre as alterações demográficas bastante visíveis, lembrei-me da troca de comentários ocorrida aqui. Sobre outras experiências falarei em posts seguintes.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Solstício de Inverno


«O Natal é a velha festa do Solstício de Inverno. Na noite mais longa do ano, igual ao Inverno, ao frio, à neve, ao gelo, que parecem não ter fim, nessa noite única e terrífica, os nossos antepassados recusaram acreditar na morte do Sol. Traziam no coração a certeza da Primavera. Sabiam que a vida continuava, que as flores iriam furar a neve, que as sementes germinariam debaixo do gelo, que as crianças iriam tomar a sua parte na herança e que os seus clãs e as suas tribos iam conquistar todas as terras de que tinham necessidade para viver, todos os mares onde iam estabelecer um domínio sem limites.

No momento em que os glaciares recuavam pouco a pouco diante as florestas, milhares de anos atrás, uma imensa velada de armas reunia-nos à volta dos fogos, através de toda a Europa, então sem nome. Os nossos antepassados surgiam das trevas e das brumas. Iam descobrir o mar imóvel e erguer pedras verticais, ao sol da Grécia. Sabiam que triunfariam sobre o Inverno, sobre o medo e sobre aquela sageza atroz dos velhos que paralisam a gente jovem impaciente.

O nosso mundo está prestes a nascer. Invisível como as flores e as sementes de amanhã, faz o seu caminho debaixo da terra. Temos já as nossas raízes solidamente enterradas na noite das idades, ancoradas no solo dos nossos povos, alimentadas com o sangue dos nossos antecessores, ricas de tantos séculos de certeza e de coragem que somos os únicos a não renegar. Entrámos no Inverno integral, onde se obrigam os filhos a terem vergonha dos altos feitos de seus pais, onde se prefere o estrangeiro ao irmão, o vagabundo ao camponês, o renegado ao guerreiro. Entrámos num Inverno onde se constroem casas sem chaminés, aldeias sem jardins, nações sem passado. Entrámos no Inverno.

A natureza morre e os homens tornam-se todos iguais. Já não há paisagens, já não há rostos. Vivemos em cubas. Com um pouco de química, iluminamo-nos, alimentamo-nos, não temos crianças a mais, esquecemos a luta, o esforço e a alegria. Sim, apesar das luzes de néon, das montras e das imagens do cinema, apesar das festas do Natal, das grinaldas, das missas e dos abetos, entrámos num Inverno muito longo.

Somos só alguns que trabalham para o regresso da Primavera.»

Jean Mabire
in “Os Solstícios – História e Actualidade”, Hugin (1995).