quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Terre & Peuple Magazine n.º 37

Mais um número da óptima revista da associação Terre et Peuple que tem como tema de capa bastante actual “A Rússia está de Regresso”, com os artigos “Histeria anti-russa: a paranóia dos media ocidentais” e a excelente análise geopolítica “Compreender o conflito entre a Rússia e a Geórgia”, de Jean-Patrick Arteault.

A destacar, também, “A peste jacobina”, com os artigos “Pré-história do jacobinismo”, de Jean Haudry, “Reflexões sobre um episódio jacobino da Revolução Francesa”, de Jean-Patrick Arteault, “O jacobinismo aplicado na Vendeia: do genocídio ao memoricídio”, de Pierre Rigolage, “Yann Fouéré. Da préfectorale ao autonomismo”, de Xavier Guillemot, “Os incorrigíveis jacobinos”, de Pierre Vial, e “Intentidades provinciais”, de Yvan La Jehanne. A não perder, também, o artigo sobre a Grande Guerra de Alain Cagnat intitulado “1914-1918: O fim de um mundo”. De referir ainda a crítica de Pierre Vial ao último número da revista «Éléments», afirmando que “o Mediterrâneo não é a nossa mãe” e o artigo sobre genética das populações de Michel Alain.

Podemos ainda ler críticas a livros, bem como comentários sobre a actualidade e as habituais rubricas sobre genealogia e culinária.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A olhar para casa...

Gesta perdida

Os meus trezentos soldados
Mortos ficaram por terra;
Não tenho armas nem cavalos,
Volto ferido da guerra.
Que é da rosa branca,
que me fora prometida?
Filha do Rei, que é da rosa
Que me fora prometida?
Quero encharcá-la no sangue
Que jorra da minha ferida.
Aquela rosa, tão branca,
Ficará rosa vermelha.
Julgando beijar teus lábios,
Hei-de beijá-la de rastros,
Como se beija a bandeira.
Sonhei com a rosa branca
Nos rubros campos da guerra.
Mas os meus bravos soldados
Mortos ficaram por terra,
Minha espada espedaçaram,
Vieram lanças em riste
E feriram-me no peito
(Não mais do que me feriste!)
Agora volto sem sonhos,
Derrotado, só e triste...

Mas a rosa, rosa branca,
Murcha ficou em meus dedos,
Rosa esfolhada e sem vida.
Ai, antes a tua rosa
Me não fosse prometida!

(1945)

António Manuel Couto Viana
in “O Poeta pela mão: Primeiros versos”, 1999.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

M.


Fui almoçar com a M. que já não via há algum tempo. Falámos de cinema, como não podia deixar de ser, lembrámos aquele sítio (toda a gente tem um) onde trabalhámos e tudo era perfeito — ou pelo menos parece, agora —, do qual contei umas histórias mirabolantes, que ela concordou que ultrapassavam largamente a ficção. Agora não. Já não há acessos desses. Agora há blogs e trocas de e-mails, por vezes chat... Perante isto ficam os almoços e os livros. E por estes últimos disse-lhe para levar o livro que estivesse a ler, que depois lhe explicava porquê. Simples, para passar uma excelente mania que o Miguel Vaz trouxe para os nossos almoços: fotografar livros.

Óptimo regresso!


O Paulo está de volta, desta vez n'O Duro das Lamentações. Livre como sempre. Sem pressões, nem moderações. É caso para dizer: há males que vêm por bem...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Filmes de culto (XXX)

Alexander Nevsky, Sergei M. Eisenstein, Dmitri Vasilyev, 1938.

Liberdade para a História

No Sábado passado, escrevi um post com o mesmo título no Jantar das Quartas, onde falei do editorial de José Manuel Fernandes a propósito do processo “contra o franquismo” iniciado pelo sempre ávido de estrelato juiz Baltasar Garzón, que referia artigo de Timothy Garton Ash, acrescentando um parágrafo sobre a associação “Liberté pour l'Histoire”, fundada por René Rémond e hoje presidida por Pierre Nora.

Volto ao tema para referir o artigo de Jorge Almeida Fernandes, ontem no «Público», intitulado “Garzón e os historiadores em cólera” que, citando o historiador Santos Juliá, diz que “um Estado democrático não pode chamar 'assassinados' às vítimas da rebelião [franquistas] e 'falecidos' às vítimas da revolução, como faz a Junta da Andaluzia para justificar uma determinada política da memória”, concluindo que “tanto na História como na Memória é perigoso reescrever o passado à luz dos interesses políticos de hoje”.

Termino com uma reflexão: todo este processo das “leis memoriais” teve início nos anos 80 do século passado, na Alemanha, Bélgica e Canadá, com disposições legais que criminalizavam o chamado “revisionismo do Holocausto”, o que levou à famosa lei Gayssot, de 1990, que por sua vez abriu caminho em França à lei sobre o genocidío arménio, à lei Taubira, sobre a escravatura, e à lei Mekachera, sobre o colonialismo, e a iniciativas similares noutros países. Apesar de inicialmente pouco criticadas, estas imposições legais têm vindo a ser cada vez mais postas em causa pelos seus efeitos perversos. É caso para dizer, de boas intenções...

Como escreveu Max Gallo no «Le Figaro», em 2005, “para o historiador, não é admissível que a representação nacional dite "a história correcta, aquela que deve ser ensinada". Já demasiadas leis, bem intencionadas, caracterizaram este ou aquele acontecimento histórico. E são os tribunais que decidem. O juiz é desta forma conduzido a ditar a história em função da lei. Mas o historiador, tem por missão dizer a história em função dos factos.

domingo, 19 de outubro de 2008

A grande viagem


O meu avô materno, oficial de Marinha, homem viajado e conhecedor do mundo, verdadeira figura paternal que me despertou o gosto pelo conhecimento, pela História, pelas viagens, pelas línguas, pela leitura e pelos livros, e me transmitiu os valores fundamentais que ainda hoje me guiam, tinha uma viagem de sonho — o Transiberiano.

Foi ainda criança que ouvi falar nessa travessia euro-asiática e o fascínio ficou-me desde então. Vem esta recordação a propósito da reportagem no último número da revista «Volta ao Mundo» sobre esta “viagem que nunca termina”. Claro está que muita coisa mudou, desde os tempos em que o meu avô pensava esta experiência. O fim da Guerra Fria “ocidentalizou” em parte uma Rússia que ainda mantém marcos soviéticos, mas que guarda sempre uma alma própria. O autor do texto, que fez a viagem, diz-nos que em Kabarovsk um viajado professor de zoologia se lamentava: “hoje a população reduziu-se a metade e o comércio está na mão dos chineses. A Perestroika pode ter trazido muitas coisas boas, como a abertura do país ao exterior, mas também trouxe as consequências da globalização. Kabarovsk está a perder a sua individualidade, a ficar igual ao resto do mundo”. Apesar desta alteração, confirmada pelos cartazes com anúncios a telemóveis à volta de uma estátua de Lenine, pelas filas à porta do McDonald's de Irkutsk, a mais antiga cidade da Sibéria, entre tantos tiques do ultraconsumismo reinante, a verdade é que “a grande travessia” continua a ter a sua magia e a cativar cada vez mais turistas de todo o mundo.

O meu avô nunca chegou a fazer a sua viagem — fez uma maior e mais rica, que foi o seu percurso de vida — mas fez perdurar o seu encanto. Mesmo sabendo que muito dificilmente a conseguirei fazer, não deixará de estar no meu imaginário.

Sinais de outros tempos (VI)

Av. de Madrid, Lisboa.

sábado, 18 de outubro de 2008

O eterno lápis azul

O Paulo Cunha Porto é um Amigo dos que mais prezo. Acompanhá-lo na blogosfera tem sido a forma de minimizar as saudades da tertúlia bibliófila do Bairro Alto, ou de tempos em que as nossas vidas nos permitiam encontros regulares. Vem isto a propósito da saída do Paulo de um blog para o qual escrevia após convite, depois de dois dos redactores lhe terem pedido “moderação”. É claro que a ligação para tal sítio deixou de ter razão de ser nesta casa e, por isso, retirei-a. Sobre a “moderação”, lembrei-me prontamente do que escreveu outro Amigo, o Bruno Oliveira Santos: “Os que advogam a moderação em matéria política são quase sempre moderadamente inteligentes, moderadamente sensatos, moderadamente corajosos, moderadamente honestos, moderadamente virtuosos. Às vezes, até moderadamente moderados”.

Lembrei-me, também, do elogio que o Paulo me teceu aquando do segundo aniversário do Pena e Espada e que me deixou, como lhe disse na altura, sem palavras. Pois é agora o momento ideal para o devolver, bastando substituir o meu nome pelo dele, já que se aplica tal e qual: “(...) Muitos anos antes de me tornar blogueiro, habituei-me a trocar ideias com o Duarte, em tertúlias que ambos integrámos, ou em circunstâncias em que só estivemos presentes os dois. Habituei-me a admirar a Sua honestidade intelectual, os Seus enormes conhecimentos e, last but not the least, o Seu amor aos livros. Mesmo quando divergi Dele, nunca esmoreceu o meu entusiasmo pela forma como defendia aquilo em que acreditava. (...)” É assim a Amizade, não entendo quem a veja de outra forma.

Quem fica a perder, como não podia deixar de ser, é o tal blog colectivo — que, afinal, parece que se pretende único —, como se percebe pela saída de outros dois colaboradores e os protestos nos comentários leitores.

Um abraço, Paulo, e até à tua próxima paragem blogosférica.

Jünger e Céline na Sorbonne

Em frente à Sorbonne há um quiosque onde é possível comprar números antigos do «Magazine Littéraire». E não é a molho, tipo “oportunidades”, é todo um escaparate com vários exemplares de cada número, organizados por data de publicação. Uma verdadeira tentação para “esvaziar a bolsa” e “encher a mala”. Mas, como nesta minha última ida a Paris a mala já estava cheia e a bolsa anda sempre pouco preenchida, tive que conter-me e elegi apenas duas revistas, relativas a dois autores de referência para mim — Ernst Jünger e Louis-Ferdinand Céline.



Trouxe, assim, o n.º 326, de 1994, estando o escritor alemão ainda vivo e à beira de completar o seu centésimo aniversário, que tem um excelente dossier com vários artigos, uma cronologia, uma bibliografia e o texto “Leipzig”, um excerto da primeira versão inédita de “O Coração Aventuroso”; e o hors-série n.º 4, de 2002, totalmente dedicado ao escritor francês, do qual destaco três textos inéditos e a entrevista com Lucette Destouches sobre como foi escrito “Rigodon”.

Mais auxiliares para, como propôs o meu caro amigo Miguel Vaz, depois de aceitar umas pistas de leitura que lhe dei, “analisar mais a fundo a relação entre Jünger e Céline. Dois escritores geniais, dois veteranos da Guerra, dois condecorados, dois críticos do III Reich e dois odiados pela Ordem que floresceu na Europa após a derrocada alemã. Dois percursos análogos mas inversos. De um lado a perspectiva ascética e aristrocrática de Jünger. Do outro o niilismo e a provocação de Céline.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O efeito da imigração: do regional ao nacional

O jornal «Público» refere hoje, numa notícia sobre os fluxos migratórios gerados pelos grandes projectos de obras públicas anunciados para o Baixo Alentejo, um estudo da investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Maria Ioannis Baganha, que conclui que os impactos da vinda de tal número de imigrantes, nomeadamente no sector da habitação, terão como consequência um choque cultural, agravando-se “a tensão social” entre alentejanos e imigrantes, o que se pode tornar num problema “grave de difícil solução”.

Ora, estes efeitos, tal como sucedem a nível regional, também acontecem a nível nacional. Porque a imigração, como fenómeno negativo que é, também produz consequências indesejáveis. É, por isso, que urge sair do “debate” hipócrita, no qual a imigração é apresentada como panaceia para todos os males da sociedade e qualquer crítica ou oposição que se lhe faça é considerada uma atitude “racista” e “xenófoba”, necessariamente reprovável e não permitida.

Maior hipocrisia é a daqueles que pretendem com essa postura “defender os imigrantes”, pois ao permitir uma imigração desregrada, apenas se beneficia o grande capital ao facilitar a exploração dessas mesmas pessoas que era suposto defender. Hipócrita é, também, a crescente atitude xenófila e discriminatória desses “defensores”, ao preferirem a protecção dos imigrantes em detrimento dos nacionais, como se no nosso país não houvesse problemas sociais e laborais graves a resolver.

Tapar o Sol com uma peneira

Após os “incidentes” no jogo de futebol França-Tunísia, no Stade de France, na passada terça-feira — cujas imagens, ilucitativas, podem ser vistas aqui —, uns “estranham”, outros tentam “compreender” e o governo finge “preocupação”.

O problema não é de hoje. O falhanço do sistema de integração republicano em França é notório há anos e as suas consequências têm vindo a agravar-se, apesar de manobras mediáticas que aligeiram ou ocultam as tais notícias. Tal como escreveu Guillaume Faye na sua obra “La colonisation de l'Europe: Discours vrai sur l'immigration et l'islam, publicada em 2000, os media têm ordens para minimizar tais eventos, foi por isso que “a televisão nunca mostrou as florestas de bandeiras argelinas e os slogans escritos em árabe nos distúrbios nos subúrbios (como durante a "festa" do Mundial de 1998). Da mesma maneira, já não se fotografam ou filmam os inúmeros graffitis do género: "Os árabes fodem a França". Trata-se de dissimular qualquer sinal de hostilidade.

Mesmo a solução, tantas vezes apresentada como milagrosa, de uma equipa multirracial de nada serve, já que, como diz Faye no mesmo livro, “fazer coabitar raças diferentes, é possível numa equipa de futebol onde os jogadores são pagos a peso de ouro, não nos seio de uma mesma comunidade política e histórica de destino”.

E para aqueles que acham que esta é uma questão francesa, que nada tem que ver com o resto da Europa, nomeadamente com o nosso país, pergunto: lembram-se do jogo, igualmente “amigável”, entre Portugal e Angola, em 2001, marcado pela violência, pelos distúrbios e abstinência policial por medo de “racismo”, que resultou em grave perturbação da ordem pública?

Filmes de culto (XXIX)

Cross of Iron, Sam Peckinpah, 1977.

Homenagem a Céline: “Viagem ao fim do efémero”

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sinais de outros tempos (V)

Rua Presidente Wilson, Lisboa.

Apelo

Poetas
que ides cantando
um sonho de caravelas,
um velho sonho passado
e estafado
com nuvens, luas, estrelas;
Deixai o adeus e a saudade
e esse ficar
aí, de braços cruzados,
a recordar:

— “Conquista, Índias, mistérios...
Tudo se foi.
Só nos resta chorar idos Impérios.
Como isto dói!”

Poetas,
fatal engano:
Se o que foi já não é,
temos ainda os mesmos braços
e a mesma fé.
À nossa volta há tanto para fazer,
tanto mundo a construir...
E vós, a ver!
Que triste Alcácer-Quibir!

Irmãos:
Parai um momento a cantar
quimeras, sonhos vãos,
e ide lançar,
pelas vossas próprias mãos,
um barco ao mar!


António Manuel Couto Viana
in “O Poeta pela mão: Primeiros versos”, 1999.

XIIIe Table Ronde

Mais uma vez me desloquei a França para o maior encontro identitário europeu, a Table Ronde, organizada pela associação Terre et Peuple, que se realizou pela décima terceira vez e juntou várias centenas de pessoas de diversos países. Este ano esteve presente um grupo de cinco portugueses e foi apresentada oficialmente a associação Terra e Povo, colocando assim o nosso país numa rede paneuropeia que cresce de dia para dia.

O tema deste ano foi "O Combate cultural, para fazer o quê?" e a primeira intervenção, não prevista, foi de Pierre Vial que falou da actual situação de crise económica e do fim do capitalismo. Alertando para as consequências que se avizinham citou Lenine: "o primeiro dever de um revolucionário é sobreviver." De seguida falou um membro da Terre et Peuple que representa um grupo de várias famílias que concretizou um "regresso à terra" e falou da sua experiência e de como ela alterou radicalmente a sua vida. Na zona das bancas era possível adquirir algumas das produções dessas quintas.


A sala de conferências

Continuou a sessão Kate Nauwelaers, do Atelier de l’Elfe, falando sobre a Arte e o artesanato populares, e a forma como estes fazem parte da luta pela nossa identidade. Depois foi a vez de Pierre Gillieth, que numa excelente intervenção sobre o cinema, enumerou vários filmes onde é possível encontrar uma mensagem na qual nos revemos, conseguindo a participação da audiência. Frisou a importância de se reconhecer o talento, mesmo quando apreciamos autores que não são dos nossos, pois uma postura fechada é a característica dos nossos inimigos, afirmando que "podemos ser tanto ecléticos como abertos sem esquecer e negar os nossos valores". Seguiu-se Morgane, que falou do papel da música no combate cultural identitário e da sua experiência pessoal. Depois de um breve intervalo, foi a vez de Katerine Mabire que falou sobre a literatura, especialmente na vasta e marcante obra de Jean Mabire. Em seguida, tempo para ouvir a fantástica e eloquente intervenção de Jeanne Desnoyers sobre um tema pouco abordado na nossa área, o teatro popular, a sua importância e a forma como evoluiu e tocou as populações em França. Depois, Jean-Claude Valla lembrou o poder da História e a forma como o trabalho dos historiadores e investigadores tem sido cada vez mais impedido em França, tanto por medidas legais, como por diversas pressões. Teve por fim a palavra Pierre Vial, que reiterou a importância do combate cultural, fazendo um ponto da situação actual e afirmando que é a nossa missão porque "a cultura é a expressão da alma de um povo".

A zona das bancas

Como sempre havia uma grande zona de bancas, onde era possível encontrar livros, revistas, música, artesanato, representações de associações e autores, e uma zona de refeições. Pela primeira vez, o material da Terra e Povo esteve disponível na banca partilhada com os nossos camaradas da Tierra y Pueblo.

A banca luso-espanhola

O convívio foi excelente com camaradas de vários países, em especial com os franceses e os espanhóis. Estes últimos contavam também com uma delegação de cinco pessoas e juntos visitámos o Palácio de Versailles no dia a seguir ao evento.

Delegações portuguesa e espanhola em frente ao Palácio de Versailles

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Éléments n.º 129

O último número da «Éléments» tem como tema central o Mediterrâneo, considerado “nossa mãe”, e oferece um dossier com uma entrevista com o professor de direito internacional Danilo Zolo, feita por Alain de Benoist, o relato de um ano no Mediterrâneo, “De Toledo a Cartago”, de Ange-Marie Guerrini, a entrevista com o professor de história comtemporânea Frédéric Musso, “O Mediterrâneo, fonte de toda a nostalgia”, e o artigo de Gabriel Matzneff “O Venus, regina Cnidi Paphique...”. Este tema e o editorial de Robert de Herte serão alvo de análise num post posterior.

Destaque ainda para a entrevista com Julien Hervier, tradutor e especialista em Ernst Jünger, o “reencontro” de André Coyné com Jorge Luis Borges, e os artigos sobre Kenneth White, pai da geopoética, de Fabrice Valclérieux, sobre o escritor Charles-Ferdinand Ramuz, de Eric Werner, e sobre a obra de René Girard, de Alain de Benoist, para além da rubricas habituais.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O reconhecimento do Kosovo (IV)

André Freire, num artigo da edição de hoje do jornal «Público» intitulado “A geopolítica das sociedades divididas”, considera que “o reconhecimento do Kosovo representa uma decisão à margem do direito internacional e de certos princípios fundamentais da ordem internacional (como a "integridade territorial dos países")”, acrescentando que “a sua defesa não pode servir para uns casos (como a Geórgia, a Bósnia, etc.) e ser ignorada noutros”. O politólogo alerta ainda para o facto de “esta decisão não trazer mais problemas aos Balcãs: a solução encontrada não é aceite para casos semelhantes que, por isso, se sentem desigualmente tratados. Exemplo: a República Sprska, esmagadoramente Sérvia, tem expressado o desejo de se separar da Bósnia”; lembrando que “há uma grande diferença entre o Kosovo e as outras entidades secessionistas: foi sempre uma região integrada na Sérvia”.

domingo, 12 de outubro de 2008

“Desenvolvidos”

O jornal «Público» noticiava ontem — dia em que se deu a trágica morte de Jörg Haider — que “metade dos jovens votou na extrema-direita na Áustria”, contributo importante para que o FPÖ e o BZÖ conseguissem atingir 28% dos votos nas últimas eleições legislativas, o primeiro acto eleitoral em que jovens de 16 anos puderam participar. Pouco antes, em Portugal, anunciava-se uma sondagem que dava aos comunistas e à extrema-esquerda, em conjunto, intenções de voto ligeiramente acima dos 20%. Analisando estes dados à luz do politicamente correcto, chega-se à conclusão que os “desenvolvidos” devemos ser nós...

Filmes de culto (XXVIII)

Master and Commander: The Far Side of the World, Peter Weir, 2003.

A difícil defesa da liberdade (II)

José Pacheco Pereira disponibilizou no seu blog, mais um texto publicado na última edição da revista «Sábado», desta vez sobre o “caso dos skinheads”. Esperando os habituais ataques dos suspeitos do costume, intitula a sua prosa “E já agora para fazer subir pelas paredes a mesma turba”. Mantendo o que já disse sobre o autor, reproduzo o início: Não posso deixar de considerar mais uma vez excessivo o modo como o nosso sistema judicial penaliza os crimes reais, hipotéticos ou mesmo de opinião, que em democracia não são crimes, da extrema-direita.(...)”; e o fim, “(...) em democracia as ideias e as opiniões é suposto serem livres, por péssimas que sejam, e o nosso desgosto com elas não devem servir de agravante penal, sob pena de politização da justiça”. Vale a pena ler.

Tierra y Pueblo n.º 18

O último número da revista da associação identitária Tierra y Pueblo tem como tema central a “Montanha como via de realização” e, como nos diz Enrique Ravello no editorial, “foi pensado para todos os que alguma vez tenham sentido a chamada da montanha como símbolo a compreender e realidade física a conquistar. E é dedicado aos que deixaram as suas vidas na escalada que leva ao Olimpo”. No dossier correspondente podemos ler uma homenagem a Julius Evola, de Nicola di Trento, um texto sobre o Gruppo Escursionistico Orientamenti, o relato da subida ao Elbrus, em 1984, por José Hernansaez, uma entrevista com Domenico Rudatis, entre outros.

Destaque ainda para os artigos “Sérvia, Albânia e a geopolítica da fronteira sudeste europeia”, de Robert Steuckers, “O Sangue ou a memória do eterno”, de Àlvar Riudellops e Andrés del Corral, e a análise política de E. Monsonís sobre “O difícil caminho até um partido identitário em Espanha”.

Nas recensões críticas, nota para a de Eduardo Núñez sobre o livro de Arturo Pérez-Reverte “Un Día de Cólera”, e a de Mirmidón sobre “Um Inimigo do Povo”, obra do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen.

sábado, 11 de outubro de 2008

Terra e Povo

O homem do futuro será o que tiver a mais longa memória.
Nietzsche


Disse que quando voltasse da Table Ronde, transmitiria uma novidade. Pois tenho desde já a honra de comunicar que foi oficialmente apresentada a Associação Terra e Povo, uma comunidade de combate cultural identitário em Portugal, inserida numa rede europeia de associações congéneres.

Fruto da vontade comum de vários interessados, a Associação Terra e Povo foi constituída este ano e desenvolvia já um trabalho preparatório de lançamento de vários dos seus projectos: publicações, conferências, acções de formação, entre outros. Uma associação que se quer activa no preenchimento de uma lacuna no combate cultural e metapolítico no nosso país, bem como no estreitamento de relações paneuropeias. Uma associação em defesa da nossa Terra e do nosso Povo.

Endereço electrónico: www.terraepovo.com
Correio electrónico: terraepovo@gmail.com

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Réfléchir & Agir n.º 30

O editorial desta «Réfléchir & Agir», sobre a “nova mutação do capitalismo”, reflecte sobre a “terceira mutação do capitalismo”, que considera “condenado ao crescimento” e que opera sob a capa do “desenvolvimento sustentável”. Contra esta nova farsa, lembra o que já foi escrito [no n.º 27]: “o crescimento é vital para o capitalismo, o decrescimento é-lhe mortal. É a única via económica revolucionária. Ela faz doravante parte integrante do nosso corpus doutrinal”.

Neste número desta revista obrigatória, cujo tema é “A nebulosa esquerdista”, podemos ler um óptimo dossier com artigos de Alfred Montrose, Jean-Michel Vernochet, Hervé Ryssen, Robert Rodesches, Eugène Krampon, Pierre Gillieth e Stéphane Hintereck. Referência também para a entrevista com Patrick Gofman, um “esquerdista arrependido”, hoje jornalista e escritor identitário.

Destaque ainda para os artigos sobre o neo-paganismo na Rússia, por Christian Bouchet, “O mito espartano”, de Edouard Rix, “Baudelaire e o pensamento”, de Claude Bourrinet, e “Sandro Botticeli, simplesmente a beleza”, de Pierre Gillieth.

Nas muitas notas de leitura, é de assinalar a que se refere ao livro “Je ne suis personne”, de Christian Bourgois, sobre o nosso Fernando Pessoa, sem esquecer as habituais críticas a livros, música e cinema.

A difícil defesa da liberdade

Ainda no que respeita ao caso escandaloso da censura ilegítima e ilegal ao cartaz do PNR exercida pelo vereador Sá Fernandes — no qual, volto a dizê-lo, o que mais me choca é a apatia generalizada perante tal abuso — é com felicidade que leio a opinião de José Pacheco Pereira publicada na revista «Sábado» e também disponível no seu blog. Pacheco Pereira é um dos raros casos em Portugal de um opinion maker que lê, se preocupa em saber e, apesar de filiação partidária, não adopta um discurso de pronto-a-pensar. Nem sempre estou de acordo com ele, obviamente, mas é claro que gosto bastante quando o vejo tomar posições que outros não tomam por ignorância ou por receio politicamente correcto. Neste caso flagrante, posições como a dele deviam ser a regra, nunca a excepção. Não sendo infelizmente assim, aqui fica:

NÃO SABIA QUE ERA PROIBIDO EM DEMOCRACIA SER CONTRA A IMIGRAÇÃO
O vereador Sá Fernandes à revelia das leis e da liberdade, mandou arrancar um cartaz do PNR contra a imigração. Nada tenho com as ideias e as práticas do PNR, nem precisava de o dizer a não ser porque este mundo está tão envenenado que tem que se estar sempre a repetir o óbvio, mas desconhecia que era proibido em democracia pronunciar-se contra a imigração. O problema é nós nos esquecemos que a liberdade dos outros é também para dizer aquilo que nós detestamos e não concordamos. A liberdade é assim, não é apenas aquilo que o vereador Sá Fernandes entende ser politicamente correcto dizer ou aquilo que ele quer censurar. Felizmente.
JPP

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Proibir ideias?

Uns dias fora do país e em vésperas de regressar sei de uma notícia simplesmente inacreditável, que demonstra bem o estado a que chegámos nesta república das bananas, ou dos bananas, a avaliar pela apatia generalizada.


O vereador da Câmara Municipal de Lisboa José Sá Fernandes — autoproclamado juiz do pensamento — decidiu mandar retirar o cartaz do PNR, colocado na rotunda de Entrecampos. Respeito pela liberdade de expressão? Legitimidade para o fazer? Nada disso interessa, porque se trata de um partido da “famigerada extrema-direita” a quem não se aplicam as mesmas regras. Como muito bem lembrou ontem a Sá Fernandes, em editorial, o insuspeito director do «Meia Hora»: “A liberdade de expressão, por exemplo, é para todos, saiba o Senhor.

Perante as intenções persecutórias o PNR reagiu em comunicado, perante a sua concretização, avançou com uma queixa-crime contra o vereador. Se dúvidas houvesse, agora se confirma que o Zé que realmente “fazia falta” era o Pinto-Coelho.

Danos colaterais (II)

Na sequência do post anterior, volto a lembrar que devido a este caso várias pessoas viram os seus lares revistados e pertences seus apreendidos, foram constituídas arguidas e submetidas a termo de identidade e residência, não tendo até agora qualquer acusação formada, ou qualquer justificação para esta devassa da sua vida privada. Agora, com a agravante de ter passado cerca de um ano e meio e já terem sido julgados os acusados!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Justiça?

Nihil honestum esse potest, quod iustitia vacat
Marcus Tullius Cicero

Um breve comentário ao chamado julgamento da “extrema-direita” (como se uma tendência política fosse crime...), que resultou na condenação de várias pessoas, algumas por escritos na internet! Leva-nos a pensar em que país vivemos...

A leitura do blog Prisões de Abril é esclarecedora, ao dar informações fidedignas sobre este processo e ao compará-lo com a forma como são tratados casos actuais de criminalidade violenta no nosso país.

Desde o empolamento deste caso no início, com exageros inacreditáveis, às totalmente injustificadas medidas de coacção, até à impunidade dos carrascos de antecipação, este foi mais um caso que manchou a (in)justiça portuguesa. Ainda querem que os cidadãos confiem nela...

Como alguns (poucos) tiveram coragem de afirmar, este processo teve, desde o início, contornos de perseguição política. Perseguição, aliás, impensável num dito estado de direito democrático.

Mas quem se importa? Para estes não há Amnistia Internacional, nem grupos de solidariedade. Apesar de o facto de ao se fechar os olhos a atropelos destes se estar a abrir as portas a todo e qualquer tipo de abuso no futuro, como já tive oportunidade de alertar aqui, numa versão livre do poema de Martin Niemöller.

O reconhecimento do Kosovo (III)

O PNR condenou ontem, em comunicado, o reconhecimento da “independência” do Kosovo, lembrando que “foi o único partido político português que se solidarizou com a Sérvia, demonstrando-o em audiência solicitada ao Embaixador Sérvio em Portugal e também através de um acto público de rua que teve lugar em frente à Assembleia da República, acções estas que se consumaram poucos dias após a proclamação de “independência” unilateral por parte do Kosovo.

O reconhecimento do Kosovo (II)

O reconhecimento da autoproclamada “independência” do Kosovo pelas autoridades portuguesas foi imediatamente lamentado pela Associação Portugal-Sérvia, em comunicado, afirmando “que envergonha o país e os portugueses, desrespeitador do direito a que os Estados se devem subordinar, abre a porta a todo o tipo de graves situações análogas no futuro e trai a confiança que em nós depositava um Estado europeu com o qual vimos mantendo as melhores e mais frutuosas relações.

Apesar desta atitude de subserviência cega por parte do governo português, os sérvios ainda têm quem os apoie em Portugal e em muitos outros países. O trabalho continua para todos os que consideram ilegal, irresponsável e perigoso o reconhecimento de um estado criminoso, e que recusam uma diabolização do povo sérvio.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O reconhecimento do Kosovo (I)

A caminho de Paris, foi com muito agrado que li as lúcidas linhas de Pacheco Pereira, no «Público», sobre o reconhecimento do Kosovo, que o autor considera “uma política errada e perigosa”. Num artigo com o qual estou inteiramente de acordo, conclui, sem papas na língua, que “a decisão do reconhecimento unilateral do Kosovo é também má para os conflitos internos, porque nos Balcãs estas feridas podem conhecer momentos de aparente cicatrização, mas têm uma longa história de abrir de novo. Por muito que isto possa chocar, se se quer mexer nas fronteiras da ex-Jugoslávia, então faça-se "limpeza étnica" a sério, deixando os novos países com um grau de homogeneidade étnica e religiosa bastante para a questão para eles passar a ser de política externa e não interna. Não se choquem muito com esta sugestão, porque foi o que a Sociedade das Nações fez com as populações gregas na Anatólia e turcas na Trácia, nos anos vinte e, já que se está numa de "engenharia nacional", mais valia redesenhar tudo, com muito dinheiro e muita negociação, em vez de reconhecer países na base das fronteiras administrativas da antiga Jugoslávia, mantendo todos os problemas por resolver e acicatando os ódios.
Só é pena que o seu partido não lhe tenha dado ouvidos...

sábado, 4 de outubro de 2008

XIIIe Table Ronde


Tenho novamente a honra de me deslocar a França, para representar o nosso país no maior encontro identitário europeu, a Table Ronde, que este ano se realiza pela décima terceira vez, organizado pela associação Terre et Peuple. Encabeçando uma comitiva de cinco portugueses, adianto que será apresentada uma novidade, que anunciarei quando regressar.

O tema deste ano é “O Combate cultural, para fazer o quê?” e o programa é o seguinte:

Morgane: A música, uma voz e uma via.
Jeanne Desnoyers: O teatro popular
Pierre Gillieth: O cinema e o nosso imaginário.
Katerine Mabire: A literatura, uma escola de vida
Kate Nauwelaers (Atelier de l’Elfe): Arte e artesanato populares, uma ética e uma estética
Jean-Claude Valla: A História, um desafio e lições.
Pierre Vial: O combate cultural, a nossa vocação e a nossa missão.

Para além da conferência haverá, como é hábito, numerosas bancas com livros, revistas, discos, artesanato, zona de comidas e área de convívio.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Tristes notícias

São as que nos dão conta de que o (des)governo português prepara para breve o reconhecimento da autoproclamada “independência” do Kosovo. A situação não se alterou, o acto continua a ser uma violação do Direito Internacional, o número de países que reconheceram continua a ser menor do que o dos que não o fizeram, entre os quais vários países europeus, como a vizinha Espanha. Mesmo o novo governo sérvio é considerado como “pró-ocidental”. Tudo isto devia fortalecer a manutenção da posição portuguesa. Mas não... É assim fácil de perceber que se trata de um acto de mera obediência cega a Bruxelas e a Washington.

O mau jornalismo habitual (VII)

O recém-colocado cartaz do PNR na rotunda de Entrecampos, em Lisboa, foi noticiado em vários meios de comunicação. Alguns tentaram denegri-lo, dizendo que foi “copiado dos nacionalistas suíços” (porque não inspirado?), ou usando críticas de entrevistados. Mas houve um caso que me pareceu o mais deplorável. O diário «Público» de ontem, debaixo da fotografia do outdoor, oferece uma pequena sequência baseada nas reacções de dez transeuntes. há uns pormenores que merecem referência. Um cabo-verdiano considera “isto é racista” (palavra obrigatória nestas construções), mas curiosamente é o mesmo que “nem acha que se deva proibir”. Nos dez inquiridos encontrou-se apenas uma excepção. Como 10% até pode ser visto como uma boa base de apoio, é-nos “explicado” que se trata de uma mulher que “não perdoa ao preto que na véspera esfaquera o filho que até era amigo dos preto”. Ficamos também a saber que a agressão aconteceu dentro de uma sala de aulas, mas rapidamente esta auxiliar de enfermagem é confrontada com a questão de “também os brancos darem facadas” e explica: “Eu sinto-me revoltada, e até nem era contra pretos, nem era revolucionária.

É claro que já havia sido utilizada a expressão “papão da imigração” e dito que a esta senhora “concordou com a ideias de que os imigrantes são criminosos e roubam empregos e, por isso devem deixar Portugal”. Nem adianta repetir as posições oficiais do PNR, nem as declarações do seu presidente, porque isso devia ser conhecido pelo jornalista que fez este trabalho. O PNR critica a imigração enquanto fenómeno negativo que é e alerta para as suas consequências nefastas, salvaguardando sempre que não é, obviamente, contra as pessoas em concreto, pelo contrário. Este tipo de generalizações infundadas é normalmente utilizado contra os nacionalistas ou o “papão da extrema-direita”, para utilizar a terminologia dos contos infantis tão cara aos detractores profissionais de apenas uma tendência política.

Há ainda um comentário referido, “é a merda do PNR”, que demonstra bem o nível a que se chega no campo do jornalismo depreciativo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Revistas italianas


Durante o encontro-debate "Roma e Acção Metapolítica", que trouxe Gianluca Iannone ao nosso país, consegui comprar algumas revistas italianas, que só conhecia através da internet, a do Blocco Studentesco e a Occidentale, um título nascido há 34 anos e recuperado agora. Devo dizer que se venderam todas e que apenas consegui três. Num formato pequeno, ambas têm uma paginação arrojada e apelativa, bem como artigos interessantes, mas não muito extensos. Bons exemplos para chegar até um público mais jovem e não conformista.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A propósito de um cartaz...


O PNR colocou mais um cartaz numa zona central Lisboa, graças ao esforço dos seus militantes, que foi prontamente alvo da intolerância dos "campeões da liberdade e da democracia". Basta estar minimamente atento à situação do país para perceber por que esta mensagem é incómoda para os técnicos da utopia. É totalmente inegável a irresponsabilidade nacional que é ter uma política de imigração sem controlo, ou que esse fenómeno traz, entre outras coisas, novas formas de criminalidade violenta e de precaridade laboral, nomeadamente na exploração dos próprios imigrantes.

Mas estas questões levam-me à necessidade da construção de uma alternativa política séria e credível fundamentada na defesa de Portugal e dos portugueses. E essa construção passa, necessariamente, pelo PNR. Mais uma vez faço soar um toque a reunir a todos os que, desiludidos com o actual estado do país, acomodados aos eternos partidos do sistema ou entretidos em tentativas efémeras de projectos concorrentes sem expressão, acreditem que é possível marcar a diferença. Façamos uma frente e trabalhemos em conjunto em prol do nosso futuro e dos nossos filhos. Pensemos em primeiro lugar no que nos une.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O busto de César

Em Maio deste ano, o Ministério da Cultura e da Comunicação francês anunciou uma excepcional descoberta arqueológica subaquática, em Arles, de um busto de Júlio César em mármore. No último número de «La Nouvelle Revue d'Histoire», Dominique Venner acompanhou esta notícia com as reflexões que a mesma lhe inspirou. Afirmando, em primeiro lugar, a sua desconfiança do culto dos grandes homens, diz-nos: “Este rosto podia ser de hoje em dia, mas podia também ser mais antigo. O que é espantoso é até que ponto este rosto viril, esculpido pela vida, é o de um Europeu (Bóreo), um tipo humano particular que atravessou os tempos. Não é um Japonês, nem um Chinês (Han), nem um Africano desta ou daquela origem, e também não é um Semita como vemos sob o arco de Tito. E acrescento que a minha benevolência é devida a todos os representantes da diversidade humana desde que eles respeitem a minha. Mas acontece que o rosto de um Europeu, tão antigo e célebre como o de César, desperta em mim uma emoção particular, como a de Ulisses após a reconquista de Ítaca. Tal lembra-me que nós não nascemos ontem e que andamos nos passos dos nossos antepassados, conhecidos ou desconhecidos, que nos fizeram aquilo que somos sem parecenças com outros. Eu existo por aquilo que me distingue, pelo que me identifica àqueles que me são próximos pelas origens, partilham um mesmo passado, um mesmo destino, os mesmos valores constituintes, energia intrépida, vontade de excelência pessoal, culto da Pátria, espírito trágico. (...) César é um Europeu superior em quem nos podemos reconhecer.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Gianluca Iannone em Lisboa

Há uma semana o Gianluca Iannone brindou o nosso país com uma breve visita. Esteve em Lisboa, onde pode conhecer vários camaradas portugueses e no sábado protagonizou o encontro-debate "Roma e Acção Metapolítica", no Montijo, organizado pelo incansável João Roma (um forte abraço!), que está de parabéns. Uma excelente iniciativa que permitiu conhecer, em discurso directo, o óptimo trabalho desenvolvido a vários níveis em Itália.

O Gianluca gostou imenso da capital portuguesa. Após uma curta volta turística, considerou-a molto bella e apreciou os diferentes bairros da cidade de diferentes épocas, ficando por outro lado muito impressionado com a quantidade de prédios devolutos que viu. Não ficou também indiferente à comida — como não podia deixar de ser —, desde o imprescindível pastel de Belém, à tarde, ao jantar com vários portugueses, que permitiu estreitar ligações num agradável convívio.

Grazie Gianluca! Ci vediamo a Roma.

sábado, 27 de setembro de 2008

Regresso a Tintin


1947 — 1966

Perante a actual crise económico-financeira internacional, o Mário Martins mostra-nos a actualidade de Tintin na sua sempre perspicaz Crónica de Nenhures, à qual se segue um oportuno exercício comparativo entre o original de A Estrela Misteriosa, de 1947, e a versão alterada, de 1966. Aos inventores de um Hergé politicamente correcto, o Mário contrapõe que o autor queria, na personagem de Tintin, simbolizar a luta entre o Bem e o Mal, mostrando a rivalidade pelo progresso entre a Europa de Tintin e os Estados Unidos da América de Blumenstein.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A China como modelo?

Tenho a honra de publicar mais um artigo do Filipe Martins, a quem agradeço. É formado em Estudos Europeus e foi bolseiro da Federação Russa no Instituto Estatal de Língua Russa A. S. Pushkin; neste momento gosto de pensar que é um colaborador especializado desta casa.


Já vi escrito por mais que uma vez que a Rússia deveria deixar de competir militarmente com o Ocidente e investir em outras formas de aumentar o seu poderio, nomeadamente copiando a China. Ora, o paralelismo entre a Rússia e a China é falacioso, por vários motivos.

Logo para começar, porque a China nunca foi uma superpotência, não tem esse historial e não nutre sentimentos de perda de poder e território, ao contrário da Rússia.

Por outro lado, o potencial militar chinês ainda é bem mais fraco que o russo. O melhor que os chineses têm é material, precisamente, comprado a Moscovo, como os Su-30 MKK, os destroyers da classe Sovremeny ou os submarinos da classe Kilo, ou material com forte influência russa como os caças JF-17 ou os tanques Type 98 e 99.

A China, no entanto, está a ser vista pelos seus vizinhos como uma ameaça, não só devido aos números mas também devido ao seu forte investimento militar, mormente no sector aeronaval e de projecção de forças. As pretensões chinesas nas Spratley e nas Paracel, para além de Taiwan, são vistas com bastante apreensão por todos os países da zona. A alteração que se verificou no Japão quanto ao emprego de forças militares, e o rearmamento da JDF, deriva das atitudes belicistas da China.

Portanto, sob o ponto de vista militar, a China é de facto uma ameaça dentro da sua zona. À medida que for crescento sê-lo-á a uma escala mais vasta. E quando isso acontencer, nessa altura falaremos.

Sob o ponto de vista internacional, o poderio económico da China baseia-se na completa falta de direitos dos trabalhadores e na produção a baixo preço (e baixa qualidade), no comércio baseado nas redes familiares (sobretudo no SE Asiático) e nos apoios estatais ao comércio e investimento, nomeadamente nos grandes projectos de obras públicas (como em África). É fácil dizer que a Rússia deveria seguir o caminho da China, mas porque não o seguem também os países do Ocidente? Todos, neste momento, estão a perder concorrência face à China, que é quem mais investe em África (ao contrário do Ocidente, a China não faz caridade e está-se nas tintas para critérios de democracia e boa governação, pois só interessam o dinheiro e os recursos naturais).
Deveria a Rússia (e o Ocidente) seguir este exemplo?

A China sofre gravíssimos problemas ambientais ("China Says More Milk Products Show Signs of Being Tainted", noticiava há dias o NY Times) e sociais, com a incapacidade do país em alimentar 20% da população mundial com apenas 8% dos solos aráveis, ou com a incapacidade em crescer a ponto de elevar mais do que 300 mil de habitantes a um nível de classe média. As assimetrias sociais crescem a um ritmo alucinante, e há revoltas constantes de camponeses as quais raramente são noticiadas (as autoridades chinesas exercem um verdadeiro controlo sobre a internet, ao contrário das russas).

Em suma, não só devido às suas características específicas como devido aos graves problemas internos, o que a poderá levar a seguir uma atitude bem mais belicista, a China não é um bom exemplo a seguir.

Filipe Martins

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Entrevista com Pierre Krebs

A não perder no inconformista a tradução da entrevista com Pierre Krebs feita por Luis Anza para o n.º 1 do jornal espanhol «Identidad», publicado em Outubro de 2007, após o lançamento do livro La Lucha por lo Esencial. Pierre Krebs é licenciado em Direito, Jornalismo e Ciência Política, doutorou-se em Filosofia, com a tese “Paul Valéry face a Wagner: medida de proximidade”, e é professor de História e Política. Dirige a associação Thule-Seminar, é conferencista e colaborador de vários meios de comunicação franceses e alemães, director da revista Elemente der Metapolitik e escreveu vários ensaios sobre política e sociologia, entre os quais Im Kampf um das Wesen, já publicado em francês e agora em espanhol.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A guerra de Colónia


Tudo sobre os incidentes em Colónia, após a convocação pela associação Pro-Köln do protesto internacional contra a construção no coração daquela cidade alemã de uma enorme mesquita, pela pena de Robert Spieler, que lembra as palavras, a reter, de Markus Beisicht: «Nós somos ameaçados por todo o lado pelo politicamente correcto e é indispensável reunirmo-nos para defender a nossa identidade europeia. Os problemas já não podem ser resolvidos a nível nacional.»

sábado, 20 de setembro de 2008

Comunicado: Expulsão de Touzé da NDP

A Direcção Nacional da Nouvelle Droite Populaire constata as divergências ideológicas fundamentais que a opõem ao seu secretário-geral, Jean-François Touzé, em particular no que respeita às suas tomadas de posição liberais e atlantistas contrárias às convicções da larga maioria dos aderentes e dos responsáveis do movimento.

Mais ainda, lamenta o comportamento deste depois de ter ficado em minoria na reunião da Direcção Nacional no dia 13 de Setembro. O Gabinete estatutário da NDP decidiu, assim, em virtude do artigo 8.º dos estatutos, proceder à expulsão de Jean-François Touzé do movimento por falta grave. Consequentemente, Jean-François Touzé não está mais habilitado a exprimir-se ou a agir em nome da Nouvelle Droite Populaire. Esta medida tem efeito a partir do dia 17 de Setembro de 2008 às 14 horas. Robert Spieler, antigo deputado e delegado nacional da NDP, será doravante o porta-voz da Nouvelle Droite Populaire.

Comunicado da Direcção Nacional
da Nouvelle Droite Populaire

terça-feira, 16 de setembro de 2008

La Nouvelle Revue d’Histoire n.º 38

Mesmo a propósito, o tema central do último número de «La Nouvelle Revue d’Histoire» é “O despertar da Rússia”, em cujo editorial o director nos diz: “Para Vladimir Putin ninguém está habilitado a impor o seu direito a outrem. Esperemos que ele se lembre disso nas suas relações com os estados bálticos. Destes princípios advém também a noção de "democracia soberana". Soberania e democracia estão ligadas. Uma não se pode conceber sem a outra. O que deveria significar logicamente uma democracia fundada não sobre os direitos do homem abstracto e sem raízes, mas sobre os direitos dos nacionais de nações concretas”. Num óptimo dossier, traz-nos os artigos “Memória russa e memória europeia” e “Para saudar Soljenitsyne”, de Dominique Venner, “Nas origens da história russa”, de Jean-Pierre Arrignon, “Os alemães na terra dos czares”, de François-Georges Dreyfus, “O regresso dos Romanov”, por Jean des Cars, e “Volkoff, o mais russo dos escritores franceses”, e ainda a cronologia “Do comunismo à nova Rússia. 1917-2008”, feita por Charles Vaugeois e as entrevistas com o economista Jacques Sapir, feita por Michel Rival, sobre “O despertar da Rússia”, e com Aymeric Chauprade, sobre “A geopolítica da Rússia”, feita por Virginie Tanlay.

Destaque ainda para a entrevista com Jean-Marie Constant sob o tema “Uma outra história de França”, o artigo sobre “A epopeia da Nova França”, de Philippe Conrad e o retato de Jacques Bergier, por Jean Bourdier, bem como para as secções habituais.

Como sempre, uma leitura obrigatória a não perder.

A (re)ver


Sobre o “despertar” da Rússia, aconselho aqui a (re)ver o grand débat, dedicado ao tema «Vladimir Poutine, nouveau tsar ?». Um programa do canal francês Histoire, muito bem conduzido pelo jornalista Vincent Hervouët, com os comentários de Eric Zemmour, do Figaro Magazine, e a presença dos convidados George Nivat, Marc Ferro, Jean-François Colosimo e Jean-Michel Carré.

Touzé tira a máscara

Acabo de saber, lendo o «Rivarol» (n.º 2871, de 12 de Setembro 2008), que Jean-François Touzé ataca violentamente, no que diz respeito ao caso Geórgia, aqueles que exprimem um "anti-americanismo primário, secundário, e visceral" pelo facto de verem com simpatia a Rússia afirmar sem complexos o seu direito a ser potência. Usando fórmulas (como "A Rússia neo-kgbista") que exalam propaganda americana da mais clássica, quer dizer, mais débil.

Assim, em função desta linha de partilha determinante que opõe, em todo o lado, adversários e partidários do imperialismo americano, Touzé alinha no campo dos últimos. Está no seu direito. Mas teria sido mais honesto anunciá-lo aquando da criação da Nouvelle Droite Populaire, que em princípio reagruparia pessoas com as mesmas convicções. Tal evitaria que eu tivesse perdido o meu tempo a participar – por uma preocupação de "ecumenismo nacional" – nas mesmas tribunas que o Sr. Touzé. Para evitar que outros sejam enganados com a mercadoria, difundirei o mais possível os testemunhos de carinho que o Sr. Touzé manifesta em favor do eixo Washington-Tel-Aviv. É sempre melhor sabermos com quem lidamos.

Pierre Vial
Presidente da Terre et Peuple
13/9/2008

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A Rússia, o Cáucaso e as “virtudes” da Democracia

O Filipe Martins, um dos amigos com quem fui ao debate “Geórgia, Rússia: conflito regional, jogos globais”, honrou-me com a permissão da publicação nesta casa de um artigo seu sobre as lições da “recente guerra caucasiana”, escrito a 13 de Agosto deste ano. Salvaguardada a referência temporal, devo ainda dizer que o Filipe é formado em Estudos Europeus e foi bolseiro da Federação Russa no Instituto Estatal de Língua Russa A. S. Pushkin. O meu agradecimento ao autor por este privilégio para os meus leitores.

A mais recente guerra caucasiana veio ensinar-nos umas quantas lições sobre as coisas da política e sobre os preconceitos que temos sobre a realidade.

Comecemos pelas lições mais óbvias, as da "grande política", ("policy", em inglês, em oposição a "politics", que lhe são menores), e das consequências geopolíticas desta guerra.

Não há dúvidas de que esta guerra foi iniciada quando as forças georgianas, obedecendo a uma estratégia há muito delineada, pretenderam reafirmar a soberania de Tbilissi sobre um região separatista pró-russa. Não se sabe bem o que passou pela cabeça do presidente georgiano quando mandou avançar as tropas, mas podemos presumir que ele se sentiu apoiado pelos EUA e esperava a rápida conclusão das operações militares. Mas se assim foi, ele cometeu um erro estratégico crasso, diria mesmo infantil. Poderemos nós aprender com os seus erros? Certamente que sim. Estudemos então a lição.

A primeira lição que tiramos desta guerra é que os EUA sobrecarregados com duas guerras simultâneas e sem vitória à vista, com as suas finanças, Forças Armadas e, sobretudo, a população norte americanas sob um enorme stress, não manifestaram capacidade para se aventurarem militarmente no Cáucaso. As dificuldades acima expostas eram evidentes, o apoio militar norte-americano à Geórgia era improvável, e Saakashvili deveria ter percebido isso. Mas não foi o que aconteceu. E o culminar desta sua aventura belicista foi, não só a destruição das suas forças armadas e a perda inútil de vidas, mas também a humilhação desnecessária do seu aliado transatlântico, o qual se mostrou impotente para apoiar o "farol da democracia" que é a Geórgia. A guerra por procuração é sempre preferível à guerra directa, mas tal guerra, nestas circunstâncias, revelou-se um logro.

A segunda lição desta guerra é que a destruição do Direito Internacional e da soberania territorial dos Estados, efectuada pelos EUA/NATO aquando da crise jugoslava, se voltou agora contra os seus autores através do sacrifício de um dos seus aliados. Saakashvili não soube ler as mudanças na política internacional, com as implicações que se conhece. Analisados os factos à luz da realidade no terreno, a intervenção armada georgiana na Ossétia tem menos legitimidade que a intervenção sérvia no Kosovo em 1999. Com efeito, se a Sérvia estava na plena posse deste território e actuou para debelar uma revolta armada (apoiada internacionalmente) dentro das suas fronteiras, a Geórgia, detendo soberania nominal, de jure, sobre a Ossétia do Sul, não a exercia de facto. E ainda que sob o ponto de vista do Direito Internacional a Ossétia seja parte integrante do Estado georgiano, o modo de actuar do exército deste país retirou-lhe qualquer legitimidade.

A terceira lição é geopolítica. Saakashvili, jurista de profissão, não domina aquela ciência, pois se entendesse de geopolítica saberia que a Rússia nunca poderia abandonar a Ossétia ou a Abkházia. Se as tropas russas não interviessem no conflito, em breve as duas províncias separatistas seriam engolidas por Tbilissi. Mas mais ainda. Ao perder essas duas regiões, seria a credibilidade da Rússia, enquanto potência, que estaria em causa. Não sendo capaz de apoiar a Ossétia, como poderia Moscovo inspirar confiança à Arménia, cercada por inimigos? Como poderia Moscovo mandar a mensagem ao Azerbeijão, que se está a rearmar perigosamente, para não ter tentações belicistas sobre o Alto Karabakh? A perda da Ossétia ditaria, para a Rússia, a perda de todo o Caúcaso. E recordo aqui a entrevista que fiz ao teórico Aleksandr Dugin, na qual ele disse que, geopoliticamente falando, se a Ásia Central é um objectivo "potencial", de futuro, o Cáucaso é um objectivo "actual", e é imperativo que Moscovo o controle. A direcção moscovita tem essa ideia bem presente e não vacilou na hora de tomar uma atitude. Só o presidente da Geórgia é não o percebeu, e o seu povo pagou bem caro pelo erro.

A quarta lição é de que a Rússia, aparentemente, está de volta, e tem um enorme desejo de se vingar de 20 anos de humilhações. Desde a queda da URSS que os EUA, sucessivamente, têm procurado cercar a Rússia de Estados que lhe são hostis. A Parceria para a Paz, a GUUAM e o alargamento da NATO, efectivamente, deixou a Rússia quase cercada, e é assim que ela se vê. A reacção era inevitável, e só foi preciso um pretexto para Moscovo mostrar aos seus vizinhos, e sobretudo à sua Némesis, os EUA, que a Rússia havia recuperado parte do seu poder, que era uma potência a ter em conta e que quer, e pode, mandar no seu quintal.

Para já, e mesmo tendo em atenção que agora começaram as guerras dos corredores, menos sangrentas, é certo, mas mais decisivas, os resultados deste conflito são altamente favoráveis à Rússia. A separação, de facto, da Ossétia do sul e da Abkházia provavelmente conduzirão estes territórios a um estatuto semelhante aquele que viveu o Kosovo nestes últimos anos, com um resultado final certamente idêntico. Nada justificaria o contrário.

A quinta lição desta guerra é que os média prosseguem objectivos políticos os quais, nesta crise, se mostraram evidentes. Os média russos, sob um regime aparentemente pouco democrático, mostraram o conflito sob a perspectiva moscovita, tal como seria de esperar. Contudo, a maior parte dos média ocidentais, longe de mostrarem isenção, cobriram a guerra sobretudo sob a perspectiva georgiana, e poucos foram aqueles que se deslocaram à Ossétia do Sul ou à Abkházia para ver "o outro lado" do conflito. Nada que nos seja estranho, contudo, pois basta recordar a cobertura das guerras na Jugoslávia para encontrarmos um padrão. O New York Times, do qual sou leitor assíduo, apresentou o conflito quase exclusivamente a partir de Tbilissi. O mesmo se passou com a BBC. Honrosa excepção foi a RTP a qual, através do seu enviado Evgueni Moravich esteve também do lado russo, mostrando uma imparcialidade digna de nota.

Através de uma cobertura parcial, a guerra, que começou com uma agressão georgiana, rapidamente passou a ser apresentada como uma agressão russa. Mostraram-se os bombardeamentos a Gori mas não os bombardeamentos a Tskhinvali; mostraram-se os feridos e mortos georgianos mas não os ossetas. E em tudo os média acompanharam os políticos ocidentais, que apresentaram a ofensiva russa como uma agressão, esquecendo-se da punição às mãos da NATO, bem mais violenta e destrutiva, que tinha recaído sobre a Sérvia uns anos antes por causa do Kosovo.

Por fim, a maior lição que podemos tirar desta guerra é que a democracia e os governantes democraticamente eleitos não são, necessariamente, sinónimos de paz.

O presidente georgiano, não há dúvida, é um campeão da democracia, dos direitos humanos e do mercado livre, os três grandes paradigmas da actualidade pós-moderna. E não há dúvida de que foi eleito democraticamente pela maioria da população. Pouco importa de onde lhe tenham vindo os apoios ou que o seu programa eleitoral fosse nacionalista. O que importa é que a sua eleição foi um triunfo da democracia, e assim ele se apresenta (e é apresentado) à opinião pública interna e internacional. Mas nem mesmo a enorme campanha mediática pró-georgiana que teve lugar nestes últimos dias pode camuflar o facto de terem sido as forças armadas georgianas a invadirem um território o qual, de facto, escapava ao seu controlo, e de terem espalhado a destruição. Foi uma manobra ofensiva, foi uma guerra, e a ordem partiu de um presidente "democraticamente eleito". Desenganem-se portanto aqueles que associam a Democracia a uma qualquer kantiana "Paz Perpétua": a Democracia tem virtudes assim como tem defeitos, e é tão belicosa quanto os outros sistemas de governo. A prova está aí para quem a quiser ver.

Filipe Martins

13/08/2008

domingo, 14 de setembro de 2008

Guerra mediática

A minha única intervenção no debate “Geórgia, Rússia: conflito regional, jogos globais” foi dirigida ao jornalista Carlos Santos Pereira, dizendo que nesse próprio dia me lembrara de uma passagem do seu livro “Da Jugoslávia à Jugoslávia — Os Balcãs e a Nova Ordem Europeia”, quando lia um artigo da revista «Marianne»; comentário que se seguiu à discussão da importância da guerra mediática neste conflito.

No prefácio do seu excelente livro, escreve o jornalista português: “Gorazde, Abril de 1994. No próprio dia em que os F-16 da NATO assinaram os primeiros fogos reais da história da atlântica agremiação, duas cadeias televisivas de vocação planetária — a CNN e a Sky News — ofereceram-nos imagens impressionantes da destruição deixada pela ofensiva sérvia em Gorazde e dos cadáveres que juncavam o solo da cidade. Pois bem, as imagens tinham sido capturadas em aldeias vizinhas, e perto de um ano antes, durante os violentos confrontos então registados na área. E os cadáveres mostrados tinham sido filmados mais de oito dias antes em Trnovo, a alguns quilómetros mais a oeste, a caminho de Sarajevo, e tinham resultado, não de qualquer assalto a Gorazde, mas de um confronto entre forças sérvias e um comando muçulmano que tentara penetrar as linhas do "inimigo".”

O artigo da «Marianne», sobre o ataque da Geórgia à Ossétia do Sul, revelava que a CNN, ao noticiar a destruição de Gori pelo russos, mostrou imagens da capital osseta, Tshkinvali, destruída pelos georgianos.

Voltando a socorrer-me do mesmo livro de Santos Pereira, estamos perante “uma ilustração exemplar daquilo que o general Pierre M. Gallois chamou as "oficinas de selecção de imagens" ou mesmo de "fabrico de falsas imagens , acomodando a realidade à vontade dos que financiam a sua realização".

sábado, 13 de setembro de 2008

Debater com nível e qualidade

A preciosa informação do Manuel Azinhal levou-me, com dois amigos, ao excelente debate “Geórgia, Rússia: conflito regional, jogos globais”, promovido pelo «Le Monde Diplomatique», no Instituto Franco-Português. Não só pela qualidade dos oradores, os jornalistas Carlos Santos Pereira e Pedro Caldeira Rodrigues, mas pelo nível de conhecimentos da assistência muito participativa, esta foi uma óptima oportunidade para debater um tema “quente” da actualidade internacional.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Nota sobre O Senhor dos Anéis

Acrescentei recentemente a trilogia cinematográfica The Lord of the Rings aos meus filmes de culto, mas devo esclarecer que não foi mais um filme...

Conheci J.R.R. Tolkien, através de O Senhor dos Anéis, por indicação de um amigo e colega do 1.º ano de Latim, isto no 10.º ano de escolaridade. Foi uma experiência maravilhosa entrar na Terra Média e conhecer todo um passado mitológico da Europa. Senti-me afortunado por viver toda aquela aventura e fazer parte de um mundo que começávamos a considerar nosso. É uma sorte ler Tolkien na adolescência, nessa idade das paixões, das descobertas, do tempo interminável... Lembro-me como, com esse amigo, estudávamos os apêndices genealógicos, cronológicos e históricos, bem como os sobre os calendários, as línguas e as raças da Terra Média. Aquele mundo existia em nós; existira, sem dúvida, num tempo perdido, próprio.

A forma como esta obra me havia tocado, criou a certeza da impossibilidade de uma transposição cinematográfica. Reforçada quando vi, tardiamente, a versão animada de Ralph Bakshi, datada de 1978.

Tudo isto explica porque, tantos anos depois, não fui ver The Fellowship of the Ring ao cinema, apenas os seguintes. Isto perante o espanto e a incompreensão dos meus amigos, conhecedores da minha admiração pela obra do escritor inglês. Temia, claro está, pelo seu abastardamento, bastante provável neste mundo do “politicamente correcto”. Mas a minha renitência e desconfiança dissipou-se graças ao DVD do primeiro filme. Foi com grande agrado e alívio que verifiquei que, apesar de continuar a existir um Senhor dos Anéis só meu, o trabalho magistral de Peter Jackson concretizou um Senhor dos Anéis de todos nós.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Middle children of history


Man, I see in fight club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see squandering. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off.

Tyler Durden

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Hacienda de la Fuente

«Graves motins raciais incendeiam Sul de Espanha» é o título da notícia do «DN», que nos dá conta de mais uma das maravilhas das zonas de não-direito alimentadas pela invasão imigrante. Reza assim: "centenas de africanos ocuparam as ruas, na caça ao cigano, enquanto iam incendiando carros e contentores. Impediram as ambulâncias e os veículos de bombeiros de entarem no perímetro dos conflitos e rumaram à casa onde vivia o presumível assassino - de etnia cigana, segundo o El País - que acabaram por incendiar."

Não resisti à ironia no título deste post, pretendendo chamar a atenção para o facto de os mesmos fenómenos provocarem as mesmas consequências em toda a Europa, por muito que nos queiram convencer do contrário. Desta vez, as semelhanças com o sucedido na Quinta da Fonte são impressionantes...

domingo, 31 de agosto de 2008

Réfléchir & Agir n.º 29

Neste número da óptima revista «Réfléchir & Agir» o tema central é “A nossa saúde envenenada”, com artigos de Eugène Krampon, Jean-Michel Vernochet, Robert Rodesches, Léon Camus, Christian Bouchet e as entrevistas com Jean-Philippe Desbordes e Jacques Baugé-Prévost, atravessando assuntos como o trabalho, os OGM, os laboratórios, a droga, a televisão, o cancro, entre outros.

Na sequência da crítica feroz ao último livro de Guillaume Faye “La Nouvelle Question Juive” no número anterior, é publicado agora um direito de reposta da Diffusion du Lore ao qual a revista afirma que “não tira nem uma linha à crítica de Eugène Krampon”.

Destaque ainda para a homenagem a François Duprat, o “historiador-militante assasinado” em 1978, assinada por Christian Bouchet e a entrevista com o comediante Dominique Zardi. Referência também para a reflexão de Edouard Rix sobre Werner Lass e Karl-Otto Paetel, “dois nacionais-blocheviques alemães”, o artigo de Julien Snorre sobre René Daumal “poeta do essencial” e a entrevista com o geopolitólogo Pierre Hillard.

Nas habituais secções de livros, pintura, música e cinema, destaque para o artigo de Pierre Gillieth “Murnau, o poeta da imagem”.

sábado, 30 de agosto de 2008

Terre & Peuple Magazine n.º 36

Mais um número da obrigatória revista da associação Terre et Peuple que tem como tema de capa “A terra, ela, não mente”, com os artigos “A terra na tradição indo-europeia”, de Jean Haudry, “Aqueles que não amam a terra” e “Civilização terrena, civilização do enraizamento”, de Pierre Vial, e “Henri Vincenot e o regresso à terra” de Jean-Pierre Delarge. A não perder, também, o artigo de fundo de Alain Cagnat intitulado “50 anos de naufrágio argelino: 1958-2008”. De referir ainda as reflexões de Jean-Patrick Arteault sobre o livro “La Guerre Probable”, do general Vincent Desportes, e o relato das actividades da delegação na Catalunha Norte, Terra i Poble.

Como sempre, podemos ainda ler críticas a livros e a álbuns de banda desenhada, bem como comentários sobre a actualidade e as habituais rubricas sobre genealogia e culinária.