sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Pessoa em CD por José Campos e Sousa

Do cantor e compositor José Campos e Sousa:

CARTA AOS MEUS AMIGOS:
No tempo em que se festejam os 120 anos de Pessoa

Inspirado no poema Aniversário, de Álvaro de Campos, dei um nome a esta carta que vos dirijo, ao núcleo mais duro de fiéis amigos, que me têm acompanhado na caminhada pessoana, pedindo-lhes ajuda e alguns conselhos para um projecto ambicioso. A ideia é sensibilizar-vos para comemorarmos os 120 anos de Pessoa com a edição de um CD com poemas da Mensagem musicados e cantados por mim.Para um solitário como eu, por feitio e pelas vicissitudes da vida, a opção é fazer tudo a pulso e com a prata da casa, como de costume. Mas a casa não tem prata, tem apenas ideias e alguns talentos. Para viabilizar este projecto, preciso da garantia de encomendas de CDs, comprometendo-me a entregá-los, a tempo dos presentes de Natal. Feito o estudo financeiro, posso adiantar-vos que os CDs antecipadamente encomendados ficarão a 15 euros. Todos os outros CDs serão vendidos pelo preço de 17 euros. Em conclusão, meus amigos, este projecto tornar-se-á automaticamente viável com um significativo número de encomendas que permita a sua gravação.É então para este projecto que vos desafio, tendo, para o concretizar, que saber se estão efectivamente interessados e, se sim, quantos CDs pretendem adquirir. A vossa esposta breve, e positiva, permitir-me-á avançar rapidamente para o estúdio. A fechar esta mensagem, peço-vos ainda que promovam esta iniciativa junto dos vossos amigos, a quem pensem que possa interessar, de modo a gerar novas encomendas, provocando o tal efeito de bola de neve. Vamos ver o que resulta deste trabalho em rede. Darei notícias do desenrolar dos acontecimentos.

Um abraço a todos.
José Campos e Sousa
largodocarmo@gmail.com
Lisboa 28 de Outubro de 2008
PS – Façam as vossas encomendas de Cd’s para o meu e-mail, explicando o local onde podem recebê-las.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Notícia curiosa

A edição de hoje do «Correio da Manhã» traz uma notícia curiosa que nos informa que “a Polícia Judiciária abdicou de provar que Leandro violou a pequena Joana, antes de a enteada de oito anos desaparecer da aldeia da Figueira, em 2004. Por forma a "poupar 10 mil euros" em exames nos Estados Unidos.” Uma atitude que dá que pensar sobre as prioridades na investigação nacional, nomeadamente comparando com casos como o de Madeleine McCann.

Por outro lado, a notícia explica as razões do teste: “Os vestígios coincidiam em cerca de 90 por cento ao ADN de Leandro. Foi detectada uma doença genética característica de pessoas de origem africana. Leandro é africano.” É pá! Esta agora é que não convinha nada aos igualitaristas. A genética é tramada para os apóstolos do dogma “somos todos iguais”, fiéis de São Lyssenko.

O que é a geopolítica?

É o ramo da ciência política que estuda a parte activa exercida pelo meio geográfico na determinação dos eventos políticos e históricos que afectem a população de um dado território. Por vezes tem sido chamada “geografia dinâmica”. Distingue-se ainda pela geografia política, uma vez que não trata somente da situação natural dos Estados e dos povos, mas também (e sobretudo) da maneira como essa situação natural influencia a sua formação e o seu destino.

Alain de Benoist
in
O que é a geopolítica, Edições do Templo (1978).

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Terre & Peuple Magazine n.º 37

Mais um número da óptima revista da associação Terre et Peuple que tem como tema de capa bastante actual “A Rússia está de Regresso”, com os artigos “Histeria anti-russa: a paranóia dos media ocidentais” e a excelente análise geopolítica “Compreender o conflito entre a Rússia e a Geórgia”, de Jean-Patrick Arteault.

A destacar, também, “A peste jacobina”, com os artigos “Pré-história do jacobinismo”, de Jean Haudry, “Reflexões sobre um episódio jacobino da Revolução Francesa”, de Jean-Patrick Arteault, “O jacobinismo aplicado na Vendeia: do genocídio ao memoricídio”, de Pierre Rigolage, “Yann Fouéré. Da préfectorale ao autonomismo”, de Xavier Guillemot, “Os incorrigíveis jacobinos”, de Pierre Vial, e “Intentidades provinciais”, de Yvan La Jehanne. A não perder, também, o artigo sobre a Grande Guerra de Alain Cagnat intitulado “1914-1918: O fim de um mundo”. De referir ainda a crítica de Pierre Vial ao último número da revista «Éléments», afirmando que “o Mediterrâneo não é a nossa mãe” e o artigo sobre genética das populações de Michel Alain.

Podemos ainda ler críticas a livros, bem como comentários sobre a actualidade e as habituais rubricas sobre genealogia e culinária.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A olhar para casa...

Gesta perdida

Os meus trezentos soldados
Mortos ficaram por terra;
Não tenho armas nem cavalos,
Volto ferido da guerra.
Que é da rosa branca,
que me fora prometida?
Filha do Rei, que é da rosa
Que me fora prometida?
Quero encharcá-la no sangue
Que jorra da minha ferida.
Aquela rosa, tão branca,
Ficará rosa vermelha.
Julgando beijar teus lábios,
Hei-de beijá-la de rastros,
Como se beija a bandeira.
Sonhei com a rosa branca
Nos rubros campos da guerra.
Mas os meus bravos soldados
Mortos ficaram por terra,
Minha espada espedaçaram,
Vieram lanças em riste
E feriram-me no peito
(Não mais do que me feriste!)
Agora volto sem sonhos,
Derrotado, só e triste...

Mas a rosa, rosa branca,
Murcha ficou em meus dedos,
Rosa esfolhada e sem vida.
Ai, antes a tua rosa
Me não fosse prometida!

(1945)

António Manuel Couto Viana
in “O Poeta pela mão: Primeiros versos”, 1999.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

M.


Fui almoçar com a M. que já não via há algum tempo. Falámos de cinema, como não podia deixar de ser, lembrámos aquele sítio (toda a gente tem um) onde trabalhámos e tudo era perfeito — ou pelo menos parece, agora —, do qual contei umas histórias mirabolantes, que ela concordou que ultrapassavam largamente a ficção. Agora não. Já não há acessos desses. Agora há blogs e trocas de e-mails, por vezes chat... Perante isto ficam os almoços e os livros. E por estes últimos disse-lhe para levar o livro que estivesse a ler, que depois lhe explicava porquê. Simples, para passar uma excelente mania que o Miguel Vaz trouxe para os nossos almoços: fotografar livros.

Óptimo regresso!


O Paulo está de volta, desta vez n'O Duro das Lamentações. Livre como sempre. Sem pressões, nem moderações. É caso para dizer: há males que vêm por bem...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Filmes de culto (XXX)

Alexander Nevsky, Sergei M. Eisenstein, Dmitri Vasilyev, 1938.

Liberdade para a História

No Sábado passado, escrevi um post com o mesmo título no Jantar das Quartas, onde falei do editorial de José Manuel Fernandes a propósito do processo “contra o franquismo” iniciado pelo sempre ávido de estrelato juiz Baltasar Garzón, que referia artigo de Timothy Garton Ash, acrescentando um parágrafo sobre a associação “Liberté pour l'Histoire”, fundada por René Rémond e hoje presidida por Pierre Nora.

Volto ao tema para referir o artigo de Jorge Almeida Fernandes, ontem no «Público», intitulado “Garzón e os historiadores em cólera” que, citando o historiador Santos Juliá, diz que “um Estado democrático não pode chamar 'assassinados' às vítimas da rebelião [franquistas] e 'falecidos' às vítimas da revolução, como faz a Junta da Andaluzia para justificar uma determinada política da memória”, concluindo que “tanto na História como na Memória é perigoso reescrever o passado à luz dos interesses políticos de hoje”.

Termino com uma reflexão: todo este processo das “leis memoriais” teve início nos anos 80 do século passado, na Alemanha, Bélgica e Canadá, com disposições legais que criminalizavam o chamado “revisionismo do Holocausto”, o que levou à famosa lei Gayssot, de 1990, que por sua vez abriu caminho em França à lei sobre o genocidío arménio, à lei Taubira, sobre a escravatura, e à lei Mekachera, sobre o colonialismo, e a iniciativas similares noutros países. Apesar de inicialmente pouco criticadas, estas imposições legais têm vindo a ser cada vez mais postas em causa pelos seus efeitos perversos. É caso para dizer, de boas intenções...

Como escreveu Max Gallo no «Le Figaro», em 2005, “para o historiador, não é admissível que a representação nacional dite "a história correcta, aquela que deve ser ensinada". Já demasiadas leis, bem intencionadas, caracterizaram este ou aquele acontecimento histórico. E são os tribunais que decidem. O juiz é desta forma conduzido a ditar a história em função da lei. Mas o historiador, tem por missão dizer a história em função dos factos.

domingo, 19 de outubro de 2008

A grande viagem


O meu avô materno, oficial de Marinha, homem viajado e conhecedor do mundo, verdadeira figura paternal que me despertou o gosto pelo conhecimento, pela História, pelas viagens, pelas línguas, pela leitura e pelos livros, e me transmitiu os valores fundamentais que ainda hoje me guiam, tinha uma viagem de sonho — o Transiberiano.

Foi ainda criança que ouvi falar nessa travessia euro-asiática e o fascínio ficou-me desde então. Vem esta recordação a propósito da reportagem no último número da revista «Volta ao Mundo» sobre esta “viagem que nunca termina”. Claro está que muita coisa mudou, desde os tempos em que o meu avô pensava esta experiência. O fim da Guerra Fria “ocidentalizou” em parte uma Rússia que ainda mantém marcos soviéticos, mas que guarda sempre uma alma própria. O autor do texto, que fez a viagem, diz-nos que em Kabarovsk um viajado professor de zoologia se lamentava: “hoje a população reduziu-se a metade e o comércio está na mão dos chineses. A Perestroika pode ter trazido muitas coisas boas, como a abertura do país ao exterior, mas também trouxe as consequências da globalização. Kabarovsk está a perder a sua individualidade, a ficar igual ao resto do mundo”. Apesar desta alteração, confirmada pelos cartazes com anúncios a telemóveis à volta de uma estátua de Lenine, pelas filas à porta do McDonald's de Irkutsk, a mais antiga cidade da Sibéria, entre tantos tiques do ultraconsumismo reinante, a verdade é que “a grande travessia” continua a ter a sua magia e a cativar cada vez mais turistas de todo o mundo.

O meu avô nunca chegou a fazer a sua viagem — fez uma maior e mais rica, que foi o seu percurso de vida — mas fez perdurar o seu encanto. Mesmo sabendo que muito dificilmente a conseguirei fazer, não deixará de estar no meu imaginário.

Sinais de outros tempos (VI)

Av. de Madrid, Lisboa.

sábado, 18 de outubro de 2008

O eterno lápis azul

O Paulo Cunha Porto é um Amigo dos que mais prezo. Acompanhá-lo na blogosfera tem sido a forma de minimizar as saudades da tertúlia bibliófila do Bairro Alto, ou de tempos em que as nossas vidas nos permitiam encontros regulares. Vem isto a propósito da saída do Paulo de um blog para o qual escrevia após convite, depois de dois dos redactores lhe terem pedido “moderação”. É claro que a ligação para tal sítio deixou de ter razão de ser nesta casa e, por isso, retirei-a. Sobre a “moderação”, lembrei-me prontamente do que escreveu outro Amigo, o Bruno Oliveira Santos: “Os que advogam a moderação em matéria política são quase sempre moderadamente inteligentes, moderadamente sensatos, moderadamente corajosos, moderadamente honestos, moderadamente virtuosos. Às vezes, até moderadamente moderados”.

Lembrei-me, também, do elogio que o Paulo me teceu aquando do segundo aniversário do Pena e Espada e que me deixou, como lhe disse na altura, sem palavras. Pois é agora o momento ideal para o devolver, bastando substituir o meu nome pelo dele, já que se aplica tal e qual: “(...) Muitos anos antes de me tornar blogueiro, habituei-me a trocar ideias com o Duarte, em tertúlias que ambos integrámos, ou em circunstâncias em que só estivemos presentes os dois. Habituei-me a admirar a Sua honestidade intelectual, os Seus enormes conhecimentos e, last but not the least, o Seu amor aos livros. Mesmo quando divergi Dele, nunca esmoreceu o meu entusiasmo pela forma como defendia aquilo em que acreditava. (...)” É assim a Amizade, não entendo quem a veja de outra forma.

Quem fica a perder, como não podia deixar de ser, é o tal blog colectivo — que, afinal, parece que se pretende único —, como se percebe pela saída de outros dois colaboradores e os protestos nos comentários leitores.

Um abraço, Paulo, e até à tua próxima paragem blogosférica.

Jünger e Céline na Sorbonne

Em frente à Sorbonne há um quiosque onde é possível comprar números antigos do «Magazine Littéraire». E não é a molho, tipo “oportunidades”, é todo um escaparate com vários exemplares de cada número, organizados por data de publicação. Uma verdadeira tentação para “esvaziar a bolsa” e “encher a mala”. Mas, como nesta minha última ida a Paris a mala já estava cheia e a bolsa anda sempre pouco preenchida, tive que conter-me e elegi apenas duas revistas, relativas a dois autores de referência para mim — Ernst Jünger e Louis-Ferdinand Céline.



Trouxe, assim, o n.º 326, de 1994, estando o escritor alemão ainda vivo e à beira de completar o seu centésimo aniversário, que tem um excelente dossier com vários artigos, uma cronologia, uma bibliografia e o texto “Leipzig”, um excerto da primeira versão inédita de “O Coração Aventuroso”; e o hors-série n.º 4, de 2002, totalmente dedicado ao escritor francês, do qual destaco três textos inéditos e a entrevista com Lucette Destouches sobre como foi escrito “Rigodon”.

Mais auxiliares para, como propôs o meu caro amigo Miguel Vaz, depois de aceitar umas pistas de leitura que lhe dei, “analisar mais a fundo a relação entre Jünger e Céline. Dois escritores geniais, dois veteranos da Guerra, dois condecorados, dois críticos do III Reich e dois odiados pela Ordem que floresceu na Europa após a derrocada alemã. Dois percursos análogos mas inversos. De um lado a perspectiva ascética e aristrocrática de Jünger. Do outro o niilismo e a provocação de Céline.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O efeito da imigração: do regional ao nacional

O jornal «Público» refere hoje, numa notícia sobre os fluxos migratórios gerados pelos grandes projectos de obras públicas anunciados para o Baixo Alentejo, um estudo da investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Maria Ioannis Baganha, que conclui que os impactos da vinda de tal número de imigrantes, nomeadamente no sector da habitação, terão como consequência um choque cultural, agravando-se “a tensão social” entre alentejanos e imigrantes, o que se pode tornar num problema “grave de difícil solução”.

Ora, estes efeitos, tal como sucedem a nível regional, também acontecem a nível nacional. Porque a imigração, como fenómeno negativo que é, também produz consequências indesejáveis. É, por isso, que urge sair do “debate” hipócrita, no qual a imigração é apresentada como panaceia para todos os males da sociedade e qualquer crítica ou oposição que se lhe faça é considerada uma atitude “racista” e “xenófoba”, necessariamente reprovável e não permitida.

Maior hipocrisia é a daqueles que pretendem com essa postura “defender os imigrantes”, pois ao permitir uma imigração desregrada, apenas se beneficia o grande capital ao facilitar a exploração dessas mesmas pessoas que era suposto defender. Hipócrita é, também, a crescente atitude xenófila e discriminatória desses “defensores”, ao preferirem a protecção dos imigrantes em detrimento dos nacionais, como se no nosso país não houvesse problemas sociais e laborais graves a resolver.

Tapar o Sol com uma peneira

Após os “incidentes” no jogo de futebol França-Tunísia, no Stade de France, na passada terça-feira — cujas imagens, ilucitativas, podem ser vistas aqui —, uns “estranham”, outros tentam “compreender” e o governo finge “preocupação”.

O problema não é de hoje. O falhanço do sistema de integração republicano em França é notório há anos e as suas consequências têm vindo a agravar-se, apesar de manobras mediáticas que aligeiram ou ocultam as tais notícias. Tal como escreveu Guillaume Faye na sua obra “La colonisation de l'Europe: Discours vrai sur l'immigration et l'islam, publicada em 2000, os media têm ordens para minimizar tais eventos, foi por isso que “a televisão nunca mostrou as florestas de bandeiras argelinas e os slogans escritos em árabe nos distúrbios nos subúrbios (como durante a "festa" do Mundial de 1998). Da mesma maneira, já não se fotografam ou filmam os inúmeros graffitis do género: "Os árabes fodem a França". Trata-se de dissimular qualquer sinal de hostilidade.

Mesmo a solução, tantas vezes apresentada como milagrosa, de uma equipa multirracial de nada serve, já que, como diz Faye no mesmo livro, “fazer coabitar raças diferentes, é possível numa equipa de futebol onde os jogadores são pagos a peso de ouro, não nos seio de uma mesma comunidade política e histórica de destino”.

E para aqueles que acham que esta é uma questão francesa, que nada tem que ver com o resto da Europa, nomeadamente com o nosso país, pergunto: lembram-se do jogo, igualmente “amigável”, entre Portugal e Angola, em 2001, marcado pela violência, pelos distúrbios e abstinência policial por medo de “racismo”, que resultou em grave perturbação da ordem pública?

Filmes de culto (XXIX)

Cross of Iron, Sam Peckinpah, 1977.

Homenagem a Céline: “Viagem ao fim do efémero”