domingo, 2 de abril de 2006

Entrevista com Jean Mabire — Reflexões sobre o «Aventureiro» (I)


Traduzi recentemente uma entrevista com Jean Mabire, feita por Laurent Schang para a revista «Nouvelles de Synergies Européennes», para publicação numa página de internet galega, ainda em construção. O seu recente falecimento justifica que eu antecipe aqui a publicação dessa excelente conversa, que dividi em duas partes: a primeira em baixo e a segunda noutro post, que publicarei amanhã.


Jean Mabire quaisquer que sejam os domínios que tenha abordado nos seus noventa e poucos volumes publicados até hoje (170, aliás, como nos disse Jean Mabire na carta que acompanhou as suas respostas), dos SS franceses aos 55 dias de Pequim, de Amundsen à História da Normandia, sempre entre linhas, quando não em evidência, uma ideia recorrente, melhor dito, uma certa definição do homem, na qual os valores podem resumir-se numa palavra: a aventura.
Jean Hohbarr não se enganou, no que escreveu num número do “Français”: «Mabire reconhece-o, ele não considera a literatura um género “neutro”, mas antes como a expressão de uma visão do mundo». A isso não é estranho, sem dúvida, o sangue viking que corre nas suas veias de normando.
Ainda é assim hoje, a aventura parece definitivamente ser algo do domínio do passado, na altura do ditadura dos media e da fotografia por satélite. A conquista do espaço, o mercenarismo ou a façanha desportiva (ou a luta contra a Sida segundo alguns) serão as últimas formas de aventura abertas ao homem de amanhã?

Jean Mabire: Quando Ernst von Salomon, esse aventureiro-tipo do nosso século, se viu obrigado, depois da derrota do seu país, a responder a um questionário, necessitou de 650 páginas para o fazer, o que lhe permitiu noutro lugar escrever o seu melhor livro.
Apercebemo-nos então que ele nunca havia deixado de se pôr em cena a ele mesmo e que tinha ao longo de toda a sua vida misturado a sua bibliografia e a sua biografia. Esse não é o meu caso. Eu interesso-me bem mais pelas minhas personagens — imaginadas ou reconstituídas — que comigo próprio. E bem mais, talvez, pelos meus leitores do que pelas minhas personagens.
Na verdade, os meus “heróis” vivem uma aventura, começando pelo muito singular Roman Feodorovitch von Ungern-Sternberg, caso extremo, se é que ele o foi. Penso todavia que o termo aventureiro não lhe convém muito. Prefiro o termo militante. Ou, se quisermos, o de “soldado político”, expressão inventada, creio, por Ernst Roehm, que não é o menos singular de todos os meus assuntos e que tem a vantagem de ser mais verídico que romântico, daí o lado bastante “instrutivo” do livro que eu lhe dediquei.
Já que me fala de aventureiro, creio que é necessário recordar um ensaio (tão importante que dediquei ao seu autor uma crónica inteira no “Que lire?”)
Trata-se do “Portrait de l’aventurier” de Roger Stéphane. Sabemos que ele aí evoca três homens fora do comum: Lawrence da Arábia, André Malraux e o indispensável von Salomon. Este pequeno livro, publicado em 1950 e recentemente reeditado, é precedido de um estudo muito esclarecedor de Jean-Paul Sartre. São umas vinte páginas, mas parecem-me importantes para responder à sua pergunta. Sartre distingue muito bem: «Aventureiro ou militante: não acredito neste dilema. Sei perfeitamente que um acto tem duas faces: a negatividade, que é aventureira, e a construção que é disciplina. É preciso restabelecer a negatividade, a inquietude e a autocrítica na disciplina».
Numa famosa querela, com quase meio século, sinto-me mais próximo de Sartre que destes “Hussardos” que incomodavam o pesado comboio da literatura contemporânea.
Acredito, por outro lado, que há uma simplificação abusiva na oposição de aventureiro da acção e aventureiro do sonho. Drieu la Rochelle compreendeu-o tão bem, que se recusou encarcerar a aventura no irrisório da gratuidade. Se falarmos de vela, o amador pode revelar-se tão aventureiro como o navegador de competição. E vice-versa. Moilessier-Tabarly.
O oposto do aventureiro? É o burguês. Veja-se Flaubert que disse tudo, no fundo. O campo é vasto, infinito mesmo, incluindo a “boca” de Péguy que pretendia que os pais de família seriam os aventureiros do seu século.
Sobre a literatura como “visão do mundo”, quero ainda citar Drieu. Descobri recentemente um artigo de 20 de Fevereiro de 1932: «Não é possível a ninguém escrever uma linha que, a algum propósito, seja neutra. Um escrito terá sempre um significado político, tal como um significado sexual ou religioso».
Não, a aventura não é o passado. Acredite, viveremos ainda mais perigosamente no século XXI.

Pierre Mac Orlan, no seu famoso “Petit manuel du parfait aventurier”(Pequeno manual do perfeito aventureiro) dava ênfase ao paradoxo do aventureiro, ou seja, que este não existe, que não passa da recreação a posteriori, mineralização pseudo-mitológica por uma sociedade burguesa ávida de sonhos e façanhas; e que, a contrario, este mesmo aventureiro não mostrava nos seus actos mais que crueldade, niilismo e cinismo, senão avidez. Estamos, parece-nos, a mil lugares da mensagem que difunde as suas obras, mais próximas de Jack London que de Lawrence da Arábia.

JM: Eu devia ter uma dúzia de anos quando tirei da biblioteca do meu pai esse pequeno manual de que fala e lembro-me de ter ficado muito desiludido. Bruscamente privado do meu imaginário de adolescente, alimentado pela Ilha do Tesouro de Stevenson e dos Corsários do Rei de t’Serstevens. Daqui a minha posterior desconfiança em relação a Mac Orlan, mestre-desmistificador. Ele retirar-me-ia o desejo de ser um aventureiro. Eu tornar-me-ia, por reacção sem dúvida, militante.
Isto não retira nada ao sombrio fascínio dos cavalheiros da sorte. Mas eu identificava-me mais facilmente com Cyrano que com Olonnois ou Borgnefesse…
Ficar-me-ia sempre, do drama épico de Edmond Rostand, a opinião de que é bem mais belo quando é inútil... Esta sensação foi confortada pelo filme “A patrulha perdida” de John Ford, antes de encontrar o seu desenvolvimento com “O Deserto dos Tártaros” de Buzzati. Fui arrebatado pelo facto de que as batalhas fundadoras — essas aventuras exemplares — são sempre batalhas perdidas: Sidi Brahim, Camerone, El Alamo, Bazeilles, Berlim, Dien Bien Phu. Tal iria reforçar o meu pessimismo inato (sempre Flaubert, bem mais que Stendhal). Mas um pessimismo que incita mais à acção que ao sonho. Ver a esse respeito as sagas e Corneille.
No meu caso pessoal, o que foi arrebatador na guerra da Argélia em 1958-59, foi que eu sabia que ela estava perdida pelo exército no qual eu me batia. Voltamos a encontrar este sentimento a toda a força quando eu me juntei a Philippe Héduy e à equipa de “L ‘Esprit public” no fim de 1962.
Na idade das releituras, eu retomei La Bandera, La cavalière Elsa e mesmo Picardie, com um constante sentimento de mal-estar. A única trombeta a subsistir. A âncora da misericórdia.
É um facto que o romance de aventura não é mais que substituição. O leitor vive o que não é, revive mesmo o que não viveu. Fenómeno ao qual a televisão dá uma dimensão fascinante e onírica. “Fazemos” a guerra ou o amor por procuração em frente ao pequeno ecrã. Triunfo da ilusão absoluta.

O herói do seu último livro, Padraic Pearse (Patrick Pearse une vie pour l’Irlande, éditions Terre et Peuple), dá também essa impressão de oscilar entre o idealismo revolucionário e o mais negro niilismo, o amor dos homens e a fria determinação criminal. Um pouco como Ungern antes dele, e isso, numa perspectiva muito próxima dos Conquistadores de Malraux.

JM: Esse lado niilista e mesmo suicida de Patrick Pearse tem sido muitas vezes realçado pelos seus adversários. Se retira essa impressão do meu livro, é porque falhei na minha exposição. Pois essa é uma. Esse pequeno ensaio descreve uma espécie de marcha inevitável que conduz um homem — que é um escritor, logo um artista — do combate cultural ao envolvimento político e desse envolvimento à luta armada. Uma outra dimensão de Pearse e não a menor, o seu papel de educador em Saint-Enda.
Estamos muito longe de um aventureiro, como seria depois dele, pelos traços do seu carácter, um homem como Michael Collins. Pearse parece-me a mais alta encarnação do “soldado político”. Ele vai cometer um acto louco, mas que lhe parece o único capaz de despertar o povo irlandês. Evocar “Os Conquistadores” a seu respeito parece-me muito esclarecedor.
Não esquecer também que este pequeno livro situa-se na mesma linha que a minha grande obra sobre os instigadores dos povos (Jahn, Mazzini, Mickiewicz, Petöfi e Grundtvig). Pearse bate-se na sua esteira e conjuga em si todos os aspectos das suas diversas personalidades: poeta, educador, militante, profeta, mártir…
Ungern escapava a esta espécie de “racionalização da loucura”. Ele era ao mesmo tempo mais louco e mais lúcido.

(Continua)

sexta-feira, 31 de março de 2006

O último viking


Há semanas, tive más notícias sobre o estado de saúde de Jean Mabire. Há dias, soube do seu internamento. Ontem, da sua partida.

Quando imagino o funeral de um homem que tantos marcou, influenciou e inspirou com as suas obras e com o seu exemplo, vejo apenas uma grande chama que brilha no mar frio. Do fogo que consome o drakkar, que pouco a pouco ganha distância da terra, parte um guerreiro incansável para Walhalla, depois de uma vida de combate. Não o tendo conhecido pessoalmente, com muita pena minha, nem querendo fazer aqui a sua nota biográfica, decidi lembrar-me como este autor esteve presente na minha vida, até hoje.

O primeiro contacto com o seu trabalho foi na adolescência, através dos livros “Comandos de Caça” e “Os Panzers da Guarda Negra”, publicados em Portugal pela Ulisseia. Fiquei maravilhado e absorvido com a forma de escrita narrativa com que abordou estes temas de História militar. Nesta mesma altura “conheci” também Saint-Loup, de seu nome Marc Augier, de quem Mabire é o herdeiro directo na defesa da Europa das Pátrias Carnais. Seriam referências que jamais esqueceria e pensadores que me acompanhariam para sempre na formação e consolidação dos meus ideais.

As pátrias carnais, a história, a cultura, o paganismo, a defesa da identidade, a terra e o povo, entre tantos outros; estava cimentada uma ligação eterna com este bardo normando. E a Europa, sempre o sonho da Europa — unia-nos um destino comum!

Passados anos, em que fui lendo mais obras suas, conhecendo melhor o seu percurso e vendo como ele havia tocado tantos outros europeus como eu, fiz uma viagem onde ele esteve constantemente no meu pensamento. Percorri, de lés a lés, a sua amada pátria carnal — a Normandia. Da obra de engenharia moderna em Le Havre ao ancestral e mágico Mont Saint-Michel, passando por Honfleur, de onde partiram os navegadores transatlânticos, e pelas praias do desembarque que marcou o início do fim da guerra fratricida europeia, vi, observei e apreciei a terra e o povo pelos quais Jean Mabire tanto lutou para perpetuar, ao mesmo tempo que reconheci e me identifiquei com mais um membro da nossa grande família europeia.

Mais recentemente, quando conheci Pierre Vial, outra referência maior para mim, tive oportunidade de conversar um pouco sobre Mabire e admirá-lo ainda mais, para depois partilhar com vários camaradas europeus a forma como nos influenciou este viking que nunca se rendeu.

A melhor homenagem a Jean Mabire, que se definia a si próprio como “normando e europeu”, é o nosso combate pela Europa.

Magna Europa est Patria Nostra!

JEAN MABIRE

8/2/1927 — 29/3/2006

quinta-feira, 30 de março de 2006

Terroristas islâmicos em Portugal

A notícia que faz a primeira página da edição de hoje do jornal «Correio da Manhã», apesar de não ser inesperada, vem alertar muita gente que continua convencida (ou a tentar convencer-se) que o terrorismo islâmico não nos diz respeito e que se “estivermos quietinhos” lhe seremos imunes, que esta é uma ameaça presente e comum a toda a Europa.

Baseando-se no Relatório Anual de Segurança Interna referente ao ano passado, elaborado pelo SIS, que afirma que as “redes jihadistas transnacionais representam hoje uma ameaça para Portugal”, o jornal diz que no nosso país “continuam a existir, e aumentar, estruturas de apoio logístico e financeiro a grupos extremistas”. Percebe-se, através das informações hoje publicadas, que Portugal tem funcionado como uma base de recuo e financiamento, onde as “estruturas de apoio logístico dedicam-se simultaneamente — como forma de conseguir fundos — a outras actividades criminosas como o tráfico de droga, roubo e furto de documentos, cartões de crédito e telemóveis, bem como auxílio à imigração ilegal”. Diga-se, de passagem, que todas estas redes terroristas agradecem, certamente, as alterações à lei da nacionalidade, em fase de promulgação, e à lei de imigração, em preparação.

História da Reconquista

Aconselho hoje aqui uma leitura essencial para compreender a nossa história e o conflito entre a Europa e o Islão. Num livro que condensa a guerra de expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica, o historiador francês Philippe Conrad analisa sucintamente os aspectos militares, políticos e sociais da Reconquista: um movimento que devolveu a nossa península à Europa. Numa altura em que presenciamos um novo “choque de civilizações” e em que muitos pretendem fazer passar uma visão “cor-de-rosa” de uma convivência pacífica entre o Ocidente e o mundo muçulmano, este é, hoje mais do que nunca, um livro impossível de ignorar na compreensão das relações entre duas visões do mundo diametralmente opostas. Para despertar ainda mais a vossa curiosidade, deixo-vos um excerto da conclusão:

«Foram necessários nove séculos para apagar a presença muçulmana de Espanha. Nove séculos de confronto quase permanente que — se não devem fazer esquecer os contactos frutuosos entre as duas civilizações — nem por isso deixam de dominar a história medieval da Península. Lamentar o fracasso de uma coexistência que não tinha grande coisa a ver com a “harmonia pluricultural” sonhada por alguns dos nossos contemporâneos não faz qualquer sentido hoje. Como J. Pérez mostrou, essa coexistência, fruto da História, não autoriza a falar de uma Espanha pluralista, pois que “… Os Judeus e os moçárabes sob o domínio muçulmano, e depois os Judeus e os mudéjares sob a autoridade dos soberanos cristãos tinham um estatuto de ‘protegidos’, com o cariz pejorativo que se associa a esse adjectivo… Logo que a Reconquista terminou, já não havia razões para manter esse estado de coisas… A Espanha tornou-se um país como os outros na Cristandade europeia. Podemos lamentá-lo, pensar que poderia ter continuado a ser uma ponte entre o Oriente e o Ocidente. Provavelmente, os seus soberanos não devem ter pensado nisso. Em 1492, eles quiseram assimilar os vencidos e os minoritários… Os mouriscos, herdeiros dos mudéjares, recusaram assimilar-se; foram obrigados a expulsá-los no início do século XVII.»

in “História da Reconquista”, Philippe Conrad (Europa-América, 2003).

Quotas

Já hoje falei, noutro sítio, sobre a última ideia iluminada do socratismo, num post a que chamei “(Dis)Paridade”, e, há algum tempo, escrevi aqui que considero a discriminação positiva “racista e sexista”. Como o próprio nome indica, a “discriminação positiva” é discriminatória, contradizendo qualquer princípio da igualdade. A lei da paridade — claramente inconstitucional — quer impor uma igualdade forçada, ou seja, uma falsa igualdade.

Depois desta “solução” milagreira, quais serão as quotas que seguem? Os gays, os estrangeiros, ou os deficientes? E quais serão as outras áreas a contemplar com a panaceia das quotas? O Ensino, a Justiça ou as Forças Armadas?

quarta-feira, 29 de março de 2006

Eclipse


Cada vez que há um eclipse lembro-me do livro de Mark Twain, “A Connecticut Yankee in King Arthur's Court”, onde o americano usa os seus conhecimentos “científicos” para escapar a uma condenação à morte e para impor as suas condições ao monarca. A inspiração de Twain para esta passagem teria vindo de um episódio semelhante ocorrido com Colombo na Jamaica, em 1504, no qual o navegador, argumentando que o seu Deus cristão era mais poderoso que os locais e capaz de esconder o Sol, se aproveitou de um eclipse, no dia 29 de Fevereiro, para conseguir que os nativos fornecessem provisões à sua tripulação até à chegada de um navio de salvamento espanhol. Esta minha recordação deve-se ao facto de quando li o livro, na minha adolescência, ter ocorrido um eclipse solar, que na altura observei com o meu avô e sob a protecção de umas radiografias antigas. Hoje vê-se na Internet

Imigração

Chegada de populações estrangeiras com o risco de submergerem os povos autóctones.

A imigração dos povos extra-europeus na Europa deu lugar hoje em dia a uma verdadeira colonização de povoamento. O vocábulo “imigração” deve assim ser criticado e sistematicamente substituído pelo de colonização, que é o fenómeno histórico mais maciço e mais grave que a Europa deve enfrentar desde o fim do império romano. No combate político e ideológico, não se deve utilizar as palavras do adversário, mas impor os seus próprios conceitos. Nós não acolhemos “imigrantes”, nós somos colonizados “por baixo” pelas populações estrangeiras.

Guillaume Faye

in “Pourquoi nos combattons”, L’Æncre (2001).

terça-feira, 28 de março de 2006

Gulbenkian


Obrigações profissionais levaram-me, felizmente, à Gulbenkian hoje de manhã. Aproveitei para ver a interessante exposição “Sede e Museu Gulbenkian — A arquitectura dos anos 60” que estará patente ao público até 4 de Junho. No ano em que comemora cinquenta anos, a Fundação decidiu mostrar ao público o processo de construção da sua sede e museu, integrando-o na arquitectura da década de 60. O projecto destes edifícios, inaugurados em 1969, é da autoria dos arquitectos Ruy Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa. Na exposição é possível ver a história deste espaço — onde já esteve o jardim zoológico e a feira popular —, os projectos, desenhos, maquetes, fotografias e correspondência relativa a esta obra, em diversos suportes. Destaque para uma carta de Almada Negreiros, onde o artista aceita o convite para realizar o painel para o átrio da Fundação. Para terminar, uma rápida passagem pela livraria e um almoço agradável neste espaço privilegiado da cidade de Lisboa, que me fez recuar no tempo…

Rodrigo mit uns!

18 de Fevereiro de 1944 — 28 de Março de 2004

segunda-feira, 27 de março de 2006

Um sistema para matar o povo

Encerrar maternidades ao mesmo tempo que se prepara para abrir mais as portas aos imigrantes: esta é a política do actual (des)governo. Os resultados desta política baseada no primado económico serão a submersão e consequente substituição demográfica do povo português. Mas que interessa isso aos pulhíticos que medem o futuro em função da duração das legislaturas?

Contra esta política, que considera criminosa, protestou hoje o Partido Nacional Renovador, através de um comunicado da sua Comissão Política Nacional. Haja quem tenha coragem de denunciar o assassinato, pouco a pouco, de um povo!

sexta-feira, 24 de março de 2006

Realidade e Ficção

Rio de Mouro é uma freguesia dos arredores de Lisboa onde, como em muitas outras, imigração e criminalidade são os principais problemas. Um local onde, apesar de todos os “remédios” dos delegados de propaganda integracionista, a situação se tem vindo a agravar de dia para dia. O estado de coisas começa a ser de tal forma insustentável que o presidente da Junta, Filipe Santos, afirmou, num encontro organizado pela Câmara de Sintra sobre os jovens e a multiculturalidade, que “60% da criminalidade na freguesia é praticada por imigrantes, bem como cerca de 80% da prostituição”. Ao contrário do que os imigracionistas bem-pensantes se habituaram a acusar, o que move este autarca não é o “racismo” ou a “xenofobia”, mas a simples constatação de uma dura realidade. Assistindo ao fracasso das medidas de integração, pois apesar de, por exemplo, cerca de metade da ajuda do Banco Alimentar na freguesia ser distribuída pelos imigrantes, Filipe Santos diz que “não existe uma vontade de se integrarem na nossa sociedade, apesar do apoio social" e prevê um futuro negro, considerando que “os confrontos em França podem acontecer brevemente em Rio de Mouro”. Esta não é, infelizmente, uma situação única, mas quando os representantes locais têm coragem para dizer aquilo que os nossos (des)governantes não querem ouvir, é um sinal de que a explosão está para breve.

Do outro lado, no mesmo encontro, um adjunto do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) insistiu na versão cor-de-rosa da escola como ambiente para a integração, recusou que Portugal estivesse a ser invadido e usou o cliché dos “milhões de portugueses espalhados pelo mundo”. Na defesa da utopia multiculturalista, contou ainda com a ajuda de uma representante de uma associação xenófila, que repetiu os já muito gastos argumentos de que “os imigrantes estão cá porque precisam e são precisos” e que “a igualdade de direitos é essencial para não se sentirem excluídos”.

Este choque de posições revela bem as diferentes posturas em Portugal, tal como no resto da Europa, perante o fenómeno da invasão imigrante. De um lado estão as populações revoltadas com a impunidade e os privilégios dos imigrantes, pessoas que sofrem directamente as consequências da imigração maciça e suas consequências; do outro estão os idealistas da solução integracionista, que sonham com uma utópica sociedade multicultural e que para isso não hesitam em trair o seu povo, numa atitude claramente etnomasoquista.

terça-feira, 21 de março de 2006

Música (IV)

Lembrar Massimo Morsello (10/11/1958 - 10/03/2001), no mês da sua morte, com o imortal “Canti Assassini” de 1981.



Canti assassini (II)

Entrammo nella vita dalla porta sbagliata in un tempo vigliacco,
con la faccia sudata,
ci sentimmo chiamare sempre più forte,
ci sentimmo morire,
ma non era la morte
E la vita ridendo ci prese per mano,
ci levò le catene per portarci lontano,
ma sentendo parlare di donne e di vino,
di un amore bastardo che ammazzava un bambino e di vecchi mercanti e di rate pagate e di fabbriche vuote e di orecchie affamate
Pregammo la vita di non farci morire,
se non c'era un tramonto da poter ricordare,
e il tramonto già c'era era notte da un pezzo,
ed il sole sorgendo ci negava il disprezzo,
ma sentendo parlare di una donna allo specchio,
di un ragazzo a vent'anni che moriva da vecchio,
e di un vecchio ricordo di vent'anni passati,
di occasioni mancate e di treni perduti,
e scoprimmo l'amore e scoprimmo la strada,
difendemmo l'onore col sorriso e la spada
Scordammo la casa, e il suo caldo com'era,
per il caldo più freddo di una fredda galera,
e uccidemmo la noia annoiando la morte
e vincemmo soltanto cantando più forte
E ora siamo lontani, siamo tutti vicini,
e lanciamo nel cielo i nostri canti assassini
E ora siamo lontani, siamo tutti vicini,
e lanciamo nel cielo i nostri canti bambini

segunda-feira, 20 de março de 2006

Império à deriva


Como o que é bom é para aconselhar, aqui fica a sugestão de leitura de “Império à Deriva a Corte Portuguesa no Rio de Janeiro 1808-1821”, do australiano Patrick Wilcken, publicado entre nós pela Livraria Civilização Editora. Como o título indica, o livro trata da mudança da capital do império português para o Brasil, que implicou a viagem transatlântica de cerca de dez mil portugueses, motivada pelas invasões napoleónicas. Apesar de ser um conhecido episódio da História de Portugal, este foi um caso único que atraiu a atenção deste autor estrangeiro. Tudo nesta aventura é atribulado, de tal forma que dificilmente a ficção podia superá-la. Nesta obra sem pretensões académicas, apesar de ser notório um excelente trabalho de investigação, a narrativa, muito bem construída, prende até o leitor menos habituado a estes temas. Pelo que vi há dias numa livraria em Lisboa já vai pelo menos na 5.ª edição, o que é um óptimo sinal do interesse do público pela História. Este é um livro essencial para compreender a História do Brasil e de Portugal, ao mesmo tempo que capta o espírito português da altura, inalterado e reconhecível ainda hoje.

Patrick Wilcken, que fala português e viveu no Rio de Janeiro, foi entrevistado recentemente por Carlos Vaz Marques na rádio TSF. O programa, chamado “Pessoal e transmissível”, ainda é possível ouvir online.

domingo, 19 de março de 2006

O eterno papão

As coisas que se escrevem já não deviam merecer o meu pasmo, mas enough is enough... Não há forma eloquente de dizer isto: já não há pachorra para o eterno papão da “extrema-direita” e do “nazi-fascismo”!

Ontem no «Diário de Notícias», ao ler sobre a recente onda de violência perpetrada pelos meninos-da-mamã burgueses, perante a admiração dos seus papás soixante-huitards, deparo com duas pérolas que de seguida partilho.

No final da notícia, afirma o jornalista preocupado que “bem mais perigoso, para este movimento, será a entrada em cena da extrema-direita, que se envolveu em cenas de pancadaria com os esquerdistas.” Já cá faltava, todos os estragos até agora são “excessos” a perdoar, já que se vislumbra no horizonte o aparecimento do papão. De seguida, uma advertência: “a esquerda não pode esquecer o seu erro estratégico de 2002, quando a segunda volta da presidência foi disputada por Jacques Chirac, da direita tradicional, e Jean-Marie Le Pen, da extrema-direita, que é suposto não existir em França.” Por outras palavras, a vontade popular é perigosa porque nem sempre coincide com o pensamento único.

Por fim, ladeando a notícia, temos a opinião do “especialista”. Sobre as últimas eleições presidenciais francesas, diz M. Villaverde Cabral: “o mais provável é que não tivesse sido eleito, mas como Jospin se deixou ultrapassar por Le Pen então toda a gente se escondeu atrás de Chirac, que pelo menos não seria um ditador.” Não sabia que a République previa a figura do “ditador”, serão influências romanas? Fora de ironias, verificamos que se persiste na mesma lógica da batata(da): extrema-direita/nacionalismo = nazi-fascismo = mal absoluto do universo.

sábado, 18 de março de 2006

Livros de família

Ao percorrer com os olhos a nova disposição dos livros nas estantes do escritório de casa da minha mãe, instalado naquele que foi em tempos o meu quarto, reencontro, por entre inúmeros calhamaços de Direito, uma leitura de referência da minha adolescência. A “História da Europa” de João Ameal, dividida em três volumes sendo o primeiro subtitulado “Das primeiras Civilizações do Mediterrâneo às Invasões Germânicas”, o segundo “Da formação da Europa ao Tratado de Tordesilhas” e o último “De Vasco da Gama à Revolução Francesa” , é a única História da Europa feita por um autor português, tanto quanto sei. Conversei com a minha mãe sobre esta obra e disse-lhe que tencionava relê-la num futuro próximo. Sabendo, como não podia deixar de ser, da minha paixão pelos livros e pela História, decidiu oferecer-ma e enriquecer a minha biblioteca. Este post é uma homenagem à obra, um agradecimento pela oferta e a história de um livro herdado. Tenho vários outros que adquiri por via familiar, mas cujas histórias ficam para outra oportunidade.


Do Prefácio
Pareceu-me oportuno, quando tantas forças se conjugam para desfazer a Europa — piores ainda os venenos da demissão interna que os assaltos de inimigos externos! — indagar como a Europa se fez. (...)
Pareceu-me oportuno que se recordem, nesta hora de angústia, de batalha, de perigo, as grandes linhas da História da Europa. E que tal iniciativa pertença a um português. Mais ainda porque, nenhum português tentou a aventura. (...)
Há na presente obra o intuito de repor em termos de veracidade e de justiça o esforço do nosso Povo entre os Povos europeus. Quer isto dizer que nela se olha a Europa — como é natural e legítimo por ser um português a escrevê-la — sob o ângulo português. Trata-se de uma apologia? De modo nenhum. Trata-se de uma narrativa em que nunca se perde de vista, ou tendenciosamente se esconde, ou se diminui com acinte, tudo quanto, pelos séculos adiante, Portugal deu à Civilização Ocidental — dentro da qual nasceu, da qual constituiu e constitui uma das expressões mais fiéis e na qual tem chegado a ocupar, em determinados períodos, flagrante lugar de vanguarda. Nem mais, nem menos. Por isso acentuei há pouco ser desejável que um escritor português se votasse ao empreendimento de compor a História da Europa — uma vez que não pode ser integralmente conhecida a História da Europa desde que nela se não atribua o merecido relevo à grande presença e à considerável intervenção do homem português.

João Ameal
in “História da Europa”, Livraria Tavares Martins (Porto, 1961).

quinta-feira, 16 de março de 2006

Portas (ainda mais) abertas

Segundo noticiou o jornal «Público» ontem, o actual (des)governo está a preparar uma nova lei da imigração de modo a facilitar a entrada de imigrantes no território nacional. Uma das alterações principais é a de deixar de ser necessário um imigrante ter um contrato de trabalho celebrado antes de entrar em Portugal, mas apenas um visto de residência. Entre outras mudanças, esta lei prevê a criação do estatuto de residente de longa duração, que lhes permitirá um “estatuto jurídico mais estável e de protecção acrescida”. É simplesmente inacreditável como, cada vez mais, no nosso país e no resto da Europa, os (des)governantes se preocupam tanto com os direitos dos imigrantes, ao mesmo tempo que vão fazendo tábua rasa dos direitos laborais dos trabalhadores nacionais.

Está em curso a destruição nacional e europeia. A nova lei da nacionalidade foi a dinamite e a nova lei da imigração será o rastilho. Posto isto, a questão não é se virá uma faísca, mas quando

Ainda Haia

Descredibilizado o TPI, essa “horrenda ficção da legalidade”, como o caracterizou o meu amigo Paulo, é tempo de repensar estas instâncias supra-nacionais e pseudo-imparciais. Ainda para mais porque, como é observável ao longo da História, o Direito Internacional baseia-se na força.

Expulsar os ilegais... no “paraíso” da integração

É interessante ver como o Canadá, normalmente apresentado como país-modelo em termos de integração dos imigrantes, está a alterar radicalmente a sua política neste campo. Ao invés de realizar processos de legalização extraordinários — tão do agrado dos integracionistas — o Ministério Federal da Imigração canadiano está a levar a cabo uma “guerra contra os indocumentados”, optando pela expulsão imediata dos imigrantes ilegais, como nos dá conta a última edição do semanário «O Diabo». A notícia em questão alerta para o risco de expulsão de milhares de emigrantes portugueses, referindo também a inflexibilidade do governo federal canadiano nesta matéria perante os apelos diplomáticos nacionais.

O panorama está a mudar e até no “paraíso” os sonhos utópicos começam a desfazer-se, como já dei conta aqui.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Movimentos blogosféricos

Rematar, reflectir, recomeçar.

Classificação das ligações

Decidi que era tempo de acabar com a classificação “indispensáveis” nas ligações da coluna ao lado. Não é uma despromoção, porque aliás, para mim, existem vários outros blogs que não dispenso, mas a sua inclusão na lista acima torná-la-ia demasiado extensa. Ainda pensei fazer uma espécie de top ten das minhas preferências, mas optei pela solução mais fácil, até encontrar outra. Lembro-me que, há tempos, o Pedro Guedes teve o mesmo problema e seguiu este caminho. A ver vamos. Como sempre, estou aberto a sugestões.

“Haia matou Milosevic”

São mensagens como a que titula este post que se podem ver em Belgrado, seja nas paredes ou nos jornais, e que reflectem o sentimento de grande parte dos sérvios. Não vou fazer a defesa de Milosevic, nem dissecar o seu curriculum. A minha solidariedade, enquanto europeu, vai para o povo sérvio que, depois da guerra da ex-Jugoslávia, foi humilhado, vitimizado e diabolizado pelo Ocidente. Enfrentado a agressividade dos EUA e do Islão e a passividade e cumplicidade da União Europeia, os sérvios sofreram e resistiram. Mas o futuro afigura-se negro; estando na frente de batalha, a Sérvia enfrentará as duas bombas-relógio islâmicas criadas pelos americanos e uma UE mais interessada em interesses económicos do que no seu povo. A guerra está aí e para durar.

Em total descrédito cai agora o TPI, que acabou de criar um mártir. Aquela que tanto afirmou ser uma instituição para julgar pessoas e não ideologias, que recusou a acusação de ser um “tribunal de vencedores”, dificilmente conseguirá ser levada a sério depois do sucedido. Ainda para mais porque, para um tribunal tão empenhado em condenar “criminosos de guerra”, nunca houve grande preocupação com os “crimes de guerra” no Kosovo… contra os sérvios.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Mudanças

Depois de ter mudado de casa no final do ano passado, foi agora vez de uma mudança profissional que me tem mantido afastado da blogosfera. Já devidamente instalado, descobri que o meu acesso à internet está condicionado por filtros e os blogs são territórios vedados. Enquanto não resolver esta situação ou me decidir qual a ligação que quero em casa, as minhas vindas a esta casa serão fugidias e em computador alheio. Do pouco que vi, apercebi-me que perdi o nascimento d'A Torre de Ramires, uma muito recomendável experiência a solo do meu amigo Mendo, que está de parabéns. É o que dá andar afastado...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Música (III)

Depois de certos amigos me lembrarem que não mudava de música de fundo há muito tempo, decidi dar lugar a uma que gosto muito, “Il paese dei balocchi”, dos italianos Hobbit, que faz parte da compilação “Vox Europa II”, editada em 2001 pela Rupe Tarpea Produzioni.

Il paese dei balocchi

Venite ce n'è per tutti
è il paese dei balocchi
alti, magri, belli e brutti
venite a vedere con i vostri occhi

Ci sono case di marzapane, e specchi per allodole
ci sono vetrine colorate, paghi 2 e prendi 3
ci sono fuochi sulle strade che aspettano soltanto te

Ci sono libri da bruciare, per nascondere la verità
ci sono lacrime da versare per chi lacrime non ha
ci sono bocche da sfamare, forza fate la carità

Venite ce n'è per tutti
è il paese dei balocchi
alti, magri, belli e brutti
venite a vedere con i vostri occhi

Ci sono mode da seguire, se vuoi essere più in
ci sono date da ricordare,
e storie per commuoversi
e cos'è il bene e cosa è il male,
te lo dice anche il tg4

Ci sono miti da sfatare, qui non esistono tabù
ci sono piste per ballare, o da tirare su
ci sono mari da inquinare, che un tempo erano blu

Altro giro altro gioco, e intanto ingrassa
Mangiafuoco

Altro giro altro gioco, prendi tanto e paghi poco
altro giro altro gioco, prendi tanto e paghi poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, e intanto ingrassa
Mangiafuoco

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Liberdades de expressão

No ano passado, reflecti aqui sobre o “caso Irving” e o chamado “revisionismo do Holocausto”. As notícias confirmaram o esperado: o historiador britânico foi condenado a três anos de prisão por um tribunal austríaco. O seu crime? A “negação do Holocausto”. Segundo os seus acusadores, Irving seria movido por motivos políticos na sua “falsificação da História”. Seja como for, o que aconteceu — e que tem que ser dito — foi que um cidadão europeu foi condenado num país europeu pelas suas ideias!

Não me vou alongar em reflexões, mas segundo o meu conceito de liberdade de expressão não podem existir leis que proíbam a investigação histórica — seja ela qual for e por mais polémica que seja — na qual se inclui o “revisionismo do Holocausto”. E por isso me classificam como “anti-judeu”... Por outro lado, acho que associações judaicas, ou quaisquer outros que se sintam ofendidos, têm o direito de processar judicialmente um autor revisionista. E por isso me classificam como “filo-judeu”... É assim que concebo a liberdade de expressão, que não pode ser nem “anti” nem “filo-judaica”.

Neste caso impõe-se um paralelo com o episódio dos cartoons; a Europa não pode manter uma política de “dois pesos e duas medidas” e considerar a liberdade de expressão um dos seus fundamentos civilizacionais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Hemeroteca (VII)

Hoje trago um jornal que no conturbado período pós-abrilino tentava ser livre, independente e pluralista.

Título: Liberdade
Data: 21 de Fevereiro de 1975
N.º 15
Director: Luís Arouca


Nesta edição do semanário «Liberdade», que custava 5$00, o destaque vai para as opiniões de Carlos Fabião e Paradela de Abreu sobre “Portugal e o presente”, para a institucionalização do MFA e para o suplemento “O aborto em debate”. De referir, também, uma entrevista sobre um tema que começava a ser trazido para a ordem do dia, os problemas do Ambiente, com Gonçalo Ribeiro Teles, na altura Subsecretário de Estado do Ambiente. Na secção “Artes e Letras”, dedicada à Internacional Situacionista, podemos ler uma interessante entrevista que os situacionistas fizeram a si próprios publicada num dos números da sua revista. Na última página, uma pequena caixa dava conta de que o jornalista Manuel Maria Múrias havia sido internado no Hospital-Prisão de Caxias depois de nove dias de greve de fome, exigindo o contacto com o seu advogado e a imediata realização do seu julgamento.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Ameaça islâmica?



Activismo em alta (II)

O passado sábado foi um dia em grande. Comecei por estar presente no almoço comemorativo do sexto aniversário do PNR, onde pela primeira vez se atribuíram prémios a militantes que se distinguiram pelo seu trabalho e onde se pôde claramente ver que o partido se encontra em franco crescimento e cada vez mais activo. O único problema foi a exiguidade do espaço que albergou a custo os setenta nacionalistas presentes; o aumento de militantes e o crescente interesse por iniciativas como esta vai obrigar, a partir de agora, à escolha de locais de maiores dimensões.

De seguida, ao fim da tarde, fui à SHIP para mais uma homenagem ao poeta Rodrigo Emílio, no dia em que passavam dois anos sobre o seu falecimento. Encontrei muitos amigos, entre os quais vários da blogosfera, e o ambiente estava óptimo. Das intervenções devo destacar a do meu amigo BOS, pois conseguiu superar as minhas já elevadas expectativas. Seguiu-se jantar e alegre convívio nas recém-recuperadas cozinhas medievais do Palácio da Independência. Rodrigo Emílio, presente!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

“Lei assassina”

A associação Causa Identitária protestou já contra a nova lei da nacionalidade, chamando-lhe “a lei assassina”. No seu comunicado, considera “esta lei um assassínio legal da Identidade dos Portugueses. Coloca em perigo o nosso presente e hipoteca o futuro dos nossos filhos.

Aprovada a nova lei da nacionalidade

Como prometido pelo (des)governo, foi aprovada ontem a nova lei da nacionalidade. Com as habituais desculpas da “integração”, o critério do jus soli ganha cada vez mais força na atribuição da nacionalidade. Os pregadores da utopia multiculturalista insistem nestas medidas suicidas, apesar dos exemplos de conflitos violentos em vários países europeus, como a França.

Veja-se a ligeireza com que uma decisão destas foi tomada e como a imprensa a tem tratado. Parece que se trata apenas de mais um assunto corriqueiro, quando é o futuro do nosso Povo que está em causa.

Como escrevi em Julho do ano passado: “Este é apenas um passo, mas na direcção errada. E, passo a passo, caminhamos para a obliteração da nossa Nação.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Olhos abertos

O caso das caricaturas de Maomé tem aberto os olhos a muita gente relativamente à ofensiva declarada do islão contra a Europa, que se sente chocada com as atitudes cobardes dos submissos como Freitas do Amaral. Hoje ouvi Maria João Avillez, no programa “Mel com Fel” na Rádio TSF, dizer não compreender o silêncio de José Sócrates face às reacções à tomada de posição do ministro dos negócios estrangeiros. E continuou assim:

Confundirá ele o caso dos cartoons dinamarqueses com um mero caso de liberdade de expressão? Achará ele, a sério, que estamos diante de uma reacção exclusivamente ditada pela ofensa face a convicções religiosas e que, como tal, necessita de "tolerância", entre aspas, e de "compreensão", também entre aspas, e logo de públicas desculpas apressadas e envergonhadas. Eu dormiria mais descansada se tivesse a certeza de que o nosso primeiro-ministro percebe o que aí está. A continuação da guerra - encetada de resto há um bom par de anos - contra o Ocidente e a sua civilização que ele gerou, pressupõe e representa, onde cabe aliás o próprio Sócrates e os valores que obviamente professa. Não compreender que estas caricaturas, por mais discutíveis que as queiram achar, são o inflamado e manipulado pretexto para continuar uma cruzada do terror no suposto nome de deus é muito simplesmente preferir esconder-se atrás do biomboda mais devastadora das irresponsabilidades. É que somos nós os visados. Trata-se da pátria europeia onde nascemos e que nos determinou a nossa matriz civilizacional, cujos alicerces estão, hoje, um a um, a começar a ser minados. Por fora, obviamente, mas também por dentro, por palavras actos e omissões, como as o titular dos negócios estrangeiros de Portugal.

Quem acha que isto vai lá com “paninhos quentes”, está a colaborar com a invasão e colonização islâmica — intolerante e totalitária.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

30 anos a contracorrente

O semanário «O Diabo» completou trinta anos de existência no passado dia 10 de Fevereiro e continua a ser um dos raros exemplos de independência e irreverência na imprensa portuguesa. Na edição de hoje, o destaque vai para a entrevista com o Prof. Dias Farinha, Director do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos, que afirma que “o holocausto ainda é um tabu para o Ocidente”, para a análise da corrupção em Portugal, sobre a qual, Adelino Maltez afirma: “em Portugal não há máfias mas alguns ladrões que deixámos subir ao poder”, e para o artigo sobre a dispensa de vários conselheiros e adidos por parte do MNE, titulada “Freitas está a abandonar as comunidades portuguesas”. Por fim, a habitual referência ao obrigatório “O Diabo a Sete” do Walter Ventura, desta vez sobre a liberdade de expressão, e com a participação Manuel Azinhal na coluna “Os meus blogues”.

Hemeroteca (VI)

Quando iniciei a rubrica Hemeroteca, decidi que o critério de escolha seria a data de publicação do jornal ou revista. Hoje, excepcionalmente, dou lugar ao primeiro número de «O Diabo» por ser terça-feira, apesar de este ter saído no dia 10 de Fevereiro de 1976, completando assim trinta anos de existência.

Título: O Diabo
Data: 10 de Fevereiro de 1976
N.º 1 (Ano I)
Director: Vera Lagoa

Renascia, no período conturbado do pós-25 de Abril, um jornal que começara no Porto, em 1895. A escolha do título era justificada assim: “Há quem se escandalize pela ousadia de retomar a direcção de um jornal de tão honrosas tradições. A verdade, porém, é que "O Diabo" apareceu, nas suas várias fases, normalmente em períodos de crise, quando se tornava necessário um certo espírito de crítica mordaz que não poupava ninguém escalpelizando todas as situações numa posição de independência sempre ao serviço da verdade.” A primeira página era dominada pelo editorial de Vera Lagoa e pela dúvida de quem seria o próximo presidente. Do conteúdo destaco o artigo sobre “As horas decisivas do 11 de Março”, “Quem inventou Otelo?”, de A. de Montemuro, uma entrevista com o jornalista Fernando Barradas, as crónicas de apoio a Vera Lagoa de Fernanda Leitão e Natália Correia, o dossier retornados e ainda as coisas do Diabo. O jornal custava 7$50 - sete e quinhentos, como se dizia então. Na publicidade, o destaque vai para a Citroën Dyane e para os apartamentos na Rua Filipe Folque que se vendiam a partir de 750 contos. Na última página, o jornal publicava o seu estatuto editorial: “O "O Diabo" é um semanário que pretende servir os interesses do Povo Português por meio de uma informação livre, independente e não partidária. Retomando uma tradição de jornal de combate, "O Diabo" repudia também qualquer espécie de manipulação ou censura interna. "O Diabo" defende ainda um jornalismo rigoroso, objectivo e verdadeiro, comprometendo-se a respeitar a Lei de Imprensa e os princípios deontológicos que regem os profissionais da informação.

Mundialização, mundialismo

Universalização planetária das trocas, dos circuitos e produções económicas e financeiras, bem como da informação; internacionalização da cultura. O “mundialismo” é a doutrina que prega a generalização deste fenómeno.

Na realidade, o processo de mundialização económica e cultural começou há mais de duzentos anos. Hoje fala-se de globalização da economia planetária. Este fenómeno, contudo, não é tão importante quanto podemos pensar, as economias e as culturas regionais e nacionais continuam muito fortes por toda a parte. A ideologia mundialista engana-se, porque a mundialização em exagero, apenas levará a catástrofes e fragilizará a economia mundial e o ecossistema.

O dogma mundialista, central na ideologia dominante, mesmo na esquerda neo-trotskista anti-liberal, é evidentemente partilhado também pelo islão, cuja ideologia é universal.
Observamos na realidade uma pluralidade de mundialismos, o do islão, o da esquerda cosmopolita e imigrófila, o do Ocidente liberal e pró-americano. O mundialismo é uma arma de guerra contra a Europa, a sua identidade, o seu poder e a sua independência económica. É a expressão da utopia do fim da história. Os chantres do mundialismo divinizam a internet, a “nova economia”, os fluxos migratórios em direcção à Europa, a globalização das redes financeiras, sem ver que as realidades étnicas e religiosas ancestrais serão sempre mais fortes.
De facto, a mundialização não põe em causa a diversidade das culturas e o choque das civilizações, antes pelo contrário. Por um irónico movimento dialéctico, ela provoca-os, regenera-os.

Com efeito, quanto mais os povos se aproximam num planeta sobrepovoado, “colados” uns aos outros, mais a necessidade de identidade se faz sentir por reflexo. É por isso que, no século XXI, é altamente improvável que o futuro da mundialização seja pacífico nem mesmo que esta resista a um previsível “choque das civilizações”.

Guillaume Faye
in “Pourquoi nos combattons”, L’Æncre (2001).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Evocação de Carl Schmitt


Mais uma vez volto aqui a aconselhar a revista «Futuro Presente», que no seu último número, o 59, publica um excelente artigo de fundo de Jaime Nogueira Pinto sobre Carl Schmitt, quando passam vinte anos sobre a sua morte. Para além de lembrar os dados essenciais da vida e obra daquele que considera “um dos nomes essenciais do pensamento político e jurídico-constitucional do século XX”, o autor conclui o texto olhando Schmitt à luz dos dias de hoje. A destacar, também, os artigos “Jean-Paul Sartre: O Poder do Pensamento Negativo”, de Roger Scruton, “Miguel de Cervantes: Meditações de um Economista sobre o Quijote”, de Juan Velarde Fuertes, e “D. Pedro V: Nos 150 anos da sua Aclamação”, de Roberto de Moraes, bem como a continuação do “Inquérito sobre a Europa”. Nas rubricas habituais, chamo a atenção para a “Primeira Página”, de Miguel Freitas da Costa, que, desta vez, tendo como tema a situação actual do continente africano e como título “Será preciso?”, conclui desta forma: “Há uns bons anos, perante a desgraça sangrenta e miserável de quase toda a África independente, sem esperança visível de emenda, um jornalista francês deu como título seu uma pergunta provocatória: Faut-il recolonizer l’Afrique? Será preciso recolonizar África? Foi do Figaro Magazine do famigerado Louis Pauwels, de Paris. Agora, mais delicadamente, faz-se a mesma pergunta – mas é na conspícua revista do council on Foreign Relations, de Washington. O mundo mudou muito.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Al-Carrefour

A submissão ao islão atinge níveis simplesmente inacreditáveis na Europa. A cadeia de hipermercados Carrefour, com sede em França, um dos países europeus mais islamizados, cedeu à pressão terrorista muçulmana e decidiu retirar produtos dinamarqueses dos seus espaços comerciais. A associação Causa Identitária está já a promover um contra-boicote.

Perante esta atitude cobarde de colaboracionismo com a colonização islâmica do nosso continente, vergando-se a leis que não são nossas, é caso para perguntar: para quando a retirada de carne de porco ou de bebidas alcoólicas?

6.º aniversário do PNR

O Partido Nacional Renovador está de parabéns. Este ano completa o seu sexto aniversário e está mais activo que nunca. A comemoração, que incluirá um almoço-convívio, terá lugar no próximo dia 18 de Fevereiro. Para mais informações, consultem o Portal Oficial do PNR.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Dos “maus da fita”

Como fiz no post anterior, volto a ligar aquilo que escrevi sobre a polémica dos cartoons, desta vez sobre os prontos-a-culpar, dizendo que “na Dinamarca ainda foi tentada a desgastada manobra de ilusionismo político-mediático dos perigosos grupos neo-nazis”, com o certeiro comentário de José Pacheco Pereira a uma notícia do «Público»:

Da liberdade de expressão

Quando escrevi sobre a polémica das caricaturas disse, sobre a liberdade de expressão, que “criticar o vigente sistema de "dois pesos e duas medidas" foi o único argumento válido apresentado pelo mundo islâmico e que deve levar os governos europeus a um repensar sério dos tiques e taras da ditadura do politicamente correcto.” Muitas vozes críticas se têm ouvido desde a publicação dos cartoons, mas quero aqui destacar o que José Pacheco Pereira escreveu ontem no jornal «Público», que também reproduziu no Abrupto: “Eu pensei que as coisas estavam melhores do que o que estão, mas, mais uma vez, se percebe como há apenas uma fina película entre a civilização e a barbárie. Película que estamos a deixar romper com a maior das displicências. Devia desconfiar que é assim porque os sinais estão por todo o lado. Mas a gente acredita, quer acreditar, que algumas dezenas de anos de democracia consolidada (na maioria da Europa) e duas centenas de anos desde a revolução americana e francesa tinham consolidado a liberdade como princípio. Mas não é, não é suficiente, como se vê.
Estamos em guerra e estamos a perder. Estamos a perder, antes de tudo, porque ainda não percebemos que estamos em guerra. A retórica olimpiana, de um mundo "multicultural", de uma "comunidade internacional" eficaz, assente na lei e na Realpolitik moderada, ofusca-nos e impede-nos de ver o que está à nossa frente. (...)

Hoje voltou à carga na revista «Sábado» (cuja digitalização foi já disponibilizada pelo Camisa Negra): “Uma das principais entorses à liberdade de expressão no "ocidente" é um resultado directo da II Guerra Mundial, do universo dos vencedores e vencidos. Refiro-me ao tratamento legal desproporcional entre os subprodutos do totalitarismo nazi-fascista e do totalitarismo soviético, sendo uns criminalizados e outros não (com excepção dos períodos mais agudos da guerra fria, como o banimento do PC alemão na RFA, e a "caça às bruxas" americana). Defendo que se acabe com essa dualidade de critérios, que considera o ódio rácico um crime e o "ódio de classe" aceitável. O actual debate das caricaturas dinamarquesas devia servir para termos mais liberdade e não menos.
No meu entendimento da liberdade de expressão, cabe o "revisionismo" negacionista, uma pseudo-história que nega o Holocausto, criminalizado em vários países, e cabe o direito a ter opiniões xenófobas, racistas e a propaganda nazi. Lamento desiludir os puristas do politicamente correcto, mas para mim a liberdade de expressão destina-se proteger o direito de outrem apresentar os seus pontos de vista, por muito ofensivos, miseráveis, violentos que me pareçam. No limite, esta é a salvaguarda última da minha liberdade.


Reflexões como estas devem levar a Europa a reflectir sobre os seus valores e sobre a hipocrisia que os está a minar.

Vergonha

Uma vergonha é a única forma de classificar a “Declaração do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sobre a crise dos cartoons”. Por entre disparates inadmissíveis, rebaixa Portugal ao islão e apela explicitamente à censura, nunca se referindo às condenáveis reacções violentas do mundo islâmico. Depois da sua divulgação, Freitas do Amaral disse, justificando-se ao canal de televisão SIC Notícias, que queria “abalar as consciências”. Alá agradece.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Julgamentos incómodos

Há uns dias atrás, o Vanguardista lembrou o julgamento de Slobodan Milosevic, publicando a tradução de um texto de Neil Clark intitulado “O julgamento que o Ocidente preferiria esquecer”. Não é o único. O julgamento de Saddam Hussein tem sido muito confuso desde o início e agora é o insuspeito «Economist» que o considera “caótico”. Nesse artigo, que dá conta das peripécias deste julgamento atribulado, destaco a legenda da fotografia de Saddam: “um activista dos direitos humanos”. É a “justiça” dos vencedores, que está longe de ser cega...

Homenagem a Rodrigo Emílio


A Sociedade Histórica da Independência de Portugal organiza no próximo dia 18 de Fevereiro, sábado, pelas 18 horas, uma sessão de homenagem a Rodrigo Emílio no Salão Nobre do Palácio da Independência. Contará com a presença habitual de José Campos e Sousa e com comunicações de Francisco Ferro, José Carlos Craveiro Lopes, Luís António Serra, Vasco Barata e Bruno Oliveira Santos. Segue-se jantar nas instalações da SHIP, ao preço de 15 euros por pessoa, opcional e sujeito a inscrição para ahnonas@mail.telepac.pt.
Mais uma louvável iniciativa para celebrar um dos mais geniais poetas pátrios.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

“Presidenciais terminaram com o monopólio antifascista da República”

Este é o título da interessante entrevista com Maria de Fátima Bonifácio que o semanário «O Diabo» publicou ontem. Para além desse comentário à vitória de Cavaco, que considera um “democrata sem passado antifascista”, afirma que “o movimento cívico em torno da candidatura de Alegre esgotou-se no dia das eleições e não tem futuro”. Quanto aos partidos portugueses, considera que estão “mal arrumados” e sugere: “Há uma direita liberal dentro do PSD que devia fundir-se com o CDS-PP e fazer um grande partido liberal à direita. E, por outro lado, há gente com perfil social-democrata no seio do CDS-PP que devia passar para o PSD.” Sobre o BE considera que “é um partido anti-sistema e de protesto, cujas propostas que parecem modernas e aberta remetem para um modelo de sociedade anacrónico completamente estatizado, hostil ao mercado, à concorrência e à meritocracia e ainda igualitarista e estatista.” Sobre a classe política, diz que vivemos num “sistema de fraude eleitoral” no qual os “políticos sentem-se à vontade para mentir descaradamente na altura da campanha eleitoral”.

Para além desta entrevista, aconselho como sempre as duas páginas do Walter Ventura, desta vez com a participação do Manuel Azinhal, e as implacáveis “Coisas de o Diabo” na última página.

Caricaturas: Da polémica à política

A actual polémica em volta dos cartoons de Maomé publicados inicialmente no jornal dinamarquês «Jyllands-Posten» e reproduzidos por outros jornais europeus, incluindo o «France Soir» o que motivou o despedimento do seu director, é mais uma erupção evidente do “choque de civilizações” que se agrava a cada dia, merecendo por isso uma reflexão.

Liberdade de expressão
A “liberdade de expressão” foi a justificação imediata para a publicação das caricaturas, mas não convenceu e provocou interrogações incómodas. É claro que, em teoria, no mundo ocidental somos livres de dizer o que queremos, podendo ser alvos de processos judiciais e condenados caso se prove que determinadas afirmações incentivavam, por exemplo, a actos violentos que se concretizaram. Pode ser um belo princípio — e muito útil neste caso concreto — mas a realidade, para a qual muitos europeus só agora despertaram, é bastante diferente. Sabemos perfeitamente que há vários temas ditos “delicados”, com os quais jornais que publicaram as caricaturas da discórdia nunca se atreveriam a brincar. Criticar o vigente sistema de “dois pesos e duas medidas” foi o único argumento válido apresentado pelo mundo islâmico e que deve levar os governos europeus a um repensar sério dos tiques e taras da ditadura do politicamente correcto.

Representação de Maomé
O islão mostra a sua verdadeira face ao afirmar que o seu profeta não pode ser representado. A origem desta proibição está no Corão, o seu livro sagrado, que é fonte de direito e que deve guiar a conduta de qualquer muçulmano. Este argumento demonstra que para os muçulmanos, a sharia, a lei islâmica, não tem um âmbito restrito de aplicação. Aquilo que alguns intelectuais ocidentais tentam negar é desta maneira totalmente exposto, o islão é intolerante, totalitário e expansionista. A sua versão “moderada” é uma invenção utópica e perigosa, que tem aberto as portas do nosso continente a massas populacionais muçulmanas que começam a colonizá-lo.

Quanto às representações propriamente ditas, convém dizer que esta não é, obviamente, a primeira fez que o profeta é representado. As reacções violentas às caricaturas explicam-se porque estas foram mais uma gota de água que transbordou ligeiramente o copo. É um óptimo caso concreto para os líderes religiosos muçulmanos justificarem popularmente a guerra santa aos infiéis. Aqui até há uma coincidência que facilita esse apelo à jihad. As bandeiras tanto da Dinamarca como da Noruega têm cruzes, sendo excelentes para simbolizar os inimigos “cruzados”, que é como os islâmicos se referem aos europeus e aos ocidentais em geral, sejam ou não cristãos.

Os “maus da fita” e o inimigo
Depois de algumas posições de força (sé é que podemos considerá-las de força) escudadas pelo chavão da “liberdade de expressão”, a maior parte dos governos europeus voltou à sua postura habitual, isto é, vergados ao islão.

Deste lado publicaram-se cartoons, do outro houve manifestações e ataques violentos, ameaças armadas a representações diplomáticas, boicotes a produtos comerciais, entre outras posturas arrogantes e agressivas. Colocando tudo isto nos pratos da balança do politicamente correcto — a tal dos dois pesos e duas medidas — vimos que, como sempre, a culpa é nossa. Os nossos (des)governantes rebaixaram-se aos muçulmanos de uma forma que estes só o fazem a Alá. Com pedidos de desculpas oficiais, justificações para as agressões islâmicas, condenações das caricaturas e apelo à censura, transmitiram a habitual imagem de fraqueza ao islão, que só entende a linguagem da força.

Na Dinamarca ainda foi tentado a desgastada manobra de ilusionismo político-mediático dos “perigosos grupos neo-nazis”, mas com a dimensão assustadora da comunidade islâmica naquele país dificilmente surtiu qualquer efeito. Mas a busca de uns “maus da fita” prontos-a-culpar não ficou por aí, muitas teorias — algumas da conspiração — foram apresentadas.

Vemos como os líderes europeus e as elites bem-pensantes que os alimentam continuam em negação. Preferem o combate contra os conceitos vagos como a “intolerância”, o “racismo” ou a “xenofobia”, à definição clara de quem é o nosso inimigo — como teorizado por Carl Schmitt. O islão já o fez e por isso está em vantagem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Manuel Cavaleiro de Ferreira

Quando li as referências a Manuel Cavaleiro de Ferreira feitas pelo Manuel Azinhal e pelo Jansenista, lembrei-me do seu filho, seu homónimo, que conheci e que também já não se encontra entre nós. O “Manelzinho”, como era conhecido, vivia para o pai e para a sua obra. Recordo as longas conversas que tive com ele, sobre o pai, claro, mas também sobre Salazar e os meandros da política durante o Estado Novo. Admirava o trabalho do pai, como académico e como ministro, e todos os seus esforços eram gastos na preservação da sua memória, conseguindo a publicação de algumas das suas obras, estando envolvido no processo que levou à atribuição do nome do seu pai a uma rua em Lisboa e elaborando de uma página na internet. Essa página tem uma história curiosa. O “Manelzinho” era uma pessoa muito solitária, com o pensamento sempre absorvido pelo seu único objectivo. Quando soube que ele havia iniciado a construção de um sítio na internet sobre o seu pai e onde disponibilizaria vários dos seus textos, ofereci-me para lhe dar algum auxílio técnico, caso necessitasse. Recusou imediatamente. Apesar de não ter computador nem conhecimentos profundos de informática, aprendeu e, utilizando um posto público de acesso à web, dedicou-se a esta empresa. Sabia perfeitamente que esta nova tecnologia era um dos meios fundamentais para a divulgação e preservação da obra do seu pai. Morreu pouco tempo depois da última actualização da página, mas esta ficou e continua a ser visitada e referida. Obrigado ao Manuel Azinhal e ao Jansenista, pois o melhor elogio ao Manuel Cavaleiro de Ferreira (filho) era elogiar o seu pai.

Cinco manias

O meu amigo BOS, que gosta tanto destas coisas como eu, não hesitou em enviar-me um desses inquéritos blogosféricos, que me parecem ser musas tipo fast-food para quem lhe falta inspiração ou assunto. Desta vez a intenção é que o participante descreva “cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue”.

Aqui ficam cinco manias minhas, to whom it may concern:

1. Tenho mania de me sentar sempre no mesmo sítio à mesa, mesmo em casa de outras pessoas.

2. Quando vou a casa de alguém, tenho a mania de passar em revista a biblioteca alheia.

3. Tenho a mania de chegar a horas, mesmo sabendo que esse hábito rareia no nosso país.

4. Tenho a mania de ser amigo dos meus amigos.

5. Tenho a mania de ler.

Para terminar, os senhores que se seguem: Rodrigo, Francisco Nunes, Biollante, JM Telles da Silva e Assur.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Tierra y Pueblo n.º 10

Estava a reler um artigo do último número da «Tierra y Pueblo» e lembrei-me que ainda não havia referido esta excelente publicação no blog. Quando estive em Valência no ano transacto, no II Coloquio Internacional de Tierra y Pueblo, o camarada Enrique, que tive o maior prazer em conhecer e a quem agradeço, teve a amabilidade de me oferecer uma colecção completa desta revista identitária. O artigo em causa é de Guillaume Faye e sobre a sua viagem à Rússia, onde foi recebido na Duma, o Parlamento Russo e nas Universidades de Moscovo e São Petersburgo, dando várias conferências e entrevistas. O número da revista é o 10, referente a Outubro de 2005, e tem como tema central “Sérvia, orgulho da Europa”. Conta com vários artigos sobre a Sérvia, o Kosovo, a Bósnia-Herzegovina, entre outros, bem como uma entrevista merecedora de destaque com Yves Bataille, um dos maiores especialistas mundiais em geopolítica e conhecedor da realidade sérvia. É sem dúvida uma revista a não perder e aconselho-a a todos os que me lêem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

In gold we trust

Um colega meu despede-se dizendo:
- Vou sair agora, quero chegar cedo à conferência do Bill Gates.
Amanhã, de certo, contar-me-á como decorreu a cerimónia onde centenas de pessoas se vergaram à personificação do deus dólar. No mundo anarco-capitalista de hoje é ao “homem mais rico do mundo” que se deve reverência...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Homenagem aos portugueses assassinados na África do Sul

Realizou-se no passado sábado uma homenagem aos portugueses assassinados na África do Sul, organizada pelo PNR e pela FN, na qual estive presente. Na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, foram colocadas 361 cruzes, representando o número de portugueses mortos desde que o ANC tomou o poder na África do Sul, dispostas de maneira a formar uma cruz gigante, simbolizando o massacre de que têm sido alvo os nossos compatriotas naquele país.

Esta manifestação deveu-se ao facto de as autoridades portuguesas ignorarem, pura e simplesmente, a situação e de as autoridades sul-africanas tratarem com desprezo os repetidos ataques à comunidade portuguesa.



Mais uma vez, o evento decorreu exemplarmente e sem quaisquer incidentes. As mais de duzentas pessoas presentes, escutaram atentamente as palavras proferidas e fizeram um minuto de silêncio em honra dos portugueses assassinados. Muitos transeuntes curiosos recolheram informações e propaganda do PNR na banca montada junto ao local da cerimónia, mostrando que o interesse por uma alternativa nacionalista cresce no nosso país.

Da cobertura mediática, que envolveu televisões, jornais e rádios, houve alguns meios de comunicação que destacaram aquilo que consideraram um ataque ao Presidente da República, no discurso do Presidente do PNR. José Pinto-Coelho disse que Jorge Sampaio não era “o Presidente de todos os portugueses”, mas “o Presidente de todos os imigrantes”. Estou inteiramente de acordo com esta afirmação, acrescentando mesmo que os emigrantes têm vindo a ser gradualmente preteridos em favor dos imigrantes. Aliás, não deixa de ser curioso que os imigracionistas do costume acenem com os nossos emigrantes para justificar a entrada desregrada e maciça de estrangeiros no nosso país, mas que depois “esqueçam” totalmente casos em que os portugueses são atacados noutros países, como na África do Sul. Os nacionalistas, por seu turno, defendem sempre os seus compatriotas, onde quer que estes se encontrem.

Guerra nas escolas francesas

No novo e muito recomendável Vanguarda, foi abordado o tema da escalada de violência nas escolas francesas, sobretudo naquelas em zonas de forte presença imigrante. O caso é preocupante e a crescente insegurança dos professores motivou já uma greve, mas o dedo acusatório continua a ser apontado na direcção errada. Não há coragem de culpar os culpados e a sistemática desresponsabilização dos “jovens” descendentes de imigrantes, através de supostas medidas de “integração”, apenas contribui para o agravamento da violência, pois os agressores sentem-se cada vez mais inimputáveis. Esta situação dramática está muito bem analisada no último editorial de Pierre Vial, presidente da Associação Terre et Peuple, “A Escola campo de batalha: um lugar privilegiado da guerra étnica”.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Mozart e cultura


Anteontem passaram 250 anos sobre o nascimento de um dos maiores génios da música europeia. Esta efeméride leva-nos a pensar na forma como é encarada a cultura hoje e nas prioridades dessa que é uma área fundamental. Audiências, modas, desporto espectáculo, entre outros, são passos que se dão numa caminhada para um povo que se quer cada vez mais ignorante e desligado da sua cultura.

Fica aqui uma referência à reflexão certeira do Eurico de Barros, “Serviço público de futebol e de política, não de Mozart”, ontem no «Diário de Notícias». Nessa sua crítica ao serviço público de televisão é categórico: “Não havia possibilidade de ter um programazinho de produção própria sobre Mozart? Ou de transmitir em directo ou diferido um só dos muitos concertos do dia? Parece que não. A verdade nua e crua é esta: havia muito mais espaço para a cultura e as artes na RTP do "fascismo" do que há na RTP da "democracia".

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Música (II)

Já passou mais de um mês desde que este blog passou a ter música e hoje decidi mudar. Continuo com um grupo francês, desta vez os In Memoriam, um dos grandes nomes do Rock Identitaire Français que muito aprecio. A música chama-se “Paris-Belgrade”, versa sobre os bombardeamentos criminosos da OTAN sobre a Sérvia, em 1999, e faz parte do álbum com o mesmo nome, editado no ano seguinte.


Paris-Belgrade

Une nation violée au coeur du monde occidental
Méritait d'être soutenue par la jeunesse nationale
C'est bien pour ça qu'on s'est envolé, en terre yougoslave
Pendant ce temps, Paris se noie dans la spirale du mensonge
L'Otan dicte sa loi, la propagande vous inonde
Pendant ce temps Belgrade est la proie des bombes et des flammes
Ce ne sont pas des soldats qu'ils massacrent, mais des enfants et des femmes.
Refrain :
"US Go home !" c'est ce qu'ils scandaient sur les ponts
De Belgrade à Novi Sad, le peuple serbe faisait front
"NATO Go home !" c'est ce qu'ils criaient sur les ponts
C'est solidaires de leurs souffrances que pour eux nous chantions.
Arrivés sur place, l'accueil est vraiment chaleureux,
Des créatures de rêve nous font découvrir les lieux
Soudain le cri des sirènes résonne au coeur de la ville
Le climat s'alourdit, la peur se lit sur les regards
Les yeux se lèvent vers le ciel, chargés de désespoir
Belgrade résignée est plongée, noyée dans le noir
Le terrorisme aveugle vient frapper des quartiers au hasard.
Refrain
Puis vient l'heure du concert sur la grande place de Belgrade
Il est temps pour nous d'encourager à notre manière nos camarades
Qu'est ce qu'on était fier de brandir devant eux le drapeau yougoslave
Le soir c'est sur un pont que se poursuit notre combat musical
Les avions de l'Otan entament leur triste carnaval
Que vont-ils frapper cette fois une école, un hôpital?
A Paris tout le monde s'en fout, c'est un dégât collatéral.
Et toi pendant ce temps-là, que faisais-tu en France,
Toi qui te complaisais à demeurer dans l'ignorance?
Aujourd'hui, la Serbie, demain la Seine-Saint-Denis
Un drapeau frappé d'un croissant flottera sur Paris.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Françarábia

A reter o testemunho in loco de Eurico de Barros, no Jantar das Quartas, sobre o país europeu onde a invasão e colonização do islão mais se faz sentir e onde se assiste ao início de uma guerra civil étnica. Para ler e pensar, as “Rápidas impressões de uma breve viagem a Paris 1, 2, 3 e 4.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Pensamentos eleitorais

Aqui fica um exercício especulativo daqueles que muito bem podem ter sido os primeiros pensamentos dos candidatos face aos resultados eleitorais de ontem:

Cavaco Silva – Se pensam que agora que ganhei vou soltar a língua, estão muito enganados.

Manuel Alegre – Ai a merda das décimas! Deixa-me voltar para o PS enquanto ainda estou em alta...

Mário Soares – Foi uma vitória! Só pela minha candidatura os portugueses devem-me um agradecimento. Eu dei tudo à Pátria! Sou pai dela, não sabiam? Esqueceram-se, os cabrões! Se não fosse eu, Portugal não existia.

Jerónimo de Sousa – A escola do partido tinha razão, não precisei de mudar nada e consegui subir. Somos verdadeiros índios. Jerónimooo!!!

Anacleto Louçã – Livra! Estava a ver que não pingava o graveto! Povinho pobre e mal agradecido... Um intelectual moderno como eu e quem me ultrapassa é aquele operário jurássico.

Garcia Pereira – Tal como sempre disse, não fui eleito, mas disse umas verdades. Coerência acima de tudo.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Diálogo bibliófilo

Ontem, por entre alfarrábios e alfarrabistas, encontrei o Jorge, um amigo cuja fotografia poderia muito bem ilustrar a entrada “bibliófilo” no dicionário. Foi óptimo o reencontro e está prometido que em breve continuaremos a nossa conversa, que fica sempre a meio...

Como é usual em todas as conversas que começam por “há quanto tempo...”, fizemos um ponto da situação das nossas vidas. Mas nem nesses “o que é que tens feito?” deixam de estar presentes os livros.

– Um T2 chega-te, agora que vais ter outro filho? – perguntou-me ele a certa altura.
– Queres saber como cabem os livros, não é? – corrigi-lhe instintivamente a questão.
Depois do seu sorriso, disse-lhe:
– Forrei a estantes uma das paredes da sala e ainda consegui pôr uma no corredor e outra na arrecadação.
– Os corredores são óptimas soluções!
O diálogo terminou, já em andamento, com o reconhecimento de uma fatalidade:
– Por agora cabem, mas qualquer dia tenho o mesmo problema. O espaço nunca é suficiente. – concluí, com um falso conforto.
– Pois não...

sábado, 21 de janeiro de 2006

Passeio de alfarrábios

Nada como aproveitar o bom tempo do “dia de reflexão” para dar um passeio no Chiado em família. Está claro que dei uma volta na Feira de Alfarrabistas e Coleccionismo na Rua Anchieta e, como sempre, encontrei vários amigos com quem pus a conversa em dia e tratei de marcar almoços.

Quanto aos alfarrábios, comprei pouco mas bom. Logo na terceira banca dei de caras com “O Reino Dividido”, de João Bigotte Chorão, obra obrigatória que já lera graças a um empréstimo do amigo Mendo. Tenho há muito programada a compra do “Diário quase completo”, editado pela INCM, mas esta edição da Grifo está óptima e por €2 não podia lá deixá-la. Mais à frente, o prémio para um vasculhador incansável como eu, “Como vi o fim da guerra na Alemanha”, de 1946, um livro do Visconde do Porto da Cruz que já conhecia, mas ainda não tinha. Este é um interessantíssimo relato da capitulação do III Reich, pela pena deste madeirense que foi, nas suas palavras, “sincera e desinteressadamente um entusiasta do nacional-socialismo”, mas que pôde, “como observador neutral, ver o desenrolar dos factos e o desempenho dos papéis que representaram os diversos personagens deste trágico drama”.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Blogs n'O Diabo (X)

Num artigo imperdível intitulado “Outra vez o 28 de Setembro”, a que o Manuel Azinhal já fez referência, aconselha o Walter Ventura o recém-aparecido Jantar das Quartas, que frequento com muito prazer. De referir também uma caixa onde o Walter explica “porque gostaria que Cavaco ganhasse à primeira volta” e termina com um conselho: “Como o exercício dos papelinhos nas urnas me repugna (e, já agora, quero morrer virgem de semelhante disparate), permito-me apelar aos meus amigos de melhor boca: votem Cavaco Silva. Talvez que não por ele mas, mesmo assim, por uma boa causa. Ou duas, se contarmos bem.” Para terminar, as habituais “Pegadas de Pégaso” e a coluna “Os meus blogues”, hoje com a participação do BOS.

domingo, 15 de janeiro de 2006

Dos passaportes biométricos ao fundamental

Apesar de todas as críticas apontadas aos chamados passaportes biométricos, para os quais a UE vai avançar, há que reconhecer que os documentos de identificação utilizados hoje em dia estão ultrapassados e os métodos de falsificação cada vez mais aperfeiçoados. Esta pode ser, assim, uma medida necessária para controlar mais eficazmente a entrada de imigrantes no nosso continente, mas que só fará sentido se for uma iniciativa de toda a Europa e aliada a outras medidas como a atribuição da nacionalidade segundo o critério do jus sanguinis e a restrição do direito de asilo, entre outras.

A questão fundamental é defender a Europa da invasão a que assistimos diariamente. Haja coragem e vontade de defender o nosso Povo, a nossa Cultura e Civilização. É o que está verdadeiramente em causa e não meras medidas acessórias.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Sexta-feira 13


A data de hoje traz-me à memória a série de filmes “Friday the 13th”. Lembro-me de ver os primeiros com amigos, na adolescência. Eram noites bem divertidas. Violência, terror cómico e algumas cenas de nudez eram uma receita vencedora para estes filmes de baixo orçamento e sempre com o mesmo argumento. Jason, a personagem principal, perseguia e matava de forma sangrenta jovens em férias. Um dos aspectos mais cómicos era este assassino da máscara de hóquei ser à prova de tudo, atingido de várias maneiras e com vários objectos, continuava a perseguição, sempre na sua marcha assustadoramente lenta. Este era o grande rival de Freddy Krueger, outra das grandes figuras dos filmes de terror dos anos 80. Nunca os considerei bons filmes, mas na altura não perdia um. Na pesquisa que fiz hoje, descobri que Freddy e Jason já se defrontaram e que o último “Sexta-feira 13” se passa no ano 2455. Não vi, nem tenho a mínima curiosidade, já não tenho pachorra... Foram filmes que marcaram uma época e é pena que se insista num interminável número de sequelas.

«DN» renovado

O «Diário de Notícias» “lavou a cara”, tem desde a passada segunda-feira novo design e, esteticamente, está muito melhor. Hoje estreou o novo suplemento cultural «6.ª», que bate “a milhas” o tão detestável como intragável «DNa». Vou aguardar mais novidades, esperando que uma delas seja a reformulação da edição on-line.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

A jihad, aqui tão perto...

Mais uma notícia sobre o “inimigo dentro de portas” e se digo “mais uma” é porque me espanto com a ligeireza com que se trata a presença e liberdade de acção dos fundamentalistas islâmicos na Europa. Aqui ao lado, “as autoridades espanholas desmantelaram ontem duas redes terroristas ligadas à Al-Qaeda, que recrutavam e enviavam combatentes para o Iraque.

Protegidas pelo multiculturalismo e aumentadas com a imigração maciça, as comunidades muçulmanas no nosso continente são os oásis mafométicos na “terra dos cruzados”. Dir-me-ão que nem todos os muçulmanos são terroristas... Concordo, mas sou forçado a (re)lembrar que no Islão a religião está acima de tudo e que essas comunidades se regem pelos seus princípios. Se estas são terreno fértil para terroristas, acabam por ter uma responsabilidade indirecta no aparecimento dos mesmos. Mas o mais comum é os seus líderes religiosos estarem directamente envolvidos na jihad, como no caso citado, em que “o líder da célula era o imã da mesquita da localidade”. Ao abrigo da tolerância religiosa, instalam-se autênticas agências de recrutamento de terroristas nas nossas cidades.

Ao permitir estes pólos colonizadores na Europa, estamos a albergar o inimigo na nossa própria casa. Como até o ministro do Interior espanhol, José Antonio Alonso, reconheceu, uma das células, “muito articulada e estruturada”, estava em condições de realizar um atentado “em qualquer lugar do território europeu”.

Comecemos a olhar primeiro para dentro e só depois para fora. Urge defender a Europa!

Regresso

O Viriato está de volta e a blogosfera está mais rica. Parece que o bichinho blogueiro é mais forte... Nós agradecemos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Hemeroteca (V)

Há muito que não partilhava aqui os meus jornais velhos. Tal deveu-se à minha mudança de casa, que me obrigou a encaixotá-los. Só agora começo a arrumá-los e quero ver se é desta que os organizo. Em casa de ferreiro, espeto de pau...

Título: Juventude
Data: Janeiro de 1939
N.º 8 (Ano II)
Director: Humberto de Mergulhão



Esta revista com 100 páginas, das quais metade são ocupadas por publicidade, abre com um artigo de João Ameal intitulado “A Juventude de Sardinha” seguido das “Notas” de Eduardo Frias e uma entrevista com a poetisa Fernanda de Castro feita por António Feio. De referir a “Crónica para 1939” de Dutra Faria, na qual o autor considera que Adolf Hitler foi o homem “que dominou o mundo” em 1938 e prevê que “haverá ao longo de 1939 outro homem que dominará o mundo: Benito Mussolini.” De salientar, ainda, uma novela do Director, Humberto de Mergulhão, uma crónica de Luís Forjaz Trigueiros, a “Imagem do Porto” de Rebelo de Betencourt, a “Rosa dos Ventos e notas de orientação” de Eduardo Freitas da Costa, “Mussolini aos pés da minha cama” de Couto Rodrigues, o folhetim n.º 4 do romance “O Solar de Melcate” de Rodrigo de Mello (pai do Rodrigo Emílio) e a peça de teatro “Crisântemos” de Anita Patrício. Nesta revista, que custava 1$50, podemos ainda encontrar a página de “Sports”, um espaço de poesia, a crítica literária e de teatro, uma página infantil, entre outras. O destaque final vai para o “grande concurso” promovido pela revista “Porque é você legionário?”, no qual os “valiosos prémios” eram 500$00 para o primeiro lugar, 200$00 para o segundo e 100$00 para o terceiro.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Convite para Jantar

De há uns anos a esta parte que não preciso de agenda para me lembrar que quarta-feira é dia de jantar com amigos. A meio da semana atravesso a cidade rumo a uma tertúlia, que já passou por vários sítios e agora ancorou no Chiado. Aí cruzam-se gerações e opiniões, numa discussão de ideias que rompe noite adentro. Todos os tertuliantes têm, como não podia deixar de ser, uma relação, directa ou indirecta, com a blogosfera. Dos bloggers aos comentadores, passando por colaboradores e leitores, na sua maioria bem conhecidos dos blogonautas que me visitam. Finalmente aconteceu o inevitável, o Jantar das Quartas tornou-se blog. Resta-me, apenas, convidar os que me lêem para este novo espaço de debate e opinião na internet.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Prole

Esperei pelo início do ano para dar a boa nova na blogosfera. Apesar de amigos e família já estarem ao corrente, esta é uma novidade das que apetece gritar ao mundo. A família vai aumentar. O meu filho, que celebrou o seu quarto aniversário há dias, deixará de ser único. Não consigo conter a felicidade, pois não entendo a vida sem descendência. É no sangue que está a nossa imortalidade.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Ano novo

Estas transições são normalmente um terreno fértil para escrever. Não nesta casa... Faltou o balanço do ano passado, considerações sobre o que começou e, se calhar, uns dos habituais prémios que se atribuem nestas ocasiões. Tenho andado afastado, o que me dá distinções destas, mas espero produzir mais e com maior regularidade. Digamos que é o meu desejo blogosférico para o ano novo, por me parecer que é o que os leitores também desejam.

Infelizmente, o tempo (ou a falta dele) dita que por hoje é tudo. Serve este breve post para “picar o ponto”. As novidades ficam para amanhã.