segunda-feira, 13 de março de 2006

“Haia matou Milosevic”

São mensagens como a que titula este post que se podem ver em Belgrado, seja nas paredes ou nos jornais, e que reflectem o sentimento de grande parte dos sérvios. Não vou fazer a defesa de Milosevic, nem dissecar o seu curriculum. A minha solidariedade, enquanto europeu, vai para o povo sérvio que, depois da guerra da ex-Jugoslávia, foi humilhado, vitimizado e diabolizado pelo Ocidente. Enfrentado a agressividade dos EUA e do Islão e a passividade e cumplicidade da União Europeia, os sérvios sofreram e resistiram. Mas o futuro afigura-se negro; estando na frente de batalha, a Sérvia enfrentará as duas bombas-relógio islâmicas criadas pelos americanos e uma UE mais interessada em interesses económicos do que no seu povo. A guerra está aí e para durar.

Em total descrédito cai agora o TPI, que acabou de criar um mártir. Aquela que tanto afirmou ser uma instituição para julgar pessoas e não ideologias, que recusou a acusação de ser um “tribunal de vencedores”, dificilmente conseguirá ser levada a sério depois do sucedido. Ainda para mais porque, para um tribunal tão empenhado em condenar “criminosos de guerra”, nunca houve grande preocupação com os “crimes de guerra” no Kosovo… contra os sérvios.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Mudanças

Depois de ter mudado de casa no final do ano passado, foi agora vez de uma mudança profissional que me tem mantido afastado da blogosfera. Já devidamente instalado, descobri que o meu acesso à internet está condicionado por filtros e os blogs são territórios vedados. Enquanto não resolver esta situação ou me decidir qual a ligação que quero em casa, as minhas vindas a esta casa serão fugidias e em computador alheio. Do pouco que vi, apercebi-me que perdi o nascimento d'A Torre de Ramires, uma muito recomendável experiência a solo do meu amigo Mendo, que está de parabéns. É o que dá andar afastado...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Música (III)

Depois de certos amigos me lembrarem que não mudava de música de fundo há muito tempo, decidi dar lugar a uma que gosto muito, “Il paese dei balocchi”, dos italianos Hobbit, que faz parte da compilação “Vox Europa II”, editada em 2001 pela Rupe Tarpea Produzioni.

Il paese dei balocchi

Venite ce n'è per tutti
è il paese dei balocchi
alti, magri, belli e brutti
venite a vedere con i vostri occhi

Ci sono case di marzapane, e specchi per allodole
ci sono vetrine colorate, paghi 2 e prendi 3
ci sono fuochi sulle strade che aspettano soltanto te

Ci sono libri da bruciare, per nascondere la verità
ci sono lacrime da versare per chi lacrime non ha
ci sono bocche da sfamare, forza fate la carità

Venite ce n'è per tutti
è il paese dei balocchi
alti, magri, belli e brutti
venite a vedere con i vostri occhi

Ci sono mode da seguire, se vuoi essere più in
ci sono date da ricordare,
e storie per commuoversi
e cos'è il bene e cosa è il male,
te lo dice anche il tg4

Ci sono miti da sfatare, qui non esistono tabù
ci sono piste per ballare, o da tirare su
ci sono mari da inquinare, che un tempo erano blu

Altro giro altro gioco, e intanto ingrassa
Mangiafuoco

Altro giro altro gioco, prendi tanto e paghi poco
altro giro altro gioco, prendi tanto e paghi poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, e intanto ingrassa
Mangiafuoco

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Liberdades de expressão

No ano passado, reflecti aqui sobre o “caso Irving” e o chamado “revisionismo do Holocausto”. As notícias confirmaram o esperado: o historiador britânico foi condenado a três anos de prisão por um tribunal austríaco. O seu crime? A “negação do Holocausto”. Segundo os seus acusadores, Irving seria movido por motivos políticos na sua “falsificação da História”. Seja como for, o que aconteceu — e que tem que ser dito — foi que um cidadão europeu foi condenado num país europeu pelas suas ideias!

Não me vou alongar em reflexões, mas segundo o meu conceito de liberdade de expressão não podem existir leis que proíbam a investigação histórica — seja ela qual for e por mais polémica que seja — na qual se inclui o “revisionismo do Holocausto”. E por isso me classificam como “anti-judeu”... Por outro lado, acho que associações judaicas, ou quaisquer outros que se sintam ofendidos, têm o direito de processar judicialmente um autor revisionista. E por isso me classificam como “filo-judeu”... É assim que concebo a liberdade de expressão, que não pode ser nem “anti” nem “filo-judaica”.

Neste caso impõe-se um paralelo com o episódio dos cartoons; a Europa não pode manter uma política de “dois pesos e duas medidas” e considerar a liberdade de expressão um dos seus fundamentos civilizacionais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Hemeroteca (VII)

Hoje trago um jornal que no conturbado período pós-abrilino tentava ser livre, independente e pluralista.

Título: Liberdade
Data: 21 de Fevereiro de 1975
N.º 15
Director: Luís Arouca


Nesta edição do semanário «Liberdade», que custava 5$00, o destaque vai para as opiniões de Carlos Fabião e Paradela de Abreu sobre “Portugal e o presente”, para a institucionalização do MFA e para o suplemento “O aborto em debate”. De referir, também, uma entrevista sobre um tema que começava a ser trazido para a ordem do dia, os problemas do Ambiente, com Gonçalo Ribeiro Teles, na altura Subsecretário de Estado do Ambiente. Na secção “Artes e Letras”, dedicada à Internacional Situacionista, podemos ler uma interessante entrevista que os situacionistas fizeram a si próprios publicada num dos números da sua revista. Na última página, uma pequena caixa dava conta de que o jornalista Manuel Maria Múrias havia sido internado no Hospital-Prisão de Caxias depois de nove dias de greve de fome, exigindo o contacto com o seu advogado e a imediata realização do seu julgamento.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Ameaça islâmica?



Activismo em alta (II)

O passado sábado foi um dia em grande. Comecei por estar presente no almoço comemorativo do sexto aniversário do PNR, onde pela primeira vez se atribuíram prémios a militantes que se distinguiram pelo seu trabalho e onde se pôde claramente ver que o partido se encontra em franco crescimento e cada vez mais activo. O único problema foi a exiguidade do espaço que albergou a custo os setenta nacionalistas presentes; o aumento de militantes e o crescente interesse por iniciativas como esta vai obrigar, a partir de agora, à escolha de locais de maiores dimensões.

De seguida, ao fim da tarde, fui à SHIP para mais uma homenagem ao poeta Rodrigo Emílio, no dia em que passavam dois anos sobre o seu falecimento. Encontrei muitos amigos, entre os quais vários da blogosfera, e o ambiente estava óptimo. Das intervenções devo destacar a do meu amigo BOS, pois conseguiu superar as minhas já elevadas expectativas. Seguiu-se jantar e alegre convívio nas recém-recuperadas cozinhas medievais do Palácio da Independência. Rodrigo Emílio, presente!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

“Lei assassina”

A associação Causa Identitária protestou já contra a nova lei da nacionalidade, chamando-lhe “a lei assassina”. No seu comunicado, considera “esta lei um assassínio legal da Identidade dos Portugueses. Coloca em perigo o nosso presente e hipoteca o futuro dos nossos filhos.

Aprovada a nova lei da nacionalidade

Como prometido pelo (des)governo, foi aprovada ontem a nova lei da nacionalidade. Com as habituais desculpas da “integração”, o critério do jus soli ganha cada vez mais força na atribuição da nacionalidade. Os pregadores da utopia multiculturalista insistem nestas medidas suicidas, apesar dos exemplos de conflitos violentos em vários países europeus, como a França.

Veja-se a ligeireza com que uma decisão destas foi tomada e como a imprensa a tem tratado. Parece que se trata apenas de mais um assunto corriqueiro, quando é o futuro do nosso Povo que está em causa.

Como escrevi em Julho do ano passado: “Este é apenas um passo, mas na direcção errada. E, passo a passo, caminhamos para a obliteração da nossa Nação.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Olhos abertos

O caso das caricaturas de Maomé tem aberto os olhos a muita gente relativamente à ofensiva declarada do islão contra a Europa, que se sente chocada com as atitudes cobardes dos submissos como Freitas do Amaral. Hoje ouvi Maria João Avillez, no programa “Mel com Fel” na Rádio TSF, dizer não compreender o silêncio de José Sócrates face às reacções à tomada de posição do ministro dos negócios estrangeiros. E continuou assim:

Confundirá ele o caso dos cartoons dinamarqueses com um mero caso de liberdade de expressão? Achará ele, a sério, que estamos diante de uma reacção exclusivamente ditada pela ofensa face a convicções religiosas e que, como tal, necessita de "tolerância", entre aspas, e de "compreensão", também entre aspas, e logo de públicas desculpas apressadas e envergonhadas. Eu dormiria mais descansada se tivesse a certeza de que o nosso primeiro-ministro percebe o que aí está. A continuação da guerra - encetada de resto há um bom par de anos - contra o Ocidente e a sua civilização que ele gerou, pressupõe e representa, onde cabe aliás o próprio Sócrates e os valores que obviamente professa. Não compreender que estas caricaturas, por mais discutíveis que as queiram achar, são o inflamado e manipulado pretexto para continuar uma cruzada do terror no suposto nome de deus é muito simplesmente preferir esconder-se atrás do biomboda mais devastadora das irresponsabilidades. É que somos nós os visados. Trata-se da pátria europeia onde nascemos e que nos determinou a nossa matriz civilizacional, cujos alicerces estão, hoje, um a um, a começar a ser minados. Por fora, obviamente, mas também por dentro, por palavras actos e omissões, como as o titular dos negócios estrangeiros de Portugal.

Quem acha que isto vai lá com “paninhos quentes”, está a colaborar com a invasão e colonização islâmica — intolerante e totalitária.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

30 anos a contracorrente

O semanário «O Diabo» completou trinta anos de existência no passado dia 10 de Fevereiro e continua a ser um dos raros exemplos de independência e irreverência na imprensa portuguesa. Na edição de hoje, o destaque vai para a entrevista com o Prof. Dias Farinha, Director do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos, que afirma que “o holocausto ainda é um tabu para o Ocidente”, para a análise da corrupção em Portugal, sobre a qual, Adelino Maltez afirma: “em Portugal não há máfias mas alguns ladrões que deixámos subir ao poder”, e para o artigo sobre a dispensa de vários conselheiros e adidos por parte do MNE, titulada “Freitas está a abandonar as comunidades portuguesas”. Por fim, a habitual referência ao obrigatório “O Diabo a Sete” do Walter Ventura, desta vez sobre a liberdade de expressão, e com a participação Manuel Azinhal na coluna “Os meus blogues”.

Hemeroteca (VI)

Quando iniciei a rubrica Hemeroteca, decidi que o critério de escolha seria a data de publicação do jornal ou revista. Hoje, excepcionalmente, dou lugar ao primeiro número de «O Diabo» por ser terça-feira, apesar de este ter saído no dia 10 de Fevereiro de 1976, completando assim trinta anos de existência.

Título: O Diabo
Data: 10 de Fevereiro de 1976
N.º 1 (Ano I)
Director: Vera Lagoa

Renascia, no período conturbado do pós-25 de Abril, um jornal que começara no Porto, em 1895. A escolha do título era justificada assim: “Há quem se escandalize pela ousadia de retomar a direcção de um jornal de tão honrosas tradições. A verdade, porém, é que "O Diabo" apareceu, nas suas várias fases, normalmente em períodos de crise, quando se tornava necessário um certo espírito de crítica mordaz que não poupava ninguém escalpelizando todas as situações numa posição de independência sempre ao serviço da verdade.” A primeira página era dominada pelo editorial de Vera Lagoa e pela dúvida de quem seria o próximo presidente. Do conteúdo destaco o artigo sobre “As horas decisivas do 11 de Março”, “Quem inventou Otelo?”, de A. de Montemuro, uma entrevista com o jornalista Fernando Barradas, as crónicas de apoio a Vera Lagoa de Fernanda Leitão e Natália Correia, o dossier retornados e ainda as coisas do Diabo. O jornal custava 7$50 - sete e quinhentos, como se dizia então. Na publicidade, o destaque vai para a Citroën Dyane e para os apartamentos na Rua Filipe Folque que se vendiam a partir de 750 contos. Na última página, o jornal publicava o seu estatuto editorial: “O "O Diabo" é um semanário que pretende servir os interesses do Povo Português por meio de uma informação livre, independente e não partidária. Retomando uma tradição de jornal de combate, "O Diabo" repudia também qualquer espécie de manipulação ou censura interna. "O Diabo" defende ainda um jornalismo rigoroso, objectivo e verdadeiro, comprometendo-se a respeitar a Lei de Imprensa e os princípios deontológicos que regem os profissionais da informação.

Mundialização, mundialismo

Universalização planetária das trocas, dos circuitos e produções económicas e financeiras, bem como da informação; internacionalização da cultura. O “mundialismo” é a doutrina que prega a generalização deste fenómeno.

Na realidade, o processo de mundialização económica e cultural começou há mais de duzentos anos. Hoje fala-se de globalização da economia planetária. Este fenómeno, contudo, não é tão importante quanto podemos pensar, as economias e as culturas regionais e nacionais continuam muito fortes por toda a parte. A ideologia mundialista engana-se, porque a mundialização em exagero, apenas levará a catástrofes e fragilizará a economia mundial e o ecossistema.

O dogma mundialista, central na ideologia dominante, mesmo na esquerda neo-trotskista anti-liberal, é evidentemente partilhado também pelo islão, cuja ideologia é universal.
Observamos na realidade uma pluralidade de mundialismos, o do islão, o da esquerda cosmopolita e imigrófila, o do Ocidente liberal e pró-americano. O mundialismo é uma arma de guerra contra a Europa, a sua identidade, o seu poder e a sua independência económica. É a expressão da utopia do fim da história. Os chantres do mundialismo divinizam a internet, a “nova economia”, os fluxos migratórios em direcção à Europa, a globalização das redes financeiras, sem ver que as realidades étnicas e religiosas ancestrais serão sempre mais fortes.
De facto, a mundialização não põe em causa a diversidade das culturas e o choque das civilizações, antes pelo contrário. Por um irónico movimento dialéctico, ela provoca-os, regenera-os.

Com efeito, quanto mais os povos se aproximam num planeta sobrepovoado, “colados” uns aos outros, mais a necessidade de identidade se faz sentir por reflexo. É por isso que, no século XXI, é altamente improvável que o futuro da mundialização seja pacífico nem mesmo que esta resista a um previsível “choque das civilizações”.

Guillaume Faye
in “Pourquoi nos combattons”, L’Æncre (2001).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Evocação de Carl Schmitt


Mais uma vez volto aqui a aconselhar a revista «Futuro Presente», que no seu último número, o 59, publica um excelente artigo de fundo de Jaime Nogueira Pinto sobre Carl Schmitt, quando passam vinte anos sobre a sua morte. Para além de lembrar os dados essenciais da vida e obra daquele que considera “um dos nomes essenciais do pensamento político e jurídico-constitucional do século XX”, o autor conclui o texto olhando Schmitt à luz dos dias de hoje. A destacar, também, os artigos “Jean-Paul Sartre: O Poder do Pensamento Negativo”, de Roger Scruton, “Miguel de Cervantes: Meditações de um Economista sobre o Quijote”, de Juan Velarde Fuertes, e “D. Pedro V: Nos 150 anos da sua Aclamação”, de Roberto de Moraes, bem como a continuação do “Inquérito sobre a Europa”. Nas rubricas habituais, chamo a atenção para a “Primeira Página”, de Miguel Freitas da Costa, que, desta vez, tendo como tema a situação actual do continente africano e como título “Será preciso?”, conclui desta forma: “Há uns bons anos, perante a desgraça sangrenta e miserável de quase toda a África independente, sem esperança visível de emenda, um jornalista francês deu como título seu uma pergunta provocatória: Faut-il recolonizer l’Afrique? Será preciso recolonizar África? Foi do Figaro Magazine do famigerado Louis Pauwels, de Paris. Agora, mais delicadamente, faz-se a mesma pergunta – mas é na conspícua revista do council on Foreign Relations, de Washington. O mundo mudou muito.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Al-Carrefour

A submissão ao islão atinge níveis simplesmente inacreditáveis na Europa. A cadeia de hipermercados Carrefour, com sede em França, um dos países europeus mais islamizados, cedeu à pressão terrorista muçulmana e decidiu retirar produtos dinamarqueses dos seus espaços comerciais. A associação Causa Identitária está já a promover um contra-boicote.

Perante esta atitude cobarde de colaboracionismo com a colonização islâmica do nosso continente, vergando-se a leis que não são nossas, é caso para perguntar: para quando a retirada de carne de porco ou de bebidas alcoólicas?

6.º aniversário do PNR

O Partido Nacional Renovador está de parabéns. Este ano completa o seu sexto aniversário e está mais activo que nunca. A comemoração, que incluirá um almoço-convívio, terá lugar no próximo dia 18 de Fevereiro. Para mais informações, consultem o Portal Oficial do PNR.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Dos “maus da fita”

Como fiz no post anterior, volto a ligar aquilo que escrevi sobre a polémica dos cartoons, desta vez sobre os prontos-a-culpar, dizendo que “na Dinamarca ainda foi tentada a desgastada manobra de ilusionismo político-mediático dos perigosos grupos neo-nazis”, com o certeiro comentário de José Pacheco Pereira a uma notícia do «Público»:

Da liberdade de expressão

Quando escrevi sobre a polémica das caricaturas disse, sobre a liberdade de expressão, que “criticar o vigente sistema de "dois pesos e duas medidas" foi o único argumento válido apresentado pelo mundo islâmico e que deve levar os governos europeus a um repensar sério dos tiques e taras da ditadura do politicamente correcto.” Muitas vozes críticas se têm ouvido desde a publicação dos cartoons, mas quero aqui destacar o que José Pacheco Pereira escreveu ontem no jornal «Público», que também reproduziu no Abrupto: “Eu pensei que as coisas estavam melhores do que o que estão, mas, mais uma vez, se percebe como há apenas uma fina película entre a civilização e a barbárie. Película que estamos a deixar romper com a maior das displicências. Devia desconfiar que é assim porque os sinais estão por todo o lado. Mas a gente acredita, quer acreditar, que algumas dezenas de anos de democracia consolidada (na maioria da Europa) e duas centenas de anos desde a revolução americana e francesa tinham consolidado a liberdade como princípio. Mas não é, não é suficiente, como se vê.
Estamos em guerra e estamos a perder. Estamos a perder, antes de tudo, porque ainda não percebemos que estamos em guerra. A retórica olimpiana, de um mundo "multicultural", de uma "comunidade internacional" eficaz, assente na lei e na Realpolitik moderada, ofusca-nos e impede-nos de ver o que está à nossa frente. (...)

Hoje voltou à carga na revista «Sábado» (cuja digitalização foi já disponibilizada pelo Camisa Negra): “Uma das principais entorses à liberdade de expressão no "ocidente" é um resultado directo da II Guerra Mundial, do universo dos vencedores e vencidos. Refiro-me ao tratamento legal desproporcional entre os subprodutos do totalitarismo nazi-fascista e do totalitarismo soviético, sendo uns criminalizados e outros não (com excepção dos períodos mais agudos da guerra fria, como o banimento do PC alemão na RFA, e a "caça às bruxas" americana). Defendo que se acabe com essa dualidade de critérios, que considera o ódio rácico um crime e o "ódio de classe" aceitável. O actual debate das caricaturas dinamarquesas devia servir para termos mais liberdade e não menos.
No meu entendimento da liberdade de expressão, cabe o "revisionismo" negacionista, uma pseudo-história que nega o Holocausto, criminalizado em vários países, e cabe o direito a ter opiniões xenófobas, racistas e a propaganda nazi. Lamento desiludir os puristas do politicamente correcto, mas para mim a liberdade de expressão destina-se proteger o direito de outrem apresentar os seus pontos de vista, por muito ofensivos, miseráveis, violentos que me pareçam. No limite, esta é a salvaguarda última da minha liberdade.


Reflexões como estas devem levar a Europa a reflectir sobre os seus valores e sobre a hipocrisia que os está a minar.

Vergonha

Uma vergonha é a única forma de classificar a “Declaração do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sobre a crise dos cartoons”. Por entre disparates inadmissíveis, rebaixa Portugal ao islão e apela explicitamente à censura, nunca se referindo às condenáveis reacções violentas do mundo islâmico. Depois da sua divulgação, Freitas do Amaral disse, justificando-se ao canal de televisão SIC Notícias, que queria “abalar as consciências”. Alá agradece.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Julgamentos incómodos

Há uns dias atrás, o Vanguardista lembrou o julgamento de Slobodan Milosevic, publicando a tradução de um texto de Neil Clark intitulado “O julgamento que o Ocidente preferiria esquecer”. Não é o único. O julgamento de Saddam Hussein tem sido muito confuso desde o início e agora é o insuspeito «Economist» que o considera “caótico”. Nesse artigo, que dá conta das peripécias deste julgamento atribulado, destaco a legenda da fotografia de Saddam: “um activista dos direitos humanos”. É a “justiça” dos vencedores, que está longe de ser cega...

Homenagem a Rodrigo Emílio


A Sociedade Histórica da Independência de Portugal organiza no próximo dia 18 de Fevereiro, sábado, pelas 18 horas, uma sessão de homenagem a Rodrigo Emílio no Salão Nobre do Palácio da Independência. Contará com a presença habitual de José Campos e Sousa e com comunicações de Francisco Ferro, José Carlos Craveiro Lopes, Luís António Serra, Vasco Barata e Bruno Oliveira Santos. Segue-se jantar nas instalações da SHIP, ao preço de 15 euros por pessoa, opcional e sujeito a inscrição para ahnonas@mail.telepac.pt.
Mais uma louvável iniciativa para celebrar um dos mais geniais poetas pátrios.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

“Presidenciais terminaram com o monopólio antifascista da República”

Este é o título da interessante entrevista com Maria de Fátima Bonifácio que o semanário «O Diabo» publicou ontem. Para além desse comentário à vitória de Cavaco, que considera um “democrata sem passado antifascista”, afirma que “o movimento cívico em torno da candidatura de Alegre esgotou-se no dia das eleições e não tem futuro”. Quanto aos partidos portugueses, considera que estão “mal arrumados” e sugere: “Há uma direita liberal dentro do PSD que devia fundir-se com o CDS-PP e fazer um grande partido liberal à direita. E, por outro lado, há gente com perfil social-democrata no seio do CDS-PP que devia passar para o PSD.” Sobre o BE considera que “é um partido anti-sistema e de protesto, cujas propostas que parecem modernas e aberta remetem para um modelo de sociedade anacrónico completamente estatizado, hostil ao mercado, à concorrência e à meritocracia e ainda igualitarista e estatista.” Sobre a classe política, diz que vivemos num “sistema de fraude eleitoral” no qual os “políticos sentem-se à vontade para mentir descaradamente na altura da campanha eleitoral”.

Para além desta entrevista, aconselho como sempre as duas páginas do Walter Ventura, desta vez com a participação do Manuel Azinhal, e as implacáveis “Coisas de o Diabo” na última página.

Caricaturas: Da polémica à política

A actual polémica em volta dos cartoons de Maomé publicados inicialmente no jornal dinamarquês «Jyllands-Posten» e reproduzidos por outros jornais europeus, incluindo o «France Soir» o que motivou o despedimento do seu director, é mais uma erupção evidente do “choque de civilizações” que se agrava a cada dia, merecendo por isso uma reflexão.

Liberdade de expressão
A “liberdade de expressão” foi a justificação imediata para a publicação das caricaturas, mas não convenceu e provocou interrogações incómodas. É claro que, em teoria, no mundo ocidental somos livres de dizer o que queremos, podendo ser alvos de processos judiciais e condenados caso se prove que determinadas afirmações incentivavam, por exemplo, a actos violentos que se concretizaram. Pode ser um belo princípio — e muito útil neste caso concreto — mas a realidade, para a qual muitos europeus só agora despertaram, é bastante diferente. Sabemos perfeitamente que há vários temas ditos “delicados”, com os quais jornais que publicaram as caricaturas da discórdia nunca se atreveriam a brincar. Criticar o vigente sistema de “dois pesos e duas medidas” foi o único argumento válido apresentado pelo mundo islâmico e que deve levar os governos europeus a um repensar sério dos tiques e taras da ditadura do politicamente correcto.

Representação de Maomé
O islão mostra a sua verdadeira face ao afirmar que o seu profeta não pode ser representado. A origem desta proibição está no Corão, o seu livro sagrado, que é fonte de direito e que deve guiar a conduta de qualquer muçulmano. Este argumento demonstra que para os muçulmanos, a sharia, a lei islâmica, não tem um âmbito restrito de aplicação. Aquilo que alguns intelectuais ocidentais tentam negar é desta maneira totalmente exposto, o islão é intolerante, totalitário e expansionista. A sua versão “moderada” é uma invenção utópica e perigosa, que tem aberto as portas do nosso continente a massas populacionais muçulmanas que começam a colonizá-lo.

Quanto às representações propriamente ditas, convém dizer que esta não é, obviamente, a primeira fez que o profeta é representado. As reacções violentas às caricaturas explicam-se porque estas foram mais uma gota de água que transbordou ligeiramente o copo. É um óptimo caso concreto para os líderes religiosos muçulmanos justificarem popularmente a guerra santa aos infiéis. Aqui até há uma coincidência que facilita esse apelo à jihad. As bandeiras tanto da Dinamarca como da Noruega têm cruzes, sendo excelentes para simbolizar os inimigos “cruzados”, que é como os islâmicos se referem aos europeus e aos ocidentais em geral, sejam ou não cristãos.

Os “maus da fita” e o inimigo
Depois de algumas posições de força (sé é que podemos considerá-las de força) escudadas pelo chavão da “liberdade de expressão”, a maior parte dos governos europeus voltou à sua postura habitual, isto é, vergados ao islão.

Deste lado publicaram-se cartoons, do outro houve manifestações e ataques violentos, ameaças armadas a representações diplomáticas, boicotes a produtos comerciais, entre outras posturas arrogantes e agressivas. Colocando tudo isto nos pratos da balança do politicamente correcto — a tal dos dois pesos e duas medidas — vimos que, como sempre, a culpa é nossa. Os nossos (des)governantes rebaixaram-se aos muçulmanos de uma forma que estes só o fazem a Alá. Com pedidos de desculpas oficiais, justificações para as agressões islâmicas, condenações das caricaturas e apelo à censura, transmitiram a habitual imagem de fraqueza ao islão, que só entende a linguagem da força.

Na Dinamarca ainda foi tentado a desgastada manobra de ilusionismo político-mediático dos “perigosos grupos neo-nazis”, mas com a dimensão assustadora da comunidade islâmica naquele país dificilmente surtiu qualquer efeito. Mas a busca de uns “maus da fita” prontos-a-culpar não ficou por aí, muitas teorias — algumas da conspiração — foram apresentadas.

Vemos como os líderes europeus e as elites bem-pensantes que os alimentam continuam em negação. Preferem o combate contra os conceitos vagos como a “intolerância”, o “racismo” ou a “xenofobia”, à definição clara de quem é o nosso inimigo — como teorizado por Carl Schmitt. O islão já o fez e por isso está em vantagem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Manuel Cavaleiro de Ferreira

Quando li as referências a Manuel Cavaleiro de Ferreira feitas pelo Manuel Azinhal e pelo Jansenista, lembrei-me do seu filho, seu homónimo, que conheci e que também já não se encontra entre nós. O “Manelzinho”, como era conhecido, vivia para o pai e para a sua obra. Recordo as longas conversas que tive com ele, sobre o pai, claro, mas também sobre Salazar e os meandros da política durante o Estado Novo. Admirava o trabalho do pai, como académico e como ministro, e todos os seus esforços eram gastos na preservação da sua memória, conseguindo a publicação de algumas das suas obras, estando envolvido no processo que levou à atribuição do nome do seu pai a uma rua em Lisboa e elaborando de uma página na internet. Essa página tem uma história curiosa. O “Manelzinho” era uma pessoa muito solitária, com o pensamento sempre absorvido pelo seu único objectivo. Quando soube que ele havia iniciado a construção de um sítio na internet sobre o seu pai e onde disponibilizaria vários dos seus textos, ofereci-me para lhe dar algum auxílio técnico, caso necessitasse. Recusou imediatamente. Apesar de não ter computador nem conhecimentos profundos de informática, aprendeu e, utilizando um posto público de acesso à web, dedicou-se a esta empresa. Sabia perfeitamente que esta nova tecnologia era um dos meios fundamentais para a divulgação e preservação da obra do seu pai. Morreu pouco tempo depois da última actualização da página, mas esta ficou e continua a ser visitada e referida. Obrigado ao Manuel Azinhal e ao Jansenista, pois o melhor elogio ao Manuel Cavaleiro de Ferreira (filho) era elogiar o seu pai.

Cinco manias

O meu amigo BOS, que gosta tanto destas coisas como eu, não hesitou em enviar-me um desses inquéritos blogosféricos, que me parecem ser musas tipo fast-food para quem lhe falta inspiração ou assunto. Desta vez a intenção é que o participante descreva “cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue”.

Aqui ficam cinco manias minhas, to whom it may concern:

1. Tenho mania de me sentar sempre no mesmo sítio à mesa, mesmo em casa de outras pessoas.

2. Quando vou a casa de alguém, tenho a mania de passar em revista a biblioteca alheia.

3. Tenho a mania de chegar a horas, mesmo sabendo que esse hábito rareia no nosso país.

4. Tenho a mania de ser amigo dos meus amigos.

5. Tenho a mania de ler.

Para terminar, os senhores que se seguem: Rodrigo, Francisco Nunes, Biollante, JM Telles da Silva e Assur.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Tierra y Pueblo n.º 10

Estava a reler um artigo do último número da «Tierra y Pueblo» e lembrei-me que ainda não havia referido esta excelente publicação no blog. Quando estive em Valência no ano transacto, no II Coloquio Internacional de Tierra y Pueblo, o camarada Enrique, que tive o maior prazer em conhecer e a quem agradeço, teve a amabilidade de me oferecer uma colecção completa desta revista identitária. O artigo em causa é de Guillaume Faye e sobre a sua viagem à Rússia, onde foi recebido na Duma, o Parlamento Russo e nas Universidades de Moscovo e São Petersburgo, dando várias conferências e entrevistas. O número da revista é o 10, referente a Outubro de 2005, e tem como tema central “Sérvia, orgulho da Europa”. Conta com vários artigos sobre a Sérvia, o Kosovo, a Bósnia-Herzegovina, entre outros, bem como uma entrevista merecedora de destaque com Yves Bataille, um dos maiores especialistas mundiais em geopolítica e conhecedor da realidade sérvia. É sem dúvida uma revista a não perder e aconselho-a a todos os que me lêem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

In gold we trust

Um colega meu despede-se dizendo:
- Vou sair agora, quero chegar cedo à conferência do Bill Gates.
Amanhã, de certo, contar-me-á como decorreu a cerimónia onde centenas de pessoas se vergaram à personificação do deus dólar. No mundo anarco-capitalista de hoje é ao “homem mais rico do mundo” que se deve reverência...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Homenagem aos portugueses assassinados na África do Sul

Realizou-se no passado sábado uma homenagem aos portugueses assassinados na África do Sul, organizada pelo PNR e pela FN, na qual estive presente. Na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, foram colocadas 361 cruzes, representando o número de portugueses mortos desde que o ANC tomou o poder na África do Sul, dispostas de maneira a formar uma cruz gigante, simbolizando o massacre de que têm sido alvo os nossos compatriotas naquele país.

Esta manifestação deveu-se ao facto de as autoridades portuguesas ignorarem, pura e simplesmente, a situação e de as autoridades sul-africanas tratarem com desprezo os repetidos ataques à comunidade portuguesa.



Mais uma vez, o evento decorreu exemplarmente e sem quaisquer incidentes. As mais de duzentas pessoas presentes, escutaram atentamente as palavras proferidas e fizeram um minuto de silêncio em honra dos portugueses assassinados. Muitos transeuntes curiosos recolheram informações e propaganda do PNR na banca montada junto ao local da cerimónia, mostrando que o interesse por uma alternativa nacionalista cresce no nosso país.

Da cobertura mediática, que envolveu televisões, jornais e rádios, houve alguns meios de comunicação que destacaram aquilo que consideraram um ataque ao Presidente da República, no discurso do Presidente do PNR. José Pinto-Coelho disse que Jorge Sampaio não era “o Presidente de todos os portugueses”, mas “o Presidente de todos os imigrantes”. Estou inteiramente de acordo com esta afirmação, acrescentando mesmo que os emigrantes têm vindo a ser gradualmente preteridos em favor dos imigrantes. Aliás, não deixa de ser curioso que os imigracionistas do costume acenem com os nossos emigrantes para justificar a entrada desregrada e maciça de estrangeiros no nosso país, mas que depois “esqueçam” totalmente casos em que os portugueses são atacados noutros países, como na África do Sul. Os nacionalistas, por seu turno, defendem sempre os seus compatriotas, onde quer que estes se encontrem.

Guerra nas escolas francesas

No novo e muito recomendável Vanguarda, foi abordado o tema da escalada de violência nas escolas francesas, sobretudo naquelas em zonas de forte presença imigrante. O caso é preocupante e a crescente insegurança dos professores motivou já uma greve, mas o dedo acusatório continua a ser apontado na direcção errada. Não há coragem de culpar os culpados e a sistemática desresponsabilização dos “jovens” descendentes de imigrantes, através de supostas medidas de “integração”, apenas contribui para o agravamento da violência, pois os agressores sentem-se cada vez mais inimputáveis. Esta situação dramática está muito bem analisada no último editorial de Pierre Vial, presidente da Associação Terre et Peuple, “A Escola campo de batalha: um lugar privilegiado da guerra étnica”.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Mozart e cultura


Anteontem passaram 250 anos sobre o nascimento de um dos maiores génios da música europeia. Esta efeméride leva-nos a pensar na forma como é encarada a cultura hoje e nas prioridades dessa que é uma área fundamental. Audiências, modas, desporto espectáculo, entre outros, são passos que se dão numa caminhada para um povo que se quer cada vez mais ignorante e desligado da sua cultura.

Fica aqui uma referência à reflexão certeira do Eurico de Barros, “Serviço público de futebol e de política, não de Mozart”, ontem no «Diário de Notícias». Nessa sua crítica ao serviço público de televisão é categórico: “Não havia possibilidade de ter um programazinho de produção própria sobre Mozart? Ou de transmitir em directo ou diferido um só dos muitos concertos do dia? Parece que não. A verdade nua e crua é esta: havia muito mais espaço para a cultura e as artes na RTP do "fascismo" do que há na RTP da "democracia".

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Música (II)

Já passou mais de um mês desde que este blog passou a ter música e hoje decidi mudar. Continuo com um grupo francês, desta vez os In Memoriam, um dos grandes nomes do Rock Identitaire Français que muito aprecio. A música chama-se “Paris-Belgrade”, versa sobre os bombardeamentos criminosos da OTAN sobre a Sérvia, em 1999, e faz parte do álbum com o mesmo nome, editado no ano seguinte.


Paris-Belgrade

Une nation violée au coeur du monde occidental
Méritait d'être soutenue par la jeunesse nationale
C'est bien pour ça qu'on s'est envolé, en terre yougoslave
Pendant ce temps, Paris se noie dans la spirale du mensonge
L'Otan dicte sa loi, la propagande vous inonde
Pendant ce temps Belgrade est la proie des bombes et des flammes
Ce ne sont pas des soldats qu'ils massacrent, mais des enfants et des femmes.
Refrain :
"US Go home !" c'est ce qu'ils scandaient sur les ponts
De Belgrade à Novi Sad, le peuple serbe faisait front
"NATO Go home !" c'est ce qu'ils criaient sur les ponts
C'est solidaires de leurs souffrances que pour eux nous chantions.
Arrivés sur place, l'accueil est vraiment chaleureux,
Des créatures de rêve nous font découvrir les lieux
Soudain le cri des sirènes résonne au coeur de la ville
Le climat s'alourdit, la peur se lit sur les regards
Les yeux se lèvent vers le ciel, chargés de désespoir
Belgrade résignée est plongée, noyée dans le noir
Le terrorisme aveugle vient frapper des quartiers au hasard.
Refrain
Puis vient l'heure du concert sur la grande place de Belgrade
Il est temps pour nous d'encourager à notre manière nos camarades
Qu'est ce qu'on était fier de brandir devant eux le drapeau yougoslave
Le soir c'est sur un pont que se poursuit notre combat musical
Les avions de l'Otan entament leur triste carnaval
Que vont-ils frapper cette fois une école, un hôpital?
A Paris tout le monde s'en fout, c'est un dégât collatéral.
Et toi pendant ce temps-là, que faisais-tu en France,
Toi qui te complaisais à demeurer dans l'ignorance?
Aujourd'hui, la Serbie, demain la Seine-Saint-Denis
Un drapeau frappé d'un croissant flottera sur Paris.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Françarábia

A reter o testemunho in loco de Eurico de Barros, no Jantar das Quartas, sobre o país europeu onde a invasão e colonização do islão mais se faz sentir e onde se assiste ao início de uma guerra civil étnica. Para ler e pensar, as “Rápidas impressões de uma breve viagem a Paris 1, 2, 3 e 4.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Pensamentos eleitorais

Aqui fica um exercício especulativo daqueles que muito bem podem ter sido os primeiros pensamentos dos candidatos face aos resultados eleitorais de ontem:

Cavaco Silva – Se pensam que agora que ganhei vou soltar a língua, estão muito enganados.

Manuel Alegre – Ai a merda das décimas! Deixa-me voltar para o PS enquanto ainda estou em alta...

Mário Soares – Foi uma vitória! Só pela minha candidatura os portugueses devem-me um agradecimento. Eu dei tudo à Pátria! Sou pai dela, não sabiam? Esqueceram-se, os cabrões! Se não fosse eu, Portugal não existia.

Jerónimo de Sousa – A escola do partido tinha razão, não precisei de mudar nada e consegui subir. Somos verdadeiros índios. Jerónimooo!!!

Anacleto Louçã – Livra! Estava a ver que não pingava o graveto! Povinho pobre e mal agradecido... Um intelectual moderno como eu e quem me ultrapassa é aquele operário jurássico.

Garcia Pereira – Tal como sempre disse, não fui eleito, mas disse umas verdades. Coerência acima de tudo.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Diálogo bibliófilo

Ontem, por entre alfarrábios e alfarrabistas, encontrei o Jorge, um amigo cuja fotografia poderia muito bem ilustrar a entrada “bibliófilo” no dicionário. Foi óptimo o reencontro e está prometido que em breve continuaremos a nossa conversa, que fica sempre a meio...

Como é usual em todas as conversas que começam por “há quanto tempo...”, fizemos um ponto da situação das nossas vidas. Mas nem nesses “o que é que tens feito?” deixam de estar presentes os livros.

– Um T2 chega-te, agora que vais ter outro filho? – perguntou-me ele a certa altura.
– Queres saber como cabem os livros, não é? – corrigi-lhe instintivamente a questão.
Depois do seu sorriso, disse-lhe:
– Forrei a estantes uma das paredes da sala e ainda consegui pôr uma no corredor e outra na arrecadação.
– Os corredores são óptimas soluções!
O diálogo terminou, já em andamento, com o reconhecimento de uma fatalidade:
– Por agora cabem, mas qualquer dia tenho o mesmo problema. O espaço nunca é suficiente. – concluí, com um falso conforto.
– Pois não...

sábado, 21 de janeiro de 2006

Passeio de alfarrábios

Nada como aproveitar o bom tempo do “dia de reflexão” para dar um passeio no Chiado em família. Está claro que dei uma volta na Feira de Alfarrabistas e Coleccionismo na Rua Anchieta e, como sempre, encontrei vários amigos com quem pus a conversa em dia e tratei de marcar almoços.

Quanto aos alfarrábios, comprei pouco mas bom. Logo na terceira banca dei de caras com “O Reino Dividido”, de João Bigotte Chorão, obra obrigatória que já lera graças a um empréstimo do amigo Mendo. Tenho há muito programada a compra do “Diário quase completo”, editado pela INCM, mas esta edição da Grifo está óptima e por €2 não podia lá deixá-la. Mais à frente, o prémio para um vasculhador incansável como eu, “Como vi o fim da guerra na Alemanha”, de 1946, um livro do Visconde do Porto da Cruz que já conhecia, mas ainda não tinha. Este é um interessantíssimo relato da capitulação do III Reich, pela pena deste madeirense que foi, nas suas palavras, “sincera e desinteressadamente um entusiasta do nacional-socialismo”, mas que pôde, “como observador neutral, ver o desenrolar dos factos e o desempenho dos papéis que representaram os diversos personagens deste trágico drama”.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Blogs n'O Diabo (X)

Num artigo imperdível intitulado “Outra vez o 28 de Setembro”, a que o Manuel Azinhal já fez referência, aconselha o Walter Ventura o recém-aparecido Jantar das Quartas, que frequento com muito prazer. De referir também uma caixa onde o Walter explica “porque gostaria que Cavaco ganhasse à primeira volta” e termina com um conselho: “Como o exercício dos papelinhos nas urnas me repugna (e, já agora, quero morrer virgem de semelhante disparate), permito-me apelar aos meus amigos de melhor boca: votem Cavaco Silva. Talvez que não por ele mas, mesmo assim, por uma boa causa. Ou duas, se contarmos bem.” Para terminar, as habituais “Pegadas de Pégaso” e a coluna “Os meus blogues”, hoje com a participação do BOS.

domingo, 15 de janeiro de 2006

Dos passaportes biométricos ao fundamental

Apesar de todas as críticas apontadas aos chamados passaportes biométricos, para os quais a UE vai avançar, há que reconhecer que os documentos de identificação utilizados hoje em dia estão ultrapassados e os métodos de falsificação cada vez mais aperfeiçoados. Esta pode ser, assim, uma medida necessária para controlar mais eficazmente a entrada de imigrantes no nosso continente, mas que só fará sentido se for uma iniciativa de toda a Europa e aliada a outras medidas como a atribuição da nacionalidade segundo o critério do jus sanguinis e a restrição do direito de asilo, entre outras.

A questão fundamental é defender a Europa da invasão a que assistimos diariamente. Haja coragem e vontade de defender o nosso Povo, a nossa Cultura e Civilização. É o que está verdadeiramente em causa e não meras medidas acessórias.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Sexta-feira 13


A data de hoje traz-me à memória a série de filmes “Friday the 13th”. Lembro-me de ver os primeiros com amigos, na adolescência. Eram noites bem divertidas. Violência, terror cómico e algumas cenas de nudez eram uma receita vencedora para estes filmes de baixo orçamento e sempre com o mesmo argumento. Jason, a personagem principal, perseguia e matava de forma sangrenta jovens em férias. Um dos aspectos mais cómicos era este assassino da máscara de hóquei ser à prova de tudo, atingido de várias maneiras e com vários objectos, continuava a perseguição, sempre na sua marcha assustadoramente lenta. Este era o grande rival de Freddy Krueger, outra das grandes figuras dos filmes de terror dos anos 80. Nunca os considerei bons filmes, mas na altura não perdia um. Na pesquisa que fiz hoje, descobri que Freddy e Jason já se defrontaram e que o último “Sexta-feira 13” se passa no ano 2455. Não vi, nem tenho a mínima curiosidade, já não tenho pachorra... Foram filmes que marcaram uma época e é pena que se insista num interminável número de sequelas.

«DN» renovado

O «Diário de Notícias» “lavou a cara”, tem desde a passada segunda-feira novo design e, esteticamente, está muito melhor. Hoje estreou o novo suplemento cultural «6.ª», que bate “a milhas” o tão detestável como intragável «DNa». Vou aguardar mais novidades, esperando que uma delas seja a reformulação da edição on-line.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

A jihad, aqui tão perto...

Mais uma notícia sobre o “inimigo dentro de portas” e se digo “mais uma” é porque me espanto com a ligeireza com que se trata a presença e liberdade de acção dos fundamentalistas islâmicos na Europa. Aqui ao lado, “as autoridades espanholas desmantelaram ontem duas redes terroristas ligadas à Al-Qaeda, que recrutavam e enviavam combatentes para o Iraque.

Protegidas pelo multiculturalismo e aumentadas com a imigração maciça, as comunidades muçulmanas no nosso continente são os oásis mafométicos na “terra dos cruzados”. Dir-me-ão que nem todos os muçulmanos são terroristas... Concordo, mas sou forçado a (re)lembrar que no Islão a religião está acima de tudo e que essas comunidades se regem pelos seus princípios. Se estas são terreno fértil para terroristas, acabam por ter uma responsabilidade indirecta no aparecimento dos mesmos. Mas o mais comum é os seus líderes religiosos estarem directamente envolvidos na jihad, como no caso citado, em que “o líder da célula era o imã da mesquita da localidade”. Ao abrigo da tolerância religiosa, instalam-se autênticas agências de recrutamento de terroristas nas nossas cidades.

Ao permitir estes pólos colonizadores na Europa, estamos a albergar o inimigo na nossa própria casa. Como até o ministro do Interior espanhol, José Antonio Alonso, reconheceu, uma das células, “muito articulada e estruturada”, estava em condições de realizar um atentado “em qualquer lugar do território europeu”.

Comecemos a olhar primeiro para dentro e só depois para fora. Urge defender a Europa!

Regresso

O Viriato está de volta e a blogosfera está mais rica. Parece que o bichinho blogueiro é mais forte... Nós agradecemos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Hemeroteca (V)

Há muito que não partilhava aqui os meus jornais velhos. Tal deveu-se à minha mudança de casa, que me obrigou a encaixotá-los. Só agora começo a arrumá-los e quero ver se é desta que os organizo. Em casa de ferreiro, espeto de pau...

Título: Juventude
Data: Janeiro de 1939
N.º 8 (Ano II)
Director: Humberto de Mergulhão



Esta revista com 100 páginas, das quais metade são ocupadas por publicidade, abre com um artigo de João Ameal intitulado “A Juventude de Sardinha” seguido das “Notas” de Eduardo Frias e uma entrevista com a poetisa Fernanda de Castro feita por António Feio. De referir a “Crónica para 1939” de Dutra Faria, na qual o autor considera que Adolf Hitler foi o homem “que dominou o mundo” em 1938 e prevê que “haverá ao longo de 1939 outro homem que dominará o mundo: Benito Mussolini.” De salientar, ainda, uma novela do Director, Humberto de Mergulhão, uma crónica de Luís Forjaz Trigueiros, a “Imagem do Porto” de Rebelo de Betencourt, a “Rosa dos Ventos e notas de orientação” de Eduardo Freitas da Costa, “Mussolini aos pés da minha cama” de Couto Rodrigues, o folhetim n.º 4 do romance “O Solar de Melcate” de Rodrigo de Mello (pai do Rodrigo Emílio) e a peça de teatro “Crisântemos” de Anita Patrício. Nesta revista, que custava 1$50, podemos ainda encontrar a página de “Sports”, um espaço de poesia, a crítica literária e de teatro, uma página infantil, entre outras. O destaque final vai para o “grande concurso” promovido pela revista “Porque é você legionário?”, no qual os “valiosos prémios” eram 500$00 para o primeiro lugar, 200$00 para o segundo e 100$00 para o terceiro.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Convite para Jantar

De há uns anos a esta parte que não preciso de agenda para me lembrar que quarta-feira é dia de jantar com amigos. A meio da semana atravesso a cidade rumo a uma tertúlia, que já passou por vários sítios e agora ancorou no Chiado. Aí cruzam-se gerações e opiniões, numa discussão de ideias que rompe noite adentro. Todos os tertuliantes têm, como não podia deixar de ser, uma relação, directa ou indirecta, com a blogosfera. Dos bloggers aos comentadores, passando por colaboradores e leitores, na sua maioria bem conhecidos dos blogonautas que me visitam. Finalmente aconteceu o inevitável, o Jantar das Quartas tornou-se blog. Resta-me, apenas, convidar os que me lêem para este novo espaço de debate e opinião na internet.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Prole

Esperei pelo início do ano para dar a boa nova na blogosfera. Apesar de amigos e família já estarem ao corrente, esta é uma novidade das que apetece gritar ao mundo. A família vai aumentar. O meu filho, que celebrou o seu quarto aniversário há dias, deixará de ser único. Não consigo conter a felicidade, pois não entendo a vida sem descendência. É no sangue que está a nossa imortalidade.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Ano novo

Estas transições são normalmente um terreno fértil para escrever. Não nesta casa... Faltou o balanço do ano passado, considerações sobre o que começou e, se calhar, uns dos habituais prémios que se atribuem nestas ocasiões. Tenho andado afastado, o que me dá distinções destas, mas espero produzir mais e com maior regularidade. Digamos que é o meu desejo blogosférico para o ano novo, por me parecer que é o que os leitores também desejam.

Infelizmente, o tempo (ou a falta dele) dita que por hoje é tudo. Serve este breve post para “picar o ponto”. As novidades ficam para amanhã.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Boas festas

Recebi de um amigo um postal de boas festas em mirandês. Apesar de não ter laços familiares a essa região, tenho o maior respeito por quem se tem batido pelo património cultural de Miranda do Douro. Assim, em sua homenagem, aqui ficam os meus votos a todos os que por essa Europa fora defendem a sua identidade:

Bengo desear-bos a bos i a la buossa familia un feliç Natal i anho noubo com muita paç, alegrie i felecidade.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

O fracasso do sistema de integração republicano


É impressionante como a recente violência étnica em França parece que não aconteceu. Os media esqueceram habilmente o sucedido, fazendo-o parecer uma coisa de somenos importância, resolvida já com um simples “desbloquear de verbas” por parte do governo francês.

A realidade é muito diferente. Assistimos ao fracasso do sistema de integração republicano. A ideia utópica de uma república livre, igual e fraterna, regulada pelo contrato social desmoronou-se.

A França, tal como o resto da Europa, está a ser invadida e colonizada por massas de alógenos que não desejam integrar-se e que, pelo contrário, querem impor os seus costumes repudiando e ocupando o país que os acolheu.

Durante o pico dos confrontos, pude assistir na televisão a uma entrevista com um imigrante português em França, que foi bastante elucidativa e exemplificativa do que se estava a passar. O Micael tinha ido, ainda criança, com os pais para Aulnay-sous-Bois. Era mais uma de tantas famílias portuguesas que na altura procuravam melhor sorte noutros países. Lembrava-se que, no início, viviam naquela cité franceses, portugueses e outros imigrantes de origem europeia, argelinos, entre outros. Era o sonho da integração pelo urbanismo (curiosamente, o mesmo urbanismo que é hoje apontado como uma das causas da violência). Se todos tivessem um sítio agradável para viver, todos viveriam felizes, em paz e harmonia... O tempo e a convivência mostraram outra realidade. Segundo o jovem português, os primeiros a abandonar o local foram os franceses. A estes seguiram-se os imigrantes europeus, incluindo os portugueses. Tal havia sucedido, principalmente, por dois motivos: a ascensão social e a melhoria da situação económica desses franceses e dos imigrantes europeus, conseguida com trabalho árduo, estudo e desejo de sucesso, e, por oposição, uma atitude cada vez mais intimidadora da comunidade magrebina que, através de uma discriminação positiva, começava a conquistar terrenos “seus”, nos quais começavam a vigorar as suas regras, contrariando as leis francesas, um espaço onde a juventude optava pela vida fácil do crime e dos gangues recusando a educação e os valores de uma terra que não passava, para eles, de um inimigo opressor.

Para quem ainda está convencido das boas intenções da comunidade muçulmana em França, reproduzo aqui o que me contou um amigo meu que viveu alguns anos nos arredores de Paris e presenciou pessoalmente o expansionismo colonizador islâmico. Quando já era um dos poucos europeus que vivia naquele bairro, teve uma conversa elucidativa com o dono – também ele português - de uma mercearia local. Dizia o merceeiro que os “beurs” lhe tinham partido o vidro da montra pela segunda vez, por ele insistir em continuar a vender bebidas alcoólicas. Comunicou ao meu amigo que, ao contrário do que tinha prometido a si mesmo quando jovens magrebinos lhe vieram dizer que o álcool era ofensivo para a religião deles, iria deixar de vender essas bebidas que, aliás, praticamente já não vendia, porque a maioria dos residentes eram muçulmanos. Estava disposto a isso para não ser obrigado a passar a loja conseguida com o trabalho de uma vida, à semelhança do anterior proprietário de um talho ali perto, ameaçado por vender carne de porco e obrigado a vender o estabelecimento, para o ver transformar-se em talho hallal. Muita coisa tinha mudado por ali, a escola já não servia refeições que contivessem porco, já não se podia andar em segurança à noite, a mesquita e as associações islâmicas eram cada vez mais frequentadas e influentes, o trânsito era interrompido pelas orações diárias, mais importantes que a circulação rodoviária, os “jovens”, apesar do seu comportamento violento e do desrespeito às autoridades, beneficiavam de apoios ao estudo e de centres de loisirs, para além do aumento significativo dos “animadores culturais”, na realidade membros de gangues pagos pela Mairie para acalmar as hostes...

Esta não era já a França que o havia recebido e a quem tinha agradecido com muito trabalho. Pensava que, “se Deus quisesse”, dentro de poucos anos gozaria a reforma na sua aldeia, perto da Guarda. A este desejo respondeu o meu amigo com um adeus. Para ele não seriam uns anos, estaria de regresso a Lisboa daí a uma semana.

Sobre a tão apregoada “integração” tenho apenas a dizer que quem se quer integrar, integra-se. Os imigrantes portugueses em França foram um exemplo disso. Não necessitaram de medidas excepcionais de apoio. No início não viviam em cités, mas sim em bidonvilles com condições degradantes. Ultrapassaram-nas com trabalho e com respeito ao país de acolhimento. O panorama hoje é totalmente diferente. Os imigrantes afro-magrebinos são incomparáveis aos portugueses e aos restantes imigrantes de origem europeia. Apesar de todos os apoios, não se integram. Porquê? Por uma razão muito simples: porque não se querem integrar! E isto leva-me a fazer aquela pergunta difícil, aquela para a qual os integracionistas não têm resposta: Como integrar quem não quer integrar-se?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

A Chama

Este fogo resume uma tradição viva. Não uma imagem vaga, mas uma realidade. Uma realidade tão tangível como a dureza desta pedra ou o sopro do vento. O símbolo do Solstício é que a vida não pode morrer. Os nossos antepassados acreditavam que o sol não abandona os homens e que volta todos os anos ao encontro da primavera.

Cremos, como eles, que a vida não morre e que, para lá da morte dos indivíduos, a vida colectiva continua.

Que importa o que será amanhã. É levantando-nos hoje, afirmando que queremos permanecer como somos, que o amanhã pode vir.

Levamos em nós a chama. A chama pura deste fogo de fé. Não um fogo de lembrança. Não um fogo de piedade filial. Um fogo de alegria e de intensidade que temos que acender sobre a nossa terra. Lá queremos viver e cumprir o nosso dever como homens, sem renegar nenhuma das particularidades do nosso sangue, da nossa história, da nossa fé, amalgamadas nas nossas recordações e nas nossas veias...

Tudo isto não é a ressurreição de um rito abolido. É a continuação de uma grande tradição. De uma tradição que mergulha as suas raízes no mais profundo das idades e que não quer desaparecer. Uma tradição em que, cada modificação, só deve reforçar o sentido simbólico. Uma tradição que a pouco e pouco revive.

Jean Mabire

“Direitas”


Terminei a leitura da última edição da revista «Futuro Presente» e, apesar de não concordar com muitas das posições aí defendidas, reconheço a sua qualidade e aconselho-a aos que me lêem. Este número tem como tema central as “direitas”, indo o meu destaque para os artigos “Radicalismo de direita e neo-fascismo na Europa do pós-guerra: Um problema de definição”, de Marco Tarchi, “A Direita e as Direitas em França – o laboratório do século XIX”, de Jaime Nogueira Pinto, e “Para uma genealogia cultural”, um inédito de Rodrigo Emílio. De referir, ainda, a continuação do “Inquérito sobre a Europa”, iniciado no número anterior, e a habitual crónica de Roberto de Moraes, para além das restantes secções.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Leitura para hoje

Na habitual referência ao semanário «O Diabo», destaco na edição de hoje a entrevista com o Bispo Emérito de Braga, que afirma que “há um lóbi gay em Portugal com muita influência na sociedade” e classifica como “aberração” a equiparação ao matrimónio das uniões de facto e homossexuais. Noutro campo, D. Eurico Dias Nogueira considera que um diálogo com o Islão é difícil de ser conseguido porque, segundo ele, “o Islão tem uma atitude muito fechada, muito fundamentalista”.

De referir, também, as críticas do Padre Carlos Gabriel às autoridades nacionais relativamente aos crimes contra portugueses na África do Sul, dizendo que “o PS esteve sempre de "cócoras" em relação ao governo sul-africano”. Para além das páginas obrigatórias “O Diabo a Sete” e “Coisas do Diabo”, tem esta semana a palavra o nosso conhecido blogger João Pedro Dias com o artigo “O doce sabor do "bolo" de Bruxelas”.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Violência no paraíso

Quem se lembra de “Bowling for Columbine”? Onde Michael Moore apresentava, numa versão simplista e tendenciosa dos factos, em oposição a uma América na qual a violência armada não era culpa de quem a praticava, mas de “racistas” como Charlton Heston e a National Rifle Association, um paraíso multicultural a Norte. No Canadá, segundo o filme, vivia-se uma situação totalmente diferente, os crimes violentos e com armas de fogo eram raros e era impensável ligar certos tipos de violência a determinados grupos étnicos.

A última edição do «Economist» revela-nos uma evolução da situação surpreendente, ou talvez não... A violência armada está em rápido crescimento naquele país e é hoje uma das principais preocupações nas grandes cidades. Toronto, por exemplo, bateu o recorde de assassinatos com armas de fogo em 2005. Na British Columbia as apreensões de armas de fogo aumentaram 50% em três anos e o número de gangues duplicou em dois anos, sendo os de origem punjabi os mais violentos. Nessa província há outro dado impressionante, o cultivo crescente de cannabis rende quase tanto dinheiro como a indústria do turismo. Da próxima vez que for acenada a bandeira do sucesso e exemplo canadianos, é bom lembrar que a situação está a alterar-se radicalmente e muito depressa.

De pequenino…


Tive este fim-de-semana a oportunidade de ver e ouvir o “Schulhof-CD” (CD do Recreio) de 2005, enviado pelo Andreas Molau, editor do Deutsche Stimme, a quem agradeço. Com este CD, disponível também na internet, repetiu o NPD uma excelente iniciativa dirigida ao público mais jovem. O CD contém treze músicas de bandas nacionalistas alemãs e termina com o hino nacional alemão. A acompanhá-lo vem um pequeno livrinho com uma banda desenhada, na qual o jovem Alex, descontente com a situação no seu país, recusa as propostas de elementos de partidos de esquerda e de direita, acabando por juntar-se ao NPD, por intermédio da sua amiga Tina. Podemos ainda encontrar a letra do hino nacional alemão e os contactos do partido. Quando conheci o Andeas Molau em Espanha, há cerca de um mês atrás, disse-me que na Alemanha já tinham distribuído gratuitamente centenas de milhares de CDs, tanto desta edição como da de 2004, à porta das escolas e que tinha sido um sucesso, pois a aceitação havia sido óptima. Segundo ele, a geração mais nova de alemães começa a perder os complexos de culpa da geração anterior e está mais aberta aos ideais nacionalistas perante a ameaça da imigração em massa e da mundialização. Um exemplo a seguir.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Fruto proibido

Quando falei da minha intenção de escrever este post a alguns amigos, fui automaticamente recordado do actual “peso” do tema e aconselhado a desistir dos meus intentos. Assim, antes de passarmos ao que interessa, começo com um esclarecimento necessário. Não é uma desculpa, é mais um aviso à navegação e uma salvaguarda – hoje em dia cada vez mais necessária – em relação a posteriores interpretações livres ou extensivas das minhas considerações.

O tema, como já muitos devem ter adivinhado, é a recente polémica relativa ao chamado “revisionismo do Holocausto”. Daí a necessidade de afirmar, pelas razões supracitadas, que este texto não pretende “rever” ou “negar” qualquer holocausto, independentemente de quem tenham sido as vítimas ou os culpados, ou da altura em que tenha sido cometido.

Adiante. Há dias, ao fazer um zapping, na minha ocasional busca de algo interessante para ver na televisão, dei de caras com David Irving. Não teria sido nada de mais, porque o programa onde o revi a fazer comentários sobre Adolf Hitler e a II Guerra Mundial era de 1989, se o historiador não estivesse nesse exacto momento preso na Áustria por “negar o Holocausto”, o que constitui crime nesse país, à semelhança da vizinha Alemanha.

Antes dele, havíamos tido notícia de outras prisões, por igual delito, como a de Ernst Zündel e a de Germar Rudolf. Ambos conseguiram chegar às páginas dos jornais, em especial Zündel, porém com pouco destaque, após as suas detenções. O caso de Irving levantou mais poeira, talvez por ser cidadão britânico, talvez por ser um historiador razoavelmente conhecido e com bastantes obras de valor reconhecido. Lembro-me, por exemplo, do excelente “The War between the Generals”, publicado pela Penguin Books em 1981, que recebeu o aplauso da crítica. O jornal «The Times», na altura, considerou o autor “one of Britain’s foremost historians”.

Não deixa de ser irónico, hoje, vê-lo na televisão, ver as suas obras nas prateleiras e saber que, para além de estar preso, está a ser tratado como um reles mentiroso, ou pior, classificado como um “nazi”. Todas as histórias, por mais trágicas, têm sempre um lado cómico. Até agora, no episódio Irving, houve uma que merece ser referida e que foi noticiada pelo «Telegraph». Durante uma visita à biblioteca da prisão onde se encontra, o historiador britânico descobriu algumas obras suas e assinou-as. Isto causou um certo mal-estar ao director da prisão que garantiu prontamente que iria desfazer-se dos ditos livros.

Depois deste surto de detenções, assistimos às declarações de Mahmud Ahmadinejad, actual presidente do Irão, e às reacções igualmente inflamadas dos governantes de Israel. Com ou sem revisionismo, Irão e Israel permaneceriam inimigos mortais ad aeternum, mas este tema é particularmente sensível aos judeus, como é compreensível. Aliás, é perfeitamente natural o repúdio da grande maioria dos judeus pelos chamados “revisionistas do Holocausto”. Simplesmente, penso que os primeiros escolheram a solução errada. Passo a explicar.

A minha formação em História diz-me que proibir a investigação, por mais loucas ou disparatadas que sejam as suas conclusões, é errado. Por muito que incomode os italianos um estudo que chegue à conclusão que Colombo era português, por muito que choque a Igreja Católica uma investigação que diga que Jesus foi casado e teve filhos, ou por muito que ofenda os judeus uma teoria que defenda que o Holocausto provocou cinco milhões de mortos, não devem ser proibidas. Devem, isso sim, ser debatidas e, se necessário for, contrariadas com argumentos e provas, em resumo, com outras investigações, nunca com leis.

Em geral, a defesa da liberdade de expressão é consensual, mas neste assunto tem-se vindo a adoptar, cada vez mais, uma atitude censória. Aqui é que a porca torce o rabo, como reza a expressão popular. Começo por um exemplo puramente académico. Imaginemos que amanhã, um dito “revisionista do Holocausto” chegava à conclusão de que este tinha vitimado sete — e não seis — milhões de pessoas. Seria considerado crime? Seria julgado por isso?

De qualquer maneira, quando se opta pela censura e se utilizam sanções legais como a prisão, dá-se uma importância elevada ao assunto. Quero dizer que, com tudo o que tem acontecido, o chamado “revisionismo do Holocausto” teve talvez a maior propaganda de sempre. Dir-me-ão que a importância é dada ao Holocausto e não aos seus revisores ou negadores, mas o que acontece é que eles é que sobem ao palco dos media. A publicidade é tal, que o tema tem corrido os jornais e televisões de todo o mundo, dando a conhecer a existência de uma “versão proibida” dos acontecimentos da II Guerra Mundial a milhares de pessoas que nunca dela haviam ouvido falar. Mais: se é proibido, gera automaticamente maior curiosidade. Todo este processo lembra-me o que me dizia um familiar meu sobre os livros censurados durante o Estado Novo: “A quantidade de merda que eu li, apenas por saber que tinha sido censurado!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Música

Sabemos que na internet, nomeadamente na blogosfera, o que é bom é para se copiar. Assim, depois de ver os posts de música do BOS e a “Música Ambiente” na barra lateral do Último Reduto, não resisti. A partir de hoje, os leitores do Pena e Espada podem ser também ouvintes. Ainda não defini qual periodicidade de alteração da música que estará disponível. A experiência o ditará e estou, como sempre, aberto a sugestões, que agradeço. Para começar, podem ouvir “Mon enfant”, dos franceses Vae Victis, uma faixa retirada do álbum “Hors-la-loi”, de 2000.

A culpa é nossa

Mais uma vez as palavras de José Manuel Barata-Feyo na «Grande Reportagem» são politicamente incorrectas e merecem ser aqui reproduzidas. No seu artigo “Viva la muerte!”, na última edição da «GR», começa desta forma: “Azar o meu que nasci europeu, branco e cristão. Qualquer outra origem teria sido melhor. Ao que parece, qualquer outro destino também...” Este pessimismo reflecte bem a observação da culpabilização extrema dos europeus nos dias que correm, impedidos - ao contrário de todos os outros povos – de se orgulharem, afirmarem e preservarem a sua identidade. Ora leiam: “Chegou por fim o século XXI e, com ele, a derrocada de todas as convicções – das minhas, como europeu, branco e cristão, entenda-se. Subitamente iluminados por uma aparição, os meus semelhantes pela raça, pela cultura e pelo cristianismo descobriram que somos culpados de ter ganho as guerras em vez de as ter perdido. As militares, é certo, mas também as outras, a guerra dos Descobrimentos, da Razão, da Democracia, do Humanismo, da Solidariedade, a guerra dos Direitos do Homem. A minha ração diária escorre apenas pela ignomínia da Colonização, da Escravatura, da Inquisição e de mais horrores que cometemos. Os nossos, que não os dos outros. São dedos apontados ao presente, mas que tiveram o cuidado de apagar o contexto histórico. Sem ele é mais fácil imputar-nos o monopólio da culpa e omitir que a reconhecemos e corrigimos, tanto quanto possível. Eis, aliás, outra vitória de que somos culpados e uma nova suspeita de crime: abolimos a escravatura; derrotámos o obscurantismo e a intolerância das Igrejas; melhor ou pior, descolonizámos e varremos a noite das ditaduras, de esquerda e de direita. Falsa e magra penitência, dizem-nos os militantes da expiação. Nada pode resgatar a abjecção cometida. É indispensável reconhecer que fomos e continuamos a ser intrinsecamente maus! Nós, que não os outros. Porque os outros são bons. Assim exige a dicotomia...

Os europeus, façam o que fizerem, serão sempre os únicos culpados de todos os males do mundo, segundo os ditames do politicamente correcto. Barata-Feyo vai mais longe e afirma: “Somos a fonte de todos os males e a origem de todos os vícios. Somos o pecado original!” É assim, sem dúvida, que hoje se pretende que se vejam os europeus, apesar de todo o contributo da nossa cultura e civilização.

Embalado por esta dicotomia absurda e irónica nós-maus/eles-bons, Barata-Feyo conclui também ironicamente: “Se a Europa está reduzida ao execrável, o homem branco ao remorsos e o cristianismo à Inquisição; (...) se a salvação do mundo passa por uma cruzada contra nós e pela nossa autodestruição; se assim é, então a redenção colectiva, a justiça e a paz na Terra estão finalmente à vista, apontadas há uma semana por Muriel Degauque, a belga que entrou para a história como "a primeira bombista suicida europeia". De que maneira mais honrosa e com que melhor consciência pode acabar um europeu, branco e cristão do que no sopro de uma explosão e no voltejar sangrento dos seus próprios restos?

domingo, 11 de dezembro de 2005

Honrosa excepção

Dizia eu aqui há dias, que os media haviam deixado passar em branco os 150 anos da aclamação de D. Pedro V, e ontem pude ler uma honrosa excepção no «Diário de Notícias». É claro que quem marcou a diferença foi o Eurico de Barros, ficando aqui a reprodução do seu “Grande Rei, reinado curto”.

«Entretidos com as angústias da crise, os estados de alma futebolísticos e o restolhar dos "famosos", os media não deram por uma das mais importantes efemérides deste ano, os 150 anos da morte de D. Pedro V, que se assinalam hoje.

O filho primogénito de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, que subiu ao trono em 1855, aos 18 anos, após uma educação esmerada e um período de viagens de estudo ao estrangeiro, na companhia de seu irmão Luís, só reinou seis anos. O tifo levou-o a 11 de Novembro de 1861, dois anos depois da sua mulher, a Rainha D. Estefânia, ter sido vitimada pela difteria.

Nesse curto espaço de tempo, este jovem de uma precocidade rara, superiormente inteligente e culto, sequioso de saber, dotado em simultâneo das qualidades da acção e da reflexão, e empenhado em participar no bom governo do Reino e na sua modernização, apesar de rodeado por uma classe política medíocre e corrupta e de se confrontar com um país em aflição, deixou o seu nome ligado à construção de estradas, à expansão do caminho-de-ferro e das linhas telegráficas; ao desenvolvimento do comércio e da indústria; à fundação do Curso Superior de Letras; à criação da Direcção-Geral da Instrução no Ministério do Reino; à apresentação do projecto de Código Civil; à concessão de liberdade para todos os escravos que desembarcassem em território português, entre várias outras iniciativas e empreendimentos.

D. Pedro V conviveu com grandes nomes da cultura do seu tempo, como Herculano e Camilo, interessou-se pelos assuntos militares (raramente trajava à civil) e conquistou o seu povo logo no início do reinado, quando Lisboa foi assolada, por uma epidemia de cólera-morbo, seguida de uma de febre amarela, e o monarca recusou deixar a capital, quase deserta. Ficou, visitando os enfermos e supervisionando o combate às doenças. O mesmo povo, à sua morte, chorou-o do fundo do coração, e, como corressem rumores de que o Rei teria sido envenenado pelos políticos, houve sérios tumultos em Lisboa.

Honra seja feito à Texto, que acaba de reeditar 'D. Pedro V - Um Homem e um Rei', de Ruben Andersen Leitão. No resto, um país sem memória é um país sem futuro.»

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

D. PEDRO V

"Estou plenamente convicta da imensa
superioridade de D. Pedro quando comparado
com qualquer outro jovem príncipe"
Rainha Vitória


HÁ 150 ANOS FOI A ACLAMAÇÃO DE D. PEDRO V Primeiro filho de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, um desses príncipes cultíssimos que a Alemanha então exportava para renovar a seiva de algumas casa reais bem necessitadas, D. Pedro nasceu em 1837.
Em Novembro de 1853 morria inesperadamente a Rainha, com apenas 34 anos de idade, das consequências do 11.º parto, abrindo assim um período de dois anos da regência de D. Fernando II, Rei Consorte desde o nascimento do filho, que se estenderia até este atingir a idade de 18 anos, prescrita na Lei, em 1855.
Inicia-se então um período de viagens de estudos em que visita, com seu irmão Luís (mais tarde Rei), vários países europeus.
Dos relatórios e cartas que então escreveu, encontra-se já bem patente, no âmbito de uma precocidade invulgar, a sua inteligência superior, seu espírito de rigor, sua incansável vontade de saber, de aprender, quer no domínio das ciências, quer no das letras, e também, embora em menor medida, no das artes. São já documentos de um espírito maduro e não de um rapaz no fim da adolescência.
Logo no início do seu reinado depara com a epidemia de cólera-morbo seguida, um ano depois, pela não menos mortífera febre-amarela. Ao invés de muitas famílias mais abastadas e de não poucos políticos, o Rei não abandona a capital desdobrando-se em cuidados aos doentes, que visitava com perigo da própria vida, assim como em inspecções à operacionalidade de medidas de luta que havia delineado. O povo nunca esqueceria esta sua faceta.
Da estirpe de um D. João II a que se juntava algo da inteligência percutante e sombria de um D. Duarte, D. Pedro aliava as qualidades do homem de reflexão às do homem de acção, pois se era um realista que não podia ignorar o estado desgraçado em que se encontrava o Reino (muitos anos de guerra civil endémica, sucessão ininterrupta de Governos, humilhações face ao estrangeiro com a convenção de Gramido, revoltas como a da Maria da Fonte e a subsequente Patuleia, etc.), realista dobrado de pessimista, que não ocultava o idealista que também, lá bem no fundo, não deixava de ser.
Idealista activo, aliás, que só se dava por satisfeito na realização - livre e dentro da Constituição, isto é, pelos seus Governos e com apoio nas Cortes - dos planos que pensava e inspirava, ou procurava inspirar, e na possível aplicação prática das ideias que servia.
Atormentavam-no as limitações, principalmente quando eram contrárias aos interesses da Pátria e filhas de movimentos e interesses escondidos, intencionalmente egoístas e destrutivos.
No que se chocava amiúde com a classe política, corrupta e incapaz, na sua grande maioria, pois não era Rei que se deixasse ficar, mas sim soberano com tendências intervencionistas, exercendo o Poder Moderador - aliás perfeitamente legal e consignado na Constituição -, que fazia com zelo, clareza de espirito, inteligência e conhecimento aprofundado das causas, o que embaraçava e irritava muitos dos seus ministros.
O seu reinado, embora muito curto (uns escassos seis anos) foi rico em empreendimentos a que esteve intimamente ligado e dos quais foi, muitas vezes, tanto o pensador como o impulsionador: inauguração e planos para a expansão rápida do caminho-de-ferro; o mesmo para o telegrafo eléctrico; concessão de liberdade a todos os escravos que desembarcassem no continente, ilhas adjacentes, Índia e Macau; início da publicação da "Portugaliae Monumenta Histórica"; exposição industrial do Porto, a primeira internacional realizada em Portugal; criação da Comissão Central de Estatística do Reino; lançamento das primeiras carreiras regulares, a vapor, da metrópole para Angola; apresentação do projecto de Código Civil; introdução do sistema métrico: criação da Direcção-Geral de Instrução no Ministério do Reino; fundação do Curso Superior de Letras (mais tarde Faculdade de Letras, projecto pessoal do Rei); melhoria do curriculum da Escola Politécnica; supressão dos morgados e capelas ainda existentes; fundação da Associação Industrial Portuguesa.
Os assuntos militares, incluindo os mais técnicos, também o interessavam profundamente, seguindo-os de muito perto. Da sua iconografia, são raros os documentos fotográficos que o representam vestido à civil, pois andava normalmente fardado, envergando o sóbrio pequeno uniforme, com seu dólman azul ferrete (escuro) sem cordões nem agulhetas e correspondente calça de mescla cinzento-azulada. Levantava-se invariavelmente às sete da manhã começando logo a trabalhar, e das três às cinco da tarde, sempre que possível, visitava, sem avisar, quartéis, hospitais, instituições públicas, incluindo assistência a aulas no Curso de Letras e na Politécnica, onde se sentava, como qualquer aluno retardatário ao fim da sala. "Isto mantém alerta os indolentes", tal como escreveu a seu tio e mentor, o Príncipe Alberto de Inglaterra, também ele um Saxe-Coburgo.
A morte inesperada em 1859, por difteria, da sua amada mulher, a Rainha D. Estefânia, alemã oriunda da casa de Hohenzollern-Sigmaringen, tornou-o ainda mais sombrio extinguindo-se ele próprio a 11 de Novembro de 1861, vitima de tifo, que também levou mais dois dos seus irmãos e incapacitou parcialmente um outro por toda a vida. Precedeu na morte, por escassas semanas seu tio Alberto, príncipe-consorte da rainha Vitória que nunca deixou de pensar que o desaparecimento do monarca português, que amava como um filho, havia precipitado também a morte do marido, escrevendo numa carta dirigida ao rei dos Belgas, seu tio Leopoldo I, também ele um Saxe-Coburgo: "A morte de Pedro é uma terrível calamidade para Portugal e uma verdadeira perda para a Europa". E sublinhou a palavra "verdadeira ".
O povo chorou-o como nunca tinha chorado um Bragança nem nunca mais choraria outro, pelo menos até hoje. Convencido de que "os políticos" tinham envenenado o Rei, às ordens de Loulé, desencadearam-se verdadeiros tumultos em Lisboa e várias casas foram saqueadas e queimadas.
Devo dizer que não se surpreendeu muito (até pelo que também aconteceu, em parte, em 2002, no primeiro centenário da morte de Mouzinho) o facto até hoje e que eu saiba, nenhum média incluindo a TV se tenha referido, ainda que fosse apenas como simples efeméride, à figura deste Rei excepcional no aniversário dos 150 anos da sua aclamação.
São os média deste país que temos, país de invejazinhas e ódios vesgos, memória curta, atolado em superficialidade, premiando a mediocridade e a falta de rigor, favorecendo a ganância pacóvia, a hipocrisia e a corrupção, boçal e incívico em extremo mas prenhe de licenciaturas ridículas e inúteis. Pequeno país virtual e em bico de pés metidos em sapatos mais ou menos engraxados, de solas furadas, escondendo peúgas por lavar há muitas décadas.
Talvez seja melhor o silêncio, sim. Não mereciam de facto, um Rei como foi D. Pedro V.

Roberto de Moraes




Esplêndida e pouco conhecida fotografia de D. Pedro V - actualmente conservada nas colecções do Palácio Nacional da Ajuda -, tirada ao tempo da sua aclamação, em 1855, por Wenceslau Cifka, um grande pioneiro da fotografia em Portugal e amigo pessoal de D. Fernando II. Foi, pelo próprio Cifka, primorosamente colorida como atesta, por exemplo, a precisa tonalidade da calça de mescla azul acinzentada -"cor de flor-de-alecrim", como ainda constava no regulamento de Dezembro de 1948 -, que foi estupidamente abolida, já bem nos nossos dias, nos anos setenta do século XX. O Rei enverga o pequeno uniforme de Marechal-General, como se vê pela bordadura da gola e dos canhões das mangas do dólman azul-ferrete, assim como pelas insígnias patentes sobre a dragona: ceptro cruzado com óculo e monograma real encimado pela coroa. Este posto, ao tempo já só apanágio exclusivo de Rei, era superior ao de Marechal do Exército e fora, no passado, atribuído também a raras personagens tais como o conde de Lippe, duque de Lafões, Wellington e, por último, em 1816, a Beresford, que já era marechal desde 1809. O posto deixou de existir em Outubro de 1910, com a queda da monarquia, pois a república não o considerou na reforma de 1911. Aqui, o soberano, de dezoito anos de idade, ainda não ostenta o bigode que mostram fotografias posteriores e leva um corte de cabelo bem similar ao de muitos jovens de hoje, incluindo os das Forças Armadas. O que talvez contribua para conferir a esta foto um estranho, insólito e quase mágico travo de intemporalidade que, não obstante a distância de 150 anos, dela se desprende, revelando bem a forte personalidade do retratado, sua clarividência penetrante e sombria, sublinhada já por um ricto de precoce amargura. R. de M.

O Esperançoso

150 anos passaram desde a aclamação de D. Pedro V. Os media, como é hábito, votaram-se ao silêncio, entretidos como sempre com as tricas políticas diárias. Na blogosfera houve excepções, como é o caso do BOS e do FGSantos, que eu tenha lido. Este monarca, com uma inteligência notável e uma cultura e saber vastíssimos, distinguiu-se dos demais. Profundo conhecedor dos dossiers e decidido a intervir na boa governação do Reino, como era seu dever, elevou-se em relação à classe política medíocre da altura, tornando-se odiado por esta e amado pelo povo. Para lembrar nesta casa “O Esperançoso”, publicarei a seguir um artigo do meu amigo Roberto de Moraes, retirado do último número do «Lanceiro», com a sua autorização. Aqui fica a minha singela homenagem àquele que foi, sem dúvida e apesar do seu curto reinado, um dos nossos mais brilhantes reis.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Activismo em alta

O número e a qualidade de acontecimentos e iniciativas na área nacional tem vindo a aumentar significativamente. Este é um óptimo sinal para o crescimento do nacionalismo em Portugal, tanto no plano político como no plano cultural.

Estive presente, na passada quarta-feira, no lançamento de um livro do Rodrigo Emílio, que correu da melhor forma. Na sala maior do Círculo Eça de Queirós lotada, assistiu-se à apresentação do “Pequeno presépio de poemas de Natal”, a cargo de António Manuel Couto Viana, seguida algumas músicas tocadas pelo José Campos e Sousa. Passou-se depois à sala de jantar, decorrendo a refeição num convívio salutar entre os presentes, para depois regressarmos à sala principal para mais umas músicas. Uma óptima noite a celebrar um dos nossos maiores poetas, infelizmente falecido no ano passado. Está de parabéns a editora Antília, em primeiro lugar plena existência, depois pelo autor escolhido para se estrear e, finalmente, pela óptima organização do lançamento.

No Dia da Restauração da Independência, marcado pelo habitual “esquecimento” dos media, foi com grande alegria que participei nas comemorações que terminaram na Praça da Figueira com um discurso do Presidente do PNR, José Pinto-Coelho, perante todos aqueles que não se demoveram, apesar do frio e da chuva torrencial.

Ao fim da tarde, tive a honra de participar no Colóquio “Portugal (in)dependente”, que foi um sucesso. Os únicos pontos negativos foram a vandalização das paredes exteriores do edifício onde se realizou o evento, por parte dos habituais intolerantes da extrema-esquerda, e a exiguidade do espaço, incapaz de albergar todos os interessados. Esta iniciativa transversal, que envolveu várias organizações nacionalistas, decorreu de forma exemplar. Depois das excelentes exposições do Humberto Nuno de Oliveira e do Miguel Jardim, seguidas de uma pequena intervenção minha, teve lugar um debate com várias participações. Para terminar da melhor maneira, pudemos apreciar, ao jantar, a gastronomia típica portuguesa e, ainda, visitar uma banca que disponibilizava diversas publicações, entre outro material.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Primeiro de Dezembro. Pessoa. Portugal!

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Fernando Pessoa
in "Mensagem" (1934).