quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Barra noticiosa

Este é um post sobre um tema que já foi abordado na blogosfera (infelizmente, não me recordo onde) pelos mesmos motivos e ao qual sabia, instintivamente, que havia de regressar.

Ontem, ao assistir ao Jornal da Noite da SIC, o meu olho de revisor ortográfico revirou-se mais vezes que o costume. Para além dos maus títulos habituais e das notícias demasiado longas, consegui apontar num bloco as seguintes calinadas na barra noticiosa que ia passando no fundo do ecrã: “albúm”, “Reigões do Norte e Centro”, “mulher tailândesa” e “mosquitos tropicias”. A demonstração clara do decair dos padrões de qualidade dos media em Portugal. Nada, de resto, a que o jornalismo dito de referência não nos tenha vindo a habituar. E falo não só pelo que leio, mas também do que sei através dos desabafos de amigos jornalistas que, tendo muito orgulho no seu trabalho, se envergonham com a crescente ignorância e falta de brio profissional dos seus jovens colegas, bem como com o laxismo dos superiores hierárquicos.

Voltando à barra noticiosa, deixo duas dúvidas irónicas para aligeirar a questão: será que os jornalistas dela incumbidos são escolhidos entre os estagiários mais analfabetos, ou será que, por protesto, estes erram propositadamente?

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Ressalva sobre o aborto

Na edição de hoje do semanário «O Diabo», o Walter Ventura, que voltou a brindar-me com a publicação de um texto meu na sua coluna “Os meus blogues”, fez uma ressalva sobre o aborto nas suas “Pegadas de Pégaso” que não resisto a transcrever:

«Cumpre-me recordar que nada me move contra o historiador Rosas e seus sequazes nesta justa luta. Já aqui o disse e repito-o.
É que basta-me olhar para aquelas carantonhas pouco tranquilizadoras de um Rosas, um Anacleto Louçã e outros que tais para ver, ao vivo e a cores, a plena justificação do aborto… com efeitos retroactivos, é claro.
»

Solução: Presidente?

Os portugueses, de uma maneira geral, continuam deprimidos. A massa de arrependidos eleitorais que ajudou a eleger o actual governo contribui fortemente para este sentimento. No entanto, mesmo perante a grave situação que atravessamos, o espírito nacional continua a ser o de esperar que alguém, ou algum acontecimento, resolva miraculosamente todos os problemas.

Assim, depois do arrependimento pós-legislativas e do cartão (laranja?) mostrado nas autárquicas, as esperanças voltam-se para as eleições presidenciais. Não deixa de ser irónico, porque apesar de formalmente semipresidencialista, o sistema político português sempre menosprezou o Presidente. Já durante o Estado Novo, apesar do estipulado na Constituição, não é preciso lembrar quem mandava… Com a III República, o Presidente aparece como devendo ser uma figura de consenso e acima dos partidos. Aquilo a que poderíamos chamar um campeão do extremo-centro, um garante da manutenção da estabilidade.

Parece que hoje, seja por desespero ou por desilusão, muitas vozes se levantam a favor de uma maior presidencialização do regime – para sobressalto da “esquerda”, que já alertou para os perigos da tentação presidencialista e para o erro de se querer eleger um primeiro-ministro numas presidenciais – e por isso o candidato ideal é o técnico, o economista.

Desta vez os candidatos “políticos” estão em desvantagem. E, a concretizar-se um possível segundo lugar de Alegre, estaremos perante a morte política do clã Soares, com um “espalhanço” de fim de carreira do pai depois da segunda derrota autárquica consecutiva do filho.

Agora espera-se no nosso país uma nova maioria popular cavaquista que traga um “salvador da Pátria”. Há quem lhe chame sebastianismo; eu chamo-lhe luz ao fundo do túnel. Não no sentido esperançoso do termo, mas como uma luz que não nos ilumina mas mantém-nos a caminho. Parece que ainda não é desta que temos uma vontade nacional de salvar o barco, mas apenas de o manter à tona.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Os primeiros passos da guerra civil étnica?

Vejo nas notícias que violência dos “jovens” (termo politicamente correcto para designar os descendentes de imigrantes) em Paris – a que o FGSantos se referiu ontem – continua. Os invasores-colonizadores da Europa demonstram a sua força. Desafiando a polícia, desrespeitando as instituições, a lei, o estado de direito, consideram-se inimputáveis. Mais: assumem o seu estatuto de intocáveis nas zonas que ocuparam. Para tal contam com o apoio dos colaboradores imigracionistas, sempre prontos a considerá-los como vítimas, mesmo perante a sua atitude violenta, intolerante e provocadora. É o caso do editorial do jornal «Le Monde» de hoje, que termina lembrando o “aumento de 18,5 % dos actos violentos policiais ilegítimos alegados”. Nada como culpar aqueles que ainda nos tentam defender, porque os que nos colonizam – que ocupam ilegalmente a nossa terra e nos impõem costumes estranhos – são os eternos coitados, totalmente isentos de responsabilidades e merecedores do nosso apoio, compaixão e, já agora, dos nossos subsídios, sistema de saúde, educação, etc. Um caso típico de síndrome de Estocolmo, onde a vítima sente solidariedade para com o seu captor. E para aqueles que insistem nas eternas justificações económicas, lembro as palavras desse grande pensador contemporâneo, Guillaume Faye, no seu livro “La colonisation de l’Europe”: “já não é a miséria económica que explica um número crescente de crimes e de delitos, mas uma ruptura étnica e cultural”. Estaremos, como ele prevê, a caminho de uma guerra civil étnica em solo europeu? Para Faye, “as novas formas de delinquência, por parte dos bandos afro-magrebinos levam a supor que não já não se trata de "delinquência" no sentido clássico, mas de um comportamento de guerra civil e de revolta étnica.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Do título

Uma dúvida de uma comentadora acidental levou-me a escrever sobre o título deste blog, coisa que nunca havia feito. Pergunta-me a Su se me lembro da “célebre frase sobre a força superior da pena em relação à espada”. Penso que só pode estar a referir-se à largamente disseminada “the pen is mightier than the sword” de Bulwer Lytton. Aproveito, já agora, para lembrar que esta se trata de uma amputação, pois originalmente a frase é: “Beneath the rule of men entirely great, the pen is mightier than the sword.” Pareceu-lhe ainda que a frase inspirou o nome desta casa. Devo esclarecê-la que não. A pena pode ser realmente mais poderosa que a espada, mas o inverso pode também acontecer. É por isso devemos ser versados nestas duas vertentes, um pouco como – extrapolando – acontecia no Japão feudal, onde esse era o caminho do guerreiro, o bushido. A escolha deste título reflecte, assim, a minha postura no “combate pelas ideias”, no sentido em que devemos conjugar pensamento e acção, nunca sobrevalorizando um em relação ao outro.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Autárquicas 2005

Conforme prometido, vou fazer um brevíssimo comentário às passadas eleições autárquicas. No geral, foram reduzidas pelos comentadores do costume a uma vitória da “direita” sobre a “esquerda”, mantendo o eleitorado o habitual recurso aos cartões, atitude que, como já aqui disse, aceito, mas não compreendo.

Nesta laranjada nacional, confesso que me deram especial gozo as derrotas de Carrilho em Lisboa e Soares em Sintra. Este ano o grande destaque foi para os “candidatos-bandidos”. A classificação é do Bloco de Extrema-esquerda que, continuando a reger-se pela máxima “faz o que eu digo, não o que eu faço”, se “esqueceu” de incluir a sua única candidata eleita - tresmalhada há alguns anos do PCP – no rol dos acusados. Tirando esses tristes casos, que não merecem mais que este adjectivo, é bom verificar que o número de candidaturas independentes subiu.

Sobre o PNR, por quem fui candidato e em cuja campanha estive envolvido, registo apenas que continuou a sua progressão natural e gradual. Recuso totalmente os derrotismos dos imediatistas e os delírios dos fantasistas. O caminho é longo e árduo, mas estamos dispostos a percorrê-lo. Já o demostrámos e vamos continuar a fazê-lo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

“Casa às costas”

Nas duas últimas semanas tenho andado a mudar de casa. Marquei férias nesse período para o efeito, mas nem assim consegui transportar tudo. Quem já passou por uma mudança – e esta para mim não é a primeira– sabe do que estou a falar. Então quando a casa é nova e o dinheiro emprestado, é melhor nem falar nos problemas burocráticos: construtora, banco, luz, faxes, encarregado, água, telefonemas, vistorias, spread, repartição de finanças, gás, entre tantas outras trapalhadas que deviam ser simples e se tornam assaz complicadas.

A verdade é que ainda não mudei, nem consegui tratar de tudo. No entretanto, estive quase sem acesso à internet e envolvido na campanha eleitoral para as eleições autárquicas, das quais falarei noutro post.

Em mais uma tentativa de pôr a leitura e a escrita em dia na blogosfera, não vou prometer um regresso com assiduidade, porque acho que já ninguém acredita... Este blog tem que ser como uma revista que um amigo meu espanhol me enviava há uns anos atrás e cuja periodicidade era sale cuando puede.

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Visto à distância

Tão elogiada como criticada, a manifestação de há duas semanas pela família e contra o homossexualismo levou de novo os nacionalistas à rua. Este activismo crescente na área nacional incomoda muita gente, ainda para mais numa altura em que o estado do país é o que sabemos. De destacar a forma ordeira como, à semelhança das anteriores, a manifestação decorreu e que tanto contrasta com inúmeros protestos organizados das esquerdas.

Tempo de antena
Diz o ditado popular: “fala mal, mas fala de mim...” Não sou um defensor acérrimo desta filosofia, mas tenho que reconhecer que, apesar das muitas tentativas de menosprezar o acontecimento, este teve uma enorme divulgação através dos media. Isto na era da política-espectáculo e da teledependência é essencial. Para os que acusaram o PNR de “golpe publicitário”, só tenho a dizer que o objectivo de um protesto público é exactamente esse: ser visto. Num sistema como o nosso, onde os pequenos partidos são normalmente relegados ao esquecimento, é preciso furar o bloqueio com coragem para se conseguir ser conhecido por todos os portugueses. Diga-se o que se disser, a verdade é que abrir telejornais e chegar às primeiras páginas da imprensa é uma vitória num sistema de meios de comunicação social controlados.

Os incomodados
O que mais me divertiu foi ver os incomodados do costume a serem forçados a falar no PNR e na “extrema-direita”. Eles estavam convencidos que, nesta ditadura cultural de esquerda em vigor, a tradicionalmente inactiva área nacional nunca conseguiria crescer e dar-se a conhecer. Enganaram-se. Mesmo os melhores alunos da escola trotskista – aqueles que resistiram a dizer o nome do PNR – tiveram que referir-se publicamente à manifestação e às posições aí defendidas. Os incomodados sabem também que é assim que se consegue lá chegar. Lembro-me de um agrupamento de extrema-esquerda que fazia manobras publicitárias com muito menos participantes e que agora se senta no parlamento. Os incomodados estão irritados, porque agora são os nacionalistas que estão na rua e eles - os pseudo-anti-sistema - estão institucionalizados...

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Agradecimento público

Venho, por este meio, agradecer publicamente à Câmara Municipal de Lisboa a Mega Bandeira Nacional colocada esta semana no alto do Parque Eduardo VII, local onde se iniciará a manifestação de amanhã e que, estou certo, inspirará os participantes.

Segregação racial no Havai?

Fui sempre da opinião que a segregação racial iria voltar aos EUA, mas desta vez por iniciativa das minorias. Parece agora que os primeiros passos nesse caminho começam a ser dados. É o caso da proposta do senador democrata Daniel Akaka, o “Native Hawaiian Government Reorganization Act of 2005”. A “Akaka Bill”, como é conhecida, pretende a criação de uma “entidade de governo” para os havaianos nativos, o que significaria leis diferentes consoante a origem étnica das pessoas e abriria caminho a um separatismo racial institucional.

Esta bill só não foi votada no Senado na passada semana, como estava previsto, porque foi dada prioridade à legislação relativa aos estados afectados pelo furacão Katrina. A votação ficou adiada, não se sabendo quando será. O mais curioso é que há fortes possibilidades de ser aprovada.

Leão rosa

Ainda relacionado com o homossexualismo e a causa gay, não posso deixar de fazer aqui uma referência negativa ao Festival de Veneza, que deixei passar na minha ausência. Este ano, o Leão de Ouro para o melhor filme foi atribuído a «Brokeback Mountain», de Ang Lee, um romance homossexual entre dois cowboys. Como disse o Eurico de Barros no «DN»: “Acaba de cair um dos últimos bastiões heterossexuais no cinema: o western.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Pela família. Contra o homossexualismo.

Um programa de pedagogia homossexual - mais uma pérola do telelixo com que ultimamente os canais sensacionalistas de televisão nos presenteiam -, exibido em prime time, onde gays “reconvertem” candidatos heterossexuais para os tornar no “homem de sonho de todas as mulheres”, motivou prontamente uma justificada reacção. Contra esta acção de propaganda pública ao “estilo de vida gay”, surgiu um abaixo-assinado contra a exibição do programa, ao qual se associou a Juventude Nacionalista, e foi agendada uma manifestação com o apoio do PNR. Este protesto público, contra o lobby gay e em defesa da família e das crianças, terá lugar no próximo sábado, dia 17 de Setembro, às 15 horas, no Parque Eduardo VII em Lisboa. Óptima oportunidade para repudiar publicamente o homossexualismo, ou seja o aproveitamento político da homossexualidade, que pretende consagrar pseudo-direitos como o casamento entre homossexuais e a adopção de crianças por estes.

Todos à manif! Pela família! Pelas nossas crianças!

Katrina

O furacão Katrina e os consequentes acontecimentos em Nova Orleães mostraram um lado da América desconhecido de muitos. Ao lado do “sonho americano” existe também um pesadelo. O mundo viu que o equilíbrio social e racial nos EUA está por um fio e que as tensões são atenuadas – se não controladas – por um estado policial.

Quanto à questão racial, não deixa de ser curioso verificar que o “fardo do homem branco” subsiste. Se as vítimas são negros, o dedo acusador é prontamente apontado aos brancos “opressores”, a quem só faltou serem culpados do próprio furacão. Se, pelo contrário, as vítimas em questão são os brancos pobres que vivem em condições miseráveis – o white trash -, aí a culpa é o sistema, da sociedade, etc.

Vemos que o utópico melting pot é na realidade uma panela de pressão onde fervilham tensões raciais e sociais e onde o risco de explosão é iminente.

Dia “não”

Anteontem tive um dia daqueles em tudo parece correr mal. Espero que tenha sido o pico de uma maré de azar e que a partir de agora as coisas comecem a melhorar. Nada como o regresso à blogosfera para iniciar um período que espero que seja mais favorável. Apesar do atraso, vou tentar fazer um breve comentário aos acontecimentos mais importantes que se verificaram na minha ausência cibernética.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Hemeroteca (IV)

O jornal “velho” de hoje é o “Diário da Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS”, do final da II Guerra Mundial, onde o destaque vai para as primeiras fotografias da bomba atómica.

Título: Alerta
Data: 29 de Agosto de 1945
N.º 2477


Na capa o destaque vai para o discurso do Papa Pio XII perante membros do congresso americano e para as primeiras fotografias da bomba atómica. Ainda no Japão, noticia-se o início da ocupação americana. Numa notícia vinda de Lisboa, dá-se conta de uma vitória diplomática do general De Gaulle em Washington. Podemos ainda ler um artigo sobre a ganederia em Espanha e uma coluna de desporto, com notícias de futebol, basquetebol, natação e tiro ao prato. Na publicidade, destaco uma secção intitulada “Anuncios por palabras”, que custavam, até cinco palavras, 2 pesetas, sendo cada palavra mais 0,25 pesetas.

Racismos (II)

Mais um caso curioso, que vi num artigo sobre o défice de melanina, na última edição da «Grande Reportagem»: “Em certos países, onde a população é maioritariamente africana, o albino é visto como um cidadão de segunda. Até há bem pouco tempo foi assim na Jamaica.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

“A democracia parlamentar está esgotada”

Esta é a frase do Prof. Marques Bessa que sobressai na capa da edição de hoje do semanário «O Diabo». Numa entrevista a não perder, o catedrático do ISCSP diz que as candidaturas presidenciais “são reveladoras da crise instalada na III República, de fim e toque a rebate. Soares e Cavaco são candidatos da gerontocracia”. Ainda sobre os “pais da pátria”, é contundente: “Chamar isso a Cavaco e a Soares é um disparate. Os "pais da pátria" são bem conhecidos de todos: D. Afonso Henriques, D. Nuno Álvares Pereira, D. Dinis, D. João I, D. João IV, Conde Castelo Melhor, Marquês de Pombal, etc. Vê algum português que depois do 25 de Abril alargou o país, o território e a economia, e nos tenha enchido de grandes propriedades e melhorado o Estado?

Quanto à elite governante, Marques Bessa é da mesma opinião de Alberto João Jardim, é constituída por “falhados”. Para ele, “está repleta de medíocres, que não tinham para onde ir e que dificilmente teriam emprego noutro sítio sem ser na política. Os portugueses de verdadeiro mérito encontram-se nos livros de História e talvez por isso já quase se boicota o ensino da História de Portugal. Qualquer dia temos, à semelhança do que se passou na URSS, um livro intitulado "A falsificação da História em Portugal".

Sobre a imigração, que considera um dos principais problemas que afligem Portugal, diz que é uma questão “perigosíssima porque não está a ser controlada. O SEF não é capaz de identificar centenas de pessoas, nomeadamente do Leste, que entram no nosso território.” Defensor de uma política de quotas para a entrada de estrangeiros, diz que “a política dos governos na área da imigração tem sido a de absorver os "dejectos", quando isso não contribui para o país progredir.

Em relação à posição de Portugal na cena internacional, afirma que o nosso país “não definiu quem é o amigo e o inimigo” e que “a certeza que se mantém é absurda. Temos de ter inimigos e esse deve ser o império americano.

A questão autárquica

A manchete de hoje do «Diário de Notícias», reflecte bem a realidade que se tornou o poder local: “Autarquias triplicam dívidas em ano de eleições”. A má gestão autárquica em Portugal é um problema nacional, alimentado por inúmeros interesses, que poucos querem ver resolvido ou têm coragem de apresentar soluções.

No mesmo jornal, José Alberto Xerez aponta medidas que, segundo ele, proporcionariam uma “uma maior eficiência e transparência da gestão municipal”. Não acredito em soluções milagrosas, mas penso que é necessário estar aberto a outras políticas e a diferentes formas de encarar realidades que se tornaram estáticas e imobilistas.

Nesta questão, para José Alberto Xerez, é essencial que se contrarie a “estrutura dirigista e centralizada” do Estado com a aplicação do princípio da subsidiaridade. Para ele, “a regra de ouro deverá ser a de que tudo o que puder ser eficazmente resolvido a um nível inferior não necessita de ser decidido a um nível superior”, o que, sinceramente, não sei se no nosso país seria possível. Por outro lado, concordo inteiramente com ele quando diz que “uma gestão autárquica eficiente exige circunscrições municipais com populações reduzidas”. Acho que se deve travar o crescimento urbano desenfreado e deixar de privilegiar as cidades como forma preferencial de ocupação do território. Quanto à fiscalidade autárquica, prevê alterações de modo a que “os munícipes, que suportam localmente com os seus impostos uma parte acrescida das despesas, terão uma maior apetência para analisar como os seus dinheiros foram gastos”. Este é um ponto muito importante, já que possibilitaria a aplicação de uma democracia local directa, ligando as pessoas à sua terra, quando “as grandes prioridades estratégicas da política autárquica fossem referendadas localmente”.

Perseguição política

Apesar do atraso, não posso deixar de referir aqui o revoltante caso de perseguição política feita pelo ACIME ao PNR e manifestar a minha solidariedade e o meu total apoio ao camarada Carlos Branco, delegado distrital do PNR no Porto.

Os agentes da ditadura do politicamente correcto querem, à viva força, instituir que a defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses é “racismo” ou “xenofobia”. Neste caso concreto, na sequência de uma campanha “pelo comércio tradicional, contra a invasão do comércio chinês e a proliferação de grandes superfícies”, levada a cabo pelo Núcleo do Porto do PNR, foi apresentada pelo ACIME na Polícia Judiciária uma queixa por “racismo” (!!!), sendo o delegado distrital consituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência.

Tanto o Núcleo do Porto como a Comissão Política Nacional do PNR já emitiram comunicados a denunciar este caso escandaloso. O combate nacional é cada vez mais difícil, mas nem por isso os nacionalistas o abandonarão!

Antes fosse...

A minha ausência prolongada da blogosfera, fez com que o meu amigo Rebatet pensasse que eu tinha ido de férias. Infelizmente, para esse período ainda me faltam uns “mesitos”. Acontece que, com o computador de casa no “estaleiro”, com os meus colegas de férias e uma semana de Agosto longe de ser “parada”, e um fim-de-semana fora para aliviar pelo meio, tem sido impossível actualizar o blog. Agora que tenho uma aberta, toca de pôr a leitura e a escrita em dia.

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

Civilização

«Uma civilização, por mais superior que seja, não passa de um colosso com pés de barro, se o nervo viril perde o vigor.»

Ernst Jünger
in “A Guerra como Experiência Interior”

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Sobre História

Da revista «Futuro Presente» referida no post anterior, reproduzo aqui a “Nota sobre História”, da autoria de Roberto de Moraes, publicada no final do artigo “Na esteira da Grande Guerra”, por concordar inteiramente com a sua posição sobre esta disciplina, que também é a minha.

Nota sobre História:
É justamente quando escrevo sobre História, a minha disciplina, que mais procuro proteger-me do pecado de “sabedoria retrospectiva”. A escrita da História está muito exposta à contaminação do presente, ao conhecimento do que se passou entre o então e o agora. Entender e sentir o estilo e o ser das camadas humanas de épocas passadas, constitui viático que muito pode ajudar. Quem politiza ou diaboliza a História, pode eventualmente aviar interesses ou cuidar de desideratos de outras ordens, mas não serve, com certeza, nem o homem honrado, nem a própria História.


Roberto de Moraes

“Inquérito sobre a Europa”

Só hoje li o último número da revista «Futuro Presente», o 57, referente aos meses de Maio e Junho, dominado pelo “Inquérito sobre a Europa”. Sob o tema central da questão europeia, podemos ler “Reflexões sobre a História recente”, de Jaime Nogueira Pinto, seguida de uma entrevista feita por este último e por Miguel Freitas da Costa ao Professor Martim de Albuquerque, e ainda, a visão económica de José Alberto Xerez em “Constituição europeia ou o fim da Europa?” e um olhar histórico de Roberto de Moraes sobre a Primeira Guerra Mundial intitulado “Na esteira da Grande Guerra”. Para além da concordância, ou não, com as posições tomadas, este é, sem dúvida, um conjunto de textos a não perder, pela sua qualidade e rigor, bem como pela actualidade e importância do tema.

domingo, 7 de agosto de 2005

Racismos

Na última edição do «Courrier Internacional», li na secção “Palavras ditas” uma citação curiosa de Blackman Ngoro, conselheiro em comunicação do presidente da câmara do Cabo, cidade onde fica o parlamento da África do Sul: “Os africanos são culturalmente superiores aos mestiços. Estes últimos, a menos que passem por uma transformação ideológica, morrem das sequelas do abuso do álcool”. Só falta mesmo os “especialistas” do costume virem dizer que afirmações destas ainda são culpa do apartheid

Remodelação

Esta casa andava há muito tempo necessitada de algumas novidades no campo estético. Comecei pelo banner - foi prenda de aniversário do meu cunhado (Obrigado!) - e com uma citação de um dos autores que mais me marcaram. Ainda estou a considerar outras alterações, a introduzir gradualmente. A ver vamos…

sábado, 6 de agosto de 2005

Realidade nuclear


Sessenta anos volvidos, servem estas linhas para lembrar o holocausto nuclear com que terminou a II Guerra Mundial: o massacre de Hiroshima, a que se seguiria, três dias depois, o de Nagasaki. O genocídio perpetrado pelos “bons” arrastar-se-ia durante anos, revelando ao mundo o horror da guerra atómica.

O fim da guerra fria fez desaparecer o temor generalizado de um conflito mundial com recurso ao armamento nuclear. No entanto, essa possibilidade mantém-se e em contornos muito mais tortuosos. Analisando os países detentores de armas nucleares, verificamos que à cabeça estão os EUA, ou seja, os únicos que já “usaram o anel” e os que mais facilmente poderiam ter uma recaída. A seguir está a Rússia, onde se mantêm muitos dos problemas inerentes ao fim da URSS e ao crescimento caótico e galopante de uma economia capitalista. Depois, um dos maiores perigos do futuro: a China, um monstro em desenvolvimento. Na Europa, temos o Reino Unido, sempre toldado pelo seu atlantismo excessivo, e a França, a verdadeira potência nuclear europeia. No clube de alto risco está, em posição destacada, Israel, que tenta a todo o custo esconder a real dimensão do seu arsenal, seguida dos inimigos figadais Índia e Paquistão, com a sua guerra fria em miniatura localizada, terminando com a Coreia do Norte, com a sua estratégia de chantagem.

Concluindo, por muito que alguns queiram, o mundo não está a safer place no que respeita à eventualidade da utilização de armas nucleares.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

A religião dos direitos do homem

Ao ter conhecimento das declarações de hoje do primeiro-ministro britânico que, sob a tónica do “abusaram da nossa confiança”, referindo-se aos bombistas, disse que “as regras do jogo mudaram” e que “não serão tolerados mais abusos no país”, garantindo que o Reino Unido só receberá “quem estiver disposto a partilhar os valores”, lembrei-me da definição de Guillaume Faye de “direitos do homem” cuja entrada, com o mesmo título na sua obra excepcional “Pourquoi nos combattons”, reproduzo abaixo. Um texto de leitura essencial, ainda para mais porque Tony Blair anunciou uma alteração das políticas de extradição e o repensar da filiação do país à Convenção Europeia dos Direitos Humanos, tudo para “agilizar a expulsão de quem defende o terror”.

Direitos do Homem
Aparelho central da ideologia moderna do progresso e do igualitarismo individualista, e meio de instaurar uma polícia do pensamento como uma destruição do direito dos povos.

Síntese da filosofia política (muitas vezes mal compreendida) do século XVIII, o direito-do-homismo é o horizonte incontornável da ideologia dominante. Com o anti-racismo, funciona como um dos dispositivos centrais do condicionamento mental colectivo, do pronto-a-pensar e da paralisia de toda a revolta. Profundamente hipócrita, a ideologia dos direitos do homem acomoda-se de todas as misérias sociais e justifica todas as opressões. Ela funciona como uma verdadeira religião laica. O “homem” não é aqui mais do que um ser abstracto, um consumidor-cliente, um átomo. É impressionante constatar que a ideologia dos direitos do homem foi formulada pelos conventionnels da revolução francesa imitando os puritanos americanos.
A ideologia dos direitos do homem conseguiu legitimar-se fundamentando-se em duas imposturas históricas: a da caridade e da filantropia, assim como a da liberdade.
O “homem” (noção já bastante vaga) não possui direitos universais e fixos, mas apenas aqueles que decorrem de cada civilização, de cada tradição. Aos direitos do homem é necessário opor duas noções centrais: a dos direitos dos povos (ou o “direito das gentes”) à identidade, e a de justiça, sendo esta última variável consoante as culturas e supondo que todos os indivíduos não são igualmente respeitáveis. Mas estes dois conceitos não poderão assentar no pressuposto de um homem universal abstracto, mas antes sobre o dos homens concretos, localizados numa cultura.
Criticar a religião laica dos direitos do homem não é evidentemente fazer a apologia da selvajaria, pois a ideologia dos direitos do homem caucionou muitas vezes a barbárie e a opressão (o massacre dos vendéens ou dos índios americanos). A ideologia dos direitos do homem foi demasiadas vezes o pretexto de perseguições. Em nome do “Bem”. Ela não representa de maneira nenhuma a protecção do indivíduo, tal como o comunismo não representava. Pelo contrário, ela impõe-se como um novo sistema opressivo, fundado sobre as liberdades formais. Em seu nome, vai legitimar-se, desprezando toda a democracia, a colonização populacional da Europa (qualquer um, não importa quem, tem o “direito” de se instalar na Europa), a tolerância em relação às delinquências liberticidas, as guerras de agressão feitas em nome do “direito de ingerência”, a inexpulsabilidade dos clandestinos colonizadores; mas esta ideologia não se pronuncia sobre a poluição maciça do ambiente ou sobre a selvajaria social provocada pela economia globalizada.
A ideologia dos direitos do homem é hoje sobretudo um meio estratégico de desarmar os povos europeus culpabilizando-os em todos os domínios. Ela é a legitimação do desarmamento e da paralisia. Os direitos do homem são uma espécie de assunção perversa da caridade cristã e do dogma igualitário segundo o qual todos os homens seriam iguais.
A ideologia dos direitos do homem é a actual arma central de destruição da identidade dos povos e da colonização alógena da Europa.

Guillaume Faye

in “Pourquoi nos combattons”, 2001.

As chamas do lucro

O país está de novo a arder mas, apesar das condições climatéricas e o desordenamento florestal serem propícios aos incêndios, sabemos que por trás da maioria dos fogos está uma mão criminosa. O que a move? Será que a motivação de tanta destruição é o lucro? Será que vamos ter, em breve, Portugal de novo em cinzas apenas devido à eterna ganância gerada pelo vil metal?

José Gomes Ferreira, subdirector de informação da SIC, escreveu um artigo intitulado “A indústria dos incêndios” onde garante que “há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada”. Um artigo corajoso, que põe o dedo numa ferida sobre a qual poucos querem falar, onde são apresentadas várias questões incómodas sobre a realidade dos incêndios, ao que se segue uma série de propostas do que o Estado podia – e devia – fazer, com as quais estou totalmente de acordo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Casos da Língua

Nos comentários ao meu post intitulado Fact checker, o Dragão solicitou-me que confirmasse o termo utilizado para definir a HK MP5. Eu chamei-lhe “pistola-metralhadora” e ele “submetralhadora”; estamos ambos correctos, já que estas definições referem-se ao mesmo tipo de armas. Há ainda outro termo para as designar que é “metralhadora-de-mão”, mas que caiu em desuso.

Aquela que é considerada a primeira pistola-metralhadora da História foi a italiana Villar Perosa, introduzida em 1915, mas que não originou nenhum termo específico para designar esse novo tipo de armas. A primeira designação, que subsistiu até hoje, deve-se à alemã MP-18, criada por Hugo Schmeisser, que viria a notabilizar-se com a famosa MP-40. As iniciais MP são da palavra alemã Maschinenpistole, que entrou na língua portuguesa através da sua tradução directa “pistola-metralhadora”. No entanto, em 1921, do outro lado do Atlântico, o americano John Thompson apresentou uma arma a que chamou “Thompson Submachine Gun”, que seria um sucesso e viria a ser conhecida por “Tommy gun”. O termo submachine gun passou, daí em diante, a designar “pistola-metralhadora” no continente americano, passando para a língua portuguesa, por via brasileira, através da sua tradução directa “submetralhadora”. Ainda hoje, é mais comum no Brasil dizer-se “submetralhadora” e em Portugal “pistola-metralhadora”. O significado de ambos os termos é idêntico, apenas a sua origem etimológica é diferente.

terça-feira, 2 de agosto de 2005

560

Recebi uma mensagem de correio electrónico sobre o Movimento 560, uma iniciativa louvável de quem considera fundamental apoiar a produção nacional e apela a que se comprem produtos portugueses. O nome do movimento é inspirado nos três primeiros algarismos do número existente no código de barras dos produtos portugueses. A apoiar e divulgar, porque o proteccionismo começa em casa.

Blogs n'O Diabo (IX)

Há duas páginas que considero obrigatórias no semanário «O Diabo» e, por isso, aconselho-as todas as terças-feiras. Assim, não podia deixar de mencionar aqui “O Diabo a Sete” do Walter Ventura, hoje com o artigo “Apelo ao voto”, seguido da coluna “Os meus blogues”, desta vez com o Manuel Azinhal, que está de parabéns pelos dois anos de Sexo dos Anjos, e as habituais “Pegadas de Pégaso”.

Passadismos

Carlos Blanco de Morais analisa hoje no «DN» a possível candidatura presidencial de Mário Soares, começando por citar os argumentos do próprio há dois meses atrás na televisão, naquela que considera “uma candidatura fora de prazo”. Depois, desmontando as quatro razões apontadas para a candidatura do ex-presidente, conclui que “Soares presidente seria, assim, o mais temível adversário do Governo”.

Na minha opinião, a concretizar-se a candidatura, este será, sem dúvida, o sapo mais velho e mais gordo que o actual primeiro-ministro irá engolir. A recente novela presidencial demonstra bem o apodrecimento da III República, estrangulada por uma “esquerda” supostamente maioritária e declaradamente passadista, sem soluções para o futuro. Vemos hoje que os “revolucionários de abril”, são, na realidade, conservadores paralíticos, agarrados ao sonho que nunca conseguiram concretizar. Como diz o povo – aquele por quem todos lutam e de quem todos se esquecem – “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Hemeroteca (III)

Hoje trago-vos uma revista de informação dos anos 80 ligada à Torralta, com edições em português, francês e inglês, que apostava no mesmo formato das revistas internacionais de então.

Título: Espaço T Magazine
Data: Agosto de 1981
N.º 14
Director: José Miguel Júdice


A capa é ilustrada com o famoso entertainer narigudo da altura, Júlio Isidro, figura de proa do programa de televisão de sucesso “Passeio dos Alegres”. De seguida, podemos ler um artigo sobre o Príncipe Carlos e a sua recente esposa Lady Diana, com uma previsão astrológica do seu futuro juntos. Entre outras, há uma reportagem sobre “o comboio dos imigrantes”, de um jornalista que fez a viagem Paris-Lisboa acompanhado dos portugueses que lá trabalhavam, e outra sobre Israel, da autoria de António Mega Ferreira. De destacar, também, o texto sobre a Batalha de Ourique, de José Valle de Figueiredo, e o artigo “Virgindade: Tabu em decadência”, sobre a mudança de mentalidades e atitudes na sociedade portuguesa. Como cronistas temos Adriano Moreira, Sottomayor Cardia, Rogério Martins e António Alçada Baptista. Na publicidade abundam os anúncios ao complexo turístico de Tróia e aos casinos de Vilamoura e Alvor.

Aaltramente

Rir da desgraça dos outros? E se os “desgraçados” também o fizerem? E se, ainda por cima, se aproveitarem da sua condição para abusar da boa vontade alheia? É o que acontece em “Aaltra”, um road movie de cadeira de rodas, filmado a preto e branco e com muito grão, tão áspero como a realidade que retrata. Um festival de humor negro, do mais politicamente incorrecto do que há. Já aqui havia falado dele e ontem fui finalmente vê-lo ao cinema King, o único onde está a ser projectado. Dei umas valentes gargalhadas, por situações daquelas sobre as quais não é suposto rir. São as que sabem melhor! Um excelente filme, especialmente para quem não tem já paciência para as tão abundantes comédias - ditas familiares - americanas.



Escrito, realizado e interpretado por Benoît Delépine e Gustave Kerven, esta comédia negra é uma história de dois vizinhos que nutrem um ódio mútuo, comme il faut, sobre os azares da vida e a falta de escrúpulos, e sobre a natureza humana, tendo como pano de fundo uma viagem pelo mundo rural da Europa do Norte. Um filme onde os protagonistas principais são dois paralíticos que não inspiram pena de espécie alguma, antes pelo contrário...

sábado, 30 de julho de 2005

GCL

Considero-me um bibliófilo, mas depois de ler a crónica de hoje do Eurico de Barros descobri que também sou um GCL. Há muito que sou um Grande Comprador de Livros. O facto de ter trabalhado muitos anos no Bairro Alto, onde me tornei cliente habitual de vários alfarrabistas e onde fiz grandes amizades, e mais recentemente as facilidades que há em comprar livros através da Internet, só agravaram a minha situação. Partilho com o Eurico o eterno problema do espaço – que nem por isso nos faz comprar menos – e agora que estou em vias de mudar de casa, a minha primeira preocupação foi ter lugar para a biblioteca. É claro que no meu caso o problema é mínimo, se comparado com o deste meu amigo.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Fact checker

Costumo dizer que tenho uma costela, ou duas, de revisor ortográfico. É de tal forma denunciado, que esta é uma tarefa que até desempenho, por vezes, profissionalmente. Outra coisa para que tenho certa tendência é para ser fact checker, habitualmente em coisas relacionadas com assuntos que me interessam. Para quem não sabe, um fact checker é uma figura muito comum na imprensa anglo-saxónica, em especial nos EUA, e tem como função, como o nome indica, verificar factos. É a pessoa que lê um artigo e diz, por exemplo, que a Birmânia agora se chama Myanmar, ou que o Tratado de Tordesilhas foi assinado em 7 de Junho de 1494.

Na minha leitura da imprensa de hoje, deparei-me com dois casos. Na revista «Visão», Manuel António Pina, interroga-se na conclusão da sua crónica “O sangue dos outros” se “será que alguém pôde honestamente pensar que gente capaz de assim matar indiscriminadamente inocentes, se necessário imolando-se com eles, pode ser vencida despejando algumas bombas de fragmentação e mísseis de urânio enriquecido?” O urânio enriquecido é o combustível usado nos reactores nucleares ou em armas nucleares. Aqui, parece-me que o autor pretende referir-se às polémicas munições de urânio empobrecido, usadas pelas forças armadas americanas em vários teatros de guerras como, mais recentemente, na ex-Jugoslávia ou no Iraque. Na concorrente «Sábado», no artigo “A ex-cidade da polícia desarmada”, o autor, Ferreira Fernandes, diz-nos a determinada altura que “os londrinos vão ter de se habituar a essas ameaçadoras e tranquilizadoras armas negras, pistolas Glock 17 e automáticas HK G3, nas mãos de três mil polícias que patrulham a capital”. A Metropolitan Police usa realmente pistolas semi-automáticas Glock 17, de calibre 9 mm, apesar de estar a considerar substitui-las pelas novas HK P2000, do mesmo calibre. Mas, relativamente à HK G3, bem conhecida dos portugueses, não é, nem nunca foi, usada pelos polícias britânicos. Estes usam a HK MP5 de calibre 9 mm, ou seja, usam pistolas-metralhadoras (Maschinenpistolen), muito mais aptas para as necessidades policiais do que uma espingarda automática (Gewehr) como a G3, arma tipicamente militar e de calibre 7,62 mm. Aliás, na principal fotografia que ilustra o artigo, os dois polícias retratados estão armados com pistolas-metralhadoras Heckler und Koch MP5 A3.


Eurislão

O Islão é a religião em mais rápido crescimento na Europa. Os muçulmanos não só constituem a minoria mais numerosa dentro da União Europeia como têm uma taxa de natalidade três vezes superior à de todas as outras comunidades”. Quem o afirma é a revista «Visão», na sua edição de hoje, apontando para 15,5 milhões o número de muçulmanos na Europa, o que corresponde a 3,4% da população, e prevendo que em 2015 a comunidade islâmica atinja os 31 milhões. O país europeu com maior número de muçulmanos é a França, com 5 milhões, seguido da Alemanha, com 4 milhões, e do Reino Unido, com 1,6 milhões. No nosso país existem cerca de 35 mil muçulmanos (0,4% da população) e aqui ao lado, na vizinha Espanha, o número sobe vertiginosamente para um milhão (2,4% da população). Contra factos não há argumentos, a islamização da Europa está a vista de todos e as suas consequências também...

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Hemeroteca (II)

O “jornal velho” de hoje é a edição d'«A Rua» publicada no dia seguinte ao sétimo aniversário da morte de Salazar. Aqui fica a ficha, a capa e uma breve descrição.

Título: A Rua
Data: 28 de Julho de 1977
N.º 69. Ano II
Director: Manuel Maria Múrias




Com o destaque dado a Salazar, um artigo sobre o “salazarismo” e um poster, era notório que este jornal da “direita”, que se propunha fazer “o combate do futuro”, tinha uma vincada atitude contra-corrente. Dizia o inconfundível Manuel Maria Múrias no editorial: “Nada nos resta senão o exílio. O exílio ou a revolta interior. Portugal é Portugal. Transcende as instituições democráticas. Para se defender a Democracia, não se pode matar Portugal. Isso é o que estamos a fazer. Friamente. Planeadamente. Desgraçadamente.” Para além de várias notícias sobre a política nacional - bem agitada naqueles tempos - destaco a página “Cultura e História”, com um artigo de Amândio César e um poema de Rodrigo Emílio, e a página “Livros e Autores”, com uma resenha do livro “Nado Nada”, de António Manuel Couto Viana, feita por João Bigotte Chorão. Na publicidade, a Turalgarve propunha uma viagem de uma semana à Madeira por 2900$00 e num dos vários anúncios a livros, assegurava-se que “África - A vitória traída” tinha vendido 19 mil exemplares em menos de dois meses.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Circular

Há dias aconteceu uma coisa curiosa, mas que não é de estranhar. Recebi por correio electrónico, por mais do que uma vez, uma mensagem enviada por diferentes pessoas, que até nem se conhecem. Tinha o título “Populares negam arrastão” e ao abrir descobri que o texto da mensagem era o do meu post Vox populi. Algum dia havia de acontecer, um escrito meu tornar-se um e-mail circular. A internet tem destas coisas…

Hemeroteca (I)

Vários amigos têm-me pedido para partilhar no blog uma nesga das pilhas de jornais velhos que tenho em casa e para os quais vou tendo cada vez menos espaço. Há dias decidi dar uma volta nesses papéis e, ao encontrar alguns do mês de Julho, decidi que a data seria o critério de publicação no Pena e Espada. Assim, aqui fica a primeira página d’«A Capital» de há 35 anos atrás, dia em que morreu Salazar e quando, obviamente, essa notícia dominou toda a imprensa. De seguida, faço um breve apanhado do jornal, para fazer alguns recordar e satisfazer a curiosidade de outros.

Título: A Capital
Data: Segunda-feira, 27 de Julho de 1970
N.º 871. Ano III (2.ª série)
Director: Maurício de Oliveira




A manchete “Morreu Salazar” domina a capa desta edição d’«A Capital». Do elogio fúnebre feito por Marcello Caetano ao luto geral decretado pelo Conselho de Ministros, passando por um extenso artigo de várias páginas sobre “a morte do Presidente Salazar”, no qual é descrita “uma vida de trabalho”, esta é a notícia que ocupa quase metade do jornal. Para além do acontecimento dominante, podemos ler, por exemplo, um artigo sobre as preocupações com o facto de a China ter uma “nova presença na estratégia mundial” por ser uma “potência espacial”, depois de ter conseguido colocar o seu primeiro satélite em órbita. Nos “acontecimentos mundiais”, podemos encontrar títulos como: “Conversações Germano-Russas: O fim da incerteza”, “Israel disposto a aceitar a paz”, ou “O Congresso da União Socialista Árabe aprovou a aceitação egípcia das propostas americanas de paz”. Na televisão o destaque vai para o programa “Curto-Circuito”. No cinema está anunciado, por exemplo, “O Submarino Amarelo”, no Estúdio 444, ou “A fúria de viver”, no cinema Alvalade. Quanto à publicidade, a Agência Star oferece uma viagem de 8 dias a Itália por 6550$00 e o Banco de Fomento Nacional garante um juro de 5,5% em depósitos a prazo superiores a um ano. Nas cotações verificamos que um Dólar vale 28$20 e uma Peseta 40 Centavos.

terça-feira, 26 de julho de 2005

Blogs n'O Diabo (VIII)

Na minha recomedação habitual de terça-feira, destaco n'“O Diabo a Sete” do Walter Ventura o artigo “O nariz de pinóquio”, sobre as recentes “trapalhadas” governamentais, seguido da coluna “Os meus blogues”, desta vez com o já veterano Manuel Azinhal e o estreante Dragão, e as excelentes “Pegadas de Pégaso”.

Friend or foe?

Aconselho a leitura do interessante artigo “Ruínas do futuro” de Miguel Freitas da Costa, hoje no «Diário de Notícias», no qual reflecte sobre a guerra que o mundo vive hoje e o terrorismo que, para ele, “cada vez mais tem de se entender como instrumento de certos Estados ou de certos poderes subnacionais ou transnacionais que querem combater os Estados Unidos ou impor-se às respectivas potências regionais”. Quanto a esta interpretação, penso que, infelizmente, o terrorismo não fica por aí, sendo a ponta da lança do islão totalitário expansionista e tendo como um dos alvos principais a Europa. De qualquer maneira, não posso estar mais de acordo com a conclusão do artigo, ainda por cima porque é algo que nunca é lembrado pelos “especialistas” que habitualmente verborreiam sobre o assunto: “O que precisamos de saber é quem nos convém como "amigo" e quem são os nossos "inimigos".” Já dizia Carl Schmitt...

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Questão presidencial

Perante as últimas notícias, se existe uma idade mínima para se ser candidato a Presidente da República, não deveria ser instituída uma idade máxima?

Novidades em linha

Já está no ar a nova página do PNR - Partido Nacional Renovador, agora em http://www.pnr.pt.

Entretanto, descobri hoje que já está finalmente em linha um projecto tão necessário como merecido de homenagem ao poeta nacionalista Rodrigo Emílio, em rodrigoemilio.com. Não sei se terá um lançamento oficial, mas sei que até lá muitos de vós, tal como eu, não resistirão a dar uma espreitadela.

sábado, 23 de julho de 2005

Padrão reaberto

O Padrão dos Descobrimentos reabriu ontem ao público depois de umas obras que demoraram sete meses, o que significa que já não precisamos de ir ao Panorama 360º disponibilizado pela Câmara Municipal de Lisboa para apreciar a vista lá de cima. Este monumento imponente é da autoria do arquitecto Cottinelli Telmo e do escultor Leopoldo de Almeida e foi construído em materiais perecíveis para a “Exposição do Mundo Português” de 1940 como temporário, posteriormente foi construída uma réplica duradoura inaugurada em 1960, no V Centenário da morte do Infante D. Henrique. Mais informações sobre a remodelação, exposição patente e horários no sempre atento Olissipo.



sexta-feira, 22 de julho de 2005

Cansaços


Cansaço rápido – Passados nem quatro meses, o ex-Ministro das Finanças Campos e Cunha estava cansado de ser posto em causa todos os dias, estava cansado de perder privilégios, estava cansado de pertencer a um governo que disse uma coisa e fez outra, estava cansado... Bastou um artigo no jornal e aí está a primeira baixa da era socrática. Isto promete!

Cansaço socialista – O Prof. Trocado continua a fazer das dele e os socialistas já estão cansados desta wildcard polémica jogada pelo actual primeiro-ministro que quer, à viva força, brilhar mais que todo o governo junto. Alguns esperam que seja despachado como presidenciável, nem que seja para o “queimar”.

Cansaço presidencial – Do actual Presidente da República está tudo mais que cansado. Mas até na corrida às próximas presidenciais, os jornalistas, os comentadores e outros profissionais da crítica começam já a estar cansados de não ter ainda candidatos confessos para “trabalhar”.

Cansaço festivo – Quem já estava cansado de não ter o governo festivo do efémero Santana Lopes, não desanime! Depois da passagem foguete de Campos e Cunha pelo Ministério das Finanças e a sua saída mal justificada, temos mais matéria para fazer correr rios de tinta. Parece que o seu substituto se esqueceu de entregar uns papéis no Tribunal Constitucional. Que chatice! Os ministeriáveis não deviam ter de se preocupar com estas coisas...

Jihad em Londres (II)

Depois dos atentados suicidas do passado dia sete de Julho, a capital britânica sofreu ontem nova onda de ataques, desta vez de menor intensidade e felizmente sem vítimas mortais. Já hoje, segundo as últimas notícias, a polícia abateu a tiro um presumível bombista numa estação de metro. A violência está para durar neste país europeu que alberga uma comunidade islâmica que se calcula ter entre um milhão e meio e dois milhões de muçulmanos. O país que até há bem pouco tempo se gabava ao mundo de os seus polícias não andarem armados ou de não haver bilhetes de identidade...

Unser Korrespondent in Österreich

Apesar das férias, a actividade no Nova Frente não foi interrompida. Ainda bem! É de acompanhar com toda a atenção esta internacionalização da blogosfera lusa, enquanto o BOS continua a debitar posts directamente da Caríntia.

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Vox populi

Depois da humilhação a que a Polícia foi obrigada pelos defensores do multiculturalismo e da vitimização das minorias, numa estratégia de branqueamento de que aqui já falei, há quem ainda não se conforme com a versão remix do arrastão. A manchete de hoje da edição de Lisboa do jornal «Destak», “Populares contestam relatório do arrastão”, chama-nos a atenção para a indignação dos comerciantes da Praia de Carcavelos perante o relatório da PSP apresentado na Assembleia da República sobre os acontecimentos do passado dia 10 de Junho. Um deles garante que falou com dois polícias “e eles disseram que houve arrastão, mas não podem é dar a cara, porque levam com processos”. Imagino o que pensarão tantos polícias que lidam diariamente com a violência dos “jovens”, depois da morte vários colegas em serviço, ao assistir à culpabilização política da PSP por tentar fazer o seu trabalho...

Ainda no mesmo jornal, na secção “Correio do Leitor”, há um desabafo de Nuno Mártires, de Sintra, sobre o aumento da criminalidade, que não resisto a reproduzir aqui:

«Senti necessidade de partilhar a minha angústia com alguém, então pensei nos milhares de companheiros que lêem o Destak e viajam de comboio na linha de Sintra. Estou seriamente preocupado com a minha saúde, acho que vejo o ouço coisas, ora vejam: pensei que tivesse havido um arrastão em Carcavelos e, segundo as autoridades, não houve, era uma festa de uma multidão que depois se desentendeu e desatou a roubar tudo o que estava perto. Pensei que havia assaltos em grupo nos comboios com agressões à mistura, e não, a CP e a PSP dizem que são muito menos do que no ano passado (a PSP inclusive diz que a probabilidade de assalto nos comboios é de um para trezentos e tal mil). Pensei que tinha visto na televisão reportagens de violência e morte de agentes da PSP na Cova da Moura, e devo ter feito confusão, porque até o Presidente da República lá vai a festas e a polícia jogar à bola, de dia, à noite deve ser às "escondidas" e "apanhada". No dia 28 de Junho, depois de ver o debate exibido pela SIC Notícias conduzido pela Conceição Lino (grande profissional), relativo à delinquência juvenil, fiquei com a impressão de que quase não há, e a que há, é por culpa da comunicação social que divulga notícias, e da sociedade que não acolhe bem os delinquentes, ou seja, da Conceição Lino (que nocaso representava a comunicação social) e minha (que faço parte da sociedade). Gostava de saber se mais alguém tem os mesmos sintomas.»

Imprensa gratuita

Hoje tive que utilizar o Metropolitano, coisa que não faço habitualmente, pois trabalho numa zona muito mal servida de transportes públicos, e observei que mais de metade da carruagem lia um dos dois títulos da imprensa gratuita existentes em Portugal. Os jornais de distribuição gratuita são hoje um sucesso no nosso país, oferecendo um conteúdo de leitura rápida, apostam na grande circulação vivendo apenas da publicidade.

Lembro-me daquela que penso ter sido a primeira experiência de imprensa gratuita em Portugal. No final dos anos 80, Artur Albarran tentou salvar o então moribundo jornal «O Século» “lavando-lhe a cara” e distribuindo-o gratuitamente no Metro. Foi um falhanço, os investidores não responderam positivamente e o jornal acabou mesmo por morrer. Só no século XXI, viria a aparecer o primeiro título gratuito de sucesso, o «Destak». Considero o nome escolhido bastante infeliz, mas a verdade é que cresceu rapidamente passando de semanário a diário. Seguiu-se a edição portuguesa de um sucesso mundial, o «Metro». Estes dois jornais, ambos com edições em Lisboa e no Porto, asseguram já uma posição de relevo na imprensa nacional, com tendência a crescer, ameaçando outros jornais diários, obrigando-os a repensar estratégias de captação de leitores.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Impostura

Interessante revelação feita hoje por Yves Daoudal no seu billet sobre um apoio indirecto ao regime comunista cubano. Aqui fica o texto:
«L'imposture "équitable"
Vous avez peut-être vu dans votre supermarché des bouteilles de jus d'orange issu du "commerce équitable", en provenance de… Cuba. Certaines étiquettes affichent en gros caractères cette mention de Cuba, avec la précision "Coopérative José Marti". D'autres sont beaucoup plus discrètes (notamment sous la marque Caraïbos). Le "commerce équitable" est censé favoriser les petits producteurs du tiers monde en leur garantissant des prix qui leur permettent de vivre plus dignement qu'en étant soumis aux multinationales (lesquelles se mettent aussi, bien sûr, au "commerce équitable"…). La "coopérative" José Marti est naturellement une entreprise officielle du régime communiste de Cuba. Les oranges qu'elle produit sont naturellement achetées par une entreprise d'Etat, et une autre entreprise d'Etat exporte le jus d'orange, au prix du marché mondial, ce qui fait entrer des devises dans les caisses de l'Etat, lequel paye les oranges à la coopérative à un prix fixe (fixé en 1990…), en pesos, et… en nature (en prenant théoriquement en charge l'ensemble des coûts de fonctionnement de l'exploitation). Le commerce équitable, en l'occurrence, consiste donc à entretenir le régime communiste cubain, qui a tout intérêt à voir se développer cette filière lui permettant de vendre ainsi son jus d'orange jusqu'ici inconnu. Quel intérêt pour la coopérative José Marti? C'est que, munie de son label "commerce équitable", elle reçoit quelques fonds de la richissime ONG Oxfam (via une "association de représentation" des "coopératives"). Ce qui lui a permis par exemple de réparer des tracteurs russes vieux de 30 ans… Ce dont le régime communiste n'a également qu'à se féliciter. Plus Oxfam (qui finance aussi les sommets "altermondialistes") donnera d'argent aux "coopératives", plus le régime pourra garder de devises dans ses caisses… A propos, lorsque vous achetez ce jus d'orange, vous ne donnez rien aux producteurs cubains via Oxfam, sauf si vous l'achetez dans une boutique Oxfam. Mais il n'y en a pas en France. Enfin, le consommateur doit savoir que ce jus d'orange n'est pas du jus d'orange. C'est du concentré pasteurisé et congelé qui est exporté, et dilué dans de l'eau lors de la mise en bouteilles.»

A nacionalidade herda-se!

O Manuel Azinhal, em post ontem levado às páginas do semanário «O Diabo» pela mão do Walter Ventura, fez uma brilhante análise jurídica – como não podia deixar de ser – para desmontar o slogan “A nacionalidade herda-se”, muito usado pelos movimentos nacionalistas. Do ponto de vista jurídico ele tem, obviamente, toda a razão. Mas há uma pergunta que se impõe: o substantivo “herança” e o verbo “herdar” têm apenas um significado jurídico? Evidentemente, a resposta é não.

Para além do seu significado jurídico, que em qualquer dicionário vem antecedido da abreviatura “Jur.”, relativa ao vocabulário jurídico, “herança” pode significar “o que é transmitido por hereditariedade” e “herdar” pode querer dizer “adquirir, ter, por parentesco ou por consanguinidade (falando-se de doenças, qualidades ou defeitos)”.

É claro que os nacionalistas, quando afirmam que a nacionalidade se herda, estão a referir-se à preservação da herança étnica e não à transmissão de direitos subjectivos de carácter patrimonial. Com esta afirmação pretende-se que a nacionalidade seja o laço familiar que une a grande família que é a Nação. O seu objectivo é apelar à adopção do jus sanguinis, segundo o qual só é português quem é filho de portugueses, como critério único para a aquisição da nacionalidade, como medida defensiva perante a actual invasão imigrante. Também é usual ver associado a estas palavras de ordem as frases “A nacionalidade não se vende” ou “A nacionalidade não é uma mercadoria”. Mais uma vez, o sentido aqui é o de recusar que a sua aquisição seja baseada apenas no critério do jus solis, pelo qual quem nasce em território português é automaticamente considerado português, fazendo com que muitos imigrantes se deslocassem ao nosso país apenas com esse propósito, tornando Portugal no porto parideiro da Europa.

terça-feira, 19 de julho de 2005

Que Estado?

Costumo dizer ao meu caro amigo José Alberto Xerez que o liberalismo económico que defende e o seu recurso excessivo modelo americano são demais para mim. No entanto, nunca deixo de o ler e de reflectir sobre as suas posições e propostas. Hoje, no Diário de Notícias, disserta sobre o que considera a dimensão imensa do Estado português e, citando Jefferson, defende que o “Melhor Governo é o que menos governa”.

Não me vou prender aqui com as soluções concretas que ele apresenta, mas antes levantar uma questão que tem sido de difícil resposta na área nacional. Fará sentido os nacionalistas - habitualmente estatistas - defenderem hoje a manutenção de um Estado enorme, omnipresente e controlador, cerceador da nossa liberdade de expressão e tomado por lobbies que o pressionam conseguindo dessa forma proveitos económicos e conquistas políticas?

Temos que considerar se um Estado de reduzida dimensão não contribuiria para a diminuição da base de apoio e, consequentemente, do poder de grande parte da esquerda, bem como para o enfraquecimento da ditadura cultural desta. Temos que ter em conta que o fim de certas políticas ditas sociais poderiam contribuir para uma diminuição drástica da imigração subsídio-dependente. Na área na educação, será que continua a fazer sentido privilegiar o apoio segundo quotas de proveniência ou pela origem social, em vez de um apoio baseado no mérito académico?

São apenas algumas de muitas questões – daquelas que incomodam – para lançar um debate urgente dada a desastrosa situação que vivemos.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Guerra!

Quando li na última edição do «Courrier Internacional», cujo tema central era o terrorismo islâmico e os ataques de Londres, uma revista de imprensa que apresentava vários editoriais de diversos jornais mundiais, houve um que me despertou especial atenção. Vittorio Feltri, director do jornal milanês «Libero», próximo da Lega Nord, não tem dúvidas, para ele “estamos em guerra!” Esperei que este gerasse polémica e desse que falar na blogosfera, mas como até agora ainda não li qualquer referência ao dito editorial decidi reproduzi-lo aqui:

«O espectáculo continua e continuará enquanto nos recusarmos a enfrentar o inimigo da única forma que funciona: a força. Isso significa adoptar medidas excepcionais e reconhecer que estamos em estado de emergência – ou melhor, em guerra. Ora, o estado de guerra exige sacrifícios excepcionais, incluindo renunciar a certas liberdades. A segurança tem um preço e mais segurança significa menos liberdade. Sei que é difícil digerir certos conceitos, todavia, temos que nos resignar: não se pode ter tudo.
Não se pode abrir as fronteiras a toda a gente; os imigrantes devem ser seleccionados com cautela; os clandestinos devem ser expulsos. O terrorismo vem de fora. Vem do Médio Oriente. Os assassinos são islamitas. Isto já é um indicador precioso. Expulsemos os mais activos. Deixemos de acolher os que planeiam os massacres. Estamos em guerra! É idiota financiar a construção de mesquitas; é preciso ser estúpido para mostrar tolerância a quem não a tem; não faz sentido eliminar dos locais públicos os crucifixos, símbolos da nossa civilização, para evitar ferir os sentimentos de quem pertence a uma civilização inferior. Quando a guerra se abate sobre nós, há que quebrar as pontes de amizade com os povos de onde provêm os terroristas.»

Os “integrados”


É simplesmente inacreditável que ainda oiçamos recorrentemente nos media, ainda por cima vindo de ditas “personalidades de referência”, que o terrorismo islâmico tem origem na pobreza e na exclusão social. Já nos casos de Pim Fortuyn e Theo Van Gogh o argumento integracionista caíra por terra. Os Países Baixos, que sempre haviam sido apontados como um exemplo a seguir no que toca à integração das populações imigrantes, viam-se de repente a braços com a falência do seu modelo. Os seus habitantes de origem, normalmente considerados tolerantes, começaram a questionar a sociedade multicultural e a ver na invasão imigrante uma autêntica colonização demográfica e cultural. Por outro lado, as comunidades imigrantes, nomeadamente os muçulmanos, longe de terem um comportamento de aceitação e respeito pelas normas e cultura holandesas, optam pela imposição dos seus costumes, escudados por uma tolerância politicamente correcta que funciona apenas num sentido.

A recente tragédia de Londres veio novamente arrasar o modelo integracionista. Os bombistas suicidas eram nascidos e criados em Inglaterra, integrados na sociedade e bem vistos pelos vizinhos. Não lhes faltou nada, tendo tido acesso a um padrão de vida europeu. Apesar de tudo, decidiram explodir-se e matar dezenas de pessoas, declarando guerra ao país que os recebeu, lhes deu oportunidades e até os considerou como iguais.

É claro que nem todos os imigrantes muçulmanos são terroristas, mas as comunidades cada vez maiores que se estabelecem na Europa são o terreno fértil para o seu aparecimento e actuação. É claro que muitas destas pessoas – e ainda bem – não concorda com os terroristas e até auxilia as autoridades policiais, mas não esqueçamos o grande número de muçulmanos que, apesar de não serem bombistas, pregam o ódio e a violência nas mesquitas e dão cobertura a determinados grupos e às suas actividades por solidariedade religiosa. Parte significativa destas comunidades constitui a base social de apoio local, essencial a qualquer terrorismo.

Quem não limpa a floresta não é tão culpado como quem ateia o fogo, mas também tem responsabilidades ao criar condições favoráveis a um incêndio.

Este problema não tem uma solução fácil nem imediata, mas é imperioso que se adoptem medidas defensivas a curto prazo. Controlar a imigração, expulsando os ilegais e reduzindo a dimensão das comunidades imigrantes na Europa, e alterar a lei da nacionalidade, de modo a que o único critério da sua aquisição seja o jus sanguinis, por exemplo, são medidas urgentes no combate ao terrorismo e à islamização da Europa. Esperemos que com o agravar da situação haja finalmente coragem política para as tomar.

Perante esta realidade, até quando nos será impingida a panaceia do multiculturalismo?

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Sebastianismo

«Ainda em surdina, mas muito claramente, voltou outra velha ideia: a da inviabilidade de Portugal. Como de costume a pátria inteira espera um salvador.»

Vasco Pulido Valente
in «Público», de 15/07/2005.

1984

Plaça George Orwell, Barcelona.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Nostalgia

O FG Santos continuou, em post ilustrado, uma “onda de nostalgia pelas bebidas que marcaram a infância de muitos trintões (e não só)”. Gostei deste walk on memory lane, mas há um refrigerante que marcou uma geração e que não posso deixar de referir. Quem se lembra do Fruto Real e das caricas do Homem-Aranha, que o tornaram o “fruto” apetecido de tantas crianças? O interior da carica tinha imagens do super-herói aracnídeo que se colavam numa caderneta. O fabricante garantia que se esta lhe fosse enviada completa receberíamos um crachá. Nunca achei que esta troca fosse bom negócio e, apesar de nunca ter conseguido todas as caricas, gostava muito desta colecção que me tinha custado tanto a conseguir para a perder num envio postal.

Gostava de ter ilustrado este texto, mas numa pesquisa rápida na Internet não consegui encontrar imagens da marca Fruto Real nem das caricas. Não sei se ainda tenho algum homem-aranha destes, qualquer dia atrevo-me a remexer uns daqueles caixotes onde já não sei o que arrumei. Entretanto, se tiverem alguma imagem que queiram partilhar, enviem-me.

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Branqueamento

O negacionistas do arrastão conseguiram pôr meio mundo, das autoridades aos “especialistas”, a cantar – um pouco desafinado - o greatest hit “Afinal, não aconteceu nada...”, atingindo assim o seu objectivo imediato.

Não me vou aqui prender com pormenores “técnicos”, do estilo quantos assaltos, ou pessoas, são necessários para que os crimes do passado dia 10 de Junho sejam considerados um “arrastão”. Caibam ou não nessa definição, esses crimes são apenas mais uma ocorrência provocada pela violência dos gangs étnicos. Este é um problema de segurança interna demasiado grave para poder ser simplesmente esquecido devido a um potencial “erro de classificação”.

Acontece que a intenção desta estratégia negacionista não é ficar por aqui, ela pretende branquear todos os crimes perpetrados por imigrantes e seus descendentes. A atitude da extrema-esquerda, dos seus lacaios e de todos os complexados do politicamente correcto, é de uma discriminação atroz. Quando se trata de uma notícia positiva em relação a uma comunidade imigrante, exigem que se teçam os maiores elogios - merecidos ou não – divulgando a origem étnica dos protagonistas e apresentado-os como o exemplo a seguir. Por outro lado, quando um crime é cometido por um imigrante, saltam logo em defesa dos “fracos e oprimidos”, vitimizando os agressores e culpando a sociedade e a polícia (esses “fascistas”...), e apelidando de “racistas” e “xenófobos” os que se atrevam a informar a origem, etnia ou nacionalidade dos criminosos.

O argumento de que “nem todos os imigrantes são criminosos”, apesar de ser uma constatação factual, não significa que não haja imigrantes criminosos, nem que a imigração não origine tipos de criminalidade específicos. Esta é apenas mais uma esquiva à análise séria de um fenómeno complexo. A observação da evolução da criminalidade em Portugal e estudos feitos noutros países demonstram que há comunidades imigrantes respeitadoras e pacíficas, como existem outras com grande propensão para o crime e a violência, apesar de lhes serem dadas as mesmas condições de vida.

Quando se dá um crime desta natureza, em especial com a dimensão do arrastão de Carcavelos, há sempre quem garanta que é necessário “estudar o problema”... O problema é que a violência dos gangs étnicos é uma realidade nacional há vários anos, quando é que vamos ter finalmente coragem política para encará-la e solucioná-la?

terça-feira, 12 de julho de 2005

Blogs n'O Diabo (VII)

Walter Ventura está de volta hoje com o seu muito recomendável “O Diabo a Sete”. Nestas duas páginas - para ler de fio a pavio - temos uma interessante reflexão sobre as “trapalhadas do presidente de uma data de portugueses”, seguida da coluna “Os meus blogues”, desta vez com o Pedro Guedes e o estreante JSarto, e as habituais “Pegadas de Pégaso”.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Linguagem politicamente correcta

A leitura do artigo do Eurico e do posterior post do BOS, lembraram-me uma passagem do excelente “Vícios Ancestrais”, do genial Tom Sharpe, cuja história tem início quando o capitalista corrupto Lord Petrefact encomenda ao Professor Yapp, um académico de esquerda, a história da sua família. Reproduzo, a seguir, um excerto do hilariante jantar em que ambos chocam e onde Yapp demonstra a sua preocupação com os termos politicamente correctos:

«(…)- Se alguém me disser que o que quer que esteja naquela travessa fodeu alguma coisa, é porque está fora do seu juízo – berrou ele, visivelmente fora do dele. – Olhe para aquelas pernas detrás ensanguentadas. Já custa a acreditar que o animal pudesse andar para aí manco, quanto mais foder. Deve ter tropeçado constantemente no próprio focinho a sangrar. E onde é que está a merda do estômago dele?
- No frigorífico, senhor – resmungou o criado. Lord Petrefact fitou-o de olhos arregalados.
- Será que isso pretende ser alguma piada? – berrou ele. – Você traz-me um anão de um porco assado e…
- Porg (Iniciais de Person of Restricted Growth) – disse Yapp, sentindo muito imprudentemente que era a altura de vir em auxílio do criado. Lord Petrefact olhou para ele furibundo.
- Carne de porco? Claro que é carne de porco. Qualquer idiota sabe que é carne de porco. O que eu quero saber é que espécie de porco é que é.
- Estava a referir-me à sua utilização da palavra “anão” – disse Yapp inflexível. Não é um termo que esperasse ouvir na companhia de gente educada.
- Ah não? Então talvez possamos ter o privilégio de saber o que é que o senhor gostaria de ouvir na companhia de gente educada. E leve-me a merda do fantasma desse porco raquítico para longe da minha vista.
- Pessoa de Crescimento Restrito – disse Yapp.
Lord Petrefact fitou-o, incrédulo. - Pessoa de Crescimento Restrito? Põem-me nas mãos um porco que parece ter sido concertinado e você começa para aí a falar de companhia de gente educada e pessoas de Crescimento Restrito. Se a alguma coisa, alguma vez, restringiram o crescimento, o diabo daquele animal… Desistiu e enterrou-se, exausto, na sua cadeira de rodas.
- O termo “anão” tem implicações pejorativas. – disse Yapp, enquanto que Pessoa de Crescimento Restrito ou, abreviando PCR…
- Oiça. – disse Lord Petrefact – Você pode ser um convidado nesta casa, e eu posso ser mal educado, mas se alguém mencionar alguma coisa que faça lembrar porcos outra vez, nem que seja vagamente… Se me dão licença – E com um zumbido voltou a cadeira de rodas e saiu rapidamente da sala de jantar. Atrás dele Yapp soltou um suspiro de alívio.
- Se fosse a si não deixava que isso o aborrecesse – disse Coxley, que compadecera de Yapp, para afastar a fúria de Lord Petrefact. – Quando tivermos terminado já aquilo lhe passou.
- Eu não estava preocupado. Só estava interessado em observar a colisão de contradições manifestadas no comportamento social da chamada classe alta, quando confrontada com as condições objectivas da experiência. – Disse Yapp.
- Ah sim. E suponho que o porco de tamanho reduzido seria uma condição objectiva?(…)»

domingo, 10 de julho de 2005

O inimigo dentro de portas

Inspirado talvez pelos saldos no Nova Frente, decidi trazer para este blog um artigo que escrevi após o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 às torres gémeas do World Trade Center, publicado no já defunto jornal «O Dia». Depois do 11-M em Madrid e dos recentes atentados em Londres, penso que o texto não perdeu actualidade, já que a atitude dos governantes ocidentais parece não se ter alterado. Os meus leitores que digam de sua justiça.


«Os EUA declararam “guerra ao terrorismo”. Os extremistas islâmicos foram eleitos os inimigos públicos número um do Ocidente. O medo generalizado tomou de assalto os americanos e alastrou-se rapidamente à Europa. Apesar de muitos países europeus lidarem com diversas formas de terrorismo e mesmo a América ter enfrentado atentados de origem interna como o de Oklahoma City, hoje o Mundo depara-se com uma nova realidade, para a qual diversos especialistas vinham alertando: a globalização do terrorismo. Esta é mais uma das consequências da crescente mundialização. Presenciamos um conflito que não está geograficamente delimitado e pelo menos um dos objectivos dos terroristas foi já alcançado. O sentimento de insegurança generalizou-se e ultrapassou fronteiras a uma velocidade impressionante.

Os autores dos atentados contra os EUA tiveram formação em escolas de aviação civil americanas e em universidades americanas e europeias. Mesmo hoje em dia, e ao que tudo indica, uma parte significativa da rede terrorista continua a usufruir da educação e dos meios que lhes são proporcionados pelos países que serão os seus potenciais alvos futuros. É impressionante constatar a liberdade de movimentos que estes grupos organizados tiveram fora dos países acusados de albergar e apoiar terroristas. Esta situação obriga necessariamente a repensar a forma de acolhimento destes “estudantes” nos países ocidentais. É altura da segurança se sobrepor à política das “portas abertas”.

A falta de controlo na imigração, o não cumprimento das leis que a regulam e as hesitações na definição de uma política comum sobre a matéria, provocam a entrada diária de milhares de pessoas no Velho Continente sobre as quais nada se sabe. Até os EUA, cujas políticas anti-imigração suscitaram duras críticas por parte de alguns sectores da comunidade internacional, não conseguem controlar eficazmente esta circulação de pessoas e o seu acesso a locais essenciais para a concretização de acções terroristas. “Depois dos atentados, os americanos descobriram que nalguns aeroportos trabalhavam imigrantes ilegais sobre os quais tudo se desconhecia. É ridículo”, disse Pedro Jordão, especialista em questões de segurança e relações internacionais, à revista Visão n.º 450, quando confrontado com a questão sobre a vulnerabilidade de uma potência com meios financeiros e tecnológicos quase inimagináveis.

Além das nefastas consequências de uma imigração em massa e desregrada, assistimos ao facilitismo, por parte de alguns países, na atribuição do estatuto de refugiado político. Aquele que devia ser um estatuto jurídico de excepção tornou-se um dos vistos de entrada mais fáceis de conseguir, em especial nos países do Norte da Europa. Um exemplo gritante é o caso de Anas Al-Liby. Nascido em 1964 no Líbano, viveu até há pouco tempo na Grã-Bretanha como refugiado político. É agora procurado por responsabilidades nos atentados contra as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia, sendo oferecida uma recompensa de cerca de um milhão de contos pela sua captura.

Com o estabelecimento de grandes comunidades islâmicas na Europa e nos EUA, verificamos o aparecimento de gerações jovens desenraizadas que, não se identificando com a cultura do país onde nasceram, viram-se para o islão como forma de afirmação. É uma tentativa de reencontro com valores culturais longínquos e muito diferentes dos europeus, que se cruza com sentimentos de revolta e insatisfação. São os perigosos ideais destas novas gerações, que quanto mais força ganham mais extremistas se vão tornando. Cria-se assim mais uma parcela de terreno fértil para o estabelecimento de bases internacionais de organizações terroristas como a Al-Qaeda e para o desenvolvimento das suas actividades. Não é apenas no distante e montanhoso Afeganistão que é possível encontrar estes terroristas e os seus apoiantes.

No entanto, há muitas vozes que se levantam dizendo que os alvos dos terroristas islâmicos são apenas os EUA e o Reino Unido. O primeiro pelo seu imperialismo e pelo seu apoio a Israel e o segundo pela sua aliança com o primeiro e pelo seu passado colonial no Médio Oriente. Apesar da civilização ocidental ser hoje marcadamente anglo-saxónica e americanizada, é ridículo não ter em consideração os tantos outros países europeus que albergam comunidades islâmicas e onde foram recentemente descobertos vários terroristas implicados nos atentados de dia 11 de Setembro.

É completamente irresponsável não considerar a existência de um perigo crescente no interior dos países ocidentais. Não nos esqueçamos que o expansionismo islâmico já provocou a ocupação da Península Ibérica e, do outro lado da Europa, a ocupação dos Balcãs, de Constantinopla e o cerco a Viena. Tenhamos em conta as valiosas lições da História na apreciação da situação política que hoje vivemos.

O discurso actual – politicamente correcto – é que esta guerra é contra os terroristas extremistas e não contra a sua religião, cultura ou mesmo civilização. Assistimos à defesa de um islão “moderado” inventado por ocidentais em nome de uma falsa tolerância religiosa. Vemos que hoje o Presidente americano George W. Bush mantém a posição do seu antecessor, mas tal como diz Samuel Huntington na sua obra “O Choque das Civilizações”: “Alguns ocidentais, entre eles o presidente Bill Clinton, têm defendido que o Ocidente não tem problemas com o islão, mas apenas com os extremistas islamitas violentos. Quatrocentos anos de história demonstram o contrário”.»

in «O Dia», de 31/10/2001.

sábado, 9 de julho de 2005

Ainda a lei da nacionalidade

O governo decidiu avançar com a alteração da lei da nacionalidade, conforme havia anunciado. Segundo as informações vindas a público, ainda não se foi tão longe como a extrema-esquerda desejava. No entanto, podemos ver que o critério do jus solis tem cada vez mais força na aquisição da nacionalidade. Menor ou maior, o mal está feito. Não me vou alongar mais, pois farei uma análise de fundo quando a lei for publicada, comparando-a com a anterior.

Este é apenas um passo, mas na direcção errada. E, passo a passo, caminhamos para a obliteração da nossa Nação.

Novilíngua e Aaltra

A novilíngua do politicamente correcto ganha terreno todos os dias no discurso quotidiano. A palavra "raça" só é aceitável se for para denunciar o "racismo" e os "racistas". Na Grã-Bretanha, vulgariza-se o termo traveller (viajante) para designar um cigano (até aqui um gipsy - será que o título do romance de D. H. Lawrence vai ser alterado para The Virgin and the Traveller)? Em Portugal, já fica mal dizer que se vai ajudar "um ceguinho" a atravessar a rua e deve usar-se o mais correcto "invisual".

Assim começa a crónica “Feios, maus e paralíticos” do Eurico de Barros, hoje, no Diário de Notícias, que continua para escrever sobre o filme belga “Aaltra”, que já havia descrito no Guia DN como “uma comédia negra a preto e branco, politicamente incorrecta, protagonizada por dois paralíticos”, o que me aguçou a curiosidade, obrigando-me a colocá-lo na minha lista de prioridades cinematográficas.

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Jihad em Londres

Londres foi a escolhida para mais um ataque da guerra do Islão totalitário e expansionista contra a Europa. O horror volta a inundar as televisões e os discursos do multiculturalismo utópico fazem cada vez menos sentido.

A Europa continua sob o fogo islâmico e, infelizmente, a tibieza dos políticos europeus continua a permitir o fortalecimento de redes terroristas no nosso continente em nome de uma tolerância suicida. A questão agora é: qual será o próximo alvo? A França? A Itália?

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Obras “públicas”

Quando digo que as obras públicas podem ser um factor de desenvolvimento nacional, adjectivam-me logo de “fontista” a “fascista”. Mas, infelizmente, hoje em dia essas grandes obras são normalmente adjudicadas a empresas multinacionais estrangeiras e servem de justificação para a entrada de mais uns milhares de imigrantes.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Europa (V)

Do sucesso ou do desaparecimento da Europa como Estado político (cidade organizada, cidade defendida) depende o avanço ou o desaparecimento do Homem como aventura prometeica e mesmo como espécie, o famoso «ramo pensador». A Europa tem nas suas mãos a opção da história do Homem.

Jean Thiriart
in “Europa – um império de 400 milhões de homens”

terça-feira, 5 de julho de 2005

Pachorra

Da edição de hoje do semanário «O Diabo» destaco o artigo do recém-eleito secretário-geral do PNR, Humberto Nuno de Oliveira, intitulado “Não há ‘pachorra’…” e que visa a “esquerdite deste nosso país”, e pilho, para aqui partilhar, umas das habituais “coisas de o Diabo”, sobre um programa televisivo para o qual há cada vez menos pachorra:

«As “escolhas” da sonsa

Afinal aquela sonsa que a RTP achou por bem atrelar ao programa “As escolhas de Marcelo”, para servir de faz-de-conta, começou a sair-se da casca. Imaginem que, domingo passado, a pobre senhora teve a lata de, também ela, “escolher” um livro! Estamos servidos… Ao princípio limitava-se a uns monossílabos engasgados e patetas, complexada talvez pela proximidade física do Professor, mesmo assim o suficiente para lhe fazer perder algum tempo. Agora, quer dar também palpites, e na sua sornice até vai espicaçando Marcelo com umas comadrices provavelmente encomendadas. Primeiro, visando Ferreira Torres, domingo passado, Isaltino Morais. Deve ser para mostrar serviço, uma vez que ainda ninguém percebeu a razão de ser da sua presença no programa.»

Uma questão nuclear

Quando se vivia sob o ataque cerrado do “Nuclear? Não, obrigado!” e de manobras mediáticas de grupos supostamente ecologistas, mais uma vez, eu remava contra a corrente. Sempre gostei de reflectir sobre as questões, pesando os prós e os contras, antes de definir a minha posição. No caso da energia nuclear, discuti bastante o assunto com um familiar que trabalhou durante anos na Junta de Energia Nuclear e que, não sendo defensor desta solução, também não era um opositor fundamentalista, como então estava in.

Oportunidade energética
Pese embora todos os pontos negativos do nuclear, bem conhecidos, o lado positivo poucas vezes era referido. Localmente, analisando o caso português, a construção de duas centrais nucleares permitiria ao país suprir mais de metade das suas necessidades energéticas. Globalmente, no que respeita à Europa, seria uma oportunidade de reduzir substancialmente a dependência petrolífera do mundo árabe e dos ditames dos outros grandes produtores internacionais.

Foi, sem dúvida, uma oportunidade perdida. Em Portugal, a solução nuclear foi abandonada e vários erros se seguiram. Desde a excessiva petro-dependência, à desastrosa implantação de uma opção solar, a que agora tentamos voltar, culminando no gás natural vindo do Norte de África. Na Europa, apenas a França resistiu teimosamente, enquanto outros países se retraíam perante a chantagem de grupos de pseudo-ecologistas, para quem o nuclear europeu era uma ameaça mundial, mas que se “esqueciam” frequentemente das dezenas de centrais existentes nos EUA.

Beco sem saída
A era dos combustíveis fósseis está perto do fim. Segundo as últimas previsões, dentro de poucas décadas atingiremos o peak oil, o ponto em que metade do petróleo existente terá sido consumido. Para além disso, com o desenvolvimento económico da China e da Índia, o consumo aumentará brutalmente enquanto as reservas e a produção baixarão vertiginosamente, fazendo com que, em breve, a economia baseada no petróleo se torne uma recordação. Esta situação obrigou ao abandonar de algumas intransigências e trouxe a discussão nuclear de volta à ordem do dia.

A energia do futuro
Há uns anos atrás, viaja eu de automóvel no sul da Alemanha quando olhei para a paisagem e vi uma imagem que “fotografei” com a memória, já que na autobahn era impossível encostar e usar a máquina. Esta “fotografia”, que guardei para mim e a que dei o título “O caminho do futuro”, era a de um manto verde cortado a meio pela auto-estrada, onde do lado esquerdo e num plano elevado estava um parque eólico e do lado direito mais distante uma central nuclear.

Devo dizer que sempre fui um defensor do nuclear, mas nunca de uma forma estática. Sempre considerei que, naturalmente, a investigação científica e a evolução tecnológica nos levariam para uma forma de produção de energia tendencialmente mais “limpa”. Por outro lado, sempre fui simultaneamente um acérrimo defensor de energias renováveis como a solar, a eólica, a geotérmica, etc.

Com o aumento do recurso a energias renováveis e especialmente com as boas notícias no campo nuclear, onde a fusão deverá substituir a fissão, parece que o meu ideal energético pode concretizar-se num futuro próximo.


Mais informações sobre a fusão nuclear na página do ITER

sábado, 2 de julho de 2005

INCM

Quando penso nas edições da Imprensa Nacional-Casa da Moeda há um nome que me vem logo à memória: José Leite de Vasconcelos. Mas, apesar de bibliófilo, confesso que não consigo enumerar a maioria dos autores publicados por esta editora e que raramente visito uma das suas livrarias. Apenas me lembrei do assunto, pois o Eurico de Barros fez hoje o justo elogio da INCM, que considera “uma das melhores editoras portuguesas”, mas que infelizmente é “invisível”. Aconselho, por isso, a leitura da sua crónica“A qualidade escondida”, no Diário de Notícias, e uma visita à página da INCM, para tomar conhecimento das inúmeras publicações disponíveis.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Desafio blogosférico

Decidi que não escreveria este post sem antes falar com o Viriato. É claro que, como se trata de alguém com 17 anos de idade, é preciso usar o Messenger para consegui-lo. Quis saber as razões do “fecho da loja”, ainda para mais logo após todos os seus amigos blogonautas lhe terem dado os parabéns. A resposta foi evasiva, desde o argumento mais gasto do mundo, a falta de tempo, à evocação de uma motivação de há muito, passando por “outras razões” não especificadas. Pensei automaticamente na explicação mais óbvia: namorada. Ele assegurou-me que não e então, vendo que estava decido a deixar a Blogosfera, decidi atacar. Convidei-o egoisticamente para ser colaborador desta casa. Foi baixo, eu sei, mas ele trocou-me as voltas… Lembrou-me do seu projecto de um blog colectivo, ao que eu tive de oferecer prontamente os meus préstimos. Não podia deixar ir este jovem talento promissor de qualquer maneira. Para além disso, sempre considerei um blog conjunto na nossa área uma excelente ideia. Lanço, assim, daqui o desafio a todos os que queiram colaborar. Se conseguirmos concretizar este projecto, poderemos dizer que “há males que vêm por bem”.