sexta-feira, 5 de agosto de 2005

A religião dos direitos do homem

Ao ter conhecimento das declarações de hoje do primeiro-ministro britânico que, sob a tónica do “abusaram da nossa confiança”, referindo-se aos bombistas, disse que “as regras do jogo mudaram” e que “não serão tolerados mais abusos no país”, garantindo que o Reino Unido só receberá “quem estiver disposto a partilhar os valores”, lembrei-me da definição de Guillaume Faye de “direitos do homem” cuja entrada, com o mesmo título na sua obra excepcional “Pourquoi nos combattons”, reproduzo abaixo. Um texto de leitura essencial, ainda para mais porque Tony Blair anunciou uma alteração das políticas de extradição e o repensar da filiação do país à Convenção Europeia dos Direitos Humanos, tudo para “agilizar a expulsão de quem defende o terror”.

Direitos do Homem
Aparelho central da ideologia moderna do progresso e do igualitarismo individualista, e meio de instaurar uma polícia do pensamento como uma destruição do direito dos povos.

Síntese da filosofia política (muitas vezes mal compreendida) do século XVIII, o direito-do-homismo é o horizonte incontornável da ideologia dominante. Com o anti-racismo, funciona como um dos dispositivos centrais do condicionamento mental colectivo, do pronto-a-pensar e da paralisia de toda a revolta. Profundamente hipócrita, a ideologia dos direitos do homem acomoda-se de todas as misérias sociais e justifica todas as opressões. Ela funciona como uma verdadeira religião laica. O “homem” não é aqui mais do que um ser abstracto, um consumidor-cliente, um átomo. É impressionante constatar que a ideologia dos direitos do homem foi formulada pelos conventionnels da revolução francesa imitando os puritanos americanos.
A ideologia dos direitos do homem conseguiu legitimar-se fundamentando-se em duas imposturas históricas: a da caridade e da filantropia, assim como a da liberdade.
O “homem” (noção já bastante vaga) não possui direitos universais e fixos, mas apenas aqueles que decorrem de cada civilização, de cada tradição. Aos direitos do homem é necessário opor duas noções centrais: a dos direitos dos povos (ou o “direito das gentes”) à identidade, e a de justiça, sendo esta última variável consoante as culturas e supondo que todos os indivíduos não são igualmente respeitáveis. Mas estes dois conceitos não poderão assentar no pressuposto de um homem universal abstracto, mas antes sobre o dos homens concretos, localizados numa cultura.
Criticar a religião laica dos direitos do homem não é evidentemente fazer a apologia da selvajaria, pois a ideologia dos direitos do homem caucionou muitas vezes a barbárie e a opressão (o massacre dos vendéens ou dos índios americanos). A ideologia dos direitos do homem foi demasiadas vezes o pretexto de perseguições. Em nome do “Bem”. Ela não representa de maneira nenhuma a protecção do indivíduo, tal como o comunismo não representava. Pelo contrário, ela impõe-se como um novo sistema opressivo, fundado sobre as liberdades formais. Em seu nome, vai legitimar-se, desprezando toda a democracia, a colonização populacional da Europa (qualquer um, não importa quem, tem o “direito” de se instalar na Europa), a tolerância em relação às delinquências liberticidas, as guerras de agressão feitas em nome do “direito de ingerência”, a inexpulsabilidade dos clandestinos colonizadores; mas esta ideologia não se pronuncia sobre a poluição maciça do ambiente ou sobre a selvajaria social provocada pela economia globalizada.
A ideologia dos direitos do homem é hoje sobretudo um meio estratégico de desarmar os povos europeus culpabilizando-os em todos os domínios. Ela é a legitimação do desarmamento e da paralisia. Os direitos do homem são uma espécie de assunção perversa da caridade cristã e do dogma igualitário segundo o qual todos os homens seriam iguais.
A ideologia dos direitos do homem é a actual arma central de destruição da identidade dos povos e da colonização alógena da Europa.

Guillaume Faye

in “Pourquoi nos combattons”, 2001.

As chamas do lucro

O país está de novo a arder mas, apesar das condições climatéricas e o desordenamento florestal serem propícios aos incêndios, sabemos que por trás da maioria dos fogos está uma mão criminosa. O que a move? Será que a motivação de tanta destruição é o lucro? Será que vamos ter, em breve, Portugal de novo em cinzas apenas devido à eterna ganância gerada pelo vil metal?

José Gomes Ferreira, subdirector de informação da SIC, escreveu um artigo intitulado “A indústria dos incêndios” onde garante que “há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada”. Um artigo corajoso, que põe o dedo numa ferida sobre a qual poucos querem falar, onde são apresentadas várias questões incómodas sobre a realidade dos incêndios, ao que se segue uma série de propostas do que o Estado podia – e devia – fazer, com as quais estou totalmente de acordo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Casos da Língua

Nos comentários ao meu post intitulado Fact checker, o Dragão solicitou-me que confirmasse o termo utilizado para definir a HK MP5. Eu chamei-lhe “pistola-metralhadora” e ele “submetralhadora”; estamos ambos correctos, já que estas definições referem-se ao mesmo tipo de armas. Há ainda outro termo para as designar que é “metralhadora-de-mão”, mas que caiu em desuso.

Aquela que é considerada a primeira pistola-metralhadora da História foi a italiana Villar Perosa, introduzida em 1915, mas que não originou nenhum termo específico para designar esse novo tipo de armas. A primeira designação, que subsistiu até hoje, deve-se à alemã MP-18, criada por Hugo Schmeisser, que viria a notabilizar-se com a famosa MP-40. As iniciais MP são da palavra alemã Maschinenpistole, que entrou na língua portuguesa através da sua tradução directa “pistola-metralhadora”. No entanto, em 1921, do outro lado do Atlântico, o americano John Thompson apresentou uma arma a que chamou “Thompson Submachine Gun”, que seria um sucesso e viria a ser conhecida por “Tommy gun”. O termo submachine gun passou, daí em diante, a designar “pistola-metralhadora” no continente americano, passando para a língua portuguesa, por via brasileira, através da sua tradução directa “submetralhadora”. Ainda hoje, é mais comum no Brasil dizer-se “submetralhadora” e em Portugal “pistola-metralhadora”. O significado de ambos os termos é idêntico, apenas a sua origem etimológica é diferente.

terça-feira, 2 de agosto de 2005

560

Recebi uma mensagem de correio electrónico sobre o Movimento 560, uma iniciativa louvável de quem considera fundamental apoiar a produção nacional e apela a que se comprem produtos portugueses. O nome do movimento é inspirado nos três primeiros algarismos do número existente no código de barras dos produtos portugueses. A apoiar e divulgar, porque o proteccionismo começa em casa.

Blogs n'O Diabo (IX)

Há duas páginas que considero obrigatórias no semanário «O Diabo» e, por isso, aconselho-as todas as terças-feiras. Assim, não podia deixar de mencionar aqui “O Diabo a Sete” do Walter Ventura, hoje com o artigo “Apelo ao voto”, seguido da coluna “Os meus blogues”, desta vez com o Manuel Azinhal, que está de parabéns pelos dois anos de Sexo dos Anjos, e as habituais “Pegadas de Pégaso”.

Passadismos

Carlos Blanco de Morais analisa hoje no «DN» a possível candidatura presidencial de Mário Soares, começando por citar os argumentos do próprio há dois meses atrás na televisão, naquela que considera “uma candidatura fora de prazo”. Depois, desmontando as quatro razões apontadas para a candidatura do ex-presidente, conclui que “Soares presidente seria, assim, o mais temível adversário do Governo”.

Na minha opinião, a concretizar-se a candidatura, este será, sem dúvida, o sapo mais velho e mais gordo que o actual primeiro-ministro irá engolir. A recente novela presidencial demonstra bem o apodrecimento da III República, estrangulada por uma “esquerda” supostamente maioritária e declaradamente passadista, sem soluções para o futuro. Vemos hoje que os “revolucionários de abril”, são, na realidade, conservadores paralíticos, agarrados ao sonho que nunca conseguiram concretizar. Como diz o povo – aquele por quem todos lutam e de quem todos se esquecem – “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Hemeroteca (III)

Hoje trago-vos uma revista de informação dos anos 80 ligada à Torralta, com edições em português, francês e inglês, que apostava no mesmo formato das revistas internacionais de então.

Título: Espaço T Magazine
Data: Agosto de 1981
N.º 14
Director: José Miguel Júdice


A capa é ilustrada com o famoso entertainer narigudo da altura, Júlio Isidro, figura de proa do programa de televisão de sucesso “Passeio dos Alegres”. De seguida, podemos ler um artigo sobre o Príncipe Carlos e a sua recente esposa Lady Diana, com uma previsão astrológica do seu futuro juntos. Entre outras, há uma reportagem sobre “o comboio dos imigrantes”, de um jornalista que fez a viagem Paris-Lisboa acompanhado dos portugueses que lá trabalhavam, e outra sobre Israel, da autoria de António Mega Ferreira. De destacar, também, o texto sobre a Batalha de Ourique, de José Valle de Figueiredo, e o artigo “Virgindade: Tabu em decadência”, sobre a mudança de mentalidades e atitudes na sociedade portuguesa. Como cronistas temos Adriano Moreira, Sottomayor Cardia, Rogério Martins e António Alçada Baptista. Na publicidade abundam os anúncios ao complexo turístico de Tróia e aos casinos de Vilamoura e Alvor.

Aaltramente

Rir da desgraça dos outros? E se os “desgraçados” também o fizerem? E se, ainda por cima, se aproveitarem da sua condição para abusar da boa vontade alheia? É o que acontece em “Aaltra”, um road movie de cadeira de rodas, filmado a preto e branco e com muito grão, tão áspero como a realidade que retrata. Um festival de humor negro, do mais politicamente incorrecto do que há. Já aqui havia falado dele e ontem fui finalmente vê-lo ao cinema King, o único onde está a ser projectado. Dei umas valentes gargalhadas, por situações daquelas sobre as quais não é suposto rir. São as que sabem melhor! Um excelente filme, especialmente para quem não tem já paciência para as tão abundantes comédias - ditas familiares - americanas.



Escrito, realizado e interpretado por Benoît Delépine e Gustave Kerven, esta comédia negra é uma história de dois vizinhos que nutrem um ódio mútuo, comme il faut, sobre os azares da vida e a falta de escrúpulos, e sobre a natureza humana, tendo como pano de fundo uma viagem pelo mundo rural da Europa do Norte. Um filme onde os protagonistas principais são dois paralíticos que não inspiram pena de espécie alguma, antes pelo contrário...

sábado, 30 de julho de 2005

GCL

Considero-me um bibliófilo, mas depois de ler a crónica de hoje do Eurico de Barros descobri que também sou um GCL. Há muito que sou um Grande Comprador de Livros. O facto de ter trabalhado muitos anos no Bairro Alto, onde me tornei cliente habitual de vários alfarrabistas e onde fiz grandes amizades, e mais recentemente as facilidades que há em comprar livros através da Internet, só agravaram a minha situação. Partilho com o Eurico o eterno problema do espaço – que nem por isso nos faz comprar menos – e agora que estou em vias de mudar de casa, a minha primeira preocupação foi ter lugar para a biblioteca. É claro que no meu caso o problema é mínimo, se comparado com o deste meu amigo.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Fact checker

Costumo dizer que tenho uma costela, ou duas, de revisor ortográfico. É de tal forma denunciado, que esta é uma tarefa que até desempenho, por vezes, profissionalmente. Outra coisa para que tenho certa tendência é para ser fact checker, habitualmente em coisas relacionadas com assuntos que me interessam. Para quem não sabe, um fact checker é uma figura muito comum na imprensa anglo-saxónica, em especial nos EUA, e tem como função, como o nome indica, verificar factos. É a pessoa que lê um artigo e diz, por exemplo, que a Birmânia agora se chama Myanmar, ou que o Tratado de Tordesilhas foi assinado em 7 de Junho de 1494.

Na minha leitura da imprensa de hoje, deparei-me com dois casos. Na revista «Visão», Manuel António Pina, interroga-se na conclusão da sua crónica “O sangue dos outros” se “será que alguém pôde honestamente pensar que gente capaz de assim matar indiscriminadamente inocentes, se necessário imolando-se com eles, pode ser vencida despejando algumas bombas de fragmentação e mísseis de urânio enriquecido?” O urânio enriquecido é o combustível usado nos reactores nucleares ou em armas nucleares. Aqui, parece-me que o autor pretende referir-se às polémicas munições de urânio empobrecido, usadas pelas forças armadas americanas em vários teatros de guerras como, mais recentemente, na ex-Jugoslávia ou no Iraque. Na concorrente «Sábado», no artigo “A ex-cidade da polícia desarmada”, o autor, Ferreira Fernandes, diz-nos a determinada altura que “os londrinos vão ter de se habituar a essas ameaçadoras e tranquilizadoras armas negras, pistolas Glock 17 e automáticas HK G3, nas mãos de três mil polícias que patrulham a capital”. A Metropolitan Police usa realmente pistolas semi-automáticas Glock 17, de calibre 9 mm, apesar de estar a considerar substitui-las pelas novas HK P2000, do mesmo calibre. Mas, relativamente à HK G3, bem conhecida dos portugueses, não é, nem nunca foi, usada pelos polícias britânicos. Estes usam a HK MP5 de calibre 9 mm, ou seja, usam pistolas-metralhadoras (Maschinenpistolen), muito mais aptas para as necessidades policiais do que uma espingarda automática (Gewehr) como a G3, arma tipicamente militar e de calibre 7,62 mm. Aliás, na principal fotografia que ilustra o artigo, os dois polícias retratados estão armados com pistolas-metralhadoras Heckler und Koch MP5 A3.


Eurislão

O Islão é a religião em mais rápido crescimento na Europa. Os muçulmanos não só constituem a minoria mais numerosa dentro da União Europeia como têm uma taxa de natalidade três vezes superior à de todas as outras comunidades”. Quem o afirma é a revista «Visão», na sua edição de hoje, apontando para 15,5 milhões o número de muçulmanos na Europa, o que corresponde a 3,4% da população, e prevendo que em 2015 a comunidade islâmica atinja os 31 milhões. O país europeu com maior número de muçulmanos é a França, com 5 milhões, seguido da Alemanha, com 4 milhões, e do Reino Unido, com 1,6 milhões. No nosso país existem cerca de 35 mil muçulmanos (0,4% da população) e aqui ao lado, na vizinha Espanha, o número sobe vertiginosamente para um milhão (2,4% da população). Contra factos não há argumentos, a islamização da Europa está a vista de todos e as suas consequências também...

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Hemeroteca (II)

O “jornal velho” de hoje é a edição d'«A Rua» publicada no dia seguinte ao sétimo aniversário da morte de Salazar. Aqui fica a ficha, a capa e uma breve descrição.

Título: A Rua
Data: 28 de Julho de 1977
N.º 69. Ano II
Director: Manuel Maria Múrias




Com o destaque dado a Salazar, um artigo sobre o “salazarismo” e um poster, era notório que este jornal da “direita”, que se propunha fazer “o combate do futuro”, tinha uma vincada atitude contra-corrente. Dizia o inconfundível Manuel Maria Múrias no editorial: “Nada nos resta senão o exílio. O exílio ou a revolta interior. Portugal é Portugal. Transcende as instituições democráticas. Para se defender a Democracia, não se pode matar Portugal. Isso é o que estamos a fazer. Friamente. Planeadamente. Desgraçadamente.” Para além de várias notícias sobre a política nacional - bem agitada naqueles tempos - destaco a página “Cultura e História”, com um artigo de Amândio César e um poema de Rodrigo Emílio, e a página “Livros e Autores”, com uma resenha do livro “Nado Nada”, de António Manuel Couto Viana, feita por João Bigotte Chorão. Na publicidade, a Turalgarve propunha uma viagem de uma semana à Madeira por 2900$00 e num dos vários anúncios a livros, assegurava-se que “África - A vitória traída” tinha vendido 19 mil exemplares em menos de dois meses.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Circular

Há dias aconteceu uma coisa curiosa, mas que não é de estranhar. Recebi por correio electrónico, por mais do que uma vez, uma mensagem enviada por diferentes pessoas, que até nem se conhecem. Tinha o título “Populares negam arrastão” e ao abrir descobri que o texto da mensagem era o do meu post Vox populi. Algum dia havia de acontecer, um escrito meu tornar-se um e-mail circular. A internet tem destas coisas…

Hemeroteca (I)

Vários amigos têm-me pedido para partilhar no blog uma nesga das pilhas de jornais velhos que tenho em casa e para os quais vou tendo cada vez menos espaço. Há dias decidi dar uma volta nesses papéis e, ao encontrar alguns do mês de Julho, decidi que a data seria o critério de publicação no Pena e Espada. Assim, aqui fica a primeira página d’«A Capital» de há 35 anos atrás, dia em que morreu Salazar e quando, obviamente, essa notícia dominou toda a imprensa. De seguida, faço um breve apanhado do jornal, para fazer alguns recordar e satisfazer a curiosidade de outros.

Título: A Capital
Data: Segunda-feira, 27 de Julho de 1970
N.º 871. Ano III (2.ª série)
Director: Maurício de Oliveira




A manchete “Morreu Salazar” domina a capa desta edição d’«A Capital». Do elogio fúnebre feito por Marcello Caetano ao luto geral decretado pelo Conselho de Ministros, passando por um extenso artigo de várias páginas sobre “a morte do Presidente Salazar”, no qual é descrita “uma vida de trabalho”, esta é a notícia que ocupa quase metade do jornal. Para além do acontecimento dominante, podemos ler, por exemplo, um artigo sobre as preocupações com o facto de a China ter uma “nova presença na estratégia mundial” por ser uma “potência espacial”, depois de ter conseguido colocar o seu primeiro satélite em órbita. Nos “acontecimentos mundiais”, podemos encontrar títulos como: “Conversações Germano-Russas: O fim da incerteza”, “Israel disposto a aceitar a paz”, ou “O Congresso da União Socialista Árabe aprovou a aceitação egípcia das propostas americanas de paz”. Na televisão o destaque vai para o programa “Curto-Circuito”. No cinema está anunciado, por exemplo, “O Submarino Amarelo”, no Estúdio 444, ou “A fúria de viver”, no cinema Alvalade. Quanto à publicidade, a Agência Star oferece uma viagem de 8 dias a Itália por 6550$00 e o Banco de Fomento Nacional garante um juro de 5,5% em depósitos a prazo superiores a um ano. Nas cotações verificamos que um Dólar vale 28$20 e uma Peseta 40 Centavos.

terça-feira, 26 de julho de 2005

Blogs n'O Diabo (VIII)

Na minha recomedação habitual de terça-feira, destaco n'“O Diabo a Sete” do Walter Ventura o artigo “O nariz de pinóquio”, sobre as recentes “trapalhadas” governamentais, seguido da coluna “Os meus blogues”, desta vez com o já veterano Manuel Azinhal e o estreante Dragão, e as excelentes “Pegadas de Pégaso”.

Friend or foe?

Aconselho a leitura do interessante artigo “Ruínas do futuro” de Miguel Freitas da Costa, hoje no «Diário de Notícias», no qual reflecte sobre a guerra que o mundo vive hoje e o terrorismo que, para ele, “cada vez mais tem de se entender como instrumento de certos Estados ou de certos poderes subnacionais ou transnacionais que querem combater os Estados Unidos ou impor-se às respectivas potências regionais”. Quanto a esta interpretação, penso que, infelizmente, o terrorismo não fica por aí, sendo a ponta da lança do islão totalitário expansionista e tendo como um dos alvos principais a Europa. De qualquer maneira, não posso estar mais de acordo com a conclusão do artigo, ainda por cima porque é algo que nunca é lembrado pelos “especialistas” que habitualmente verborreiam sobre o assunto: “O que precisamos de saber é quem nos convém como "amigo" e quem são os nossos "inimigos".” Já dizia Carl Schmitt...

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Questão presidencial

Perante as últimas notícias, se existe uma idade mínima para se ser candidato a Presidente da República, não deveria ser instituída uma idade máxima?

Novidades em linha

Já está no ar a nova página do PNR - Partido Nacional Renovador, agora em http://www.pnr.pt.

Entretanto, descobri hoje que já está finalmente em linha um projecto tão necessário como merecido de homenagem ao poeta nacionalista Rodrigo Emílio, em rodrigoemilio.com. Não sei se terá um lançamento oficial, mas sei que até lá muitos de vós, tal como eu, não resistirão a dar uma espreitadela.

sábado, 23 de julho de 2005

Padrão reaberto

O Padrão dos Descobrimentos reabriu ontem ao público depois de umas obras que demoraram sete meses, o que significa que já não precisamos de ir ao Panorama 360º disponibilizado pela Câmara Municipal de Lisboa para apreciar a vista lá de cima. Este monumento imponente é da autoria do arquitecto Cottinelli Telmo e do escultor Leopoldo de Almeida e foi construído em materiais perecíveis para a “Exposição do Mundo Português” de 1940 como temporário, posteriormente foi construída uma réplica duradoura inaugurada em 1960, no V Centenário da morte do Infante D. Henrique. Mais informações sobre a remodelação, exposição patente e horários no sempre atento Olissipo.



sexta-feira, 22 de julho de 2005

Cansaços


Cansaço rápido – Passados nem quatro meses, o ex-Ministro das Finanças Campos e Cunha estava cansado de ser posto em causa todos os dias, estava cansado de perder privilégios, estava cansado de pertencer a um governo que disse uma coisa e fez outra, estava cansado... Bastou um artigo no jornal e aí está a primeira baixa da era socrática. Isto promete!

Cansaço socialista – O Prof. Trocado continua a fazer das dele e os socialistas já estão cansados desta wildcard polémica jogada pelo actual primeiro-ministro que quer, à viva força, brilhar mais que todo o governo junto. Alguns esperam que seja despachado como presidenciável, nem que seja para o “queimar”.

Cansaço presidencial – Do actual Presidente da República está tudo mais que cansado. Mas até na corrida às próximas presidenciais, os jornalistas, os comentadores e outros profissionais da crítica começam já a estar cansados de não ter ainda candidatos confessos para “trabalhar”.

Cansaço festivo – Quem já estava cansado de não ter o governo festivo do efémero Santana Lopes, não desanime! Depois da passagem foguete de Campos e Cunha pelo Ministério das Finanças e a sua saída mal justificada, temos mais matéria para fazer correr rios de tinta. Parece que o seu substituto se esqueceu de entregar uns papéis no Tribunal Constitucional. Que chatice! Os ministeriáveis não deviam ter de se preocupar com estas coisas...

Jihad em Londres (II)

Depois dos atentados suicidas do passado dia sete de Julho, a capital britânica sofreu ontem nova onda de ataques, desta vez de menor intensidade e felizmente sem vítimas mortais. Já hoje, segundo as últimas notícias, a polícia abateu a tiro um presumível bombista numa estação de metro. A violência está para durar neste país europeu que alberga uma comunidade islâmica que se calcula ter entre um milhão e meio e dois milhões de muçulmanos. O país que até há bem pouco tempo se gabava ao mundo de os seus polícias não andarem armados ou de não haver bilhetes de identidade...

Unser Korrespondent in Österreich

Apesar das férias, a actividade no Nova Frente não foi interrompida. Ainda bem! É de acompanhar com toda a atenção esta internacionalização da blogosfera lusa, enquanto o BOS continua a debitar posts directamente da Caríntia.

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Vox populi

Depois da humilhação a que a Polícia foi obrigada pelos defensores do multiculturalismo e da vitimização das minorias, numa estratégia de branqueamento de que aqui já falei, há quem ainda não se conforme com a versão remix do arrastão. A manchete de hoje da edição de Lisboa do jornal «Destak», “Populares contestam relatório do arrastão”, chama-nos a atenção para a indignação dos comerciantes da Praia de Carcavelos perante o relatório da PSP apresentado na Assembleia da República sobre os acontecimentos do passado dia 10 de Junho. Um deles garante que falou com dois polícias “e eles disseram que houve arrastão, mas não podem é dar a cara, porque levam com processos”. Imagino o que pensarão tantos polícias que lidam diariamente com a violência dos “jovens”, depois da morte vários colegas em serviço, ao assistir à culpabilização política da PSP por tentar fazer o seu trabalho...

Ainda no mesmo jornal, na secção “Correio do Leitor”, há um desabafo de Nuno Mártires, de Sintra, sobre o aumento da criminalidade, que não resisto a reproduzir aqui:

«Senti necessidade de partilhar a minha angústia com alguém, então pensei nos milhares de companheiros que lêem o Destak e viajam de comboio na linha de Sintra. Estou seriamente preocupado com a minha saúde, acho que vejo o ouço coisas, ora vejam: pensei que tivesse havido um arrastão em Carcavelos e, segundo as autoridades, não houve, era uma festa de uma multidão que depois se desentendeu e desatou a roubar tudo o que estava perto. Pensei que havia assaltos em grupo nos comboios com agressões à mistura, e não, a CP e a PSP dizem que são muito menos do que no ano passado (a PSP inclusive diz que a probabilidade de assalto nos comboios é de um para trezentos e tal mil). Pensei que tinha visto na televisão reportagens de violência e morte de agentes da PSP na Cova da Moura, e devo ter feito confusão, porque até o Presidente da República lá vai a festas e a polícia jogar à bola, de dia, à noite deve ser às "escondidas" e "apanhada". No dia 28 de Junho, depois de ver o debate exibido pela SIC Notícias conduzido pela Conceição Lino (grande profissional), relativo à delinquência juvenil, fiquei com a impressão de que quase não há, e a que há, é por culpa da comunicação social que divulga notícias, e da sociedade que não acolhe bem os delinquentes, ou seja, da Conceição Lino (que nocaso representava a comunicação social) e minha (que faço parte da sociedade). Gostava de saber se mais alguém tem os mesmos sintomas.»

Imprensa gratuita

Hoje tive que utilizar o Metropolitano, coisa que não faço habitualmente, pois trabalho numa zona muito mal servida de transportes públicos, e observei que mais de metade da carruagem lia um dos dois títulos da imprensa gratuita existentes em Portugal. Os jornais de distribuição gratuita são hoje um sucesso no nosso país, oferecendo um conteúdo de leitura rápida, apostam na grande circulação vivendo apenas da publicidade.

Lembro-me daquela que penso ter sido a primeira experiência de imprensa gratuita em Portugal. No final dos anos 80, Artur Albarran tentou salvar o então moribundo jornal «O Século» “lavando-lhe a cara” e distribuindo-o gratuitamente no Metro. Foi um falhanço, os investidores não responderam positivamente e o jornal acabou mesmo por morrer. Só no século XXI, viria a aparecer o primeiro título gratuito de sucesso, o «Destak». Considero o nome escolhido bastante infeliz, mas a verdade é que cresceu rapidamente passando de semanário a diário. Seguiu-se a edição portuguesa de um sucesso mundial, o «Metro». Estes dois jornais, ambos com edições em Lisboa e no Porto, asseguram já uma posição de relevo na imprensa nacional, com tendência a crescer, ameaçando outros jornais diários, obrigando-os a repensar estratégias de captação de leitores.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Impostura

Interessante revelação feita hoje por Yves Daoudal no seu billet sobre um apoio indirecto ao regime comunista cubano. Aqui fica o texto:
«L'imposture "équitable"
Vous avez peut-être vu dans votre supermarché des bouteilles de jus d'orange issu du "commerce équitable", en provenance de… Cuba. Certaines étiquettes affichent en gros caractères cette mention de Cuba, avec la précision "Coopérative José Marti". D'autres sont beaucoup plus discrètes (notamment sous la marque Caraïbos). Le "commerce équitable" est censé favoriser les petits producteurs du tiers monde en leur garantissant des prix qui leur permettent de vivre plus dignement qu'en étant soumis aux multinationales (lesquelles se mettent aussi, bien sûr, au "commerce équitable"…). La "coopérative" José Marti est naturellement une entreprise officielle du régime communiste de Cuba. Les oranges qu'elle produit sont naturellement achetées par une entreprise d'Etat, et une autre entreprise d'Etat exporte le jus d'orange, au prix du marché mondial, ce qui fait entrer des devises dans les caisses de l'Etat, lequel paye les oranges à la coopérative à un prix fixe (fixé en 1990…), en pesos, et… en nature (en prenant théoriquement en charge l'ensemble des coûts de fonctionnement de l'exploitation). Le commerce équitable, en l'occurrence, consiste donc à entretenir le régime communiste cubain, qui a tout intérêt à voir se développer cette filière lui permettant de vendre ainsi son jus d'orange jusqu'ici inconnu. Quel intérêt pour la coopérative José Marti? C'est que, munie de son label "commerce équitable", elle reçoit quelques fonds de la richissime ONG Oxfam (via une "association de représentation" des "coopératives"). Ce qui lui a permis par exemple de réparer des tracteurs russes vieux de 30 ans… Ce dont le régime communiste n'a également qu'à se féliciter. Plus Oxfam (qui finance aussi les sommets "altermondialistes") donnera d'argent aux "coopératives", plus le régime pourra garder de devises dans ses caisses… A propos, lorsque vous achetez ce jus d'orange, vous ne donnez rien aux producteurs cubains via Oxfam, sauf si vous l'achetez dans une boutique Oxfam. Mais il n'y en a pas en France. Enfin, le consommateur doit savoir que ce jus d'orange n'est pas du jus d'orange. C'est du concentré pasteurisé et congelé qui est exporté, et dilué dans de l'eau lors de la mise en bouteilles.»

A nacionalidade herda-se!

O Manuel Azinhal, em post ontem levado às páginas do semanário «O Diabo» pela mão do Walter Ventura, fez uma brilhante análise jurídica – como não podia deixar de ser – para desmontar o slogan “A nacionalidade herda-se”, muito usado pelos movimentos nacionalistas. Do ponto de vista jurídico ele tem, obviamente, toda a razão. Mas há uma pergunta que se impõe: o substantivo “herança” e o verbo “herdar” têm apenas um significado jurídico? Evidentemente, a resposta é não.

Para além do seu significado jurídico, que em qualquer dicionário vem antecedido da abreviatura “Jur.”, relativa ao vocabulário jurídico, “herança” pode significar “o que é transmitido por hereditariedade” e “herdar” pode querer dizer “adquirir, ter, por parentesco ou por consanguinidade (falando-se de doenças, qualidades ou defeitos)”.

É claro que os nacionalistas, quando afirmam que a nacionalidade se herda, estão a referir-se à preservação da herança étnica e não à transmissão de direitos subjectivos de carácter patrimonial. Com esta afirmação pretende-se que a nacionalidade seja o laço familiar que une a grande família que é a Nação. O seu objectivo é apelar à adopção do jus sanguinis, segundo o qual só é português quem é filho de portugueses, como critério único para a aquisição da nacionalidade, como medida defensiva perante a actual invasão imigrante. Também é usual ver associado a estas palavras de ordem as frases “A nacionalidade não se vende” ou “A nacionalidade não é uma mercadoria”. Mais uma vez, o sentido aqui é o de recusar que a sua aquisição seja baseada apenas no critério do jus solis, pelo qual quem nasce em território português é automaticamente considerado português, fazendo com que muitos imigrantes se deslocassem ao nosso país apenas com esse propósito, tornando Portugal no porto parideiro da Europa.

terça-feira, 19 de julho de 2005

Que Estado?

Costumo dizer ao meu caro amigo José Alberto Xerez que o liberalismo económico que defende e o seu recurso excessivo modelo americano são demais para mim. No entanto, nunca deixo de o ler e de reflectir sobre as suas posições e propostas. Hoje, no Diário de Notícias, disserta sobre o que considera a dimensão imensa do Estado português e, citando Jefferson, defende que o “Melhor Governo é o que menos governa”.

Não me vou prender aqui com as soluções concretas que ele apresenta, mas antes levantar uma questão que tem sido de difícil resposta na área nacional. Fará sentido os nacionalistas - habitualmente estatistas - defenderem hoje a manutenção de um Estado enorme, omnipresente e controlador, cerceador da nossa liberdade de expressão e tomado por lobbies que o pressionam conseguindo dessa forma proveitos económicos e conquistas políticas?

Temos que considerar se um Estado de reduzida dimensão não contribuiria para a diminuição da base de apoio e, consequentemente, do poder de grande parte da esquerda, bem como para o enfraquecimento da ditadura cultural desta. Temos que ter em conta que o fim de certas políticas ditas sociais poderiam contribuir para uma diminuição drástica da imigração subsídio-dependente. Na área na educação, será que continua a fazer sentido privilegiar o apoio segundo quotas de proveniência ou pela origem social, em vez de um apoio baseado no mérito académico?

São apenas algumas de muitas questões – daquelas que incomodam – para lançar um debate urgente dada a desastrosa situação que vivemos.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Guerra!

Quando li na última edição do «Courrier Internacional», cujo tema central era o terrorismo islâmico e os ataques de Londres, uma revista de imprensa que apresentava vários editoriais de diversos jornais mundiais, houve um que me despertou especial atenção. Vittorio Feltri, director do jornal milanês «Libero», próximo da Lega Nord, não tem dúvidas, para ele “estamos em guerra!” Esperei que este gerasse polémica e desse que falar na blogosfera, mas como até agora ainda não li qualquer referência ao dito editorial decidi reproduzi-lo aqui:

«O espectáculo continua e continuará enquanto nos recusarmos a enfrentar o inimigo da única forma que funciona: a força. Isso significa adoptar medidas excepcionais e reconhecer que estamos em estado de emergência – ou melhor, em guerra. Ora, o estado de guerra exige sacrifícios excepcionais, incluindo renunciar a certas liberdades. A segurança tem um preço e mais segurança significa menos liberdade. Sei que é difícil digerir certos conceitos, todavia, temos que nos resignar: não se pode ter tudo.
Não se pode abrir as fronteiras a toda a gente; os imigrantes devem ser seleccionados com cautela; os clandestinos devem ser expulsos. O terrorismo vem de fora. Vem do Médio Oriente. Os assassinos são islamitas. Isto já é um indicador precioso. Expulsemos os mais activos. Deixemos de acolher os que planeiam os massacres. Estamos em guerra! É idiota financiar a construção de mesquitas; é preciso ser estúpido para mostrar tolerância a quem não a tem; não faz sentido eliminar dos locais públicos os crucifixos, símbolos da nossa civilização, para evitar ferir os sentimentos de quem pertence a uma civilização inferior. Quando a guerra se abate sobre nós, há que quebrar as pontes de amizade com os povos de onde provêm os terroristas.»

Os “integrados”


É simplesmente inacreditável que ainda oiçamos recorrentemente nos media, ainda por cima vindo de ditas “personalidades de referência”, que o terrorismo islâmico tem origem na pobreza e na exclusão social. Já nos casos de Pim Fortuyn e Theo Van Gogh o argumento integracionista caíra por terra. Os Países Baixos, que sempre haviam sido apontados como um exemplo a seguir no que toca à integração das populações imigrantes, viam-se de repente a braços com a falência do seu modelo. Os seus habitantes de origem, normalmente considerados tolerantes, começaram a questionar a sociedade multicultural e a ver na invasão imigrante uma autêntica colonização demográfica e cultural. Por outro lado, as comunidades imigrantes, nomeadamente os muçulmanos, longe de terem um comportamento de aceitação e respeito pelas normas e cultura holandesas, optam pela imposição dos seus costumes, escudados por uma tolerância politicamente correcta que funciona apenas num sentido.

A recente tragédia de Londres veio novamente arrasar o modelo integracionista. Os bombistas suicidas eram nascidos e criados em Inglaterra, integrados na sociedade e bem vistos pelos vizinhos. Não lhes faltou nada, tendo tido acesso a um padrão de vida europeu. Apesar de tudo, decidiram explodir-se e matar dezenas de pessoas, declarando guerra ao país que os recebeu, lhes deu oportunidades e até os considerou como iguais.

É claro que nem todos os imigrantes muçulmanos são terroristas, mas as comunidades cada vez maiores que se estabelecem na Europa são o terreno fértil para o seu aparecimento e actuação. É claro que muitas destas pessoas – e ainda bem – não concorda com os terroristas e até auxilia as autoridades policiais, mas não esqueçamos o grande número de muçulmanos que, apesar de não serem bombistas, pregam o ódio e a violência nas mesquitas e dão cobertura a determinados grupos e às suas actividades por solidariedade religiosa. Parte significativa destas comunidades constitui a base social de apoio local, essencial a qualquer terrorismo.

Quem não limpa a floresta não é tão culpado como quem ateia o fogo, mas também tem responsabilidades ao criar condições favoráveis a um incêndio.

Este problema não tem uma solução fácil nem imediata, mas é imperioso que se adoptem medidas defensivas a curto prazo. Controlar a imigração, expulsando os ilegais e reduzindo a dimensão das comunidades imigrantes na Europa, e alterar a lei da nacionalidade, de modo a que o único critério da sua aquisição seja o jus sanguinis, por exemplo, são medidas urgentes no combate ao terrorismo e à islamização da Europa. Esperemos que com o agravar da situação haja finalmente coragem política para as tomar.

Perante esta realidade, até quando nos será impingida a panaceia do multiculturalismo?

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Sebastianismo

«Ainda em surdina, mas muito claramente, voltou outra velha ideia: a da inviabilidade de Portugal. Como de costume a pátria inteira espera um salvador.»

Vasco Pulido Valente
in «Público», de 15/07/2005.

1984

Plaça George Orwell, Barcelona.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Nostalgia

O FG Santos continuou, em post ilustrado, uma “onda de nostalgia pelas bebidas que marcaram a infância de muitos trintões (e não só)”. Gostei deste walk on memory lane, mas há um refrigerante que marcou uma geração e que não posso deixar de referir. Quem se lembra do Fruto Real e das caricas do Homem-Aranha, que o tornaram o “fruto” apetecido de tantas crianças? O interior da carica tinha imagens do super-herói aracnídeo que se colavam numa caderneta. O fabricante garantia que se esta lhe fosse enviada completa receberíamos um crachá. Nunca achei que esta troca fosse bom negócio e, apesar de nunca ter conseguido todas as caricas, gostava muito desta colecção que me tinha custado tanto a conseguir para a perder num envio postal.

Gostava de ter ilustrado este texto, mas numa pesquisa rápida na Internet não consegui encontrar imagens da marca Fruto Real nem das caricas. Não sei se ainda tenho algum homem-aranha destes, qualquer dia atrevo-me a remexer uns daqueles caixotes onde já não sei o que arrumei. Entretanto, se tiverem alguma imagem que queiram partilhar, enviem-me.

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Branqueamento

O negacionistas do arrastão conseguiram pôr meio mundo, das autoridades aos “especialistas”, a cantar – um pouco desafinado - o greatest hit “Afinal, não aconteceu nada...”, atingindo assim o seu objectivo imediato.

Não me vou aqui prender com pormenores “técnicos”, do estilo quantos assaltos, ou pessoas, são necessários para que os crimes do passado dia 10 de Junho sejam considerados um “arrastão”. Caibam ou não nessa definição, esses crimes são apenas mais uma ocorrência provocada pela violência dos gangs étnicos. Este é um problema de segurança interna demasiado grave para poder ser simplesmente esquecido devido a um potencial “erro de classificação”.

Acontece que a intenção desta estratégia negacionista não é ficar por aqui, ela pretende branquear todos os crimes perpetrados por imigrantes e seus descendentes. A atitude da extrema-esquerda, dos seus lacaios e de todos os complexados do politicamente correcto, é de uma discriminação atroz. Quando se trata de uma notícia positiva em relação a uma comunidade imigrante, exigem que se teçam os maiores elogios - merecidos ou não – divulgando a origem étnica dos protagonistas e apresentado-os como o exemplo a seguir. Por outro lado, quando um crime é cometido por um imigrante, saltam logo em defesa dos “fracos e oprimidos”, vitimizando os agressores e culpando a sociedade e a polícia (esses “fascistas”...), e apelidando de “racistas” e “xenófobos” os que se atrevam a informar a origem, etnia ou nacionalidade dos criminosos.

O argumento de que “nem todos os imigrantes são criminosos”, apesar de ser uma constatação factual, não significa que não haja imigrantes criminosos, nem que a imigração não origine tipos de criminalidade específicos. Esta é apenas mais uma esquiva à análise séria de um fenómeno complexo. A observação da evolução da criminalidade em Portugal e estudos feitos noutros países demonstram que há comunidades imigrantes respeitadoras e pacíficas, como existem outras com grande propensão para o crime e a violência, apesar de lhes serem dadas as mesmas condições de vida.

Quando se dá um crime desta natureza, em especial com a dimensão do arrastão de Carcavelos, há sempre quem garanta que é necessário “estudar o problema”... O problema é que a violência dos gangs étnicos é uma realidade nacional há vários anos, quando é que vamos ter finalmente coragem política para encará-la e solucioná-la?

terça-feira, 12 de julho de 2005

Blogs n'O Diabo (VII)

Walter Ventura está de volta hoje com o seu muito recomendável “O Diabo a Sete”. Nestas duas páginas - para ler de fio a pavio - temos uma interessante reflexão sobre as “trapalhadas do presidente de uma data de portugueses”, seguida da coluna “Os meus blogues”, desta vez com o Pedro Guedes e o estreante JSarto, e as habituais “Pegadas de Pégaso”.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Linguagem politicamente correcta

A leitura do artigo do Eurico e do posterior post do BOS, lembraram-me uma passagem do excelente “Vícios Ancestrais”, do genial Tom Sharpe, cuja história tem início quando o capitalista corrupto Lord Petrefact encomenda ao Professor Yapp, um académico de esquerda, a história da sua família. Reproduzo, a seguir, um excerto do hilariante jantar em que ambos chocam e onde Yapp demonstra a sua preocupação com os termos politicamente correctos:

«(…)- Se alguém me disser que o que quer que esteja naquela travessa fodeu alguma coisa, é porque está fora do seu juízo – berrou ele, visivelmente fora do dele. – Olhe para aquelas pernas detrás ensanguentadas. Já custa a acreditar que o animal pudesse andar para aí manco, quanto mais foder. Deve ter tropeçado constantemente no próprio focinho a sangrar. E onde é que está a merda do estômago dele?
- No frigorífico, senhor – resmungou o criado. Lord Petrefact fitou-o de olhos arregalados.
- Será que isso pretende ser alguma piada? – berrou ele. – Você traz-me um anão de um porco assado e…
- Porg (Iniciais de Person of Restricted Growth) – disse Yapp, sentindo muito imprudentemente que era a altura de vir em auxílio do criado. Lord Petrefact olhou para ele furibundo.
- Carne de porco? Claro que é carne de porco. Qualquer idiota sabe que é carne de porco. O que eu quero saber é que espécie de porco é que é.
- Estava a referir-me à sua utilização da palavra “anão” – disse Yapp inflexível. Não é um termo que esperasse ouvir na companhia de gente educada.
- Ah não? Então talvez possamos ter o privilégio de saber o que é que o senhor gostaria de ouvir na companhia de gente educada. E leve-me a merda do fantasma desse porco raquítico para longe da minha vista.
- Pessoa de Crescimento Restrito – disse Yapp.
Lord Petrefact fitou-o, incrédulo. - Pessoa de Crescimento Restrito? Põem-me nas mãos um porco que parece ter sido concertinado e você começa para aí a falar de companhia de gente educada e pessoas de Crescimento Restrito. Se a alguma coisa, alguma vez, restringiram o crescimento, o diabo daquele animal… Desistiu e enterrou-se, exausto, na sua cadeira de rodas.
- O termo “anão” tem implicações pejorativas. – disse Yapp, enquanto que Pessoa de Crescimento Restrito ou, abreviando PCR…
- Oiça. – disse Lord Petrefact – Você pode ser um convidado nesta casa, e eu posso ser mal educado, mas se alguém mencionar alguma coisa que faça lembrar porcos outra vez, nem que seja vagamente… Se me dão licença – E com um zumbido voltou a cadeira de rodas e saiu rapidamente da sala de jantar. Atrás dele Yapp soltou um suspiro de alívio.
- Se fosse a si não deixava que isso o aborrecesse – disse Coxley, que compadecera de Yapp, para afastar a fúria de Lord Petrefact. – Quando tivermos terminado já aquilo lhe passou.
- Eu não estava preocupado. Só estava interessado em observar a colisão de contradições manifestadas no comportamento social da chamada classe alta, quando confrontada com as condições objectivas da experiência. – Disse Yapp.
- Ah sim. E suponho que o porco de tamanho reduzido seria uma condição objectiva?(…)»

domingo, 10 de julho de 2005

O inimigo dentro de portas

Inspirado talvez pelos saldos no Nova Frente, decidi trazer para este blog um artigo que escrevi após o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 às torres gémeas do World Trade Center, publicado no já defunto jornal «O Dia». Depois do 11-M em Madrid e dos recentes atentados em Londres, penso que o texto não perdeu actualidade, já que a atitude dos governantes ocidentais parece não se ter alterado. Os meus leitores que digam de sua justiça.


«Os EUA declararam “guerra ao terrorismo”. Os extremistas islâmicos foram eleitos os inimigos públicos número um do Ocidente. O medo generalizado tomou de assalto os americanos e alastrou-se rapidamente à Europa. Apesar de muitos países europeus lidarem com diversas formas de terrorismo e mesmo a América ter enfrentado atentados de origem interna como o de Oklahoma City, hoje o Mundo depara-se com uma nova realidade, para a qual diversos especialistas vinham alertando: a globalização do terrorismo. Esta é mais uma das consequências da crescente mundialização. Presenciamos um conflito que não está geograficamente delimitado e pelo menos um dos objectivos dos terroristas foi já alcançado. O sentimento de insegurança generalizou-se e ultrapassou fronteiras a uma velocidade impressionante.

Os autores dos atentados contra os EUA tiveram formação em escolas de aviação civil americanas e em universidades americanas e europeias. Mesmo hoje em dia, e ao que tudo indica, uma parte significativa da rede terrorista continua a usufruir da educação e dos meios que lhes são proporcionados pelos países que serão os seus potenciais alvos futuros. É impressionante constatar a liberdade de movimentos que estes grupos organizados tiveram fora dos países acusados de albergar e apoiar terroristas. Esta situação obriga necessariamente a repensar a forma de acolhimento destes “estudantes” nos países ocidentais. É altura da segurança se sobrepor à política das “portas abertas”.

A falta de controlo na imigração, o não cumprimento das leis que a regulam e as hesitações na definição de uma política comum sobre a matéria, provocam a entrada diária de milhares de pessoas no Velho Continente sobre as quais nada se sabe. Até os EUA, cujas políticas anti-imigração suscitaram duras críticas por parte de alguns sectores da comunidade internacional, não conseguem controlar eficazmente esta circulação de pessoas e o seu acesso a locais essenciais para a concretização de acções terroristas. “Depois dos atentados, os americanos descobriram que nalguns aeroportos trabalhavam imigrantes ilegais sobre os quais tudo se desconhecia. É ridículo”, disse Pedro Jordão, especialista em questões de segurança e relações internacionais, à revista Visão n.º 450, quando confrontado com a questão sobre a vulnerabilidade de uma potência com meios financeiros e tecnológicos quase inimagináveis.

Além das nefastas consequências de uma imigração em massa e desregrada, assistimos ao facilitismo, por parte de alguns países, na atribuição do estatuto de refugiado político. Aquele que devia ser um estatuto jurídico de excepção tornou-se um dos vistos de entrada mais fáceis de conseguir, em especial nos países do Norte da Europa. Um exemplo gritante é o caso de Anas Al-Liby. Nascido em 1964 no Líbano, viveu até há pouco tempo na Grã-Bretanha como refugiado político. É agora procurado por responsabilidades nos atentados contra as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia, sendo oferecida uma recompensa de cerca de um milhão de contos pela sua captura.

Com o estabelecimento de grandes comunidades islâmicas na Europa e nos EUA, verificamos o aparecimento de gerações jovens desenraizadas que, não se identificando com a cultura do país onde nasceram, viram-se para o islão como forma de afirmação. É uma tentativa de reencontro com valores culturais longínquos e muito diferentes dos europeus, que se cruza com sentimentos de revolta e insatisfação. São os perigosos ideais destas novas gerações, que quanto mais força ganham mais extremistas se vão tornando. Cria-se assim mais uma parcela de terreno fértil para o estabelecimento de bases internacionais de organizações terroristas como a Al-Qaeda e para o desenvolvimento das suas actividades. Não é apenas no distante e montanhoso Afeganistão que é possível encontrar estes terroristas e os seus apoiantes.

No entanto, há muitas vozes que se levantam dizendo que os alvos dos terroristas islâmicos são apenas os EUA e o Reino Unido. O primeiro pelo seu imperialismo e pelo seu apoio a Israel e o segundo pela sua aliança com o primeiro e pelo seu passado colonial no Médio Oriente. Apesar da civilização ocidental ser hoje marcadamente anglo-saxónica e americanizada, é ridículo não ter em consideração os tantos outros países europeus que albergam comunidades islâmicas e onde foram recentemente descobertos vários terroristas implicados nos atentados de dia 11 de Setembro.

É completamente irresponsável não considerar a existência de um perigo crescente no interior dos países ocidentais. Não nos esqueçamos que o expansionismo islâmico já provocou a ocupação da Península Ibérica e, do outro lado da Europa, a ocupação dos Balcãs, de Constantinopla e o cerco a Viena. Tenhamos em conta as valiosas lições da História na apreciação da situação política que hoje vivemos.

O discurso actual – politicamente correcto – é que esta guerra é contra os terroristas extremistas e não contra a sua religião, cultura ou mesmo civilização. Assistimos à defesa de um islão “moderado” inventado por ocidentais em nome de uma falsa tolerância religiosa. Vemos que hoje o Presidente americano George W. Bush mantém a posição do seu antecessor, mas tal como diz Samuel Huntington na sua obra “O Choque das Civilizações”: “Alguns ocidentais, entre eles o presidente Bill Clinton, têm defendido que o Ocidente não tem problemas com o islão, mas apenas com os extremistas islamitas violentos. Quatrocentos anos de história demonstram o contrário”.»

in «O Dia», de 31/10/2001.

sábado, 9 de julho de 2005

Ainda a lei da nacionalidade

O governo decidiu avançar com a alteração da lei da nacionalidade, conforme havia anunciado. Segundo as informações vindas a público, ainda não se foi tão longe como a extrema-esquerda desejava. No entanto, podemos ver que o critério do jus solis tem cada vez mais força na aquisição da nacionalidade. Menor ou maior, o mal está feito. Não me vou alongar mais, pois farei uma análise de fundo quando a lei for publicada, comparando-a com a anterior.

Este é apenas um passo, mas na direcção errada. E, passo a passo, caminhamos para a obliteração da nossa Nação.

Novilíngua e Aaltra

A novilíngua do politicamente correcto ganha terreno todos os dias no discurso quotidiano. A palavra "raça" só é aceitável se for para denunciar o "racismo" e os "racistas". Na Grã-Bretanha, vulgariza-se o termo traveller (viajante) para designar um cigano (até aqui um gipsy - será que o título do romance de D. H. Lawrence vai ser alterado para The Virgin and the Traveller)? Em Portugal, já fica mal dizer que se vai ajudar "um ceguinho" a atravessar a rua e deve usar-se o mais correcto "invisual".

Assim começa a crónica “Feios, maus e paralíticos” do Eurico de Barros, hoje, no Diário de Notícias, que continua para escrever sobre o filme belga “Aaltra”, que já havia descrito no Guia DN como “uma comédia negra a preto e branco, politicamente incorrecta, protagonizada por dois paralíticos”, o que me aguçou a curiosidade, obrigando-me a colocá-lo na minha lista de prioridades cinematográficas.

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Jihad em Londres

Londres foi a escolhida para mais um ataque da guerra do Islão totalitário e expansionista contra a Europa. O horror volta a inundar as televisões e os discursos do multiculturalismo utópico fazem cada vez menos sentido.

A Europa continua sob o fogo islâmico e, infelizmente, a tibieza dos políticos europeus continua a permitir o fortalecimento de redes terroristas no nosso continente em nome de uma tolerância suicida. A questão agora é: qual será o próximo alvo? A França? A Itália?

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Obras “públicas”

Quando digo que as obras públicas podem ser um factor de desenvolvimento nacional, adjectivam-me logo de “fontista” a “fascista”. Mas, infelizmente, hoje em dia essas grandes obras são normalmente adjudicadas a empresas multinacionais estrangeiras e servem de justificação para a entrada de mais uns milhares de imigrantes.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Europa (V)

Do sucesso ou do desaparecimento da Europa como Estado político (cidade organizada, cidade defendida) depende o avanço ou o desaparecimento do Homem como aventura prometeica e mesmo como espécie, o famoso «ramo pensador». A Europa tem nas suas mãos a opção da história do Homem.

Jean Thiriart
in “Europa – um império de 400 milhões de homens”

terça-feira, 5 de julho de 2005

Pachorra

Da edição de hoje do semanário «O Diabo» destaco o artigo do recém-eleito secretário-geral do PNR, Humberto Nuno de Oliveira, intitulado “Não há ‘pachorra’…” e que visa a “esquerdite deste nosso país”, e pilho, para aqui partilhar, umas das habituais “coisas de o Diabo”, sobre um programa televisivo para o qual há cada vez menos pachorra:

«As “escolhas” da sonsa

Afinal aquela sonsa que a RTP achou por bem atrelar ao programa “As escolhas de Marcelo”, para servir de faz-de-conta, começou a sair-se da casca. Imaginem que, domingo passado, a pobre senhora teve a lata de, também ela, “escolher” um livro! Estamos servidos… Ao princípio limitava-se a uns monossílabos engasgados e patetas, complexada talvez pela proximidade física do Professor, mesmo assim o suficiente para lhe fazer perder algum tempo. Agora, quer dar também palpites, e na sua sornice até vai espicaçando Marcelo com umas comadrices provavelmente encomendadas. Primeiro, visando Ferreira Torres, domingo passado, Isaltino Morais. Deve ser para mostrar serviço, uma vez que ainda ninguém percebeu a razão de ser da sua presença no programa.»

Uma questão nuclear

Quando se vivia sob o ataque cerrado do “Nuclear? Não, obrigado!” e de manobras mediáticas de grupos supostamente ecologistas, mais uma vez, eu remava contra a corrente. Sempre gostei de reflectir sobre as questões, pesando os prós e os contras, antes de definir a minha posição. No caso da energia nuclear, discuti bastante o assunto com um familiar que trabalhou durante anos na Junta de Energia Nuclear e que, não sendo defensor desta solução, também não era um opositor fundamentalista, como então estava in.

Oportunidade energética
Pese embora todos os pontos negativos do nuclear, bem conhecidos, o lado positivo poucas vezes era referido. Localmente, analisando o caso português, a construção de duas centrais nucleares permitiria ao país suprir mais de metade das suas necessidades energéticas. Globalmente, no que respeita à Europa, seria uma oportunidade de reduzir substancialmente a dependência petrolífera do mundo árabe e dos ditames dos outros grandes produtores internacionais.

Foi, sem dúvida, uma oportunidade perdida. Em Portugal, a solução nuclear foi abandonada e vários erros se seguiram. Desde a excessiva petro-dependência, à desastrosa implantação de uma opção solar, a que agora tentamos voltar, culminando no gás natural vindo do Norte de África. Na Europa, apenas a França resistiu teimosamente, enquanto outros países se retraíam perante a chantagem de grupos de pseudo-ecologistas, para quem o nuclear europeu era uma ameaça mundial, mas que se “esqueciam” frequentemente das dezenas de centrais existentes nos EUA.

Beco sem saída
A era dos combustíveis fósseis está perto do fim. Segundo as últimas previsões, dentro de poucas décadas atingiremos o peak oil, o ponto em que metade do petróleo existente terá sido consumido. Para além disso, com o desenvolvimento económico da China e da Índia, o consumo aumentará brutalmente enquanto as reservas e a produção baixarão vertiginosamente, fazendo com que, em breve, a economia baseada no petróleo se torne uma recordação. Esta situação obrigou ao abandonar de algumas intransigências e trouxe a discussão nuclear de volta à ordem do dia.

A energia do futuro
Há uns anos atrás, viaja eu de automóvel no sul da Alemanha quando olhei para a paisagem e vi uma imagem que “fotografei” com a memória, já que na autobahn era impossível encostar e usar a máquina. Esta “fotografia”, que guardei para mim e a que dei o título “O caminho do futuro”, era a de um manto verde cortado a meio pela auto-estrada, onde do lado esquerdo e num plano elevado estava um parque eólico e do lado direito mais distante uma central nuclear.

Devo dizer que sempre fui um defensor do nuclear, mas nunca de uma forma estática. Sempre considerei que, naturalmente, a investigação científica e a evolução tecnológica nos levariam para uma forma de produção de energia tendencialmente mais “limpa”. Por outro lado, sempre fui simultaneamente um acérrimo defensor de energias renováveis como a solar, a eólica, a geotérmica, etc.

Com o aumento do recurso a energias renováveis e especialmente com as boas notícias no campo nuclear, onde a fusão deverá substituir a fissão, parece que o meu ideal energético pode concretizar-se num futuro próximo.


Mais informações sobre a fusão nuclear na página do ITER

sábado, 2 de julho de 2005

INCM

Quando penso nas edições da Imprensa Nacional-Casa da Moeda há um nome que me vem logo à memória: José Leite de Vasconcelos. Mas, apesar de bibliófilo, confesso que não consigo enumerar a maioria dos autores publicados por esta editora e que raramente visito uma das suas livrarias. Apenas me lembrei do assunto, pois o Eurico de Barros fez hoje o justo elogio da INCM, que considera “uma das melhores editoras portuguesas”, mas que infelizmente é “invisível”. Aconselho, por isso, a leitura da sua crónica“A qualidade escondida”, no Diário de Notícias, e uma visita à página da INCM, para tomar conhecimento das inúmeras publicações disponíveis.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Desafio blogosférico

Decidi que não escreveria este post sem antes falar com o Viriato. É claro que, como se trata de alguém com 17 anos de idade, é preciso usar o Messenger para consegui-lo. Quis saber as razões do “fecho da loja”, ainda para mais logo após todos os seus amigos blogonautas lhe terem dado os parabéns. A resposta foi evasiva, desde o argumento mais gasto do mundo, a falta de tempo, à evocação de uma motivação de há muito, passando por “outras razões” não especificadas. Pensei automaticamente na explicação mais óbvia: namorada. Ele assegurou-me que não e então, vendo que estava decido a deixar a Blogosfera, decidi atacar. Convidei-o egoisticamente para ser colaborador desta casa. Foi baixo, eu sei, mas ele trocou-me as voltas… Lembrou-me do seu projecto de um blog colectivo, ao que eu tive de oferecer prontamente os meus préstimos. Não podia deixar ir este jovem talento promissor de qualquer maneira. Para além disso, sempre considerei um blog conjunto na nossa área uma excelente ideia. Lanço, assim, daqui o desafio a todos os que queiram colaborar. Se conseguirmos concretizar este projecto, poderemos dizer que “há males que vêm por bem”.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Alteração da lei da nacionalidade

Contra as intenções de basear a aquisição da nacionalidade portuguesa apenas no jus solis, levantam-se já várias vozes em defesa dos portugueses de origem. É o caso da Causa Identitária, que emitiu um comunicado no qual defende também uma alteração da lei em vigor, mas no sentido de que se adopte apenas o critério do jus sanguinis.

terça-feira, 28 de junho de 2005

A confirmar

Não resisti a surripiar uma das sempre recomendáveis “coisas de o Diabo”, na última página da edição de hoje deste semanário contra-corrente, para aqui partilhar convosco:

Não se confirma... que o desaustinado comunicado mandado publicar por alguma imprensa, como publicidade paga, pelo Alto Comissariado para a Imigração e as Minorias Étnicas foi congeminado na sede do Bloco de Esquerda, apesar de todos os indícios e suspeitas nesse sentido.

Sobre a lei da nacionalidade

Na edição de hoje do «Diário de Notícias», aconselho a leitura da reflexão de Carlos Blanco de Morais sobre o que considera “Sombras sobre a lei da nacionalidade”, onde analisa a actual lei e as alterações que alguns agora propõem e que, segundo ele, são “uma proposta mal avaliada...”, ao não ter em conta as consequências da aquisição da nacionalidade baseada apenas no jus solis.

Renovado

No sábado passado realizou-se em Lisboa a Convenção Nacional do PNR. Foram eleitos os novos órgãos sociais, sendo José Pinto Coelho o novo Presidente. A avaliar pela motivação de todos os presentes, estou certo que se vai iniciar uma nova era no nacionalismo em Portugal, marcada por um maior crescimento e implantação do partido. A recém-eleita Comissão Política Nacional reúne já esta semana, para avaliar a situação e definir prioridades nos objectivos traçados. Esperam-se assim novidades em breve, bem como muito a fazer. Ao trabalho! Por Portugal!

domingo, 26 de junho de 2005

Somos todos intolerantes

Uma das acusações mais frequentes que me fazem é de ser intolerante. Por muito que não queira, ou que não me convenha na altura, sou forçado a admiti-lo. Sou intolerante em relação a várias coisas. Não tolero, por exemplo, argumentações baseadas na ignorância, acusações falsas e injustas, a mentira, entre tantas outras.

Numa ou noutra coisa, somos todos intolerantes. Isto é de tal forma generalizado que “intolerante” podia passar a ser um cumprimento. Abordo este assunto para que cada um se questione a si próprio e não o próximo, será um auto-exame interessante. Para terminar, devo dizer que de todos os intolerantes há um que não posso deixar de referir aqui, já que é o meu tipo favorito, são os que não toleram os intolerantes, ou seja, eles próprios.

sábado, 25 de junho de 2005

O crime compensa

Portugal está a tornar-se uma terra de oportunidades para os imigrantes, em detrimento dos portugueses. Beneficiam da simpatia do governo, que exige um esforço de todos nesta altura de crise económica, mas que aos imigrantes continua a dar apoios. Até para aqueles que não querem integrar-se e demonstram um ódio visceral pelo país que os alberga, abre há anos as portas das escolas, da habitação social, dos serviços de saúde, etc. sem qualquer resultado positivo visível. É extremamente compreensivo para com certos criminosos violentos – a que os media chamam “jovens” – justificando-se com explicações sociológicas rebuscadas, esquecendo um princípio basilar do estado de direito democrático que é o da justiça cega e, por isso, necessariamente igual para todos. Fortalece, assim, uma classe auto-excluída da sociedade ao considerá-la praticamente inimputável. Acentua as tensões etno-sociais, ao considerar “racista” e “xenófobo” quem seja crítico do fenómeno da imigração e das suas consequências negativas, fazendo os portugueses arcar com “responsabilidades coloniais” que não fazem hoje qualquer sentido. Mas, para não me alongar mais, já que havia muito ainda para dizer, salto já para o prémio que o Presidente da República e a ala esquerda do Parlamento pretendem dar aos filhos imigrantes, muitos deles, como sabemos, que recusam violentamente a integração e repudiam o nosso país e a nossa cultura: nada mais nada menos que a nacionalidade portuguesa!

Mais uma vez, neste assunto os portugueses não têm uma palavra a dizer, porque a Democracia e a vontade popular nem sempre interessam. Sobre esta questão aconselho vivamente o post O povo é quem mais ordena” no excelente blog Batalha Final e a discussão que se seguiu nos comentários.

sexta-feira, 24 de junho de 2005

Manifestação (IV): O tratamento jornalístico

A cobertura feita pelos media do protesto contra a criminalidade no passado dia 18 de Junho em Lisboa merece uma reflexão. Esta é uma situação recorrente na comunicação social portuguesa. Quando não pode ignorar certas notícias, faz uma adaptação livre, invertendo a ordem dos factos ou a sua importância, fabricando uma história não só politicamente correcta como supostamente mais vendável e rentável.

As primeiras notícias começaram por classificar um protesto que foi convocado apelando a todas as pessoas independentemente da sua ideologia e filiação partidária que se manifestassem contra a crescente criminalidade como uma concentração de “skinheads” e “nazis”. Continuando a tentar desencorajar as pessoas a comparecerem no Martim Moniz, os media, recorrendo a “especialistas”, fizeram as mais alarmistas e assustadoras previsões de confrontos e de contra-manifestações violentas, que nunca aconteceram. Mesmo depois da iniciativa ter decorrido na perfeita normalidade e provocado a adesão de centenas de populares, os telejornais abriram com imagens de um cordão policial que evitou “possíveis desacatos”, não informando que os “pequenos incidentes” aconteceram já terminada a manifestação. Quanto a números, foram apresentados valores dos 100 aos 500 participantes, quando as imagens os desmentiam claramente. Ainda na televisão, as imagens de páginas pessoais de Internet e fóruns de participação livre eram propositadamente confundidas com as dos organizadores e dos apoiantes. Por fim, para não entrar em excessivos pormenores, foram entrevistadas dezenas de pessoas e foi tudo filmado exaustivamente, para depois vermos em casa um trabalho construído não para informar, mas para motivar um ódio político. Com o estado a que chegámos, há já felizmente muita gente que simplesmente não acredita em tudo o vê e lê.

Para atenuar as acusações de subjectividade, recorro ao jornalismo comparado. Quem teve a oportunidade de ver a notícia do canal Euronews, notou diferenças óbvias face à cobertura nacional. Aí respeitou-se o princípio da prioridade ao essencial, falando de seguida no acessório e fazendo depois a ligação a uma notícia relacionada. Falou-se da manifestação e das suas motivações, ilustrando com filmagens da marcha, fazendo depois uma breve referência aos “pequenos incidentes”, sem recorrer a imagens, para depois ligar com a visita do Presidente da República ao Bairro da Cova da Moura. Este canal noticioso europeu, para além de ser insuspeito de qualquer ligação política aos nacionalistas, faz uso das informações e imagens cedidas pela RTP.

Parece-me que os jornalistas portugueses conheciam já o “Livro de Estilo do Bom Jornalista”, que o BOS publicou hoje.

Termino com a ressalva de que nem só os nacionalistas são alvo deste tratamento mediático vergonhoso, como nem todos os jornalistas se prestam a fazer um trabalho tão medíocre e marcado pela falta de objectividade, muita da responsabilidade deste resultado final está nos editores e directores, que não ousam agitar as águas paradas da sociedade portuguesa para não arriscar posições.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Lusofonia

Os portugueses gostam muito de dormir sobre a sua História. Quer isto dizer que, por exemplo, a própria independência nacional nunca é uma preocupação já que Portugal é o país com as fronteiras mais antigas da Europa. Como se isso bastasse para ficarmos descansados. Um dos pilares fundamentais da identidade nacional é a nossa língua. Mas, até sobre essa dormimos. O português é a sexta língua mais falada do mundo e a terceira ocidental, a seguir ao inglês e ao castelhano, calculando-se que seja utilizada por mais de 176 milhões de pessoas. Para muita gente estes dados podem servir de garantia eterna, mas penso sinceramente que, no que toca à Língua de Camões, temos descansado à sombra da bananeira do império.

Há muito que tenho esta percepção, mas ao ler duas notícias no semanário «O Diabo» desta semana vi confirmadas as minha preocupações. O jornal alerta para o facto de o “ensino do português no estrangeiro estar em risco”, o que significa que o “governo vira as costas a cinco milhões de emigrantes”. Paralelamente, outra notícia revela que o “Instituto Camões em Paris pode fechar”. Assim vai a defesa da nossa língua no mundo, principalmente na Europa. E depois admiramo-nos que a UE não considere o português como uma das línguas principais. Neste campo, os nuestros hermanos não brincam em serviço, talvez fosse melhor olhar para o lado...

Os governantes, mais preocupados com os imigrantes do que com os emigrantes, ou seja com os filhos dos outros do que com os seus, esquecem o seu próprio povo. Quando se esquece o ensino da língua a milhões de portugueses de origem, porque milhões de estrangeiros a falam em partes longínquas do globo, está-se a destruir aos poucos um povo e a sua identidade, matando a longo prazo uma Nação.

quarta-feira, 22 de junho de 2005

Territórios ocupados

Existem muitos bairros, sobretudo na periferia de Lisboa, dos quais se costuma dizer: “ali a Polícia não entra”. De vez em quando, em qualquer data simbólica ou visita de algum político, um forte dispositivo policial assegura que tudo corra na normalidade, como se de um bairro pacífico se tratasse. Tais manobras publicitárias são cada vez menos levadas a sério pelos portugueses, que sofrem com a insegurança provocada pelo aumento brutal da criminalidade violenta. A expressão popular relativa à entrada da Polícia nessas zonas não deve ser entendida literalmente. Tem um significado mais profundo: classifica os territórios ocupados. Estes são zonas de não-direito, guetos fechados pela discriminação positiva, onde a autoridade do Estado não é reconhecida.

No passado Dia de Portugal, o Presidente da República decidiu visitar de novo a Cova da Moura e fazer os habituais discursos “anti-racistas” e “anti-xenófobos”, mostrando aos portugueses que é, cada vez mais, o “Presidente de todos os imigrantes”. Falou das leis da República, mas poucos acreditaram, já que nesse mesmo dia centenas de “filhos” das zonas ocupadas assaltavam e agrediam populares na praia de Carcavelos. Para além do escândalo desse ataque descarado, verdadeiro atentado terrorista contra o turismo em Portugal, um dos principais sectores económicos nacionais, pois foi noticiado na maioria dos países de onde vem quem nos visita, veio a público uma revelação absolutamente inacreditável. Segundo o semanário «Expresso», “o embaixador de Cabo Verde em Portugal, Onésimo Silveira, disse ter sido contactado pelo staff do Presidente da República para apurar se Sampaio poderia correr algum risco na visita à Cova da Moura (…)”.

Para a próxima vez que eu falar de territórios ocupados em Portugal, antes de me chamarem “alarmista” ou “teórico da conspiração”, lembrem-se de que nem o nosso representante máximo pode viajar no nosso país à vontade sem consultar um embaixador de um país estrangeiro.

Manifestação (III): União e mobilização

Um comentário ao post anterior levou-me a escrever sobre o que para mim foi a coisa mais importante na manifestação de sábado passado. O protesto contra a criminalidade conseguiu levar à rua os mais importantes grupos nacionalistas portugueses em conjunto, a FN, que organizou, e o PNR e a CI, que se associaram à iniciativa. Para além disso, conseguiu-se mobilizar centenas de populares anónimos, que se manifestaram corajosamente em público contra um sistema que cada vez mais protege os criminosos e esquece os cidadãos nacionais.

Esta união e mobilização extraordinárias são um motivo de orgulho para todos os presentes e marcam o despertar de uma nova era no activismo político nacionalista em Portugal.

Manifestação (II): histórias de um dia

Tenho contado a várias pessoas o que observei na manifestação contra a criminalidade do passado sábado e decidi partilhá-las aqui. Este é um relato desse dia e de alguns episódios que vale a pena contar.

Concentração
Chegado com um amigo ao Largo do Martim Moniz antes das 14 horas, depois de ter assistido à vergonhosa campanha feita pelos media contra o evento, chamando-lhe “manifestação de skinheads” e alertando para contra-manifestações e possíveis confrontos, não me espantei ao ver que a maioria dos que lá se encontravam eram exactamente skinheads. No entanto, verifiquei que muitas outras pessoas iam chegando continuamente, acabando por reduzi-los a uma minoria. Sentindo o forte calor que se fazia sentir, procurei em vão uma boa sombra naquela praça mal desenhada e observei que à volta do largo e debaixo das poucas árvores existentes estava uma multidão de populares que fitavam a concentração com intenção de participar, mas estavam talvez desconfiados depois de tantas notícias negativas.

Até ao início da marcha, aproveitei para falar com diversas pessoas, alguns amigos e vários desconhecidos. Um homem na casa dos cinquenta anos dizia-me, revoltado, que era utilizador da linha de Sintra e que os assaltos e agressões não eram de hoje. Há anos que temia principalmente pela segurança do filho, a quem já tinham sido roubados três (!) telemóveis. Houve também uma senhora, muito exaltada, que se distinguia num numeroso grupo de comerciantes e moradores da zona, exigindo sem hesitar o repatriamento dos imigrantes que, segundo ela, eram já a maioria naquela parte da cidade e os principais culpados do aumento brutal da criminalidade e da insegurança. Senti o desespero de pessoas que se sentem esquecidas pelos governantes e são vítimas de criminosos aparentemente intocáveis, o que me impressionou bastante.

Um episódio interessante, que alguém me disse ter sido mal relatado num jornal, foi a presença de um turista japonês que se aproximou do grupo onde eu estava e tirou várias fotografias, depois de pedir autorização, ao mesmo tempo que conversou, num inglês básico, com várias pessoas que lhe explicaram o que se passava, ao que ele concordou. Para espanto de uma jornalista que ali passava a entrevistar meio mundo, o japonês repetiu que lhe tinha sido explicada a razão do protesto e que até concordava. Ela fez um ar incrédulo, de quem pensou que o turista não tinha percebido nada.

Havia também alguns brasileiros que expressaram o seu apoio à manifestação, assegurando que há muitos imigrantes que não querem trabalhar, dedicando-se a actividades criminosas, prejudicando assim a imagem de muitas pessoas honestas.

Marcha
Quando estavam já largas centenas de pessoas no Martim Moniz, o Vice-Presidente do Partido Nacional Renovador, José Pinto Coelho, proferiu algumas palavras dizendo que o PNR se associava a este protesto por sempre ter pugnado por maior segurança para os portugueses, recusando as habituais acusações de racismo, mas não ignorando as relações entre a imigração desregrada e o aumento da criminalidade violenta.

De seguida, a marcha arrancou, juntando cerca de mil participantes. Maioritariamente composta por jovens, contava também com muitos moradores e comerciantes locais, vários utilizadores da linha de Sintra, para além de pessoas vindas de vários pontos do país. Vi um grupo de skaters que, para se fazerem notar levantavam bem alto os seus skates, por entre os que faziam ondular bandeiras nacionais. Com os manifestantes caminhavam também alguns indianos, com certeza lojistas vítimas de assaltos. Havia também um mulato, de cabelo em crista, que sobressaía no meio daquela multidão. Estes são apenas alguns exemplos, fora do esperado, que mostram que a manifestação foi bastante diferente do apresentado pelos meios de comunicação social.

O comportamento foi sempre exemplar. Ao contrário das previsões alarmistas, não houve quaisquer conflitos. Por exemplo, em frente ao Hotel Mundial à porta de um café, encontravam-se vários negros que observavam sorridentes, de copo de cerveja na mão, os manifestantes que lhes passavam à frente a um palmo de distância.

Final
Chegados ao Rossio, parámos para ouvir o Humberto Nuno Oliveira, que terminou o discurso agradecendo a presença e o extraordinário comportamento de todos, e cantar o hino nacional pela última vez, antes de começar a desmobilizar. O grosso dos participantes havia já retirado e o material como faixas, bandeiras, etc. estava já guardado, quando, do outro lado da rua, um pequeno grupo começou a chamar “racistas” e “fascistas” aos que ainda lá se encontravam. Algumas pessoas decidiram ir falar calmamente com quem berrava as ditas palavras e alguns insultos, o que provocou uma correria de jornalistas e fotógrafos em direcção aos contra-manifestantes, na ânsia de captar a tão desejada violência que simplesmente não existiu, gerando alguma confusão. Só aí foi necessária a presença da Polícia, que aliás cumpriu optimamente o seu trabalho nessa tarde, para cessar a troca de “piropos”.

É importante lembrar que isto aconteceu já terminado o protesto e depois da retirada da maioria das pessoas. Durante toda a manifestação não houve quaisquer incidentes nem nenhuma contra-manifestação, como os media haviam alertado.

Parece que já me alonguei; fico por aqui, nesta história que não passou nas televisões…

terça-feira, 21 de junho de 2005

O dia mais longo


Solstício de Junho, instante ambíguo, marcado por uma espécie de mentira, como ele me perturba, me enerva, me agrada. Durante meses ainda, o ano vai parecer lançar-se para o seu zénite de calor e de esplendor, e, entretanto, tudo está pronto: os dias começam a encurtar. O Sol inclina-se, o Sol morre.

A vitória da roda solar não é somente a vitória do Sol, vitória do Paganismo. É a vitória do princípio solar, o que tudo faz girar (“a roda gira”, diz o povo). Vejo triunfar neste dia o princípio de que estou imbuído, que cantei, que com uma consciência extrema sinto governar a minha vida.

A alternância. Tudo o que está submetido à alternância. Quem o compreende, compreendeu tudo. Os gregos estão cheios disso.

Henry de Montherland

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Manifestação: Uma vitória!

Estive presente na manifestação de protesto contra a criminalidade no passado sábado. A iniciativa foi um sucesso a todos os níveis. Os participantes deram uma lição de civismo e participação pública, num evento que decorreu sem quaisquer incidentes, excepto umas provocações feitas por alguns contra-manifestantes já terminado o protesto.

Este acontecimento é uma vitória de todos os nacionalistas, que há muito alertam para as consequências da imigração desregrada e a sua clara ligação ao aumento da criminalidade violenta, pela capacidade de mobilização, organização e união em prol de uma causa que é comum. É uma vitória também para todos os participantes que, apesar de não terem ligação com os grupos políticos envolvidos no evento, não hesitaram em vir para a rua demonstrar a sua revolta contra a crescente violência dos gangs, a invasão imigrante e a passividade dos governantes.

Obrigado a todos os que mostraram ao país que ainda existe quem queira que Portugal não morra. Estamos todos de parabéns, pela vontade, pela coragem, pela determinação, pela concretização. Este é o combate do futuro! Por Portugal!



sexta-feira, 17 de junho de 2005

Os negacionistas do “arrastão”

O jornalismo é a História do presente e, não se tratando de uma ciência exacta, é sempre susceptível das mais diversas interpretações. Assim, um jornal que mais parece o órgão oficial de um dos partidos de extrema-esquerda que se sentam no poleiro do Parlamento, diz hoje que o “arrastão” de Carcavelos nunca existiu. Bom, todos têm direito às suas opiniões, mas atrevo-me a imaginar qual será o próximo exclusivo fabricado numa tentativa de que este jornal tenha uma tiragem a sério: Os assaltos e agressões nos comboios da linha de Sintra nunca existiram. Que imagens seriam então aquelas transmitidas ontem pelo canal de Balsemão?

Dos comentários

A discussão em torno dos comentários nos blogs voltou à ordem do dia, depois de, por exemplo, o Pedro os ter retirado, para depois instaurar uma censura prévia, e o Dragão os ter readmitido.

Sempre esperei que os comentários fossem um local de discussão saudável de ideias, mas, infelizmente, não é o que normalmente acontece. Os blogonautas usam estas caixinhas públicas para os mais variados fins. Da crítica construtiva à simples declaração de concordância, da apresentação civilizada de argumentos contrários ao insulto fácil motivado pelo ódio e pela intolerância, passando pela mera publicidade e mesmo por afirmações que nada têm que ver com o post em questão.

Nesta casa não se comenta muito, não sei porquê. Insultos também por cá há, esporadicamente. Apesar de não ter intenção de encerrar os comentários ou censurá-los no Pena e Espada, decidi perguntar a opinião de vários amigos sobre essa possibilidade. O resultado desta mini-sondagem caseira foi praticamente igual ao do referendo sobre a Constituição Europeia em França.

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Arrastão: Manifestação

Não deixa de ser irónico que o “arrastão” em Carcavelos tenha acontecido no Dia de Portugal. Foi um espelho da situação nacional: uma classe política distante, entretida na distribuição de condecorações, esquecendo e menosprezando as tensões étnicas e sociais e o assustador aumento da criminalidade violenta. Este foi apenas mais um episódio de violência nas grandes cidades, mas de tal intensidade que os media não o puderam ignorar.

A irresponsabilidade dos politicamente correctos encaminha o nosso país para um estado policial onde já não se respeita a autoridade. Para piorar as coisas, nesta inversão de valores, assistimos a fenómenos escandalosos e inacreditáveis. Segundo os “especialistas” do costume, os criminosos são as verdadeiras vítimas e as vítimas os verdadeiros culpados. É a figura do “coitadinho”, que leva a que hoje em dia os polícias sejam considerados os “maus da fita” e os assaltantes os heróis injustiçados. A culpa, que não morre solteira, é sempre da sociedade, isto é, dos cidadãos que pagam impostos e cumprem as regras. E quando esses cidadãos querem dizer “basta!” publicamente, como é seu direito constitucional? São automaticamente classificados como “racistas”, “xenófobos” “skinheads”, etc.

Apesar de tudo, no próximo sábado às 14 horas terá lugar no Martim Moniz em Lisboa uma manifestação de protesto contra o aumento da criminalidade. Todos à manif! É tempo de dizer basta!

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Sin City (II)


Volto a falar deste filme, como aqui havia prometido, para dizer que gostei de o ver e o considero bom. No entanto, acho importante partilhar esta reflexão, em especial com os apreciadores de BD. Quando vou ver um filme baseado num comic, saio normalmente a enumerar todas as diferenças entre o publicado e o filmado. É um exercício comum, já que muitas bandas desenhadas são vistas como guiões de filmes e esperamos encontrar na tela o mesmo que no papel. Ora, é isso que acontece com “Sin City”. O filme cruza três histórias, originalmente publicadas em separado, reproduzindo-as tal e qual, com a ajuda de uma realização que respeita, se não imita, o ritmo dos comics e de excelentes caracterizações e cenários digitais. O elemento novidade, ou surpresa, perde-se, assim, para os conhecedores da “Cidade do Pecado”. Depois de ter visto e gostado da transposição exacta de “Sin City”, fico à espera de uma adaptação livre.

Constituição e Europa

As negas à Constituição Europeia e a consequente onda que se tem gerado, merecem um breve comentário. Sou, por vezes, considerado por alguns como o homem do “Nim”, isto apenas porque desejo uma Europa política, unida e forte, capaz de enfrentar a tensão entre os grandes blocos geopolíticos que se estão a formar e a assumir. Capaz de se defender, sobreviver, elevar-se e eternizar-se. Mas, não confundamos as coisas, uma constituição que, passando ao lado da herança europeia, “esquece” pormenores (ou melhor pormaiores) como o carácter etno-cultural do seu povo ou os limites geográficos, dificilmente pode ser considerada como benéfica para o futuro do nosso continente. Os europeus não querem que a Europa seja a antecâmara da utopia mundialista.

Os recentes referendos mostraram a distância entre os eurocratas e os europeus. Foram “gritos de protesto” dizem alguns, os “especialistas” que analisem. É agora tempo de repensar a Europa e traçar-lhe um rumo. Como disse Guillaume Faye (cito de memória), “não devemos fazer descarrilar o comboio da Europa, devemos mudar o maquinista”.

Depois dos eurocratas politicamente correctos confundirem propositadamente “Europa” com “UE” e com “Constituição”, para além de considerar todos os que se opõem ao Tratado ou apenas o criticam como “anti-europeístas”, vejo-me forçado a afirmar: Não sou anti-europeísta, sou alter-europeísta.

De volta... outra vez

Tive mais uns diazitos fora, a aproveitar o fim das férias, e esqueci-me de fazer o habitual aviso aos leitores. Fui prontamente lembrado com uns telefonemas e mensagens de correio electrónico, cujo conteúdo se pode resumir a “Que se passa!?”.

Bom, estou de volta e de seguida vou falar de vários assuntos e acontecimentos que, apesar de algum atraso, merecem, pelo menos, uma breve referência.

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Campanhas

Olhando para os outdoors de campanha eleitoral dos candidatos do PS e do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, é curioso ver como o primeiro optou por um símbolo muito semelhante ao de uma conhecida marca de detergente e o segundo por uma fotografia que faz lembrar os livros “Onde está o Wally?”.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

Extra! Extra!

Boas novas na Blogosfera. Apenas hoje descobri que o meu caríssimo amigo Paulo Cunha Porto, comentador desta casa e um dos colaboradores no aniversário do Pena e Espada, abriu finalmente um blog. Aconselho assim todos os que me lêem a dar um salto ao imperdível O Misantropo Enjaulado. Parabéns ao Paulo por este espaço, que não vou deixar de acompanhar.