sábado, 30 de julho de 2005
GCL
sexta-feira, 29 de julho de 2005
Fact checker
Na minha leitura da imprensa de hoje, deparei-me com dois casos. Na revista «Visão», Manuel António Pina, interroga-se na conclusão da sua crónica “O sangue dos outros” se “será que alguém pôde honestamente pensar que gente capaz de assim matar indiscriminadamente inocentes, se necessário imolando-se com eles, pode ser vencida despejando algumas bombas de fragmentação e mísseis de urânio enriquecido?” O urânio enriquecido é o combustível usado nos reactores nucleares ou em armas nucleares. Aqui, parece-me que o autor pretende referir-se às polémicas munições de urânio empobrecido, usadas pelas forças armadas americanas em vários teatros de guerras como, mais recentemente, na ex-Jugoslávia ou no Iraque. Na concorrente «Sábado», no artigo “A ex-cidade da polícia desarmada”, o autor, Ferreira Fernandes, diz-nos a determinada altura que “os londrinos vão ter de se habituar a essas ameaçadoras e tranquilizadoras armas negras, pistolas Glock 17 e automáticas HK G3, nas mãos de três mil polícias que patrulham a capital”. A Metropolitan Police usa realmente pistolas semi-automáticas Glock 17, de calibre 9 mm, apesar de estar a considerar substitui-las pelas novas HK P2000, do mesmo calibre. Mas, relativamente à HK G3, bem conhecida dos portugueses, não é, nem nunca foi, usada pelos polícias britânicos. Estes usam a HK MP5 de calibre 9 mm, ou seja, usam pistolas-metralhadoras (Maschinenpistolen), muito mais aptas para as necessidades policiais do que uma espingarda automática (Gewehr) como a G3, arma tipicamente militar e de calibre 7,62 mm. Aliás, na principal fotografia que ilustra o artigo, os dois polícias retratados estão armados com pistolas-metralhadoras Heckler und Koch MP5 A3.
Eurislão
quinta-feira, 28 de julho de 2005
Hemeroteca (II)
Título: A Rua
Data: 28 de Julho de 1977
N.º 69. Ano II
Director: Manuel Maria Múrias

Com o destaque dado a Salazar, um artigo sobre o “salazarismo” e um poster, era notório que este jornal da “direita”, que se propunha fazer “o combate do futuro”, tinha uma vincada atitude contra-corrente. Dizia o inconfundível Manuel Maria Múrias no editorial: “Nada nos resta senão o exílio. O exílio ou a revolta interior. Portugal é Portugal. Transcende as instituições democráticas. Para se defender a Democracia, não se pode matar Portugal. Isso é o que estamos a fazer. Friamente. Planeadamente. Desgraçadamente.” Para além de várias notícias sobre a política nacional - bem agitada naqueles tempos - destaco a página “Cultura e História”, com um artigo de Amândio César e um poema de Rodrigo Emílio, e a página “Livros e Autores”, com uma resenha do livro “Nado Nada”, de António Manuel Couto Viana, feita por João Bigotte Chorão. Na publicidade, a Turalgarve propunha uma viagem de uma semana à Madeira por 2900$00 e num dos vários anúncios a livros, assegurava-se que “África - A vitória traída” tinha vendido 19 mil exemplares em menos de dois meses.
quarta-feira, 27 de julho de 2005
Circular
Hemeroteca (I)
Título: A Capital
Data: Segunda-feira, 27 de Julho de 1970
N.º 871. Ano III (2.ª série)
Director: Maurício de Oliveira

A manchete “Morreu Salazar” domina a capa desta edição d’«A Capital». Do elogio fúnebre feito por Marcello Caetano ao luto geral decretado pelo Conselho de Ministros, passando por um extenso artigo de várias páginas sobre “a morte do Presidente Salazar”, no qual é descrita “uma vida de trabalho”, esta é a notícia que ocupa quase metade do jornal. Para além do acontecimento dominante, podemos ler, por exemplo, um artigo sobre as preocupações com o facto de a China ter uma “nova presença na estratégia mundial” por ser uma “potência espacial”, depois de ter conseguido colocar o seu primeiro satélite em órbita. Nos “acontecimentos mundiais”, podemos encontrar títulos como: “Conversações Germano-Russas: O fim da incerteza”, “Israel disposto a aceitar a paz”, ou “O Congresso da União Socialista Árabe aprovou a aceitação egípcia das propostas americanas de paz”. Na televisão o destaque vai para o programa “Curto-Circuito”. No cinema está anunciado, por exemplo, “O Submarino Amarelo”, no Estúdio 444, ou “A fúria de viver”, no cinema Alvalade. Quanto à publicidade, a Agência Star oferece uma viagem de 8 dias a Itália por 6550$00 e o Banco de Fomento Nacional garante um juro de 5,5% em depósitos a prazo superiores a um ano. Nas cotações verificamos que um Dólar vale 28$20 e uma Peseta 40 Centavos.
terça-feira, 26 de julho de 2005
Blogs n'O Diabo (VIII)
Friend or foe?
segunda-feira, 25 de julho de 2005
Questão presidencial
Novidades em linha
Entretanto, descobri hoje que já está finalmente em linha um projecto tão necessário como merecido de homenagem ao poeta nacionalista Rodrigo Emílio, em rodrigoemilio.com. Não sei se terá um lançamento oficial, mas sei que até lá muitos de vós, tal como eu, não resistirão a dar uma espreitadela.
sábado, 23 de julho de 2005
Padrão reaberto

sexta-feira, 22 de julho de 2005
Cansaços
Cansaço rápido – Passados nem quatro meses, o ex-Ministro das Finanças Campos e Cunha estava cansado de ser posto em causa todos os dias, estava cansado de perder privilégios, estava cansado de pertencer a um governo que disse uma coisa e fez outra, estava cansado... Bastou um artigo no jornal e aí está a primeira baixa da era socrática. Isto promete!
Cansaço socialista – O Prof. Trocado continua a fazer das dele e os socialistas já estão cansados desta wildcard polémica jogada pelo actual primeiro-ministro que quer, à viva força, brilhar mais que todo o governo junto. Alguns esperam que seja despachado como presidenciável, nem que seja para o “queimar”.
Cansaço presidencial – Do actual Presidente da República está tudo mais que cansado. Mas até na corrida às próximas presidenciais, os jornalistas, os comentadores e outros profissionais da crítica começam já a estar cansados de não ter ainda candidatos confessos para “trabalhar”.
Cansaço festivo – Quem já estava cansado de não ter o governo festivo do efémero Santana Lopes, não desanime! Depois da passagem foguete de Campos e Cunha pelo Ministério das Finanças e a sua saída mal justificada, temos mais matéria para fazer correr rios de tinta. Parece que o seu substituto se esqueceu de entregar uns papéis no Tribunal Constitucional. Que chatice! Os ministeriáveis não deviam ter de se preocupar com estas coisas...
Jihad em Londres (II)
Unser Korrespondent in Österreich
quinta-feira, 21 de julho de 2005
Vox populi
Ainda no mesmo jornal, na secção “Correio do Leitor”, há um desabafo de Nuno Mártires, de Sintra, sobre o aumento da criminalidade, que não resisto a reproduzir aqui:
«Senti necessidade de partilhar a minha angústia com alguém, então pensei nos milhares de companheiros que lêem o Destak e viajam de comboio na linha de Sintra. Estou seriamente preocupado com a minha saúde, acho que vejo o ouço coisas, ora vejam: pensei que tivesse havido um arrastão em Carcavelos e, segundo as autoridades, não houve, era uma festa de uma multidão que depois se desentendeu e desatou a roubar tudo o que estava perto. Pensei que havia assaltos em grupo nos comboios com agressões à mistura, e não, a CP e a PSP dizem que são muito menos do que no ano passado (a PSP inclusive diz que a probabilidade de assalto nos comboios é de um para trezentos e tal mil). Pensei que tinha visto na televisão reportagens de violência e morte de agentes da PSP na Cova da Moura, e devo ter feito confusão, porque até o Presidente da República lá vai a festas e a polícia jogar à bola, de dia, à noite deve ser às "escondidas" e "apanhada". No dia 28 de Junho, depois de ver o debate exibido pela SIC Notícias conduzido pela Conceição Lino (grande profissional), relativo à delinquência juvenil, fiquei com a impressão de que quase não há, e a que há, é por culpa da comunicação social que divulga notícias, e da sociedade que não acolhe bem os delinquentes, ou seja, da Conceição Lino (que nocaso representava a comunicação social) e minha (que faço parte da sociedade). Gostava de saber se mais alguém tem os mesmos sintomas.»
Imprensa gratuita
Lembro-me daquela que penso ter sido a primeira experiência de imprensa gratuita em Portugal. No final dos anos 80, Artur Albarran tentou salvar o então moribundo jornal «O Século» “lavando-lhe a cara” e distribuindo-o gratuitamente no Metro. Foi um falhanço, os investidores não responderam positivamente e o jornal acabou mesmo por morrer. Só no século XXI, viria a aparecer o primeiro título gratuito de sucesso, o «Destak». Considero o nome escolhido bastante infeliz, mas a verdade é que cresceu rapidamente passando de semanário a diário. Seguiu-se a edição portuguesa de um sucesso mundial, o «Metro». Estes dois jornais, ambos com edições em Lisboa e no Porto, asseguram já uma posição de relevo na imprensa nacional, com tendência a crescer, ameaçando outros jornais diários, obrigando-os a repensar estratégias de captação de leitores.
quarta-feira, 20 de julho de 2005
Impostura
«L'imposture "équitable"
Vous avez peut-être vu dans votre supermarché des bouteilles de jus d'orange issu du "commerce équitable", en provenance de… Cuba. Certaines étiquettes affichent en gros caractères cette mention de Cuba, avec la précision "Coopérative José Marti". D'autres sont beaucoup plus discrètes (notamment sous la marque Caraïbos). Le "commerce équitable" est censé favoriser les petits producteurs du tiers monde en leur garantissant des prix qui leur permettent de vivre plus dignement qu'en étant soumis aux multinationales (lesquelles se mettent aussi, bien sûr, au "commerce équitable"…). La "coopérative" José Marti est naturellement une entreprise officielle du régime communiste de Cuba. Les oranges qu'elle produit sont naturellement achetées par une entreprise d'Etat, et une autre entreprise d'Etat exporte le jus d'orange, au prix du marché mondial, ce qui fait entrer des devises dans les caisses de l'Etat, lequel paye les oranges à la coopérative à un prix fixe (fixé en 1990…), en pesos, et… en nature (en prenant théoriquement en charge l'ensemble des coûts de fonctionnement de l'exploitation). Le commerce équitable, en l'occurrence, consiste donc à entretenir le régime communiste cubain, qui a tout intérêt à voir se développer cette filière lui permettant de vendre ainsi son jus d'orange jusqu'ici inconnu. Quel intérêt pour la coopérative José Marti? C'est que, munie de son label "commerce équitable", elle reçoit quelques fonds de la richissime ONG Oxfam (via une "association de représentation" des "coopératives"). Ce qui lui a permis par exemple de réparer des tracteurs russes vieux de 30 ans… Ce dont le régime communiste n'a également qu'à se féliciter. Plus Oxfam (qui finance aussi les sommets "altermondialistes") donnera d'argent aux "coopératives", plus le régime pourra garder de devises dans ses caisses… A propos, lorsque vous achetez ce jus d'orange, vous ne donnez rien aux producteurs cubains via Oxfam, sauf si vous l'achetez dans une boutique Oxfam. Mais il n'y en a pas en France. Enfin, le consommateur doit savoir que ce jus d'orange n'est pas du jus d'orange. C'est du concentré pasteurisé et congelé qui est exporté, et dilué dans de l'eau lors de la mise en bouteilles.»
A nacionalidade herda-se!
Para além do seu significado jurídico, que em qualquer dicionário vem antecedido da abreviatura “Jur.”, relativa ao vocabulário jurídico, “herança” pode significar “o que é transmitido por hereditariedade” e “herdar” pode querer dizer “adquirir, ter, por parentesco ou por consanguinidade (falando-se de doenças, qualidades ou defeitos)”.
É claro que os nacionalistas, quando afirmam que a nacionalidade se herda, estão a referir-se à preservação da herança étnica e não à transmissão de direitos subjectivos de carácter patrimonial. Com esta afirmação pretende-se que a nacionalidade seja o laço familiar que une a grande família que é a Nação. O seu objectivo é apelar à adopção do jus sanguinis, segundo o qual só é português quem é filho de portugueses, como critério único para a aquisição da nacionalidade, como medida defensiva perante a actual invasão imigrante. Também é usual ver associado a estas palavras de ordem as frases “A nacionalidade não se vende” ou “A nacionalidade não é uma mercadoria”. Mais uma vez, o sentido aqui é o de recusar que a sua aquisição seja baseada apenas no critério do jus solis, pelo qual quem nasce em território português é automaticamente considerado português, fazendo com que muitos imigrantes se deslocassem ao nosso país apenas com esse propósito, tornando Portugal no porto parideiro da Europa.
terça-feira, 19 de julho de 2005
Que Estado?
Não me vou prender aqui com as soluções concretas que ele apresenta, mas antes levantar uma questão que tem sido de difícil resposta na área nacional. Fará sentido os nacionalistas - habitualmente estatistas - defenderem hoje a manutenção de um Estado enorme, omnipresente e controlador, cerceador da nossa liberdade de expressão e tomado por lobbies que o pressionam conseguindo dessa forma proveitos económicos e conquistas políticas?
Temos que considerar se um Estado de reduzida dimensão não contribuiria para a diminuição da base de apoio e, consequentemente, do poder de grande parte da esquerda, bem como para o enfraquecimento da ditadura cultural desta. Temos que ter em conta que o fim de certas políticas ditas sociais poderiam contribuir para uma diminuição drástica da imigração subsídio-dependente. Na área na educação, será que continua a fazer sentido privilegiar o apoio segundo quotas de proveniência ou pela origem social, em vez de um apoio baseado no mérito académico?
São apenas algumas de muitas questões – daquelas que incomodam – para lançar um debate urgente dada a desastrosa situação que vivemos.
segunda-feira, 18 de julho de 2005
Guerra!
«O espectáculo continua e continuará enquanto nos recusarmos a enfrentar o inimigo da única forma que funciona: a força. Isso significa adoptar medidas excepcionais e reconhecer que estamos em estado de emergência – ou melhor, em guerra. Ora, o estado de guerra exige sacrifícios excepcionais, incluindo renunciar a certas liberdades. A segurança tem um preço e mais segurança significa menos liberdade. Sei que é difícil digerir certos conceitos, todavia, temos que nos resignar: não se pode ter tudo.
Não se pode abrir as fronteiras a toda a gente; os imigrantes devem ser seleccionados com cautela; os clandestinos devem ser expulsos. O terrorismo vem de fora. Vem do Médio Oriente. Os assassinos são islamitas. Isto já é um indicador precioso. Expulsemos os mais activos. Deixemos de acolher os que planeiam os massacres. Estamos em guerra! É idiota financiar a construção de mesquitas; é preciso ser estúpido para mostrar tolerância a quem não a tem; não faz sentido eliminar dos locais públicos os crucifixos, símbolos da nossa civilização, para evitar ferir os sentimentos de quem pertence a uma civilização inferior. Quando a guerra se abate sobre nós, há que quebrar as pontes de amizade com os povos de onde provêm os terroristas.»