segunda-feira, 30 de maio de 2005

Politest

Os franceses também trataram de arranjar o seu teste político e eu, à semelhança de outros bloggers, respondi às perguntas e não me espantei com o resultado:

«Vous vous situez à droite.
Les partis dont vous êtes le plus proche (dans l'ordre) :
1. le Front National
1. ex-aequo : le Mouvement National Républicain (MNR) de Bruno Mégret
»

Pelo menos está mais correcto que a desorientada bússola política, só é pena não ter transparecido a minha simpatia pelo CPNT, mas com tão poucas perguntas…

C’est No!

Como se esperava os franceses votaram maioritariamente contra a Constituição Europeia. As razões foram várias por detrás deste “Não” heterogéneo, mas o mais importante foi o balde de água fria que fez gelar os senhores que querem a “União Soviética Europeia”, aqueles que representam o Povo esquecendo-se dele. Os europeus, sejam franceses ou outros, não são contra a Europa. São, isso sim, contra a “Europa deles”, dos eurocratas que, estando em Bruxelas, estão tão longe das pessoas, dos seus interesses e preocupações.

Depois do “choque” previsível, o pior está para vir, com o temido “efeito dominó”. Dentro de dois dias os holandeses preparam-se para dizer “Nee”; e o que dirão a seguir ingleses e dinamarqueses?

Quem lê lábios, não lê intenções…

Ou o que dizer da decisão governamental de aumentar os impostos, quando em campanha foi assegurado o contrário. É Sócrates a fazer lembrar George Bush (pai) e a sua promessa “Read my lips: No new taxes”, que não viria a cumprir. Parece que se tornou hábito e que há sempre uma justificação pronta a ser disparada; uma vez no poleiro, que se lixe o que se disse primeiro… Cenas de uma democracia par(a)lamentar.

Feira do Livro

Depois da minha ida rápida à Feira do Livro de Lisboa, volto a aconselhar uma visita ao pavilhão da DisLivro, tal como aqui havia feito em 2004, que tem ainda umas sobras do que estava disponível no ano passado, das quais destaco “Serenata a Meus Umbrais” de Rodrigo Emílio, “Para Além da Guerra”, de Rolão Preto, entre vários livros das Edições Gama de autores como António Sardinha ou Pequito Rebelo.

Recomendo também o pavilhão da Câmara Municipal de Lisboa dedicado à tão importante e frequentemente tão esquecida Educação Ambiental, aproveitando para aconselhar e louvar o interessante e útil “Guia ilustrado de vinte e cinco Árvores de Lisboa”, publicado pela Câmara e distribuído gratuitamente.

domingo, 29 de maio de 2005

De volta

Regressei há dias, antes do esperado, na sequência de um telefonema do Banco (que simpáticos! Até de férias se lembram de qualquer coisinha…). Parece que as “chatices” não tinham ficado todas resolvidas. Neste país a burocracia reina! Mas, quem me mandou a mim comprar casa?...

Adiante. De volta à capital, tirando o itinerário das “papeladas”, fui prontamente à Feira do Livro de Lisboa. Acontece-me todos os anos, mas não deixa de me espantar a quantidade de pessoas, amigos e conhecidos, que encontro. Aproveitei também para passar uns dias em família que, mesmo em Lisboa, são sempre bons.

Enfim, estou de volta à Blogosfera e às minhas caixas de correio a abarrotar. A minha primeira “bicada” foi um comentário obrigatório a dar os parabéns atrasados ao Geraldo Sem Pavor. Por aqui, a emissão segue dentro de momentos, ainda por cima porque, findas as férias familiares, inicio amanhã um breve período a solo.

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Férias!

Iniciei as minhas férias há uns dias, que gastei a tratar de “chatices”, e só hoje vou finalmente começar o período de descanso. Uma semana e meia com a família num sítio sem televisão nem computador. Mudar o ritmo para recarregar as baterias. Até breve!

Sin City

A primeira coisa a que associo o nome de Frank Miller é a ao seu excelente trabalho no Demolidor e na “Saga de Elektra”, que li ainda miúdo, naquelas revistas brasileiras que assassinavam os comics com as estúpidas reduções de tamanho e as traduções para esquecer. Desde então, acompanhei os trabalhos deste autor que se um tornou um desenhador mítico no universo da BD. Há pouco mais de dez anos, quando seguia os comics americanos regularmente, li em primeiríssima mão uma obra-prima chamada “Sin City”. Que pedrada no charco! Li e reli. A partir daí acompanhei o que foi publicado sobre esse mundo da “Cidade do Pecado”, que o mestre Miller havia criado.

É claro que na altura era impensável tal história passar ao cinema, mas o tempo traz surpresas… E ela aí está. Pela mão de Robert Rodriguez e Frank Miller himself, “Sin City” chega às grandes telas. O Eurico de Barros, que já viu o filme em Cannes, fala sobre ele hoje no DN. Em Portugal ainda não estreou, mas já consegui um daqueles DVDs manhosos para compensar a espera. Gostei do que vi, mas só quando voltar de férias falo sobre isso.


quarta-feira, 18 de maio de 2005

Sem tempo

Tenho andado sem tempo para escrever e até para ler. Uns dias ocupado a tratar daquelas coisas que vamos deixando para trás e quando abro o correio tenho quase 150 mensagens novas! Não consegui lê-las todas, muito menos respondê-las. Pôr a blogosfera em dia, só na diagonal… Ainda bem que vou ter uns dias fora!

quinta-feira, 12 de maio de 2005

Homossexulegal

Os guardiões da Constituição de 75, sediados no Palácio Ratton, declararam a inconstitucionalidade do artigo 175.º do Código Penal, que estipula o crime de “actos homossexuais com adolescentes”. Para além de umas quantas “figuras públicas” que se vão safar com esta decisão, esta é uma demonstração de que o Tribunal Constitucional observa os ditames do “politicamente correcto”, apontando o nosso país em direcção à utópica e catastrófica, mas tão em voga, sociedade global, multicultural e tolerante.

Como diria o astronauta, este é um pequeno passo para o homossexual, mas um grande passo para a homossexualidade. Na verdade, “pequenas” alterações como esta, precedem grandes modificações das normas sociais, como o casamento homossexual e a adopção de crianças por casais homossexuais. Temos vindo a assistir a este fenómeno em vários países, que abre o caminho às tentativas de aceitação e normalização da homossexualidade e dos “direitos” dos homossexuais, com a intenção de destruir a família tradicional como base da sociedade.

Quando, num futuro pouco distante, for legalizada a pedofilia, entre outras aberrações, talvez muitos dos “tolerantes” se arrependam de posições passadas, tão inovadoras na altura. Entretanto, para os que acham a minha previsão improvável, lembrem-se da forma como era encarada a homossexualidade há não muito tempo...

E o charro de ouro vai para...

O cineasta português Ivo Ferreira detido no Dubai, desde Abril, por ter fumado um cigarro com haxixe”.

Mas, a avaliar pela decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros de divulgar todos os casos de cidadãos portugueses detidos no estrangeiro por crimes ligados a droga, vamos ter “filmes” destes todos os meses...

terça-feira, 10 de maio de 2005

BEE em análise

A não perder hoje, o excelente artigo “Experimentar o Bloco” de Carlos Blanco de Morais, no Diário de Notícias, que analisa o Bloco de Extrema-Esquerda tal qual é, sem “papas na língua”, considerando-o “o mostrengo de estimação do sistema partidário, tendo tido como criadores semipassivos as grandes formações partidárias e a comunicação social de massas.

Histórias “esquecidas”

Uma semana de ausência (infelizmente tenho andado involuntariamente afastado da blogosfera) obriga-me a fazer uma referência obrigatória à coluna do Eurico de Barros, no passado sábado no Diário de Notícias, que fala de “histórias esquecidas” no filme “A Queda – Hitler e o fim do III Reich”, nomeadamente a dimensão da batalha de Berlim, a maior da II Guerra Mundial, e a presença de voluntários estrangeiros na capital alemã, que eu já aqui havia referido. Apesar do atraso, vale sempre a pena ler o que no fim-de-semana passado se viu “pelo buraco da agulha”.

terça-feira, 3 de maio de 2005

Life springs from death; and from the graves of patriot men and women spring living nations


Neste dia, em 1916, era fuzilado pelos ingleses Padráic Pearse, combatente pela liberdade e pela independência da Irlanda. Um exemplo de amor pátrio. Em sua memória deixo aqui um excerto do seu poema “The Rebel”:

And I say to my people's masters: Beware,
Beware of the thing that is coming, beware of the risen people,
Who shall take what ye would not give.
Did ye think to conquer the people,
Or that Law is stronger than life and than men's desire to be free?
We will try it out with you, ye that have harried and held,
Ye that have bullied and bribed, tyrants, hypocrites, liars!




Comentários (II)

Segundo informação da CommentThis.com, os comentários anteriores “foram à vida” e não são recuperáveis, tirando-me assim a dúvida se havia de mantê-los. Informam também que não vai ser possível continuar a fornecer o serviço e aconselham a mudança para os comentários do Blogger, o que já havia feito.

sábado, 30 de abril de 2005

Cultura a metro

Será que nesta era consumista a Cultura também se poderá vender enlatada num hipermercado? Será que dar uma demão de Cultura numa cidade pode transformá-la? Ao analisar a iniciativa Capital Nacional da Cultura, o Eurico de Barros dá hoje, na sua coluna no Diário de Notícias, uma resposta categórica: “A vida cultural de uma cidade tem que ser uma realidade orgânica, em vez de uma festa importada artificial e maciçamente.

É caso para dizer que, em Faro, o circo chegou à cidade…

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Arco da Insónia


Tanto escrevo, ó mão escrava,
E nem um poema fulgura,
Nem um verso se me crava
A fundo na carne ou grava
Na alma qualquer gravura

Ai tempo de sangue e lava,
O tempo em que eu te abraçava,
Meu amor, e em que enlaçava
cada noite p'la cintura

Dormes o sono dos justos
Enquanto eu, até às tantas,
Ceifo sombras, sonhos, sustos,
Sofro a insónia que implantas...

Mar vivo de um tempo morto
Sem rapsodos, aedos...
Ai tempo, mais que remoto,
em que tínhamos um porto
(sempre, sempre, sempre um porto)
No cerne dos arvoredos.
(E beijo ainda o eu corpo
nos meus dedos!...)


Nosso lombo e nosso ópio
Nossa noite Nosso dia
Corpo à sombra de si próprio
Cântico desta agonia

Pernas Braços - um bailado
Orquestrado em convulsão.
Ó corpo - oceano encrespado,
Crispado mas navegado
Por um corpo, um outro
Corpo - embarcação.

Varado de lado a lado
Corpo teu martirizado
Lava do mesmo vulcão

Corpo ó corpo aprisionado
À minha libertação

Rodrigo Emílio
in «Serenata a Meus Umbrais».

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Aniversário (V)

A pedido do Duarte Branquinho, sólido camarada e jovem colega de História, disciplina que o não tolhe, antes lhe areja o espírito e lhe estrutura o sentido de humor, aqui vai, com um abraço, para assinalar o primeiro aniversário do seu blogue, o meu primeiro Bilhete publicado, de jornalista.
É este um género pouco cultivado entre nós, que eu viria a desenvolver, até nisso já com este meu feitio de ir a contrapelo. Corriam os anos sessenta quando viu a luz do dia e, dado não ter encontrado o original no prazo de horas, tive de o reescrever, de cabeça. Espero que não tenha perdido, de todo, a frescura dos meus vinte anos.

O Gato e a Velha

Era um canto para que apetecia olhar logo ao descer os três degraus de entrada naquele café esconso, meio tasca, à beira daquela rua que escorria uma fauna menos boa.
O tempo, qual pequeno animal acinzentado e viscoso, parecia passar despercebido, pegajoso e indiferente, no meio daquela tarde soturna de um Inverno que teimava em prolongar-se.
Lá estava a velha, cercada de sacos baratos e gastos, cheios de jornais velhos a condizerem com o capote ruço que mal lhe cobria o corpo informe onde outrora, talvez, carnes rijas tivessem despertado apetites.
E estava também o gato, cinzento e gordo, enfastiado, que se dignava olhar distraidamente o tampo da mesa em que a velha se servia de um galão e de um bolo de arroz – almoço atrasado, jantar adiantado?
De súbito ela ofereceu-lhe uma parte do bolo mas ele, desprendido, virou a cabeça, recusando. Aí ela olhou, rápido, em volta. Depois meteu aquelas migalhas à boca, mastigou, deglutiu e olhou de novo.
Mas só o gato tinha visto, e, esse, estava-se nas tintas.

Roberto de Moraes

Aniversário (IV)


Pena e Espada, o mesmo combate

Pena e Espada representa a feliz síntese entre o puro combate intelectual e a lúcida, visionária, intervenção política na blogosfera. Sou leitor habitual e comentador acidental deste blog, criação do meu amigo Duarte Branquinho, que conseguiu aliar uma escrita sóbria, objectiva, clara nas ideias, abrangendo diversos temas da actualidade política e cultural, com um propósito esclarecedor, sem dogmatismos, nem intolerâncias.

Revelador de uma perspectiva profética quando aborda determinados assuntos, como seja a Europa, ou o prosaico quotidiano da vida nacional. Pena e Espada nunca se furtou ao diálogo, mesmo com aqueles, que por este ou aquele motivo, não comungam da mesma mundovidência.

Passado um ano, o balanço só pode ser encorajador e positivo. Espera-se que o verbo prossiga com mais frequência, associando-se ao desejável vigor combativo. É meu desejo que a Pena esteja sempre molhada de tinta fresca que a Espada, sempre bem afiada, corte a direito. É um combate que deve ter continuidade.
Votos de um feliz aniversário!

Miguel Ângelo Jardim

Aniversário (III)


Vinte Valores


Se prezas a Vida e a defendes, intransigentemente, contra a dominante civilização da morte;

Se queres a Propriedade ao serviço do Bem-Comum;

Se acreditas na Solidariedade, de vizinhança e de profissão, expressa no Municipalismo e no Associativismo;

Se cultivas a Tradição como garante da formação física, moral e espiritual da Família;

Se olhas com Pessimismo para o mundo em que vivemos, em oposição ao optimismo utópico dos tolos;

Se te repugna o individualismo passivo e vês no Organicismo um baluarte de Justiça;

Se respeitas os Antepassados e aprendes com a sua lição a preparar o futuro;

Se vês na Língua um dos últimos redutos da Pátria;

Se procuras conciliar Pensamento e Acção, com autenticidade, para melhor servires;

Se és um dissidente da cartilha igualitarista, pois sabes que a Diferença é a base da saudável Hierarquia;

Se dás a tua palavra de Honra e a cumpres com Fidelidade;


Então: És um Português de Vinte Valores!


Mendo Ramires