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domingo, 30 de março de 2014

O caso David Reimer: uma experiência aberrante

Em 1965, um casal canadiano teve dois rapazes gémeos, Brian e David Reimer, que cedo tiveram problemas urinários. Brian ultrapassou-os sem recurso a cirurgia, mas David foi sujeito a uma circuncisão que correu mal e ficou sem pénis. Os pais, naturalmente preocupados com o filho, consultaram o psicólogo John Money, um neozelandês que desenvolvia os seus estudos em sexologia nos Estados Unidos da América e que era um defensor da teoria do género, segundo a qual o sexo é uma mera construção social, independente dos condicionalismos biológicos.

Brian e David (aliás Brenda) Reimer
Money aconselhou os pais a que fosse feita uma cirurgia de redesignação sexual a David e para o criarem como uma menina. Aos 22 meses o menino foi sujeito a uma operação de remoção dos testículos e a um tratamento hormonal e a partir daí os pais mudaram-lhe o nome para Brenda, começando a educar a criança como se de uma filha se tratasse. Durante a infância a situação aparentava ser normal e Money viu nesta experiência a prova de que a sua teoria estava certa. Aliás, porque tinha todos os elementos necessários, já que para além de um sujeito “redesignado” tinha um irmão de outro sexo, com quem partilhava os genes, podendo assim observar a evolução de diferentes comportamentos. Era tudo o que necessitava para o sucesso da sua investigação. Os irmãos foram acompanhados durante cerca de dez anos e Money foi sempre relatando o evoluir da situação como um êxito, mas o que se passou foi tudo menos natural.

David, aliás Brenda, apesar de tudo a que era sujeito, começou a sentir-se como um rapaz. Pior, ambos os irmãos queixavam-se de que as consultas com John Money eram traumáticas e de que ele os forçava a encenações sexuais, algo que o psicólogo negou.Quando Money insistiu em que fosse feita a operação de construção vaginal que estava prevista, os pais tinham já dúvidas suficientes sobre o que estava a ser feito e decidiram parar a experiência.

David Reimer
David voltou a ser o rapaz que sempre fora, necessitando para isso de novos tratamentos. Revoltado com tudo o que lhe tinha acontecido, denunciou a experiência publicamente para evitar que outras pessoas passassem pelo mesmo sofrimento. Mas era tarde demais, porque o exemplo do “sucesso” de Money havia inspirado vários redesignamentos em diversos países. Os dois irmãos teriam um fim trágico. Brian tornou-se esquizofrénico e acabou por suicidar-se. David, que chegou a casar, acabou também por suicidar-se depois de uma vida marcada pelas depressões, pelo álcool e pelas dívidas.

John Money
O caso foi obviamente bastante polémico e muito noticiado na Imprensa e na televisão. Perante esta experiência aberrante e aterradora, de consequências devastadoras, seria de esperar que John Money e as suas teorias fossem esquecidas, ou melhor, recordadas como um exemplo do que não se deve fazer. Mas, pelo contrário, Money continuou a ser considerado por muitos como um “especialista” e as suas obras a serem citadas como trabalhos de referência. Para cúmulo, existe, desde 2002, um programa de atribuição de bolsas de investigação em sexologia do Instituto Kinsey para o Sexo, Género e Reprodução, nos Estados Unidos da América, com o nome John Money!

sábado, 29 de março de 2014

A delirante teoria do género: uma ideologia contra os sexos

Se alguém disser que um homem não nasce necessariamente homem, nem uma mulher nasce necessariamente uma mulher, antes se tornam homem ou mulher, diríamos no mínimo que se trata de uma afirmação disparatada. Acontece que há quem defenda que o sexo de cada um não depende da biologia, mas de uma construção social. Ou seja, a identidade sexual não depende em nada da anatomia, da biologia nem da anatomia. Pois bem, esta teoria delirante está a tornar-se uma ideologia que se espalha rapidamente por vários países, sendo imposta em nome da igualdade.


A teoria do género deriva do feminismo igualitário e surgir na década de 60 do século passado, começando a entrar no debate público a partir de 2000. Considerando a identidade sexual, o género, não depende da biologia e que os comportamentos diferenciados entre homens e mulheres são o resultado de estereótipos. Assim, para promover a igualdade de género, há que destruir esses estereótipos. Tenhamos em conta que não se trata apenas de combater a discriminação sexual, mas de algo bastante mais perigoso, que corre o risco de se tornar um verdadeiro discurso oficial e ser ensinado aos nossos filhos na escola.

Contra a ideologia do género

Em 2012, a revista francesa “Éléments” dedicou uma edição alargada à teorias do género, que partem do princípio que a identidade sexual é o resultado de uma construção social. Assim, as mulheres não seriam oprimidas se não existisse o conceito de “mulher”. Para os partidários desta corrente de pensamento, é então necessário destruir as categorias de “homem” e “mulher”, que não existem, para libertar a humanidade. Por mais que nos possa parecer estranho, estas são posições que ganham cada vez mais adeptos e influência. Para as contrapor, este ‘dossier’ oferece vários artigos com argumentos inteligentes e fundamentados, onde se destacam os de Alain de Benoist, que recorre à biologia, à neurobiologia e à psicologia evolutiva para responder à pergunta “o ser humano é ‘neutro’ em matéria de sexo?”, e sobre o novo feminismo moralizador e repressivo. Benoist tornar-se-ia um opositor feroz da teoria de género, analisando-a em todas as suas vertentes, nomeadamente quanto à sua origem e às suas consequências, para a denunciar. Recentemente publicou o livro “Les Démons du bien” (Os Demónios do Bem) que versa sobre estas questões.

O “homem novo”
Um dos campos onde a ideologia do género começa a ser imposta é nas escolas. Há planos para o efeito em vários países europeus, incluindo Portugal. Mas este é apenas um aspecto. Durante a polémica sobre a introdução da teoria do género no ensino em França, é de notar que o ministro socialista, responsável por essa pasta, afirmou que “o objectivo da educação é arrancar do aluno todos os determinismos, familiar, étnico, social , intelectual...” Assim se vê que o sonho de fabricar o “homem novo” se mantém vivo. Apenas se apresenta sob outras formas.

A guerra das palavras
Na imposição de qualquer ideologia a guerra das palavras é essencial. É, aliás, um primeiro passo que a maioria não nota, ou não dá importância, que acaba por levar à aceitação gradual das novas ideias. Assim acontece também com a ideologia de género. Vejamos alguns exemplos em vários países europeus, incluindo o nosso. No ano passado, aquando do nascimento do bebé real britânico, filho do Príncipe William de Kate Middleton, vários defensores da teoria de género insurgiram-se contra o anúncio público feito pela Casa Real de que “era um rapaz”. Para eles, “não se devia impor desde já uma identidade sexual à criança” e o que devia ser feito era “deixá-lo escolher”. Isto tudo por “uma questão de respeito”. Inacreditável, mas verdadeiro! Já em Itália, outra das manifestações da ideologia do género, nomeadamente a ideia de que não se deve discriminar os membros do casal. Por isso, houve a substituição da designação “pai” e “mãe” por “progenitor 1” e “progenitor 2” em impressos oficiais. Também em Portugal, houve uma recomendação para que se preferisse a expressão “género” em vez de “sexo”.