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quinta-feira, 1 de junho de 2017
A revista "Éléments" chega à televisão
A revista francesa "Éléments", que amiúde aconselho nesta casa, tem agora uma emissão na TV Libertés para anunciar cada edição e debater os respectivos temas com alguns dos seus autores. A não perder!
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Erro certeiro
sábado, 13 de dezembro de 2014
Sociedade da desinformação
Os tempos em que vivemos são amiúde considerados pelos bem-pensantes como a “era da informação”. Infelizmente, esta designação pomposa está longe de corresponder à realidade.
A Internet mudou consideravelmente o panorama, como a televisão o havia feito décadas atrás, mas este acesso generalizado a uma multiplicidade de conteúdos não significou necessariamente uma elevação cultural da população. Muito pelo contrário. A vaga digital trouxe muitas vantagens de comunicação, mas agravou o imediatismo. Não é por acaso que por tantas vezes ouçamos a expressão “vi na Internet”. De facto, o verbo utilizado está correcto, dado que se “viu” mas não se “leu”. Assim, há uma falha natural na compreensão à qual acresce a dificuldade inerente à velocidade estonteante a que tudo se passa. Ao mesmo tempo, assiste-se a uma simplificação da linguagem. Não me refiro apenas à escrita abreviada, que dispensa acentuação e aceita erros ortográficos, mas a uma redução brutal do vocabulário utilizado.
Este processo de embrutecimento em curso é ainda mais chocante porque coincide com uma época onde, perante a extraordinária facilidade de acesso a tanta informação valiosa, a maioria continua a preferir – bem conduzia a tal, claro está – conteúdos em linha ou televisionados que representam o que de mais baixo há na sociedade.
Para além do prazer de surfar as ondas digitais da Internet está um oceano de conhecimento no qual é necessário mergulhar. Esta viagem às profundezas do saber constitui um crescimento interior, uma formação no sentido literal do termo.
Este é um caminho que apenas pode ser feito pela leitura de livros, pela sua selecção, pela construção de uma biblioteca pessoal que reflicta todo o trabalho estrutural de edificação interior.
Apenas pela leitura, pelo conhecimento e pela reflexão conseguiremos resistir à ditadura mediática e à imposição da mediocridade que nos torna prisioneiros da fraqueza. Sem livros nunca seremos livres.
A Internet mudou consideravelmente o panorama, como a televisão o havia feito décadas atrás, mas este acesso generalizado a uma multiplicidade de conteúdos não significou necessariamente uma elevação cultural da população. Muito pelo contrário. A vaga digital trouxe muitas vantagens de comunicação, mas agravou o imediatismo. Não é por acaso que por tantas vezes ouçamos a expressão “vi na Internet”. De facto, o verbo utilizado está correcto, dado que se “viu” mas não se “leu”. Assim, há uma falha natural na compreensão à qual acresce a dificuldade inerente à velocidade estonteante a que tudo se passa. Ao mesmo tempo, assiste-se a uma simplificação da linguagem. Não me refiro apenas à escrita abreviada, que dispensa acentuação e aceita erros ortográficos, mas a uma redução brutal do vocabulário utilizado.
Este processo de embrutecimento em curso é ainda mais chocante porque coincide com uma época onde, perante a extraordinária facilidade de acesso a tanta informação valiosa, a maioria continua a preferir – bem conduzia a tal, claro está – conteúdos em linha ou televisionados que representam o que de mais baixo há na sociedade.
Para além do prazer de surfar as ondas digitais da Internet está um oceano de conhecimento no qual é necessário mergulhar. Esta viagem às profundezas do saber constitui um crescimento interior, uma formação no sentido literal do termo.
Este é um caminho que apenas pode ser feito pela leitura de livros, pela sua selecção, pela construção de uma biblioteca pessoal que reflicta todo o trabalho estrutural de edificação interior.
Apenas pela leitura, pelo conhecimento e pela reflexão conseguiremos resistir à ditadura mediática e à imposição da mediocridade que nos torna prisioneiros da fraqueza. Sem livros nunca seremos livres.
Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Quem é Orson Welles?
![]() |
| John Huston, Orson Welles e Peter Bogdanovich |
«Um dos efeitos mais perversos da banalização televisiva do cinema, escandalosamente arredado dos horários nobres, é o esvaziamento da sua história. E o consequente ataque a qualquer sensibilidade cinéfila - porque a cinefilia começa na consciência de que o cinema tem uma história.
Há dias, tivemos mais um exemplo das singularidades dessa história e da sua dinâmica, não como uma linha recta de significação unívoca, mas sim uma paisagem de muitos cruzamentos e ziguezagues. Assim, de acordo com um artigo do New York Times (28 out.), o derradeiro filme de Orson Welles, The Other Side of the Wind, poderá, finalmente, ser visto em 2015.
Infelizmente, vivemos um tempo em que qualquer banalidade dita por um concorrente da Casa dos Segredos adquire maior ressonância mediática que uma notícia em torno do nome de Orson Welles... A atrevida ignorância da cultura televisiva dominante poderá mesmo insinuar a pergunta letal: mas, afinal, quem é Orson Welles?»
quinta-feira, 17 de abril de 2014
O jogo da intriga política
No ano passado estreava a primeira série produzida para o ‘site’ Netflix, mostrando como a Internet se vai substituindo ao cinema e à televisão. “House of Cards”, criada por Beau Willimon, que se baseou no livro homónimo de Michael Dobbs e na consequente adaptação televisiva britânica dos anos 90 do século passado, contou com a magnífica realização de David Fincher e com um elenco de luxo. O sucesso foi imediato e a confirmá-lo está o êxito com que foi recebida a segunda e anunciada uma terceira.
Nos corredores de Washington D. C. as lealdades não chegam a durar um dia e tudo se vende para chegar aos lugares almejados. É a política, estúpido! Poderia muito bem ser a definição desta intrincada rede onde se cruzam os decisores, os interesses económicos, o jornalismo, os escândalos e a devassa da vida privada.
Frank Underwood (Kevin Spacey) conseguiu chegar a Vice-Presidente dos Estados Unidos da América sem um único voto. A sua experiência nos meandros da cúpula do mais poderoso país do mundo, aliada à sua total falta de escrúpulos e a um planeamento pormenorizado, garantem-lhe o sucesso. Mas esta sede de poder conta também com a ajuda preciosa da sua mulher Claire (Robin Wright), com quem forma uma dupla que ninguém deve desejar como inimiga. Mas haverá amigos neste jogo?
Nesta acção de ritmo acelerado, há um pormenor perturbante. Frank fala-nos muitas vezes directamente, explicando a sua estratégia, tornando-nos cúmplices e arrastando-nos para a história, ao seu lado. Como não temer alguém que consegue influenciar até os que estão do outro lado do ecrã?
Bem escrita, bem realizada e bem representada, “House of Cards” é de ver e chorar por mais. Venha a terceira temporada, que esta deixa água na boca...
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Fascismo nunca mais
Mas não é de estranhar. Depois de tantos anos a pregar o antifascismo, a ditadura do politicamente correcto apenas conseguiu a ignorância.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Atitude
Louis-Ferdinand Céline
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Canal cultural
A polémica sobre a privatização da RTP e a manutenção de um serviço público de televisão reacendeu-se com as recentes declarações de António Borges, que sugeriu a concessão do primeiro canal e o encerramento do segundo, que classificou como “pequeno”.
Em primeiro lugar, a definição de serviço público de televisão é provavelmente impossível. Ou, pelo menos, cada pessoa consultada sobre o assunto terá a sua ideia própria. Como está longe de ser consensual, tentemos lá chegar pelo que não é serviço público. Telenovelas, futebol, concursos televisivos e publicidade, entre outros conteúdos, não entram certamente nessa definição. No entanto, a RTP1 tem usado e abusado deles para “competir” com os canais comerciais.
Por outro lado, a RTP2 funciona como um canal cultural. Não quero aqui fazer a sua defesa tal como funciona agora, ou da sua actual programação. O que me parece relevante é a existência de um canal que assegure a transmissão de programas culturais que numa perspectiva puramente comercial não seria possível. Não me refiro apenas a programas de Ópera, Teatro ou Bailado, sem dúvida importantes, mas considerados pelos fiéis das audiências como algo que “ninguém vê”. Saliento sobretudo a produção e disponibilização de programas sobre a nossa História, a nossa Língua, ou o nosso Património, entre tantos outros que devem dar-nos a conhecer quem somos enquanto Nação e fortalecer a nossa identidade.
É pois da maior insensatez, para não dizer pior, encerrar o único canal – no sentido literal do termo –, de acesso livre, que leva a cultura a um público generalizado. Obviamente, deve caber ao Estado esse papel.
O lucro da Cultura não é imediato e esta não pode submeter-se a uma simples lógica de mercado. Pelo contrário, o preço da ignorância é elevado e arrasta-se por gerações.
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».
Em primeiro lugar, a definição de serviço público de televisão é provavelmente impossível. Ou, pelo menos, cada pessoa consultada sobre o assunto terá a sua ideia própria. Como está longe de ser consensual, tentemos lá chegar pelo que não é serviço público. Telenovelas, futebol, concursos televisivos e publicidade, entre outros conteúdos, não entram certamente nessa definição. No entanto, a RTP1 tem usado e abusado deles para “competir” com os canais comerciais.
Por outro lado, a RTP2 funciona como um canal cultural. Não quero aqui fazer a sua defesa tal como funciona agora, ou da sua actual programação. O que me parece relevante é a existência de um canal que assegure a transmissão de programas culturais que numa perspectiva puramente comercial não seria possível. Não me refiro apenas a programas de Ópera, Teatro ou Bailado, sem dúvida importantes, mas considerados pelos fiéis das audiências como algo que “ninguém vê”. Saliento sobretudo a produção e disponibilização de programas sobre a nossa História, a nossa Língua, ou o nosso Património, entre tantos outros que devem dar-nos a conhecer quem somos enquanto Nação e fortalecer a nossa identidade.
É pois da maior insensatez, para não dizer pior, encerrar o único canal – no sentido literal do termo –, de acesso livre, que leva a cultura a um público generalizado. Obviamente, deve caber ao Estado esse papel.
O lucro da Cultura não é imediato e esta não pode submeter-se a uma simples lógica de mercado. Pelo contrário, o preço da ignorância é elevado e arrasta-se por gerações.
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».
segunda-feira, 12 de julho de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Dois programas a ver
No passado fim-de-semana foram transmitidos dois programas de televisão bastante interessantes. O primeiro, acima partilhado, é o Sociedade das Nações, da SIC, com os investigadores italianos Riccardo Marchi e Marco Lisi, sobre as particularidades da política nacional.
O segundo é o Olhar o Mundo, da RTP, com os convidados Riccardo Marchi e Cesário Borga, sobre as direitas e as extremas-direitas em Espanha, na Hungria e na Áustria.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Televisão pública sem publicidade
A partir deste ano a televisão pública espanhola deixa de ter publicidade e "esta medida será colmatada nas finanças da TVe com compensações pagas pelos operadores privados com base nos seus lucros anuais". Também em França está previsto uma opção semelhante para o fim de 2011. Por cá, parece que se irá manter o que costumo chamar o modelo "feira popular". Passo a explicar: quando era miúdo e ia à Feira Popular de Lisboa, em Entrecampos, não percebia porque se tinha que pagar a entrada e as diversões. Nos parques de diversões (a sério) noutros países, ou se pagava uma entrada que incluía a utilização das diversões, ou não se pagava entrada, mas apenas o que se utilizava. Ora, a televisão pública portuguesa é financiada pela taxa audiovisual e pela publicidade, mantendo vivo o espírito da feira popular.
Como nesta terra é habitual seguir-se, mal ou bem, o que se faz lá fora, pode ser que estas alterações em Espanha e França inspirem a mudança.
sábado, 9 de maio de 2009
Agora são séries
O Miguel Vaz enviou-me uma daquelas correntes blogosféricas que eu não recebia há muito e não tinha saudades. Mas ele, como me conhece, tratou de me avisar antes e garantir que eu respondia. Esperto! Ora, desta vez são séries televisivas, mais concretamente “o top 15 das séries que deram consistência à minha vida”. Poupando-me a discursos, aqui ficam por ordem cronológica 15 séries pelas quais fui apanhado e a imagem um Eagle. Eu simplesmente adorava aquelas naves...


- Alfred Hitchcock Presents
- The Twilight Zone
- Thunderbirds
- Monty Python's Flying Circus
- All in the Family
- Space: 1999
- Conan, O Rapaz do Futuro
- Yes Minister
- Twin Peaks
- Verano Azul
- The Black Adder
- O Tal Canal
- La Piovra
- The Simpsons
- Seinfeld
Por fim, como a quem é praxado só lhe falta praxar (esta é para ti Vaz), passo esta coisa ao Harms, ao Nonas, ao BOS, ao José Carlos e ao Mário Martins.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
quarta-feira, 2 de novembro de 2005
Barra noticiosa
Este é um post sobre um tema que já foi abordado na blogosfera (infelizmente, não me recordo onde) pelos mesmos motivos e ao qual sabia, instintivamente, que havia de regressar.
Ontem, ao assistir ao Jornal da Noite da SIC, o meu olho de revisor ortográfico revirou-se mais vezes que o costume. Para além dos maus títulos habituais e das notícias demasiado longas, consegui apontar num bloco as seguintes calinadas na barra noticiosa que ia passando no fundo do ecrã: “albúm”, “Reigões do Norte e Centro”, “mulher tailândesa” e “mosquitos tropicias”. A demonstração clara do decair dos padrões de qualidade dos media em Portugal. Nada, de resto, a que o jornalismo dito de referência não nos tenha vindo a habituar. E falo não só pelo que leio, mas também do que sei através dos desabafos de amigos jornalistas que, tendo muito orgulho no seu trabalho, se envergonham com a crescente ignorância e falta de brio profissional dos seus jovens colegas, bem como com o laxismo dos superiores hierárquicos.
Voltando à barra noticiosa, deixo duas dúvidas irónicas para aligeirar a questão: será que os jornalistas dela incumbidos são escolhidos entre os estagiários mais analfabetos, ou será que, por protesto, estes erram propositadamente?
Ontem, ao assistir ao Jornal da Noite da SIC, o meu olho de revisor ortográfico revirou-se mais vezes que o costume. Para além dos maus títulos habituais e das notícias demasiado longas, consegui apontar num bloco as seguintes calinadas na barra noticiosa que ia passando no fundo do ecrã: “albúm”, “Reigões do Norte e Centro”, “mulher tailândesa” e “mosquitos tropicias”. A demonstração clara do decair dos padrões de qualidade dos media em Portugal. Nada, de resto, a que o jornalismo dito de referência não nos tenha vindo a habituar. E falo não só pelo que leio, mas também do que sei através dos desabafos de amigos jornalistas que, tendo muito orgulho no seu trabalho, se envergonham com a crescente ignorância e falta de brio profissional dos seus jovens colegas, bem como com o laxismo dos superiores hierárquicos.
Voltando à barra noticiosa, deixo duas dúvidas irónicas para aligeirar a questão: será que os jornalistas dela incumbidos são escolhidos entre os estagiários mais analfabetos, ou será que, por protesto, estes erram propositadamente?
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