Vemos altos responsáveis políticos e religiosos a oferecerem alojamento e a anunciarem fundos milionários para acolher os “refugiados”, ao mesmo tempo que várias “celebridades” do ‘jet-set’ oferecem as suas casas para os receber. Não interessam as causas, não interessa o que está em causa. Importa ficar bem na fotografia, até porque foi a exploração mediática de uma fotografia de um bebé morto que desencadeou este sentimento de culpa, que é preciso expiar aos olhos das mentes censórias e politicamente correctas. Ontem um leão, hoje uma criança. E amanhã? A ligeireza de toda esta aparente mobilização impressiona pela negativa. Não se trata de fazer o bem, mas de parecer bem.
Palavras duras? Sem dúvida. Há que não ter papas na língua e perguntar onde estava todo este apoio para os milhares de portugueses que não têm casa, que passam fome, que foram atirados para a miséria pela crise. Para nós a austeridade, para os outros a caridade. O contra-senso é evidente, mas é preferível continuar a dizer que “o rei vai nu”...
No plano internacional, a União Europeia, que de unida tem apenas o nome, mostra mais uma vez a sua fraqueza. Esta é exactamente uma questão na qual era necessária firmeza na decisão e um esforço conjunto para evitar a catástrofe que se vislumbra, mas parece que apenas assistimos a discussões bizantinas de fim de Império.
A hora é de acção e reacção. Urge parar a entrada desregrada de pessoas no espaço europeu, distinguir entre refugiados, imigrantes e terroristas e repatriá-los. É necessário reagir sem complexos de culpa e intervir directamente nos seus países de origem. É preciso coragem para garantir a nossa sobrevivência.
Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».




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