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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Delírio irresponsável


A vaga de refugiados e imigrantes que continua a chegar à Europa – a que erradamente muitos insistem em chamar “migrantes” –, assume proporções inimagináveis. Mas o mais inacreditável é a atitude de muitos que abraçam esta causa, como se de uma moda se tratasse, sem se aperceberem das graves consequências.

Vemos altos responsáveis políticos e religiosos a oferecerem alojamento e a anunciarem fundos milionários para acolher os “refugiados”, ao mesmo tempo que várias “celebridades” do ‘jet-set’ oferecem as suas casas para os receber. Não interessam as causas, não interessa o que está em causa. Importa ficar bem na fotografia, até porque foi a exploração mediática de uma fotografia de um bebé morto que desencadeou este sentimento de culpa, que é preciso expiar aos olhos das mentes censórias e politicamente correctas. Ontem um leão, hoje uma criança. E amanhã? A ligeireza de toda esta aparente mobilização impressiona pela negativa. Não se trata de fazer o bem, mas de parecer bem.

Palavras duras? Sem dúvida. Há que não ter papas na língua e perguntar onde estava todo este apoio para os milhares de portugueses que não têm casa, que passam fome, que foram atirados para a miséria pela crise. Para nós a austeridade, para os outros a caridade. O contra-senso é evidente, mas é preferível continuar a dizer que “o rei vai nu”...

No plano internacional, a União Europeia, que de unida tem apenas o nome, mostra mais uma vez a sua fraqueza. Esta é exactamente uma questão na qual era necessária firmeza na decisão e um esforço conjunto para evitar a catástrofe que se vislumbra, mas parece que apenas assistimos a discussões bizantinas de fim de Império.

A hora é de acção e reacção. Urge parar a entrada desregrada de pessoas no espaço europeu, distinguir entre refugiados, imigrantes e terroristas e repatriá-los. É necessário reagir sem complexos de culpa e intervir directamente nos seus países de origem. É preciso coragem para garantir a nossa sobrevivência.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A vulgarização da sociedade

“As Cinquenta Sombras de Grey” é a história em tom ligeiro de uma relação sadomasoquista entre um milionário e uma universitária que se tornou um ‘best-seller’ mundial. A passagem do livro ao cinema impulsionou mais ainda um fenómeno que interessa analisar.

Para o crítico de cinema Eurico de Barros, os autores “conseguiram a proeza de fazer um filme tão erótico como o presidente Robert Mugabe a tomar duche, tão excitante como ver uma parede pintada de fresco a secar, tão ‘perigoso’ como um chihuahua recém-nascido e tão ‘transgressor’ como uma velhota a atravessar uma rua um centímetro ao lado da passadeira de peões”. Razões de sobra para o evitar, mas nem a má qualidade do filme parece impedir que seja um êxito semelhante aos livros.

Paralelamente ao sucesso de bilheteira, o filme motivou uma corrida às ‘sex shops’, onde cada vez mais pessoas procuram adereços sexuais “atrevidos”.

Podemos ironizar, mas o que está em causa é mais preocupante. É uma das consequências da vulgarização da sociedade, que implica uma involução.

Como escreveu António Marques Bessa, o perigo da homogeneidade “implica uma perda nas capacidades de resposta da espécie humana no seu conjunto, apresenta também fenómenos secundários de domesticação corporal, como o aumento de gordura, diminuição de combatividade, obsessões sexuais, diminuição da selectividade sexual e outros elementos negativos para a conservação da nossa espécie. A uniformização e a vulgarização são também aspectos de uma regressão civilizacional, já que o caminho ascendente se caracteriza por uma crescente diferenciação e um maior grau de organização”.

Para além de um problema civilizacional, há uma questão íntima. As relações humanas não se resumem ao aspecto físico, muito menos a práticas ditadas por uma moda. Recordo-me do que escreveu o argentino Adolfo Bioy Casares: “a intimidade não consiste unicamente em despirmo-nos e abraçarmo-nos, como pessoas ingénuas o imaginam, mas em comentar o mundo”.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sociedade da desinformação

Os tempos em que vivemos são amiúde considerados pelos bem-pensantes como a “era da informação”. Infelizmente, esta designação pomposa está longe de corresponder à realidade.

A Internet mudou consideravelmente o panorama, como a televisão o havia feito décadas atrás, mas este acesso generalizado a uma multiplicidade de conteúdos não significou necessariamente uma elevação cultural da população. Muito pelo contrário. A vaga digital trouxe muitas vantagens de comunicação, mas agravou o imediatismo. Não é por acaso que por tantas vezes ouçamos a expressão “vi na Internet”. De facto, o verbo utilizado está correcto, dado que se “viu” mas não se “leu”. Assim, há uma falha natural na compreensão à qual acresce a dificuldade inerente à velocidade estonteante a que tudo se passa. Ao mesmo tempo, assiste-se a uma simplificação da linguagem. Não me refiro apenas à escrita abreviada, que dispensa acentuação e aceita erros ortográficos, mas a uma redução brutal do vocabulário utilizado.

Este processo de embrutecimento em curso é ainda mais chocante porque coincide com uma época onde, perante a extraordinária facilidade de acesso a tanta informação valiosa, a maioria continua a preferir – bem conduzia a tal, claro está – conteúdos em linha ou televisionados que representam o que de mais baixo há na sociedade.

Para além do prazer de surfar as ondas digitais da Internet está um oceano de conhecimento no qual é necessário mergulhar. Esta viagem às profundezas do saber constitui um crescimento interior, uma formação no sentido literal do termo.

Este é um caminho que apenas pode ser feito pela leitura de livros, pela sua selecção, pela construção de uma biblioteca pessoal que reflicta todo o trabalho estrutural de edificação interior.

Apenas pela leitura, pelo conhecimento e pela reflexão conseguiremos resistir à ditadura mediática e à imposição da mediocridade que nos torna prisioneiros da fraqueza. Sem livros nunca seremos livres.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Terroristas


Há algo de perverso nas notícias que têm enchido a Imprensa nacional sobre os jovens de nacionalidade portuguesa, ou luso-descendentes, que se converteram ao islão e se juntaram aos ‘jihadistas’ na Síria ou no Iraque. Muitas vezes, talvez inconscientemente, é-lhes atribuída uma aura de romantismo e a preocupação é a de encontrar explicações, quando não justificações. Bastavam as atrocidades cometidas pelos grupos islamitas a que pertencem, das quais tanto se gabam, para que não houvesse a menor simpatia por eles. Mas convém recordar que estes “jovens” lutam contra nós e contra o nosso modo de vida, renunciando à sua pátria e civilização. São terroristas, nada mais.

domingo, 30 de março de 2014

O caso David Reimer: uma experiência aberrante

Em 1965, um casal canadiano teve dois rapazes gémeos, Brian e David Reimer, que cedo tiveram problemas urinários. Brian ultrapassou-os sem recurso a cirurgia, mas David foi sujeito a uma circuncisão que correu mal e ficou sem pénis. Os pais, naturalmente preocupados com o filho, consultaram o psicólogo John Money, um neozelandês que desenvolvia os seus estudos em sexologia nos Estados Unidos da América e que era um defensor da teoria do género, segundo a qual o sexo é uma mera construção social, independente dos condicionalismos biológicos.

Brian e David (aliás Brenda) Reimer
Money aconselhou os pais a que fosse feita uma cirurgia de redesignação sexual a David e para o criarem como uma menina. Aos 22 meses o menino foi sujeito a uma operação de remoção dos testículos e a um tratamento hormonal e a partir daí os pais mudaram-lhe o nome para Brenda, começando a educar a criança como se de uma filha se tratasse. Durante a infância a situação aparentava ser normal e Money viu nesta experiência a prova de que a sua teoria estava certa. Aliás, porque tinha todos os elementos necessários, já que para além de um sujeito “redesignado” tinha um irmão de outro sexo, com quem partilhava os genes, podendo assim observar a evolução de diferentes comportamentos. Era tudo o que necessitava para o sucesso da sua investigação. Os irmãos foram acompanhados durante cerca de dez anos e Money foi sempre relatando o evoluir da situação como um êxito, mas o que se passou foi tudo menos natural.

David, aliás Brenda, apesar de tudo a que era sujeito, começou a sentir-se como um rapaz. Pior, ambos os irmãos queixavam-se de que as consultas com John Money eram traumáticas e de que ele os forçava a encenações sexuais, algo que o psicólogo negou.Quando Money insistiu em que fosse feita a operação de construção vaginal que estava prevista, os pais tinham já dúvidas suficientes sobre o que estava a ser feito e decidiram parar a experiência.

David Reimer
David voltou a ser o rapaz que sempre fora, necessitando para isso de novos tratamentos. Revoltado com tudo o que lhe tinha acontecido, denunciou a experiência publicamente para evitar que outras pessoas passassem pelo mesmo sofrimento. Mas era tarde demais, porque o exemplo do “sucesso” de Money havia inspirado vários redesignamentos em diversos países. Os dois irmãos teriam um fim trágico. Brian tornou-se esquizofrénico e acabou por suicidar-se. David, que chegou a casar, acabou também por suicidar-se depois de uma vida marcada pelas depressões, pelo álcool e pelas dívidas.

John Money
O caso foi obviamente bastante polémico e muito noticiado na Imprensa e na televisão. Perante esta experiência aberrante e aterradora, de consequências devastadoras, seria de esperar que John Money e as suas teorias fossem esquecidas, ou melhor, recordadas como um exemplo do que não se deve fazer. Mas, pelo contrário, Money continuou a ser considerado por muitos como um “especialista” e as suas obras a serem citadas como trabalhos de referência. Para cúmulo, existe, desde 2002, um programa de atribuição de bolsas de investigação em sexologia do Instituto Kinsey para o Sexo, Género e Reprodução, nos Estados Unidos da América, com o nome John Money!

sábado, 29 de março de 2014

A delirante teoria do género: uma ideologia contra os sexos

Se alguém disser que um homem não nasce necessariamente homem, nem uma mulher nasce necessariamente uma mulher, antes se tornam homem ou mulher, diríamos no mínimo que se trata de uma afirmação disparatada. Acontece que há quem defenda que o sexo de cada um não depende da biologia, mas de uma construção social. Ou seja, a identidade sexual não depende em nada da anatomia, da biologia nem da anatomia. Pois bem, esta teoria delirante está a tornar-se uma ideologia que se espalha rapidamente por vários países, sendo imposta em nome da igualdade.


A teoria do género deriva do feminismo igualitário e surgir na década de 60 do século passado, começando a entrar no debate público a partir de 2000. Considerando a identidade sexual, o género, não depende da biologia e que os comportamentos diferenciados entre homens e mulheres são o resultado de estereótipos. Assim, para promover a igualdade de género, há que destruir esses estereótipos. Tenhamos em conta que não se trata apenas de combater a discriminação sexual, mas de algo bastante mais perigoso, que corre o risco de se tornar um verdadeiro discurso oficial e ser ensinado aos nossos filhos na escola.

Contra a ideologia do género

Em 2012, a revista francesa “Éléments” dedicou uma edição alargada à teorias do género, que partem do princípio que a identidade sexual é o resultado de uma construção social. Assim, as mulheres não seriam oprimidas se não existisse o conceito de “mulher”. Para os partidários desta corrente de pensamento, é então necessário destruir as categorias de “homem” e “mulher”, que não existem, para libertar a humanidade. Por mais que nos possa parecer estranho, estas são posições que ganham cada vez mais adeptos e influência. Para as contrapor, este ‘dossier’ oferece vários artigos com argumentos inteligentes e fundamentados, onde se destacam os de Alain de Benoist, que recorre à biologia, à neurobiologia e à psicologia evolutiva para responder à pergunta “o ser humano é ‘neutro’ em matéria de sexo?”, e sobre o novo feminismo moralizador e repressivo. Benoist tornar-se-ia um opositor feroz da teoria de género, analisando-a em todas as suas vertentes, nomeadamente quanto à sua origem e às suas consequências, para a denunciar. Recentemente publicou o livro “Les Démons du bien” (Os Demónios do Bem) que versa sobre estas questões.

O “homem novo”
Um dos campos onde a ideologia do género começa a ser imposta é nas escolas. Há planos para o efeito em vários países europeus, incluindo Portugal. Mas este é apenas um aspecto. Durante a polémica sobre a introdução da teoria do género no ensino em França, é de notar que o ministro socialista, responsável por essa pasta, afirmou que “o objectivo da educação é arrancar do aluno todos os determinismos, familiar, étnico, social , intelectual...” Assim se vê que o sonho de fabricar o “homem novo” se mantém vivo. Apenas se apresenta sob outras formas.

A guerra das palavras
Na imposição de qualquer ideologia a guerra das palavras é essencial. É, aliás, um primeiro passo que a maioria não nota, ou não dá importância, que acaba por levar à aceitação gradual das novas ideias. Assim acontece também com a ideologia de género. Vejamos alguns exemplos em vários países europeus, incluindo o nosso. No ano passado, aquando do nascimento do bebé real britânico, filho do Príncipe William de Kate Middleton, vários defensores da teoria de género insurgiram-se contra o anúncio público feito pela Casa Real de que “era um rapaz”. Para eles, “não se devia impor desde já uma identidade sexual à criança” e o que devia ser feito era “deixá-lo escolher”. Isto tudo por “uma questão de respeito”. Inacreditável, mas verdadeiro! Já em Itália, outra das manifestações da ideologia do género, nomeadamente a ideia de que não se deve discriminar os membros do casal. Por isso, houve a substituição da designação “pai” e “mãe” por “progenitor 1” e “progenitor 2” em impressos oficiais. Também em Portugal, houve uma recomendação para que se preferisse a expressão “género” em vez de “sexo”.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O ataque dos mortos-vivos


Há algum tempo que vejo notícias sobre a crescente preocupação, nomeadamente nos EUA (where else?), com um possível ataque de zombies. É claro que a temática dos mortos-vivos, ainda para mais para um apreciador do trabalho do realizador de cinema George A. Romero como eu, me captou a atenção e o assunto divertiu-me.

Mas atenção, o fenómeno ultrapassou os limites da mera brincadeira. Multiplicam-se as páginas na internet com as "melhores formas de se defender de um ataque de zombies", acesas discussões sobre o assunto, nas quais muitos crêem e garantem que que vai acontecer. Apesar de continuar a ser um divertimento para certas pessoas, no meio deste delírio há quem sustente a teoria, supostamente "séria e fundamentada", de que uma nova droga faz com que os seus consumidores fiquem com um aspecto e com comportamentos de um morto-vivo. Enfim, diz o povo que "há malucos para tudo"...

Acontece que há quem altere a sua casa, ou construa abrigos, como precaução em caso de este ataque se verificar e quem compre armas específicas para melhor se defender deste perigo imaginário. O cúmulo foi o lançamento de uma linha de munições chamada Zombie Max, por uma conhecida marca, para responder a esta procura crescente.

A verdade é que quem está tão preocupado com um ataque de zombies são aqueles cuja vida se resume a um total alheamento da realidade, dominado por videojogos, televisão, mundos virtuais e, especialmente, muita ignorância. Os verdadeiros mortos-vivos, portanto.

sábado, 23 de novembro de 2013

O fermento das minorias

«A desigualdade individual origina no plano social uma divisão entre fortes e fracos, já constatada por Duguit. Os fortes capturam os poderes sociais (político, ideológico, económico) e governam a maioria da população. É o fenómeno das elites dirigentes e dominantes, da hierarquia, que tão bem evidencia a análise da sociedade animal. A reflexão mais desapaixonada sobre esta matéria foi efectuada pela escola sociológica italiana, com Vilfredo Pareto, Gaetano Mosca e Roberto Michels. Estes autores provaram a perenidade da minoria, a minoria poderosa, que impõe a sua vontade sobre a maioria dando-lhe a impressão de ser ela a decidir e a governar.

Analisando a sociedade e o homem tal como eles são, estes autores anteciparam-se de quase meio século às realidades científicas do nosso tempo. Identificaram correctamente os detentores do poder real e formularam as leis segundo as quais decorre a disputa da força. Identificaram igualmente as justificações mais ou menos elaboradas que a minoria criou para o seu poderio e chamaram-lhe fórmula política. Dizer que o poder lhe vem de Deus, ou do Povo, ou que é do autocrata a título de conquista, são tudo razões óptimas desde que operem e cumpram a sua função justificativa. Acontece que hoje as fórmulas políticas são as ideologias e nelas não há, como se viu, o menor grão de credibilidade. Está por nascer a fórmula política do nosso tempo, que reduza democracia e socialismo, social-democracia e marxismo, a meros trastes velhos da história da pulhice do homo sapiens.

Os autores que situam correctamente estes problemas numa análise neomaquiavelista são poucos. Todos ainda preferem as visões românticas e penetradas pela ideologia, justificativas em última análise do poder da minoria actuante ou da minoria que aspira ao poder. Contudo, com o desaparecimento desses grandes vultos do pensamento político, não é menos certo que ficaram certos autores que importa conhecer e que reflectem, na Teoria Política, a revolução intelectual a que se assiste noutros campos do saber. Carl Schmitt, o velho professor alemão, James Burnham, Wright Mills e Julien Freund, chegam para assegurar um exercício impecável em matéria de realismo político e transparência de concepção.

As minorias, portanto, longe de se confundirem com a multidão, são pela sua organização e coerência o único fermento social de mudança e poder. Só caem para ceder o lugar a outras, de modo que a História não passa de um velho e enorme cemitério de oligarquias. A lei de ferro da oligarquia, formulada por Michels, apenas se faz eco desta constatação empírica, tão desagradável aos doentes do igualitarismo acéfalo, fervorosos crentes no álibi da tábua rasa.»

António Marques Bessa
in "Ensaio sobre o Fim da Nossa Idade", Edições do Templo (1978).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sociedade submissa


«A alienação face a um pensamento correcto implica necessariamente a submissão a uma atitude correcta, que na sociedade de consumo compreende a boa vontade face às instituições, o optimismo democrático, a ambição de ser semelhante aos colegas e de aspirar a ser o favorito do chefe, a satisfação de ser um bom cliente e um bom cidadão, empenhado em conseguir dinheiro para comprar cada vez mais coisas que nos são inúteis. Tudo isto a título individual mas cedendo cada vez mais as nossas responsabilidades (políticas, sociais, económicas, ecológicas, familiares, municipais…) a um Estado-Sistema que sofre um acelerado processo de privatização multinacional. A consciência industrial é completada com uma educação industrial que encaminha os seus esforços para fazer de nós uns consumidores teleguiados. A administração e os tecnocratas, menos hipócritas que os académicos, falam de nós como “sujeitos” ( no sentido de “sujeitar”, “reprimir”, “dominar”) e classificam-nos como “recursos humanos”, esta é uma sociedade onde não existem virtudes mas antes normas.»

Maurice Bardèche
in "Sparte et les Sudistes" (1969).

sábado, 25 de maio de 2013

Adopção 'gay'. E a seguir?

Há mais de um ano atrás, escrevi sobre o casamento homossexual e de como este era apenas um passo para a adopção gay. Falei da união das esquerdas nesta “causa” e no silêncio das direitas e concluí: «Seguimos, assim, o caminho do “progresso social”, como querem alguns. Mas até onde e a que custos? Parece que depois de querer fazer o “homem novo”, as esquerdas querem hoje fazer a “família nova”. Os resultados só podem ser igualmente maus.» 

O que está em aqui causa não é uma questão de homofobia. Não nos iludamos, nem nos deixemos iludir. Está em curso um ataque a instituições basilares da nossa sociedade. Há-que denunciá-lo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Consumidores


O primeiro hipermercado em Portugal foi o Jumbo que se localizava na Estrada de Catete, perto de Luanda. A fotografia é de 1973 e podemos pensar que as pessoas que na altura faziam as suas compras estavam longe de imaginar a mudança profunda que em breve se daria. O mesmo podemos pensar hoje. Será que quem se passeia agora nos templos do consumo tem a noção do que se avizinha?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Economia doméstica

Ainda sem sofrer com as medidas de austeridade, cortes de vencimentos, aumentos vários e consequente perda de poder de compra, os portugueses começaram já a alterar os seus hábitos. O consumo sofreu a maior quebra desde finais dos anos setenta do século passado e esse movimento terá tendência a agravar-se.

A facilidade de crédito levou ao endividamento generalizado. A publicidade agressiva levou a que, como naquela anedota dos cursos de ‘marketing’, “esquimós comprassem frigoríficos”. A sociedade de consumo instalou-se e as pessoas aderiram de uma forma desenfreada. A afirmação pessoal através da posse de bens materiais tornou-se a regra. Pior, toda a gente se achou no direito de “ter”, apenas por “ter”.

Pelo nosso país fora vimos nascer centros comerciais como cogumelos, um pouco por toda a parte, ao mesmo tempo que qualquer vilória passou a ter um ou mais supermercados. Perderam-se postos de trabalho e alteraram-se drasticamente as economias locais, que ficaram reféns das redes de distribuição, na mão de intermediários.

O fim do Reino da Abundância levará, inevitavelmente, à morte do ‘homo consumans’. Como reza o velho ditado, “quem não tem dinheiro, não tem vícios”. E pode ser que a crise obrigue a repensar o modo de vida que temos hoje. A antiga lição da economia doméstica pode, e deve, ser um princípio a seguir. Nomeadamente na definição das prioridades das famílias, que ultimamente se habituaram a descurar o essencial em prol do acessório.

Viver mais com menos – uma lição de outras gerações à qual devemos voltar.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Até onde irá o disparate?

Ontem falei aqui de "destruição dos padrões fundamentais da nossa sociedade" e depois li a notícia que dá conta que "em Portugal deverá ser possível um homem tornar-se mulher mantendo o pénis". Mais um "avanço civilizacional" rumo ao precipício...

É caso para perguntar até onde irá o disparate? Até onde nós deixarmos.

O problema é que temos deixado tudo. Desde o "nim" cavaquista a, por exemplo, um pormenor que a notícia refere, quando contabiliza o apoio da esquerda: "Na verdade, [a lei] só não passará se os comunistas alinharem com o CDS e o PSD, o que fontes internas consideram altamente improvável, mesmo reconhecendo que o partido resiste com dificuldade a legislação demasiado avant-garde."