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quinta-feira, 24 de abril de 2014

O império esquecido


Portugal está na moda, basta ver o número crescente de turistas que visitam o nosso país. Não é por isso de estranhar que cada vez mais publicações estrangeiras se dediquem a temas lusitanos. Desta vez foi a revista francesa “L’Histoire” que consagrou um dos seus números especiais a “Portugal – o império esquecido”.

A propósito dos 40 anos do 25 de Abril de 1974, uma das principais revistas de divulgação histórica em França fez uma viagem pela História de Portugal.

Depois de uma cronologia da nossa História e um mapa do Império português, podemos ler artigos sobre a Batalha de Ourique e o nascimento do reino, uma entrevista com Sanjay Subrahmanyam sobre os Descobrimentos, e também um sobre Pedro Álvares Cabral e a descoberta do Brasil, entre outros. No capítulo seguinte, destaque para os artigos sobre o triste destino de D. Sebastião, Lisboa, rainha do mar, o terramoto de 1755, a entrada de Junot em Lisboa, Rio de Janeiro, capital de Portugal, o ‘ultimatum’ e o fim do grande sonho africano, o Portugal eterno de Salazar e ainda um texto sobre Fernando Pessoa e os seus heterónimos. Por fim, um artigo sobre o 25 de Abril e a democracia, o fim do Império e um sobre a descoberta da Europa, assinado por Ana Navarro Pedro, correspondente da revista “Visão” em Paris. De assinalar ainda um léxico de termos portugueses e três páginas de sugestões culturais.

Uma edição com uma inclinação ideológica para a esquerda que não traz muito de novo para os leitores portugueses, para além da satisfação de vermos a nossa importância histórica reconhecida no estrangeiro. Por outro lado, é aqui recordado um Império que, afinal, não está esquecido...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Drieu La Rochelle inédito

Há escritores cujo talento inegável não os deixa morrer. Mesmo com muitos entraves e tentativas de “esquecimento”, Pierre Drieu La Rochelle continua presente no panorama literário francês. É bom lê-lo, é melhor regressar à sua obra, mas redescobri-lo em cinquenta páginas de textos inéditos é uma experiência privilegiada, que este mês nos chega através de uma revista de referência.


A «Revue des Deux Mondes» [Revista dos Dois Mundos] é uma revista mensal literária e de cultura com uma longevidade impressionante, sendo uma das publicações periódicas mais antigas de França. Foi fundada em 1829, por François Buloz, com o objectivo de estabelecer uma relação entre a França e os outros países europeus, mas em especial com o Estados Unidos da América, ou seja, entre o Velho Mundo e o Novo Mundo. Tendo passado naturalmente por várias alterações, continua a ocupar um lugar cimeiro entre as revistas culturais francesas de referência. Felizmente, esta é uma publicação que é possível encontrar à venda em Portugal, poupando-nos os excessivos portes de envio.

O forte da edição de Março são os textos inéditos de Pierre Drieu la Rochelle, escritor francês que foi por muitos condenado à lista dos “malditos”, pelas suas ideias políticas. No entanto, o seu extraordinário talento conseguiu derrubar muitas barreiras e ultrapassar a intolerância dos que se consideram donos da verdade. Talvez por isso é que só há dois anos a sua obra foi publicada na prestigiada biblioteca da Pléiade. Dúvidas restassem, o editorial deste número reconhece-o como “uma personagem lendária da literatura do século XX”. Mais, considera-o “um sismógrafo do seu tempo”, essencial, por isso, para melhor compreendermos o grande sismo europeu que foi a Primeira Guerra Mundial. Assim, os inéditos escolhidos têm como foco a guerra de 1914-1918 e abarcam vários registos, desde as notas pessoais ou o esboço para uma ficção, à poesia e à troca epistolar com os seus amigos Jean e André Boyer e uma carta a Jean Paulhan. Mas o destaque vai para o texto “A minha concepção metafísica da guerra”, onde Drieu concebe a guerra como um movimento, um choque de movimentos contrários” e “a paz perpétua como função da senilidade humana”.

Ainda nesta edição, podemos ler a grande entrevista com o Patriarca Bechara Boutros Raï sobre a noite que cai sobre os cristãos do Oriente, para além de outros artigos e das habituais críticas de cinema, música e discos, bem como as notas de leitura de vários livros recém-publicados.

terça-feira, 4 de março de 2014

O renascimento do Ocidente


«Le Figaro Histoire» tem vindo a afirmar-se como uma das revistas francesas de divulgação histórica à qual não se pode ficar indiferente. O mais recente número tem como tema central Carlos Magno, o Imperador que se fez coroar pelo Papa, mas que não se contentou em restaurar o Império Romano do Ocidente, lançando as fundações da Europa. A propósito do centenário da Primeira Guerra Mundial, um interessante artigo dá conta das obras publicadas e das exposições realizadas sobre o tema, com especial ênfase nas recordações familiares guardadas pelos franceses sobre esse período. Na secção “O Espírito dos lugares”, destaque para dois artigos. O primeiro dedicado a Basílica de Santa Sofia, em Istambul, um templo entre a cruz e o crescente; o segundo sobre a nova exposição das maravilhosas tapeçarias medievais conhecidas como “A Dama e o Unicórnio” no Museu de Cluny, em Paris, numa nova sala com uma concepção diferente da anterior.

segunda-feira, 3 de março de 2014

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 70


Há muito que «La Nouvelle Revue d’Histoire» é uma das revistas de referência no panorama francês das publicações de divulgação histórica e a direcção de Philippe Conrad, que substituiu Dominique Venner após o suicídio ritual deste na Catedral de Notre-Dame, em Paris, em nada alterou a sua qualidade. Neste número, o dossier é dedicado ao “paiol dos Balcãs”, uma região europeia marcada pela guerra e pela oposição ao Islão. Um tema que, para além de ser de grande interesse histórico, não deixa de ser bastante actual. Destaque para a entrevista com o General Bach, a propósito do centenário da Primeira Guerra Mundial, para os artigos sobre a aventura francesa no Saara e sobre o mandato que a França exerceu na Síria de 1020 a 1945. De referir, ainda, os artigos sobre Nostradamus, o astrólogo e profeta que foi também “um médico das almas” e sobre a chegada de Valéry Giscard d’Estaing à presidência da República, há 40 anos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Réfléchir & Agir n.º 45


Mais um número da autodenominada “revista autónoma de desintoxicação ideológica”, relativo ao Outono de 2013, que tem como tema central “Sairemos da abjecção?”, num ‘dossier’ que inclui artigos sobre a Europa acéfala, a arte contemporânea, o casamento ‘gay’, a teoria de género, entre outros, e uma entrevista com Pierre-Yves Rougeyron. Destaque ainda para a entrevista com Robert Ménard e para os artigos sobre Alexis Carrel, a revista “Europe Action”, os Wandervogel e a homenagem de Camille Galic a Dominique Venner, para além das habituais notas de leitura e das secções de cinema e música.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

40 anos de “Éléments”


Em Setembro de 1973, Alain de Benoist, Michel Marmin e Jean-Claude Valla lançavam o primeiro número da “Éléments”, revista que seria a voz do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), fundado por Alain de Benoist em 1964, e uma lufada de ar fresco num período dominado pela esquerda.

É um caso de longevidade impressionante para uma revista de ideias. Centena e meia de edições com “elementos para a civilização europeia”, num combate metapolítico, fazendo aquilo a que o GRECE chamou o “gramscianismo de direita”.

Na década de 70 do século passado, a corrente que ficou conhecida como “Nova Direita”, liderada por Alain de Benoist, tornou-se num importante contraponto à ditadura cultural de esquerda que tudo dominava. Era um movimento jovem, intelectual, inovador na estratégia e nos temas abordados, que conseguiu estremecer o ‘statu quo’ de então.

A influência do GRECE não se restringiu a França e rapidamente se alastrou a vários países europeus, incluindo Portugal. Apesar de Benoist afirmar, em entrevista a «O Diabo» em 2010, que “a Nova Direita nunca foi para ser uma internacional”, reconheceu que “houve manifestações noutros países” e que por isso “foi uma rede: política, cultural e nacional”. De facto, o livro de Alain de Benoist “Vu de droite. Anthologie critique des idées contemporaines”, publicado pela Copernic em 1977 e que ganhou o Grande Prémio do Ensaio da Academia francesa no ano seguinte, foi publicado no nosso país com o título “Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas" pelas Edições Afrodite” em 1981, com prefácio de José Miguel Júdice. Também a excelente revista de combate cultural “Futuro Presente”, onde encontramos nomes como Jaime Nogueira Pinto, António Marques Bessa, Nuno Rogeiro, Vítor Luís Rodrigues, Miguel Freitas da Costa, entre tantos outros.

Neste número especial de aniversário, com 96 páginas, o destaque vai naturalmente para o ‘dossier’ que revela os arquivos da revista, com vários textos escolhidos, incluindo a participação de figuras de relevo como: Eric Rohmer, Raoul Girardet, Mircea Eliade, Jean Cau, Peter Handke, Alexandre Zinoviev, Jean Anouilh, Henri Vincenot, Claude Imbert, Jean-Marie Domenach, ou Jean Raspail. Mas não há apenas um exercício de memória, pois no ‘dossier’ intitulado “Combate das ideias” encontramos vários artigos que reflectem sobre a actualidade, abordando os mais diversos temas.

Quarenta anos depois, esta continua uma revista aberta a todos os que reflectem sobre um renascimento da civilização europeia na era da mundialização.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 68

O mais recente número da excelente «La Nouvelle Revue d'Histoire», dirigida por Philippe Conrad, tem como tema central o Midi dos trovadores e dos cátaros e oferece um óptimo dossier onde podemos ler artigos  sobre "O condado de Toulouse", de Sophie Cassar, sobre "A civilização do Midi languedociano no século XII" e "De Frédéric Mistral a Larzac", de Rémi Soulié, "A implantação da heresia no Languedoc" e "O cerco de Montségur", de Bernard Fontaine, "1213 : Muret, a batalha decisiva", de Martin Aurell "A Inquisição, mito e realidade", de Pierre de Meuse, "Simon de Montfort, de François Fresnay, e "A heresia cátara revisitada" e "O Midi languedociano, das origens ao século XX", de Philippe Conrad.

Para além do dossier, destaque para a entrevista com o general Maurice Faivre, "Das informações à História", e os artigos "O Csar Alexandre II ou a reforma impossível", de Emma Demeester, "A ressureição dos etruscos", de Michel Lentigny, e "Verdi e o Risorgimento", de Michel Ostenc, bem como as secções habituais.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A História continua

Depois do suicídio de Dominique Venner em frente ao altar da Catedral de Notre-Dame, em Paris, no passado dia 21 de Maio, os leitores de “La Nouvelle Revue d’Histoire”, publicação de referência na divulgação histórica por ele fundada e dirigida, questionaram-se sobre a sua continuidade. Como se previa, o seu sucessor foi o historiador Philippe Conrad.


Dominique Venner
“La Nouvelle Revue d’Histoire” foi fundada em Julho de 2002 por Dominique Venner e um grupo de historiadores franceses com o objectivo de ir além das interpretações parciais da História, contrariando a tendência de analisar o nosso passado numa perspectiva maniqueísta de “bons” e maus”. Sucessora de “Enquête sur l'Histoire”, também dirigida por Venner e que foi publicada de 1991 a 1999, a revista cedo se tornou uma referência no seio das publicações periódicas sobre História em França, mas também no estrangeiro. Em Portugal é possível adquiri-la em vários locais pelo preço de 7,90 euros.
Philippe Conrad
No último número dirigido por Dominique Venner, o 66, surgiu a resposta indirecta a uma questão que os leitores de “La Nouvelle Revue d’Histoire” devem ter feito: a da continuação da revista. No ‘post scriptum’ do seu editorial do número anterior, Venner afirmou que para aquela edição e para as seguintes ia contar ainda mais com o apoio do seu amigo e um dos fundadores da revista, o reputado historiador Philippe Conrad. Era um anúncio de quem seria o novo director. Neste momento, estão disponíveis nas bancas portuguesas duas edições da revista: um número especial, ainda sob a direcção de Venner, e o n.º 67, dirigido por Conrad.

Napoleão. O fim do império
O sexto número especial de “La Nouvelle Revue d’Histoire” tem como tema “Napoleão. Leipzig 1813”, analisando o fim do seu império europeu. No editorial, Venner afirma que o ‘dossier’ desta edição é realizado sob a direcção de Philippe Conrad e analisa com precisão o que foram para Napoleão as causas e as consequências da derrota de Leipzig. Este número está dividido em duas partes, sendo a primeira “A potência em questão” e a segunda “Leipzig 1813, a batalha das nações”. Na primeira, dedicada às guerra antes de Leipzig, podemos ler os artigos “A Inglaterra contra a França”, de Nicolas Vimar, “Tudo começou em Espanha”, de Jean-Joel Brégeon, “As consequências do desastre russo”, de Clément Mesdon, “O jogo duplo de Metternich”, de Martin Benoist, a entrevista com P. Willy Brandt sobre a entrada em cena da Prússia, entre outros. A segunda parte abre com uma cronologia de 1813 feita por Philippe Conrad, que também assina o artigo sobre o reformador prussiano Clausewitz e inclui vários artigos sobre essa batalha decisiva, bem como um sobre o despertar do romantismo alemão, de Alain de Benoist, e outra sobre 1813 na memória alemã, de Thierry Buron.

Roma, cidade eterna
O n.º 67 de “La Nouvelle Revue d’Histoire” tem Roma como tema central, com um excelente ‘dossier’ que inclui artigos desde a fundação da cidade até ao tempo de Mussolini, onde se destacam os artigos Como o Império se tornou cristão”, de Dominique Venner, “O papado romano na Idade Média”, de Bernard Fontaine, “A Roma de Mussolini”, de Michel Ostenc, e “De Roma à Cinecitta”, de Philippe d’Hugues. Sendo o primeiro número publicado depois do suicídio do seu fundador, há quatro página com homenagens a Dominique Venner de várias figuras da cultura francesa e europeia. Destaque também para a entrevista com Anne Cheng sobre a “China de hoje e de ontem”, o texto “Da esquerda ao capitalismo absoluto”, de Dominique Venner, e o artigo sobre Henri Béraud, de Francis Bergeron. Conrad revela-se, como se esperava, um excelente sucessor de Venner na direcção da revista, que mantém toda a qualidade e interesse.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Plátano n.º 6

É sempre de saudar a existência de revistas culturais locais, especialmente quando divulgam partes do chamado Interior, aquele Porugal sempre tão esquecido. O n.º 6 da “Plátano - Revista de Arte e Cultura de Portalegre”, dirigida pelo nosso Amigo Mário Casa Nova Martins, referente à Primavera deste ano, destaca em capa os “77 anos de histórias do Café Alentejano” e o músico portalegrense Augusto Vintém. No entanto, nas suas 64 páginas, merecem igualmente referência os artigos “Portalegre entre a História e a lenda”, de Mário Casa Nova Martins, e “A origem geográfica dos compradores de cortiças no concelho de Portalegre (1846-1914)”, de Carlos Faísca, nos temas locais, e “Breve reflexão sobre o Príncipe: o passado e o presente”, de Fernando Figueiredo Martinho, e “Representação de Portugal na Literatura portuguesa”, de Martim de Gouveia e Sousa, entre muitos outros. Uma revista a saudar e apoiar.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma edição marcante

Publicação de referência, “La Nouvelle Revue d’Histoire” pode estar em risco após o suicídio do seu director, Dominique Venner, na Catedral de Notre-Dame, em Paris, num acto simbólico para, segundo as últimas palavras do próprio, “despertar consciências adormecidas” perante a catástrofe que se abate sobre a Europa.


No editorial intitulado “A revolta das mães”, Dominique Venner reflecte sobre a aprovação do casamento homossexual em França e a sua contestação, afirmando que “o projecto do casamento ‘gay’ foi sentido como um atentado insuportável a um dos últimos fundamentos da nossa civilização”. Para ele, a indignação que se gerou é um sinal de que se transgrediu “uma parte sagrada do que constitui uma nação”, concluindo que “é perigoso provocar a revolta das mães!”

Em mais um excelente número, o tema central são as “Derrotas Gloriosas”, que vão do sacrifício dos espartanos a Dien Bien Phu, passando por Waterloo ou pelo Alamo. De referir as entrevistas “De Bonaparte a Napoleão” com Thierry Lentz, director da Fundação Napoleão, e com Aurnaud Leclercq, sobre a geopolítica da Rússia. Destaque ainda para os artigos “Arqueologia das crenças guerreiras”, de Bernard Fontaine, “O sueco Sven Hedin, um maldito no Tibete”, de Jean Mabire, e “Que língua para a Europa?”, de Javier Portella.

Por fim, uma questão que todos os leitores de “La Nouvelle Revue d’Histoire” devem ter feito: será que a sua publicação vai continuar? Esperemos que sim. No ‘post scriptum’ do seu editorial do número anterior, Dominique Venner afirmou que para aquela edição e para as seguintes ia contar ainda mais com o apoio do seu amigo e um dos fundadores da revista, o reputado historiador Philippe Conrad. Será seguramente um óptimo sucessor na direcção. Aguardemos.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ler Venner


É sempre revoltante a falta de respeito que caracteriza aqueles que, baseados numa notícia tendenciosa e telegráfica sobre a morte de Dominique Venner, opinam de papo cheio, do alto da sua ignorância. Nota-se à légua que nem uma linha leram da extensa obra deste historiador. Mais, nem o nome dele sabem pronunciar... Leiam. E depois falem.

Abaixo reproduzo o post escrevi há uns anos, intitulado "Que ler? Venner!":


O Miguel Vaz releu "O Século de 1914", uma obra imprescindível de Dominique Venner, publicada em Portugal no ano passado pela Civilização, com tradução de Miguel Freitas da Costa. Este é realmente um livro para ler e reler, e para depois a ele continuar a recorrer. Por isso o Miguel diz que se tornou "de cabeceira". Eu li-o pela primeira vez no original, em francês, e reli-o em português. É, de facto, um livro inspirador, que cito amiúde. Uma síntese formidável para melhor compreender o século XX e perceber a actual situação da Europa.


Da ampla bibliografia de Venner, há outro livro que, na minha opinião, é ainda mais importante: "Histoire et tradition des Européens. 30 000 ans d'identité". Esperemos que um dia seja também traduzida para a nossa língua. Este regresso às origens, às referências europeias maiores, é um apelo ao renascimento de uma identidade multimilenar.


Referência ainda para outro livro excelente, "Le Coeur Rebelle", onde Venner faz uma reflexão autobiográfica profunda, falando do activismo político, da guerra, da prisão e da forma como mudou ao longo da vida sem no entanto se arrepender do passado.


Por fim, não me canso de recomendar aqui a óptima e obrigatória "La Nouvelle Revue d'Histoire", dirigida por Dominique Venner, que se vende nas bancas portuguesas.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O fim da soberania


Mesmo com algum atraso, vale a pena referir este número da “Éléments” dada a actualidade do seu tema central: “O fim da soberania”, provocado por um golpe de Estado chamado “Pacto Orçamental Europeu”.

Mesmo não se concordando na totalidade com as posições desta revista, qualquer pessoa inteligente e intelectualmente honesta reconhecer que se trata de uma publicação thought provoking, que se debruça sobre temas actuais da maior importância com reflexões de fundo e não alinhadas com o carneirismo reinante.

No editorial, onde Alain de Benoist assina com o pseudónimo Robert de Herte, afirma-se que “o fim do mundo já aconteceu” e deu lugar a “um mundo líquido”. Dando o mote para o tema central, Herte afirma que “assistimos à entrada em cena da ‘governança’, uma espécie de cesarismo financeiro que governa os povos descartando-os”. Num excelente ‘dossier’ dedicado ao fim da soberania, essencial para perceber a actual crise e todas as suas consequências, podemos ler os artigos “Crise financeira: onde estamos?” e “O mito dos mercados eficientes”, de Alain de Benoist, e “Pequena genealogia do Pacto Orçamental Europeu”, de Félix Mores.

A merecer destaque, também, há a entrevista com o professor catalão Jean Soler, a propósito do escândalo provocado pela sua última obra, “Quem é Deus?”. Acima de toda a polémica, ele afirma que é preciso “manter vivo o modelo da Grécia antiga”. A seguir, um “Manifesto por um romance ‘noir’ total” defendido por Pierric Guittaut, Thierry Marignac e Olivier François. Dizem estes autores que querem “policiais que falem do Islão e do desemprego programado, dos identitários e dos construtores de mesquitas, de desindustrialização e da traição das elites”. A propósito de “Django Unchained”, de Quentin Tarantino, Nicholas Gautier regressa ao filme de Sergio Corbucci que o inspirou, num interessante e provocador artigo chamado “O western zapatista”, onde questiona se este é de esquerda ou de direita. E responde: “Os dois, pelo contrário...” Também sobre este “Django” original, Michel Marmin dedica um artigo à história de um western que é “mais europeu que americano”. Lugar ainda para a Banda Desenhada, com um artigo sobre Raymond Macherot, para o desporto, com um artigo contra os “milionários” do rugby, para a ciência, com um artigo sobre Física Quântica, ou o ensaio “Media por todo o lado, informação em lado nenhum”, de Ludovic Maubreuil. Mais uma óptima edição, a não perder!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Finis Mundi no Kindle


Para além da edição impressa, o mais recente número da revista "Finis Mundi", dirigida pelo Flávio Gonçalves, está também disponível para o Kindle, por uns módicos US$3.69 (o que não chega a €3). Destaque para a publicação das actas do "Encontro Pessoa/Cioran", que decorreu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no dia 30 de Novembro de 2011. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Desintoxicação ideológica

“Revista autónoma de desintoxicação ideológica”, é como se define esta excepcional publicação francesa, que desde que há uns anos começou a ter uma distribuição pública nas bancas teve como consequências directas uma subida significativa da tiragem e um aumento substancial de leitores. É sem dúvida um exemplo, o caso desta publicação que se tornou uma referência obrigatória, pela sua elevada qualidade e espírito interventivo e irreverente, iniciada há anos por um grupo de jovens motivado e dedicado.



A capa provocatória desta edição de Outono anuncia um óptimo ‘dossier’ sobre o tema dos ‘mass media’, canais que, como escreve Eugène Krampon na apresentação, “apesar das diferenças aparentes, difundem todos a mesma mensagem politicamente correcta”. Dos vários artigos há a destacar “Os ‘media’ como primeiro poder”, de Georges Feltin-Tracol, “A imprensa é mais livre nos EUA que na Europa?”, de Tomislav Sunic, “Oito meses de escola de jornalismo em Paris”, de Cyril Vachers, e as entrevistas com Camille Galic, jornalista que foi durante muitos anos a directora do “Rivarol”, e com Jean-Yves Le Gallou, presidente da Fundação Polémia, que afirma que “os ‘media’ do sistema apresentam todos o mesmo ponto de vista”.

O outro grande destaque nesta edição é para entrevista com o escritor anti-conformista e dissidente político russo Edouard Limonov, fundador e líder do Partido Nacional-Bolchevique, banido em 2007.
De referir, também, os artigos “Mundos virtuais”, de Thomas de Pieri e Benoît Leduc, sobre os videojogos, “Os guardas negros do Fuhrer”, de Christian Bouchet, sobre as relações entre os africanos e a Alemanha nacional-socialista, “A estratégia da anaconda”, de Edouard Rix, sobre geopolítica, “Jules Monerot ou a fome do Sagrado”, de Eric Norholm, e o de Flavien Blanchon sobre o modelo grego de cidadania.

Na parte cultural podemos ler os artigos sobre o realizador de cinema italiano Valério Zurlini e sobre o pintor francês Henri Matisse, de Pierre Gillieth.

Por fim, para além da secção “Um livro é um fuzil” sobre a obra de Hervé Ryssen “Compreender o judaísmo. Compreender o anti-semitismo”, temos onze páginas de notas de leitura sobre diversos livros publicados recentemente.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A ideologia do género contra o sexo

O mais recente número da revista “Éléments” tem uma capa provocadora que chama a atenção para o óptimo ‘dossier’ sobre a “ideologia de género”, mostrando a bela Brigitte Bardot com o título magrittiano “Isto já não é mais uma mulher”.



Esta é uma revista que existe desde 1973 e cujo título completo, traduzido para português, é “Elementos para a Civilização Europeia”. É, das três publicações periódicas do GRECE, aquela que se destina a um público mais alargado e por isso é vendida em quiosques. Dirigida por Michel Thibault, tem como natural figura de proa o pensador francês Alain de Benoist, que ficou conhecido como o “pai” da chamada Nova Direita. Este não só é responsável por vários artigos de fundo e reflexões pertinentes, como também assina o editorial com o pseudónimo Robert de Herte.

O número referente ao último trimestre de 2012 desta “revista das ideias” é alargado e tem 96 páginas. O tema central é o das chamadas “teorias de género”, que partem do princípio que a identidade sexual é o resultado de uma construção social. Assim, as mulheres não seriam oprimidas se não existisse o conceito de “mulher”. Para os partidários desta corrente de pensamento, é então necessário destruir as categorias de “homem” “mulher”, que não existem, para libertar a humanidade. Por mais que nos possa parecer estranho, estas são posições que ganham cada vez mais adeptos e influência. Para as contrapor, este ‘dossier’ oferece vários artigos com argumentos inteligentes e fundamentados. Destes há a destacar os artigos de Alain de Benoist “Viva a diferença!”, que recorre à biologia, à neurobiologia e à psicologia evolucionária para responder à pergunta “o ser humano é ‘neutro’ em matéria de sexo?”, e “Abaixo os homens!”, sobre o novo feminismo moralizador e repressivo, e o artigo de Xavier Eman sobre a rede social Facebook, a infidelidade conjugal e o divórcio.

De referir, também, a entrevista com Myret Zaki, chefe de redacção de uma revista económica suíça que afirma que o doar se tornou a maior bolha especulativa da História. Sobre o caso Richard Millet, cuja publicação de “Elogio Literário de Anders Breivik” em apêndice ao seu ensaio “Língua Fantasma” gerou uma tempestade editorial e política em França, podemos ler os artigos de Michel Marmin, Gabriel Matzneff e Olivier Maulin, e a entrevista com Pierre-Gillaume de Roux feita por Pascal Eysseric.

Uma curiosidade para portugueses, no artigo de Pierric Guittaut sobre o romance policial, é a utilização para ilustração de uma capa de uma edição nacional de “O Pregador”, de Erskine Caldwell, com um desenho de Paulo-Guilherme d’Eça Leal.

Por fim, atenção para os artigos de Jean de Lavaur sobre Christopher Lasch, intitulado “O homem revoltado contra a mercadoria”, e a entrevista com o filosofo italiano Contanzo Preve.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Joana d'Arc


Já nas bancas está o mais recente número especial de "La Nouvelle Revue d'Histoie", dedicado a Joana d'Arc.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As artes sob a Ocupação


Este número especial que junta as revistas “Le Nouvel Observateur” e “BeauxArts” é publicado por ocasião da exposição “A Arte em Guerra”, patente no Museu de Arte Contemporânea da Cidade de Paris, e tem como tema “As artes sob a Ocupação”. Esta é uma questão sempre complicada, já que é muito difícil – em especial no período da Segunda Guerra Mundial – separar o talento do envolvimento político. Apesar de considerar o período da Ocupação como os “anos negros”, a revista não deixa de ter alguns artigos sobre a vitalidade cultural dessa altura. Por exemplo, sobre a extraordinária produção cinematográfica, entre outras, com destaque para o artigo sobre o jazz, que para além de não ter sido proibido pelos alemães, conheceu nessa altura um sucesso sem precedentes. Pelo contrário, o espaço dedicado à depuração que se seguiu no pós-Guerra é notoriamente diminuto. Ainda assim, a qualidade gráfica da revista e a pertinência do tema tornam este número interessante.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A verdade sobre a História na escola


O tema central desta edição da revista “Le Figaro Histoire” é de uma importância vital – a verdade sobre a História na escola. Num excelente dossier, são primeiro tratados os “órfãos da História”, num artigo que demonstra que a crise do ensino da História começa nos anos 1970, com reformas que puseram em causa a transmissão de conhecimentos. Depois, são apontados os “desclassificados da História de França”, as grandes figuras que já não figuram nos curricula escolares e que deram lugar ao estudo do facto social e de mundos longínquos. A seguir, analisa-se a “vida e morte do romance nacional”, onde se vê que o desaparecimento do recito épico da História de França no ensino coincide com a desagregação do sentimento de pertença a uma mesma comunidade de destino. No entanto, como afirma em entrevista o secretário-geral da Associação de Professores de História e Geografia: “defender a História é um combate”.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Diplomatie n.º 58


O mais recente número desta revista de referência nos assuntos estratégicos e relações internacionais disponível no nosso país, referente aos meses de Setembro e Outubro, dedica um ‘dossier’ à pertinente questão sobre qual o controlo que existe para o comércio de armas, que inclui vários artigos e análises, bem como um excelente atlas do mercado lícito e ilícito de armas. Com o habitual nível elevado e a excelente paginação, oferece ainda as habituais secções “Focus”, na qual se destaca a geopolítica dos mares, “Pontos Quentes”, que trata do tema da crise síria, “Geopolítica”, desta vez dedicada ao México enquanto cruzamento de todos os tráficos, e “Estratégias”, que analisa a Líbia enquanto modelo de transição política.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Dossiers d'Archéologie n.º 353


O mais recente número desta revista francesa especializada em Arqueologia disponível nas bancas nacionais, referente aos meses de Setembro e Outubro, tem por tema o início do Neolítico na Europa. É um interessante regresso às investigações sobre as nossas origens e como a metamorfose do Neolítico provocou a construção de uma outra Europa. Esta edição tenta mostrar o estado do conhecimento no que respeita a esta mutação que modificou o nosso continente nos mais variados aspectos: sociais, económicos, ideológicos e materiais. Para além da análise a partir dos achados arqueológicos, há um interessante artigo sobre os dados do ADN e a utilização da genética das populações para o estudo da neolitização da Europa.