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domingo, 31 de maio de 2009

Impressões romanas (II): CASAPOVND

A CasaPound é um antigo edifício público abandonado, situado na Via Napoleone, perto do Termini, que foi ocupado com o propósito de providenciar habitação a famílias italianas carenciadas. À frente deste projecto está Gianluca Ianonne, que esteve no nosso país no ano passado, que com os seus rapazes formou esta associação de promoção social que tem feito um trabalho extraordinário de solidariedade e acção cultural. Um exemplo e uma inspiração para toda a Europa.

À entrada da CasaPound estão pintados na parede vários nomes das principais figuras consideradas como referências para os ragazzi. Há apenas um português: o nosso, mas também deles, Fernando Pessoa.

As paredes das escadas estão decoradas com quadros e fotografias, que vão desde Tamara de Lempicka às mulheres do ventennio, passando pelo inspirador Ezra Pound, no primeiro piso.

Na cave funciona o estúdio de música Bunker Noise Service e a sala de trabalho do Blocco Studentesco. No primeiro piso há várias salas de trabalho, incluindo a da Radio Bandiera Nera, e o Ornitorinco. No último andar existe uma sala grande onde regularmente há conferências, apresentações de livros, entre outras actividades. Nos restantes pisos vivem as famílias italianas que graças aos camaradas italianos aqui encontraram um tecto.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Impressões romanas (I): Entre os tifosi

Para o Roma, o Sérgio e o Chico.

Começo a série de posts “impressões romanas”, sobre a minha recente ida à cidade eterna, desrespeitando a ordem cronológica, pelo futebol. Estranharão os que me conhecem, com certeza, já que não é coisa a que dê demasiada importância. Mas como hoje se jogou a final da Champions League em Roma, não resisti. Se em Roma temos que ser romanos, como diz o ditado, desta vez até fui romano de clube, pelo menos por um jogo.

A AS Roma recebia o Catania e eu juntei-me aos meus amigos portugueses e italianos, que levam estas coisas da bola a sério, para assistir. Depois de não termos conseguido comprar bilhetes, já que o jogo era considerado “perigoso” devido a confrontos anteriores e, por isso, vedado a não-residentes na cidade, conseguimo-los através dos ragazzi dos Padroni di Casa, que nos abriram as portas da mítica Curva Sud.

À entrada do estádio olímpico de Roma, ao qual nunca tinha ido, deparámo-nos com o impressionante obelisco de mármore, com 17,5 metros de altura, com as inscrições “Mussolini Dux”. Juntamente com os mosaicos fascistas no chão e o Stado dei Marmi, já dentro do perímetro do complexo desportivo, são algumas das réstias do inicialmente chamado Foro Mussolini, construído entre 1928 e 1938, segundo o projecto de Enrico del Debbio e depois de Luigi Moretti.

Uma vez dentro do estádio, depois de revistado pela polícia, uma coisa supreendeu-me logo, é permitido comprar bebidas alcoólicas. Os vendedores correm as bancadas servindo cerveja de lata em copos de papel por 4 euros, entre outras coisas, como é o caso do Amaro, um licor de café vendido por 2 euros em garrafinhas cilíndricas, que fiquei a saber ser a bebida dos ultras. Provei, mas é demasiado doce para o meu gosto. Enquanto provava, assisti a um verdadeiro desporto de bancada que é o salto para a Curva Sud. Explicaram-me que os que não conseguem bilhete de época para esta tão apetecida zona, compram para o lado e saltam as barreiras de acrílico depois de fintar os stewards. Algo que começa antes do início do jogo e se arrasta pela primeira parte. Esta travessia para a “terra prometida” dos hooligans é feita por rapazes bastante jovens, que assim provam, de alguma forma, a sua coragem.

O jogo teve sete golos, algo que nunca esperei de uma partida italiana, e a Roma ganhou por 4-3, no último minuto. Seria de esperar que fosse uma festa nas bancadas, mas não. Nem quis acreditar quando no primeiro golo os adeptos não só não festejaram como vaiaram a equipa. A maioria dos cânticos eram também contra a presidente do clube, que me disseram não investir na equipa, preocupando-se apenas em ganhar dinheiro para si própria. Rosella Senci, proprietária da Roma desde a morte do seu pai Franco Senci, no ano passado, era o alvo da ira dos tifosi. Cânticos, palavras de ordem, vaias, panos, tudo serviu para a atacar.

Resultado: uma óptima e divertida experiência que me ocupou até quase à hora do concerto que se ia realizar ali perto.