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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O mau jornalismo habitual (XII): a Alternative für Deutschland

Alice Weidel, a líder parlamentar da AfD que é assumidamente homossexual.

Sabemos que a classificação "extrema-direita" é naturalmente discutível e amiúde utilizada pejorativamente, normalmente como "alerta para o regresso do fascismo". Mas, sem grandes dificuldades, admitamos para esta exposição a Alternative für Deutschland (AfD) nessa categoria.

Ora, se a AfD é de extrema-direita, também o era o Deutsche Konservative Partei - Deutsche Rechtspartei (o partido usou as duas designações consoante os Länder), que existiu entre 1946 e 1950, elegendo cinco deputados ao Bundestag, nas primeiras eleições federais pós-Segunda Guerra Mundial, em 1949.

Vem isto a propósito da "notícia", apregoada por tantos media, de que a AfD seria a primeira força de extrema-direita a entrar no Bundestag. Tomemos um exemplo paradigmático. Mafalda Anjos, a "diretora" (assim mesmo, sem o "c" de carácter que a submissão ao Acordo Ortográfico impôs) da revista "Visão", ainda por cima "em Berlim", fazia a seguinte previsão: "Extrema-direita terá assento no Parlamento alemão pela primeira vez desde 1945".

No estilo habitual destes lamentos alarmistas, Mafalda Anjos recorda que a Alemanha é um "país onde a herança de um passado nazi ainda está bem presente", mas a classificação da AfD, ao longo do artigo parece ir esmorecendo... Da "extrema-direita" do título, passamos para "direita-radical" no segundo parágrafo e, já no final, para "partido conservador anti-imigração". Provavelmente são sinónimos, já que na ampla classificação de "extrema-direita" cabe muita coisa. Cabe até Alice Weidel, uma das líderes da AfD, de quem a "diretora" da "Visão" diz que é "uma lésbica orgulhosa, casada com uma mulher do Sri-Lanka, trabalhou na Goldman Sachs e vive na Suiça".

Vamos aos factos, que falharam neste artigo, muito provavelmente por ignorância histórica e cegueira ideológica. Alice Weidel é homossexual assumida e vive com Sarah Bossard, uma cidadã suíça de origem cingalesa, com quem adoptou dois rapazes. No entanto, Weidel está longe de ser a habitual defensora dos direitos homossexuais e da teoria de género. Quando a AfD lamentou a legalização do casamento entre homossexuais na Alemanha, dizendo "adeus à família alemã", Weidel afirmou que "ser a favor da família tradicional não significa rejeitar outros estilos de vida" e referiu a sua própria eleição para a liderança do partido como prova da tolerância da AfD. Sobre o tema do casamento entre homossexuais, considerou não ser uma prioridade no debate, afirmando: "debater o casamento para todos enquanto milhões de muçulmanos imigram ilegalmente para a Alemanha é uma anedota!" Por outro lado, Weidel disse ainda não querer para as suas crianças a "idiotice de género" ou a "sexualização das aulas".

Contraditório? Talvez. A verdade é que muitos dos partidos considerados de "extrema-direita" que têm tido sucessos eleitorais apresentam várias diferenças em relação aos seus congéneres do passado. Evolução natural ou fim de uma era? Será a AfD a "nova extrema-direita", pelo menos na opinião de Riccardo Marchi que insere o partido na família "dos partidos com agenda política eurocética, anti-imigração, anti-islâmica, mas cujas raízes não afundam nos autoritarismos do período entreguerras"? Mais ainda, como afirma este historiador italiano radicado em Portugal, será a AfD "o coveiro do neonazismo"? Recusando uma classificação binária, a análise não deixa de merecer uma atenta reflexão.

Voltando ao início deste texto, como sabemos, a AfD tornou-se o terceiro partido mais representado no Bundestag, mas não foi o primeiro partido de "extrema-direita" a ter assento no parlamento alemão. Esse lugar pertence ao Deutsche Konservative Partei - Deutsche Rechtspartei. Aliás, o percurso dos deputados desse partido eleitos em 1949 é curioso, já que dois deles se juntaram ao Sozialistische Reichspartei Deutschlands (SRP), um partido strasseriano que foi, em 1952, o primeiro partido a ser ilegalizado pelo Tribunal Federal Constitucional. Mas essa, é outra história...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A Direita francesa, as eleições presidenciais e Marine Le Pen


Há dois anos entrevistei o Bruno Garschagen, professor de Teoria Política, autor e tradutor, a propósito do seu livro “Pare de acreditar no Governo. Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado”. Apesar das nossas diferenças, mantivemos o contacto, a amizade e o salutar debate de ideias. Desta vez, a propósito das eleições presidenciais francesas, os papéis inverteram-se e fui eu o entrevistado. Aqui fica a ligação para a entrevista que dei ontem em directo, uma óptima experiência que, assim espero, seja útil à compreensão do que está em jogo no próximo dia 7 de Maio. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

O mau jornalismo habitual (XI)


"A França está esta noite em estado de choque." Assim começa a notícia do semanário «Expresso» sobre os primeiros resultados do Front National (FN) nas eleições municipais francesas. É apenas um exemplo, porque também ouvi tiradas como "franceses preocupados" ou "um golpe para a democracia".

Entendamo-nos: os franceses que votam livremente no FN não são franceses? Votar livremente no FN é atentar contra a democracia?

O mais curioso é que são "jornalistas" destes que se arrogam como os grandes defensores da "objectividade"...

quarta-feira, 5 de março de 2014

“O salazarismo está a perder pontos para o neoliberalismo na associação às direitas”

Riccardo Marchi é um historiador italiano radicado em Portugal que se tem dedicado ao estudo das direitas radicais na democracia portuguesa. Desde 2008 que é investigador de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Em 2010 organizou o colóquio “As raízes profundas não gelam? Ideias e percursos das direitas portuguesas”, onde participaram Rui Ramos, Jaime Nogueira Pinto, Henrique Raposo, Ernesto Castro Leal, José Pedro Zúquete, entre outros. As comunicações desse colóquio foram agora reunidas num livro essencial para compreender o estado e o futuro das direitas no nosso país. Aqui fica a entrevista que lhe fiz para a edição de «O Diabo» de 18 de Fevereiro de 2013.

Riccardo Marchi, Fátima Bonifácio e Rui Ramos
no colóquio "As raízes profundas não gelam?", em 2010

Qual foi o objectivo do colóquio que deu origem a este livro?
Quando em 2005 iniciei as minhas investigações de doutoramento acerca das direitas radicais no fim do Estado Novo – tese publicada nos dois livros “Folhas Ultras” (ICS, 2009) e “Império Nação Revolução” (Leya, 2009) –, senti a falta, na minha revisão bibliográfica, de obras de conjunto sobre o tema das direitas em Portugal que pudessem servir-me para enquadrar o meu objecto de estudo. Este género de bibliografia já está presente, há anos, nos outros países da Europa Ocidental: não falo apenas de trabalhos seminais como “La Droite en France”, de René Remond (1954), mas de uma grande variedade de análises historiográficas e politológicas de conjuntos que foram publicadas ao longo dos anos nos diferentes países sobre os percursos das direitas autóctones, sobre as suas diferentes matrizes doutrinárias, as suas evoluções, as estratégias, as convergências, as divergências, os legados que deixaram nos actores políticos que ocupam actualmente este espaço político.

Em Portugal não havia tais trabalhos?
Em Portugal havia muito e bom trabalho já feito sobre a primeira metade do século XX, inclusive o Estado Novo, menos sobre a segunda metade do século passado. Mas sobretudo faltava – e falta – uma reflexão diacrónica sobre as direitas portuguesas na contemporaneidade. Uma obra deste género é assaz complexa a fruto de muitos anos de investigação e reflexão madura, razão pela qual, quando em 2010 iniciei este projecto editorial, o meu intuito era mais limitado: reunir alguns colegas com trabalho sólido sobre diferentes experiências das direitas portuguesas desde o miguelismo até aos nosso dias para propor uma série de reflexões que contribuam à análise de longo período das direitas em Portugal. Como é óbvio e como é costume dizer-se nestas circunstâncias, não se trata de por uma palavra fim à investigação sobre este tema, mas de participar ao debate historiográfico – segundo Rui Ramos ainda incipiente – sobre as direitas em Portugal.

Ao falar de direitas significa que não há uma direita?Sem dúvida. A existência de direitas plurais, muito diferentes entre elas é um dado empírico. Há umas direitas contra-revolucionárias e umas direitas herdeiras das revoluções dos século XVIII e XIX, umas direitas monárquicas e umas direitas republicanas, há umas direitas profundamente influenciadas pelas revoluções nacionais dos anos 20 e 30 do século XX e umas direitas que se opuseram determinantemente aos fascismos; há umas direitas católicas anti-conciliares e uma direitas laicas que pouco se interessam com a dimensão religiosa; há umas direitas que, face à crise de Europa, procuraram soluções no tempo (indo às raízes mais profundas do Velho Continente) e há umas direitas que procuraram estas soluções no espaço (olhando além-Atlântico). Face a esta diversidade – aqui só sumariamente esboçada – utilizar o termo Direita no singular vicia a análise logo a partida, pressupondo que há uma tradição única a partir da qual é possível traçar um ‘fil rouge’ determinístico. O livro quis evitar este determinismo e apostar muito mais na diversidade que resulta sempre mais fecunda quando se pretende realçar as características profundas de determinados fenómenos para avaliar quanto e como estas características permaneceram ao longo do tempo.




A associação das direitas ao Estado Novo ainda subsiste?
Não há dúvida que afirmar-se de direita em Portugal leva o próprio interlocutor a associar imediatamente esta posição com conceitos como salazarista, autoritário, de duvidoso ‘pedigree’ democrático. É um reflexo natural vista a relativa proximidade histórica do regime autoritário. Contudo, diria que, nos últimos anos, o fenómeno mais interessante é a associação constante das direitas não tanto ao Estado Novo mas sim ao neoliberalismo. O salazarismo está a perder pontos para o neoliberalismo na associação às direitas. Os dois conceitos tornaram-se praticamente sinónimos: direita é neoliberalismo.

Isso faz algum sentido?
Estes géneros de associações mais que “fazer ou não fazer sentido”, são pouco úteis para a análise científica porque os conceitos, usados e abusados na polémica política, acabam por perder a sua capacidade heurística. O termo “neoliberal” sofreu esta degradação. Na área governamental da democracia portuguesa, as direitas são acusadas de ter traído as respectivas matrizes social-democrata e democrata-cristã para se tornarem neoliberais; as esquerdas são acusadas de ter traído a matriz socialista para actuar políticas neoliberais e de estar prestes a traí-la novamente para fazer mais do mesmo; as esquerdas radicais tentadas de aproximações aos socialistas são acusadas de desvios neoliberais; o FMI é neoliberal, a União Europeia é neoliberal. Mário Soares, que fez entrar o FMI em Portugal em 1977 e Portugal na CEE em 1986, é o paladino do anti-neoliberalismo. Quando com um rótulo se pretende explicar tudo, arrisca-se a não explicar nada.

O que também aconteceu com a associação ao Estado Novo...
A associação entre Direitas e Estado Novo sofreu do mesmo limite: de instrumento útil para perceber parte da cultura política das direitas na democracia portuguesa, tornou-se muitas vezes uma perspectiva incapacitante, inadequada para se compreender em profundidade outras matrizes ideológicas, outros percursos, outras estratégias presentes nas direitas a partir de 1974 e que determinaram a sua evolução muito mais que o legado estadonovista.

Não acha que a associação das direitas aos “fascismos” é um ataque fácil das esquerdas?
Associar as direitas actuais aos fascismos dos anos 30 é um ataque tão fácil como associar as esquerdas actuais aos regimes comunistas pré-1989.  É tão fácil que até se tornou banal, pouco útil, sem sentido de tal forma que, mesmo na polémica política mais simplista, já não é tão comum que um actor político das direitas seja apelidado de “fascista”, exactamente porque sendo genuinamente outra coisa, quer em termos de doutrina, quer em termos de ‘praxis’, nada resulta mais fácil para o visado que refutar esta acusação com as mais veementes atestações de antifascismo. Eu não falaria de um “ataque fácil” das esquerdas às direitas através do rótulo de “fascista”, mas destacaria, pelo contrário, um fenómeno diferente: as esquerdas à esquerda dos socialistas perceberam há muito a inutilidade da acusação de fascismo dirigida à direita e escolheram outros rótulos como o já referido “neoliberal”, apesar de a carga simbólica ser claramente menos pesada. A partir dos socialistas para a direita, pelo contrário, não me parece que haja uma corrida à atribuição de rótulos difamantes para levar ataques fáceis. Parece-me, ao invés, que há uma proliferação de atribuições mútuas de patentes democráticas, para sublinhar a legitimidade na alternância ao poder face aos perigos provenientes dos sectores julgados alheios ao arco democrático: assim, na esquerda temos uma distinção entre a “esquerda democrática” e as outras (radicais, comunistas); na direita temos uma distinção entre a “direita democrática” e a outras (extremas, populistas). Os “democráticos” de direita e de esquerda legitimam-se mutuamente face aos “outros”: esta evidência portuguesa está perfeitamente integrada no panorama da política europeia. Permita-me concluir com uma nota: não deixa de ser interessante a preocupação subjacente à sua pergunta acerca do “ataque fácil” sofrido pela direita actual através do rótulo de “fascista”. Nos anos 30, o ataque fácil – e insuportável – para um fascista era o ser acusado de não passar de “um homem de direita”.

Qual o futuro das direitas em Portugal?
Quanto mais estudamos a polimorfia das direitas na História portuguesa, mais nos damos conta do processo de homogeneização e conformismo ao pensamento dominante que sofreram nos últimos anos. Nada leva a crer que este processo seja destinado a reverter no curto prazo, o que não implica entraves para a gestão do Poder. Muito pelo contrário.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Objectividades


Goste-se ou não do Aurora Dourada (nada importa para o caso), é impossível aceitar a diferença de tratamento da morte de um 'rapper' na sequência de uma discussão com um simpatizante do partido -- que encheu jornais e abriu noticiários televisivos, motivando uma perseguição institucional a deputados eleitos democraticamente --, com a execução de dois militantes do Aurora Dourada, na capital do país, algo apenas referido timidamente, como se de um assunto menor se tratasse. É esta a "objectividade" dos 'media' ditos "de referência".

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Populares


Há gralhas divertidas. Ontem, no «Público», numa notícia dedicada à "ascensão da extrema-direita" francesa, o jornalista trocou "Frente Nacional" por "Frente Popular" duas vezes. Um regresso acidental à França do século passado e à coligação de esquerda que governou o país entre 1936 e 1939. Um 'front' ligeiramente diferente do de Marine Le Pen... Para além disso, escreveu que "Le Pen espera eleger para cargos municipais entre mil e 1500 populares". Talvez o erro tenha sido induzido pela grande popularidade que a Frente Nacional goza actualmente, para incómodo de muitos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Venenos


A manchete da edição de hoje do jornal francês «Libération» é “O veneno FN”, para anunciar a nova estratégia autárquica do Front National, de implantação local, cujo primeiro caso prático serão as eleições municipais de 2014.

Ainda bem que em França não há a obrigação legal de dar igual destaque a todas as candidaturas. Caso contrário, teriam que falar dos outros “venenos” e em capa.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O mau jornalismo habitual (X)


Na notícia "A mesquita que recebeu a extrema-direita com chá e biscoitos", o jornalista do «Público» decidiu apicantar imaginativamente a peça, ou pura e simplesmente demonstrar a sua ignorância, escrevendo: "O 'Guardian' diz que não chegavam a uma dezena, mais a sua bandeira nacionalista de São Jorge." Pelo sim, pelo não, convém recordar que a bandeira de São Jorge é a bandeira de Inglaterra, ou seja, não é redutoramente "nacionalista", como pretendido, mas nacional.

Já que a fonte é citada, veja-se o que diz a notícia do «Guardian»: "A St George's flag was nailed to the wooden fence in front of the mosque."

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Daltonismo político


Mais uma vez assistimos a uma violência extrema nos saques, agressões e destruição pública na capital francesa, que recordam os "motins" de 2005, na sequência da vitória do Paris Saint-Germain no campeonato de futebol. No entanto, certa imprensa e os habituais dirigentes das esquerdas, activaram o seu habitual mecanismo automático de culpabilização. Os responsáveis, para estes bem-pensantes politicamente correctos, pertencem à extrema-direita. Acontece que, pelo menos desta vez, as imagens desmentem claramente esta associação.

É verdade que o PSG tem uma claque associada à extrema-direita, os "Boulogne Boys", mas desta vez vemos como aqueles que se aproveitaram de um festejo desportivo público são a 'racaille' proveniente das 'banlieues'. "Jovens" marginais, na sua maioria descendentes de imigrantes africanos ou magrebinos. Um fenómeno incómodo para os integracionistas, que tantas vezes foi denunciado pelas direitas gaulesas, seja por Sarkozy ou por Le Pen.

Obviamente, é muito mais cómodo culpar a "extrema-direita", nem que seja com expressões convenientemente vagas, como "grupos com ligações" ou "próximos". Pior, o novo governo socialista recusa qualquer responsabilidade pela inacreditável ausência de segurança que se viveu no centro da capital francesa. A UMP pediu prontamente a demissão do ministro do Interior, Manuel Valls. Já Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, atribuiu a violência ao "fracasso da política de imigração", afirmando que as imagens televisivas mostram que os agressores são "evidentemente de origem imigrante".

No que respeita aos "ultras" do PSG, convém recordar que, em 2006, na sequência de confrontos após um jogo, a polícia não hesitou em agir com exagero e matar Julien Quemener. Atitude que contrasta com a relativa passividade na intervenção a que se assistiu desta vez.

Pelos vistos, há dois pesos e duas medidas. Mais, mesmo perante imagens esclarecedoras, as esquerdas e certa imprensa continuam a sofrer de acentuado daltonismo político.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 62


Na edição em que esta óptima revista francesa completa dez anos de existência, o ‘dossier’ é dedicado à Direitas radicais na Europa de 1900 a 1960. Neste podemos ler os artigos “A Action Française antes de 1914”, de Alain de Benoist, “Ledesma Ramos e José Antonio”, de Jean-Claude Valla, “O testamento da Guarda de Ferro”, de Horia Sima, entre outros, como “Quando Churchill admirava Mussolini”, “Oswald e Diana Mosley”, “Ernst von Salomon”, ou “A extrema-direita na Resistência”. Por fim, destaque para o artigo “Os soldados da classe de 60”, sobre o neo-nacionalismo em França nessa década do século passado, do qual foi protagonista o próprio Dominique Venner, director da revista. De referir ainda a entrevista com Serafin Fanjul sobre “o mito do al-Andalus”.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Frase do dia

"Em França, todos os partidos são iguais, mas a Frente Nacional é menos igual que os outros e os seus representantes precisam, cada um, de mais dois milhões de votos."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol"

terça-feira, 19 de junho de 2012

PS com maioria absoluta em França

Num cenário que não se via há mais de trinta anos, mas que muitos antecipavam, o Partido Socialista francês conseguiu a maioria absoluta na segunda volta das eleições legislativas no passado domingo. A Assembleia Nacional sofreu uma clara inversão, com os socialistas a não precisarem dos Verdes ou da extrema-esquerda.
Nesta onda de sucesso houve ainda um caso polémico. Ségolène Royal foi batida pelo socialista dissidente Olivier Farlorni e disse que havia sido “traída”, porque grande parte dos votos do seu vencedor vinham “da direita”.
A UMP foi severamente penalizada e o partido continua a ser associado ao anterior presidente Nicolas Sarkozy, à sua postura e às suas políticas. Com o crescimento da extrema-direita, os tempos são de reflexão e mudança para a Direita francesa.
A maioria dos eleitores franceses mostra que deseja as alterações políticas prometidas pelo recém-eleito François Hollande, que se opôs durante a campanha eleitoral à austeridade e contenção. Agora, os socialistas têm um presidente, uma maioria e um parlamento. Vejamos como esta alteração pode mudar a situação na Europa.


Le Pen no Parlamento
Apesar de ter sido dada quase como certa a eleição da presidente da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, esta acabou por ser ultrapassada pelo candidato do PS, Philippe Kemel, por pouco mais que cem votos. Marine pediu uma recontagem, mas ao mesmo tempo congratulou-se com o regresso do seu partido à Assembleia Nacional, algo que não acontecia desde 1986, muito devido ao sistema eleitoral. Desta vez, os eleitos foram Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine e neta do histórico líder Jean-Marie Le Pen, que com apenas 22 anos se tornou a mais jovem deputada da V República, e o advogado Gilbert Collard.
A extrema-direita conseguiu ainda outro eleito, o presidente da Liga do Sul, Jacques Bompart, autarca de Orange e antigo quadro da FN.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Marine determinante

O socialista François Hollande ficou à frente na primeira volta das eleições presidenciais francesas e o actual Presidente da República, Nicolas Sarkozy, ficou em segundo lugar. Mas foi Marine Le Pen, que se impôs em terceiro lugar e se tornou o candidato determinante da segunda volta. Depois dos erros das sondagens, do primarismo da classificação política e da surpresa dos menos atentos, é tempo de analisar os resultados, perceber o que está em causa e tentar ver o quem será o próximo inquilino do Eliseu.



Com 18 por cento dos votos, a candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, tornou-se uma peça incontornável na decisão da segunda volta das presidenciais francesas. Há quem lhe chame o “árbitro”, mas as suas intenções vão muito além deste acto eleitoral. A política em França está a mudar. Os socialistas europeus, desacreditados politicamente, esperam a vitória de Hollande, para relançar a esquerda. Sarkozy tenta, a todo o custo, manter-se no cargo, mas a tarefa não é fácil. O actual cenário político francês ajuda a compreender as alterações na política contemporânea na Europa.

O esperado
A vitória do candidato do Partido Socialista, François Hollande, não surpreendeu. Depois dos desentendimentos entre os socialistas, foi este o escolhido para derrubar o actual Presidente. A seu favor jogaram a crise económico-financeira, o crescente desemprego, as questões sociais e, especialmente, a animosidade gerada por Sarkozy. Com 28,63 por cento dos votos, Hollande conta, em princípio, com os votos da esquerda na segunda volta. Ainda assim, e apesar de a maioria dos analistas o apontarem como favorito na segunda volta, nada está, obviamente, garantido. Ainda assim, Hollande pisca o olho aos valiosos eleitores da FN. Em declarações à RTL, afirmou: “Num período de crise, que nós conhecemos, a limitação económica da imigração é necessária, indispensável. Eu quero lutar contra a imigração clandestina no plano económico”.

O derrotado
Sarkozy não teve um primeiro mandato fácil. A sua presidência foi bastante criticada pelos vários sectores políticos franceses. Em plena campanha, quando a sua popularidade estava em baixa, beneficiou do caso do chamado assassino de Toulouse. Endureceu o seu discurso e apostou em temas como a segurança e a islamização de França. Era uma clara tentativa de conseguir chegar aos tradicionais eleitores da FN. A estratégia não resultou. Atingiu os 27,18 por cento e tenciona agora tornar-se o unificador da direita para ser reconduzido no cargo. Mas este é um objectivo bastante complicado. Apesar de se ter tentado distanciar, sabe que precisa daqueles que votaram Marine para continuar no Eliseu.

O ajudado
Jean-Luc Mélenchon, o candidato da extrema-esquerda, foi desde o início acarinhado pelos meios de comunicação social e, segundo as sondagens, era apontado como aquele que conseguiria o terceiro lugar na primeira volta. No fim de contas, a montanha pariu um rato. O seu resultado pouco ultrapassou os 11 por cento. Há que dizer que Mélenchon, tal como Eva Joly, defenderam sempre o voto em Hollande, oue seja, a unidade das esquerdas contra Sarkozy. Podia ser uma justificação para os fracos desempenhos destes dois candidatos, mas o que aconteceu contrariou as análises dos que se convenceram de que a política em França não havia mudado.

A “surpresa”
A grande vencedora desta primeira volta foi Marine Le Pen, filha do histórico líder da FN Jean-Marie LePen. Muitos consideraram o seu expressivo resultado de 18 por cento, superior ao conseguido pelo seu pai na segunda volta de 2002, como uma surpresa. De facto, nenhuma sondagem previu tais números. Mas há que ter uma análise fria e atenta da situação política francesa. Marine iniciou, com sucesso, o chamado processo de desdiabolização da FN. Com todas as críticas que lhe possam ser apontadas, Marine fez-se valer como opção para grande parte do eleitorado. Assumiu-se como chefe da oposição e está decidida a mostrar que a cena política francesa se alterou. Ela é um dos novos actores e ninguém pode alterá-la. A sua posição sobre a segunda volta será anunciada no dia 1 de Maio, data em que a FN faz a sua tradicional homenagem a Joana d’Arc. Mas o seu objectivo claro são as legislativas. Recorde-se que, quando o sistema era proporcional, a FN conseguiu eleger 35 deputados à Assembleia Nacional. A partir daí, apesar das votações expressivas, a FN foi arredada da representação no parlamento pelo novo sistema a duas voltas. Agora, com este crescimento, Marine espera voltar o feitiço contra o feiticeiro.

As Direitas
Na maior parte dos casos, a imprensa portuguesa, para não falar de outros casos, continua a tratar a FN como um partido de extrema-direita. Com este simplismo, parece que se trata de um pequeno partido marginal e que extrema-direita equivale, necessariamente, a fascismo. Tal entendimento só pode demonstrar ignorância ou má-fé. Fazendo uma análise séria, é impossível remeter a FN para os lugares-comuns do costume, normalmente inquinados ideologicamente. Em primeiro lugar, espectro dos seus eleitores é amplo. Um dado curioso, para os menos atentos, e bastante incómodo para as esquerdas, é que a FN é o partido que em França colhe a maior fatia de apoio dos operários. Também tem grande adesão nas camadas mais jovens, assumindo-se como uma força anti-sistema. Em segundo lugar, há que ter em conta o panorama das direitas francesas. Se olharmos para o programa do RPR dos anos 80 do século passado, descobrimos automaticamente grandes semelhanças com o do FN hodierno. Tal não acontece por acaso. A fractura da grande família direitista em França continua. Como muito bem classificou René Rémond, na sua tipologia das direitas francesas, assistimos ainda hoje à luta entre orléanistas e bonapartistas pelo domínio desta grande família política. Marine está a inverter o jogo de forças. Um fenómeno ao qual devemos estar atentos, para melhor compreender as mudanças em curso, não só em França, mas em toda a Europa.

E agora?
Aquele que pode ser considerado o bloco das direitas (Sarkozy, Le Pen, Dupont-Aignan) tem, em teoria, 47 por cento dos votos. O da esquerda (Hollande, Mélenchon, Joly, Poutou, Arthaud), por seu lado, dispõe de 44 por cento. Claro que a forma como se vão repartir os nove por cento dos eleitores que votaram no centrista François Bayrou é importante e difícil de adivinhar. No entanto, as contas estão longe de ser fáceis. Uma coisa é certa, a atitude dos eleitores de Marine Le Pen será determinante na decisão de quem será o próximo Presidente francês. Alguns preferirão, mesmo que contrariados, o candidato da direita. Outros o da esquerda, conforme muitos já declararam. Mas há sempre aqueles que optam pela abstenção. Como afirmaram vários frentistas, com estes candidatos na segunda volta, no dia do acto eleitoral da segunda volta preferem “ir à pesca”. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Descubra as diferenças

Nas notícias sobre o julgamento do assassino Breivik, algum iluminado "descobriu" que ele fez uma "saudação de extrema-direita" (?) na sala de audiências. O problema deve ser meu, mas o punho fechado lembra-me outras coisas...


De facto, na nossa História recente, esta "saudação" já foi utilizada. Quem se recorda do Famoso "juramento de bandeira revolucionário" feito no RALIS, no dia 21 de Novembro de 1975? Os recrutas, de punho fechado, juraram "estar sempre, sempre ao lado do povo" na luta "pela vitória da Revolução Socialista"...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"Che" para toda a obra

Um recente caso de utilização publicitária da imagem de “Che” Guevara gerou polémica. A fotografia estilizada do argentino tornou-se um ícone dos tempos modernos para muita gente, que na sua maioria nem sabe quem ele foi. Das  ‘t-shirts’ aos cigarros, passando pelos preservativos, hoje é possível encontrar o “Che” em quase tudo. Aquele que queria ser um revolucionário anti-capitalista, tornou-se numa marca comercial bastante lucrativa.




Numa recente apresentação da Mercedes em Las Vegas, nos EUA, os publicitários tiveram uma ideia que pensavam “revolucionária”, mas que é usada nos mais variados produtos – a conhecida imagem de “Che” Guevara com a estrela da marca alemã na boina. Tudo se passou na Consumer Electronics Show, uma feira comercial anual dedicada à electrónica de consumo, e na presença do presidente da Mercedes-Benz, Dieter Zetsche. Em causa estava a apresentação de uma nova aplicação que facilita o ‘car-sharing’, a partilha de automóveis, diminuindo assim o trânsito e as emissões de dióxido de carbono. Zetsche disse que “alguns colegas pensam que partilhar o automóvel ronda o comunismo” e acrescentou “viva a revolução”. Esta “revolução” não foi bem vista, em especial pela comunidade cubana exilada nos EUA, que rapidamente protestou e apelou a um boicote à marca germânica. A congressista republicana Ileana Rós-Lehtinen, presidente da Comissão de Assuntos Externos da Câmara dos Representantes dos EUA, afirmou que “obviamente os criadores do anúncio têm uma imagem errada de Che Guevara”, acrescentando que “Che era um cobarde corrupto e sedento de sangue que matou incontáveis cubanos inocentes no princípio do regime de Castro”.
A utilização da imagem de “Che” está longe de ser uma novidade. Para além da sua presença nas manifestações dos mais variados movimentos e partidos políticos, o uso comercial generalizou-se. São bastante comuns as ‘t-shirts’ e as mais variadas peças de vestuário. Casacos, calças, chapéus, sapatos ténis, ou até ‘bikinis’, são ilustrados com a famosa imagem. Toda esta parafernália é habitualmente apreciada pelos jovens. No entanto, muitos deles desconhecem totalmente quem foi “Che”, o seu percurso de vida, a sua ideologia política e as consequências da sua aplicação.

História de uma imagem
A conhecida imagem de “Che” tem origem numa fotografia do cubano Alberto Korda, intitulada “Guerrillero Heroico” (Guerrilheiro Heróico), tirada a 5 de Março de 1960, em Havana, quando Guevara tinha 31 anos. A redução dessa fotografia, apenas com o busto de “Che” em alto contraste, começou a ser usada em larga escala pelos meios de comunicação social de todo o mundo. Dos ‘media’ ao uso comercial, foi um salto.
Korda nunca reivindicou direitos de autor sobre a imagem, opondo-se apenas uma vez a que esta fosse usada num anúncio de uma conhecida marca de vodka. Comunista assumido, Korda pretendia evitar a exploração comercial da imagem. Chegou a afirmar à imprensa: “Como defensor dos ideais pelos quais Che Guevara morreu, não me oponho à sua reprodução por aqueles que desejam difundir a sua memória e a causa da justiça social por todo o mundo.” Também a filha de “Che”, Aleida Guevara, chegou a contratar advogados para processar judicialmente as empresas que utilizassem a imagem do seu pai. Afirmou que não queria dinheiro, mas “o fim do abuso”, acrescentando, “ele pode ser uma pessoa universal, mas respeitem sua imagem”.
Como é bem visível hoje em dia, tal não aconteceu e o fim para que a imagem é usada vai muito para além da política. Para além da utilização da imagem nas mais variadas peças de vestuário, referida atrás, o “Che” serve também como marca para os mais inacreditáveis produtos. Cerveja, cigarros, relógios, porta-chaves, fivelas, canecas e copos, isqueiros, bonecos e até preservativos! Uma marca comercial de sucesso e bastante lucrativa.

Che e a extrema-direita
Politicamente, se a utilização de “Che” Guevara e da sua imagem é amplamente sabida à esquerda, o facto de chegar até à chamada extrema-direita é quase desconhecida do grande público. À primeira vista parece estranho, quase impossível, mas os grupos da direita radical que reclamam esta figura admiram-no por ser um “revolucionário” e pela sua oposição ao “imperialismo norte-americano”. Em vários países europeus, grupos e militantes nacionais-revolucionários louvaram ou usaram “Che”, mesmo antes da sua morte. O país onde este fenómeno teve e ainda tem mais expressão é Itália. Desde os anos 60 do século passado que grupos da direita radical se apropriaram de “Che”. Mario de la Ferla, autor do livro “L’altro Che – Ernesto Guevara Mito e Simbolo della Destra Militante” (O Outro Che – Ernesto Guevara Mito e Símbolo da Direita Militante), escreve que: “Existe um outro aspecto do amor por Ernesto Guevara que não é inédito, mais é mais difuso. O amor à direita, aquele dos jovens nacionais-revolucionários, os fascistas vermelhos, que amavam o Che ainda antes da sua morte e para quem se tinha tornado mito e símbolo a partir de 68. A paixão por Guevara à direita é uma heresia, uma provocação, uma apropriação indevida mas perdoada.” Mas também na vizinha Espanha, na Bélgica, com Jean Thiriart, em França, com Jean Cau, por exemplo, que afirmou que “O Che batia-se para libertar o seu continente da ocupação americana, da opressão oligárquica e das injustiças”, assistimos a situações semelhantes.

Publicado na edição de «O Diabo», de 24/1/2012.

domingo, 31 de julho de 2011

Anders Breivik é de "extrema-direita"?

Uma vez detido o confesso autor dos sangrentos atentados na Noruega, grande parte da imprensa rapidamente o associou à “extrema-direita”. Termo bastante inclusivo, onde cabem tendências políticas por vezes antagónicas, mas que serve para criar uma amálgama a partir da qual é possível culpar as ideias por actos criminosos e indefensáveis. Uma das acusações prontamente feitas a Anders foi a de que se tratava de um “neo-nazi” com ligações aos movimentos da direita radical europeia. Analisando o seu manifesto e a sua actividade na Internet é possível ultrapassar essa cortina de fumo para tentar chegar ao que realmente passava na cabeça deste psicopata assassino.

Ligações políticas
No meio do turbilhão das especulações sobre as ligações políticas de Anders Breivik, o facto é que o que sabemos é que foi membro do Partido do Progresso, da direita populista e segunda força política no país, e se afirmava como “conservador”. A única “ligação” que o assassino tinha com os grupos mais radicais, aparentemente, reduzia-se a algumas mensagens publicadas em fóruns na Internet.

Maçon
Um dos aspectos menos referidos nas notícias e nos perfis feitos sobre Anders foi o facto de pertencer à maçonaria. Algo que o assassino não escondeu, publicando no seu manifesto uma fotografia com o traje maçon. No dia seguinte aos atentados, a Grande Loja da Noruega afirmava que Breivik havia sido expulso, num comunicado que foi relegado para segundo plano pela generalidade da imprensa.

Pró-homossexual
Apesar de no seu manifesto tecer algumas críticas aos homossexuais, Breivik não deixa de salientar como o islamismo os persegue e os perigos que a islamização da Europa representam para a comunidade ‘gay’. Em escritos na Internet, Anders chegou mesmo a defender os homossexuais numa perspectiva anti-muçulmana.

Pró-sionista
Anders era um assumido admirador do Estado de Israel e do sionismo, pela sua luta contra o islamismo. Considerava que era necessária uma aliança “judaico-cristã”, entre o Ocidente e os judeus contra o expansionismo islâmico.

Pró-ocidental
Ao contrário de grande parte da direita radical, que se opõe aos EUA como fonte do mundialismo e da globalização que destrói as nações, Anders era um defensor do Ocidente. Considerava que era necessário defender a civilização ocidental face aos islamitas e aos que chamava “marxistas culturais”. No seu perfil do facebook, afirmava-se fã de Churchill.

Anti-nazi
Breivik refere explicitamente no seu manifesto que ele, tal como os seus “templários”, são anti-nazis. Não só critica Hitler em relação aos judeus, como diz discordar de grande parte do nacional-socialismo, que considerava uma “ideologia morta” e prejudicial à direita. Na enumeração dos partidos políticos nacionalistas inclui os “nacionais-socialistas”, mas com a ressalva de que os considera de esquerda.

Fundamentalista cristão?
Outro aspecto importante é o da confissão religiosa do assassino de Oslo. Mais uma vez, a imprensa precipitou-se em considerá-lo um “fundamentalista cristão”. No entanto, parece que só aparentemente o seria e numa perspectiva utilitária anti-islâmica. No seu manifesto afirma que “mentiria se dissesse que era uma pessoa muito religiosa”, acrescentando que “sempre havia sido muito pragmático e influenciado por um ambiente secular”. Para que não restem dúvidas, para ele, a religião era “para pessoas fracas” e justificava-se questionando: “Qual o interesse em acreditar num poder superior se se tem confiança em si próprio? Patético.”

Elogio a Obama
Apesar de criticar o actual presidente norte-americano no seu manifesto, Anders Breivik afirmou em comentário na Internet que: “Estou totalmente de acordo que Obama era um orador e um comunicador brilhante, um dos melhores que eu vi nos últimos 30 anos”.

Esteróides e medo
No dia dos atentados Anders estava, segundo reconhece no seu manifesto, a meio de um ciclo de esteróides anabolizantes e sob o efeito de efedrina, com o objectivo de aumentar a sua ‘performance’ física e a sua agressividade. No entanto, estava com “muito preocupado em ter medo no dia da missão”. Receava que este o “paralisasse”, mas ainda assim confiava nos treinos que havia feito e na sua disciplina mental.

Psicopata
Tudo indica que Anders Breivik seja um psicopata que decidiu tentar “resolver” os problemas que via na sociedade norueguesa como se estivesse num jogo de computador. Robert Spencer, director do ‘site’ Jihad Watch e autor de vários livros a denunciar o islamismo, bastante citado por Anders no seu manifesto, afirmou em entrevista à rádio Fox que nunca nos seus escritos havia incentivado à violência e que o terrorista de Oslo só podia ser um doido. Do seu delírio assassino, apenas se pode concluir que o contributo para as ideias que supostamente defende não podia ter sido mais negativo e prejudicial. Mais um indivíduo mentalmente perturbado que acabou sacrificar dezenas de inocentes.

Extrema-direita condena
Os partidos e movimentos europeus considerados de extrema-direita foram unânimes na condenação dos atentados perpetrados por Anders Breivik, incluindo os que têm posições contra a islamização da Europa, o principal motivo assumido pelo terrorista. Bruno Gollnisch, eurodeputado do Front National, denunciou aquilo que considerou uma manipulação da imprensa "contra a direita nacional e os defensores dos valores tradicionais", acrescentando que "um assassino solitário apenas compromete os seus cúmplices e a si próprio". Em comunicado, o Vlaams Belang declarou "condenar todas as formas de violência", seja qual for a sua origem. Considerando que "a liberdade de expressão termina onde começa a violência", este partido flamengo apresentou as suas condolências às vítimas, às suas famílias e à nação norueguesa. Sobre o autor dos atentados afirmou que "o jovem delinquente não percebeu nada do que é o nacionalismo". Também Harald Vilimsky, do austríaco FPOe, deu os pêsames às famílias das vítimas e ao povo norueguês, em nome do partido, manifestando o desejo de que todos os responsáveis sejam detidos e castigados. O Partido Nacional Renovador, em Portugal, repudiou a tentativa de colagem a Anders Breivik e reiterou a sua oposição frontal a todo o tipo de violência e de barbárie.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

E agora, Viena...

Os resultados eleitorais continuam a contrariar os chantres do politicamente correcto. Segundio os primeiros resultados, o FPÖ conquistou o segundo lugar com "27,1 por cento dos votos, contra 14,83 por cento em 2005". Esta subida foi principalmente devida à campanha que denunciou, sem complexos, a islamização da Áustria, apelando ao patriotismo austríaco, e ao grande apoio da população jovem. Um dos slogans polémicos utilizados na campanha foi "Mehr mut für unser Wiener Blut", que significa "mais coragem para o nosso sangue vienês" e que remete para o compositor Strauss e o falecido cantor pop austríaco Falco. A seguir, uma frase que rima com a anterior e que diz "estrangeiros a mais não fazem bem a ninguém". Polémicas à parte, a verdade é que Strache conseguiu um resultado histórico, à semelhança do falecido Jörg Haider, em 1996.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O mau jornalismo habitual (VIII)

A bolorenta história do "Fujam, fujam que o Hitler voltou!" já enjoa, mas continua a vender, pelos vistos... Quando há algum resultado mais expressivo de um partido do verdadeiro albergue espanhol que é a área da chamada (por vezes convenientemente) "extrema-direita", somos presenteados com os alarmismos do costume sobre um iminente "regresso do nazismo". Podia ser piada de mau gosto, mas tornou-se prática corrente. Para além disso, como se está a tratar dos "maus", tudo é permitido, até erros crassos.

Vem isto a propósito das duas páginas que o "Expresso" (o tal "jornal de referência" para os bem-pensantes) dedica ao crescimento da "extrema-direita" na Europa, que considera "uma ameaça". O carácter tendencioso do artigo está bem reflectido no título "Uma sombra paira sobre a Europa". E não, este não é um texto sobre poluição atmosférica.

Para ilustrar a peça, temos um mapa do Velho Continente com uma suástica por cima. Não se faz a coisa por menos! Tal opção choca de frente com a nota sobre a Holanda e o partido de Geert Wilders, de que se diz: "Discurso anti-islâmico, associando o islão à criminalidade. Compara o Corão ao Mein Kampf de Hitler." Em que ficamos? Serão "nazis" anti-nazis?

Para dar mais um exemplo, no caso do nosso país, a "extrema-direita" é representada pelo "Partido Renovador Democrático"! Gralha? Erro deliberado? O Partido Nacional Renovador existe há dez anos e concorreu a diversos actos eleitorais. Mesmo que houvesse dúvidas, hoje existe a internet... 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A vez da Suécia


A estafada história de espantar sobre o "papão da extrema-direita" vai ser repetida como sempre a propósito dos 5,7% atingidos pelos Democratas Suecos, que lhes garantiram 20 deputados no parlamento sueco. Uma verdadeira vitória já que, devido às suas propostas anti-imigração, o partido liderado por Jimmie Akesson ter sofrido um verdadeiro bloqueio mediático.

Há uma coisa que deixa completamente baralhados os suspeitos do costume. Aqueles países que antes eram apontados como exemplos de abertura e integração, começam agora a despertar para os graves problemas da imigração desregrada que se tornou numa verdadeira invasão do continente europeu. Primeiro foi a Holanda e agora a Suécia. Outros se seguirão.

Por fim, há a registar a falta de respeito e consideração com que continuam a ser tratados todos os partidos rotulados (por vezes convenientemente) como "extrema-direita" e os seus eleitores. Se cumprem as regras do jogo democrático, merecem ser tratados da mesma forma, concorde-se ou não com eles.