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terça-feira, 22 de outubro de 2013

"As multinacionais são cancros que têm nos seus genes o lucro ilimitado"

Em entrevista ao jornal «Arquitecturas», Hermann Knoflacher, director do Instituto do Planeamento e Tecnologia de Transportes, da Universidade de Viena, afirma que "deixámos de construir as cidades para as pessoas".

De facto, cada vez mais vemos que o nosso habitat urbano é centrado no automóvel. Para Knoflacher, em Portugal "gastou-se mal o dinheiro da UE. Enquanto noutros sítios estão a eliminar as auto-estradas, aqui continuam a construí-las". Para este professor universitário, que é agricultor nas horas vagas, esta estratégia está errada. Isto porque, segundo ele, "as auto-estradas não empregam pessoas. O dinheiro deixa de circular no bairro. O que é pago com cartões de plástico nas grandes superfícies sai do país".

Sem papas na língua, afirma que "as multinacionais são cancros que têm nos seus genes o lucro ilimitado". Assim, ter demasiadas estradas e carros é mau para a economia nacional, porque "este sistema de transportes rápidos favorece a centralização do poder". Ou seja, as multinacionais, as mesmas que, nas palavras de Knoflacher, "controlam os Estados hoje em dia".

Sobre Lisboa, diz que não é das piores cidades, porque "tem pessoas na rua" e sugere a criação de mais zonas pedonais e o investimento em transportes públicos.

Hermann Knoflacher vive numa quinta a 24 km do seu local de trabalho, para o qual se desloca diariamente de metro e comboio. Acredita que é possível viver sem carros, ou pelo menos com uma percentagem muito inferior à que existe hoje em dia. Para ele, é uma atitude evolutiva. "Os condutores estão sentados nos carros como os ancestrais macacos estavam nas árvores. Temos que voltar à nossa posição erecta", afirma.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Local contra global

Um estudo da Deco-Proteste revelou que Lisboa e Porto são as regiões com os supermercados mais baratos e que os mais caros ficam em Bragança, Guarda e Beja. Ou seja, os preços são mais baixos nas grandes cidades e mais altos no Interior. A explicação, garantem os “especialistas”, está na concorrência. Nos sítios onde há maior concentração de superfícies comerciais há maior tendência para uma guerra de preços de modo a atrair clientela. Conclusão, numa óptica puramente consumista, é melhor viver nas grandes cidades.

Ora, é exactamente essa a tendência do mundo globalizado, esse grande mercado planetário onde as fronteiras se desvanecem e as pessoas passam a ser meros consumidores. Desenraizados e uniformizados, os cidadãos passam a reger-se pelas leis do mercado, sendo apenas a última unidade de uma imensa linha de produção.

Este projecto de sociedade massificada encontra o seu maior obstáculo nas pátrias e nas comunidades nacionais e locais. Não se trata de uma consideração filosófica etérea, mas algo que podemos e devemos aplicar à nossa escala.

No caso dos produtos que consumimos, a crise veio recordar-nos que podemos bem viver sem os excessos e fez-nos repensar as nossas prioridades.

Perante os dados sobre as diferenças de preços nos supermercados, é tempo de recuperar as economias locais que foram arrasadas pelas grandes redes de distribuição. Não só teremos melhores preços nas pequenas localidades, como se dinamizarão zonas constantemente “esquecidas” do País, mantendo tradições antigas, devolvendo-lhes a vida.

A luta do local contra o global começa na nossa terra e estende-se à nossa pátria. É uma luta pela nossa identidade.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Chinatown, Lisboa?

Confesso que o episódio da Chinatown proposta por Maria José Nogueira Pinto me tem divertido. As lojas chinesas são uma praga; não só em Lisboa, mas em todo o país. Pouco ou nada tem sido feito para denunciar esta situação, com a honrosa excepção do PNR, o que provocou automaticamente um caso de perseguição política, para o qual alertei aqui.

Agora, a Zezinha, como é carinhosamente tratada pela imprensa, defende a concentração do comércio chinês num único local. Foi um fartote! Mais uma que é etiquetada com a conveniente classificação de “racista”. Aquele grupelho dos SOS Racistas, até a acusou de “limpeza étnica”! Os dislates do costume...

Quanto à localização das lojas chinesas que existem em Portugal, tenho uma proposta: República Popular da China.