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sexta-feira, 28 de julho de 2017

O regresso dos agentes espácio-temporais


Valérian e Laureline foram mais uns daqueles heróis de Banda Desenhada que preencheram o imaginário da minha adolescência. A propósito da sua recente transmutação em filme, o «Público» teve a óptima ideia de republicar a colecção integral em álbuns duplos. É pena que não tenha optado pela edição em capa dura, mas está de parabéns por continuar a não ceder à crescente imposição do famigerado Acordo Ortográfico. Assim, podemos reler as aventuras da mais famosa dupla de agentes espácio-temporais tal e qual como quando éramos jovens sonhadores.

Relativamente ao filme, realizado por Luc Besson e que tenta levar estes heróis (ou uma versão deles) para o mercado do outro lado do Atlântico, tenho as maiores reservas, mas ainda assim tenciono vê-lo. O Eurico de Barros, que é um apreciador da BD como eu, escreveu que mesmo com reservas, "o filme é muito mais potável do que um apreciador da série de BD desde a primeira hora (como é o autor destas linhas) poderia temer, sobressaindo clara e positivamente de entre tudo o que tem sido feito nesta ingrata área das adaptações de BD franco-belga ao cinema." Veremos...

segunda-feira, 10 de abril de 2017

terça-feira, 5 de julho de 2016

Robin Hardy (1929-2016)


Robin Hardy, o realizador britânico que marcou o Cinema com o seu magnífico "The Wicker Man" (1973), morreu no passado dia 1 de Julho com 86 anos de idade. Que os Deuses o acolham!

sábado, 2 de julho de 2016

The Deer Hunter


«Stanley, see this? This is this. This ain't something else. This is this. From now on, you're on your own.»

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Livros nos filmes (V)


Jamie Bell, no papel de Jimmy no remake de "King Kong" (2005), a ler "Heart of Darkness" de Joseph Conrad.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Abandonado


“71”, estreia do francês Yann Demange como realizador no Cinema, é uma descida ao início dos “Troubles” na Irlanda do Norte. O jovem militar britânico Gary Hook (Jack O'Conell) é mobilizado para Belfast e descobre que o conflito que é “em casa” está afinal muito distante. Depois de deixado para trás numa missão de apoio a uma rusga feita pela Royal Ulster Constabulary, inicia uma corrida pela vida onde descobre que o confronto entre católicos e protestantes tem muitos lados e que as fidelidades são flutuantes.

O filme arrasa com qualquer concepção romântica da guerra e da instituição militar, mas é o lado adolescente que mais se evidencia nesta dura lição de vida. A tenra idade de tantos combatentes, a sua proximidade pela vizinhança e a ingenuidade que se perde abruptamente, são um espelho da própria vida de Hook. Ele é um homem sozinho contra todos e, no fim de contas, o que interessa verdadeiramente é o seu irmão mais novo Darren. Uma criança que é toda a sua família e pela qual vale a pena lutar. O único motivo pelo qual tem que sobreviver.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Ir em cantigas...

Já se sabia que ia dar asneira... Diz o Eurico de Barros que «“O Pátio das Cantigas” versão 2015 é um calhau de comédia, pesado de graçolas chineleiras, de bocas “tás-a-ver-ó-meu?”, de humor de tasca, de situações apalhaçadas, de palha de riso, de glosas menores do filme original, sem uma ideia cómica, um rasgo visual, um “gag” que fique de recordação, uma piada que perdure nos ouvidos e seja citável para a posteridade.» O pior é que este filme é o primeiro de uma trilogia dos clássicos da comédia portuguesa, como “O Leão da Estrela” e “A Canção de Lisboa”. Uma desgraça nunca vem só... É melhor não ir em cantigas.


Os responsáveis por este remake não devem ter visto com atenção a famosa cena do candeeiro, porque há uma passagem que é exactamente para eles: «Julgam que são alguém sem se lembrarem que há outros que estão muito acima (onde é que eu já li isto!?)»

sábado, 11 de abril de 2015

Juventude



Este é o 'teaser trailer' do novo filme de Paolo Sorrentino, "La giovinezza", que conta com um elenco de luxo (Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Paul Dano, Jane Fonda), para aumentar a nossa curiosidade até à estreia em Maio. Promete...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Um cineasta português


“É tão lento que parece um filme do Manoel de Oliveira.” Este é um exemplo dos comentários ignorantes – supostas piadas – com que muitos portugueses tratavam o cineasta português. A ignorância, esclareça-se, não está no facto de não conseguirem atingir a obra de Oliveira, como pretendem alguns pseudo-críticos, mas pelo simples motivo de nunca terem visto qualquer filme realizado por ele.

Agora, na hora da sua morte, é louvado e apreciado. Mas recorde-se que foi no estrangeiro (quantas vezes já assistimos ao mesmo?) que o seu talento, mestria e valor foram notados e enaltecidos. Por cá, com a aprovação da estranja, foi sendo aceite, mas continuava um desconhecido.

Nos obituários, a ‘intelligentsia’ apressou-se a lembrar a sua episódica prisão antes do 25 de Abril. Sobre o caso, recordei-me da entrevista que deu ao “Diário de Notícias”, em 2011. Quando perguntado sobre os problemas que tinha tido com a PIDE, respondeu: “Não tive problemas com a PIDE. A PIDE é que teve problemas comigo! Fiz uma reunião, disse coisas que eram certas e, por serem certas, meteram-me na cadeia durante uns oito, dez dias. E depois viram que não tinham razão, não podiam, soltaram-me. Houve um movimento também favorável, mas não se pode dizer, a verdade verdadeira não se pode dizer porque é um risco.” Ao que o entrevistador reagiu, “‘Era’ um risco?”, mas o realizador não se deixou ficar: “Era... não sei se ainda é. Sabe que esta história política é muito difícil, muito grave. Há uma desmobilização fortíssima, há uma perda de valores enorme! Hoje a aldrabice monta por aí com toda a força, e isso é triste.”

No final da entrevista, demonstrou a sua humildade, afirmando: “Não me sinto realizado! Estou a tentar realizar-me neste curto espaço que me resta.” Realizou-se. Partiu um grande português que será para sempre um dos maiores da Sétima Arte.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A vulgarização da sociedade

“As Cinquenta Sombras de Grey” é a história em tom ligeiro de uma relação sadomasoquista entre um milionário e uma universitária que se tornou um ‘best-seller’ mundial. A passagem do livro ao cinema impulsionou mais ainda um fenómeno que interessa analisar.

Para o crítico de cinema Eurico de Barros, os autores “conseguiram a proeza de fazer um filme tão erótico como o presidente Robert Mugabe a tomar duche, tão excitante como ver uma parede pintada de fresco a secar, tão ‘perigoso’ como um chihuahua recém-nascido e tão ‘transgressor’ como uma velhota a atravessar uma rua um centímetro ao lado da passadeira de peões”. Razões de sobra para o evitar, mas nem a má qualidade do filme parece impedir que seja um êxito semelhante aos livros.

Paralelamente ao sucesso de bilheteira, o filme motivou uma corrida às ‘sex shops’, onde cada vez mais pessoas procuram adereços sexuais “atrevidos”.

Podemos ironizar, mas o que está em causa é mais preocupante. É uma das consequências da vulgarização da sociedade, que implica uma involução.

Como escreveu António Marques Bessa, o perigo da homogeneidade “implica uma perda nas capacidades de resposta da espécie humana no seu conjunto, apresenta também fenómenos secundários de domesticação corporal, como o aumento de gordura, diminuição de combatividade, obsessões sexuais, diminuição da selectividade sexual e outros elementos negativos para a conservação da nossa espécie. A uniformização e a vulgarização são também aspectos de uma regressão civilizacional, já que o caminho ascendente se caracteriza por uma crescente diferenciação e um maior grau de organização”.

Para além de um problema civilizacional, há uma questão íntima. As relações humanas não se resumem ao aspecto físico, muito menos a práticas ditadas por uma moda. Recordo-me do que escreveu o argentino Adolfo Bioy Casares: “a intimidade não consiste unicamente em despirmo-nos e abraçarmo-nos, como pessoas ingénuas o imaginam, mas em comentar o mundo”.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Português

"The Drop", de Michaël R. Roskam, é um filme passado num bar nova-iorquino, onde se cruzam figuras do submundo do crime, sobre a ganância, a gabarolice e a frieza, mas também sobre o amor. Nesta que é uma das últimas aparições no grande ecrã de James Gandolfini, há uma cena memorável onde ele, no papel de Cousin Marv, explica que no Brasil se fala português...


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Futuro presente


Morreu P. D. James, escritora britânica conhecida pelos sua vasta obra de policiais. Em 1992 publicou a distopia "Os Filhos dos Homens", que seria adaptada ao cinema por Alfonso Cuarón, em 2006. Concordo com Slavoj Žižek quando diz que o mais importante está no 'background' e que a verdadeira infertilidade retratada é o desespero de uma sociedade sem História. De facto, os pormenores que preenchem o cenário em que decorre a acção são merecedores de atenção redobrada, em especial nos tempos conturbados de fim de ciclo em que vivemos. Um filme a rever sob outra perspectiva.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Aceitar o inaceitável


“Gone Girl” (vamos esquecer a tradução portuguesa do título) é o Fincher que esperamos, com Rosamund Pike num papel que lhe assenta que nem uma luva e um Affleck que até nem vai mal. Um thriller como deve ser, mas temperado pela ditadura mediática contemporânea, onde se passa de bestial a besta e vice-versa num esfregar de olhos, e com uma reflexão final: será que estamos dispostos a aceitar o inaceitável?