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sábado, 10 de setembro de 2016
No 450.º aniversário de Alonso Sánchez Coello
domingo, 27 de março de 2016
Sobre as origens do templo grego
Na edição de Março da revista "Descubrir el Arte", há um interessante artigo de Antonio Penadés sobre as origens do templo grego. O autor do texto recorda que "os recintos sagrados da antiga Hélade emulavam os bosques em que moravam os deuses" e conclui afirmando: "Os templos gregos, definitivamente, possuíam um significado muito profundo que excede amplamente a questão estética. Por isso, não podemos hoje ficar nesse estado na hora de contemplar os seus restos e tentar compreendê-los. Há que ter em conta que a arte pela arte é uma ficção moderna e que naquele tempo a beleza, ainda que fosse importante, devia estar em todo o caso ao serviço do significado original do templo. Só a partir destas premissas, entendendo que eram edifícios sagrados que tinham símbolos antiquíssimos, é possível saborear de verdade os templos gregos e apreciar com fundamento a sua beleza incomparável."
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
As artes decorativas na 'obra de arte total' de Raul Lino
Raul Lino é uma referência maior na Arquitectura nacional, mas o seu contributo não se esgota no perfil de arquitecto da Casa Portuguesa. É por isso de saudar a publicação de “Raul Lino – Natureza e Tradição nas Artes Decorativas”, pela editora Scribe, um trabalho excepcional no qual a sua sobrinha-bisneta revela a atenção de Raul Lino ao pormenor, expressa nas artes decorativas.
A atenção ao pormenor é uma das características de Raul Lino (1879-1974) – um artista total – que, como já escrevi num editorial em sua homenagem no semanário «O Diabo», era capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.
Esta obra de Maria do Carmo Lino é a adaptação da sua dissertação de mestrado em História de Arte defendida na Universidade Lusíada de Lisboa, que torna acessível ao público em geral a obra de Raul Lino no domínio das artes decorativas. É uma síntese formidável de mais de 70 anos de produção artística sem interrupção e contempla propostas para decoração de interiores, respectivo mobiliário, frescos decorativos, azulejaria, faianças e porcelanas, serralharia artística, ferragens, cenografia e figurinos, ilustrações, ex-libris, bilhetes-postais, programas de espectáculos, panos de mesa e vestidos bordados. Como afirma a autora, põe “em prática o conceito de obra de arte total”.
O livro, com uma bela composição gráfica e bem ilustrado, apresenta uma síntese biográfica de Raul Lino, o contexto das artes decorativas na sua formação e a proposta do arquitecto da obra de arte total, em capítulos diferentes, que nos enquadram para o capítulo onde os trabalhos nas várias artes decorativas são elencados e explicados.
Por fim, a obra oferece-nos talvez o texto mais interessante – uma verdadeira descoberta! A autora analisa a missão extraordinária de que Raul Lino foi incumbido em 1940: mobilar e guarnecer a Legação de Portugal em Berlim, com “carta branca e total autonomia”. Esta experiência, que foi um exemplo de obra de arte total, perdeu-se infelizmente em 1945, pouco depois de estar concluída, quando os jardins do edifício foram atingidos por uma bomba incendiária que destruiu praticamente tudo. O que sobrou foi pilhado pelas tropas russas.
Felizmente, esse trabalho foi agora resgatado ao esquecimento, assim como uma faceta menos conhecida de Raul Lino. Um livro obrigatório.
sábado, 24 de outubro de 2015
Paisagens simbólicas
sábado, 30 de agosto de 2014
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Pintura
«If you want to find out something about painting you go to the National Gallery, or the Salon Carre, or the Brera, or the Prado, and LOOK at the pictures. For every reader of books of art, 1,000 people go to LOOK at the paintings. Thank heaven!»
Ezra Pound
in "ABC of Reading"
domingo, 9 de fevereiro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Charles de Steuben
Bataille de Poitiers, en octobre 732
1837, óleo sobre tela, 5,42 × 4,65 m
Musée du Château de Versailles
França
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Raspail por Terpant
Jean Raspail por Jacques Terpant. Como já escrevi, é o encontro de "dois grandes talentos". Ainda bem!
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Eduardo Viana
K4 Quadrado Azul
c. 1916, óleo sobre tela, 47,5 x 56 cm
Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian
Lisboa
quinta-feira, 4 de julho de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Hopper
A capital francesa teve o privilégio de receber uma magnífica exposição retrospectiva do pintor realista norte-americano Edward Hopper (1882-1962). Esteve patente nas Galerias Nacionais Grand Palais desde o dia 10 de Outubro do ano passado até ao dia 3 de Fevereiro deste ano, atingindo o impressionante número de cerca de 785 mil visitantes. Este é o relato de um apaixonado pela sua obra.
Cheguei a Hopper na minha adolescência através do seu quadro mais conhecido, “Nighthawks”, de 1942. O enigmático ‘diner’ prendeu prontamente a minha atenção e curiosidade. Quem seriam aquelas “aves nocturnas”? O que as levaria ali? Havia uma atracção naquela solidão misteriosa à qual não resisti. Os anos passaram e fui conhecendo, a pouco e pouco, cada vez mais o trabalho de Hopper. Primeiro com a edição, a um preço convidativo, a ele dedicada, publicada pela Taschen, depois com a facilidade de acesso à informação gerada pela ‘internet’. No entanto, embora já apreciador, só vi pela primeira vez quadros dele expostos numa visita a Madrid, ao Museu Thyssen-Bornemisza, onde me deleitei especialmente com o estupendo “Hotel Room”, de 1931. Recentemente, uma das suas paisagens costeiras, “Square Rock, Ogunquit”, de 1914, esteve em Lisboa, na exposição “As Idades do Mar”, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
A notícia da retrospectiva em Paris, ainda por cima com a vinda de “Nighthawks” à Europa – algo que os dedos de uma mão chegam para contar – fez reservar automaticamente uma viagem. Fui em finais de Novembro do ano passado, o tempo estava bastante frio e via-se já a feira de Natal nos Campos Elísios. Chegado à entrada do Grand Palais, fui informado por uma funcionária que o tempo médio de espera, na rua, era de uma hora e meia. Mas nada me podia demover do meu objectivo, nem mesmo a chuva ocasional que acabou por encharcar-me enquanto aguardava pacientemente.
O ambiente no museu era de grande movimento e o público lotava as primeiras salas da enorme exposição, principalmente aquelas onde estavam expostos os quadros que Hopper pintou em Paris, com paisagens locais, numa das poucas deslocações que fez ao estrangeiro, ainda jovem.
Confesso que descurei um pouco essa primeira parte e também as dedicadas à vida durante a Grande Depressão e ao trabalho de Hopper como ilustrador, algo que o próprio não gostava, mas que acabou por ser o seu ganha-pão durante uns tempos. Fui rapidamente ao encontro de “Nighthawks” e a experiência foi única. Não deixou de ser uma sensação estranha ver finalmente um dos meus quadros favoritos, que só conhecia através da imagem; agora, a coisa estava à minha frente. Mas nem este momento único me impediu de apreciar, durante quase um dia, intervalando apenas para almoçar, toda a maravilhosa reunião da obra de um dos pintores que mais aprecio.
O trabalho de Hopper é completo. Não são apenas a solidão e o realismo que marcam a sua obra impressionante. Outro elemento muito importante é a luz, com os efeitos das sombras, mas também as cores. Para além das pinturas com elementos humanos, este é um artista magistral a representar paisagens, sejam naturais, sejam construídas. É quase como se atingíssemos nestes recortes da vida observada uma realidade mais que real. Esta exposição foi um daqueles momentos que se desejam durante uma vida. Felizmente, por vezes os desejos realizam-se!
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| Nighthawks (1942) |
Cheguei a Hopper na minha adolescência através do seu quadro mais conhecido, “Nighthawks”, de 1942. O enigmático ‘diner’ prendeu prontamente a minha atenção e curiosidade. Quem seriam aquelas “aves nocturnas”? O que as levaria ali? Havia uma atracção naquela solidão misteriosa à qual não resisti. Os anos passaram e fui conhecendo, a pouco e pouco, cada vez mais o trabalho de Hopper. Primeiro com a edição, a um preço convidativo, a ele dedicada, publicada pela Taschen, depois com a facilidade de acesso à informação gerada pela ‘internet’. No entanto, embora já apreciador, só vi pela primeira vez quadros dele expostos numa visita a Madrid, ao Museu Thyssen-Bornemisza, onde me deleitei especialmente com o estupendo “Hotel Room”, de 1931. Recentemente, uma das suas paisagens costeiras, “Square Rock, Ogunquit”, de 1914, esteve em Lisboa, na exposição “As Idades do Mar”, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
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| Hotel Room (1931) |
A notícia da retrospectiva em Paris, ainda por cima com a vinda de “Nighthawks” à Europa – algo que os dedos de uma mão chegam para contar – fez reservar automaticamente uma viagem. Fui em finais de Novembro do ano passado, o tempo estava bastante frio e via-se já a feira de Natal nos Campos Elísios. Chegado à entrada do Grand Palais, fui informado por uma funcionária que o tempo médio de espera, na rua, era de uma hora e meia. Mas nada me podia demover do meu objectivo, nem mesmo a chuva ocasional que acabou por encharcar-me enquanto aguardava pacientemente.
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| Grand Palais, Paris. |
O ambiente no museu era de grande movimento e o público lotava as primeiras salas da enorme exposição, principalmente aquelas onde estavam expostos os quadros que Hopper pintou em Paris, com paisagens locais, numa das poucas deslocações que fez ao estrangeiro, ainda jovem.
Confesso que descurei um pouco essa primeira parte e também as dedicadas à vida durante a Grande Depressão e ao trabalho de Hopper como ilustrador, algo que o próprio não gostava, mas que acabou por ser o seu ganha-pão durante uns tempos. Fui rapidamente ao encontro de “Nighthawks” e a experiência foi única. Não deixou de ser uma sensação estranha ver finalmente um dos meus quadros favoritos, que só conhecia através da imagem; agora, a coisa estava à minha frente. Mas nem este momento único me impediu de apreciar, durante quase um dia, intervalando apenas para almoçar, toda a maravilhosa reunião da obra de um dos pintores que mais aprecio.
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| Self Portrait (1925-30) |
O trabalho de Hopper é completo. Não são apenas a solidão e o realismo que marcam a sua obra impressionante. Outro elemento muito importante é a luz, com os efeitos das sombras, mas também as cores. Para além das pinturas com elementos humanos, este é um artista magistral a representar paisagens, sejam naturais, sejam construídas. É quase como se atingíssemos nestes recortes da vida observada uma realidade mais que real. Esta exposição foi um daqueles momentos que se desejam durante uma vida. Felizmente, por vezes os desejos realizam-se!
sexta-feira, 28 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Quatro homens numa paisagem hostil
Este é o título da crónica de Arturo Pérez-Reverte sobre o quadro "La patrulla", de Augusto Ferrer-Dalmau, a quem chama "nuestro pintor de batallas". O quadro é uma homenagem aos espanhóis que combatem no Afeganistão e o escritor traça a ligação aos soldados de sempre do seu país: «Misión de paz, misión de guerra, fiel infantería de toda la vida, la misma que aparece en el ya legendario lienzo sobre el último cuadro en Rocroi. La vieja y única historia posible: lealtad a los compañeros inmediatos más que a las grandes palabras huecas y a las cambiantes banderas donde tanto canalla se envuelve y medra. Un cuadro grande, un paisaje árido, unos soldados. Cuatro españoles que caminan por un paisaje hostil, protegiéndose serenos unos a otros. Sabiendo que nadie les agradecerá nada. Realizando con pundonor y sencillez el trabajo por el que les pagan, como llevan haciéndolo desde hace siglos. Desde que la palabra guerra, por azares de la vida y de la Historia, se interpone en el camino del ser humano.»
No final da crónica, Pérez-Reverte relata o pedido que o pintor lhe fez: «"Quiero que pongas alguna cosa detrás de La patrulla, de tu puño y letra, y que lo firmes. Que quede ahí para siempre". Es un honor, respondo. Me entrega un rotulador, y con él me voy detrás del cuadro. Pienso un momento, y escribo: "Durante siglos, en cada una de sus huellas estuvo España"».
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| La Patrulla, Augusto Ferrer-Dalmau (2013). |
No final da crónica, Pérez-Reverte relata o pedido que o pintor lhe fez: «"Quiero que pongas alguna cosa detrás de La patrulla, de tu puño y letra, y que lo firmes. Que quede ahí para siempre". Es un honor, respondo. Me entrega un rotulador, y con él me voy detrás del cuadro. Pienso un momento, y escribo: "Durante siglos, en cada una de sus huellas estuvo España"».
quinta-feira, 16 de maio de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
A Veneza de Canaletto
Pude visitar, na capital francesa, uma exposição exclusivamente dedicada às obras venezianas do pintor italiano Canaletto. Esteve patente no Museu Maillol e juntou cinquenta obras, o caderno de esboços e um fac-símile da câmara escura, o instrumento óptico que auxiliava nas suas pinturas.
O Museu Maillol surgiu em 1995 por Dina Vierny, modelo do escultor francês, de origem catalã, Aristide Maillol (1861–1944). Tem uma colecção permanente com vários trabalhos do artista que lhe dá o nome, bem como de outros pintores e escultores. Organiza também várias exposições temporárias, como a dedicada a Canaletto, bem como a do universo Pixi, de Alexis Poliakoff, que exibiu as pequenas figuras de chumbo que reproduzem grande parte dos mais conhecidos heróis da banda desenhada franco-belga, do Tintin ao Astérix, passando pelos Estrumpfes.
Giovanni Antonio Canal (1697–1768), mais conhecido como Canaletto, é o mais célebre dos pintores das ‘vedute’, ou seja das vistas ou paisagens urbanas, venezianas. Desde cedo viu a sua obra reconhecida e conseguiu atingir um estatuto de celebridade considerável. Iniciou a carreira na sua cidade natal, sendo Veneza o tema mais forte da sua produção. Viveu durante um período da sua vida em Inglaterra, onde o cônsul inglês em Veneza, Joseph Smith, o apresentou a ricos clientes. Quando regressa torna-se membro da Academia Veneziana de Pintura e Escultura.
Nesta exposição foi possível ver um número bastante grande de obras, que mostram o evoluir do seu trabalho, todas dedicadas a Veneza, no seu registo de uma quase fotografia artística. Verdadeiras imortalizações de pedaços de uma cidade por quem tantos ainda se apaixonam, com um pormenor impressionante, mas sujeitas ao toque pessoal de Canaletto.
Um dos aspectos que mais nos capta a atenção nas suas pinturas é a luz. Aproveitando a deixa, posso dizer que esta exposição é mais uma luz na “cidade da luz”, que nos permite ver todo o percurso do mestre do ‘vedutismo’ através do seu excepcional legado.
O Museu Maillol surgiu em 1995 por Dina Vierny, modelo do escultor francês, de origem catalã, Aristide Maillol (1861–1944). Tem uma colecção permanente com vários trabalhos do artista que lhe dá o nome, bem como de outros pintores e escultores. Organiza também várias exposições temporárias, como a dedicada a Canaletto, bem como a do universo Pixi, de Alexis Poliakoff, que exibiu as pequenas figuras de chumbo que reproduzem grande parte dos mais conhecidos heróis da banda desenhada franco-belga, do Tintin ao Astérix, passando pelos Estrumpfes.
Giovanni Antonio Canal (1697–1768), mais conhecido como Canaletto, é o mais célebre dos pintores das ‘vedute’, ou seja das vistas ou paisagens urbanas, venezianas. Desde cedo viu a sua obra reconhecida e conseguiu atingir um estatuto de celebridade considerável. Iniciou a carreira na sua cidade natal, sendo Veneza o tema mais forte da sua produção. Viveu durante um período da sua vida em Inglaterra, onde o cônsul inglês em Veneza, Joseph Smith, o apresentou a ricos clientes. Quando regressa torna-se membro da Academia Veneziana de Pintura e Escultura.
Nesta exposição foi possível ver um número bastante grande de obras, que mostram o evoluir do seu trabalho, todas dedicadas a Veneza, no seu registo de uma quase fotografia artística. Verdadeiras imortalizações de pedaços de uma cidade por quem tantos ainda se apaixonam, com um pormenor impressionante, mas sujeitas ao toque pessoal de Canaletto.
Um dos aspectos que mais nos capta a atenção nas suas pinturas é a luz. Aproveitando a deixa, posso dizer que esta exposição é mais uma luz na “cidade da luz”, que nos permite ver todo o percurso do mestre do ‘vedutismo’ através do seu excepcional legado.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Amadeo
Tal como havia feito para Cassiano Branco, o Google decidiu hoje recordar Amadeo de Souza-Cardoso a propósito do seu aniversário, com um novo doodle comemorativo.
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