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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
As artes decorativas na 'obra de arte total' de Raul Lino
Raul Lino é uma referência maior na Arquitectura nacional, mas o seu contributo não se esgota no perfil de arquitecto da Casa Portuguesa. É por isso de saudar a publicação de “Raul Lino – Natureza e Tradição nas Artes Decorativas”, pela editora Scribe, um trabalho excepcional no qual a sua sobrinha-bisneta revela a atenção de Raul Lino ao pormenor, expressa nas artes decorativas.
A atenção ao pormenor é uma das características de Raul Lino (1879-1974) – um artista total – que, como já escrevi num editorial em sua homenagem no semanário «O Diabo», era capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.
Esta obra de Maria do Carmo Lino é a adaptação da sua dissertação de mestrado em História de Arte defendida na Universidade Lusíada de Lisboa, que torna acessível ao público em geral a obra de Raul Lino no domínio das artes decorativas. É uma síntese formidável de mais de 70 anos de produção artística sem interrupção e contempla propostas para decoração de interiores, respectivo mobiliário, frescos decorativos, azulejaria, faianças e porcelanas, serralharia artística, ferragens, cenografia e figurinos, ilustrações, ex-libris, bilhetes-postais, programas de espectáculos, panos de mesa e vestidos bordados. Como afirma a autora, põe “em prática o conceito de obra de arte total”.
O livro, com uma bela composição gráfica e bem ilustrado, apresenta uma síntese biográfica de Raul Lino, o contexto das artes decorativas na sua formação e a proposta do arquitecto da obra de arte total, em capítulos diferentes, que nos enquadram para o capítulo onde os trabalhos nas várias artes decorativas são elencados e explicados.
Por fim, a obra oferece-nos talvez o texto mais interessante – uma verdadeira descoberta! A autora analisa a missão extraordinária de que Raul Lino foi incumbido em 1940: mobilar e guarnecer a Legação de Portugal em Berlim, com “carta branca e total autonomia”. Esta experiência, que foi um exemplo de obra de arte total, perdeu-se infelizmente em 1945, pouco depois de estar concluída, quando os jardins do edifício foram atingidos por uma bomba incendiária que destruiu praticamente tudo. O que sobrou foi pilhado pelas tropas russas.
Felizmente, esse trabalho foi agora resgatado ao esquecimento, assim como uma faceta menos conhecida de Raul Lino. Um livro obrigatório.
domingo, 18 de outubro de 2015
Raul Lino em Cascais
Foi na Casa de Santa Maria, em Cascais, que uma plateia atenta assistiu ontem ao lançamento das Actas do IV Ciclo de Conferências Raul Lino em Sintra, com apresentação de António Braz Teixeira e Rodrigo Sobral Cunha. O concluir de uma iniciativa louvável, que é apenas um início...
Em 2014, ano em que se assinalaram os 40 anos do falecimento do arquitecto e os 100 anos da inauguração da sua Casa do Cipreste, iniciou-se o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, que decorreu em quatro ciclos de conferências, segundo as Estações do ano, organizado por Rodrigo Sobral Cunha, docente do IADE. As comunicações apresentadas no último ciclo, realizado em no Palácio de Seteais em Fevereiro deste ano, cujas actas foram agora publicadas e constituem o maior volume dos quatro, ficam agora acessíveis a todos os que queiram conhecer e estudar o trabalho, o talento e a importância de Raul Lino.
Como notou Rodrigo Sobral Cunha na sua apresentação, os quatro volumes publicados atingem uma dimensão e qualidade impressionantes. O docente do IADE recordou o interesse que o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra gerou, nomeadamente a participação de várias instituições e a adesão de um público inteligente.
De seguida, António Braz Teixeira, depois de apresentar o volume agora publicado, notou alguns aspectos da obra de Raul Lino que ainda estão pouco tratados, como é o caso da sua actividade como programador de Cinema. Razão pela qual considerou que todo este trabalho não pode terminar. De facto, o entusiasmo de todos os participantes transmitiu, felizmente, a certeza de uma continuidade.
Por fim, quando estamos a celebrar um arquitecto, o espaço ganha outra importância; por isso, a escolha da belíssima Casa de Santa Maria foi óptima para esta evocação. Projectada por Raul Lino e construída em 1902 para Jorge O’Neil, tendo depois sido vendida ao engenheiro José Lino Júnior, irmão mais velho do arquitecto, que a enriqueceu com um conjunto de azulejos artísticos do século XVII e um tecto de madeira pintado a óleo, a Casa de Santa Maria é hoje um equipamento da Câmara Municipal de Cascais que se destaca pela importância dada aos eventos culturais.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
A praga dos caixotes de vidro...
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Uma frente de batalha chamada Raul Lino
A estratégia actual é outra e resume-se numa "reinterpretação". Veja-se, por exemplo, este artigo no «Público» sobre a "descoberta" de uma "casa Raul Lino no Porto", onde a investigadora Carla Garrido de Oliveira "vê na sua obra um claro impulso de pré-modernidade".
Pode passar ao lado de muita gente, mas há uma guerra cultural em curso e esta é apenas uma das frentes de batalha...
quinta-feira, 3 de abril de 2014
A nossa casa
Um português que veja uma casa projectada por Raul Lino reconhece-a automaticamente como uma casa portuguesa. É a constatação de que o arquitecto encontrou a essência de um povo na forma do seu lar.
Mais do que a Casa Portuguesa, que teorizou e concretizou, devemos falar de casas portuguesas, que respeitavam cada região captando as suas especificidades.
A atenção ao pormenor, aliás, é uma das características de Raul Lino, um artista total, capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.
Harmonia é a melhor palavra para definir a sua obra. A música feita pedra, para acolher os homens. O encontro perfeito entre o Homem e a Natureza, que tanto respeitava. Mas mais: entre um Povo e a sua Terra, numa ligação imemorial, que se sobrepõe à velocidade e à insensibilidade dos tempos modernos.
Há quem lhe chame conservador, mas Raul Lino é mais um conservador revolucionário, no seu reencontro com a Tradição. Não é um “passadista”, porque como tão bem definiu Dominique Venner, “a Tradição não é o passado, é o que não passa”. O génio de Raul Lino conseguiu atingir essa elevação na simplicidade e, por isso, também ele não passou.
Sabendo a importância do respeito pelo indivíduo na comunidade, algo muito diferente das tentações massificadoras, respeitava a casa como local sagrado de cada um. O homem que foi livre, mas enraizado, como um cipreste escreveu a esse propósito que a morada própria é “o reduto da nossa intimidade, último refúgio do indivíduo contra a investida de todas as aberrações do colectivismo”.
Houve também quem o quisesse catalogar politicamente na categoria dos “incómodos”, mas o seu talento ultrapassou tais reducionismos de ocasião e Portugal volta a descobri-lo.
É por isso de louvar o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, organizado por Rodrigo Sobral Cunha, que começa no próximo dia 3 de Abril, no Palácio de Seteais, no ano em que se assinalam os 40 anos do falecimento do arquitecto e os 100 anos da inauguração da sua Casa do Cipreste.
Mais do que a Casa Portuguesa, que teorizou e concretizou, devemos falar de casas portuguesas, que respeitavam cada região captando as suas especificidades.
A atenção ao pormenor, aliás, é uma das características de Raul Lino, um artista total, capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.
Harmonia é a melhor palavra para definir a sua obra. A música feita pedra, para acolher os homens. O encontro perfeito entre o Homem e a Natureza, que tanto respeitava. Mas mais: entre um Povo e a sua Terra, numa ligação imemorial, que se sobrepõe à velocidade e à insensibilidade dos tempos modernos.
Há quem lhe chame conservador, mas Raul Lino é mais um conservador revolucionário, no seu reencontro com a Tradição. Não é um “passadista”, porque como tão bem definiu Dominique Venner, “a Tradição não é o passado, é o que não passa”. O génio de Raul Lino conseguiu atingir essa elevação na simplicidade e, por isso, também ele não passou.
Sabendo a importância do respeito pelo indivíduo na comunidade, algo muito diferente das tentações massificadoras, respeitava a casa como local sagrado de cada um. O homem que foi livre, mas enraizado, como um cipreste escreveu a esse propósito que a morada própria é “o reduto da nossa intimidade, último refúgio do indivíduo contra a investida de todas as aberrações do colectivismo”.
Houve também quem o quisesse catalogar politicamente na categoria dos “incómodos”, mas o seu talento ultrapassou tais reducionismos de ocasião e Portugal volta a descobri-lo.
É por isso de louvar o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, organizado por Rodrigo Sobral Cunha, que começa no próximo dia 3 de Abril, no Palácio de Seteais, no ano em que se assinalam os 40 anos do falecimento do arquitecto e os 100 anos da inauguração da sua Casa do Cipreste.
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Raul Lino em Sintra
É de notar que o nome completo do simpático e acolhedor café onde decorreu o lançamento do livro é “Saudade – Vida e Arte do Povo Português”, sinal de que a escolha do local não podia ter sido melhor.
A sala encheu e os lugares sentados esgotaram-se rapidamente, mas nem por isso o ambiente se tornou pesado. Pelo contrário, sentia-se uma atmosfera familiar.
Editado pela Colares, uma editora da região, “Sintra”, de Raul Lino, é uma antologia de textos seleccionados por Rodrigo Sobral Cunha, que fez também um estudo introdutório. Como organizador do Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, cuja primeira sessão é no Palácio de Seteais, nos dias 3 e 4 de Abril, Rodrigo Sobral Cunha, docente do IADE, está de parabéns por todo o excelente trabalho de divulgação do arquitecto que teorizou a Casa Portuguesa, fazendo-nos redescobrir a nossa identidade através do lar.
A apresentação do livro foi feita por Miguel Real, que louvou exactamente este esforço de Rodrigo Sobral Cunha e salientou a sua importância. De seguida, Margarida Carpinteiro leu emotivamente umas passagens da obra, prendendo a atenção dos presentes. Por fim, o responsável por esta antologia levantou-se e dirigiu-se à audiência em tom informal, demonstrando uma extraordinária humildade, ao recusar os louros, relembrando que é a Raul Lino que são devidos. Ele limitou-se a coligir o livro que o arquitecto não chegou a compor sobre Sintra, mas que afinal escreveu. Um local mágico que Raul Lino considerava pertencer “àquela classe de valores míticos de primeira grandeza do nosso firmamento espiritual cujo culto é fervorosamente exercido por uma confraria de apaixonados”.
Essa confraria existe e reuniu-se em Sintra para celebrar um dos seus filhos espirituais.
sábado, 15 de março de 2014
Um gato enroscado ao sol
Raul Lino descrevia a Casa do Cipreste, em Sintra, como “a casa como um gato enroscado ao sol” e, se olharmos para a planta, assim parece. Mas depois de a sentirmos, no seu calor e aconchego, percebemos que a descrição não se referia apenas ao desenho. Apreciador da obra do arquitecto da Casa Portuguesa, foi com grande satisfação que a visitei, muito bem guiado e acompanhado.
O primeiro desenho do conjunto data de 1907 e a construção da casa teve início em 1912. A propriedade, numa das vertentes do Castelo dos Mouros, era designada por “Pedreira”, em memória de uma anterior actividade extractiva no local. Esta particularidade, alertaram-me, faz desta habitação “a casa menos húmida de Sintra”. Martinho Pimentel, o bisneto de Raul Lino, recebeu-nos com grande hospitalidade, depois de tocarmos o sino à porta da rua. É bom saber que a casa continua na família.
Depois de apreciarmos alguns pormenores no pátio da entrada, vimos o local de trabalho do genial arquitecto, onde desenhou vários dos seus projectos. De seguida entrámos na casa de habitação e falámos sobre a importância da porta, algo que Raul Lino salientava. Uma vez no interior do lar, fizemos um percurso completo, tentando reparar em todos os pormenores cuidados. Há uma curiosidade interessante, o chão de cada divisão é diferente, marcando claramente a passagem de um espaço para o outro.
Ao fundo de um corredor, somos parados pela vista extraordinária daquela terra mágica. À esquerda, a sala octogonal, onde Raul Lino se reunia com as importantes figuras intelectuais do seu tempo e onde agora, quase um século depois, eu, o Rodrigo Sobral Cunha, o Pedro Sinde, o Manuel Gandra e o Martinho Pimentel, descendente do arquitecto, nos sentámos para uma conversa sobre a casa e a obra de Raul Lino, onde não faltaram o chá e os ‘scones’. À direita, uma sala de refeições com uma acústica impressionante, cujos efeitos em nós são indescritíveis.
Descemos até à parte traseira e olhámos a forma harmoniosa como a casa se funde com a vertente rochosa. Passeámos pelo jardim e espreitámos o poço que dá para o reservatório de água. Mas já se fazia tarde, como sempre, e tivemos que partir – que desenroscar-nos. Ficou tanto por ver, ficou tanto por contar. Ficou a promessa de regressarmos a uma casa onde nos sentimos em casa.
O primeiro desenho do conjunto data de 1907 e a construção da casa teve início em 1912. A propriedade, numa das vertentes do Castelo dos Mouros, era designada por “Pedreira”, em memória de uma anterior actividade extractiva no local. Esta particularidade, alertaram-me, faz desta habitação “a casa menos húmida de Sintra”. Martinho Pimentel, o bisneto de Raul Lino, recebeu-nos com grande hospitalidade, depois de tocarmos o sino à porta da rua. É bom saber que a casa continua na família.
Depois de apreciarmos alguns pormenores no pátio da entrada, vimos o local de trabalho do genial arquitecto, onde desenhou vários dos seus projectos. De seguida entrámos na casa de habitação e falámos sobre a importância da porta, algo que Raul Lino salientava. Uma vez no interior do lar, fizemos um percurso completo, tentando reparar em todos os pormenores cuidados. Há uma curiosidade interessante, o chão de cada divisão é diferente, marcando claramente a passagem de um espaço para o outro.
Ao fundo de um corredor, somos parados pela vista extraordinária daquela terra mágica. À esquerda, a sala octogonal, onde Raul Lino se reunia com as importantes figuras intelectuais do seu tempo e onde agora, quase um século depois, eu, o Rodrigo Sobral Cunha, o Pedro Sinde, o Manuel Gandra e o Martinho Pimentel, descendente do arquitecto, nos sentámos para uma conversa sobre a casa e a obra de Raul Lino, onde não faltaram o chá e os ‘scones’. À direita, uma sala de refeições com uma acústica impressionante, cujos efeitos em nós são indescritíveis.
Descemos até à parte traseira e olhámos a forma harmoniosa como a casa se funde com a vertente rochosa. Passeámos pelo jardim e espreitámos o poço que dá para o reservatório de água. Mas já se fazia tarde, como sempre, e tivemos que partir – que desenroscar-nos. Ficou tanto por ver, ficou tanto por contar. Ficou a promessa de regressarmos a uma casa onde nos sentimos em casa.
domingo, 9 de março de 2014
Proporção
Raul Lino
in "Casas Portuguesas"
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A cidade deve ser repensada
«O urbanismo sofre desde há cinquenta anos a ditadura da fealdade, do sem-sentido e do curto prazo: cidades-dormitório sem horizonte, zonas residenciais sem alma, subúrbios cinzentos que servem de esgotos municipais, intermináveis centros comerciais que desfiguram a entrada das cidades, proliferação de "não-lugares" anónimos concebidos para utentes apressados, centros urbanos exclusivamente dedicados ao comércio e aos que foram despojados do seu ambiente tradicional (cafés, universidade, cinemas, teatros, praças, etc.), justaposição de imóveis sem um estilo comum, bairros degradados e entregues ao abandono ou, pelo contrário, permanentemente vigiados por guardas e câmaras de vigilância, desertificação rural e sobrepopulação urbana...
Já não se constroem habitats para viver, mas para sobreviver num ambiente urbano desfigurado pela lei da rentabilidade máxima e da funcionalidade racional. Ora, um habitat é antes de mais um habitat: trabalhar, circular e habitar não são funções que podem ser isoladas, mas antes actos complexos que afectam a totalidade da vida social. A cidade deve ser repensada como o local de encontros de todas as nossas potencialidade, o labirinto das nossas paixões e das nossas acções, em vez de expressão geométrica e fria da racionalidade planificadora. Arquitectura e urbanismo inscrevem-se, por outro lado, numa história e geografia singulares, e devem ser o seu reflexo. Isto implica a revalorização de um urbanismo enraizado e harmonioso, a reabilitação dos estilos regionais, o desenvolvimento das vilas e das pequenas cidades em forma de rede, em torno de cidades regionais, a promoção das zonas rurais, a destruição progressiva das cidades-dormitório e as concentrações estritamente comerciais, a eliminação de uma publicidade omnipresente, assim como a diversificação dos meios de transporte: abolição da ditadura do automóvel individual, transporte ferroviário de mercadorias, revitalização do transporte colectivo, consideração pelos imperativos ecológicos...»
Alain de Benoist
Já não se constroem habitats para viver, mas para sobreviver num ambiente urbano desfigurado pela lei da rentabilidade máxima e da funcionalidade racional. Ora, um habitat é antes de mais um habitat: trabalhar, circular e habitar não são funções que podem ser isoladas, mas antes actos complexos que afectam a totalidade da vida social. A cidade deve ser repensada como o local de encontros de todas as nossas potencialidade, o labirinto das nossas paixões e das nossas acções, em vez de expressão geométrica e fria da racionalidade planificadora. Arquitectura e urbanismo inscrevem-se, por outro lado, numa história e geografia singulares, e devem ser o seu reflexo. Isto implica a revalorização de um urbanismo enraizado e harmonioso, a reabilitação dos estilos regionais, o desenvolvimento das vilas e das pequenas cidades em forma de rede, em torno de cidades regionais, a promoção das zonas rurais, a destruição progressiva das cidades-dormitório e as concentrações estritamente comerciais, a eliminação de uma publicidade omnipresente, assim como a diversificação dos meios de transporte: abolição da ditadura do automóvel individual, transporte ferroviário de mercadorias, revitalização do transporte colectivo, consideração pelos imperativos ecológicos...»
Alain de Benoist
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
A nossa casa
Raul Lino
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Bota abaixo!
Os tapumes escondem o atentado. Um prédio de habitação colectiva da autoria do arquitecto modernista Cassiano Branco, datado dos anos 30 do século passado, localizado na esquina da Av. Almirante Reis com a Praça João do Rio, em Lisboa, cuja demolição integral a Câmara de Lisboa proibira, impondo a manutenção da fachada, foi quase todo destruído antes de a obra ter sido embargada.É mais um lamentável caso de destruição do património arquitectónico da capital, que autoridades locais nada parecem conseguir fazer para evitar.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Av. da República
![]() |
| Av. da República, 50. Edifício já demolido, Lisboa, 1970. Adaptado de Nuno Barros Roque da Silveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. |
Por fim, falou-se da Praça Duque de Saldanha, onde os novos prédios — como o caixote espelhado que substituiu o Monumental, ou a taveirada de esquina — convivem com edifícios de outra época, muitos já devolutos. A triste conclusão a que se chegou foi a de que, em breve, não restará nesta praça qualquer vestígio de outros tempos.
N. B. - A imagem acima foi retirada, com a devida vénia, do excelente blog Bic Laranja, que muito se tem dedicado a este tema. Um trabalho muito importante, pelo qual está de parabéns.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Viagem aos anos 40
A primeira coisa que transmiti à minha entrevistada foi o meu gosto por aquele espaço e a minha admiração pela obra do seu genial autor. Este era o antigo Hotel do Império, projectado pelo arquitecto Cassiano Branco no estilo art déco e inaugurado em Outubro de 1944. O restauro que foi feito cerca de 60 anos depois manteve os pormenores e foi fiel ao original. Um exemplo de como se pode e deve preservar o património arquitectónico urbano no nosso país.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Cassiano
Uma óptima surpresa foi encontrar hoje na página principal do Google a imagem do Portugal dos Pequenitos, a propósito do aniversário de Cassiano Branco.
Ainda na semana passada passei em frente ao Éden e lembrei-me do que escrevi a propósito de um livro sobre este arquitecto genial: «Pena que tenham escolhido para a capa uma imagem (talvez demonstrativa daquilo a que chegámos) do Éden Teatro "recuperado". Um abastardamento que passou por pôr palmeiras no interior. Algo a fazer lembrar o "Mundo Perdido"... Só falta um pterodáctilo a voar!»
sábado, 2 de junho de 2012
As três idades do Arquitecto
É impossível pensar na Casa Portuguesa sem pensar em Raul Lino. Homem da cultura e das artes, amava a Pátria e a Natureza e procurou sempre uma identidade arquitectónica nacional. Bernardo d’Orey Manoel, arquitecto e docente na Universidade Lusíada de Lisboa, procura os “Fundamentos da Arquitectura em Raul Lino” através das três casas que o próprio projectou para viver com a família. São: “Três casas. Três obras de arte. Um só arquitecto. Uma vida.”
O autor divide esta obra em três capítulos, referentes às casas onde Raul Lino viveu, que para ele correspondem aos estádios propostos por Kiekegaard para descobrir o sentido da existência: estético, ético e religioso.
O primeiro trata da Casa do Cipreste. Para Bernardo d’Orey Manoel, esta “é o sonho de um jovem. É um sistema construído, um edifício de transições, conflitos, emoções, um jogo de luz. É a vida de Raul Lino inscrita na pedra, porque a paixão deixa sempre marcas. Funciona como um todo, um todo vivo. Tudo nasce no pátio. É a partir da intimidade deste pátio que todo o outro espaço se organiza, quer seja o espaço construído quer o espaço conquistado. O gesto do arquitecto instituiu um mundo novo”.
O segundo leva-nos às Azenhas do Mar e à Casa do Marco, aquela que Raul Lino decidiu construir porque achou que as suas filhas precisavam de sol. Este é, assim, “o abrigo de descanso do guerreiro e da sua família na mãe-natureza. A casa, as plantas, a arriba, o céu e o mar constroem momentos de relação. É a possibilidade do exercício da liberdade, expressão da ética na sua autenticidade. Uma casa da tradição portuguesa, que espreita o oceano e resiste ao vento. Integra as plantas no seu espaço, na construção do seu próprio mundo”. Mas o autor vai mais longe e afirma que esta “pode bem ser a casa portuguesa que Raul Lino perseguia”.
Por último, a Casa da Rua Feio Terenas, em Lisboa. Projectada e construída quando as filhas de Raul Lino estavam já casadas, “é um gesto amadurecido, sentido das coisas, verdadeira sustentabilidade da arquitectura em que tradição e modernidade se entrelaçam no acontecer. No interior da cidade a intimidade, o saber, os valores, o modo cuidado de Raul Lino fazer arquitectura. É o seu estilo em pedra transfigurado”.
Bem alicerçado nas fontes, em especial no Arquivo da Família de Raul Lino, este livro oferece-nos ainda vários Anexos que o enriquecem. Estes incluem uma bibliografia, uma cronologia ilustrada, alguns textos inéditos de Raul Lino e várias imagens referentes às três casas tratadas.
Em termos da edição, o livro está bem composto e bastante ilustrado com fotografias e reproduções das plantas. Pena que não se tivesse feito uma edição em formato maior que privilegiasse o aspecto gráfico, já que este trabalho daria um óptimo álbum.
Mas sabemos como os custos limitam as edições, principalmente as universitárias. Apesar deste pormenor, a Universidade Lusíada Editora está de parabéns pela publicação deste trabalho, tão útil para melhor chegarmos até um dos maiores arquitectos nacionais.
Neste trabalho vemos as três idades de um arquitecto e de um homem de raro talento que marcou para sempre a Arquitectura portuguesa. Como escreveu Raul Lino: “A Arquitectura, por ser uma Arte do corpo social, reflecte sempre a cultura do espírito de uma época. As suas obras representam um estado colectivo visto através de um temperamento individual”.
O autor divide esta obra em três capítulos, referentes às casas onde Raul Lino viveu, que para ele correspondem aos estádios propostos por Kiekegaard para descobrir o sentido da existência: estético, ético e religioso.
O primeiro trata da Casa do Cipreste. Para Bernardo d’Orey Manoel, esta “é o sonho de um jovem. É um sistema construído, um edifício de transições, conflitos, emoções, um jogo de luz. É a vida de Raul Lino inscrita na pedra, porque a paixão deixa sempre marcas. Funciona como um todo, um todo vivo. Tudo nasce no pátio. É a partir da intimidade deste pátio que todo o outro espaço se organiza, quer seja o espaço construído quer o espaço conquistado. O gesto do arquitecto instituiu um mundo novo”.
O segundo leva-nos às Azenhas do Mar e à Casa do Marco, aquela que Raul Lino decidiu construir porque achou que as suas filhas precisavam de sol. Este é, assim, “o abrigo de descanso do guerreiro e da sua família na mãe-natureza. A casa, as plantas, a arriba, o céu e o mar constroem momentos de relação. É a possibilidade do exercício da liberdade, expressão da ética na sua autenticidade. Uma casa da tradição portuguesa, que espreita o oceano e resiste ao vento. Integra as plantas no seu espaço, na construção do seu próprio mundo”. Mas o autor vai mais longe e afirma que esta “pode bem ser a casa portuguesa que Raul Lino perseguia”.
Por último, a Casa da Rua Feio Terenas, em Lisboa. Projectada e construída quando as filhas de Raul Lino estavam já casadas, “é um gesto amadurecido, sentido das coisas, verdadeira sustentabilidade da arquitectura em que tradição e modernidade se entrelaçam no acontecer. No interior da cidade a intimidade, o saber, os valores, o modo cuidado de Raul Lino fazer arquitectura. É o seu estilo em pedra transfigurado”.
Bem alicerçado nas fontes, em especial no Arquivo da Família de Raul Lino, este livro oferece-nos ainda vários Anexos que o enriquecem. Estes incluem uma bibliografia, uma cronologia ilustrada, alguns textos inéditos de Raul Lino e várias imagens referentes às três casas tratadas.
Em termos da edição, o livro está bem composto e bastante ilustrado com fotografias e reproduções das plantas. Pena que não se tivesse feito uma edição em formato maior que privilegiasse o aspecto gráfico, já que este trabalho daria um óptimo álbum.
Mas sabemos como os custos limitam as edições, principalmente as universitárias. Apesar deste pormenor, a Universidade Lusíada Editora está de parabéns pela publicação deste trabalho, tão útil para melhor chegarmos até um dos maiores arquitectos nacionais.
Neste trabalho vemos as três idades de um arquitecto e de um homem de raro talento que marcou para sempre a Arquitectura portuguesa. Como escreveu Raul Lino: “A Arquitectura, por ser uma Arte do corpo social, reflecte sempre a cultura do espírito de uma época. As suas obras representam um estado colectivo visto através de um temperamento individual”.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
O Chalet da Condessa d’Edla
Este belíssimo edifício romântico caracteriza-se pelo uso exaustivo da cortiça como elemento decorativo e pelo seu enquadramento com a paisagem envolvente, o Jardim da Condessa. Também a pintura mural das escadas e o estuque decorativo da sala das Heras são aspectos a destacar. Um extraordinário trabalho de restauro do património, ainda em curso, que é possível visitar, num agradável passeio. Uma viagem ao romantismo do século XIX.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Cassiano Branco
Sai hoje, com o jornal «Público», mais um número da colecção "Arquitectos Portugueses", desta vez dedicado a Cassiano Branco. Da autoria de José Bartolo, este livro de divulgação dá-nos a conhecer um dos grandes nomes da arquitectura no nosso país. Pena que tenham escolhido para a capa uma imagem (talvez demonstrativa daquilo a que chegámos) do Éden Teatro "recuperado". Um abastardamento que passou por pôr palmeiras no interior. Algo a fazer lembrar o "Mundo Perdido"... Só falta um pterodáctilo a voar! Enfim, apesar disso, um livro a comprar.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Raul Lino
O jornal «Público» teve a feliz ideia de lançar uma colecção dedicada aos arquitectos portugueses. O primeiro livro saiu hoje e é sobre um dos meus arquitectos favoritos: Raul Lino. Homem da cultura e das artes, amava a Pátria e a Natureza e procurou sempre uma identidade arquitectónica nacional.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Um artigo a reter
Corria o ano de 2004 quando nesta casa partilhei um excerto do excelente artigo "Léon Krier e a Modernidade da Arquitectura Tradicional", do Francisco Cabral de Moncada. Infelizmente, a ligação para o texto integral perdeu-se, passando a estar inacessível. É por isso que, não podia deixar de saudar o João Marchante, que em boa hora o decidiu reproduzir, bipartido, no seu blog. Um abraço para ambos, em especial para o Francisco, com quem tive o prazer de almoçar há uma semana.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Cottinelli continuado
Li hoje no "Público" que cabe a Ana Costa, neta de Cottinelli Telmo e filha do arquitecto e designer Daciano da Costa, reabilitar a estação de Sul e Sueste, um conjunto de edifícios inaugurados em 1932 para servir as ligações Lisboa-Barreiro, da autoria do seu avô.
A arquitecta garante que "todos os elementos que davam escala aos edifícios, os gradeamentos interiores, as lanternas típicas dos anos, tudo, segundo os desenhos originais do meu avô, serão repostos", acrescentando que o projecto "veio parar-me às mãos sem que se soubesse que sou neta de Cottinelli Telmo. Agarrei nele e disse que iria ser reposto na íntegra. Diz-se que o que é bom é pombalino; a arquitectura do séc. XX tem coisas extraordinárias, mas tem sido descurada".
A propósito de Cottinelli Telmo, recordo o excelente apontamento biográfico escrito pelo Miguel Vaz, para a Alameda Digital, com o título "Quem é Cottinelli Telmo?" A (re)ler.
A arquitecta garante que "todos os elementos que davam escala aos edifícios, os gradeamentos interiores, as lanternas típicas dos anos, tudo, segundo os desenhos originais do meu avô, serão repostos", acrescentando que o projecto "veio parar-me às mãos sem que se soubesse que sou neta de Cottinelli Telmo. Agarrei nele e disse que iria ser reposto na íntegra. Diz-se que o que é bom é pombalino; a arquitectura do séc. XX tem coisas extraordinárias, mas tem sido descurada".
A propósito de Cottinelli Telmo, recordo o excelente apontamento biográfico escrito pelo Miguel Vaz, para a Alameda Digital, com o título "Quem é Cottinelli Telmo?" A (re)ler.
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