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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Identidade e democracia na Suíça


O mais recente número de “La Nouvelle Revue d’Histoire”, revista francesa de referência na divulgação histórica que se vende no nosso país, tem como tema central a Suíça e apresenta uma reformulação gráfica.


“Identidade e democracia” é o título do excelente ‘dossier’ que, em ano de várias comemorações para os helvéticos, traça a História da Suíça de Guilherme Tell a Oskar Freysinger, um dos responsáveis da UDC (União Democrática do Centro), um dos principais partidos suíços, que pretende preservar a identidade e soberania do país, através da expressão da vontade popular em referendo, nomeadamente contra os minaretes nas mesquitas e, mais recentemente, contra a imigração maciça.

Também há a destacar neste número a entrevista com o jornalista Éric Zemmour, que recentemente gerou um intenso debate em França, depois de o seu livro “O suicídio francês – os 40 anos que desfizeram a França” ter sido um sucesso de vendas.

De referir, ainda, os artigos sobre a Guerra das Rosas na Inglaterra da Idade Média, sobre a Batalha de Waterloo e a importância das tropas alemãs, sobre o genocídio arménio e a Alemanha, e a interessante “descoberta” de quando a República francesa tinha um discurso que hoje seria considerado racista.
Para além de outros artigos, podemos ainda encontrar a crónica de Péroncel-Hugoz e as habituais secções de actualidade e crítica a livros.

Fundada há 13 anos por Dominique Venner e hoje dirigida por Philippe Conrad, esta é uma revista que continua a ser obrigatória.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Suíça


Todo este alarido sobre o resultado do referendo na Suíça sobre a imigração maciça recordou-me uma entrada do "Diário de Paris" de Marcello Duarte Mathias, do dia 4 de Março de 2001:

«Com uma percentagem esmagadora, a Suíça acaba de votar Não ao referendo sobre a eventual adesão à Europa.
A imprensa pouco refere o assunto, a televisão menos ainda, pois não é notícia que mereça ser valorizada. Imagine-se, por um instante, o contrário. As parangonas nos jornais!»

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Impressões suíças (V): Uma pastelaria portuguesa, com certeza


Depois de ir até Berna e passar por Lausanne, verificando que, apesar das diferenças entre cantões, com as suas diferentes regras, há um padrão suíço, voltámos a Genebra.

Há uma coisa que não deixamos de reparar – a forte presença portuguesa. Das mercearias com produtos nacionais aos talhos, passando pelos cafés e pelos quiosques, onde é possível encontrar a imprensa cor-de-rosa com as últimas coscuvilhices do ‘jet-set’ português, e até por livrarias portuguesas.

Em Genebra entrámos numa pastelaria que podia ser em qualquer terra portuguesa. A rapariga que nos atendeu era simpática, com o seu sotaque nortenho perguntou-nos se não queríamos pastéis de nata com os cafés. “São feitos por nós, tal como o bolo-rei”, garantiu-nos. Há uma sensação agradável de encontrarmos a nossa terra e a nossa gente noutras paragens – uma ligação inexplicável.

Almoçamos com Miguel Rocha, segurança que está no país há dois anos. Uma sanduíche e uma bebida num sítio de refeições rápidas custa mais de dez euros. Os preços são altíssimos. Para se ter uma ideia, um café num estabelecimento vulgar custa 3,5 francos, cerca de 2,90 euros! É por isso que Miguel diz que “até ganha bem” para os padrões portugueses, mas que tem muitos encargos. Mesmo assim gosta de viver na Suíça e não pensa regressar a Portugal tão cedo. Mas avisa quem quiser ir para lá, que “as coisas não são fáceis”. Segundo ele, é preciso trabalhar muito e cumprir as regras. “Quem não aguenta o primeiro ano, dificilmente volta” e ele próprio diz que só resistiu porque teve ajuda de outros portugueses que conhecia, apesar de não se relacionar muito com a comunidade nacional. “A maioria só fala do Ronaldo e adora vir para a rua festejar as vitórias da selecção de futebol. Não tenho paciência para a bola, prefiro os desportos de Inverno e aqui estou no sítio certo”, desabafa. Mas a visão que os suíços têm dos portugueses é essa? Miguel diz que são vistos como um povo trabalhador, mas que normalmente os associam a profissões consideradas menores, mesmo havendo muitos que subiram na vida.

Nem de propósito, à saída do restaurante cumprimentamos o dono, um turco que casou com uma portuguesa e que nos fala na nossa língua. Ao mesmo tempo, um dos empregados, suíço, diz-nos que esteve uma semana de férias em Lisboa, “a terra de Luís Vaz de Camões”, nas suas palavras. Ficámos pasmados e orgulhosos.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Impressões suíças (IV): Almoçar no “Restaurant da Luz”

Depois de visitar Gruyères, apreciar a belíssima vila típica coberta de neve, entrar no castelo bem preservado e ir ao Museu H. R. Giger, o artista suíço-alemão conhecido pelos seus desenhos biomecânicos e, principalmente, por ser o criador do monstro de “Alien”, o filme de Ridley Scott, pelo qual recebeu um Óscar, vamos Bulle.

Nesta pequena localidade, onde vivem muitos portugueses, espera-nos um almoço no “Restaurant da Luz”. Fica mesmo ao lado da Casa do Benfica, local com óptimas instalações onde se reúne a comunidade portuguesa. Entramos e cumprimentam-nos em português. O café, a cerveja, o vinho, entre outros são de marcas nacionais. Na parede há um quadro com a imagem do estádio que dá o nome ao restaurante. A televisão, sintonizada num canal português, transmite um daqueles habituais programas da manhã que prende a atenção de alguma clientela.

Sentamo-nos à mesa de José António, figura conhecida e reconhecida na terra. É originário de uma aldeia perto da Guarda, mas vive na Suíça há cerca de 20 anos. Diz-nos que as coisas mudaram muito. Tem o seu negócio e a sua família bem estabelecidos, mas tudo o que tem conseguiu com muito trabalho. “Aqui é assim”, constata. Para além dos afazeres profissionais, é conhecido por ajudar muitos portugueses que lá vivem e os que chegam. “Muitos não sabem para onde vêm”, garante-nos. Segundo ele, a vida não está fácil e a crise também vai chegar à Suíça. Conta-nos que muitos portugueses que lá se estabeleceram vingaram na vida, mas sempre com muito esforço, porque “as coisas não caiem do céu”.

Mas há um grupo de que nunca se fala, o dos portugueses que perderam o emprego ou não o conseguem. Alguns vivem das ajudas estatais, mas “os suíços não gostam disso”, diz-nos José António. Aliás, “estão a acabar com isso”, o que o levou a ele e à mulher a pedir a nacionalidade suíça. “É uma garantia e nós sempre contribuímos com os nossos impostos aqui”. Mesmo assim, diz-nos que nunca serão vistos como nacionais, “por causa do nome no passaporte”. Aliás, um apelido português é um entrave para um recém-chegado que queira arranjar casa ou trabalho sem conhecimentos prévios.

A Suíça já não é o que era. O país tem cerca de um quarto de população emigrante e há uma preocupação crescente em recambiar os que não trabalham. “Aconteceu a vários portugueses”, diz-nos. Por isso, aconselha a quem queira ir para lá que conheça alguém que o ajude a estabelecer-se. “Quem quiser vir para viver de subsídios, mais vale ficar em Portugal”, avisa.

Mesmo com a nova conjuntura, diz que ainda é possível ter uma boa vida na Suíça, país ao qual está agradecido e onde criou os filhos, que não tencionam voltar para Portugal.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Impressões suíças (III): Lamas e não vacas!


Viajar pelas estradas suíças é apreciar uma paisagem natural deslumbrante, polvilhada de pequenas localidades com uma arquitectura típica, que nos recordam automaticamente as decorações criadas para os comboios eléctricos que faziam as delícias das crianças, antes da chegada dos videojogos.

Algo que se nota rapidamente é que não há baldios e quase todo o território arável está aproveitado. Para além da agricultura, a pecuária é outro sector a não desprezar. Apesar disso, não eram visíveis as famosas vacas suíças. “Não é altura de estarem cá fora, está frio”, explicam-nos. Mas vemos outro animal que nos deixa perplexos. Nesta região montanhosa europeia vemos lamas! Caroline, uma franco-suíça, diz-nos que se tornou moda e por isso não é raro ver aqui estes representantes da fauna sul-americana. Mas não são tratados como animais exóticos. Dão-se bem com o clima e são usados para produzir lã.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Impressões suíças (II): Segurança e controlo


Ouve-se a sirene de um carro da polícia que se aproxima. Avisam-nos que outros se seguirão. Assim aconteceu e por várias vezes. O mínimo incidente, mesmo de tráfego, mobiliza rapidamente um número de agentes que nos parece exagerado. “Tem que ser assim”, dizem-nos, porque é a única forma de garantir a segurança. Parece ser outra obsessão deste país onde há bancos privados que albergam das maiores fortunas do mundo em edifícios discretos.

Os suíços nunca desprezaram a sua defesa e as forças militares estão bem equipadas. Não é raro ver na rua oficiais do exército fardados, a lembrar que o país está pronto para a mobilização, como já aconteceu num passado não tão longínquo.

Outra curiosidade é a existência de abrigos nucleares nos edifícios de habitação e casas particulares. Visitámos um numa vivenda num dos melhores bairros de Genebra. Por debaixo da casa há várias divisões: sala das máquinas, de ferramentas e arrecadações. Mas uma porta blindada salta à vista. É a do bunker que deve albergar a família durante dois dias, até ser retirada para abrigos comuns em caso de ataque nuclear. Parece que a Guerra Fria não terminou por aquelas bandas... Mas a proprietária menoriza o assunto. Diz que tem a sanita química e as reservas de água exigidas pela protecção civil, que já fez a vistoria às instalações. Não acredita na necessidade do espaço e duvida da sua eficácia, mas cumpre as regras.

A Suíça é o país do mundo com maior percentagem de abrigos atómicos per capita. Só em 2006 é que terminou a exigência legal de os construir, sem bem que continua a ser necessário mantê-los. Ao mesmo tempo, quer quiser construí-los hoje beneficia ainda de apoios estatais.

Os suíços são em geral cidadãos cumpridores, mas ao mesmo tempo há uma cultura de fiscalização permanente e cada um é um polícia em potência, que tanto denuncia o automóvel mal estacionado, como o vizinho que não faz a separação do lixo.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Impressões suíças (I): Genebra


O voo de Paris para Genebra, numa daquelas companhias aéreas low-cost que transformaram as viagens de avião bastante acessíveis, atrasou-se. Suprema ironia para quem se desloca para um país onde a pontualidade é levada ao extremo. Os suíços exigem-na e não toleram atrasos, muito menos desculpas. Para cair no habitual lugar-comum, querem a organização do país e dos negócios a funcionar como um relógio suíço.

A primeira sensação, ao entrar num país europeu onde ainda há controlo de fronteiras e que tem uma moeda própria, não deixa de ser estranha. De alguma forma, faz-nos regressar no tempo...

A temperatura ronda os 0 ºC, o céu está limpo e o Sol brilha em todo o seu esplendor. Para esta altura do ano é um tempo formidável. A neve que caiu derreteu e só se manteve nas montanhas. Genebra não é uma cidade grande. É agradável e percorre-se bem a pé. As ruas são movimentadas e há muitas pequenas lojas. Os centros comerciais são raros na Suíça e não se comparam às sobredimensionadas catedrais do consumo que se multiplicaram em Portugal.

Os edifícios estão bem preservados e nota-se que há uma preocupação extrema com a organização da cidade. O património está bem cuidado e vale a pena ser visitado.

O dia começa cedo e o trânsito é infernal. A culpa é dos frontaliers, dizem-nos. É notória a antipatia pelos franceses que todos os dias atravessam a fronteira para trabalhar no país vizinho onde ainda há emprego e os salários são superiores. “Não gastam cá dinheiro. Nem um café tomam”, desabafa um emigrante português que trabalha na recepção de um dos muitos hotéis que acolhem em especial os turistas financeiros, aqueles que ainda enchem os cofres suíços com depósitos milionários. Para José Luís, que nasceu na zona do Grande Porto, mas que foi para lá com os pais ainda criança, os “franceses não pagam impostos na Suíça e os suíços não gostam disso”. Os frontaliers ocupam cerca de um quarto dos empregos no Cantão de Genebra e, apesar da língua comum, são notados pelos locais. É um dos primeiros sintomas de que talvez os suíços não sejam o povo mais hospitaleiro do mundo.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Intolerâncias "esquecidas"

É o que podemos chamar às situações analisadas ontem no «Público», pela jornalista Margarida Santos Lopes, no artigo "Quando o apartheid religioso critica a islamofobia". Não interessam agora juízos de valor sobre as limitações nesses países muçulmanos. Interessa, sim, recordar que aqueles que pronta e rapidamente atiraram as pedras do "racismo" e da "xenofobia" aos suíços a proprósito da proibição da construção de minaretes "esqueceram" este pormenor. O "racismo" continua a ter apenas um sentido...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Democrisia

Casos como o recente referendo na Suíça sobre a construção de minaretes põem a nu a hipocrisia dos "democráticos". Dois exemplos:

1. O silêncio dos grandes defensores do laicismo, sempre prontos a atacar a igrejas cristãs da Europa, mas que não tugem nem mugem quando se trata do avanço do islão. Como tão bem sintetizou Alberto Gonçalves na revista «Sábado» da semana passada: "o laicismo é um valor altamente estimável quando usado em benefício dos europeus, mas seria retrógrado, intolerável, fascista, nazi, etc. tentar impor o laicismo aos imigrantes que acorrem à Europa".

2. O total desrespeito dos "democráticos" perante a decisão democrática da maioria, quando não concordam com o resultado. Perante esta posição dupla sobre os referendos, sugerem prontamente a solução mágica: revotar. Isto até se conseguir o resultado pretendido, veja-se o recente caso da votação do Tratado de Lisboa na Irlanda. E viva a democrisia!

Até a Suíça...

Em conversa, um amigo meu louvava o espírito de resistência dos suíços, a propósito do referendo sobre os minaretes. No meu pessimismo (não confundir com derrotismo) lembrei-me da conclusão do premonitório Le Camp des Saints. Neste livro de Raspail, apesar da sua resistência, até a Suíça acabou por cair...

«(...) também a Suíça estava minada no interior. O animal tinha aí escavado todas as suas sapas, mas com tantas precauções que levaram mais tempo a ruir. E a Suíça, em vários sectores, esqueceu-se de pensar demasiado. A sua queda foi mais decente. O famoso escudo da neutralidade impressionava ainda vagamente e puseram-se luvas brancas para fazer soar o hallali. Do interior e do exterior, as pressões tornaram-se progressivamente mais fortes. O caso de Munique. Intangível. A Suíça teve de negociar. Não podia escapar a isso. Hoje assinou.
Às zero horas, esta noite, as suas fronteiras serão abertas. Há vários dias já que elas não estavam guardadas. Então eu repito a mim mesmo lentamente, para me penetrar bem, esta frase melancólica dum velho príncipe Bibesco: "A queda de Constantinopla foi uma infelicidade pessoal que nos aconteceu a semana passada".»

Jean Raspail
Mortos: duzentos milhões, todos nós. Europa-América, 1977.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ainda a Suíça

Não posso deixar de notar o seguinte. Os bem-pensantes habituais lançam contra a UDC, partido que foi o principal promotor do recente referendo contra a construção de minaretes, a acusação de "jogar com os medos das pessoas", de utilizar o alarmismo social para proveito político próprio. Não querendo alargar-me, questiono: os que diariamente acenam com os perigos da "xenofobia" e do "racismo" e repetem até à exaustão a história do bicho papão da extrema-direita "nazi-fascista", evitando assim qualquer debate sobre questões demasiado sérias, estão a fazer o quê? Já não é alarmismo? Já não se joga com os medos das pessoas?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Suíça, os minaretes e o essencial

A Suíça
Este pequeno país europeu voltou a incomodar muita gente. É curioso ver como os grandes "democráticos" estão sempre prontos a acusar esta terra de real democracia directa de populismo, extremismo, entre outros mimos. Por tal, estão de novo de parabéns os suíços que votaram como lhes apeteceu, ignorando as pressões politicamente correctas, em especial da UE. Mais de 57% dos eleitores votaram a favor da proibição da construção de minaretes.

Os minaretes
Para além de tudo mais, os minaretes são sobretudo um símbolo. Para os expansionistas islâmicos, são padrões colocados que marcam o avanço da conquista da Europa. Quem confunde minaretes e mesquitas com meros locais de culto, como uma questão de liberdade religiosa, ignora propositadamente que o islão não separa a religião da cultura nem da política.

O essencial
Perante tal situação e para evitar alguns entusiasmos excessivos, é necessário formular uma pergunta de resposta óbvia: o nosso combate principal é impedir a construção de minaretes na Europa? Evidentemente que não. A islamização, bem como a imigração maciça, são consequências. Apesar de se tornarem causas de vários outros problemas, não deixam de ser consequências do nosso inimigo principal: a mundialização, levada a cabo pelo capitalismo apátrida com o objectivo de criar um mundo uniformizado e desenraízado.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Incómodo

Não estava cá quando recebi a notícia da vitória histórica da UDC/SVP nas eleições federais suíças, mas não posso deixar de referi-la. Dá-me sincero prazer ver os incomodados com a democracia, com a escolha popular, em especial depois de uma campanha de ódio e maledicência contra quem se atreve a defender os seus e a sua terra.