O título do poema de Rudyard Kipling transformou-se numa expressão que normalmente se associa ao dever que os povos de origem europeia tinham de desenvolver os outros povos, considerado como uma manifestação de um racismo eurocêntrico.
Hoje o “fardo” é outro. Incrivelmente, passados tantos anos, os europeus continuam a ser repetidamente culpabilizados pelo actual estado dos países que outrora dominaram.
No seu livro “Civilização”, o historiador Niall Ferguson fala do domínio do Ocidente sobre os outros e escreve: “Nenhum autor sério poderá afirmar que o reinado da civilização ocidental foi imaculado. Contudo, há quem afirme que não teve absolutamente nada de bom. Esta posição é absurda”.
Numa das suas últimas entrevistas, o historiador Vitorino Magalhães Godinho explicou que, por não existir “a ideia de nação” em África, os novos países construíram “um passado próprio”, passando “a dizer que tudo quanto os colonizadores tinham trazido era mau, que eram todos uns criminosos, que tinham que pedir desculpa. E os europeus desataram a pedir desculpa.” Recusando tais pedidos de desculpa, afirmou: “O que é condenável é esconder o que se passou. Mas eu não tenho nada que ver com o que fizeram os homens do século XV. A culpa não se transmite de pais para filhos, não é hereditária.”
Sobre o polémico tema da escravatura, disse que esta “existia entre os povos africanos, os portugueses utilizaram as redes de escravaturas existentes. Os régulos gostavam muito de vender os seus negros como escravos. E isso permanece”. Traçou ainda a continuidade dessa postura até aos “actuais chefes políticos dos estados africanos, a cujos bolsos vão ter os subsídios atribuídos aos seus países”.
É tempo de acabar de vez com o fardo da culpabilização unívoca.
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
The Stranger

The Stranger within my gate,
He may be true or kind,
But he does not talk my talk–
I cannot feel his mind.
I see the face and the eyes and the mouth,
But not the soul behind.
The men of my own stock
They may do ill or well,
But they tell the lies I am wonted to.
They are used to the lies I tell,
And we do not need interpreters
When we go to buy and sell.
The Stranger within my gates,
He may be evil or good,
But I cannot tell what powers control
What reasons sway his mood;
Nor when the Gods of his far-off land
Shall repossess his blood.
The men of my own stock,
Bitter bad they may be,
But, at least, they hear the things I hear,
And see the things I see;
And whatever I think of them and their likes
They think of the likes of me.
This was my father’s belief
And this is also mine:
Let the corn be all one sheaf–
And the grapes be all one vine,
Ere our children’s teeth are set on edge
By bitter bread and wine.
Rudyard Kipling
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