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domingo, 18 de outubro de 2015
Raul Lino em Cascais
Foi na Casa de Santa Maria, em Cascais, que uma plateia atenta assistiu ontem ao lançamento das Actas do IV Ciclo de Conferências Raul Lino em Sintra, com apresentação de António Braz Teixeira e Rodrigo Sobral Cunha. O concluir de uma iniciativa louvável, que é apenas um início...
Em 2014, ano em que se assinalaram os 40 anos do falecimento do arquitecto e os 100 anos da inauguração da sua Casa do Cipreste, iniciou-se o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, que decorreu em quatro ciclos de conferências, segundo as Estações do ano, organizado por Rodrigo Sobral Cunha, docente do IADE. As comunicações apresentadas no último ciclo, realizado em no Palácio de Seteais em Fevereiro deste ano, cujas actas foram agora publicadas e constituem o maior volume dos quatro, ficam agora acessíveis a todos os que queiram conhecer e estudar o trabalho, o talento e a importância de Raul Lino.
Como notou Rodrigo Sobral Cunha na sua apresentação, os quatro volumes publicados atingem uma dimensão e qualidade impressionantes. O docente do IADE recordou o interesse que o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra gerou, nomeadamente a participação de várias instituições e a adesão de um público inteligente.
De seguida, António Braz Teixeira, depois de apresentar o volume agora publicado, notou alguns aspectos da obra de Raul Lino que ainda estão pouco tratados, como é o caso da sua actividade como programador de Cinema. Razão pela qual considerou que todo este trabalho não pode terminar. De facto, o entusiasmo de todos os participantes transmitiu, felizmente, a certeza de uma continuidade.
Por fim, quando estamos a celebrar um arquitecto, o espaço ganha outra importância; por isso, a escolha da belíssima Casa de Santa Maria foi óptima para esta evocação. Projectada por Raul Lino e construída em 1902 para Jorge O’Neil, tendo depois sido vendida ao engenheiro José Lino Júnior, irmão mais velho do arquitecto, que a enriqueceu com um conjunto de azulejos artísticos do século XVII e um tecto de madeira pintado a óleo, a Casa de Santa Maria é hoje um equipamento da Câmara Municipal de Cascais que se destaca pela importância dada aos eventos culturais.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
A nossa casa
Um português que veja uma casa projectada por Raul Lino reconhece-a automaticamente como uma casa portuguesa. É a constatação de que o arquitecto encontrou a essência de um povo na forma do seu lar.
Mais do que a Casa Portuguesa, que teorizou e concretizou, devemos falar de casas portuguesas, que respeitavam cada região captando as suas especificidades.
A atenção ao pormenor, aliás, é uma das características de Raul Lino, um artista total, capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.
Harmonia é a melhor palavra para definir a sua obra. A música feita pedra, para acolher os homens. O encontro perfeito entre o Homem e a Natureza, que tanto respeitava. Mas mais: entre um Povo e a sua Terra, numa ligação imemorial, que se sobrepõe à velocidade e à insensibilidade dos tempos modernos.
Há quem lhe chame conservador, mas Raul Lino é mais um conservador revolucionário, no seu reencontro com a Tradição. Não é um “passadista”, porque como tão bem definiu Dominique Venner, “a Tradição não é o passado, é o que não passa”. O génio de Raul Lino conseguiu atingir essa elevação na simplicidade e, por isso, também ele não passou.
Sabendo a importância do respeito pelo indivíduo na comunidade, algo muito diferente das tentações massificadoras, respeitava a casa como local sagrado de cada um. O homem que foi livre, mas enraizado, como um cipreste escreveu a esse propósito que a morada própria é “o reduto da nossa intimidade, último refúgio do indivíduo contra a investida de todas as aberrações do colectivismo”.
Houve também quem o quisesse catalogar politicamente na categoria dos “incómodos”, mas o seu talento ultrapassou tais reducionismos de ocasião e Portugal volta a descobri-lo.
É por isso de louvar o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, organizado por Rodrigo Sobral Cunha, que começa no próximo dia 3 de Abril, no Palácio de Seteais, no ano em que se assinalam os 40 anos do falecimento do arquitecto e os 100 anos da inauguração da sua Casa do Cipreste.
Mais do que a Casa Portuguesa, que teorizou e concretizou, devemos falar de casas portuguesas, que respeitavam cada região captando as suas especificidades.
A atenção ao pormenor, aliás, é uma das características de Raul Lino, um artista total, capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.
Harmonia é a melhor palavra para definir a sua obra. A música feita pedra, para acolher os homens. O encontro perfeito entre o Homem e a Natureza, que tanto respeitava. Mas mais: entre um Povo e a sua Terra, numa ligação imemorial, que se sobrepõe à velocidade e à insensibilidade dos tempos modernos.
Há quem lhe chame conservador, mas Raul Lino é mais um conservador revolucionário, no seu reencontro com a Tradição. Não é um “passadista”, porque como tão bem definiu Dominique Venner, “a Tradição não é o passado, é o que não passa”. O génio de Raul Lino conseguiu atingir essa elevação na simplicidade e, por isso, também ele não passou.
Sabendo a importância do respeito pelo indivíduo na comunidade, algo muito diferente das tentações massificadoras, respeitava a casa como local sagrado de cada um. O homem que foi livre, mas enraizado, como um cipreste escreveu a esse propósito que a morada própria é “o reduto da nossa intimidade, último refúgio do indivíduo contra a investida de todas as aberrações do colectivismo”.
Houve também quem o quisesse catalogar politicamente na categoria dos “incómodos”, mas o seu talento ultrapassou tais reducionismos de ocasião e Portugal volta a descobri-lo.
É por isso de louvar o Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, organizado por Rodrigo Sobral Cunha, que começa no próximo dia 3 de Abril, no Palácio de Seteais, no ano em que se assinalam os 40 anos do falecimento do arquitecto e os 100 anos da inauguração da sua Casa do Cipreste.
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Raul Lino em Sintra
É de notar que o nome completo do simpático e acolhedor café onde decorreu o lançamento do livro é “Saudade – Vida e Arte do Povo Português”, sinal de que a escolha do local não podia ter sido melhor.
A sala encheu e os lugares sentados esgotaram-se rapidamente, mas nem por isso o ambiente se tornou pesado. Pelo contrário, sentia-se uma atmosfera familiar.
Editado pela Colares, uma editora da região, “Sintra”, de Raul Lino, é uma antologia de textos seleccionados por Rodrigo Sobral Cunha, que fez também um estudo introdutório. Como organizador do Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra, cuja primeira sessão é no Palácio de Seteais, nos dias 3 e 4 de Abril, Rodrigo Sobral Cunha, docente do IADE, está de parabéns por todo o excelente trabalho de divulgação do arquitecto que teorizou a Casa Portuguesa, fazendo-nos redescobrir a nossa identidade através do lar.
A apresentação do livro foi feita por Miguel Real, que louvou exactamente este esforço de Rodrigo Sobral Cunha e salientou a sua importância. De seguida, Margarida Carpinteiro leu emotivamente umas passagens da obra, prendendo a atenção dos presentes. Por fim, o responsável por esta antologia levantou-se e dirigiu-se à audiência em tom informal, demonstrando uma extraordinária humildade, ao recusar os louros, relembrando que é a Raul Lino que são devidos. Ele limitou-se a coligir o livro que o arquitecto não chegou a compor sobre Sintra, mas que afinal escreveu. Um local mágico que Raul Lino considerava pertencer “àquela classe de valores míticos de primeira grandeza do nosso firmamento espiritual cujo culto é fervorosamente exercido por uma confraria de apaixonados”.
Essa confraria existe e reuniu-se em Sintra para celebrar um dos seus filhos espirituais.
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