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sábado, 14 de novembro de 2015

Nada de novo


Os intolerantes da tolerância, "humanitaristas" de salão, pregadores das portas abertas, chantres do politicamente correcto e auto-intitulados senhores da verdade universal vão explicar e justificar. Os que alertaram são "alarmistas", porque o "verdadeiro perigo" está naqueles que insistem em defender a sua pátria, o seu povo e a sua civilização. As novas "marchas pela paz" vão solucionar tudo. Como dizia o Ministério da Verdade na distopia orwelliana "1984", "guerra é paz". Neste caso, é submissão.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pelo renascimento da cultura europeia

No passado dia 25 de Abril, o Colóquio consagrado ao “Universo Estético dos Europeus”, organizado pelo Institut Iliade, juntou mais de 800 pessoas em Paris e contou com a presença de oradores de vários países europeus, incluindo Portugal. A iniciativa foi um êxito que mostra o renascimento da cultura europeia.


O Institut Iliade (Instituto Ilíada) foi criado após a morte voluntária do historiador francês Dominique Venner, em 2013, por vontade expressa do próprio. Philippe Conrad, que sucedeu a Venner na direcção de “La Nouvelle Revue d’Histoire”, uma publicação de referência no campo da divulgação histórica que se encontra à venda no nosso país, assumiu a presidência deste instituto.

O Institut Iliade definiu como objectivo trabalhar para que os europeus se reapropriem do seu destino e assumiu como modelos e princípios de vida: “a Natureza como base, a excelência como fim, a beleza como horizonte”. Recordando a máxima de René Marchand de que “as grandes civilizações como a nossa não são regiões de um planeta: são planetas diferentes”, o Institut Iliade considera que o grande apagamento é a matriz da grande substituição. Assim, é preciso responder com um “grande enraizamento”, um recurso às nossas raízes. A escolha do nome da instituição – Ilíada –, segundo o Institut Iliade, não é apenas uma referência aos gregos.

É um “poema do destino” próprio ao universo mental dos europeus. Depois de consagrar o seu primeiro colóquio à memória de Dominique Venner, no ano passado, e ter iniciado vários cursos de formação, o Institut Iliade dedicou este ano o seu segundo colóquio ao “universo estético dos europeus”, com o objectivo de afirmar a singularidade e a riqueza do nosso património comum, para aí desenhar a fonte e os recursos de uma afirmação serena, mas determinada,da nossa identidade europeia, hoje ameaçada por outras civilizações.


O Colóquio teve lugar na Maison de la Chimie, no centro de Paris, perante uma audiência de exactamente 847 pessoas, e contou com as intervenções do filósofo francês Alain de Benoist, com a comunicação “A arte europeia, uma arte da representação”, o escritor sérvio Slobodan Despot, que falou sobre “A arte europeia e o sentimento da Natureza”, o escritor belga Christopher M. Gérard, que reflectiu sobre “A beleza e o sagrado”, o musicólogo Jean-François Gautier que salientou a importância da “polifonia do mundo”, e o espanhol Javier Ruiz Portella, director do jornal “El Manifiesto”, que mostrou como se pode fazer “A dissidência pela beleza”.

Publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Livros em Paris (IV)


Paris é uma óptima cidade para andar a pé e o melhor passeio é ao longo do Sena, ladeado pelos bouquinistes, onde se encontram sempre belos alfarrábios. Um passeio que se tornou um hábito. Está quase. Até já!

domingo, 24 de novembro de 2013

Livros em Paris (III)


Uma das paragens obrigatórias das minhas rondas parisienses dos livros é a Librairie Facta, de Emmanuel Ratier, onde se encontra tudo aquilo que é difícil noutros lados.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Livros em Paris (II)


Enquanto o corpo aguarda a partida para Paris, a cabeça vai fazendo as suas viagens... Outra paragem que habitualmente faço nas minhas rondas dos livros é na Galerie de la Sorbonne, uma pequena livraria em frente ao Collège de France, onde se encontra muita coisa a óptimos preços.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Livros em Paris


Enquanto conto impacientemente os dias que faltam para a minha escapadela anual a Paris, vou pensando nas "voltas de livros" a dar. Há uma paragem obrigatória, à qual nunca deixo de ir, que é a Gibert Joseph, a meio do Boulevard Saint-Michel. São vários andares cheios de livros, numa superfície total que chega aos 6500 m2! Esta livraria, para além da quantidade impressionante de títulos disponíveis, vende paralelamente livros novos e usados a óptimos preços. Uma perdição!

domingo, 10 de novembro de 2013

Quando a Europa descobriu o mundo

A grande gesta lusa dos Descobrimentos não seria possível sem o auxílio da técnica. Um dos instrumentos essenciais para navegar eram as chamadas “cartas-portulanos”, verdadeiros livros de instruções náuticas. Esteve patente na Biblioteca Nacional de França, em Paris, entre 23 de Outubro de 2012 e 27 de Janeiro de 2013, uma exposição intitulada “A Idade de Ouro das Cartas Marítimas”, onde o nosso país mereceu natural destaque pelo seu papel fundamental e precursor neste período histórico. Entre as peças fantásticas que vi havia várias cartas portuguesas, mas nenhuma delas pertence a um museu nacional. Uma viagem no tempo para recordar uma época de extrema importância na História de Portugal e da Europa, que nos faz reflectir sobre a nossa atitude perante o património. Aqui fica o que escrevi na altura para «O Diabo».


Biblioteca Nacional de França

O nome da estação de metropolitano é Biblioteca François Miterrand, estamos na Linha 14, em pleno XV Arrondissement, na margem esquerda do Sena. É uma linha nova, de finais dos anos 90 do século passado, onde um português estranha automaticamente a protecção que existe no cais e que impede o acesso à linha. Quando chega um comboio abrem-se as portas das carruagens e as dessaa barreira. À saída descobre-se um bairro de arquitectura moderna e ruas em quadriculado.
Anunciada pelo então Presidente Miterrand em 1988, a quem deve o nome, o novo edifício da Biblioteca Nacional de França (BNF) só seria inaugurado em 1996, depois de alguns problemas na sua construção. É um conjunto impressionante que alberga mais de 30 milhões de peças, das quais 14 milhões são livros e publicações, de uma instituição que remonta a finais do século XVIII.
É uma manhã fria de céu cinzento, cujas nuvens ameaçam chuva. As pessoas movimentam-se apressadas pelas ruas e nas muitas que se dirigem para a BNF é possível distinguir várias nacionalidades. Há estudantes, investigadores ou meros curiosos que se acumulam à entrada para a revista de segurança obrigatória.

Na exposição
Passando a loja da BNF, a distância a percorrer é curta. É irresistível olhar para a esquerda envidraçada do corredor e observar as árvores frondosas que formam uma floresta em miniatura no espaço entre os edifícios altivos.
A entrada para a exposição é discreta. Passado o torniquete, pisamos Portugal. É a imagem de uma dessas cartas de outros tempos que está reproduzida num pequeno corredor de acesso, ocupando as paredes laterais e o chão. É quase infantil, mas nem por isso deixa de ser divertido “tocar” no estrangeiro a “ocidental praia lusitana”.
Há bastante público, mas é possível circular sem atropelos. Os visitantes são variados, da habitual turma escolar a um grupo de homens mais velhos que parecem oficiais de Marinha na reserva, passando por dois “jovens” vindos com certeza dos subúrbios.
Na primeira sala, ouve-se um verdadeiro entendido, seguramente um dos responsáveis pela exposição, que conta apaixonadamente o evoluir da cartografia marítima a um sujeito que vai demonstrando a sua ignorância através de perguntas tão disparatadas como o seu ar convencido. A explicação viria no fim da visita, quando o mesmo sujeito falava junto à carta de Mercator com um ar sapiente para uma câmara de televisão. Uma curiosidade que mostra bem a ilusão dos ‘media’.


Uma colecção impressionante
A própria BNF reconhece as cartas expostas fazem parte dos seus “tesouros”. São documentos científicos de excepção que nos transportam no tempo, para a era gloriosa dos corajosos navegadores que descobriram o mundo e o foram registando cartograficamente.
Estas cartas marítimas, chamadas “portulanos”, são iluminadas em pergaminho e de extraordinária beleza. Têm a sucessão dos portos ao longo da costa e no espaço marítimo estão assinaladas as linhas que correspondem às direcções da bússola. Um sistema gráfico que permitia aos marinheiros orientarem-se.
A BNF possui a maior colecção do mundo de “portulanos”, com cerca de cinco centenas destes objectos de inovação técnica que são hoje verdadeiras obras de arte, muitas delas de rara beleza, dimensões impressionantes e extraordinária policromia.

Idade de Ouro
O mais antigo “portulano” ocidental conhecido é a famosa “carta pisana”, do fim do século XIII. É uma das primeiras peças que podemos ver nesta exposição que junta uma selecção de cerca de duzentos objectos, entre cartas, globos, instrumentos astronómicos, obras de arte e de etnografia, desenhos, estampas, quadros e manuscritos. Muitas pertencem à colecção da BNF, mas muitas outras vêm de museus franceses, estrangeiros ou de colecções regionais.
A exposição aborda várias temáticas como as condições de navegação e a utilização das cartas, a descoberta da África, Ásia, Américas e do Pacífico e as rivalidades entre as potências marítimas e a criação e difusão de uma iconografia dos Novos Mundos.

Crónica dos Feitos da Guiné, de Gomes Eanes de Zurara (1453)

Peças portuguesas
Nas várias peças portuguesas expostas o destaque vai naturalmente para as muitas cartas, de vários autores, como João Teixeira Albernaz, Gaspar Viegas, ou Domingos Teixeira. Para além destas, é possível ver o livro de Francisco Alvares sobre o Prestes João, de 1540, uma cruz de procissão etíope em latão, datada do século XV, a Crónica dos feitos da Guiné, de Gomes Eanes de Zurara, de 1453, uma estatueta que representa um soldado português visto por um artista africanos, dos séculos XVI-XVII, uma réplica do Padrão de Santo Agostinho, cujo original está na Sociedade de Geografia de Lisboa. É também sempre bom ler que a caravela era “um barco para enfrentar o desconhecido”, acrescentando que esta invenção portuguesa “teve um papel capital na história das grandes descobertas”. Para lembrar a altura em que Portugal e Espanha dividiram o mundo, podemos ver um fac-símile da versão portuguesa do Tratado de Tordesilhas, de 1494. Por fim, o chamado Atlas Miller, devido ao nome do seu último proprietário antes de ter sido comprado pela BNF, um impressionante conjunto de cartas feitas pelos cartógrafos Lopo Homem, Pedro Reinel e Jorge Reinel, em 1519.

Atlas Miller, de Lopo Homem e Pedro Reinel (c. 1519).
Outras peças
Há também peças impressionantes de outras origens, das quais se destacam o “Livro das Maravilhas”, de Marco Polo, de 1298, o Atlas catalão, de 1375, ou a Carta Salviati, de 1525. Muitas destas estão disponíveis para consulta na Gallica, a biblioteca de documentos digitalizados em linha da BNF.

Património
Ao mesmo tempo que gostamos de ver Portugal referido por feitos maiores em importantes exposições no estrangeiro, não deixa de nos entristecer que nos vários museus que colaboraram não há um único nacional.
Devemos questionar-nos por que peças de elevada importância para um período tão rico da nossa História não foram por nós compradas. É claro que depende da situação económica do País e da altura em que as cartas foram adquiridas. No entanto, sabemos bem como o património é por tantas vezes menosprezado pelos nossos governantes e por quem mais o devia preservar.
Um exemplo de apelo aos populares à participação na recuperação de património nacional em França lançada pela BNF foi a compra do “Livro de Horas de Joana de França”, de 1452, considerado como tesouro nacional pelo Ministério da Cultura francês no ano passado. Todos os que contribuem são considerados mecenas e beneficiam de deduções fiscais. Na altura, Bruno Racine, presidente da BNF, afirmou: “Numerosos serão os que, tenho a certeza, compreendem a necessidade de guardar em França este tesouro nacional e que nos ajudarão a adquiri-lo, quaisquer que sejam os seus meios.” Uma demonstração de orgulho nacional. Um exemplo para nos inspirar?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Hopper

A capital francesa teve o privilégio de receber uma magnífica exposição retrospectiva do pintor realista norte-americano Edward Hopper (1882-1962). Esteve patente nas Galerias Nacionais Grand Palais desde o dia 10 de Outubro do ano passado até ao dia 3 de Fevereiro deste ano, atingindo o impressionante número de cerca de 785 mil visitantes. Este é o relato de um apaixonado pela sua obra.

Nighthawks (1942)

Cheguei a Hopper na minha adolescência através do seu quadro mais conhecido, “Nighthawks”, de 1942. O enigmático ‘diner’ prendeu prontamente a minha atenção e curiosidade. Quem seriam aquelas “aves nocturnas”? O que as levaria ali? Havia uma atracção naquela solidão misteriosa à qual não resisti. Os anos passaram e fui conhecendo, a pouco e pouco, cada vez mais o trabalho de Hopper. Primeiro com a edição, a um preço convidativo, a ele dedicada, publicada pela Taschen, depois com a facilidade de acesso à informação gerada pela ‘internet’. No entanto, embora já apreciador, só vi pela primeira vez quadros dele expostos numa visita a Madrid, ao Museu Thyssen-Bornemisza, onde me deleitei especialmente com o estupendo “Hotel Room”, de 1931. Recentemente, uma das suas paisagens costeiras, “Square Rock, Ogunquit”, de 1914, esteve em Lisboa, na exposição “As Idades do Mar”, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Hotel Room (1931)

A notícia da retrospectiva em Paris, ainda por cima com a vinda de “Nighthawks” à Europa – algo que os dedos de uma mão chegam para contar – fez reservar automaticamente uma viagem. Fui em finais de Novembro do ano passado, o tempo estava bastante frio e via-se já a feira de Natal nos Campos Elísios. Chegado à entrada do Grand Palais, fui informado por uma funcionária que o tempo médio de espera, na rua, era de uma hora e meia. Mas nada me podia demover do meu objectivo, nem mesmo a chuva ocasional que acabou por encharcar-me enquanto aguardava pacientemente.

Grand Palais, Paris.

O ambiente no museu era de grande movimento e o público lotava as primeiras salas da enorme exposição, principalmente aquelas onde estavam expostos os quadros que Hopper pintou em Paris, com paisagens locais, numa das poucas deslocações que fez ao estrangeiro, ainda jovem.

Confesso que descurei um pouco essa primeira parte e também as dedicadas à vida durante a Grande Depressão e ao trabalho de Hopper como ilustrador, algo que o próprio não gostava, mas que acabou por ser o seu ganha-pão durante uns tempos. Fui rapidamente ao encontro de “Nighthawks” e a experiência foi única. Não deixou de ser uma sensação estranha ver finalmente um dos meus quadros favoritos, que só conhecia através da imagem; agora, a coisa estava à minha frente. Mas nem este momento único me impediu de apreciar, durante quase um dia, intervalando apenas para almoçar, toda a maravilhosa reunião da obra de um dos pintores que mais aprecio.

Self Portrait (1925-30)

O trabalho de Hopper é completo. Não são apenas a solidão e o realismo que marcam a sua obra impressionante. Outro elemento muito importante é a luz, com os efeitos das sombras, mas também as cores. Para além das pinturas com elementos humanos, este é um artista magistral a representar paisagens, sejam naturais, sejam construídas. É quase como se atingíssemos nestes recortes da vida observada uma realidade mais que real. Esta exposição foi um daqueles momentos que se desejam durante uma vida. Felizmente, por vezes os desejos realizam-se!

terça-feira, 28 de maio de 2013

A França resistente


A França está dividida devido à aprovação do casamento homossexual. No passado domingo, Paris foi inundada por um mar de gente em mais uma impressionante manifestação, que mobilizou um milhão de pessoas. A manchete do jornal «Le Parisien», que a considerou um sucesso, era exactamente "A França cortada em dois".

No entanto, para entender este fenómeno, é necessário sair do reducionismo que o limita à contestação à lei do casamento homossexual. Aqui vemos uma França resistente àquela que quer destruir a nossa sociedade como a conhecemos e concebemos. Como escreveu Gabriele Adinolfi, "depois de décadas de ataques à língua, à cultura, à demografia, meia França insurgiu-se contra o casamento gay porque sente que está ameaçado o último quadrado da sociedade, a família". De seguida, responde a possíveis críticos: "Era melhor reagir antes? Era melhor reagir noutras questões? São perguntas retóricas. São os fortes impulsos psicológicos, súbitos e mobilizadores, que determinam com força irracional e profunda as mudanças históricas."

No último editorial de «La Nouvelle Revue d'Histoire», Dominique Venner explicou esta mobilização: "As pessoas que nos governam trataram novamente com desprezo esta indignação popular, que não haviam previsto e não podem compreender. Cometeram aqui um erro crasso. Quando tal indignação mobiliza tamanhas massas, de jovens mães e dos seus filhos, é o sinal de que foi transgredida para além suportável uma parte sagrada do que constitui uma nação. É perigoso provocar revolta das mães!"

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A Veneza de Canaletto

Pude visitar, na capital francesa, uma exposição exclusivamente dedicada às obras venezianas do pintor italiano Canaletto. Esteve patente no Museu Maillol e juntou cinquenta obras, o caderno de esboços e um fac-símile da câmara escura, o instrumento óptico que auxiliava nas suas pinturas.



O Museu Maillol surgiu em 1995 por Dina Vierny, modelo do escultor francês, de origem catalã, Aristide Maillol (1861–1944). Tem uma colecção permanente com vários trabalhos do artista que lhe dá o nome, bem como de outros pintores e escultores. Organiza também várias exposições temporárias, como a dedicada a Canaletto, bem como a do universo Pixi, de Alexis Poliakoff, que exibiu as pequenas figuras de chumbo que reproduzem grande parte dos mais conhecidos heróis da banda desenhada franco-belga, do Tintin ao Astérix, passando pelos Estrumpfes.

Giovanni Antonio Canal (1697–1768), mais conhecido como Canaletto, é o mais célebre dos pintores das ‘vedute’, ou seja das vistas ou paisagens urbanas, venezianas. Desde cedo viu a sua obra reconhecida e conseguiu atingir um estatuto de celebridade considerável. Iniciou a carreira na sua cidade natal, sendo Veneza o tema mais forte da sua produção. Viveu durante um período da sua vida em Inglaterra, onde o cônsul inglês em Veneza, Joseph Smith, o apresentou a ricos clientes. Quando regressa torna-se membro da Academia Veneziana de Pintura e Escultura.

Nesta exposição foi possível ver um número bastante grande de obras, que mostram o evoluir do seu trabalho, todas dedicadas a Veneza, no seu registo de uma quase fotografia artística. Verdadeiras imortalizações de pedaços de uma cidade por quem tantos ainda se apaixonam, com um pormenor impressionante, mas sujeitas ao toque pessoal de Canaletto.

Um dos aspectos que mais nos capta a atenção nas suas pinturas é a luz. Aproveitando a deixa, posso dizer que esta exposição é mais uma luz na “cidade da luz”, que nos permite ver todo o percurso do mestre do ‘vedutismo’ através do seu excepcional legado.

sábado, 12 de novembro de 2011

Manhã parisiense


A Île de la Cité vista da Pont des Arts, bem cedo, a caminho da gravação de mais uma emissão do Méridien Zéro.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Nostalgia parisiense

Woody Allen continua na sua ronda europeia para desta vez nos levar a Paris, num filme escrito e realizado por ele com um elenco preenchido de estrelas. O resultado é uma boa comédia romântica que nos faz reflectir sobre a ideia da “idade de ouro”.

O improvável Owen Wilson representa Gil, um autor de argumentos cinematográficos que pretende tornar-se romancista. Prestes a casar, viaja para Paris com a sua noiva e os futuros sogros. Aqui começam a notar-se as diferenças do casal. Ela é materialista e só pensa nos preparativos da boda, ele sonha com os anos 20 parisienses, que considera o período perfeito, e espera que a cidade o ajude a terminar o seu livro. Num dos seus passeios a pé nocturnos, ao toque da meia-noite, qual Cinderela, Gil faz a impensável viagem dos seus sonhos. Volta atrás no tempo e conhece a Paris que sempre quis, confraternizando com escritores, pintores, ou cineastas, como Scott Fitzgerald, Luis Buñuel, Ernest Hemingway e Pablo Picasso.

Como não podia deixar de ser, Gil apaixona-se por uma mulher desse passado, Adriana (Marion Cotillard), ao mesmo tempo que a sua noiva (Rachel MacAdams) se envolve com um amigo norte-americano que encontra. Esse amigo proporciona alguns dos momentos mais divertidos do filme. É um pedante, um “pseudo-intelectual”, como lhe chama Gil, e a sua personagem serve para fazer uma crítica a todos esses “convencidos” que se acham o máximo.

Os desencontros amorosos mostram também um desencontro com a realidade. Esta é uma história que nos mostra como a adoração do passado é normalmente uma fuga ao presente e que aqueles que viveram nos nossos “anos de ouro”, também sonhavam com outro tempo que consideravam melhor. No presente também é possível haver finais felizes. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 11 de maio de 2010

9 de Maio

A manifestação unitária contra o mundialismo agendada para o passado dia 9 de Maio em Paris excedeu as melhores expectativas. Mais de mil nacionalistas e identitários de diferentes grupos e organizações marcharam juntos, para no fim ouvirem as palavras de Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, Robert Spieler, delegado geral da NDP, e Serge Ayoub, organizador do acto, que recordou o malogrado militante nacionalista francês Sébastien Deyzieu.

Uma nota para a contra-manifestação que foi organizada pela extrema-esquerda para o mesmo dia, mas... no lado oposto da cidade e quatro horas depois!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ir a Paris

Nos últimos tempos, ir a Paris é algo que faço uma vez por ano. Este ano repeti a dose. Não é que me importe, muito pelo contrário. Apesar do pouco tempo que lá estive, é sempre óptimo rever amigos e voltar àqueles lugares obrigatórios, mas também conhecer novas pessoas e novos sítios.
Esta última ida foi bastante preenchida e cansativa, da reunião darei conta num post posterior, mas no dia de regresso não faltou um passeio no Boulevard Saint-Michel, uns quantos livros e revistas compradas, um almoço com um amigo italiano junto à Sorbonne e claro, para recompor, un café serré.

sábado, 18 de outubro de 2008

Jünger e Céline na Sorbonne

Em frente à Sorbonne há um quiosque onde é possível comprar números antigos do «Magazine Littéraire». E não é a molho, tipo “oportunidades”, é todo um escaparate com vários exemplares de cada número, organizados por data de publicação. Uma verdadeira tentação para “esvaziar a bolsa” e “encher a mala”. Mas, como nesta minha última ida a Paris a mala já estava cheia e a bolsa anda sempre pouco preenchida, tive que conter-me e elegi apenas duas revistas, relativas a dois autores de referência para mim — Ernst Jünger e Louis-Ferdinand Céline.



Trouxe, assim, o n.º 326, de 1994, estando o escritor alemão ainda vivo e à beira de completar o seu centésimo aniversário, que tem um excelente dossier com vários artigos, uma cronologia, uma bibliografia e o texto “Leipzig”, um excerto da primeira versão inédita de “O Coração Aventuroso”; e o hors-série n.º 4, de 2002, totalmente dedicado ao escritor francês, do qual destaco três textos inéditos e a entrevista com Lucette Destouches sobre como foi escrito “Rigodon”.

Mais auxiliares para, como propôs o meu caro amigo Miguel Vaz, depois de aceitar umas pistas de leitura que lhe dei, “analisar mais a fundo a relação entre Jünger e Céline. Dois escritores geniais, dois veteranos da Guerra, dois condecorados, dois críticos do III Reich e dois odiados pela Ordem que floresceu na Europa após a derrocada alemã. Dois percursos análogos mas inversos. De um lado a perspectiva ascética e aristrocrática de Jünger. Do outro o niilismo e a provocação de Céline.