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sexta-feira, 5 de maio de 2017

A Direita francesa, as eleições presidenciais e Marine Le Pen


Há dois anos entrevistei o Bruno Garschagen, professor de Teoria Política, autor e tradutor, a propósito do seu livro “Pare de acreditar no Governo. Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado”. Apesar das nossas diferenças, mantivemos o contacto, a amizade e o salutar debate de ideias. Desta vez, a propósito das eleições presidenciais francesas, os papéis inverteram-se e fui eu o entrevistado. Aqui fica a ligação para a entrevista que dei ontem em directo, uma óptima experiência que, assim espero, seja útil à compreensão do que está em jogo no próximo dia 7 de Maio. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A teoria que dá a vitória a Marine Le Pen

Marine Le Pen

Serge Galam, físico e investigador em Ciência Política no CEVIPOF previu a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais nos EUA e a derrota de Alain Juppé nas primárias da Direita francesa. Agora, segundo noticia o "Le Point" e desenvolve a revista "Valeurs Actuelles", diz que há uma possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu para a qual apresenta uma base científica.

Ao contrário do que prevêem as sondagens, Marine pode vencer graças ao que Serge Galam chama a "abstenção diferenciada". Segundo o investigador, Le Pen não consegue passar a barreira dos 50%, mas pode beneficiar de uma fraca mobilização do eleitorado de Macron.

Traduzido em números, Galam parte de uma sondagem que dá 58% a Macron e 42% a Marine para considerar que, neste caso, se 90% dos eleitores de Marine votarem na segunda volta e apenas 65% dos eleitores que declararam o seu apoio a Macron o fizerem, Marine Le Pen seria eleita com 50,07% dos votos.

É uma hipótese remota, claro, mas temos visto vários casos em que o inesperado aconteceu...

domingo, 30 de abril de 2017

Macron, o candidato dos 'media'

Macron, o candidato dos media

Ainda as sondagens não apontavam Emmanuel Macron como candidato capaz de chegar à segunda volta das eleições presidenciais em França, já a imprensa dita "de referência" fazia um verdadeiro exercício de propaganda a este ex-ministro de Hollande, que de repente se tornara uma "sensação", uma "novidade", uma coqueluche mediática.

Não será por isso de estranhar que os media não se inibiram de manifestar o seu apoio expresso a Macron, como se tornaram engrenagens essenciais na sua máquina propagandística.

A cobertura da noite eleitoral da primeira volta é um exemplo paradigmático e foi muitíssimo bem desmontada por Michel Geoffroy numa exaustiva análise, cuja leitura aconselho. O ensaísta francês, colaborador da Fondation Polémia, conclui que nessa noite os media instalaram Macron como o futuro Presidente da República francesa.

Em Portugal, como no resto do mundo ocidental, a postura foi fundamentalmente a mesma. No entanto, houve um exemplo raro e louvável que é se impõe referir. Felisbela Lopes, professora universitária que lecciona Comunicação Social da Universidade do Minho, escreveu um artigo no "Jornal de Notícias" cujo título diz tudo: "Os média escolhem Macron". Nesse texto,  confessa a sua "repulsa a sofisticados processos de produção noticiosa que, sob o manto da imparcialidade e da precisão, procuram passar mensagens subliminares que orientem comportamentos. Por norma, os cidadãos percebem bem essa manipulação e tendem a reagir em sentido contrário daquele pretendido. Nestas eleições francesas, seria melhor noticiar com rigor o que os dois candidatos fazem e desconstruir exaustivamente as respetivas propostas, circunscrevendo a defesa de cada um aos espaços de opinião". É a defesa de um jornalismo ideal, dirão alguns, de uma objectividade impossível, dirão outros, mas não deixa de ser uma chamada de atenção muito importante, em especial neste tempo em que os media do sistema tanto se esforçam por recuperar uma credibilidade que dificilmente voltarão a ter.

segunda-feira, 24 de março de 2014

O mau jornalismo habitual (XI)


"A França está esta noite em estado de choque." Assim começa a notícia do semanário «Expresso» sobre os primeiros resultados do Front National (FN) nas eleições municipais francesas. É apenas um exemplo, porque também ouvi tiradas como "franceses preocupados" ou "um golpe para a democracia".

Entendamo-nos: os franceses que votam livremente no FN não são franceses? Votar livremente no FN é atentar contra a democracia?

O mais curioso é que são "jornalistas" destes que se arrogam como os grandes defensores da "objectividade"...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A hora dos eurocépticos


As eleições para o Parlamento Europeu serão no dia 25 de Maio deste ano. A seis meses de distância são cada vez mais claros os indicadores que os partidos soberanistas terão uma votação expressiva. A capa da edição da semana passada da revista “The Economist” é a demonstração prática de que o crescimento previsto dos partidos eurocépticos nas eleições europeias é uma realidade à qual não podemos escapar. A revista faz um paralelo com a alteração provocada na política norte-americana com o chamado Tea Party, em 2010, apesar das claras diferenças ideológicas, e elege como protagonistas Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional (FN) francesa, Nigel Farage, do Partido Independentista do Reino Unido (UKIP), e Geert Wilders, do Partido da Liberdade (PVV) holandês.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Populares


Há gralhas divertidas. Ontem, no «Público», numa notícia dedicada à "ascensão da extrema-direita" francesa, o jornalista trocou "Frente Nacional" por "Frente Popular" duas vezes. Um regresso acidental à França do século passado e à coligação de esquerda que governou o país entre 1936 e 1939. Um 'front' ligeiramente diferente do de Marine Le Pen... Para além disso, escreveu que "Le Pen espera eleger para cargos municipais entre mil e 1500 populares". Talvez o erro tenha sido induzido pela grande popularidade que a Frente Nacional goza actualmente, para incómodo de muitos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Venenos


A manchete da edição de hoje do jornal francês «Libération» é “O veneno FN”, para anunciar a nova estratégia autárquica do Front National, de implantação local, cujo primeiro caso prático serão as eleições municipais de 2014.

Ainda bem que em França não há a obrigação legal de dar igual destaque a todas as candidaturas. Caso contrário, teriam que falar dos outros “venenos” e em capa.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Daltonismo político


Mais uma vez assistimos a uma violência extrema nos saques, agressões e destruição pública na capital francesa, que recordam os "motins" de 2005, na sequência da vitória do Paris Saint-Germain no campeonato de futebol. No entanto, certa imprensa e os habituais dirigentes das esquerdas, activaram o seu habitual mecanismo automático de culpabilização. Os responsáveis, para estes bem-pensantes politicamente correctos, pertencem à extrema-direita. Acontece que, pelo menos desta vez, as imagens desmentem claramente esta associação.

É verdade que o PSG tem uma claque associada à extrema-direita, os "Boulogne Boys", mas desta vez vemos como aqueles que se aproveitaram de um festejo desportivo público são a 'racaille' proveniente das 'banlieues'. "Jovens" marginais, na sua maioria descendentes de imigrantes africanos ou magrebinos. Um fenómeno incómodo para os integracionistas, que tantas vezes foi denunciado pelas direitas gaulesas, seja por Sarkozy ou por Le Pen.

Obviamente, é muito mais cómodo culpar a "extrema-direita", nem que seja com expressões convenientemente vagas, como "grupos com ligações" ou "próximos". Pior, o novo governo socialista recusa qualquer responsabilidade pela inacreditável ausência de segurança que se viveu no centro da capital francesa. A UMP pediu prontamente a demissão do ministro do Interior, Manuel Valls. Já Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, atribuiu a violência ao "fracasso da política de imigração", afirmando que as imagens televisivas mostram que os agressores são "evidentemente de origem imigrante".

No que respeita aos "ultras" do PSG, convém recordar que, em 2006, na sequência de confrontos após um jogo, a polícia não hesitou em agir com exagero e matar Julien Quemener. Atitude que contrasta com a relativa passividade na intervenção a que se assistiu desta vez.

Pelos vistos, há dois pesos e duas medidas. Mais, mesmo perante imagens esclarecedoras, as esquerdas e certa imprensa continuam a sofrer de acentuado daltonismo político.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A França actual vista pela televisão russa


No início deste mês, uma equipa do primeiro canal público russo Rossiya 1 fez uma reportagem em França, escolhendo Paris e Saint-Ouen para mostrar o impacto da presença dos muçulmanos e da imigração ilegal africana.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Marine determinante

O socialista François Hollande ficou à frente na primeira volta das eleições presidenciais francesas e o actual Presidente da República, Nicolas Sarkozy, ficou em segundo lugar. Mas foi Marine Le Pen, que se impôs em terceiro lugar e se tornou o candidato determinante da segunda volta. Depois dos erros das sondagens, do primarismo da classificação política e da surpresa dos menos atentos, é tempo de analisar os resultados, perceber o que está em causa e tentar ver o quem será o próximo inquilino do Eliseu.



Com 18 por cento dos votos, a candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, tornou-se uma peça incontornável na decisão da segunda volta das presidenciais francesas. Há quem lhe chame o “árbitro”, mas as suas intenções vão muito além deste acto eleitoral. A política em França está a mudar. Os socialistas europeus, desacreditados politicamente, esperam a vitória de Hollande, para relançar a esquerda. Sarkozy tenta, a todo o custo, manter-se no cargo, mas a tarefa não é fácil. O actual cenário político francês ajuda a compreender as alterações na política contemporânea na Europa.

O esperado
A vitória do candidato do Partido Socialista, François Hollande, não surpreendeu. Depois dos desentendimentos entre os socialistas, foi este o escolhido para derrubar o actual Presidente. A seu favor jogaram a crise económico-financeira, o crescente desemprego, as questões sociais e, especialmente, a animosidade gerada por Sarkozy. Com 28,63 por cento dos votos, Hollande conta, em princípio, com os votos da esquerda na segunda volta. Ainda assim, e apesar de a maioria dos analistas o apontarem como favorito na segunda volta, nada está, obviamente, garantido. Ainda assim, Hollande pisca o olho aos valiosos eleitores da FN. Em declarações à RTL, afirmou: “Num período de crise, que nós conhecemos, a limitação económica da imigração é necessária, indispensável. Eu quero lutar contra a imigração clandestina no plano económico”.

O derrotado
Sarkozy não teve um primeiro mandato fácil. A sua presidência foi bastante criticada pelos vários sectores políticos franceses. Em plena campanha, quando a sua popularidade estava em baixa, beneficiou do caso do chamado assassino de Toulouse. Endureceu o seu discurso e apostou em temas como a segurança e a islamização de França. Era uma clara tentativa de conseguir chegar aos tradicionais eleitores da FN. A estratégia não resultou. Atingiu os 27,18 por cento e tenciona agora tornar-se o unificador da direita para ser reconduzido no cargo. Mas este é um objectivo bastante complicado. Apesar de se ter tentado distanciar, sabe que precisa daqueles que votaram Marine para continuar no Eliseu.

O ajudado
Jean-Luc Mélenchon, o candidato da extrema-esquerda, foi desde o início acarinhado pelos meios de comunicação social e, segundo as sondagens, era apontado como aquele que conseguiria o terceiro lugar na primeira volta. No fim de contas, a montanha pariu um rato. O seu resultado pouco ultrapassou os 11 por cento. Há que dizer que Mélenchon, tal como Eva Joly, defenderam sempre o voto em Hollande, oue seja, a unidade das esquerdas contra Sarkozy. Podia ser uma justificação para os fracos desempenhos destes dois candidatos, mas o que aconteceu contrariou as análises dos que se convenceram de que a política em França não havia mudado.

A “surpresa”
A grande vencedora desta primeira volta foi Marine Le Pen, filha do histórico líder da FN Jean-Marie LePen. Muitos consideraram o seu expressivo resultado de 18 por cento, superior ao conseguido pelo seu pai na segunda volta de 2002, como uma surpresa. De facto, nenhuma sondagem previu tais números. Mas há que ter uma análise fria e atenta da situação política francesa. Marine iniciou, com sucesso, o chamado processo de desdiabolização da FN. Com todas as críticas que lhe possam ser apontadas, Marine fez-se valer como opção para grande parte do eleitorado. Assumiu-se como chefe da oposição e está decidida a mostrar que a cena política francesa se alterou. Ela é um dos novos actores e ninguém pode alterá-la. A sua posição sobre a segunda volta será anunciada no dia 1 de Maio, data em que a FN faz a sua tradicional homenagem a Joana d’Arc. Mas o seu objectivo claro são as legislativas. Recorde-se que, quando o sistema era proporcional, a FN conseguiu eleger 35 deputados à Assembleia Nacional. A partir daí, apesar das votações expressivas, a FN foi arredada da representação no parlamento pelo novo sistema a duas voltas. Agora, com este crescimento, Marine espera voltar o feitiço contra o feiticeiro.

As Direitas
Na maior parte dos casos, a imprensa portuguesa, para não falar de outros casos, continua a tratar a FN como um partido de extrema-direita. Com este simplismo, parece que se trata de um pequeno partido marginal e que extrema-direita equivale, necessariamente, a fascismo. Tal entendimento só pode demonstrar ignorância ou má-fé. Fazendo uma análise séria, é impossível remeter a FN para os lugares-comuns do costume, normalmente inquinados ideologicamente. Em primeiro lugar, espectro dos seus eleitores é amplo. Um dado curioso, para os menos atentos, e bastante incómodo para as esquerdas, é que a FN é o partido que em França colhe a maior fatia de apoio dos operários. Também tem grande adesão nas camadas mais jovens, assumindo-se como uma força anti-sistema. Em segundo lugar, há que ter em conta o panorama das direitas francesas. Se olharmos para o programa do RPR dos anos 80 do século passado, descobrimos automaticamente grandes semelhanças com o do FN hodierno. Tal não acontece por acaso. A fractura da grande família direitista em França continua. Como muito bem classificou René Rémond, na sua tipologia das direitas francesas, assistimos ainda hoje à luta entre orléanistas e bonapartistas pelo domínio desta grande família política. Marine está a inverter o jogo de forças. Um fenómeno ao qual devemos estar atentos, para melhor compreender as mudanças em curso, não só em França, mas em toda a Europa.

E agora?
Aquele que pode ser considerado o bloco das direitas (Sarkozy, Le Pen, Dupont-Aignan) tem, em teoria, 47 por cento dos votos. O da esquerda (Hollande, Mélenchon, Joly, Poutou, Arthaud), por seu lado, dispõe de 44 por cento. Claro que a forma como se vão repartir os nove por cento dos eleitores que votaram no centrista François Bayrou é importante e difícil de adivinhar. No entanto, as contas estão longe de ser fáceis. Uma coisa é certa, a atitude dos eleitores de Marine Le Pen será determinante na decisão de quem será o próximo Presidente francês. Alguns preferirão, mesmo que contrariados, o candidato da direita. Outros o da esquerda, conforme muitos já declararam. Mas há sempre aqueles que optam pela abstenção. Como afirmaram vários frentistas, com estes candidatos na segunda volta, no dia do acto eleitoral da segunda volta preferem “ir à pesca”. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

sábado, 15 de janeiro de 2011

O pós-Le Pen

Marine Le Pen foi, sem surpresa, eleita a nova presidente do Front National, que segundo o diário "Le Figaro" teve 67% dos votos e será a candidata natural do partido às presidenciais do próximo ano. Sucedendo ao seu pai, promete alterar a face da maior expressão da extrema-direita francesa através da chamada estratégia de "desdiabolização". A este respeito republico aqui a conclusão do meu artigo "O pós-Le Pen", publicado no semanário "O Diabo", no dia 25 de Maio de 2010. Para ler o artigo na íntegra, basta clicar na imagem ao lado.

Está guardada para Janeiro de 2011 a decisão relativamente ao sucessor de Le Pen. Os militantes escolherão em congresso entre a filha do histórico presidente, Marine Le Pen, ou o eterno número dois, Bruno Gollnisch, debilitado pela saída de vários dos seus apoiantes de peso.

A confirmar-se a esperada eleição de Marine, começa já a especular-se o que será o futuro do partido. Esta mulher divorciada, com bons dotes de argumentação, mas que recusa as polémicas que isolaram o seu pai, é considerada mais “frequentável”. É por isso que muitos começam a aceitar como provável a hipótese de uma “finização” do FN. Quer isto dizer que pode acontecer em França uma alteração semelhante ao que aconteceu em Itália com Gianfranco Fini. Ao tornar um partido de extrema-direita mais “respeitável” e aceite, conseguir que este integre uma coligação governamental de direita.

Uma recente edição da revista francesa “Le Point”, que fez capa com a filha de Le Pen, perguntava se estávamos perante uma “normalização” do FN em curso. Isto porque, segundo uma sondagem, 36% dos simpatizantes da UMP se diziam favoráveis à participação de Marine num governo, ao passo que no FN essa percentagem atingia os 85%.

A moderação de Marine Le Pen, com a qual pretende atingir a desejada respeitabilidade, faz com que produza afirmações sobre o 25 de Abril como as publicadas no jornal “Expresso”. Na edição de 1 de Maio passado desse semanário, afirmou: “Na história política de Portugal, Mário Soares teve um papel fundamental, positivo, para o fim do regime, em 1974, e na luta contra o comunismo, a seguir”. Ou ainda: “Sou democrata e respeito a soberania popular: a revolução dos cravos respondeu ao desejo da maioria dos portugueses”.