Quando li as referências a
Manuel Cavaleiro de Ferreira feitas pelo
Manuel Azinhal e pelo
Jansenista, lembrei-me do seu filho, seu homónimo, que conheci e que também já não se encontra entre nós. O “Manelzinho”, como era conhecido, vivia para o pai e para a sua obra. Recordo as longas conversas que tive com ele, sobre o pai, claro, mas também sobre Salazar e os meandros da política durante o Estado Novo. Admirava o trabalho do pai, como académico e como ministro, e todos os seus esforços eram gastos na preservação da sua memória, conseguindo a publicação de algumas das suas obras, estando envolvido no processo que levou à atribuição do nome do seu pai a uma rua em Lisboa e elaborando de uma
página na internet. Essa página tem uma história curiosa. O “Manelzinho” era uma pessoa muito solitária, com o pensamento sempre absorvido pelo seu único objectivo. Quando soube que ele havia iniciado a construção de um sítio na
internet sobre o seu pai e onde disponibilizaria vários dos seus textos, ofereci-me para lhe dar algum auxílio técnico, caso necessitasse. Recusou imediatamente. Apesar de não ter computador nem conhecimentos profundos de informática, aprendeu e, utilizando um posto público de acesso à
web, dedicou-se a esta empresa. Sabia perfeitamente que esta nova tecnologia era um dos meios fundamentais para a divulgação e preservação da obra do seu pai. Morreu pouco tempo depois da última actualização da página, mas esta ficou e continua a ser visitada e referida. Obrigado ao
Manuel Azinhal e ao
Jansenista, pois o melhor elogio ao Manuel Cavaleiro de Ferreira (filho) era elogiar o seu pai.