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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

“Sociedade racial”

Alguns comentários ao artigo de Luís Campos e Cunha hoje do «Público», sobre o “problema das minorias étnicas”, modelos “integração” e diferenças de discriminação, com a ênfase na sociedade americana, sobre a qual afirma: “não é racista, é racial”.

Diz o autor: “quando cheguei a Nova Iorque e me matriculava em Columbia, no formulário de inscrição pediam-me para responder (facultativamente se eu era branco, latino, asiático ou negro.” Lembrei-me automaticamente dos tempos que passei nos EUA e onde em quase todos os questionários há esta pergunta. É claro que isso permite informação estatística preciosa para análises que noutros sítios, como na Europa continental, não se podem fazer por censura politicamente correcta. Como escreveu Pacheco Pereira na revista «Sábado», em Março de 2005, “a ideia politicamente correcta de que não se deve nomear a cor, nacionalidade (no caso de imigrantes) ou qualquer outro pormenor que possa ser considerado racista, sexista ou xenófobo, nas notícias dos crimes, é só e apenas isso: politicamente correcta. Na prática, censura-nos uma informação que devíamos ter: a relação entre a criminalidade e os factores sociais e culturais onde ela encontra raízes.” Mais, não pensem que os membros das minorias se sentem ofendidos com essa questão, pelo contrário, nos EUA, a maioria sente orgulho nessa pertença. Experimentem, por exemplo, dizer a Myke Tyson que não é negro porque “não há raças” e preparem-se para ficar sem dentes...

Ainda sobre o questionário racial, Campos e Cunha diz: “Não estando ainda habituado às subtilezas americanas, não sabia como preencher: eu era branco mas também latino, como os espanhóis ou italianos.” Quanto à dificuldade na resposta, é óbvio que para um americano “latino” não se refere a quem fale uma língua latina e, por isso, portugueses, espanhóis e italianos não são “latinos” nessa classificação americana. Da mesma forma que, quando um jornal português se refere à comunidade hispânica, falando dos EUA, não quer dizer ibérica. A questão dos “latinos” suscitou já grande debate, nomeadamente após protestos de vários sul-americanos de origem europeia, que se consideram brancos mas não “latinos”, apesar da língua, deixando perceber que esta é uma classificação mais rácica que étnica.