Fundada em 1962 por Raymond Bourgine, jornalista e empresário da direita liberal não gaullista e favorável à manutenção da presença francesa na Argélia, tornou-se um ponto de encontro entre a direita patriótica e democracia cristã centrista. Vista pelos seus detractores como “reaccionária”, conseguiu juntar colaboradores de todo o espectro da direita. Bourgine quis fazer da sua revista uma “enciclopédia do mundo contemporâneo” e conseguiu-o. Mesmo depois da morte do seu fundador, em 1990, “Le Spectacle du Monde” manteve o mesmo espírito e qualidade.
Agora, depois de mais de meio século de vida, não será mais publicada. As razões apontadas pelo grupo editorial a que pertencia são as vendas insuficientes: os cerca de 30 mil exemplares vendidos por edição não chegam para garantir a rentabilidade do título. Mas, para além desta justificação, o Observatório dos Jornalistas e da Informação Mediática francês afirma também que a participação de figuras da chamada “Nova Direita”, como Alain de Benoist ou Michel Marmin, já não se adequava com a orientação do grupo, liberal e pró-Sarkozy.
Caiu o pano que anunciou o fim da melhor revista intelectual para o grande público da direita francesa. Este é um espectáculo que não vai continuar. Perdeu-se uma referência da direita e sem ela perdem a cultura francesa e europeia.


