Mostrar mensagens com a etiqueta Lanceiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lanceiro. Mostrar todas as mensagens

sábado, 10 de dezembro de 2011

Na morte de um Amigo


Tive a triste notícia da morte de mais um Amigo. O José Manuel dos Santos Costa deixou-nos. Recordo com saudade a última conversa que tivemos, sobre o "Lanceiro", claro, a revista que dirigia e cujo futuro o preocupava. Era assim, até ao fim um combatente - no verdadeiro sentido do termo - fiel ao dever e à Pátria. Um Homem como conheci poucos e do qual me honro de ter sido Amigo. Como se diz na gíria militar, agora "deixou de fumar". Não será esquecido.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lanceiro à carga!

Está já disponível o número 5 do “Lanceiro”, agora com o título “Cadernos Militares Magazine”, um formato ligeiramente maior e uma periodicidade que passa a ser de três números por ano.

O “Lanceiro” existe desde 1999, quando foi fundado pelo seu director, José Manuel dos Santos Costa, e saiu ininterruptamente até finais de 2007. Depois de um período sem ser publicado, voltou à carga no início de 2009 com o título “Cadernos Militares” e com um visual renovado.

Mais do que uma mera revista para consumo interno, esta é uma publicação de História e cultura militar dirigida a um público abrangente. O “Lanceiro” tem um objectivo claro, como dizia a nota de abertura do n.º 1 dos “Cadernos Militares”: “Para que não se esqueça e não se faça tábua rasa da nossa História que como disse Mouzinho "foi obra de soldados" fazemos uma publicação para todos os que sentem e vivem "os interesses permanentes e vitais da Pátria e têm o culto da sua História", tenham ou não passado pelas fileiras”.

É, assim, um verdadeiro achado. Tanto no vazio do panorama editorial no nosso país no que respeita a publicações deste género, como no espírito patriótico e de dever que o guia, valores tão em desuso nos tempos que passam. Haja quem os mantenha.

Neste número destacam-se os artigos “A Carga da Brigada Ligeira: Heróica Carga da Cavalaria Inglesa”, de Roberto de Moraes, “A Guerra 14/18: Porque morreram 10 milhões?”, do General António Martins Barrento, “Carabinas e Clavinas na Cavalaria Portuguesa”, de Jaime Regalado, e “Os ME-262”, de Carlos Passanha. Para além das secções de notícias e história e da evocação de Marcelino da Mata, é ainda possível encontrar as crónicas de Ana Costa Lopes, sobre “Aljubarrota e Batalha”, e de Filipe Barbeitos, sobre o “Regresso a Timor”.

Uma revista muito interessante que pode ser adquirida nas livrarias Barata e Férin, em Lisboa, na Galileu, em Cascais, na Lello, no Porto, na Minerva, em Coimbra, ou encomendada através do endereço de correio electrónico: jornallanceiro@gmail.com. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Lanceiro - Cadernos Militares nº 4

O último número da revista "Lanceiro - Cadernos Militares" tem a destacar os artigos "Pintura Histórico-Militar", do TCor Cav Marcos Andrade, "Sargentos-Mores", pelo SMor Cav Fernando Lourenço, a conclusão de "Tentativas e Golpes Militares", de Roberto de Moraes, o discurso de António Barreto na sessão solene do 10 de Junho de 2010, entre outros, para além das secções habituais. Pode ser adquirida nas livrarias Barata e Férin, em Lisboa, ou encomendada através do endereço de correio electrónico: jornallanceiro@gmail.com.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Lanceiro recorda Roberto de Moraes

O blog dos "Lanceiro - Cadernos Militares", lembrou Roberto de Moraes, seu colaborador e sócio convidado da Associação de Lanceiros, enumerando as suas participações na revista e informando que o seu primeiro artigo publicado no jornal "Lanceiro" n.º 4, de Setembro de 1999, com uma elaborada descrição da "Carga da Brigada Ligeira", será, em sua homenagem, republicado no n.º 5 dos Cadernos Militares.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

«Lanceiro» volta à carga!

O «Lanceiro» volta à carga, desde o último número do jornal publicado em Novembro de 2007, agora com novo formato e o subtítulo “Cadernos Militares”. O n.º 1 foi-me oferecido pelo meu amigo Roberto de Moraes, autor do excelente artigo “Noventa Anos do Armistício. Algumas considerações sobre a Primeira Guerra Mundial”. Este número, dedicado à Cavalaria, a Lanceiros, à PM/PE, à Guerra do Ultramar (inclui as CPM e PPM que serviram em Angola e o nome de todos os seus oficiais) e à Vida Militar é enviado gratuitamente em formato .pdf, como divulgação, mediante pedido para o endereço electrónico jornallanceiro@gmail.com. O preço da versão impressa é € 5 e a periodicidade é semestral.

O «Lanceiro» tem um objectivo claro, como nos diz a nota de abertura deste n.º 1: “Para que não se esqueça e não se faça tábua rasa da nossa História que como disse Mouzinho "foi obra de soldados" fazemos uma publicação paratodos os que sentem e vivem "os interesses permanentes e vitais da Pátria e têm o culto da sua História", tenham ou não passado pelas fileiras”.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Presidentes militares de Portugal

No último número do «Lanceiro», o 24, referente ao mês de Março, destaco o excelente artigo “Presidente militares de Portugal”, da autoria de Roberto de Moraes. Tratando concisamente os dez presidentes militares, de Sidónio Pais a Ramalho Eanes, este jornalista e historiador vai além das meras notas biográficas de cada um deles, “salpicando o todo com alguns traços pessoais e informação de várias ordens, pois a História tem um rosto”, nas suas palavras. De facto, ao apontar, por diversas vezes, aspectos singulares do percurso de alguns dos presidentes, bem como aspectos da personalidade de cada um, torna este tema alargado mais interessante e de leitura mais agradável. Para além disso, faz ainda apontamentos perspicazes acerca dos quadros existentes no Palácio de Belém de muitos dos retratados. Um óptimo texto para melhor compreender as figuras que fizeram cruzar a instituição militar e a Presidência da República na nossa História.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

D. PEDRO V

"Estou plenamente convicta da imensa
superioridade de D. Pedro quando comparado
com qualquer outro jovem príncipe"
Rainha Vitória


HÁ 150 ANOS FOI A ACLAMAÇÃO DE D. PEDRO V Primeiro filho de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, um desses príncipes cultíssimos que a Alemanha então exportava para renovar a seiva de algumas casa reais bem necessitadas, D. Pedro nasceu em 1837.
Em Novembro de 1853 morria inesperadamente a Rainha, com apenas 34 anos de idade, das consequências do 11.º parto, abrindo assim um período de dois anos da regência de D. Fernando II, Rei Consorte desde o nascimento do filho, que se estenderia até este atingir a idade de 18 anos, prescrita na Lei, em 1855.
Inicia-se então um período de viagens de estudos em que visita, com seu irmão Luís (mais tarde Rei), vários países europeus.
Dos relatórios e cartas que então escreveu, encontra-se já bem patente, no âmbito de uma precocidade invulgar, a sua inteligência superior, seu espírito de rigor, sua incansável vontade de saber, de aprender, quer no domínio das ciências, quer no das letras, e também, embora em menor medida, no das artes. São já documentos de um espírito maduro e não de um rapaz no fim da adolescência.
Logo no início do seu reinado depara com a epidemia de cólera-morbo seguida, um ano depois, pela não menos mortífera febre-amarela. Ao invés de muitas famílias mais abastadas e de não poucos políticos, o Rei não abandona a capital desdobrando-se em cuidados aos doentes, que visitava com perigo da própria vida, assim como em inspecções à operacionalidade de medidas de luta que havia delineado. O povo nunca esqueceria esta sua faceta.
Da estirpe de um D. João II a que se juntava algo da inteligência percutante e sombria de um D. Duarte, D. Pedro aliava as qualidades do homem de reflexão às do homem de acção, pois se era um realista que não podia ignorar o estado desgraçado em que se encontrava o Reino (muitos anos de guerra civil endémica, sucessão ininterrupta de Governos, humilhações face ao estrangeiro com a convenção de Gramido, revoltas como a da Maria da Fonte e a subsequente Patuleia, etc.), realista dobrado de pessimista, que não ocultava o idealista que também, lá bem no fundo, não deixava de ser.
Idealista activo, aliás, que só se dava por satisfeito na realização - livre e dentro da Constituição, isto é, pelos seus Governos e com apoio nas Cortes - dos planos que pensava e inspirava, ou procurava inspirar, e na possível aplicação prática das ideias que servia.
Atormentavam-no as limitações, principalmente quando eram contrárias aos interesses da Pátria e filhas de movimentos e interesses escondidos, intencionalmente egoístas e destrutivos.
No que se chocava amiúde com a classe política, corrupta e incapaz, na sua grande maioria, pois não era Rei que se deixasse ficar, mas sim soberano com tendências intervencionistas, exercendo o Poder Moderador - aliás perfeitamente legal e consignado na Constituição -, que fazia com zelo, clareza de espirito, inteligência e conhecimento aprofundado das causas, o que embaraçava e irritava muitos dos seus ministros.
O seu reinado, embora muito curto (uns escassos seis anos) foi rico em empreendimentos a que esteve intimamente ligado e dos quais foi, muitas vezes, tanto o pensador como o impulsionador: inauguração e planos para a expansão rápida do caminho-de-ferro; o mesmo para o telegrafo eléctrico; concessão de liberdade a todos os escravos que desembarcassem no continente, ilhas adjacentes, Índia e Macau; início da publicação da "Portugaliae Monumenta Histórica"; exposição industrial do Porto, a primeira internacional realizada em Portugal; criação da Comissão Central de Estatística do Reino; lançamento das primeiras carreiras regulares, a vapor, da metrópole para Angola; apresentação do projecto de Código Civil; introdução do sistema métrico: criação da Direcção-Geral de Instrução no Ministério do Reino; fundação do Curso Superior de Letras (mais tarde Faculdade de Letras, projecto pessoal do Rei); melhoria do curriculum da Escola Politécnica; supressão dos morgados e capelas ainda existentes; fundação da Associação Industrial Portuguesa.
Os assuntos militares, incluindo os mais técnicos, também o interessavam profundamente, seguindo-os de muito perto. Da sua iconografia, são raros os documentos fotográficos que o representam vestido à civil, pois andava normalmente fardado, envergando o sóbrio pequeno uniforme, com seu dólman azul ferrete (escuro) sem cordões nem agulhetas e correspondente calça de mescla cinzento-azulada. Levantava-se invariavelmente às sete da manhã começando logo a trabalhar, e das três às cinco da tarde, sempre que possível, visitava, sem avisar, quartéis, hospitais, instituições públicas, incluindo assistência a aulas no Curso de Letras e na Politécnica, onde se sentava, como qualquer aluno retardatário ao fim da sala. "Isto mantém alerta os indolentes", tal como escreveu a seu tio e mentor, o Príncipe Alberto de Inglaterra, também ele um Saxe-Coburgo.
A morte inesperada em 1859, por difteria, da sua amada mulher, a Rainha D. Estefânia, alemã oriunda da casa de Hohenzollern-Sigmaringen, tornou-o ainda mais sombrio extinguindo-se ele próprio a 11 de Novembro de 1861, vitima de tifo, que também levou mais dois dos seus irmãos e incapacitou parcialmente um outro por toda a vida. Precedeu na morte, por escassas semanas seu tio Alberto, príncipe-consorte da rainha Vitória que nunca deixou de pensar que o desaparecimento do monarca português, que amava como um filho, havia precipitado também a morte do marido, escrevendo numa carta dirigida ao rei dos Belgas, seu tio Leopoldo I, também ele um Saxe-Coburgo: "A morte de Pedro é uma terrível calamidade para Portugal e uma verdadeira perda para a Europa". E sublinhou a palavra "verdadeira ".
O povo chorou-o como nunca tinha chorado um Bragança nem nunca mais choraria outro, pelo menos até hoje. Convencido de que "os políticos" tinham envenenado o Rei, às ordens de Loulé, desencadearam-se verdadeiros tumultos em Lisboa e várias casas foram saqueadas e queimadas.
Devo dizer que não se surpreendeu muito (até pelo que também aconteceu, em parte, em 2002, no primeiro centenário da morte de Mouzinho) o facto até hoje e que eu saiba, nenhum média incluindo a TV se tenha referido, ainda que fosse apenas como simples efeméride, à figura deste Rei excepcional no aniversário dos 150 anos da sua aclamação.
São os média deste país que temos, país de invejazinhas e ódios vesgos, memória curta, atolado em superficialidade, premiando a mediocridade e a falta de rigor, favorecendo a ganância pacóvia, a hipocrisia e a corrupção, boçal e incívico em extremo mas prenhe de licenciaturas ridículas e inúteis. Pequeno país virtual e em bico de pés metidos em sapatos mais ou menos engraxados, de solas furadas, escondendo peúgas por lavar há muitas décadas.
Talvez seja melhor o silêncio, sim. Não mereciam de facto, um Rei como foi D. Pedro V.

Roberto de Moraes




Esplêndida e pouco conhecida fotografia de D. Pedro V - actualmente conservada nas colecções do Palácio Nacional da Ajuda -, tirada ao tempo da sua aclamação, em 1855, por Wenceslau Cifka, um grande pioneiro da fotografia em Portugal e amigo pessoal de D. Fernando II. Foi, pelo próprio Cifka, primorosamente colorida como atesta, por exemplo, a precisa tonalidade da calça de mescla azul acinzentada -"cor de flor-de-alecrim", como ainda constava no regulamento de Dezembro de 1948 -, que foi estupidamente abolida, já bem nos nossos dias, nos anos setenta do século XX. O Rei enverga o pequeno uniforme de Marechal-General, como se vê pela bordadura da gola e dos canhões das mangas do dólman azul-ferrete, assim como pelas insígnias patentes sobre a dragona: ceptro cruzado com óculo e monograma real encimado pela coroa. Este posto, ao tempo já só apanágio exclusivo de Rei, era superior ao de Marechal do Exército e fora, no passado, atribuído também a raras personagens tais como o conde de Lippe, duque de Lafões, Wellington e, por último, em 1816, a Beresford, que já era marechal desde 1809. O posto deixou de existir em Outubro de 1910, com a queda da monarquia, pois a república não o considerou na reforma de 1911. Aqui, o soberano, de dezoito anos de idade, ainda não ostenta o bigode que mostram fotografias posteriores e leva um corte de cabelo bem similar ao de muitos jovens de hoje, incluindo os das Forças Armadas. O que talvez contribua para conferir a esta foto um estranho, insólito e quase mágico travo de intemporalidade que, não obstante a distância de 150 anos, dela se desprende, revelando bem a forte personalidade do retratado, sua clarividência penetrante e sombria, sublinhada já por um ricto de precoce amargura. R. de M.

O Esperançoso

150 anos passaram desde a aclamação de D. Pedro V. Os media, como é hábito, votaram-se ao silêncio, entretidos como sempre com as tricas políticas diárias. Na blogosfera houve excepções, como é o caso do BOS e do FGSantos, que eu tenha lido. Este monarca, com uma inteligência notável e uma cultura e saber vastíssimos, distinguiu-se dos demais. Profundo conhecedor dos dossiers e decidido a intervir na boa governação do Reino, como era seu dever, elevou-se em relação à classe política medíocre da altura, tornando-se odiado por esta e amado pelo povo. Para lembrar nesta casa “O Esperançoso”, publicarei a seguir um artigo do meu amigo Roberto de Moraes, retirado do último número do «Lanceiro», com a sua autorização. Aqui fica a minha singela homenagem àquele que foi, sem dúvida e apesar do seu curto reinado, um dos nossos mais brilhantes reis.