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sábado, 1 de outubro de 2016

Esquizofrenia ortográfica


O (des)Acordo Ortográfico é um perigoso disparate no qual, infelizmente, o actual Governo insiste. Os argumentos em sua defesa são contraditórios e reveladores da impossibilidade do seu objectivo unificador.

Na edição de hoje do «Expresso», a Presidente do Instituto Camões dá mais uma prova da esquizofrenia que é defender esta aberração ortográfica.

À pergunta “é preciso um Acordo Ortográfico?”, Ana Paula Laborinho respondeu: “O Acordo Ortográfico é um instrumento até de internacionalização. É a tentativa de, enquanto língua internacional e num contexto de ensino, não termos de ensinar o português nas suas diversas variedades.” Ou seja, o argumento habitual, se bem que defensivamente suavizado ao remetê-lo para uma “tentativa”.

Muito bem, a jornalista pergunta-lhe em seguida: “Foi lançado há uma semana um livro intitulado "Viva a língua brasileira" e está a ser preparada uma revisão curricular no Brasil que pode secundarizar a ligação com Portugal. Portugueses e brasileiros entendem-se ou desentendem-se em português?” E a resposta não podia ser mais contraditória: “Entendemo-nos bem. O reconhecimento da diversidade dos povos não é impeditivo de nos entendermos.

Um caso clínico!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Ortographia


«A ortographia é um phenomeno da cultura e portanto um phenomeno espiritual. O Estado não tem direito a compellir-me, em materia extranha ao Estado, a escrever numa ortographia que repugno, como não tem direito a impôr-me uma religião que não acceito.»

Fernando Pessoa

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

De passagem por Madrid

Uns dias na capital espanhola, onde revi amigos e locais de que gosto bastante, levaram-me a uma comparação inevitável com a nossa realidade.

O mar de gente que inunda as ruas do centro de Madrid para o período das festas contrasta com a concentração nos centros comerciais a que assistimos em Portugal. Mas parece que por cá há vontade de mudar. Neste Natal fui a um mercado de rua numa avenida de Lisboa, que se realizou pela primeira vez e que foi um sucesso. Uma experiência que pode trazer de volta a vida às ruas portuguesas.

Paragem obrigatória para um bibliófilo são as livrarias e foi com muito agrado que notei que na maior parte delas o nosso Fernando Pessoa está em destaque, nomeadamente o seu “Livro do Desassossego”.

Desta vez consegui ir a duas livrarias que não conhecia, uma no centro e outra num bairro residencial, um pouco mais afastado. Ambas tinham em comum uma larga oferta internacional e o que foi para mim uma agradável surpresa. Nos livros estrangeiros vendidos, a maior secção era naturalmente para os anglo-saxónicos, seguiam-se os alemães, os franceses e os italianos, para encontrarmos uma parte dedicada aos livros em português. Interroguei-me se haveria mercado para obras escritas na Língua de Camões em terras de Espanha, mas a resposta estava naquelas prateleiras...

Tenho um amigo que diz que se pode avaliar o estado da cultura de um país pelas suas livrarias. É uma generalização, claro, mas não deixa de ser certeira. No entanto, a presença de Portugal em livrarias espanholas, ainda que especializadas, recorda-nos que não somos tão insignificantes para os nossos vizinhos como alguns querem fazer parecer e que a cultura representa uma frente muito importante na nossa afirmação no estrangeiro.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Português

"The Drop", de Michaël R. Roskam, é um filme passado num bar nova-iorquino, onde se cruzam figuras do submundo do crime, sobre a ganância, a gabarolice e a frieza, mas também sobre o amor. Nesta que é uma das últimas aparições no grande ecrã de James Gandolfini, há uma cena memorável onde ele, no papel de Cousin Marv, explica que no Brasil se fala português...


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Assim se fala mal português


Manuel Fernando Espírito Santo Silva, ex-administrador da Rioforte, foi à comissão parlamentar de inquérito ao caso BES e afirmou, em relação às remunerações decorrentes do negócio dos submarinos, que "quem interviu [sic] foi a Escom".

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Ortografia

Cerca de 63 por cento dos professores cometeram pelo menos um erro ortográfico na Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidade (PACC), segundo foi divulgado na passada semana pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC). Apesar do caos gerado pelo Acordo Ortográfico, a maioria dos erros não se deveu a esta aberração imposta por uma decisão política irresponsável. Os números são, por isso, ainda mais preocupantes. Como esperar que os alunos saibam escrever correctamente quando a maioria dos professores não o sabe fazer?

Esta é uma situação que está longe de ser um exclusivo nacional. Em França, cada vez mais estabelecimentos de ensino superior impõem as estudantes um ditado colectivo para avaliar o seu nível de ortografia e de gramática. Os resultados revelaram um naufrágio linguístico – 60 por cento dos alunos demonstraram uma ortografia catastrófica, com uma média de 14 erros em 10 linhas de texto. As universidades portuguesas deviam começar a fazer testes semelhantes, se bem que não é difícil imaginar os resultados...

É óbvio que a solução deve começar no Ensino Básico, onde a aprendizagem da língua, em todas as suas vertentes, não deve ser descurada, transmitindo aos mais novos um conhecimento sólido e duradouro da nossa língua. No entanto, tendo em conta a extensão do problema, que atinge estudantes mais velhos e até professores, são necessárias outras medidas.

Há que encarar esta situação sem tabus, avaliando quem ensina e quem é ensinado, ao mesmo tempo que se criam plataformas de reaprendizagem em larga escala. Simultaneamente, devemos valorizar a importância da ortografia, académica e socialmente, tantas vezes desprezada.

Ortografia é uma palavra de origem grega que significa “escrita correcta”. Considerando que a língua, para além de uma forma de comunicar, é também uma forma de pensar, ao corrigirmos a nossa escrita estamos a estruturar o nosso pensamento.
Publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Decepção


Ainda alguém acredita que o famigerado Acordo Ortográfico "unificou a língua"? O «Observador» fez uma selecção das capas dos jornais brasileiros de hoje e aproveita a manchete do portalegrense «O Sul» para o título: "Vexame. Pesadelo. Deceção. Humilhação." Acontece que o jornal brasileiro escreve "decepção", palavra cuja grafia era igual em Portugal e no Brasil antes do (des)Acordo...

sábado, 28 de junho de 2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A defesa da nossa Civilização

A partida de Vasco Graça Moura, figura ímpar da cultura nacional, tocou-me especialmente. Li-o e citei-o, concordei e discordei dele, mas aprendi sempre muito. Foi até ao fim um lutador incansável. Bateu-se pela Língua, pela Cultura, pelos valores da Civilização Europeia.

Em 2011 entrevistei-o para o nosso jornal sobre o famigerado Acordo Ortográfico. Um combate comum, do qual nunca desistiu, mesmo contra aqueles com quem havia ladeado politicamente.

Defensor acérrimo da Língua portuguesa, criticou ferozmente “o ‘eduquês’ de serviço”, que segundo ele “ao longo de décadas e de vários espaços ideológicos deu cabo da escola em Portugal”. Recordou por isso “o prazer da leitura dos grandes escritores da língua portuguesa”, que “deveria ir sendo progressivamente construído no pleno escolar” para contrariar a crescente ignorância nacional. Nesta “promoção a sério de uma série de disciplinas e de conteúdos identitários”, Vasco Graça Moura salientava que “não deveria esquecer-se uma relação, diacrónica e sincrónica, com a Europa. Sem algumas noções elementares a este respeito, nada compreenderemos de nós mesmos, da nossa identidade e dos nossos problemas”.

Mas não se veja aqui uma mera preocupação intelectual. Homem de elevada erudição, denunciava as várias ameaças à nossa Civilização, tomando posições hoje consideradas “politicamente incorrectas”, como a oposição à adesão da Turquia à União Europeia. Alertou também para “o risco de a imigração ultrapassar completamente a vida e a mentalidade dos europeus” na defesa de “aquilo que é essencial”, ou seja, a “civilização e cultura a que pertencemos e em que crescemos, que contêm um conjunto de valores que deve ser preservado a todo o custo”.

O combate pelo essencial foi a melhor lição deste homem da cultura, que nos mostrou que a beleza das letras e das artes é inseparável do nosso maior objectivo político – a defesa da nossa Civilização.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Crónicas do caos ortográfico (IV)


O Acordo Ortográfico (AO) gerou uma sanha contra os 'c' e os 'p', mas no caos que estabeleceu provocou também outras situações incríveis. Veja-se o caso da capa de hoje do "Diário de Notícias da Madeira", que (ainda?) não adoptou o AO, mas que decidiu acrescentar um 'c' à palavra "substrato" na sua manchete de índole agrícola.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Crónicas do caos ortográfico (III)


O Diário da República, que devia ser a referência, continua uma das melhores demonstrações práticas do caos que o famigerado Acordo Ortográfico gerou. Um exemplo de hoje (há outros...) é um Despacho onde no sumário se escrevem duas palavras em "acordês" ("Direção-Geral" e "antirrábica") e uma em português correcto ("electrónica"). Este exemplo não foi escolhido ao acaso, porque não há campanha que me tire a raiva que tenho ao Acordo Ortográfico, verdadeiro crime contra a nossa Língua.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sempre o Latim


Tive Latim no liceu, por opção - uma aventura já tive oportunidade de contar -, e depois na Universidade. Este ano voltei aos clássicos graças a um Amigo, mas nunca deixei de ser um defensor da obrigatoriedade desta disciplina fundamental no Ensino em Portugal.

Por isso li com agrado o certeiro e oportuno texto de Susana Marta Pereira, professora de Português e de Latim, no «Público», intitulado "Portugal e o Latim". Depois de recordar a importância da língua latina, fala sobre as diferenças entre o nosso país e outros, afirmando: "Países como Inglaterra, Alemanha e Espanha colocam, actualmente, nos seus curricula o ensino do Latim, por perceberem a sua relevância na aprendizagem de matérias tão diversas que vão desde a matemática à biologia, à filosofia, à literatura e à aprendizagem das línguas, entre elas o inglês e o alemão. Em Portugal segue-se o caminho oposto". Um caminho errado, obviamente.

Mas não se pense que esta é uma teimosia ou que os alunos não têm interesse. Susana Marta Pereira conta um caso paradigmático: "Na Escola Secundária de Pedro Nunes e na Escola Secundária de Passos Manuel, em Lisboa, os seus directores decidiram que nas suas escolas o Latim não morreria! Consequentemente, os alunos de todas as áreas, humanidades, artes, ciências e de todos os ciclos, desde o 7.º ano ao 12.º ano, têm acesso a um curso livre de Latim. E a verdade é que há dois grupos de alunos na Escola Secundária de Pedro Nunes, um de 3.º ciclo e outro de secundário, sendo que um deles já se encontra no 2.º ano de Latim. O Liceu Passos Manuel abriu o curso este ano lectivo e já conta com três grupos, um de 3.º ciclo e dois de secundário, sendo, no secundário, a maioria dos alunos de ciências. A metodologia aplicada foi desenvolvida pela Universidade de Cambridge e o seu sucesso leva a crer que o problema reside muito mais no modo como esta língua tem sido ensinada do que nela mesma. É de salientar que estes cursos são de frequência livre e a taxa de absentismo é quase nula.Afinal, em que ficamos? Onde reside a origem do problema? Não há alunos interessados em aprender Latim ou não há interesse em que os alunos o aprendam?"

Exemplos a seguir e, especialmente, a mostrar a quem decide das nossas políticas de educação. Em vez de se preocuparem em impor barbaridades como o Acordo Ortográfico ou a TLEBS, deviam concentrar-se em garantir que os alunos portugueses soubessem o mínimo sobre uma Língua que também é nossa. Se o Português é a nossa Língua-mãe, o Latim é a nossa Língua-avó.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Persistir no erro

A oposição ao famigerado Acordo Ortográfico tem sido transversal na sociedade portuguesa. Uma causa que mobiliza cidadãos das mais variadas sensibilidades políticas, que conseguiram levar o assunto à Assembleia da República na semana passada. Mais, conseguiram chegar a diversos deputados que também são contra este crime lesa-língua e que o procuraram denunciar nos seus grupos parlamentares.

No entanto, a barreira entre a vontade popular e aqueles que a devem representar existe. Há, de facto, um bloco central que segura um Estado estático.

Os partidos da coligação governamental podiam não só ter apoiado os seus deputados que tão bem alertaram para a situação de caos que o (des)Acordo tem criado, como conseguir um entendimento com outros deputados e outros grupos parlamentares, esquecendo diferenças de cor política pela preservação de um património que é de todos nós. Mas não, preferiram persistir no erro, ignorando todas as razões apresentadas e devidamente fundamentadas.

O que aconteceu demonstra bem que os “governantes” de hoje em dia pouco mais são que “funcionários de manutenção”. Mais preocupados com a gestão dos números de forma a agradar aos credores internacionais, são incapazes de marcar a diferença, deixando passar uma oportunidade de ouro para uma decisão de afirmação política em prol de Portugal.

Perder uma batalha não significa perder a guerra. A luta contra o Acordo Ortográfico continua e nunca podemos baixar os braços.

Por fim, aos ignorantes ou desonestos que usam Fernando Pessoa em defesa deste Acordo, recorde-se uma afirmação do nosso poeta sobre a reforma de 1911: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito”.

Publicado na edição desta semana de «O Diabo».

terça-feira, 4 de março de 2014

Frase do dia


«Não houve maior disparate em Portugal nos últimos tempos do que a recuperação do Acordo Ortográfico, a que ninguém ligava nenhuma desde 1990.»

Luís Menezes Leitão
in «i»

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O Acordo Ortográfico e o mercado editorial

Capas das edições portuguesa e brasileira do mesmo livro de Luiz Ruffato

Uma das provas do total falhanço do Acordo Ortográfico (AO) e da sua demanda pela unificação impossível é o que se passa no mercado livreiro, onde as editoras continuam a publicar livros com duas ortografias em Portugal, com a ortografia anterior ao AO na África lusófona e a adaptar as edições para o Brasil, onde as diferenças não são apenas ortográficas, como é há muito sabido. A este propósito, um artigo a ler no "Público" de hoje afirma que o AO "não abriu o mercado brasileiro ao livro português".

Nunca a lusofonia precisou de um acordo para se entender, mas como conseguir que os nossos actuais políticos teimosos e irresponsáveis o entendam?

O cadáver adiado do Acordo Ortográfico


O editorial do "Público" de hoje, sobre o Acordo Ortográfico, toca na ferida: "Aqui reside o erro: mesmo que no Brasil haja aplicação plena, já hoje, Portugal fica para sempre preso a uma grafia singular e individual porque se deu ao trabalho de a inventar. Se a ortografia era diferente nos dois países, continua a sê-lo. Mas agora com muitas “facultatividades” e erros de palmatória. O AO é, desde o seu início, uma enorme ilusão e um gigantesco erro. À falta de coragem para lhe pôr termo, estamos condenados a ver arrastar, penosamente, o seu cadáver adiado."

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Acordismo governamental


Leio nas notícias que o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, afirmou estar "firmemente empenhado" para que a aplicação do Acordo Ortográfico (AO) possa prosseguir com "naturalidade" e que "não se perspectiva a suspensão ou revisão do Acordo Ortográfico". Recorde-se que o AO estará amanhã em discussão na Assembleia da República e que o deputado social-democrata Mendes Bota fez um pedido para que o seu grupo parlamentar assumisse uma posição firme sobre esta matéria, nomeadamente apresentando um projecto de resolução para a suspensão do AO.

Como já escrevi, esta atitude do actual Executivo é "uma insistência incompreensível, que ganha contornos totalitários e persecutórios, que não conseguiu evitar o caos ortográfico. Ao mesmo tempo, é ainda mais estranho porque vem de um Governo cujas principais figuras se opuseram – e bem – a esta decisão política errada".

Mas demonstra bem que os "governantes" de hoje em dia pouco mais são que "funcionários de manutenção". Mais preocupados com a gestão dos números de forma a agradar aos credores internacionais, são incapazes de marcar a diferença, deixando passar uma oportunidade de ouro para uma decisão de afirmação política em prol de Portugal.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Enterre-se já!


«Convém que se enterre o AO90, para, duma vez por todas, deixarmos de ter "diretos" que passam a "direitos", "concepções" que soam a "concessões" e *excessões em vez de excepções porque passaram a exceções (sic).»

Francisco Miguel Valada
in "Público"