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segunda-feira, 24 de março de 2014

O mau jornalismo habitual (XI)


"A França está esta noite em estado de choque." Assim começa a notícia do semanário «Expresso» sobre os primeiros resultados do Front National (FN) nas eleições municipais francesas. É apenas um exemplo, porque também ouvi tiradas como "franceses preocupados" ou "um golpe para a democracia".

Entendamo-nos: os franceses que votam livremente no FN não são franceses? Votar livremente no FN é atentar contra a democracia?

O mais curioso é que são "jornalistas" destes que se arrogam como os grandes defensores da "objectividade"...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A hora dos eurocépticos


As eleições para o Parlamento Europeu serão no dia 25 de Maio deste ano. A seis meses de distância são cada vez mais claros os indicadores que os partidos soberanistas terão uma votação expressiva. A capa da edição da semana passada da revista “The Economist” é a demonstração prática de que o crescimento previsto dos partidos eurocépticos nas eleições europeias é uma realidade à qual não podemos escapar. A revista faz um paralelo com a alteração provocada na política norte-americana com o chamado Tea Party, em 2010, apesar das claras diferenças ideológicas, e elege como protagonistas Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional (FN) francesa, Nigel Farage, do Partido Independentista do Reino Unido (UKIP), e Geert Wilders, do Partido da Liberdade (PVV) holandês.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Populares


Há gralhas divertidas. Ontem, no «Público», numa notícia dedicada à "ascensão da extrema-direita" francesa, o jornalista trocou "Frente Nacional" por "Frente Popular" duas vezes. Um regresso acidental à França do século passado e à coligação de esquerda que governou o país entre 1936 e 1939. Um 'front' ligeiramente diferente do de Marine Le Pen... Para além disso, escreveu que "Le Pen espera eleger para cargos municipais entre mil e 1500 populares". Talvez o erro tenha sido induzido pela grande popularidade que a Frente Nacional goza actualmente, para incómodo de muitos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Venenos


A manchete da edição de hoje do jornal francês «Libération» é “O veneno FN”, para anunciar a nova estratégia autárquica do Front National, de implantação local, cujo primeiro caso prático serão as eleições municipais de 2014.

Ainda bem que em França não há a obrigação legal de dar igual destaque a todas as candidaturas. Caso contrário, teriam que falar dos outros “venenos” e em capa.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O pós-Le Pen

Marine Le Pen foi, sem surpresa, eleita a nova presidente do Front National, que segundo o diário "Le Figaro" teve 67% dos votos e será a candidata natural do partido às presidenciais do próximo ano. Sucedendo ao seu pai, promete alterar a face da maior expressão da extrema-direita francesa através da chamada estratégia de "desdiabolização". A este respeito republico aqui a conclusão do meu artigo "O pós-Le Pen", publicado no semanário "O Diabo", no dia 25 de Maio de 2010. Para ler o artigo na íntegra, basta clicar na imagem ao lado.

Está guardada para Janeiro de 2011 a decisão relativamente ao sucessor de Le Pen. Os militantes escolherão em congresso entre a filha do histórico presidente, Marine Le Pen, ou o eterno número dois, Bruno Gollnisch, debilitado pela saída de vários dos seus apoiantes de peso.

A confirmar-se a esperada eleição de Marine, começa já a especular-se o que será o futuro do partido. Esta mulher divorciada, com bons dotes de argumentação, mas que recusa as polémicas que isolaram o seu pai, é considerada mais “frequentável”. É por isso que muitos começam a aceitar como provável a hipótese de uma “finização” do FN. Quer isto dizer que pode acontecer em França uma alteração semelhante ao que aconteceu em Itália com Gianfranco Fini. Ao tornar um partido de extrema-direita mais “respeitável” e aceite, conseguir que este integre uma coligação governamental de direita.

Uma recente edição da revista francesa “Le Point”, que fez capa com a filha de Le Pen, perguntava se estávamos perante uma “normalização” do FN em curso. Isto porque, segundo uma sondagem, 36% dos simpatizantes da UMP se diziam favoráveis à participação de Marine num governo, ao passo que no FN essa percentagem atingia os 85%.

A moderação de Marine Le Pen, com a qual pretende atingir a desejada respeitabilidade, faz com que produza afirmações sobre o 25 de Abril como as publicadas no jornal “Expresso”. Na edição de 1 de Maio passado desse semanário, afirmou: “Na história política de Portugal, Mário Soares teve um papel fundamental, positivo, para o fim do regime, em 1974, e na luta contra o comunismo, a seguir”. Ou ainda: “Sou democrata e respeito a soberania popular: a revolução dos cravos respondeu ao desejo da maioria dos portugueses”.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Breve nota sobre as regionais francesas


Não posso deixar de fazer aqui uma breve nota aos resultados das eleições regionais francesas, marcadas pela abstenção e a derrota de Sarkozy. Sobre a vitória da esquerda, é de notar que isso não corresponde a uma vitória do PS, como muito bem notou Éric Zemmour numa das suas crónicas radiofónicas. Passando à extrema-direita, apesar de o FN continuar uma das principais forças políticas francesas, ter tido uma votação relevante, passando à segunda volta em 12 regiões e conseguindo mais de cem eleitos, é preciso ter atenção a certos exageros em cantar vitória, como muito bem analisou a revista «Marianne». As outras candidaturas de extrema-direita resultaram num total fracasso. A lista a que me referi aqui, por um dos cabeças-de-lista ser amigo meu, não chegou aos dez mil votos na primeira volta. Nos outros casos, há a destacar o resultado ínfimo de Jacques Bompard, que se apresentava como um rival de Jean-Marie Le Pen em PACA, e o resultado expressivo da sua filha Marine Le Pen, mais que provável sucessora na presidência do partido.