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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Delírio irresponsável


A vaga de refugiados e imigrantes que continua a chegar à Europa – a que erradamente muitos insistem em chamar “migrantes” –, assume proporções inimagináveis. Mas o mais inacreditável é a atitude de muitos que abraçam esta causa, como se de uma moda se tratasse, sem se aperceberem das graves consequências.

Vemos altos responsáveis políticos e religiosos a oferecerem alojamento e a anunciarem fundos milionários para acolher os “refugiados”, ao mesmo tempo que várias “celebridades” do ‘jet-set’ oferecem as suas casas para os receber. Não interessam as causas, não interessa o que está em causa. Importa ficar bem na fotografia, até porque foi a exploração mediática de uma fotografia de um bebé morto que desencadeou este sentimento de culpa, que é preciso expiar aos olhos das mentes censórias e politicamente correctas. Ontem um leão, hoje uma criança. E amanhã? A ligeireza de toda esta aparente mobilização impressiona pela negativa. Não se trata de fazer o bem, mas de parecer bem.

Palavras duras? Sem dúvida. Há que não ter papas na língua e perguntar onde estava todo este apoio para os milhares de portugueses que não têm casa, que passam fome, que foram atirados para a miséria pela crise. Para nós a austeridade, para os outros a caridade. O contra-senso é evidente, mas é preferível continuar a dizer que “o rei vai nu”...

No plano internacional, a União Europeia, que de unida tem apenas o nome, mostra mais uma vez a sua fraqueza. Esta é exactamente uma questão na qual era necessária firmeza na decisão e um esforço conjunto para evitar a catástrofe que se vislumbra, mas parece que apenas assistimos a discussões bizantinas de fim de Império.

A hora é de acção e reacção. Urge parar a entrada desregrada de pessoas no espaço europeu, distinguir entre refugiados, imigrantes e terroristas e repatriá-los. É necessário reagir sem complexos de culpa e intervir directamente nos seus países de origem. É preciso coragem para garantir a nossa sobrevivência.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Devemos estar loucos...

Imigrantes chegam de autocarro a Casal S. Nicola (Roma)
 protegidos pela polícia que dispersou os locais com violência.

No que mais parecia um golpe publicitário, a Imprensa noticiou que “Merkel pôs uma menina palestina a chorar”. O maniqueísmo era evidente: de um lado a “chefe da Europa egoísta”, do outro uma criança inocente com os sonhos desfeitos. Recordemos que Merkel apenas fez uma constatação de facto: a Europa não pode acolher todos os refugiados do mundo.

No entanto, para as cabeças bem-pensantes, da esquerda à direita, o Velho Continente tem a obrigação de acolher todos os “migrantes”, como agora se diz na novilíngua do politicamente correcto. Quem discordar é automaticamente classificado como “racista” e “xenófobo”.

Mas os números são implacáveis e basta observar a dimensão da massa humana que atravessa o Mediterrâneo diariamente para nos apercebermos de que uma política de “portas abertas” é catastrófica.
Nada como um caso concreto para exemplificar o absurdo a que chegámos. Na semana passada, em Casale San Nicola, na periferia de Roma, a população local opôs-se à colocação na povoação de um grupo de refugiados africanos. O protesto contou com o apoio de militantes da Casa Pound e terminou com confrontos com a polícia de choque, chamada para garantir a passagem dos refugiados. Uma vez instalados, com direito a cama, alimentação, assistência médica e transporte, os refugiados protestaram e a Imprensa italiana publicou as queixas destes: querem acesso à Internet, cigarros, carregadores de telemóveis e mais computadores! A crise e a austeridade são só para os europeus?

Perante este caso, que não é isolado antes paradigmático, recordo-me de uma passagem do discurso premonitório do visionário político britânico Enoch Powell, proferido em 1968: “Devemos estar loucos, literalmente loucos, enquanto nação ao permitir o influxo anual de cerca de 50 mil dependentes, que são em grande parte o material do crescimento futuro da população de origem imigrante. É como observar uma nação ocupada na preparação da sua própria pira funerária”.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A actualidade de um centenário


A propósito do centenário da Primeira Guerra Mundial, Robert de Herte recorda, no editorial de mais uma excelente edição da revista francesa “Éléments”, que este conflito “não se pode compreender a não ser pelo olhar da evolução histórica do capitalismo que está sempre à procura de novos mercados”, acrescentando que “o capital se vira regularmente para a guerra quando não há outro meio de fazer progredir a sobre-acumulação que é a sua razão de ser”.

No ‘dossier’ desta edição está em questão se o futuro do Velho Continente deve ser a “Europa mercado ou Europa potência” e, na abertura, Felix Morès conclui que “o eixo horizontal da construção de um grande mercado opõe-se ao eixo vertical da construção de uma potência política. Convém, consequentemente, separar a Europa política da Europa económica”. Dos vários artigos há a destacar “A audácia de um Estado federal europeu”, de Gérard Dussouy, “União Europeia, a objecção democrática”, de Éric Maulin, “O império, uma ideia muito antiga e muito nova”, de Pierre le Vigan, “É preciso sair do Euro?”, de Éric Maulin”, e “A união transatlântica: a grande ameaça”, de Alain de Benoist.

Como se não bastasse a qualidade do ‘dossier’, esta edição presenteia-nos com um texto de Ernst Jünger, inédito em francês, intitulado “Inclino-me diante dos que tombaram”, uma alocução proferida em Junho de 1979, enquanto convidado de honra das festas comemorativas de Verdun. De seguida, Julien Hervier, amigo, tradutor e editor de Jünger, desvenda as vulnerabilidades deste “homem de mármore”, numa entrevista concedida a Alain de Benoist. Por fim, Laurent Schang recorda o dia 25 de Abril de 1915, a partir do livro de Bernard Marris “L’Homme dans la guerre”, quando Jünger e Maurice Genevoix, combatentes em lados diferentes da Batalha de Les Éparges, foram feridos.

A abrir a revista, há ainda uma entrevista com Robert Redeker, filósofo e investigador, a propósito da publicação do seu ensaio original “Le soldat impossible”, sobre o desaparecimento do soldado no imaginário europeu. Redeker afirma que “só a guerra pode ressuscitar a política”.

Por fim, é de referir o artigo de François Bousquet sobre o “novo capitalismos criminoso” e a habitual secção “Cartuchos” com criticas a livros, o “Diário de um cinéfilo”, de Ludovic Maubreuil, e a “Crónica de um fim de mundo sem importância”, de Xavier Eman.

Uma revista que, apesar da sua longevidade, nunca perdeu a actualidade e importância no combate pelas ideias, essencial para a civilização europeia.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O caminho da Europa

Começou a campanha para as próximas eleições para o Parlamento Europeu e o desinteresse generalizado da população, em Portugal e não só, agrava-se. Mais uma vez, espera-se uma elevada abstenção.

Esta atitude não é de estranhar, já que a União Europeia foi decidida nas nossas costas, a troco de subsídios e créditos que encheram alguns e calaram tantos outros. A maioria dos portugueses, como de outros europeus, não se sente representada por eurodeputados, esses peões de um directório cada vez menos democrático de uma superstrutura longínqua e incompreensível. Assim sendo, votar para quê?

Por cá, os políticos nacionais insistem em confundir este acto eleitoral com os assuntos internos e a eternas tricas partidárias, em total desrespeito pelas instituições e pelos eleitores. Mas tal não é de estranhar, pois interessa-lhes a manutenção do conveniente ‘statu quo’. Por isso ligam prontamente as sirenes do alarmismo em relação aos chamados “eurocépticos”, que há para todos os gostos, por temerem uma ameaça de mudança, ainda que ténue.

Por muito que cresçam as vozes contra esta torre de Babel cada vez mais incompreensível, não será no próximo escrutínio que veremos uma alteração significativa. Mas pode ser um sinal. O voto pode, afinal, marcar a diferença?

Não há aqui qualquer sentimento anti-europeu. Não caiamos na armadilha semântica de quem vive no clube dos salários chorudos e das pensões garantidas.

A Europa é uma civilização de génio e singular. É a nossa matriz – a “estrutura de pequenas nações”, como escreveu Ortega y Gasset –, que não apaga as identidades das pátrias carnais. Não é a União Europeia, covil de burocratas e abstracção política de base económica, que nos faz europeus.

O caminho da Europa é o da nossa História comum e somos nós que o fazemos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A defesa da nossa Civilização

A partida de Vasco Graça Moura, figura ímpar da cultura nacional, tocou-me especialmente. Li-o e citei-o, concordei e discordei dele, mas aprendi sempre muito. Foi até ao fim um lutador incansável. Bateu-se pela Língua, pela Cultura, pelos valores da Civilização Europeia.

Em 2011 entrevistei-o para o nosso jornal sobre o famigerado Acordo Ortográfico. Um combate comum, do qual nunca desistiu, mesmo contra aqueles com quem havia ladeado politicamente.

Defensor acérrimo da Língua portuguesa, criticou ferozmente “o ‘eduquês’ de serviço”, que segundo ele “ao longo de décadas e de vários espaços ideológicos deu cabo da escola em Portugal”. Recordou por isso “o prazer da leitura dos grandes escritores da língua portuguesa”, que “deveria ir sendo progressivamente construído no pleno escolar” para contrariar a crescente ignorância nacional. Nesta “promoção a sério de uma série de disciplinas e de conteúdos identitários”, Vasco Graça Moura salientava que “não deveria esquecer-se uma relação, diacrónica e sincrónica, com a Europa. Sem algumas noções elementares a este respeito, nada compreenderemos de nós mesmos, da nossa identidade e dos nossos problemas”.

Mas não se veja aqui uma mera preocupação intelectual. Homem de elevada erudição, denunciava as várias ameaças à nossa Civilização, tomando posições hoje consideradas “politicamente incorrectas”, como a oposição à adesão da Turquia à União Europeia. Alertou também para “o risco de a imigração ultrapassar completamente a vida e a mentalidade dos europeus” na defesa de “aquilo que é essencial”, ou seja, a “civilização e cultura a que pertencemos e em que crescemos, que contêm um conjunto de valores que deve ser preservado a todo o custo”.

O combate pelo essencial foi a melhor lição deste homem da cultura, que nos mostrou que a beleza das letras e das artes é inseparável do nosso maior objectivo político – a defesa da nossa Civilização.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 27 de março de 2014

O regresso da História

É curioso e bem divertido ver como os comentadores de serviço na nossa praça andam perdidos à procura de explicações para a escalada de tensão provocada pela anexação russa da Crimeia e a actual situação da Ucrânia. O seu desespero é semelhante ao daqueles que tentam há dias encontrar, sem sucesso ou qualquer pista, o desaparecido avião das linhas aéreas da Malásia.

O estado destes tudólogos que abundam nas televisões e nos jornais não é de estranhar. Embora insistam na “diferença de opiniões” e assegurem que proporcionam ao público um “debate livre”, partilham na verdade da mesma concepção linear da História.

Acreditaram no “fim da História” de idealização hegeliana e responderam “sim” à questão formulada por Francis Fukuyama no seu ensaio de 1989 intitulado “O Fim da História?” A Guerra Fria havia terminado e chegara o tempo do mercado mundial e, consequentemente, da “felicidade”.

Inebriados com a “democracia” e a “globalização”, convenceram-se que o mundo tinha realmente mudado e adormeceram ao canto das sereias da “paz eterna”.

Espantam-se, agora, que ainda existam nações, que ainda exista vontade, que ainda haja homens dispostos a lutar pelo que acreditam e que nem tudo tenha uma explicação puramente económica.

Custe a quem custar, a História está de regresso e o futuro abre todas as possibilidades, muito além de previsões de trazer por casa.

Mas nesta questão o que mais nos interessa é reconhecer, de uma vez por todas, que a Europa é impotente perante tamanhas alterações e convulsões, porque se deixou exactamente enfeitiçar pelo mesmo discurso. Não era o Velho Continente o “tubo de ensaio” da sociedade mundializada? Pois a experiência está a sobreaquecer e o vidro prestes a estalar.

Chegou o tempo da Europa se repensar – de reconquistar o ser lugar na História.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

40 anos de “Éléments”


Em Setembro de 1973, Alain de Benoist, Michel Marmin e Jean-Claude Valla lançavam o primeiro número da “Éléments”, revista que seria a voz do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), fundado por Alain de Benoist em 1964, e uma lufada de ar fresco num período dominado pela esquerda.

É um caso de longevidade impressionante para uma revista de ideias. Centena e meia de edições com “elementos para a civilização europeia”, num combate metapolítico, fazendo aquilo a que o GRECE chamou o “gramscianismo de direita”.

Na década de 70 do século passado, a corrente que ficou conhecida como “Nova Direita”, liderada por Alain de Benoist, tornou-se num importante contraponto à ditadura cultural de esquerda que tudo dominava. Era um movimento jovem, intelectual, inovador na estratégia e nos temas abordados, que conseguiu estremecer o ‘statu quo’ de então.

A influência do GRECE não se restringiu a França e rapidamente se alastrou a vários países europeus, incluindo Portugal. Apesar de Benoist afirmar, em entrevista a «O Diabo» em 2010, que “a Nova Direita nunca foi para ser uma internacional”, reconheceu que “houve manifestações noutros países” e que por isso “foi uma rede: política, cultural e nacional”. De facto, o livro de Alain de Benoist “Vu de droite. Anthologie critique des idées contemporaines”, publicado pela Copernic em 1977 e que ganhou o Grande Prémio do Ensaio da Academia francesa no ano seguinte, foi publicado no nosso país com o título “Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas" pelas Edições Afrodite” em 1981, com prefácio de José Miguel Júdice. Também a excelente revista de combate cultural “Futuro Presente”, onde encontramos nomes como Jaime Nogueira Pinto, António Marques Bessa, Nuno Rogeiro, Vítor Luís Rodrigues, Miguel Freitas da Costa, entre tantos outros.

Neste número especial de aniversário, com 96 páginas, o destaque vai naturalmente para o ‘dossier’ que revela os arquivos da revista, com vários textos escolhidos, incluindo a participação de figuras de relevo como: Eric Rohmer, Raoul Girardet, Mircea Eliade, Jean Cau, Peter Handke, Alexandre Zinoviev, Jean Anouilh, Henri Vincenot, Claude Imbert, Jean-Marie Domenach, ou Jean Raspail. Mas não há apenas um exercício de memória, pois no ‘dossier’ intitulado “Combate das ideias” encontramos vários artigos que reflectem sobre a actualidade, abordando os mais diversos temas.

Quarenta anos depois, esta continua uma revista aberta a todos os que reflectem sobre um renascimento da civilização europeia na era da mundialização.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Europa dos funcionários


"Definir o conceito estratégico da União é o problema que exige atenção responsável e decisão, o que impedirá que a realidade seja colocada em suspenso pela questão de saber o que farão os empregados da troika, cujas deslocações, programas e opiniões directivas devem ser respeitosamente acatados pelos povos que os não escolheram, e pelos governos que foram eleitos para, nos Conselhos da União, defenderem um conceito estratégico sem o qual a crise apenas variará de definição, ou apenas de nome. Só por uma atitude criativa de governantes, não de funcionários, a Europa será uma realidade com voz no mundo."

Adriano Moreira
in "Diário de Notícias"

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A hora dos eurocépticos


As eleições para o Parlamento Europeu serão no dia 25 de Maio deste ano. A seis meses de distância são cada vez mais claros os indicadores que os partidos soberanistas terão uma votação expressiva. A capa da edição da semana passada da revista “The Economist” é a demonstração prática de que o crescimento previsto dos partidos eurocépticos nas eleições europeias é uma realidade à qual não podemos escapar. A revista faz um paralelo com a alteração provocada na política norte-americana com o chamado Tea Party, em 2010, apesar das claras diferenças ideológicas, e elege como protagonistas Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional (FN) francesa, Nigel Farage, do Partido Independentista do Reino Unido (UKIP), e Geert Wilders, do Partido da Liberdade (PVV) holandês.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A pressão da imigração


Vasco Graça Moura já havia escrito sobre o que se passa em Lampedusa, saindo dos clichés conformistas habituais. Agora, voltou a falar e a reflectir sobre a questão da imigração que aumenta de dia para dia em direcção à Europa:

«A pressão da imigração sobre a porosidade das fronteiras europeias é enorme. O politicamente correcto que faz coro com ela, em acções ferozes e desmultiplicadas junto dos governantes dos países de acolhimento, confunde a viabilidade equilibrada desse acolhimento com um humanitarismo que não é muito consequente e tende a ser brandido como arma política num combate que, no médio prazo, trará prejuízos para todos. E o resultado já se está a ver. As populações começam a manifestar-se no sentido de uma rejeição das vagas imigratórias, quando poderiam ser levadas a aceitar uma inclusão em pressupostos e coordenadas de razoabilidade. Parece claro que, dentro de tais pressupostos e coordenadas, deveria ser assegurado, da parte dos imigrantes, o respeito estrito pelo conjunto de direitos humanos e de princípios e valores cidadania vigentes no país que se proponha acolhê-los. É precisamente neste ponto que me parece que os Estados membros da União Europeia deveriam começar a análise conjunta da questão e a tomada de medidas aplicáveis a todos, sem jogos do empurra nem subterfúgios. Se a capacidade de acolhimento por parte da União é limitada, há que definir os seus parâmetros e fazê-los cumprir, por muito que custe assistirmos a tragédias como a de Lampedusa, que são, aliás, da responsabilidade principal de contratadores sem escrúpulos e das autoridades dos países de passagem e "exportação" desses contingentes humanos, se é que tais autoridades existem actualmente.»

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

“A nossa civilização está em vias de desaparecer”


A frase acima traduz o essencial da entrevista concedida por Jean Raspail à revista francesa «Valeurs Actuelles», publicada na edição desta semana. Aqui fala sem rodeios da questão da imigração, alertando para a gravidade da situação, para a dissimulação do problema por parte dos políticos, no esgotamento do modelo de integração, na impossibilidade de assimilação dos imigrantes e nas soluções que a Europa tem para fazer face a estas migrações. Uma entrevista lúcida e corajosa, de leitura obrigatória.

Em 1973, saiu “Le Camp des Saints”, que seria traduzido e publicado em Portugal pelas Publicações Europa-América, em 1977, com o título “Mortos: 200 Milhões - Todos Nós”, a sua obra mais famosa e polémica. Neste livro premonitório, Raspail imaginou a submersão da Europa por uma multidão de imigrantes do Terceiro Mundo. Como já escrevi, perante o que assistimos diariamente,“deixou de poder ser considerado ficção”.

Charles de Steuben


Bataille de Poitiers, en octobre 732
1837, óleo sobre tela, 5,42 × 4,65 m
Musée du Château de Versailles
França

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A Batalha pela Europa

Guillaume Faye é um dos maiores pensadores da direita radical francesa e europeia e provavelmente o mais polémico. Michael O’Meara sintetizou as suas ideias e a sua obra em “Guillaume Faye and the Battle of Europe”, um pequeno livro publicado pela Arktos, que é uma óptima introdução ao pensamento de Faye.



Michael O’Meara é um profundo conhecedor da corrente que ficou conhecida por Nova Direita, que teve Alain de Benoist como figura de proa, das suas evoluções e dos diferentes caminhos que seguiram os seus protagonistas mais influentes. Em 2004, publicou “New Culture, New Right. Anti-liberalism in Postmodern Europe”, obra que, em conjunto com a “Against Democracy and Equality. The European New Right”, do croata Tomislav Sunic, cuja primeira edição foi publicada em 1990 e a segunda em 2004, melhor deu a conhecer ao mundo anglo-saxónico o ideário desta corrente de pensamento identitária.

Guillaume Faye, considerado o “electrão livre” da Nova Direita nos primeiros tempos do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), cedo demonstrou a sua genialidade, nomeadamente na brilhante obra “Le Système à tuer les peuples”, publicada em 1981. Acabou por afastar-se de Benoist e da Nova Direita, mas nunca deixou de reflectir sobre a situação actual do mundo, em especial no que respeita ao futuro da Europa. Em 1998 publicava “L’Archéofuturisme”, obra que agitou a direita radical francesa e que marcou a afirmação da chamada corrente identitária. De volta a uma considerável influência e inspiração em tantos movimentos políticos, que de França se expandiu para outros países europeus, Faye denunciou de seguida a islamização da Europa, que considerou o maior perigo para a nossa civilização, no livro “La Colonisation de l’Europe. Discours vrai sur l’immigration et l’Islam”, publicado em 2000. A obra teve um impacto tremendo em França e valeu ao autor um prolongado e custoso processo judicial. Mas nada o deteve, já que no ano seguinte escreveu “Porquoi nos combattons. Manifeste de la resistance européenne”, um glossário com as suas ideias para defender a Europa e os europeus. Continuou a publicar obras sobre vários temas até hoje, sempre polémicas, até para a sua suposta área política.

Cheguei a Guillaume Faye através das suas propostas arqueofuturistas, que muito me influenciaram. Li o que havia publicado anteriormente e nunca deixei de acompanhá-lo, mesmo quando discordava de algumas das suas posições. Conheci-o em Paris e trouxe-o a Lisboa em 2006 para uma conferência. Mesmo quando se afastou de alguns amigos que temos em comum não deixei de falar com ele e saber que novos projectos tinha. Faye é naturalmente inesperado. Como O’Meara tão bem atesta no seu livro, Faye pode desiludir-nos num livro e surpreender-nos no seguinte.

O mundo anglo-saxónico descobriu a obra de Guillaume Faye tardiamente. O’Meara tem sido talvez o maior divulgador deste pensador francês e a editora Arktos publicou a partir de 2010 traduções de três das suas obras fundamentais.

Mas não se pense que O’Meara é um mero repetidor de Faye. Pelo contrário, na excelente Introdução de “Guillaume Faye and the Battle of Europe”, apesar de reconhecer a sua genialidade, é crítico em relação a algumas das suas posições fundamentais. Há quatro problemas principais para O’Meara na visão de Faye. O primeiro é a ênfase dada no arqueofuturismo ao aspecto futurístico em detrimento do arcaico, o segundo é a identificação do Islão como principal inimigo da Europa e não o mundialismo americanista que possibilita a islamização da Europa, o terceiro é ver no sionismo israelita um aliado contra o Islão, algo que o descredibilizou em vários meios, por fim, o quarto problema é o paganismo anti-cristão que Faye herdou dos tempos do GRECE.

Não vou aqui tecer as minhas críticas ao pensamento de Faye nem às posições de O’Meara. São ideias para reflectirmos e construirmos o nosso caminho.

“Guillaume Faye and the Battle of Europe” compila ensaios sobre as ideias de Faye, recensões sobre os seus livros e traduções de textos seus que Michael O’Meara publicou em vários sítios ao longo da última década, organizados por ordem cronológica.

O título define bem a obra, chamando a atenção para o facto de a Europa estar em guerra e não o saber. Perante a invasão do Sul globalizado e sob o domínio norte-americano trava uma luta pela sobrevivência que só será possível com a mobilização revolucionária de uma resistência. Como afirma O’Meara, Guillaume Faye é a Cassandra que avisa os europeus da sua extinção e da necessidade de se prepararem para a Batalha da Europa.

Numa altura em que as gerações mais jovens em Portugal compreendem melhor o inglês que o francês, este livro pode ser um primeiro passo na descoberta das ideias de um pensador essencial para os terríveis desafios que todos, como europeus, enfrentamos.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ler Venner


É sempre revoltante a falta de respeito que caracteriza aqueles que, baseados numa notícia tendenciosa e telegráfica sobre a morte de Dominique Venner, opinam de papo cheio, do alto da sua ignorância. Nota-se à légua que nem uma linha leram da extensa obra deste historiador. Mais, nem o nome dele sabem pronunciar... Leiam. E depois falem.

Abaixo reproduzo o post escrevi há uns anos, intitulado "Que ler? Venner!":


O Miguel Vaz releu "O Século de 1914", uma obra imprescindível de Dominique Venner, publicada em Portugal no ano passado pela Civilização, com tradução de Miguel Freitas da Costa. Este é realmente um livro para ler e reler, e para depois a ele continuar a recorrer. Por isso o Miguel diz que se tornou "de cabeceira". Eu li-o pela primeira vez no original, em francês, e reli-o em português. É, de facto, um livro inspirador, que cito amiúde. Uma síntese formidável para melhor compreender o século XX e perceber a actual situação da Europa.


Da ampla bibliografia de Venner, há outro livro que, na minha opinião, é ainda mais importante: "Histoire et tradition des Européens. 30 000 ans d'identité". Esperemos que um dia seja também traduzida para a nossa língua. Este regresso às origens, às referências europeias maiores, é um apelo ao renascimento de uma identidade multimilenar.


Referência ainda para outro livro excelente, "Le Coeur Rebelle", onde Venner faz uma reflexão autobiográfica profunda, falando do activismo político, da guerra, da prisão e da forma como mudou ao longo da vida sem no entanto se arrepender do passado.


Por fim, não me canso de recomendar aqui a óptima e obrigatória "La Nouvelle Revue d'Histoire", dirigida por Dominique Venner, que se vende nas bancas portuguesas.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

História de uma civilização singular


Num período em que tantos europeus discutem o que é a Europa, é sempre bom ler um resumo da história de toda uma civilização. O autor, John Hirst, é professor emérito do departamento de História da Universidade La Trobe, em Melbourne, na Austrália, e escreveu “Breve História da Europa” a partir de prelecções destinadas à introdução de estudantes universitários ao estudo da História europeia.

A civilização europeia é hoje a referência no mundo, apesar de muitos a porem em causa. Os primeiros a duvidar da Europa são os próprios europeus, mas há muitos que pertencem a essa mesma civilização. É, por isso, sempre interessante ver como alguém que pertence ao legado que a Europa deixou noutras paragens – algumas bastante longínquas, como acontece neste caso – vê uma História comum a todos os que dela são herdeiros.

Este é um back to basics, não é um compêndio monumental com tudo o que aconteceu na Europa de forma pormenorizada. O autor afirma que o seu objectivo foi “identificar os elementos essenciais da civilização europeia e verificar como se foram reconfigurando ao longo dos tempos; mostrar como as coisas novas tomam forma a partir das antigas; como o antigo permanece e retorna”. Hirst diz que a única originalidade deste trabalho é o método e que aqui conta a “História da Europa seis vezes, de um ângulo diferente de cada vez”.

Os dois primeiros capítulos traçam uma brevíssima História da Europa clássica, medieval e moderna. Depois de um interlúdio sobre “o sentimento clássico”, avança para a “História mais longa”, onde aborda o tema do livro sobre diversas perspectivas. A primeira é a das “invasões e conquistas”, a seguir dedica dois capítulos às formas de governo, para depois nos falar sobre os imperadores e papas. As línguas e o povo comum são os temas dos dois últimos capítulos desta parte.

Por fim, na conclusão intitulada “O que é que a Europa tem?”. Talvez por ser australiano, Hirst não resiste a uma comparação da Europa com a civilização chinesa que considera ter sido “mais avançada durante um longo período”. No entanto, para ele, a vantagem da Europa veio do facto de o poder estar disperso, de a alta cultura ser compósita e não estar firmemente enraizada no poder secular e de um dinamismo económico não conformado ao poder dominante. É, como se vê e sem surpresa, uma perspectiva anglo-saxónica, na linha de Niall Ferguson, por exemplo. No entanto, Hirst não hesita em afirmar a singularidade europeia, concluindo: “Os historiadores económicos interrogam-se por que razão a Europa foi a primeira a industrializar-se, como se outras sociedades tivessem seguido o mesmo trajecto e fosse a Europa a atingir primeiro a meta. Patricia Crone, cujas ideias em grande medida informaram tanto este livro, deixa a pergunta: a Europa foi a primeira ou foi uma singularidade? E não tem dúvidas em responder que foi uma singularidade”.

Há uma nota de forma necessária. Infelizmente, como já acontece na maior parte das grandes editoras, este livro é publicado com a nova ortografia do famigerado (des)Acordo Ortográfico, o que só o empobrece.

Diz John Hirst que as prelecções que estão na base deste livro “foram oferecidas em primeiro lugar a estudantes australianos que tinham estudado demasiada História australiana e sabiam muito pouco da civilização a que pertenciam”. A publicação entre nós deste livro é pois importante, em especial num momento em que tantos europeus, como esses alunos australianos, sabem muito pouco da nossa civilização comum.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Dossiers d'Archéologie n.º 353


O mais recente número desta revista francesa especializada em Arqueologia disponível nas bancas nacionais, referente aos meses de Setembro e Outubro, tem por tema o início do Neolítico na Europa. É um interessante regresso às investigações sobre as nossas origens e como a metamorfose do Neolítico provocou a construção de uma outra Europa. Esta edição tenta mostrar o estado do conhecimento no que respeita a esta mutação que modificou o nosso continente nos mais variados aspectos: sociais, económicos, ideológicos e materiais. Para além da análise a partir dos achados arqueológicos, há um interessante artigo sobre os dados do ADN e a utilização da genética das populações para o estudo da neolitização da Europa.

domingo, 8 de janeiro de 2012

E agora?

As dúvidas são grandes e a expectativa maior. Os receios quanto ao que será o futuro de Portugal e da Europa aumentam. O tempo das “vacas gordas”, da vida confortável e do futuro garantido chegou ao fim. O mundo mudou e o nosso país também. 2011 foi um ano de viragem e, no novo ciclo que se avizinha, nada será como dantes.


O ano transacto foi um annus horribilis para todos os que nos asseguravam que tudo ia correr bem. Os políticos do costume, bem instalados, viram a sua careca descoberta. Afinal, todo este progresso e desenvolvimento era ilusório. Comprado a crédito e hipotecando gradualmente o País a interesses estrangeiros. Com um endividamento geral, dos interesses do Estado às famílias, não tardou a que os credores nos batessem à porta. As dúvidas sobre a perda da nossa soberania esbateram-se com o início oficial de um semi-protectorado ou de um co-governo, como queiramos chamar. Mas Portugal não foi um caso único. A Europa foi vítima de repetidos ataques e a ditadura dos mercados mostrou a sua força ao fazer cair governos e colocando em seu lugar homens da sua confiança.

Portugal
No nosso país, percebemos que nem o fim do socratismo, nem as “medidas de austeridade e contenção” alteraram a situação perante os sempre atentos e intervenientes “mercados”, como agora se diz. Simultaneamente a esta perda de confiança nas instituições políticas e o questionar da validade das eleições enquanto instrumento popular de alteração da situação, vieram a descredibilização total no sistema judiciário, onde apenas quem tem posses razoáveis parece escapar, e a desconfiança nas instituições financeiras, com as falências de bancos e as repetidas fraudes. Os despedimentos, abaixamento do poder de compra e a subida da criminalidade aumentaram o sentimento de insegurança. O receio de um regresso ao Escudo, com a respectiva quebra do valor da moeda, assusta cada vez mais gente. Na rua, o nosso pessimismo agravou-se.
Perante tal cenário, os portugueses iniciaram de novo um êxodo. A taxa de emigração subiu vertiginosamente. Mas hoje, para além de técnicos qualificados, grande parte dos que saem não pensa voltar ou ser português. Como filhos da globalização, viver em Braga, São Paulo ou Nova Iorque é a mesma coisa. Esta verdadeira fuga coincide com outras – a fuga de capitais e de investimentos.
Grande parte dos portugueses deixou de acreditar em Portugal.

Europa
Também no resto da Europa, depois de anos ricos, as dificuldades apertam. A actual construção europeia treme com a força dos “mercados” e com as divisões internas. Mesmo a moeda única não parece resistir. O nosso continente é hoje um grupo de países sobreendividados, que viram passiva e alegremente a sua força produtiva partir para outras paragens, onde cada um tenta tratar da sua sorte, sem uma necessária estratégia comum.
Neste estado frágil, nada pior do que a situação conturbada que se vive no Mediterrâneo e no Médio Oriente. As várias revoltas a que se chamou a “Primavera Árabe”, pelos que apenas viam “a vinda da liberdade e da democracia a povos oprimidos”, abriram a porta aos islamitas, a uma maior instabilidade na região e à incerteza quanto ao futuro.

Mundo
A alteração do equilíbrio de forças no mundo ficou marcada pela influência crescente das chamadas potências emergentes. Com a China à cabeça, comprando dívidas e empresas estrangeiras e exportando produtos e mão-de-obra, percebemos como os parceiros do grande jogo da política mundial mudaram.
Os Estados Unidos da América, apesar da dívida e da crise económico-financeira, continuam a ser uma potência militar impressionante e a influenciar directamente a política externa. Quem acreditou numa “mudança”, já viu que afinal nada mudou. Os norte-americanos não abdicam dos seus interesses.

O fim da ilusão
Vivemos em fartura e, agora que sabemos que adversidades espreitam, somos forçados a mudar. Há sempre quem nos garanta horizontes de melhoria, que tudo vai ser como dantes em breve. O discurso dos “especialistas” do costume, dos optimismos oportunistas, é sempre o mesmo.
Mas uma coisa é certa e percebida – a festa da felicidade perpétua vai terminar. O reino da abundância chegou ao fim. Esta desilusão – no sentido profundo do termo – é também uma oportunidade. Um tempo para mudar de atitude e não descurar o que é realmente importante. A altura ideal para reencontrarmos valores essenciais, que foram sendo esquecidos e perdidos.

O nosso futuro
A futurologia é a disciplina predilecta dos comentadores políticos. Acontece que, ultimamente, com tantos erros de previsão e cálculos económicos, caiu em descrédito.
Numa altura em que os desafios se agigantam e as dificuldades nos estrangulam, há que redescobrir a fibra dos portugueses que ao longo da nossa História não vacilaram perante as maiores adversidades. Que mantiveram acesa até hoje a chama pátria e nos legaram a responsabilidade de perpetuar esse fogo sagrado. Reza o nosso hino: Levantai hoje de novo…
O nosso futuro pertence-nos. O nosso pior inimigo é a passividade em relação à condução dos nossos destinos enquanto país, a apatia generalizada face ao porvir de uma Nação da qual somos parte integrante.
O nosso futuro pertence-nos. Alea jacta est!

[publicado na edição desta semana de «O Diabo»]