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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Obama, Trump e um país dividido


Sabemos que na Europa Ocidental Obama teve um estatuto de quase “santo”, mas aquele que se apresentou como o candidato “pós-racial” que traria a união dos norte-americanos foi de facto o que marcou uma profunda divisão no eleitorado norte-americano. No aspecto racial, recorde-se a interrogação da National Review, no ano passado: “Após oito anos do primeiro Presidente afro-americano, porque é que as relações raciais na América estão tão más?

A propósito da divisão eleitoral, veja-se o artigo “Obama e Trump, os divisores-em-chefe numa América sem rumo” publicado ontem no insuspeito «Público», jornal que nunca escondeu as suas simpatias por Obama: “Como a profunda divisão que existe hoje em dia entre republicanos e democratas é vista muitas vezes como um fenómeno criado pela vitória de Trump em Novembro do ano passado, talvez valha a pena recordar as percentagens de popularidade de Obama no dia em que o Presidente norte-americano mais querido na Europa saiu da Casa Branca – com 83% de "gostos" no lado do Partido Democrata e 13% de carinhas sorridentes no Partido Republicano, foi o Presidente que mais dividiu os eleitores norte-americanos desde que há registos, segundo os estudos da empresa Gallup.

Continuando a contrariar a ilusão que a Europa viveu em relação à popularidade de Obama, o artigo diz que “mesmo com todas as diferenças entre épocas, quem estuda as sondagens admite que se possa estar perante um "novo normal", como se lê no comentário da empresa Gallup. E, se esse "novo normal" veio mesmo para ficar, "os Presidentes vão ter muitas dificuldades para alcançarem valores positivos nas taxas de aprovação" – algo que aconteceu também com Barack Obama, apesar da ideia generalizada na Europa de que o antecessor de Trump foi mais popular do que era habitual. No final dos seus mandatos, Obama teve uma taxa de aprovação média de 47,9%, e só teve valores positivos em três fases: no início do primeiro mandato, na altura da reeleição e na fase final do segundo e último mandato”.

Comentando, de seguida, a impopularidade de Trump, afirma que “é nesta mistura de "novo normal" com uma plataforma política quase oposta à que serviu de guião a Barack Obama que Donald Trump tem navegado. O resultado está à vista: Trump tem mantido, e até reforçado, a tendência dos últimos anos para dividir ainda mais os eleitores americanos, e é ao mesmo tempo um dos presidentes menos populares de sempre”.

Apesar de tudo, há que dizer que toda esta impopularidade de Trump não vem de hoje e não o impediu de chegar a Presidente dos EUA. Trump foi, como muito bem analisou Carlos M. G. Martins, o homem que desafiou o statu quo.


Esse desafio começou dentro do próprio Partido Republicano, pelo qual Trump se candidatou. No livro “Trump - Desafiar o Staus Quo”, publicado pela Gladius Editions, Carlos M. G. Martins escreveu que “o distanciamento crescente entre a base e as elites não se limita à interligação entre o político e o económico. A própria dinâmica política e interpartidária tem provocado essa cisão. Durante vários meses, a cúpula do Partido Republicano tinha demonstrado dificuldade em aceitar os resultados obtidos nas urnas. À medida que se tornava mais evidente que Trump seria o escolhido pelos eleitores, essa frustração permitia identificar laivos de honestidade dentro do "sistema".” Carlos Martins cita depois uma entrevista do republicano Curly Haugland à CNBC, da qual retiro uma passagem esclarecedora: “Ao contrário da sabedoria popular, são os partidos quem decide quem são os candidatos, e não os eleitores”.

Regressando ao “país dividido”, percebe-se que não foi o fenómeno Trump que causou a fractura e que o agravamento dessa situação é inevitável. Uma coisa é certa, chame-se Obama ou Trump, o ressurgimento da Europa nunca virá do outro lado do Atlântico.

sábado, 12 de novembro de 2016

Trump: insurgência identitária?



Enquanto assistimos à busca de "explicações" para a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais nos EUA pelos media e os analistas ditos "de referência", o artigo de Filipe Faria "Trump, o Futuro da América e a Política de Identidade" refere um ponto essencial que tem sido (propositadamente?) desprezado ou ignorado. Será a "insurgência Trumpeana" o protesto do grupo dos euro-americanos no conflito identitário que se vive nos EUA? Tudo indica que sim. Ora veja-se o seguinte excerto:

"Grande parte dos analistas tenta explicar esta “insurgência” Trumpeana como sendo um protesto dos euro-americanos contra a globalização económica devido à perda de empregos e de riqueza geral. No entanto, uma análise mais cuidada revela que os apoiantes de Trump estão muito longe de serem pobres. Os outros grupos (latinos e afro-americanos) que tendem a apoiar o partido democrata com a sua visão globalizante são bastante mais empobrecidos. Este historicismo materialista dos analistas não consegue explicar o fenómeno Trump em toda a sua dimensão.
Tal como vários estudos académicos revelam, o que está na origem desta insurgência é a ascensão da identidade europeia em solo americano. A evidência empírica dos psicólogos sociais Eric Knowles e Linda Tropp mostra que o contacto massivo com “o outro” no próprio país fez com que muitos euro-americanos se tenham consciencializado da sua identidade europeia. Por outras palavras, a abertura de fronteiras e as alterações radicais demográficas e culturais nos EUA provocaram uma ameaça existencial. Tal como aprendemos com a psicologia política evolutiva, é nestes momentos que os grupos tendem a escolher líderes fortes e combativos que defendam a sobrevivência do colectivo."

A este propósito, leia-se, também, a entrevista de Kathy Cramer, The Politics of Resentment (A Política do Ressentimento, não traduzido para português) ao "Público" sobre Donald Trump e sobre o futuro da política de identidade branca.


Nas inúmeras entrevistas que fez no Wisconsin rural, chegou à conclusão que nos "três elementos do ressentimento – não tenho poder, bens nem respeito – a raça e a economia interligam-se".

No entanto, sobre o "racismo" dos apoiastes de Trump, afirma: "O argumento de que o movimento de Donald Trump equivale a racismo não me parece ser verdade, e isto porque o racismo não põe comida na mesa. Não se pode ganhar a vida com o racismo. Não nego que os estudos mostrem que há muito ressentimento racial entre o eleitorado de Donald Trump mas muitas vezes o argumento termina aí. “Eles são racistas.” Parece-me ser uma forma muito redutora de olhar para a questão. É claramente racista pensar que os negros não trabalham tanto como os brancos. E então? Declaramos que uma grande parte da população é racista e, como tal, os seus problemas não são merecedores da nossa atenção?"

Dizendo que resiste muito à "caracterização dos apoiantes de Donald Trump como sendo ignorantes", Kathy Cramer afirma que "cada vez mais há provas de que a política para as pessoas não é – e eu sei que isto vai soar de forma horrível – sobre os factos e as políticas. É sobre identidades, sobre a formação de ideias, sobre o tipo de pessoas que nós somos e o tipo de pessoas que os outros são. Quem sou eu e quem está contra mim?"

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Just ride...


No monólogo final desta música, Lana Del Rey diz uma frase marcante - "I believe in the country America used to be." - que recorda o slogan de campanha de Trump: "Make America Great Again". Alguém quer juntar esta coincidência às "explicações" da vitória que deixou tanta gente de cabelos no ar?

Carlos Martins na SIC Notícias, a propósito do seu livro "Trump Desafiar o Status Quo"


O Carlos Martins foi entrevistado ontem no programa Edição da Noite, da SIC Notícias, sobre a eleição de Donald Trump e a propósito do livro "Trump, Desafiar o Status Quo", da sua autoria, onde analisa a campanha, as medidas, a oposição do establishment e a conquista do eleitorado por parte do novo presidente da Casa Branca. A ver.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Um título revelador


A "diretora" (escrito assim mesmo, sem o "c" de carácter) da «Visão», revoltada com a vitória de Donald Trump, reagiu desta forma, que indignou muito boa gente. Por mim, ao contrário das intenções da "angelical" jornaleira, considero que o título está correctíssimo. Ora vejamos: "Trump Presidente?" revela espanto perante a constatação de um facto inesperado; "Merda, merda, merda!" é a admissão do péssimo trabalho de cobertura, análise e prognóstico das eleições presidenciais nos EUA feito pela revista que dirige.

Mais propagandas


Uma autarquia com um presidente que não foi eleito decidiu dar uma lição de democracia em inglês, sem saber escrever nem verificar a ortografia, esquecendo (ou ignorando) que o "muro" que critica existe há décadas e tem sido aumentado pelas sucessivas administrações norte-americanas. Tudo pago com dinheiros públicos, claro! Deve ser para desviar a atenção das falhas de wi-fi...

Nota: O título deste post é uma referência a outras propagandas da mesma câmara municipal, em 2010.

Explicadores


Os que falharam todas as sondagens e erraram todas previsões são os que agora nos "explicam" a vitória de Trump...

Esclarecedores


Felizmente, os "campeões da tolerância" deram lições de democracia (da verdadeira, claro) em várias cidades do EUA, apesar de a polícia ter tentado impedir estas sessões de esclarecimento público.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Desafiar o 'Status Quo'


Há dois meses tive um almoço com o meu amigo Carlos Martins em que me disse estar convicto na vitória de Trump. Disse-lhe que tinha as minhas reservas mas gabei-lhe a confiança. A afirmação dele não era um mero palpite de apostador, tratava-se de uma posição fundamentada e documentada. Foi quando me disse que estava a preparar um livro sobre o assunto. Há dias vi o livro, que aconselho, à venda na Fnac e hoje devo-lhe um reconhecimento público. Ao contrário dos repetidores do costume, preocupados em ser politicamente correctos, acertou em cheio na sua análise. Parabéns, Carlos!

A vitória anunciada que não o foi...


Jornaleiros a soldo e comentaristas de serviço, analistas de dados viciados e opinantes de vistas curtas, para além dos habituais propagandistas do politicamente correcto, acreditaram na ilusão da sua certeza e anunciaram uma vitória segura da candidata dos obamitas. Era uma certeza "matemática", segundo um dos muitos disparates "científicos" que li, mas a história foi outra...

Como escrevi em tempos, em política não há vitórias anunciadas. Pelo contrário, é normalmente quem as anuncia – tão seguro de si próprio – que acaba em maus lençóis.

domingo, 18 de setembro de 2016

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 86


O mais recente número da revista de referência «La Nouvelle Revue d'Histoire» oferece um óptimo dossier que nos leva "às fontes da excepção americana", um tema bem actual porque nas vésperas das eleições presidenciais nos EUA. A esse propósito, Philippe Conrad diz-nos no editorial que uma eventual vitória de Donald Trump "constituirá sem qualquer dúvida uma ruptura maior um choque geopolítico de grande envergadura". Razões de sobra para melhor compreendermos a "génese de uma identidade particular".

Para além do dossier, destaque para a entrevista com o historiador das relações internacionais Georges-Henri Soutou e os artigos "A Batalha de Hastings", de Gérard Hocmard, e "Guilherme, o Conquistador, na memória anglo-normanda", de Franck Buleux, e o texto de Philippe d'Hugues sobre Pierre Boutang, bem como as secções habituais.