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segunda-feira, 28 de junho de 2010

O regresso dos negacionistas

Na notícia que referi no post anterior, é recordado o Arrastão de 2005, com o seguinte texto:

ARRASTÃO VARRE PRAIA DE CARCAVELOS
A 10 de Junho de 2005, Dia de Portugal e de Camões, Portugal assistiu, na televisão, a um fenómeno que apenas se tinha visto, até então, em terras brasileiras: um arrastão na praia de Carcavelos, Cascais. Cerca de duas centenas de jovens, oriundos de zonas problemáticas, usaram o comboio para chegar ao local e fugir. No areal, lançaram o pânico entre os milhares de banhistas, com vários a serem agredidos e roubados. A polícia chegou pouco depois e deteve alguns jovens.

Perante isto, aguardam-se as reacções inflamadas dos negacionistas do arrastão, que não só nos voltarão a tentar impingir que este não aconteceu, como provavelmente assegurar-nos que desta vez também nada se passou na Linha de Cascais.

Longe deste tipo de fantasias utópicas que tentam prevalecer através do terrorismo mediático, há que dizer que a intervenção das forças de segurança e o reforço policial são apenas um paliativo. A solução está na revisão da lei da nacionalidade, numa política de imigração controlada e na credibilização do sistema judicial.

Arrastões

Tenho um colega de trabalho que é assíduo leitor do «Correio da Manhã», jornal que não é propriamente da minha eleição, mas que reconheço ser corajoso na divulgação da criminalidade que assola o nosso país e que muitos querem ocultar. Hoje de manhã, o meu colega disse-me: "Tens que ler isto..." E, realmente, tinha.

Em duas páginas era tratada a onda de violência e criminalidade provocada por "grupos grandes de jovens vindos dos bairros sociais à Linha da CP de Cascais, durante o Verão". Alguém se lembrou do famoso Arrastão de 2005? Ora, segundo a notícia, "Para evitar futuros arrastões, a Polícia vai colocar o Corpo de Intervenção (CI) a patrulhar os comboios daquela linha".

Para melhor compreendermos a situação a que chegámos, é de ler a reflexão de Manuel Catarino sobre a "Insegurança", publicada na mesma edição do jornal. Diz ele, sem papas na língua: "Portugal, por muito que as estatísticas demonstrem o contrário, é um País inseguro. Não interessa se o número de crimes tem tendência a decrescer. O que importa é outra coisa: a capacidade de punição dos incorrigíveis apanhados a fazer o que não devem – que é pouca ou nenhuma. Os tribunais de pequena instância criminal – criados precisamente para julgar a pequena criminalidade – demitiram-se dessa função: não ligam, não querem saber, adiam, deixam para a semana. Fazem-no sem o menor respeito pelas vítimas. Isto provoca a revolta de quem espera Justiça – e gera um sentimento de impunidade entre a escumalha". O jornalista exemplifica depois com um caso verdadeiro ocorrido na semana passada, para concluir: "Moral da história: a lei penal ou a má vontade dos magistrados – ou as duas coisas juntas – são um convite ao pior: quem assalta pode continuar a fazê-lo alegremente – e quem é vítima fica a saber que o melhor é não apresentar queixa para evitar mais maçadas."