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segunda-feira, 21 de julho de 2014

História no Brasil

A contrastar com as revistas brasileiras medíocres que se vendem em Portugal, a “Revista de História da Biblioteca Nacional” é uma publicação de qualidade que se dedica à divulgação histórica, mas que não está disponível nas bancas portuguesas. As nossas distribuidoras bem deviam rever o que importam do outro lado do Atlântico.

Centrada na História do Brasil, a “Revista de História da Biblioteca Nacional” destaca-se das demais publicações brasileiras por não recorrer a traduções ou a modelos importados e por ter entre os redactores vários historiadores responsáveis pela investigação dos temas tratados.

Bem paginada com uma composição gráfica apelativa, a “Revista de História da Biblioteca Nacional” conjuga os conteúdos com a boa apresentação, oferecendo aos leitores artigos acessíveis ao grande público.

A edição de Junho deste ano tem como tema central a obsessão da república brasileira pelos grandes eventos e faz a pergunta incómoda: “Quem paga a conta?” Na apresentação deste ‘dossier’, Bruno Garcia refere-se à realização do Campeonato do Mundo de Futebol no Brasil, afirmando que a “Copa mais cara do mundo reforça experiência brasileira de sediar grandes eventos para favorecer poucos”.

De seguida podemos ler o artigo do investigador português do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa José Pedro Zúquete sobre os “black blocs”, os elementos da esquerda radical que utilizam uma táctica descentralizada e sem hierarquia para protestar violentamente contra o capitalismo e a globalização corporativa.

Destaque para o artigo sobre Georgina de Albuquerque, uma das precursoras brasileiras da pintura impressionista, e o artigo sobre a tradução da poesia clássica, grega e latina, no Brasil, nomeadamente o papel do patriarca da tradução criativa, Manuel Odorico Mendes, que inspirou Haroldo de Campos. De referir ainda os artigos sobre a relação entre o poder político brasileiro e o futebol, de entre muitos outros, para além das secções habituais. Por fim, para os interessados, a “Revista de História da Biblioteca Nacional” disponibiliza muitos dos seus artigos na Internet.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lusofonias

Fui este ano pela primeira vez ao Rio de Janeiro, cidade de uma beleza natural espantosa que já foi capital de Portugal. Observando as pessoas e os seus hábitos, houve algo que me deixou perplexo. Mesmo sabendo que o brasileiro comum não entende bem a nossa pronúncia, não deixei de ficar chocado – a palavra é mesmo esta – com o facto de a maioria deles não perceber sequer que língua é que falamos! Perguntaram-me se eu era italiano ou argentino e alguns responderam-me em espanhol (por este termo entenda-se o castelhano com sotaque e termos sul-americanos)!

Claro que basta abrir as vogais, mudar o tempo verbal para o gerúndio e usar alguns termos locais para se ser entendido. Mas a adaptação tem que ser nossa.

Estabelecida a comunicação, verifica-se que há um carinho e uma admiração por Portugal. Mas não nos deixemos iludir. O cidadão comum conhece muito pouco do país que lhes levou a língua e onde um dia aportou uma corte europeia, algo único na História. Apesar de demonstrar curiosidade e interesse.

Esta experiência pessoal leva-me à questão de fundo da lusofonia. Conceito a partir do qual quase tudo se tem defendido. Incluindo o famigerado Acordo Ortográfico, que em nada aproximou, nem aproximará, os países lusófonos.

Este é um assunto de elevada importância que não deve ser descurado. A lusofonia é uma área de influência geopolítica natural de Portugal e que deve por nós ser utilizada na afirmação da nossa cultura e posição internacional, mas há que recordar que não pode ser deixada a outros. Nunca pela lusofonia devemos submeter-nos a interesses alheios. Pelo contrário, devemos ter sempre presente que a nossa gloriosa gesta lusa foi mais uma das projecções da Europa. Não podemos esquecer o poder e amplitude da forma como tocámos o mundo, mas o que não podemos mesmo fazer é esquecer o nosso país e o nosso povo em nome dessa projecção.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A actualidade de "Tropa de Elite 2"

O actor Sandro Rocha no papel do chefe miliciano major Rocha,
em "Tropa de Elite 2" (2010).

Ontem partilhei aqui o meu texto sobre o filme "Tropa de Elite 2", que fala sobre a realidade das chamadas "milícias" e do seu envolvimento directo com vários políticos no Rio de Janeiro. Nem de propósito, no mesmo dia, era noticiada a detenção do vereador Luis André Ferreira da Silva, conhecido como Deco, acusado de liderar uma milícia que planeou "o assassínio do deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias, em 2008, e de ter tentado matar a chefe da Polícia Civil, a luso-descendente Martha Rocha". Mais uma razão para ver este excelente filme.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sempre o sistema

“Tropa de Elite” (2007) foi um verdadeiro fenómeno cinematográfico que fez um retrato social do Brasil, mostrando as intrincadas redes de corrupção que se estendem a praticamente todos os aspectos do quotidiano. A sequela era há muito aguardada e a dúvida era se José Padilha conseguiria fazer um filme tão bom como o primeiro e evitar a pura e simples repetição. Felizmente, conseguiu-o. E da melhor maneira.

São raros os casos em que uma continuação está à altura do filme que a antecede. Neste caso, há uma relação directa com a história e as personagens anteriores. Isso vê-se logo no início, quando se vêem várias passagens que nos avivam a memória.

Dez anos passaram e o capitão Nascimento (Wagner Moura) tornou-se coronel e comandante do BOPE. Depois de um incidente na prisão de alta segurança Bangu 1, onde vários detidos foram mortos na presença de Fraga (Irandhir Santos), um activista dos direitos humanos, Nascimento e Matias (André Ramiro), agora capitão, são afastados das Operações Especiais. Matias volta para a corrupta Polícia Militar, mas Nascimento, graças à sua popularidade, é chamado à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Trocada a farda militar pelo fato e gravata, Nascimento acha que chegou finalmente a uma posição onde pode fazer a diferença. Dá ao BOPE a dimensão e os meios para reduzir o tráfico nas favelas de uma forma nunca antes conseguida. No entanto, ao “resolver” um problema, essa máquina de combate espectacular, pode apenas ter aberto a porta a outro tipo de problemas.
É bastante curioso observar a evolução de tantos personagens que já conhecíamos. Esse jogo de identificação ajuda a perceber como as coisas mudaram. Ou talvez não…

As favelas vivem uma nova realidade. Agora sem traficantes, são controladas pelos corruptos da Polícia Militar que controlam todos os negócios lucrativos que vão das redes de telemóveis à internet ou à televisão. São as chamadas milícias, que afirmam “proteger a comunidade” e dão os ‘forrós’ que o povo gosta. Desta forma controlam o voto de milhares de eleitores que garantem a manutenção de políticos vendidos. Esta “troca de favores” não passa da clássica extorsão e de uma máfia que nos recorda tantos outros casos semelhantes.

Descobrindo esta verdadeira caixa de Pandora que ajudou a abrir, Nascimento, sentindo-se usado, não desiste e acaba por recorrer a quem menos esperava.

A realização mantém o registo anterior, com espectaculares cenas de acção, realistas e muito bem ritmadas, ao mesmo tempo que transmite com dureza a corrupção ao mais alto nível.

O discurso final, ilustrado por uma imagem aérea de Brasília, é simplesmente arrebatador. O subtítulo diz-nos que “o inimigo agora é outro”, mas o que na realidade continua válido é a frase do primeiro filme: “o sistema existe para resolver os problemas do sistema”… [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Viagem a outro mundo

O “Complexo do Alemão” é um conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro conhecido pela sua dimensão, pelo tráfico e, em especial, pela extrema violência. O mundo das favelas brasileiras sempre gerou grande curiosidade, mas depois do excelente “Tropa de Elite” (2007), de José Padilha, ganhou um mediatismo colossal. No final do ano passado, a enorme operação militar que se seguiu à série de ataques e atentados perpetrados pelos traficantes cariocas foi amplamente televisionada. Os telejornais abriam com verdadeiros cenários de guerra na “cidade maravilhosa”, que um dia foi capital de Portugal, e as imagens de soldados armados protegidos por blindados a subir os morros mostravam que não se tratava de um mero caso de polícia.

O documentário português “Complexo – Universo Paralelo”, que está agora em cartaz, beneficia muito de toda essa publicidade. Muita da sua promoção e até o próprio ‘trailer’ põem a ênfase nos “bandidos” e na violência. Mas atenção, o filme está longe de ser um exercício de câmara oculta ou uma colecção de imagens explícitas de combate urbano. Reparei que na estreia muita gente esperava algo do género e saiu claramente desiludida. Esta verdadeira viagem a outro mundo, o “universo paralelo” anunciado no título, é antes um olhar para a vida dos habitantes do Complexo.

Os irmãos Mário e Pedro Patrocínio, respectivamente o realizador e o director de fotografia do filme, chegaram ao Complexo do Alemão em 2005 depois de um convite para fazer um teledisco do músico de ‘funk’ MC Playboy. Essa experiência levou-os a frequentar a favela e a realizar várias entrevistas com moradores que captassem as várias realidades e histórias locais. Desse conjunto escolheram quatro personagens representativas. Opróprio MC Playboy, “funkeiro” que é um símbolo cultural da comunidade, preocupado mais com a consciência social que com o crime. Seu Zé, uma espécie de ancião respeitado e influente, que preside à Associação de Moradores e é um conhecedor profundo desta favela que viu crescer. Dona Célia, uma mãe de oito filhos que sobrevive graças à sua “é em Deus”, como ela diz, mas também a uma capacidade de resistência incrível. Vende embalagens para reciclagem para evitar que a família passe fome, incluindo o marido alcoólico que passa a maior parte do dia deitado. Nota-se que é a personagem central, uma imagem paradigmática do ambiente familiar na favela e um exemplo de perseverança. Por fim, os traficantes, jovens que tapam a cara e mostram as suas espingardas automáticas, afirmando estar preparados para tudo, que é como quem diz, a guerra com a polícia.

Os militares por seu turno são filmados como parte da paisagem. Farda camuflada, capacete e arma em punho, normalmente nas esquinas, a controlar os movimentos. A fazer lembrar, por exemplo, soldados israelitas numa operação na Faixa de Gaza.

Um filme bem construído que sai da reportagem sobre troca de tiros, mas que também podia ter ido mais longe. Um olhar interessante sobre um sentimento de fronteira entre dois mundos: o das favelas e o lá de fora. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A guerra continua...

Perante a notícia de que, entre Janeiro e Novembro de 2009, foram assassinadas 5318 pessoas no estado do Rio de Janeiro, tendo morrido "29 polícias em serviço e 974 suspeitos em confrontos com os agentes", lembro-me do filme-revelação Tropa de Elite e do seu início: "O Rio de Janeiro tem mais de 700 favelas. Quase todas dominadas por traficantes armados até os dentes. É só nego com TR15, HK, Pistouse e por ai vai. No resto do mundo essas armas são usadas para fazer guerra; no Rio, são armas do crime. Um tiro de 762 atravessa um carro como se fosse papel. É burrice pensar que numa cidade assim, os policiais vão subir favelas só pra fazer valer a lei. Policial tem família, meu. Policial também tem medo de morrer. É por isso que nessa cidade todo policial tem que escolher: ou se corrompe ou se omite ou vai para a guerra".

sexta-feira, 27 de março de 2009

Racismos (XII)

O presidente do Brasil afirmou, durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, no país em visita oficial, que não conhece nenhum índio ou negro que tenha contribuído para a instabilidade dos mercados financeiros e que esta "é uma crise fomentada por comportamentos irracionais, de gente branca de olhos azuis, que antes da crise pareciam que sabiam tudo e que agora demonstram não saber nada".

terça-feira, 4 de novembro de 2008

“Miscigenação diminui o QI dos brasileiros”

Um amigo brasileiro alertou-me para uma entrevista muito interessante dada por Charles Murray à revista «Isto é», no mês passado, onde afirma que a “miscigenação diminui o QI dos brasileiros” e que a “elevada proporção de negros no País reduz o índice de inteligência nacional”. O politólogo americano, que se tornou internacionalmente conhecido com o livro que provocou grande controvérsia, “The Bell Curve: intelligence and class structure in american life” [1996], escrito em co-autoria com Richard J. Herrnstein, psicólogo e professor de Harvard, foi pela primeira vez ao Brasil para participar no seminário “O Impacto dos Resultados Pisa e a Formação de Intelectuais na América Latina”. O seu último livro é “Real Education: Four Simple Truths for Bringing America's Schools Back to Reality”.

Racista?
Às acusações de racismo, Murray responde: “Fui acusado de racismo porque mostrei um indiscutível facto empírico: quando amostras representativas de brancos e negros são submetidas a testes que medem a habilidade cognitiva, os resultados médios são diferentes. Isto não é uma opinião. É um facto, da mesma forma que medidas de altura mostram um resultado médio diferente entre japoneses e alemães. Eu não tirei conclusões racistas deste facto, não advoguei políticas racistas, e tenho escrito explicitamente que a lei deve tratar pessoas como indivíduos e não como membros de grupos raciais. Então por que me chamar de racista? Porque alguns factos não podem ser discutidos - e os indivíduos que os discutem devem ser pessoas terríveis.

Miscegenação e QI
Confrontado com a constatação de que o Brasil é um país onde a miscigenação é a regra e questionado se isso significa que o QI médio do brasileiro é inferior ao dos nórdicos, por exemplo, Murray responde: “É uma questão de aritmética. Se em testes o QI é sempre maior com amostras de nórdicos do que com amostras de negros, então um país com uma significativa proporção de negros terá um QI médio inferior ao de um país que consiste exclusivamente de nórdicos. Isso é verdade, por exemplo, quando comparamos os Estados Unidos com a Suécia, da mesma forma que é verdade quando comparamos o Brasil e a Suécia. A única questão é empírica: as médias são sempre diferentes? Se são, a questão está respondida por si mesma.

O valor dos testes de QI
O valor dos testes de QI, para um cientista social, é usá-los para prever resultados em grupos grandes. Por exemplo, se você me mostrar duas crianças de seis anos, uma com 110 de QI e outra com 90, não tenho ideia de quem estará ganhando mais quando elas estiverem com 30 anos. Mas, se você me mostrar mil crianças de seis anos com 90 de QI e mil com 110, posso dizer com muita confiança que a renda do grupo de 110 de QI aos 30 anos será mais alta na média - essa é palavra-chave, na média - do que a do grupo de 90.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite

Tropa de Elite”, de José Padilha, ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Mesmo depois de uma campanha que o classificava como “fascista”, o júri decidiu reconhecer o excelente trabalho do realizador brasileiro.

Vi este filme polémico da mesma forma que milhões de brasileiros — através de uma cópia pirata. Vi e tornei a ver, porque não é todos os dias que aparecem coisas destas. O que era para ser um documentário sobre o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, conhecido por BOPE, tornou-se uma obra de ficção perante a ausência de militares dispostos a prestar o seu depoimento. O resultado foi um controverso sucesso, agora justamente premiado.

A acção desenrola-se naquela que é — como se afirma claramente —, a guerra que se vive no Rio de Janeiro. Na qual, para fazer frente aos traficantes das favelas, bem armados graças à corrupção generalizada, só um corpo de elite, constituído por militares incorruptíveis, alvo de uma selecção criteriosa e formação exigentíssima, consegue levar a melhor. O BOPE não é para brincadeiras e os seus inimigos também não. Defrontam-se num dos mais complicados teatros de combate urbano — os labirínticos morros. A preparação dos militares, a sua coragem e determinação garantem que sejam os melhores. Não hesitam em ser brutais e usar formas de tortura naquele inferno, porque guerra… é guerra.

Mas apesar das espectaculares cenas de acção, realísticas e muito bem ritmadas, que alguns criticaram como americanizadas, “Tropa de Elite” não se resume a um “filme de bang-bang”, como se diz no Brasil. É um retrato social de um país, que mostra as intrincadas redes de corrupção que se estendem a praticamente todos os aspectos do quotidiano e a existência de uma classe abastada que vive num mundo à parte, diametralmente oposto, mas no qual muitos, enquanto fumam maconha, sonham em salvar os “pobres e oprimidos”, que apenas traficam porque são excluídos da sociedade… Onde é que já ouvimos esta conversa antes? A realidade mostrada no filme arrasa totalmente tais posições utópicas e mostra o seu efeito perverso, porque como nos diz o narrador a determinada altura: “não há nada pior que rico com consciência social”.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Império à deriva


Como o que é bom é para aconselhar, aqui fica a sugestão de leitura de “Império à Deriva a Corte Portuguesa no Rio de Janeiro 1808-1821”, do australiano Patrick Wilcken, publicado entre nós pela Livraria Civilização Editora. Como o título indica, o livro trata da mudança da capital do império português para o Brasil, que implicou a viagem transatlântica de cerca de dez mil portugueses, motivada pelas invasões napoleónicas. Apesar de ser um conhecido episódio da História de Portugal, este foi um caso único que atraiu a atenção deste autor estrangeiro. Tudo nesta aventura é atribulado, de tal forma que dificilmente a ficção podia superá-la. Nesta obra sem pretensões académicas, apesar de ser notório um excelente trabalho de investigação, a narrativa, muito bem construída, prende até o leitor menos habituado a estes temas. Pelo que vi há dias numa livraria em Lisboa já vai pelo menos na 5.ª edição, o que é um óptimo sinal do interesse do público pela História. Este é um livro essencial para compreender a História do Brasil e de Portugal, ao mesmo tempo que capta o espírito português da altura, inalterado e reconhecível ainda hoje.

Patrick Wilcken, que fala português e viveu no Rio de Janeiro, foi entrevistado recentemente por Carlos Vaz Marques na rádio TSF. O programa, chamado “Pessoal e transmissível”, ainda é possível ouvir online.