Mostrar mensagens com a etiqueta Alice Vieira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alice Vieira. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Alice Vieira arrasa sobre a educação

A educação no nosso país piora de dia para dia, já o sabemos. Há muito que colegas meus de curso, hoje professores, me transmitem o estado deplorável a que chegou esta área tão importante. Agora, a degradação tem sido de tal ordem que há cada vez mais pessoas a pôr o dedo na ferida. É o caso da escritora Alice Vieira que, em entrevista publicada hoje no «Público», não poupa críticas nem comede as palavras. Nesta constatação mostra bem ao que se chegou: Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ia falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal.

Sobre o acesso às novas tecnologias, afirma que estamos a queimar etapas, a atirar computadores para os colos dos miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita. E mesmo os mais velhos não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar, eles clicam, copiam e assinam por baixo. Eu chego a uma escola, vou ver e fizeram 50 trabalhos sobre um livro meu, todos iguais, com os mesmos erros e tudo, porque descarregam da Internet. Pergunto aos professores e respondem-me: “Mas eles tiveram tanto trabalho a procurar...” O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes, estou a falar com os alunos e tenho a sensação nítida de que não estão a perceber nada do que eu estou a dizer.

Sobre as razões deste estado de coisas generalizado, diz: No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam! “O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se”. Há um medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias da educação. E os professores e os alunos não sabem muito bem o que é que andam a fazer... Aconteceu uma coisa terrível é que tudo tem que ser divertido. Há duas palavras que me põem fora de mim: moderno e lúdico! Tudo tem que ser lúdico, tem de ser divertido, nada pode dar trabalho. Não pode ser!

Soluções?
É preciso mais autoridade, o professor não pode fazer nada, não tem autoridade nenhuma. A solução passa por mais interesse e mais disciplina. O gosto pelo que se faz. E o professor tem que sentir esse gosto e passar aos miúdos. A profissão é de risco, de missionário e não de funcionário público na acepção pejorativa da palavra. Não é uma profissão como as outras e não é seguramente a de preencher impressos...