"A Primeira República portuguesa foi um monumento de ignomínia. As comemorações em curso não podem escamotear esse facto e deveriam proporcionar aos portugueses uma visão altamente crítica desse período da nossa história. (...)"
Vasco Graça Moura
in «Diário de Notícias», 6/10/2010.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
A propósito de um centenário (IX)
"(...) Da fugaz I República ficaram pois, quase exclusivamente, as boas intenções. A intenção de educar o povo, de proteger o povo, de contar com o povo. Mas esse mesmo povo abandonou a República no primeiro momento, talvez pensando que de boas intenções está o Inferno cheio.Isto também explica que a República tenha durado uns escassos 16 anos, enquanto o período seguinte (1926-74, dominado por Salazar entre 1928 e 1968) durou uns longos 48 anos, ou seja, três vezes mais.
Tudo somado, pode dizer-se que a I República não deixou saudades. E se hoje se comemora com tanto fervor é mais por razões ideológicas - e porque no poder está o partido que herdou a tradição republicana, o Partido Socialista - do que pelas virtudes que mostrou."
José António Saraiva
in "Sol".
A propósito de um centenário (VIII)
A propósito de um centenário (VII)
"Não deixa (...) de ser estranha a forma como 100 anos depois, se está a comemorar a I República. Primeiro, porque isso está a ser feito de uma forma que reduz a realidade complexa de então a uma falsa dicotomia entre uma monarquia corrupta e uma república redentora. Depois porque, de forma chocantemente manipulatória, se pretende radicar tudo o que hoje associamos à democracia em que vivemos no espúrio regime de então. Só encontro uma explicação para isso, e não é entusiasmante: a existência de angustiantes paralelos entre o regime que saiu do 5 de Outubro e certas práticas políticas dos dias que correm."
José Manuel Fernandes
in "Público", 4/10/2010.
José Manuel Fernandes
in "Público", 4/10/2010.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A propósito de um centenário (VI)
É de saudar a reedição do obrigatório "O Poder e o Povo", de Vasco Pulido Valente, pela Alêtheia, com novo prefácio do autor onde é referida a comemoração do centenário da República e onde formula questões bem incómodas para os respectivos celebrantes: «Como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista? (…) Como é possível pedir que uma cultura política assente nos “direitos do homem e do cidadão” preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos (e, às vezes, matava) uma extensa e indeterminada multidão de “suspeitos”? (…) E como é possível, no meio disto tudo, ignorar que a Monarquia, tão vilificada pelo PRP (…), tinha sido um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês que o 5 de Outubro trouxe a Portugal?»
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A propósito de um centenário (V)
Lembrei-me de post República imaginária, que aqui publiquei em 2007, quando se ficaram a conhecer os preparativos para as comemorações do centenário da República.
Aqui fica um excerto: "(...) a I República estava bastante longe do éden adâmico apresentado pelos abrileiros. Representava, aliás, exactamente o contrário do que estes diziam defender em vários pontos-chave. Um regime onde existira a censura, que mandara soldados para a guerra, que nunca abdicara das colónias, onde a perseguição política e religiosa foi impiedosa, comandado por um partido que podia não ser único, mas sobrepunha-se (impunha-se) a todos os outros.
Esta incómoda realidade, pouco “democrática” segundo os padrões hodiernos, nascida do crime do regicídio e não da vontade ou expressão popular, é hoje sobejamente conhecida. Seria de esperar, por isso, que não se insistisse em mistificações, que alguns pretendem desculpar aos ânimos exaltados da insolação do Verão quente. Hoje exigia-se outra (com)postura, mas nas recentes comemorações oficiais do 5 de Outubro e na preparação do centenário da República percebeu-se que nada mudou.(...)"
Aqui fica um excerto: "(...) a I República estava bastante longe do éden adâmico apresentado pelos abrileiros. Representava, aliás, exactamente o contrário do que estes diziam defender em vários pontos-chave. Um regime onde existira a censura, que mandara soldados para a guerra, que nunca abdicara das colónias, onde a perseguição política e religiosa foi impiedosa, comandado por um partido que podia não ser único, mas sobrepunha-se (impunha-se) a todos os outros.
Esta incómoda realidade, pouco “democrática” segundo os padrões hodiernos, nascida do crime do regicídio e não da vontade ou expressão popular, é hoje sobejamente conhecida. Seria de esperar, por isso, que não se insistisse em mistificações, que alguns pretendem desculpar aos ânimos exaltados da insolação do Verão quente. Hoje exigia-se outra (com)postura, mas nas recentes comemorações oficiais do 5 de Outubro e na preparação do centenário da República percebeu-se que nada mudou.(...)"
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
A propósito de um centenário (IV)
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
A propósito de um centenário (III)
"Festejar o centenário - ou qualquer número de anos - da implantação da República em Portugal tem actualmente tanta justificação como festejar a instauração do comunismo na Rússia e a formação da União Soviética."
Octávio dos Santos
in «Público», 27/9/10.
Octávio dos Santos
in «Público», 27/9/10.
sábado, 25 de setembro de 2010
A propósito de um centenário (II)
"Os portugueses não tinham perdido com o advento de Salazar um regime aberto e plural como o que hoje temos, pois apenas tinham conhecido oligarquias dilaceradas por querelas internas."
José Manuel Fernandes
in «Público», 24/9/10.
José Manuel Fernandes
in «Público», 24/9/10.
A propósito de um centenário (I)
"O que estamos a comemorar é a visão da República que a oposição republicana e maçónica do Estado Novo tinha."
Pacheco Pereira
in «Sábado», 23/9/10.
Pacheco Pereira
in «Sábado», 23/9/10.
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