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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Identidade e democracia na Suíça


O mais recente número de “La Nouvelle Revue d’Histoire”, revista francesa de referência na divulgação histórica que se vende no nosso país, tem como tema central a Suíça e apresenta uma reformulação gráfica.


“Identidade e democracia” é o título do excelente ‘dossier’ que, em ano de várias comemorações para os helvéticos, traça a História da Suíça de Guilherme Tell a Oskar Freysinger, um dos responsáveis da UDC (União Democrática do Centro), um dos principais partidos suíços, que pretende preservar a identidade e soberania do país, através da expressão da vontade popular em referendo, nomeadamente contra os minaretes nas mesquitas e, mais recentemente, contra a imigração maciça.

Também há a destacar neste número a entrevista com o jornalista Éric Zemmour, que recentemente gerou um intenso debate em França, depois de o seu livro “O suicídio francês – os 40 anos que desfizeram a França” ter sido um sucesso de vendas.

De referir, ainda, os artigos sobre a Guerra das Rosas na Inglaterra da Idade Média, sobre a Batalha de Waterloo e a importância das tropas alemãs, sobre o genocídio arménio e a Alemanha, e a interessante “descoberta” de quando a República francesa tinha um discurso que hoje seria considerado racista.
Para além de outros artigos, podemos ainda encontrar a crónica de Péroncel-Hugoz e as habituais secções de actualidade e crítica a livros.

Fundada há 13 anos por Dominique Venner e hoje dirigida por Philippe Conrad, esta é uma revista que continua a ser obrigatória.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O livro que está a agitar a França

A mais recente obra do polemista Éric Zemmour é um fenómeno literário de vendas e está a agitar as águas da política francesa. À direita é vista como um alerta para o estado a que chegou o país. À esquerda é vista como um perigoso ensaio catastrofista que pode “alimentar a extrema-direita”. “O Suicídio Francês” promete não deixar ninguém indiferente.

Éric Zemmour é um nome que pode não dizer muito aos leitores portugueses, mas é uma figura de referência em França. Jornalista e escritor, de 56 anos, é principalmente um polemista. Define-se como um judeu de origem berbere e como fazendo parte da direita reaccionária. Não hesita a criticar o Maio de 68, a imigração, a islamização, entre outros temas incómodos, atitude que já lhe valeu vários processos judiciais. Os seus comentários políticos batem audiências, seja no seu programa matinal de rádio, seja nas emissões televisivas em que participa ou nas crónicas que escreve na Imprensa, nomeadamente no “Figaro Magazine”. Autor de vários livros, o seu último trabalho está a agitar a política francesa.

Sucesso de vendas
“Le Suicide français – les 40 années qui ont défait la France” (“O Suicídio Francês – os 40 anos que desfizeram a França”), publicado pela editora Albin Michel, do jornalista e polemista Éric Zemmour, foi lançado a 1 de Outubro e vende mais de cinco mil exemplares por dia. Um ensaio político que vende mais do que os livros do novo Nobel da Literatura, Patrick Modiano, e do que “Merci pour ce moment”, de Valérie Trierweiler, ex-companheira do Presidente Hollande. O livro de Zemmour tornou-se rapidamente um ‘best-seller’, um sucesso de vendas que demonstra a preocupação dos franceses com a situação política que o país enfrenta.

O declínio francês
Ao longo das mais de 500 páginas de “O Suicídio Francês”, Zemmour analisa por ano, a partir de 1970, os acontecimentos que levaram à perda de poder do Estado sobre o país, nomeadamente no que respeita ao controlo da imigração e da economia, o que levou a uma dissolução progressiva da França, que começou com os ideais do Maio de 68.
Afirma Zemmour que a partir dos anos 80 a contra-cultura dos anos 70 torna-se a “cultura oficial” e, com a chegada da esquerda ao poder, a “cultura de Estado”. Segundo ele, “a família e a prisão serão a partir daí vistas como objectos idênticos a detestar e a sua contestação tornar-se-á a verdade oficial. Toda a sociedade será duravelmente destabilizada. A delinquência sairá reforçada, desmultiplicada; e os defensores da ordem deslegitimados, fragilizados, desconsiderados”.
Mas, para Zemmour, a perda da soberania nacional deve-se principalmente ao Tratado de Maastricht e ao federalismo europeu. Para ele, a “Europa integrada tornou-se o laboratório de um governo mundial ainda no limbo”.
Sobre a selecção francesa de futebol, depois da vitória em 1998, afirma que “mudou as cores”, deixando os jogadores de representar os valores da França tradicional, quaisquer que fossem as suas origens, para cair na “obsessão racialista do anti-racismo dominante desde os anos 80”. Por fim, a crítica à progressiva islamização da França, incompatível com os valores republicanos.
São os pontos principais deste relato dos quarenta anos que, para Zemmour, “desfizeram a França”.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O espectáculo não vai continuar


Nesta era em que o inglês domina como língua universal, muitos se esquecem de que a França continua a ser um grande produtor de cultura a não desprezar. Um desses reflexos é a existência de várias revistas de qualidade que escapam à ditadura cultural de esquerda. O exemplo máximo dessas publicações era “Le Spectacle du Monde”, uma revista mensal que também se vendia em Portugal, que se distinguia tanto pela forma cuidada como pelo conteúdo elevado e que contava com a colaboração de vários nomes sonantes, como François d’Orcival, Éric Zemmour, Patrice de Plunkett, entre outros.

Fundada em 1962 por Raymond Bourgine, jornalista e empresário da direita liberal não gaullista e favorável à manutenção da presença francesa na Argélia, tornou-se um ponto de encontro entre a direita patriótica e democracia cristã centrista. Vista pelos seus detractores como “reaccionária”, conseguiu juntar colaboradores de todo o espectro da direita. Bourgine quis fazer da sua revista uma “enciclopédia do mundo contemporâneo” e conseguiu-o. Mesmo depois da morte do seu fundador, em 1990, “Le Spectacle du Monde” manteve o mesmo espírito e qualidade.

Agora, depois de mais de meio século de vida, não será mais publicada. As razões apontadas pelo grupo editorial a que pertencia são as vendas insuficientes: os cerca de 30 mil exemplares vendidos por edição não chegam para garantir a rentabilidade do título. Mas, para além desta justificação, o Observatório dos Jornalistas e da Informação Mediática francês afirma também que a participação de figuras da chamada “Nova Direita”, como Alain de Benoist ou Michel Marmin, já não se adequava com a orientação do grupo, liberal e pró-Sarkozy.

Caiu o pano que anunciou o fim da melhor revista intelectual para o grande público da direita francesa. Este é um espectáculo que não vai continuar. Perdeu-se uma referência da direita e sem ela perdem a cultura francesa e europeia.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Zemmour e a palavra "raça"


A propósito do post anterior, qui fica o vídeo da excelente crónica radiofónica de Éric Zemmour sobre a intenção de François Hollande de propor ao parlamento francês que retire a palavra "raça" da Constituição, caso ganhe as eleições presidenciais. Irónica, acutilante e arrasadora.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Maccarthysmo (I)

"Há hoje em França um ambiente maccarthysta." Quem o afirma é Éric Zemmour, escritor, jornalista e comentador político francês, na sequência da ameaça de apresentação de queixa judicial contra ele por parte de associações anti-racistas e a possibilidade de despedimento do «Figaro Magazine», revista onde é colunista. Na origem de tudo isto está um debate televisivo no Canal+ onde Zemmour, respondendo a quem afirmava que "a polícia apenas pára negros e árabes", disse que "os franceses de origem imigrante são mais controlados que os outros porque a maioria dos traficantes são negros ou árabes". Habitualmente polémico, Zemmour viu-se acusado de ser "racista" por todos aqueles que o querem silenciar. Depois de uma manifestação popular em seu apoio em frente ao jornal «Le Figaro» e de ter escrito uma carta à LICRA, acabou por ver a queixa retirada e o seu lugar assegurado. Seja como for, é mais um episódio da reiterada tentativa de controlo da opinião que vivemos hoje em dia.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Breve nota sobre as regionais francesas


Não posso deixar de fazer aqui uma breve nota aos resultados das eleições regionais francesas, marcadas pela abstenção e a derrota de Sarkozy. Sobre a vitória da esquerda, é de notar que isso não corresponde a uma vitória do PS, como muito bem notou Éric Zemmour numa das suas crónicas radiofónicas. Passando à extrema-direita, apesar de o FN continuar uma das principais forças políticas francesas, ter tido uma votação relevante, passando à segunda volta em 12 regiões e conseguindo mais de cem eleitos, é preciso ter atenção a certos exageros em cantar vitória, como muito bem analisou a revista «Marianne». As outras candidaturas de extrema-direita resultaram num total fracasso. A lista a que me referi aqui, por um dos cabeças-de-lista ser amigo meu, não chegou aos dez mil votos na primeira volta. Nos outros casos, há a destacar o resultado ínfimo de Jacques Bompard, que se apresentava como um rival de Jean-Marie Le Pen em PACA, e o resultado expressivo da sua filha Marine Le Pen, mais que provável sucessora na presidência do partido.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O mito do direito do solo

A propósito do post de ontem, aqui fica o vídeo onde Éric Zemmour fala do mito do direito do solo e afirma: “já não estamos na imigração, estamos numa substituição de população”.