quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O caminho para Belém

Depois de uma verdadeira maratona de debates, que se caracterizaram pela vacuidade, a campanha para as eleições presidenciais arrancou e os candidatos fizeram-se à estrada, aquela que é suposto conduzi-los ao “país real”.

Os eleitores já perceberam que o excesso de candidatos não significa uma maior escolha. Muitos destes pretendentes a Belém serão pura e simplesmente ignorados nesta eleição onde a tentação é dividir o País entre “esquerda” e “direita”. Apesar de podermos facilmente desmontar esta partição em termos ideológicos, a verdade é que ela é real na percepção popular e no discurso utilizado.

Assim, devemos ter em conta a actual mudança política e a forma como esta pode influenciar a eleição do próximo Presidente. Por um lado, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem a esquerda chama o “candidato da direita”, afasta-se dessa classificação e do apoio do PSD e do CDS-PP, afirmando-se como independente. É o preço a pagar pela “conquista do centro”, mas será que é esta a via para ganhar à primeira volta? Por outro lado, António Costa aconselha os socialistas a votarem em dois candidatos, apostando num novo entendimento à esquerda na segunda volta. As presidenciais podem ser uma reedição das legislativas?

Como escreveu Vasco Pulido Valente, “a manobra de Costa mudou unilateralmente o sistema partidário e com isso a natureza do regime” e, segundo o comentador, “um pequeno solavanco basta para estabelecer o caos”.

Talvez ajude os eleitores recordar que não vão votar para escolher o “Presidente de todos os portugueses”, mas o Presidente da República Portuguesa. Até porque a procissão ainda vai no adro e o vencedor mais provável da primeira volta será a abstenção.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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