quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

De Gaulle e os americanos

No ano em que se completarão 50 anos da saída da França da OTAN (que em Portugal continua a ser mais conhecida pela sigla anglo-saxónica NATO), a primeira edição deste ano da revista de referência “La Nouvelle Revue d’Histoire”, dirigida por Philippe Conrad, dedica um excelente ‘dossier’ à relação entre o Presidente De Gaulle e os norte-americanos.

É um momento histórico de grande importância ainda que pouco recordado, mas decisão de De Gaulle em afirmar a França como potência independente foi uma demonstração de força que hoje julgaríamos impensável. A construção de uma força nuclear francesa autónoma, a crítica da intervenção norte-americana no Vietname, a tentativa de abertura a Leste, a retirada da OTAN ou a questão do padrão-ouro confirmaram as divergências entre Paris e Washington. Diferendo que só se acalmaria com a chegada de Richard Nixon à Casa Branca, em 1969. Meio século depois, como nos diz o texto de apresentação do ‘dossier’ desta edição, a França é membro da OTAN há muitos anos e a ameaça que a motivou deixou de existir. No entanto, a “preparação mais ou menos clandestina do futuro tratado transatlântico que quer completar a integração no ‘bloco ocidental’ deve incitar a uma reflexão salutar a propósito da decisão tomada em 1966”. Assim, o excelente ‘dossier’ tem artigos sobre o duelo entre De Gaulle e Roosevelt entre 1940 e 1945, Giraud e os americanos, a França como potência nuclear e a saída da OTAN, as relações entre De Gaulle e a URSS e a Roménia, bem como a posição contra o “dólar-rei”.

De destacar também nesta edição é a entrevista com o africanista Bernard Lugan, essencial para compreender o actual caos na Líbia, por ocasião da publicação do seu novo livro “História e Geopolítica da Líbia das origens aos nossos dias”.

Ainda neste número, nota para os artigos sobre o desastre grego, o martírio e renascimento do exército sérvio, os militares e a música e entrevista com historiador especialista no mundo germânico Thierry Buron sobre a nova Alemanha.

Sem comentários:

Enviar um comentário