quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Vilanagem


"Restava-nos apenas a arrogância e a crueldade, de modo que, quando víamos o apreço que todos tínhamos pelas nossas pessoas individuais, quando víamos a violência de costumes e o despeso pelas outras províncias e nações, percebia-se que os espanhóis fossem, com razão, odiados por toda a Europa e meio mundo."

Arturo Pérez-Reverte
in "O Ouro do Rei"

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Voz escrita


«Dizer! Saber dizer! Saber existir pela voz escrita e a imagem intelectual! Tudo isto é quanto a vida vale: o mais é homens e mulheres, amores supostos e vaidades factícias, subterfúgios da digestão e do esquecimento, gentes remexendo-se, como bichos quando se levanta uma pedra, sob o grande pedregulho abstracto do céu azul sem sentido.»

in "Livro do Desassossego", por Bernardo Soares.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O culto dos 'chefs'


Há um texto genial de Arturo Pérez-Reverte sobre o pós-modernismo gastronómico que se tornou uma referência para mim e se chama, muito apropriadamente, "Desconstruyendo pinchos de tortilla". É uma (re)leitura salutar nestes tempos em que nos querem enfiar goela abaixo, literalmente, as mixórdias mais escabrosas, sob o manto invisível da chamada "cozinha de autor".

Um dos que diz, sem papas (gourmet) na língua, que "o chef vai nu" é o meu caro Amigo Bruno Oliveira Santos, que não vai em cantigas, muito menos em cozinhados da moda. Por isso, enquanto a malta anda deslumbrada com as estrelas pneumáticas da gastronomia, escreve: "Não aprecio comida de autor, com os seus experimentalismos, texturas, fusões e condimentos despachados pela FedEx para o tacho. Gosto de comida portuguesa, do nosso peixe, da vitela, do leitão, do cabrito, dos molhos dos assados e de outros temperos que agoniam os senhores da Organização Mundial de Saúde e põem os cabelos em pé aos comissários europeus. Infelizmente, damos passos seguros em direcção à gastronomia molecular. Mais anos menos ano, os nossos cozinheiros, além de estrelas Michelin, hão-de acumular Nobéis da Física. Português rude e antigo, de trato difícil, pergunto sempre de mim para mim ao contemplar estes chefs modernos de avental, à volta de emulsões, copinhos e pipetas: se gostam tanto de cozinhar, por que não aprendem?"

Dir-me-ão os do costume que não passa de uma posição "retrógrada" ou "reaccionária"... Pouco importa. A avalanche de concursos televisivos de cozinha, verdadeiras correrias em pistas de obstáculos que nada têm que ver com a arte culinária, mostram bem ao ponto a que se chegou.

Destes espectáculos de ilusionismo acelerado à elevação dos chefs ao estatuto de "celebridades" foi um instante. O culto do Chefe é algo impensável nestes tempos politicamente correctos, mas o culto dos chefs já é bom e recomenda-se. Tornou-se mesmo o prato do dia!

Que é feito dos cozinheiros?...

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Thorgal e a saga dos vikings


A revista francesa "Historia" publicou um excelente número especial sobre Thorgal, com destaque para as influências dos vikings e da mitologia nórdica nesta óptima saga da Sétima Arte. A não perder!

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O selo de Ernst Jünger


Há tantos anos que o meu saudoso Amigo Roberto de Moraes me falou no selo de Jünger, que tanto o irritou e sobre o qual escreveu na revista "Futuro Presente", em 1999. Agora, a minha mulher fez-me uma óptima surpresa e ofereceu-mo. Muito obrigado!

Aqui fica o texto para memória futura:

O selo de Jünger

A figura de Ernst Jünger é incontornável. Por várias vezes, só para falar no fim da longa vda do escritor, reuniu à sua volta o então Presidente francês, o socialista Mitterand, e o chanceler alemão ao tempo, o cristão-democrata Helmut Kohl, numa simbiose de significado histórico e cultural.
A consagração, no seu centenário, e, sobretudo, no seu funeral, congregou forças vivas que há muito não se viam à luz do dia, juntas. Foi uma grande figura, actor e testemunha, interventor e pensador, de um século de história, não só da Alemanha, como da Europa. A guerra o forjou. Nela se fez homem. Essa a matriz, essa a grande iniciação que lhe permitiu alcançar outras esferas da maneira como o fez. Está bem claro em "A Guerra como Experiência Interior" e, também, nas "Tempestades de Aço". Há que lê-lo. É pena que neste belo selo agora lançado na República Federal da Alemanha não se tenha atendido a esta marca. Assim, face a uma história de dominante militar, olhada como comprometedora e incómoda, preferiu-se prudentemente a imagem etérea do aluno de liceu de 1913, com o seu colarinho médio burguês, à sóbria gola cinzenta encimando a cruz "Pour le Mérite", do soldado e guerreiro de 1918.
Contrária ao cunho aristocrático da sua vida e da sua obra, traindo a matriz, a imagem de fundo torna-se anódina; pelo mesmo preço também podiam ter mostrado o bebé de cueiros de três meses, ou então o rapazinho de sete anos, de fato à maruja, como era costume no seu meio, naquela época. Apesar disto, fica-nos esta imagem indelével, em primeiro plano, granítica e esfíngica, sardónica e voluntariosa, a desafiar o tempo, a fitar o século XXI. E estou em crer que não são apenas os Titãs que ele está a ver.

Roberto de Moraes
in "Futuro Presente" n.º 49 (Primavera de 1999)

domingo, 13 de novembro de 2016

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 87


O último número de «La Nouvelle Revue d'Histoire», revista de referência que habitualmente recomendo e se vende nos quiosques portugueses, tem como tema central a "indomável Hungria" e num óptimo dossier podemos ler artigos sobre a História húngara, das origens aos nossos dias, passando pela revolução de 1848 e a revolta de 1956 contra o comunismo, bem como as entrevistas com o historiador Geza Palffy, sobre a Santa Coroa da Hungria, ou com o historiador Pal Fodor, sobre a Hungria face aos turcos. Nota especial para o artigo de Jean-François Gautier, "A música é a alma de um povo" e um destaque natural para a entrevista sobre o Outubro de 1956 com o anterior director da revista, Dominique Venner, publicada originalmente em 2010 na revista húngara "Magyar Jelen", e a entrevista com o actual primeiro-ministro, Viktor Orbán. No editorial sobre o espírito de resistência e resiliência húngaro, Philippe Conrad conclui que "o segredo desta resistência reside talvez simplesmente no facto de os húngaros serem os herdeiros de uma longa e rica História da qual conservaram a memória, fonte indispensável para a manutenção da sua identidade, a melhor das defesas contra o niveamente mortífero engendrado pelo mundanismo liberal".

Para além do dossier, destaque para a entrevista com Jean-François Gautier, que faz o "diagnóstico para uma Europa em crise", o artigo sobre a depuração na Haute-Vienne no Verão de 1944, de Xavier Laroudie, e o retrato de Sulla feito por Emma Demester, ao qual se segue um questionário para testarmos os nossos conhecimentos, bem como as secções habituais.

sábado, 12 de novembro de 2016

Trump: insurgência identitária?



Enquanto assistimos à busca de "explicações" para a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais nos EUA pelos media e os analistas ditos "de referência", o artigo de Filipe Faria "Trump, o Futuro da América e a Política de Identidade" refere um ponto essencial que tem sido (propositadamente?) desprezado ou ignorado. Será a "insurgência Trumpeana" o protesto do grupo dos euro-americanos no conflito identitário que se vive nos EUA? Tudo indica que sim. Ora veja-se o seguinte excerto:

"Grande parte dos analistas tenta explicar esta “insurgência” Trumpeana como sendo um protesto dos euro-americanos contra a globalização económica devido à perda de empregos e de riqueza geral. No entanto, uma análise mais cuidada revela que os apoiantes de Trump estão muito longe de serem pobres. Os outros grupos (latinos e afro-americanos) que tendem a apoiar o partido democrata com a sua visão globalizante são bastante mais empobrecidos. Este historicismo materialista dos analistas não consegue explicar o fenómeno Trump em toda a sua dimensão.
Tal como vários estudos académicos revelam, o que está na origem desta insurgência é a ascensão da identidade europeia em solo americano. A evidência empírica dos psicólogos sociais Eric Knowles e Linda Tropp mostra que o contacto massivo com “o outro” no próprio país fez com que muitos euro-americanos se tenham consciencializado da sua identidade europeia. Por outras palavras, a abertura de fronteiras e as alterações radicais demográficas e culturais nos EUA provocaram uma ameaça existencial. Tal como aprendemos com a psicologia política evolutiva, é nestes momentos que os grupos tendem a escolher líderes fortes e combativos que defendam a sobrevivência do colectivo."

A este propósito, leia-se, também, a entrevista de Kathy Cramer, The Politics of Resentment (A Política do Ressentimento, não traduzido para português) ao "Público" sobre Donald Trump e sobre o futuro da política de identidade branca.


Nas inúmeras entrevistas que fez no Wisconsin rural, chegou à conclusão que nos "três elementos do ressentimento – não tenho poder, bens nem respeito – a raça e a economia interligam-se".

No entanto, sobre o "racismo" dos apoiastes de Trump, afirma: "O argumento de que o movimento de Donald Trump equivale a racismo não me parece ser verdade, e isto porque o racismo não põe comida na mesa. Não se pode ganhar a vida com o racismo. Não nego que os estudos mostrem que há muito ressentimento racial entre o eleitorado de Donald Trump mas muitas vezes o argumento termina aí. “Eles são racistas.” Parece-me ser uma forma muito redutora de olhar para a questão. É claramente racista pensar que os negros não trabalham tanto como os brancos. E então? Declaramos que uma grande parte da população é racista e, como tal, os seus problemas não são merecedores da nossa atenção?"

Dizendo que resiste muito à "caracterização dos apoiantes de Donald Trump como sendo ignorantes", Kathy Cramer afirma que "cada vez mais há provas de que a política para as pessoas não é – e eu sei que isto vai soar de forma horrível – sobre os factos e as políticas. É sobre identidades, sobre a formação de ideias, sobre o tipo de pessoas que nós somos e o tipo de pessoas que os outros são. Quem sou eu e quem está contra mim?"

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Just ride...


No monólogo final desta música, Lana Del Rey diz uma frase marcante - "I believe in the country America used to be." - que recorda o slogan de campanha de Trump: "Make America Great Again". Alguém quer juntar esta coincidência às "explicações" da vitória que deixou tanta gente de cabelos no ar?

Carlos Martins na SIC Notícias, a propósito do seu livro "Trump Desafiar o Status Quo"


O Carlos Martins foi entrevistado ontem no programa Edição da Noite, da SIC Notícias, sobre a eleição de Donald Trump e a propósito do livro "Trump, Desafiar o Status Quo", da sua autoria, onde analisa a campanha, as medidas, a oposição do establishment e a conquista do eleitorado por parte do novo presidente da Casa Branca. A ver.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Um título revelador


A "diretora" (escrito assim mesmo, sem o "c" de carácter) da «Visão», revoltada com a vitória de Donald Trump, reagiu desta forma, que indignou muito boa gente. Por mim, ao contrário das intenções da "angelical" jornaleira, considero que o título está correctíssimo. Ora vejamos: "Trump Presidente?" revela espanto perante a constatação de um facto inesperado; "Merda, merda, merda!" é a admissão do péssimo trabalho de cobertura, análise e prognóstico das eleições presidenciais nos EUA feito pela revista que dirige.

Mais propagandas


Uma autarquia com um presidente que não foi eleito decidiu dar uma lição de democracia em inglês, sem saber escrever nem verificar a ortografia, esquecendo (ou ignorando) que o "muro" que critica existe há décadas e tem sido aumentado pelas sucessivas administrações norte-americanas. Tudo pago com dinheiros públicos, claro! Deve ser para desviar a atenção das falhas de wi-fi...

Nota: O título deste post é uma referência a outras propagandas da mesma câmara municipal, em 2010.

Explicadores


Os que falharam todas as sondagens e erraram todas previsões são os que agora nos "explicam" a vitória de Trump...

Esclarecedores


Felizmente, os "campeões da tolerância" deram lições de democracia (da verdadeira, claro) em várias cidades do EUA, apesar de a polícia ter tentado impedir estas sessões de esclarecimento público.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Desafiar o 'Status Quo'


Há dois meses tive um almoço com o meu amigo Carlos Martins em que me disse estar convicto na vitória de Trump. Disse-lhe que tinha as minhas reservas mas gabei-lhe a confiança. A afirmação dele não era um mero palpite de apostador, tratava-se de uma posição fundamentada e documentada. Foi quando me disse que estava a preparar um livro sobre o assunto. Há dias vi o livro, que aconselho, à venda na Fnac e hoje devo-lhe um reconhecimento público. Ao contrário dos repetidores do costume, preocupados em ser politicamente correctos, acertou em cheio na sua análise. Parabéns, Carlos!

A vitória anunciada que não o foi...


Jornaleiros a soldo e comentaristas de serviço, analistas de dados viciados e opinantes de vistas curtas, para além dos habituais propagandistas do politicamente correcto, acreditaram na ilusão da sua certeza e anunciaram uma vitória segura da candidata dos obamitas. Era uma certeza "matemática", segundo um dos muitos disparates "científicos" que li, mas a história foi outra...

Como escrevi em tempos, em política não há vitórias anunciadas. Pelo contrário, é normalmente quem as anuncia – tão seguro de si próprio – que acaba em maus lençóis.

domingo, 2 de outubro de 2016

O optimismo de Dominique Venner


“O meu ‘optimismo’ não é beato. Não pertenço a uma paróquia onde se acredita que tudo acaba por se arranjar. Vejo perfeitamente tudo o que é negro na nossa época. Pressinto, no entanto, que os poderes que pesam negativamente sobre a sorte dos europeus serão minados pelos choques da História que hão-de vir. Para chegar a um autêntico despertar é ainda necessário que os europeus possam reconquistar a sua consciência indígena e a longa memória das quais foram desapossados. As adversidades que aí vêm ajudar-nos-ão libertando-nos do que nos tem poluído em profundidade. Foi a tarefa temerária a que me dediquei. Tem poucos precedentes e em nada é política. Para além da minha pessoa mortal, tenho a certeza que os archotes acesos não se apagarão. É o que me transmitem os nossos poemas fundadores. Eles são o depósito de todos os nossos valores. Mas constituem um pensamento em parte perdido. Temos assim que reinventá-lo e projectá-lo no futuro como um mito criador.”

Dominique Venner

in La Nouvelle Revue d’Histoire n.° 58 (Jan.-Fev. 2012).

sábado, 1 de outubro de 2016

Esquizofrenia ortográfica


O (des)Acordo Ortográfico é um perigoso disparate no qual, infelizmente, o actual Governo insiste. Os argumentos em sua defesa são contraditórios e reveladores da impossibilidade do seu objectivo unificador.

Na edição de hoje do «Expresso», a Presidente do Instituto Camões dá mais uma prova da esquizofrenia que é defender esta aberração ortográfica.

À pergunta “é preciso um Acordo Ortográfico?”, Ana Paula Laborinho respondeu: “O Acordo Ortográfico é um instrumento até de internacionalização. É a tentativa de, enquanto língua internacional e num contexto de ensino, não termos de ensinar o português nas suas diversas variedades.” Ou seja, o argumento habitual, se bem que defensivamente suavizado ao remetê-lo para uma “tentativa”.

Muito bem, a jornalista pergunta-lhe em seguida: “Foi lançado há uma semana um livro intitulado "Viva a língua brasileira" e está a ser preparada uma revisão curricular no Brasil que pode secundarizar a ligação com Portugal. Portugueses e brasileiros entendem-se ou desentendem-se em português?” E a resposta não podia ser mais contraditória: “Entendemo-nos bem. O reconhecimento da diversidade dos povos não é impeditivo de nos entendermos.

Um caso clínico!

domingo, 18 de setembro de 2016

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 86


O mais recente número da revista de referência «La Nouvelle Revue d'Histoire» oferece um óptimo dossier que nos leva "às fontes da excepção americana", um tema bem actual porque nas vésperas das eleições presidenciais nos EUA. A esse propósito, Philippe Conrad diz-nos no editorial que uma eventual vitória de Donald Trump "constituirá sem qualquer dúvida uma ruptura maior um choque geopolítico de grande envergadura". Razões de sobra para melhor compreendermos a "génese de uma identidade particular".

Para além do dossier, destaque para a entrevista com o historiador das relações internacionais Georges-Henri Soutou e os artigos "A Batalha de Hastings", de Gérard Hocmard, e "Guilherme, o Conquistador, na memória anglo-normanda", de Franck Buleux, e o texto de Philippe d'Hugues sobre Pierre Boutang, bem como as secções habituais.

sábado, 10 de setembro de 2016

No 450.º aniversário de Alonso Sánchez Coello


A revista espanhola "Descubrir el Arte" deste mês tem como tema central o pintor Alonso Sánchez Coello, a propósito dos 450 anos do seu nascimento. Formado em Lisboa e com uma ligação estreita a Portugal, Coello pintou um belo retrato do nosso D. Sebastião que abre um dos artigos. Uma edição bastante interessante.

terça-feira, 19 de julho de 2016

A aventura continua...


Na passada semana, a revista francesa «Figaro Magazine» iniciou a publicação em fascículos da nova aventura da dupla Blake e Mortimer, que sairá em formato de álbum apenas em Novembro. Pelas mãos de Yves Sente e André Juillard, os nossos heróis seguem as pistas do "mistério Shakespeare", em "O Testamento de William S.", durante todo este Verão. A não perder!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Tão amigos que eles eram...

Garcia Pereira e Arnaldo Matos. Tão amigos que eles eram...

O «Luta Popular», órgão oficial do PCTP/MRPP, traça o "perfil de um canalha", que é como se refere a Garcia Pereira, classificado como "anti-comunista primário", que "se escondia atrás do secretário-geral burocrata e analfabeto Conceição Franco, para desferir cobardes ataques à classe operária e ao povo trabalhador". A guerra de Arnaldo Matos contra Garcia Pereira não é nova e provocou a demissão deste último no ano passado, mas parece ainda não ter terminado. O artigo referido, publicado no dia 7 de Julho, acaba com a seguinte frase: "Mas há mais documentos que confirmam o trajecto anti-comunista e social-fascista de Garcia Pereira. Havemos de voltar a eles." 

Mas, enquanto nos divertimos com o enxovalhamento público neste partido que mais parece um manicómio, é bom recordar que o PCTP/MRPP recebe subvenções desde 2009, mesmo sem qualquer eleito. A partir das últimas Legislativas, em 2015, recebe cerca de 170 mil euros por ano graças aos 60 mil votos obtidos. É (também) para isto que servem os fundos públicos...

terça-feira, 5 de julho de 2016

Robin Hardy (1929-2016)


Robin Hardy, o realizador britânico que marcou o Cinema com o seu magnífico "The Wicker Man" (1973), morreu no passado dia 1 de Julho com 86 anos de idade. Que os Deuses o acolham!

sábado, 2 de julho de 2016

The Deer Hunter


«Stanley, see this? This is this. This ain't something else. This is this. From now on, you're on your own.»

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Celebrar o Solstício de Verão


Celebrar o Solstício de Verão é, antes de tudo, o reatar de uma festa ancestral e várias vezes milenária. Mas não se trata de proceder à maneira dos arqueólogos e dos etnógrafos. Esta celebração não é uma reconstituição. Deve ser viva e alegre, em harmonia com o tempo presente.

Philippe Conrad
in “Os Solstícios – História e Actualidade”, Hugin (1995).

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O livro e a beleza



«Um livro é uma coisa entre as coisas, um volume perdido entre os volumes que povoam o indiferente Universo, até que encontra o seu leitor, o homem destinado aos seus símbolos. Acontece então a emoção singular chamada beleza, esse mistério belo que nem a psicologia nem a retórica decifram.»

Jorge Luis Borges
in "Biblioteca Pessoal"

terça-feira, 29 de março de 2016

segunda-feira, 28 de março de 2016

Recordar o Rodrigo


Porque a Vida, porque os vivos me fatigam
Com a Morte, com os mortos eu me quero.

Rodrigo Emílio (18/2/1944 — 28/3/2004)

domingo, 27 de março de 2016

Sobre as origens do templo grego

Na edição de Março da revista "Descubrir el Arte", há um interessante artigo de Antonio Penadés sobre as origens do templo grego. O autor do texto recorda que "os recintos sagrados da antiga Hélade emulavam os bosques em que moravam os deuses" e conclui afirmando: "Os templos gregos, definitivamente, possuíam um significado muito profundo que excede amplamente a questão estética. Por isso, não podemos hoje ficar nesse estado na hora de contemplar os seus restos e tentar compreendê-los. Há que ter em conta que a arte pela arte é uma ficção moderna e que naquele tempo a beleza, ainda que fosse importante, devia estar em todo o caso ao serviço do significado original do templo. Só a partir destas premissas, entendendo que eram edifícios sagrados que tinham símbolos antiquíssimos, é possível saborear de verdade os templos gregos e apreciar com fundamento a sua beleza incomparável."

terça-feira, 22 de março de 2016

Impotentes...


Quantas "marchas pela paz", quantas alterações da fotografia de perfil nas redes sociais, quantos discursos justificativos são necessários para revelarem, finalmente, a sua impotência?

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Obrigado!


A sessão comemorativa do quadragésimo aniversário de "O Diabo", que decorreu na Sociedade Histórica da Independência Nacional (SHIP), em Lisboa, no passado dia 27 de Fevereiro, foi um êxito. Os leitores e amigos do nosso jornal, que lotaram o Salão Nobre do palácio da Independência, ouviram e conheceram pessoalmente alguns dos mais destacados colaboradores de "O Diabo", numa tarde em que o mau tempo não afastou a audiência. Pessoalmente, quero agradecer a todos os conferencistas, Soares Martínez, Brandão Ferreira, Jorge Morais, Miguel Mattos Chaves, Manuel Bernardo, Eduardo Brito Coelho e Humberto Nuno de Oliveira, a todos os presentes e ao Gen. Baptista Pereira, que presidiu à Mesa em representação da SHIP, prestigiada instituição que disponibilizou o espaço para este encontro. Um dia inesquecível que assinalou uma marca invejável da persistência do nosso jornal. Bem hajam!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Apresentação do livro "Ideias a Contracorrente"


O meu caro Amigo Humberto Nuno de Oliveira apresentou ontem, na SHIP, o meu livro "Ideias a Contracorrente", durante a sessão comemorativa dos 40 anos do semanário "O Diabo", que não podia ter corrido melhor. Muito obrigado a todos!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Sessão comemorativa do 40.º aniversário do semanário “O Diabo”


27 de Fevereiro de 2016

Palácio da Independência | Largo de São Domingos, 11 | Lisboa


PROGRAMA

14:00h – Recepção
14:30h – Abertura da sessão
14:40h – Jorge Morais, “40 anos num minuto”
15:00h – Pedro Soares Martínez, “Portugal precisa de O Diabo”
15:20h – Duarte Branquinho, “Cinco anos a contracorrente”
15:30h – Humberto Nuno de Oliveira – Apresentação do livro
“Ideias a Contracorrente”, de Duarte Branquinho
15:45h – Intervalo
16:00h – Brandão Ferreira, “A importância da diferença”
16:20h – Eduardo Brito Coelho, “Tocar a rebate. A curta história de uma colaboração”
16:40h – Manuel Bernardo, “Os militares e O Diabo”
17:00h – Miguel Mattos Chaves, “Uma estratégia para Portugal"

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Uma potência chamada Alemanha


A revista francesa de Geopolítica “Conflits”, dirigida por Pascal Gauchon, é uma publicação de referência para quem quer compreender melhor os desafios do nosso mundo. À venda em Portugal está a edição n.º 8, referente ao primeiro trimestre deste ano, e tem como tema central a potência alemã e a dúvida se esta está a viver a sua aurora o seu crepúsculo. Um número a não perder.

O excelente ‘dossier’, que abre com um artigo de Pascal Gauchon sobre o “Império do meio”, inclui vários textos a destacar, como “O fim do povo alemão?”, onde Julien Damon analisa o impacto da imigração na Alemanha, “A reunificação mudou a Alemanha?”, de Thierry Buron, que afirma que a Alemanha de Leste ainda existe, e ainda artigos sobre a relação da Alemanha com os Estados Unidos da América, com a Rússia, as forças armadas alemãs, o papel da Alemanha na Europa, entre outros.

Nos restantes artigos, refira-se o retrato de Bashar al-Assad, de Frédéric Pichon, a análise da situação na Birmânia, que Jack Thompson considera uma “mudança na continuidade”, e a entrevista com Georges-Henri Soutou, especialista nas relações franco-alemãs.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Epistolário rilkeano

As “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke, são uma obra intemporal cujo nascimento não foi previsto pelo autor. Felizmente, as missivas enviadas ao jovem Franz Xaver Kappus foram publicadas por este já depois da morte do poeta de “As elegias de Duino” e tornaram-se uma referência. É pois de saudar uma nova edição da tradução feita por Vasco Graça Moura, que também prefaciou e anotou, pela Modo de Ler, bem ilustrada com fotografias e retratos de Rilke.

Em 1902, Franz Xaver Kappus estava na Academia Militar em Wiener Neustadt a ler os poemas de Rainer Maria Rilke, quando soube pelo capelão da Academia que Rilke havia sido aluno da Escola Militar até os pais o terem mudado para outro estabelecimento de ensino devido à sua falta de resistência física. Kappus, que duvidada da sua vocação militar e aspirava a ser poeta, decidiu que Rilke era a pessoa indicada para pedir conselhos literários e não só.

Percebemos pela primeira carta, escrita por Rilke em Paris, no dia 17 de Fevereiro de 1903, que Kappus lhe enviou os seus versos, pedindo-lhe opinião. Na resposta de Rilke antevê-se uma série de conselhos e reflexões sobre a vida que ultrapassam a mera crítica literária, exercício prontamente recusado. Diz o poeta: “Pergunta-me se os seus versos são bons. É a mim que pergunta. Já antes perguntou a outros. Envia-os às revistas. Compara-os com outros poemas e fica inquieto se algumas redacções recusam as suas tentativas. Ora bem (já que me autorizou a aconselhá-lo), peço-lhe que se deixe de tudo isso. O senhor olha para fora e é exactamente o que não deveria fazer agora. Ninguém pode dar-lhe conselhos ou ajudá-lo, ninguém. Há um único meio. Entre dentro de si. Procure o motivo que o faz escrever; examine se tem raízes até ao lugar mais fundo do seu coração, confesse a si mesmo se viria a morrer no caso de escrever lhe ser vedado. Isto antes de mais nada: pergunte-se na hora mais calada da sua noite: tenho de escrever? Escave em si mesmo em busca de uma resposta profunda. E se esta soar afirmativamente, se o senhor tiver de enfrentar esta questão séria com um forte e simples ‘Sim, tenho’, então construa a sua vida em função dessa necessidade; a sua vida terá de ser um sinal e um testemunho desse impulso até nas horas mais indiferentes e insignificantes. Então aproxime-se da Natureza. Então tente dizer, como se fosse o primeiro homem, o que vê e vive e ama e perde.”

A partir desta primeira resposta, inicia-se um diálogo espaçado no tempo e variado no espaço, já que Rilke escreve de diferentes cidades, dadas as suas viagens. Mas é um diálogo do qual temos que imaginar, pelo sentido, uma das partes. Como afirma Vasco Graça Moura no prefácio, “As ‘cartas a um jovem poeta’ não são, pois, uma obra escrita e estruturada pelo seu autor com vista à edição em livro. São uma colectânea de peças irregularmente intervaladas no tempo, organizadas por Franz Xaver Kappus muito depois de as ter recebido. E Kappus viveu até 1966, sem nunca ter esclarecido que outras cartas lhe teriam sido enviadas pelo autor das ‘Elegias de Duino’. Face aos critérios que, hoje em dia, costumam orientar a publicação póstuma das correspondências de escritores, teria sido bem interessante conhecermos não só as restantes cartas de Rilke, mas também as que Kappus lhe enviou...”

É sem dúvida uma questão pertinente e que nos aviva a curiosidade. No entanto, para além do interesse natural de uma edição completa (hoje impossível) para os estudos literários, temos que reconhecer que as “Cartas a um jovem poeta” se tornaram uma obra de Rilke, póstuma e imprevista, à qual não podemos ficar indiferentes.

Por fim, há uma nota especial a fazer à excelente tradução de Graça Moura, que traduz ‘Sehnsucht’, o desejo ou anseio que significa também uma falta imensa, por ‘Saudade’, esse sentimento tão português que em Rilke faz todo o sentido.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

As músicas das Presidenciais

Alguns instantâneos da noite eleitoral das Presidenciais e as músicas que os devem acompanhar. Porque a política nacional deve ser encarada a rir, para não chorar...


Para ver ao som de "Karma Chameleon", dos Culture Club.



Para ver ao som de "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso.



Para ver ao som de "Esta balada que te dou", de Armando Gama.



Para ver ao som do clássico infantil "Eu vi um sapo...", cantado pela Maria Armanda.



Para ver ao som de "E depois do adeus...", de Paulo de Carvalho.



Para ver ao som de "Satisfaction", dos Rolling Stones.


Para ver ao som de "Papel Principal", de Adelaide Ferreira.



Para ver ao som de "A Anita não é Bonita", de José Cid.



Para ver ao som do clássico 'pimba' do Quinzinho de Portugal, "Apitadelas".



Para ver ao som do "Bailinho da Madeira"
(que levou, comparado ao resultado de José Manuel Coelho em 2011).



Para ver ao som do clássico 'pimba' da Ágata, "Abandonada".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

De Gaulle e os americanos

No ano em que se completarão 50 anos da saída da França da OTAN (que em Portugal continua a ser mais conhecida pela sigla anglo-saxónica NATO), a primeira edição deste ano da revista de referência “La Nouvelle Revue d’Histoire”, dirigida por Philippe Conrad, dedica um excelente ‘dossier’ à relação entre o Presidente De Gaulle e os norte-americanos.

É um momento histórico de grande importância ainda que pouco recordado, mas decisão de De Gaulle em afirmar a França como potência independente foi uma demonstração de força que hoje julgaríamos impensável. A construção de uma força nuclear francesa autónoma, a crítica da intervenção norte-americana no Vietname, a tentativa de abertura a Leste, a retirada da OTAN ou a questão do padrão-ouro confirmaram as divergências entre Paris e Washington. Diferendo que só se acalmaria com a chegada de Richard Nixon à Casa Branca, em 1969. Meio século depois, como nos diz o texto de apresentação do ‘dossier’ desta edição, a França é membro da OTAN há muitos anos e a ameaça que a motivou deixou de existir. No entanto, a “preparação mais ou menos clandestina do futuro tratado transatlântico que quer completar a integração no ‘bloco ocidental’ deve incitar a uma reflexão salutar a propósito da decisão tomada em 1966”. Assim, o excelente ‘dossier’ tem artigos sobre o duelo entre De Gaulle e Roosevelt entre 1940 e 1945, Giraud e os americanos, a França como potência nuclear e a saída da OTAN, as relações entre De Gaulle e a URSS e a Roménia, bem como a posição contra o “dólar-rei”.

De destacar também nesta edição é a entrevista com o africanista Bernard Lugan, essencial para compreender o actual caos na Líbia, por ocasião da publicação do seu novo livro “História e Geopolítica da Líbia das origens aos nossos dias”.

Ainda neste número, nota para os artigos sobre o desastre grego, o martírio e renascimento do exército sérvio, os militares e a música e entrevista com historiador especialista no mundo germânico Thierry Buron sobre a nova Alemanha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Mau vento

Mesmo aqui ao lado, a extrema-esquerda ganha força e demonstra-o sem qualquer pudor ou respeito pelas instituições. Para o Podemos, o partido espanhol congénere do Bloco de Esquerda, o parlamento não passa de um circo onde os deputados podem fazer o que querem e lhes apetece. Da deputada Carolina Bescansa, que decidiu levar o seu bebé de meses e amamentá-lo enquanto assistia ao plenário, às rastas usadas pelo deputado Alberto Rodriguez, que se orgulha de usar “há quatro anos”, vale tudo! Até alterar a fórmula do juramento da Constituição, que os deputados do Podemos mudaram para “Prometo acatar esta Constituição e trabalhar para mudá-la. Nunca mais um país sem a sua gente e sem os seus povos”. Nesse juramento, onde se ouviam os protestos das bancadas, Pablo Iglesias, o líder que veio a Lisboa apoiar a candidata Marisa Matias, não hesitou em erguer o punho direito fechado. É caso para dizer que, desta Espanha, nem bom vento nem bom casamento.