quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Piropos


"Quentes e boas", diz o homem das castanhas. Com a nova "lei do piropo", ainda se arrisca a ir preso...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Do outro mundo...


A propósito da adaptação de “The Man in the High Castle” para série televisiva, o Miguel Freitas da Costa regressou a “um escritor do outro mundo”, considerando - com toda a razão - que Philip K. Dick é há muito o que se chama um escritor “de culto”. Do apontamento biográfico às adaptações cinematográficas de obras suas, passando pela história alternativa, este é um artigo obrigatório para os fãs de PKD, bem como para os que só agora o descobrem.

domingo, 27 de dezembro de 2015

A voz da alternativa cultural

É de saudar a continuação de uma revista portuguesa que se tem afirmado como a transmissora de uma cultura alternativa que contrasta com a massificação imposta pelo pensamento único. A “Finis Mundi” é, assim, uma voz dissidente contra o politicamente correcto que importa conhecer e urge apoiar.

Depois de ter sido dirigida por Flávio Gonçalves, a revista conhece agora uma renovação com um novo director que, não alterando a matriz desta publicação, lhe deu uma marca diferente. O n.º 9 foi lançado no passado dia 16 de Dezembro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, após o colóquio “Afonso de Albuquerque, 500 anos depois: Memória e Materialidade”.

Em entrevista a «O Diabo», quando assumiu a direcção da revista, João Franco afirmou que “mantendo os seus colaboradores valorosos, a ‘Finis Mundi’ irá aproximar-se mais da Ciência Política, da Geopolítica e da Estratégia, deixando um pouco de lado os textos mais esotéricos e herméticos. Pretendemos abordar também as grandes questões do nosso tempo, sejam elas a protecção do ambiente, as energias alternativas, as migrações, a inteligência artificial, ou mesmo o sistema capitalista actual”.

Neste número, referente ao mês de Dezembro de 2015, podemos ler artigos de Alain de Benoist, Alberto Buela, Brandão Ferreira, Ernesto Milá, Eduardo Amarante, Mário Casa Nova Martins, entre outros, para além de um texto de Eça de Queirós.

A “Finis Mundi” pode ser adquirida através da Internet, em wook.pt, ou encomendada em qualquer livraria Bertrand.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A agressão

“É sobretudo o ódio de partido
que ao extremo horror as coisas leva”
Goethe

A Universidade de Salzburgo, na Áustria, decidiu retirar postumamente o título de doutor ‘honoris causa’ a Konrad Lorenz, atribuído em 1983, devido ao seu “passado nazi”. Numa clara demonstração de “antifascismo” institucional, a Universidade assumiu uma vergonhosa postura de estreiteza e pequenez intelectual. Para estes zelotas do politicamente correcto, as opções políticas – ainda que historicamente localizadas – sobrepõem-se ao contributo científico. Escusado será dizer que, tivesse Lorenz sido comunista, por exemplo, a questão não se punha.

Konrad Lorenz (1903-1989) é considerado como um dos pais da Etologia, a ciência que estuda o comportamento animal, e os seus trabalhos de investigação foram reconhecidos internacionalmente. Em 1973 foi galardoado com o Nobel da Fisiologia ou Medicina pelas descobertas relativas a padrões de comportamento individuais e sociais, em conjunto com o alemão Karl von Frisch e o holandês Nikolaas Tinbergen.

O “passado maldito” de Lorenz há muito que havia sido ultrapassado, mas esta agressão actual não lhe seria estranha. Foi este etólogo austríaco que tão bem demonstrou que a agressividade, longe de ser uma pulsão patológica, tinha por finalidade a sobrevivência. É este ataque póstumo e descabido uma tentativa de sobrevivência dos defensores da massificação uniformizadora?

O caso não será certamente único, porque esta retirada de título foi consequência de um reexame de todas as distinções atribuídas no passado pela Universidade de Salzburgo. Quem serão os novos proscritos?

É bom recordar o que escreveu Lorenz sobre as tentativas de apagar o passado: “É insensato supor que basta destruir uma floresta para automaticamente fazer nascer uma nova. Ora, assiste-se nos nossos dias, ao enfraquecimento contínuo dos factores que asseguram a transmissão da tradição e ao fortalecimento dos factores de ruptura. Destruindo as instituições e os antigos valores arriscamo-nos a desembocar numa verdadeira regressão.”

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Solstício de Inverno


Na noite mais longa do ano, há uma certeza que reconforta a família: o Sol regressará.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Frase do dia

«Enquanto Sócrates anda às voltas com a Justiça, os pós-socráticos ficaram livres do passado e, o que é dramático, de mãos soltas para voltar a aplicar as receitas do passado.»

Helena Matos
in «Observador»

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Música pátria

Foi revitalizante regressar à Casa do Cipreste, em Sintra, para um serão inesquecível. Projectada por Raul Lino no início do século passado, continua na família e a tradição de lugar de encontro e cultura mantém-se.

Honrado com um convite para uma pequena celebração a propósito do vigésimo aniversário da classificação de Sintra como património mundial, tive o prazer de assistir a um concerto onde dois pianistas de formidável talento envolveram os presentes com música da autoria de compositores portugueses.

Edward Luiz Ayres d’Abreu, Presidente da Direcção do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, e Philippe Marques tocaram peças de Alfredo Keil, Vianna da Motta, António Fragoso, Óscar da Silva, Ruy Coelho, entre outros. Nomes que, mais ou menos esquecidos ou ignorados, têm vindo a ser recuperados por uma geração de jovens músicos que sabem para onde vão, não esquecendo de onde vêm. São os verdadeiros guardiães da Tradição, que passam o seu testemunho revivendo-a e renovando-a – faróis que nos recordam que se deve visitar o passado sem passadismos para nos encontrarmos num caminho que é comum.

O local onde tocaram não podia ser mais apropriado, já que Raul Lino se relacionava com as personalidades do meio musical português seu contemporâneo e, enquanto arquitecto, dava uma especial importância à acústica.

A sala encheu-se de pessoas que encheram a alma com melodias nascidas da criatividade nacional. A seguir, o convívio foi salutar e a conversa enriquecedora. Falou-se de Sintra, claro, e do desafio que é a sua preservação, do génio artístico português, dos antigos mestres que continuam a ser um exemplo e uma inspiração e até de assuntos mais ligeiros. Falámos também de música, como não podia deixar de ser, e da sua importância pátria.

Mais tarde, enquanto escrevia mentalmente estas linhas, lembrei-me de uma máxima nietzscheana que há muito compreendi: “Sem música, a vida seria um erro.”

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Encurralado


“Compras mobília. Dizes a ti próprio, este é o último sofá de que vou precisar para o resto da minha vida. Compras o sofá e depois, durante um par de anos, sentes-te satisfeito porque, aconteça o que acontecer de errado, pelo menos, conseguiste resolver a problemática do sofá. Depois é o serviço de pratos certo. Depois a cama perfeita. Os cortinados. A carpete. Depois ficas encurralado dentro do teu lindo ninho e as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti.”

Chuck Palahniuk
in “Clube de Combate”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Livros nos filmes (V)


Jamie Bell, no papel de Jimmy no remake de "King Kong" (2005), a ler "Heart of Darkness" de Joseph Conrad.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Frase do dia

«O dr. António Costa, que usa o título de primeiro-ministro, tinha a obrigação de informar o público sobre o que anda ou não anda a negociar (não é ele um homem de negócios?) com o PCP.»

Vasco Pulido Valente
in «Público»

sábado, 5 de dezembro de 2015

A nova “Éléments” de sempre


Lançada há mais de quarenta anos como a voz do Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), liderado por Alain de Benoist, a “Éléments” tem uma longevidade impressionante para uma revista de ideias. Agora, esta publicação de referência ganhou uma nova vida, passando a ter uma periodicidade mensal, mais páginas, um outro grafismo e uma edição totalmente a cores.

Para os que estavam habituados a ler o editorial de Robert de Herte na terceira página desta revista, não será grande surpresa encontrar agora o texto assinado por Alain de Benoist, que nesta renovação deixa o seu anterior pseudónimo a partir deste número. De seguida, um texto apresenta a nova fórmula e conta a história da revista, apresentando-a aos novos leitores.

O destaque nesta edição vai para a grande entrevista com Michel Onfray, um filósofo a quem a esquerda francesa acusa agora de “fazer o jogo” da Frente Nacional, devido às suas posições que contrariam o politicamente correcto. De elevada qualidade e interesse é o ‘dossier’ dedicado à direita face ao veneno liberal.

Nesta edição bastante variada, devemos ainda referir os artigos sobre a crise dos “migrantes”, a “máquina onusiana” que é a Conferência do Clima, o controlo social através do mundo digital, a fenomenologia da indústria da sideração que são as super-produções de Hollywood, o diferencialismo contra ateoria de género, para além das entrevistas com Alain de Benoist sobre a sua imensa colecção de livros e com o entrevistador Nicolas Gauthier. Por fim, uma nota para o anti-manual de filosofia de Jean-François Gautier, que questiona: podemos julgar objectivamente o valor de uma cultura?

Esta é uma nova “Éléments”, mas com a qualidade e criatividade de sempre, capaz de renascer quando o combate das ideias assim o exige. Porque a vanguarda do pensamento não se consegue sendo estático.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ponto de situação

Cavaco Silva nomeou António Costa como primeiro-ministro e, pese embora a ténue tentativa de prova de vida nos “recados” enviados, assinou a sua morte política anunciada. Não surpreendeu verdadeiramente, pois aquele que se considerava um Presidente moderador foi, durante a sua passagem pelo palácio de Belém, moderadamente Presidente.

O novo Governo socialista apressou-se a tomar os ministérios na noite em que foi empossado. Vale a pena recordar a analogia do camelo – animal que aguenta a travessia do deserto sem beber água, mas que bebe toda a que consegue mal chega a um oásis – para o descrever. Aliás, o afã legislativo em alterar o que o anterior Governo aprovou é um óptimo exemplo do que devemos esperar.

No entanto, as muletas do PS, com alturas diferentes, anunciam que este Governo vai ser cambaleante. No Bloco de Esquerda, o deslumbre com a proximidade do poder ainda dura e mostra como o seu discurso anti-sistema se desfaz num ápice. Já o irreformável Partido Comunista, expectante, não fará concessões e tem as suas tropas de rua bem oleadas, como o demonstrou a manifestação da CGTP. O apêndice do PC tenta mostrar que tem vida própria, mas desengane-se quem acreditar que há o risco de uma apendicite partidária. Por fim, o novel PAN, seguramente para reduzir a pegada ecológica, aproveita a boleia de quem o leve mais longe.

À direita, o discurso do governo ilegítimo de Costa é uma munição que já foi disparada e não provocou estragos. Passos e Portas prometeram no Parlamento não dar tréguas ao novo Executivo, mas o mais difícil está para vir. Os que falam na “conquista do centro” esquecem-se que este não se ganha, antes se compra com lugares e prebendas.

Perante esta situação, há quem tente reconfortar os críticos dizendo que “é a democracia”, como quem atira um evasivo “vamos andando”. É esta submissão à “normalidade” que é assustadoramente desesperante.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

As artes decorativas na 'obra de arte total' de Raul Lino


Raul Lino é uma referência maior na Arquitectura nacional, mas o seu contributo não se esgota no perfil de arquitecto da Casa Portuguesa. É por isso de saudar a publicação de “Raul Lino – Natureza e Tradição nas Artes Decorativas”, pela editora Scribe, um trabalho excepcional no qual a sua sobrinha-bisneta revela a atenção de Raul Lino ao pormenor, expressa nas artes decorativas.

A atenção ao pormenor é uma das características de Raul Lino (1879-1974) – um artista total – que, como já escrevi num editorial em sua homenagem no semanário «O Diabo», era capaz de projectar uma casa desde a sua implantação harmoniosa no espaço até ao desenho de um puxador de portas, ou das loiças a utilizar pela família que ali vivesse.

Esta obra de Maria do Carmo Lino é a adaptação da sua dissertação de mestrado em História de Arte defendida na Universidade Lusíada de Lisboa, que torna acessível ao público em geral a obra de Raul Lino no domínio das artes decorativas. É uma síntese formidável de mais de 70 anos de produção artística sem interrupção e contempla propostas para decoração de interiores, respectivo mobiliário, frescos decorativos, azulejaria, faianças e porcelanas, serralharia artística, ferragens, cenografia e figurinos, ilustrações, ex-libris, bilhetes-postais, programas de espectáculos, panos de mesa e vestidos bordados. Como afirma a autora, põe “em prática o conceito de obra de arte total”.

O livro, com uma bela composição gráfica e bem ilustrado, apresenta uma síntese biográfica de Raul Lino, o contexto das artes decorativas na sua formação e a proposta do arquitecto da obra de arte total, em capítulos diferentes, que nos enquadram para o capítulo onde os trabalhos nas várias artes decorativas são elencados e explicados.

Por fim, a obra oferece-nos talvez o texto mais interessante – uma verdadeira descoberta! A autora analisa a missão extraordinária de que Raul Lino foi incumbido em 1940: mobilar e guarnecer a Legação de Portugal em Berlim, com “carta branca e total autonomia”. Esta experiência, que foi um exemplo de obra de arte total, perdeu-se infelizmente em 1945, pouco depois de estar concluída, quando os jardins do edifício foram atingidos por uma bomba incendiária que destruiu praticamente tudo. O que sobrou foi pilhado pelas tropas russas.

Felizmente, esse trabalho foi agora resgatado ao esquecimento, assim como uma faceta menos conhecida de Raul Lino. Um livro obrigatório.