segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Com um sorriso que guardo para meu...
Tenho diante de mim as duas páginas grandes do livro pesado; ergo da sua inclinação na carteira velha, com os olhos cansados, uma alma mais cansada do que os olhos. Para além do nada que isto representa, o armazém, até à Rua dos Douradores, enfileira as prateleiras regulares, os empregados regulares, a ordem humana e o sossego do vulgar. Na vidraça há o ruído do diverso, e o ruído diverso é vulgar, como o sossego que está ao pé das prateleiras.
No próprio registo de um tecido que não sei o que seja se me abrem as portas do Indo e de Samarcanda, e a poesia da Pérsia, que não é de um lugar nem de outro, faz das suas quadras, desrimadas no terceiro verso, um apoio longínquo para o meu desassossego. Mas não me engano, escrevo, somo, e a escrita segue, feita normalmente por um empregado deste escritório.
in "Livro do Desassossego", por Bernardo Soares.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Fim à vista?
Leio a notícia da venda dos edifícios que servem de sede às redacções do «Diário de Notícias», em Lisboa, e do «Jornal de Notícias», no Porto, e recordo-me do que escrevi há um ano: «Dois amigos enfrentam o futuro incerto da Imprensa. O que foi despedido disse-me: “jornalista é uma profissão em vias de extinção”. Não quero acreditar, apesar da progressiva desvalorização a que temos assistido. O que ficou, convencido de que lhe cabe a ingrata tarefa de “fechar a porta”, reconheceu que nunca tinha considerado a possibilidade do fim do “DN”, mas agora cada vez mais o vê como uma certeza.»
terça-feira, 17 de novembro de 2015
domingo, 15 de novembro de 2015
Em casa do mestre da luz
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| O magnífico “Paseo a orillas de mar”, a obra mais conhecida do museu. |
Descobrir a Casa-Museu Sorolla entre os prédios do Paseo General Martínez Campos, em Madrid, é entrar num pedaço de paraíso que resiste à pressa e agitação do mundo contemporâneo. Temos a honra de ser convidados em casa de um dos pintores que melhor soube registar a luz. Sorolla é um talentoso mestre que se tornou intemporal e a sua obra deve ser visitada e revisitada.
Joaquín Sorolla (1863-1923), pintor pós-impressionista, foi o mais importante do chamado luminismo valenciano e as suas obras mais conhecidas captam a luz de uma forma envolvente, que se mistura com o movimento do vento, e revelam expressões que nos prendem. No aparente realismo dos seus quadros há um mistério que nos intriga e que nos leva a olhar mais fundo, numa descoberta pessoal.
É assim um privilégio ver as suas obras naquela que foi a sua casa de família e onde pintava, construída entre 1910 e 1911 segundo o projecto do arquitecto Enrique María Repullés, a quem Sorolla deu indicações preciosas para as entradas de luz. Em 1925, a viúva do pintor, Clotilde García del Castillo, deixou em testamento os seus bens ao Estado espanhol para a criação de um museu em homenagem ao seu marido. A Casa-Museu Sorolla foi assim fundada em 1933 e teve como primeiro director o filho do pintor, Joaquín Sorolla García.
Aqui podemos encontrar uma extensa colecção de obras, que cobrem todas as fases da vida de Sorolla, bem como os seus objectos pessoais e de trabalho. No ‘atelier’ podemos ver a sua secretária e o local onde pintava. As paredes estão repletas de quadros, mas há ainda estantes com variados objectos. No interior da cama coberta por grossas cortinas que aí se encontra, descobrimos uma prateleira com livros e, entre os clássicos, vemos um volume do nosso Eça de Queirós. As divisões térreas têm uma fotografia antiga que mostra o seu estado original e, no irresistível exercício comparativo, confirmamos com agrado que as semelhanças ultrapassam as diferenças.
Sorolla era um homem de família, o que se sente nos vários quadros onde retrata a sua mulher e os seus filhos. A sua obra tem ainda um lado etnográfico, ao registar os trajes e os costumes da sua Valência natal. Foi também retratista e paisagista. Um pintor completo e excepcional que nos abriu portas...
sábado, 14 de novembro de 2015
Nada de novo
Geopolítica da Índia e da China
Será que os gigantes indiano e chinês serão as peças de um entendimento anti-hegemónico, ou as rivalidades e divisões entre as duas potências as manterão de costas voltadas? É uma questão de difícil resposta, ainda que muito importante para o futuro. O excelente ‘dossier’ deste número da “Conflits” dá-nos preciosas informações para uma análise fundamentada. De entre os vários artigos, destacam-se a introdução feita pelo director da revista, bem como a comparação de forças entre os dois países e a sua rivalidade geopolítica e económica ilustrada em mapas. A seguir são analisadas por vários autores as relações económicas e militares entre a Índia e a China, sem esquecer o Paquistão, o Oceano Índico, a presença de ambos os países em África, e as relações com o Japão, os EUA e a Rússia. Ainda ligado ao tema central, é de referir a entrevista ao sinólogo francês François Godement sobre o expansionismo chinês.
Nos restantes artigos, são de referir o retrato de Henry Kissinger, a análise dos paraísos fiscais e da forma como as grandes potencias necessitam deles, bem como a história da estratégia do império azteca. Nota ainda para a entrevista com o General François Lecointre que fala sobre o papel do exército francês face ao terrorismo.
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
X Jornadas da Dissidência
De regresso às Jornadas da Dissidência, organizadas pelas Ediciones Fides, subornidadas ao tema "Quixotes do século XXI", para representar Portugal.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Tirar a G3 do baú...
Para além do erro de concordância da segunda forma verbal, note-se como não é apenas na extrema-esquerda que o discurso do PREC continua vivo. Como já escrevi, há ainda no Largo do Rato quem acredite nos “amanhãs que cantam” e, como se vê, cantam ao som das rajadas da velha G3...
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
O maior poeta pagão neste mundo
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Em linha...
Em brasa...
Indigestão
terça-feira, 3 de novembro de 2015
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