quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sem rumo

Polícia sul-africana tenta controlar um motim nos arredores da Cidade do Cabo.

Escrevo estas linhas no Hemisfério Sul, de onde em breve partirei de regresso a Portugal. A longa viagem fará com que chegue após o acto eleitoral, mas a minha participação pouco importa. Aliás, o voto antecipado não é possível para quem se ausente do País em férias, ainda que um jornalista esteja sempre em trabalho...

Infelizmente, não depende do novo governo a mudança necessária para Portugal. Súbditos de interesses estrangeiros, continuaremos “em gestão”, como se fossemos uma pequena empresa da ‘holding’ dos eurocratas de Bruxelas, que nos subsidiam e por nós decidem. Por quanto tempo?

Observei a situação da África do Sul e chego à conclusão que este é outro país sem rumo. Para além de observar uma terra de contrastes, onde o principal é entre um mundo desenvolvido à imagem do Ocidente e a violência e pobreza a que nos habituámos num país africano, é curioso ver como há cada vez mais pessoas que duvidam da “radiante nação arco-íris”. Não é apenas entre os brancos, sejam bóeres ou outros, e os “mulatos do Cabo”, as duas comunidades preteridas pelos novos detentores do poder, mas também entre os negros que surgem vozes críticas do actual governo.

Duas décadas depois da era do Apartheid, muitos consideram que há o sério risco de a África do Sul, minada pela corrupção e pela tensão racial, se assemelhar em breve ao vizinho Zimbabwe. O assunto não é tabu, é curioso ver como nos expositores dos títulos mais vendidos nas livrarias se encontram livros sobre o tema. Dois exemplos. Em “What's Gone Wrong? South Africa on the Brink of Failed Statehood” (“O que correu mal? A África do Sul à beira da falência do Estado”), Alex Boraine, que foi defensor de Nelson Mandela e pertenceu à Comissão de Verdade e Reconciliação, aponta o dedo ao ANC, partido cuja prioridade considera ser todos os sectores da sociedade. Em “Zuma Exposed” (“Zuma revelado”), o jornalista Adriaan Basson analisa factualmente como a preocupação do actual Presidente sul-africano é servir e proteger os seus e não os milhões que o elegeram.

Um país sem rumo é um país sem futuro.

Editorial publicado na edição desta semana de «O Diabo».

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